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sexta-feira, 18 de outubro de 2024

HALLOWEEN 4 – O RETORNO DE MICHAEL MYERS (1988). Dir.: Dwight H. Little.

 

NOTA: 6


Dez anos após sua primeira aparição, Michael Myers está de volta em HALLOWEEN 4 – O RETORNO DE MICHAEL MYERS.

 

E chegamos a Halloween 4, o filme que retoma a linha do tempo que terminou em Halloween II, e que dá início à polêmica Trilogia de Thorn, que, na opinião de muitos críticos, destruiu a mitologia da franquia, além de não fazer muito sentido.

 

Além disso, esse filme também não se iguala ao primeiro, e nem ao segundo em questões técnicas e de roteiro, mas, mais detalhes sobre isso mais para frente.

 

Primeiro, vamos começar dizendo como essa sequência ganhou a luz do dia.

 

Depois da recepção fria do filme anterior, o produtor Moustapha Akkad queria retomar as raízes da franquia, ou seja, queria trazer Michael de volta. Sendo assim, ele chamou os criadores, John Carpenter e Debra Hill, para escreverem o roteiro, mas, a ideia deles se distanciou muito do que Akkad tinha em mente.

 

Segundo informações da internet, e de um livro que fala sobre as ideias rejeitadas de continuações para a franquia, o roteiro de Carpenter e Hill focava nas consequências do massacre de 1978, com a cidade de Haddonfield abandonando o Halloween, e com uma nova onda de assassinatos acontecendo, o que despertaria a possibilidade de que um novo Michael Myers estaria surgindo.

 

No entanto, a Akkad não gostou da proposta e rejeitou o roteiro, o que levou Carpenter e Hill a abandonarem a franquia, e Akkad a adquirir os direitos. Então, um novo roteirista foi contratado, e, segundo informações, ele teve de agir rápido, porque, naquele ano, uma greve de roteiristas estava prestes a estourar. O roteirista conseguiu finalizar o trabalho em alguns dias, mas não havia tempo para revisões e reescritas, o que prejudicou o resultado.

 

O diretor Dwight H. Little também não tinha muita experiência no cinema, e teve que trabalhar num ritmo acelerado para concluir o filme a tempo para o lançamento. Posso dizer que ele fez um trabalho decente, apesar de cometer alguns erros, principalmente na hora de montar o filme.

 

Assim como o primeiro, Halloween 4 foi rodado na primavera, o que levou os realizadores a se virar para encontrar folhas secas e abóboras para decorar os cenários.  Levando em conta o tempo que tiveram, eu diria que eles conseguiram se virar muito bem.

 

Na trama, Michael passa dez anos em um hospital, e será transferido para Smith’s Grove. No entanto, ele consegue matar os paramédicos e parte de volta para Haddonfield, com o intuito de matar sua sobrinha. Sabendo que Michael está à solta novamente, o Dr. Loomis decide ir à caça do assassino.

 

Passado esse resumo da trama, vamos falar sobre o filme em si.

 

Halloween 4 é um filme que tenta seguir a fórmula criada por Carpenter, além de tentar seguir também a fórmula dos slashers que estavam em vigor na época. Mas, além disso, ele se esforça para ser uma continuação, visto que apresenta novos personagens e situações que não estavam presentes nos filmes anteriores.

 

Eu vou sincero aqui e dizer que até gosto dos personagens novos, e eles funcionam bem no filme, principalmente a garotinha Jamie Lloyd, a filha de Laurie Strode, que, segundo a trama, morreu em um acidente automobilístico, o que levou Jamie a ser adotada por outra família.

 

A família de Jamie convence bem, e os atores não fazem feio em suas performances, assim como boa parte do elenco. A irmã mais velha, Rachel, se apresenta como uma possível final-girl certinha, que cuida da irmã mais nova e a leva para pedir doces no Halloween.

 

O mesmo pode ser dito a respeito dos outros jovens que compõem o elenco, o namorado de Rachel, e a filha do novo xerife, eles cumprem bem seus papéis.

 

No entanto, isso não livra o filme de muitos erros, principalmente no roteiro. Como eu disse acima, o roteiro foi escrito em poucos dias antes da greve, portanto, não foi possível fazer uma revisão, ou reescrevê-lo, o que leva o filme a apresentar situações absurdas, que não fazem sentido, em sua maioria.

 

A principal delas, para mim, é quando um dos homens do xerife informa a ele que descobriu que os demais policiais foram massacrados na delegacia. Isso não faz o menor sentido, visto que há repórteres na cidade, e também ocorreu um blackout. Como ele descobriu isso, então? Porque deve ter ouvido os linchadores comentando entre si? Como, se ele ficou na casa de Jamie o tempo todo? Eu não engulo essa cena.

 

Outro erro está na sequência final na caminhonete. De acordo com a cena, Michael surge por trás do veículo e mata todos os homens. Mas, como ele apareceu lá, se, na cena anterior, ele foi derrubado por um extintor de incêndio na escola? Em momento nenhum, ele é visto saindo da escola e se escondendo debaixo do veículo. Eu não sei como essa cena faz sentido.

 

Além disso, a montagem às vezes também parece não fazer sentido, principalmente na sequência de perseguição na escola, porque, parece que Michael está em vários lugares do prédio ao mesmo tempo, o que deixa a sequência mais confusa, e parece que a geografia do prédio é confusa.

 

Quando eu era mais novo, eu admito que não dava importância para esses problemas, mas, conforme fui ficando mais velho, com um certo senso crítico, fui percebendo o quão bagunçado é esse filme.

 

Outro problema apresentado por alguns críticos, é o visual do vilão. Após sua fuga, fica claro que Michael roubou o macacão de um mecânico, mas o problema é o visual de sua máscara. É mostrado que Michael a rouba de uma loja de fantasias, mas, ela não lembra em nada a máscara original, sendo aparentemente lisa, contando com os olhos negros e expressão facial neutra. Aliás, essa questão da máscara ficaria mal resolvida ao longo das demais continuações.

 

As cenas de morte também não são muito inspiradas; para falar a verdade, eu diria que elas aparentam terem sido censuradas pela MPAA, o que as deixou incompletas. Mas isso não as impediu de apresentar problemas, em especial, a cena em que a filha do xerife é empalada na parede por uma espingarda. Essa é mais uma cena que não faz o menor sentido, além de não ser nem um pouco prática e inverossímil.

 

E claro, não podemos deixar que falar do maior problema do filme – e das duas sequências –, que é a presença do Dr. Loomis. Conforme vimos em Halloween II, ele provoca uma explosão no hospital que deixa Michael incapacitado, e que, na teoria, deveria matá-lo. O fato de Michael sobreviver à explosão pode até ser perdoado, mas Loomis sobreviver e ficar com uma cicatriz minúscula no rosto e nas mãos também não é verossímil. Se foi uma condição imposta por Moustapha Akkad, mostra que realmente ele não estava interessando em coerências.

 

E a derrota de Michael deixa evidente que o fato dele ter sobrevivido em Halloween 5 também não faz sentido, principalmente por causa do local onde ele foi derrotado.

 

No entanto, apesar dos erros, Halloween 4 tem seus bons momentos, como boas cenas de suspense, além de contar com uma boa cena de ação na caminhonete, e uma ótima sequência de créditos iniciais, e uma boa trilha sonora.

 

Enfim, Halloween 4 é um filme bom. Uma continuação decente para a franquia Halloween, que traz seu principal personagem de volta, além de fazer adições razoáveis ao elenco. Um filme que contêm muitos erros, principalmente no roteiro, mas eles são compensados pela trilha sonora e por um elenco que atua bem.



 

sexta-feira, 21 de junho de 2024

PAGUE PARA ENTRAR, REZE PARA SAIR (1981). Dir.: Tobe Hooper.

 

NOTA: 8.5


PAGUE PARA ENTRAR, REZE PARA SAIR é um interessante exemplar do gênero slasher.

 

Lançado em 1981, e dirigido por Tobe Hooper, é um dos filmes considerados menores do cineasta, mas, não deixa de ser um dos melhores.

 

Além de ser um dos melhores filmes do diretor, é também um exemplar curioso do gênero Slasher, visto que apresenta as características que estavam presentes no gênero naquela época.

 

Este é um dos filmes mais criativos dirigidos por Hooper, graças às técnicas empregadas pelo cineasta, principalmente no que diz respeito à câmera do diretor, que realiza movimentos incríveis.

 

O roteiro apresenta uma trama bem simples, de parque de diversões maldito, onde um assassino se esconde. A protagonista Amy e seus amigos decidem passar a noite nesse mesmo parque, e acabam testemunhando um assassinato, e precisam fugir do assassino.

 

Parece ser uma trama bem simples, não? Na verdade, até é, mas existe uma diferença aqui. Ao invés de um assassino convencional, temos um assassino literalmente monstruoso, com um rosto deformado, que mata suas vítimas com requintes de crueldade.

 

É uma trama simples, não é? Sim, é bem simples. As diferenças são a ambientação – que foge do padrão tradicional dos Slashers – e o próprio assassino. Os personagens são os típicos de um filme Slasher, com seus estereótipos característicos, como o valentão, o figura cômica e a garota virginal.

 

No entanto, há uma diferença aqui. Amy, a protagonista, até se encaixa no perfil da garota virginal – a final girl –, mas, em determinados momentos, ela é vista fumando maconha, e se pegando com o namorado. Mas, apesar dessas diferenças, Amy ainda se encaixa no perfil característico da final girl, também presente no subgênero.

 

Conforme mencionado acima, um dos fatores que diferem este de outros Slashers, é a ambientação, no caso, um parque de diversões itinerante. Eu digo isso, porque, no gênero, era comum os filmes se passarem em fraternidades ou em acampamentos, então, ao meu ver, a mudança de ares, é um dos pontos positivos do filme.

 

O parque é aquele típico parque de diversões que percorre o país, com seus brinquedos característicos, e personagens estranhos. Mas não se engane; o design de produção é muito bem feito, considerando que o filme foi rodado em locações e em estúdios na Flórida. O lugar é muito bem iluminado, e tem as atrações clássicas, como o show de mágica, a roda-gigante, a montanha-russa, e o show de aberrações, além de outras atrações.

 

No entanto, nenhuma das atrações supera o trem-fantasma, que entra na tal Funhouse do título original. O local é repleto de atrações fantasmagóricas e arrepiantes, como um show de bonecos animados, além de aranhas gigantes e esqueletos que saem do chão. Eu nunca estive em um desses, mas, se estivesse, não sei qual seria a minha reação.

 

A câmera de Hooper também é um ponto positivo. O diretor faz uso de planos criativos, colocando-a em lugares específicos para contar sua história. Uma das tomadas mais impressionantes, sem dúvida, é a grua, que acontece quando o parque está prestes a fechar. A câmera começa acompanhando o irmão mais novo da protagonista, e depois, vai subindo, até chegar a um grande plano geral do parque; a própria grua é mais alta que a roda-gigante. Tal sequência meio que se repete no final do filme.

 

Antes de encerrar, deixe-me falar sobre o assassino e as cenas de morte. Como todo exemplar do gênero Slasher, é viável que o filme tenha boas cenas de morte, certo? Mas não é esse o caso aqui. As cenas de morte são bem reduzidas, e quase não temos o gore, que se espera de um filme desse gênero. Já o assassino é outro detalhe. Ao contrário dos assassinos de costume, temos aqui um ser literalmente monstruoso, com rosto deformado e atitudes animalescas.

 

Mas digo que ele é a melhor coisa do filme. O design do monstro foi criado pelo mestre da maquiagem, Rick Baker, o que já é um grande ponto positivo para ele. Mesmo com as limitações, Hooper faz uso de truques criativos para escondê-las, deixando o assassino sempre nas sombras, e poucos closes. É um assassino animalesco, e um dos melhores do gênero.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Obras-Primas do Cinema, na coleção Sessão de Terror Anos 80 Vol.3.

 

Enfim, Pague para Entrar, Reze para Sair, é um filme muito bom. Uma história assustadora com toques de Slasher. A temática de parque de diversão assombrado, combinado a uma direção criativa, fazem deste um dos melhores filmes do diretor Tobe Hooper. O vilão também é um destaque, graças aos efeitos especiais do mestre Rick Baker. Um dos Filmes Mais Assustadores de Todos os Tempos. Recomendado.


Créditos: Obras-Primas do Cinema.

 

sexta-feira, 26 de abril de 2024

O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA – O RETORNO (1995). Dir.: Kim Henkel.

 

NOTA: 1


Lembram-se do que eu disse no começo da resenha de A Hora do Pesadelo 6, sobre filmes ruins? Para quem não se lembra, eu disse que filmes ruins não teriam resenha publicada aqui, a menos que façam parte de uma franquia, e que essa franquia esteja disponível no Brasil na íntegra. Pois bem, é o caso aqui.

 

Enfim, chegamos a ele, ao polêmico O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA – O RETORNO, lançado em 1995, com direção e roteiro de Kim Henkel, co-criador do Clássico de Tobe Hooper.

 

O que dizer sobre esse filme?

 

Pois é, esse filme é um dos filmes com nota mais baixa já comentado aqui, porque ele é muito ruim, nem de longe, honra tudo aquilo que foi criado por Hooper, no clássico de 1974; do contrário, aparenta ser uma grande piada em cima de tudo que foi construído naquele primeiro filme.

 

Nada nesse filme condiz com a franquia, e tudo não passa de uma repetição malfeita de tudo que aconteceu nos filmes anteriores – aliás, no primeiro filme – , e além disso, joga uma explicação safada para a família de Leatherface.

 

Já que toquei no assunto, deixe-me dizer que aqui, a família do vilão é muito confusa, e a interação entre eles não faz o menor sentido. É impossível saber quem é o chefe da família, e todos não sabem fazer outra coisa a não ser gritar uns com os outros. O próprio Leatherface é mal explorado, e se transforma em uma caricatura do personagem que conhecemos.

 

Os personagens aqui também não fazem o menor sentido, além de serem bem mal escritos e mal estabelecidos. É possível até entender que existe uma relação entre a protagonista e um deles, mas o outro “casal” não faz sentido nenhum, visto que a garota não gosta do rapaz, mas, quando eles saem juntos para procurar ajuda, eles estão andando juntos. Isso faz algum sentido para você? Porque para mim, não faz.

 

O roteiro é outra bagunça, porque, conforme mencionei acima, ele tenta replicar tudo que foi apresentado antes, mas o faz de forma malfeita, acrescentando situações absurdas, que não provocam medo no espectador, e no final, repetem a famosa cena do jantar.

 

A técnica também merece menção, porque é uma bagunça, principalmente nas cenas da floresta. Por exemplo, em determinado momento, a lanterna dos personagens fica sem energia, e, na teoria, eles deveriam estar perdidos no escuro, mas a cena possui uma boa iluminação. Eu até entendo que em cenas assim, é bom ter uma iluminação reduzida, para criar atmosfera, mas aqui, isso não funciona.

 

Conforme mencionei acima, o roteiro tenta dar uma explicação para a família de Leatherface, e o faz por meio de uma sociedade secreta, que cai de cometa na casa, e não faz nada além de dar uma bronca em todos, mas não explica o motivo. Dizem que os dois homens que surgem do nada fazem parte da seita dos iluminati, mas eu não tentei entender nada da cena.

 

Se o filme tem uma qualidade, é a performance da atriz Renée Zellweger, que é muito carismática, e convence muito no papel da heroína sensível e fragilizada.

 

Infelizmente, o restante do elenco não funciona, principalmente o ator Matthew McConaughey, no papel do vilão Vilmer. Seu personagem é muito exagerado, e não passa sensação nenhuma. O ator também atua de forma exagerada, e não passa nenhuma reação a não ser risadas, ou vergonha.

 

E claro, não posso encerrar essa resenha, sem mencionar o final. Ao contrário do final do Clássico de Tobe Hooper, aqui temos um final ridículo, que copia a conclusão do primeiro filme na última cena, e derrota o vilão de um jeito absurdo, envolvendo um avião aleatório.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Obras-Primas do Cinema, na coleção O Massacre da Serra Elétrica, com os quatro filmes da franquia original, além de contar com duas versões – a Versão de Cinema, e a Versão do Diretor. Atualmente, tal edição está fora de catálogo.

 

Enfim, O Massacre da Serra Elétrica – O Retorno, é um filme ruim. Uma história que não faz o menor sentido, que tenta ser assustadora, mas falha miseravelmente, além de copiar o primeiro filme sem a menor vergonha. O único ponto positivo é a protagonista, que convence muito bem em sua performance. Um filme que descaracteriza o personagem Leatherface, e o transforma em uma péssima caricatura. Um filme muito ruim.


Créditos: Obras-Primas do Cinema.

 

sábado, 20 de abril de 2024

LEATHERFACE – O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA III (1990). Dir.: Jeff Burr.

 

NOTA: 6


Em 1990, a franquia O Massacre da Serra Elétrica foi parar nas mãos da New Line Cinema, e o estúdio lançou LEATHERFACE – O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA III, com direção de Jeff Burr, que teve como objetivo dar uma mudança na franquia.

 

E foi aí que os problemas começaram, ao meu ver.

 

O Massacre III é um filme confuso na sua concepção, porque ele não sabe se quer ser um remake, ou um reboot, ou uma continuação do Clássico de Tobe Hooper, e isso já fica evidente já no texto de introdução, onde o narrador nos conta o que aconteceu com Sally Hadersty, a protagonista do filme original, e aparentemente, esquece o que aconteceu no filme anterior.

 

Na minha opinião, isso não ajuda, porque, em certo momento, o filme fica com cara de remake, porque apresenta as mesmas situações vividas pelos personagens do filme de Hooper, em especial na sequência do posto de gasolina.

 

Passada a cena do posto, somos apresentados a uma história diferente, mas, ainda assim, com os seus problemas, conforme mencionado acima.

 

O maior problema disso tudo é a presença de Leatherface, que, como nós sabemos, passou por maus bocados no final de O Massacre 2, e o roteirista aparentemente se esqueceu desse detalhe, ou então, o estúdio encomendou um reboot – ou um remake – mas, o mesmo roteirista apresentou elementos vistos anteriormente na franquia.

 

Então, qual é a desse filme?

 

Mas, apesar do grande problema, eu ainda acho que é um filme bom, visto que ainda consegue divertir e provocar um pouco de medo, principalmente porque temos que levar em conta que essa franquia não envolve nada de sobrenatural, e sim, o terror real.

 

A sequência de perseguição na floresta é a mais tensa do filme, porque nós não sabemos aonde está o assassino, nem quando ele vai atacar, então, ficamos com o coração batendo de medo, enquanto os personagens procuram se salvar do maníaco da motosserra.

 

Os personagens são interessantes também, mas o melhor deles é o personagem Benny, interpretado por Ken Foree, um nome conhecido do gênero. Seu personagem foi um soldado que se tornou especialista em sobrevivência, e faz de tudo para escapar da família canibal, ao mesmo tempo que tenta salvar a protagonista. A melhor cena é o confronto com o personagem do Viggo Mortensen, onde ambos soltam frases absurdas demais, que beiram ao engraçado.

 

A protagonista também funciona, e como de costume, ela passa por maus bocados nas mãos da família, e aqui, ela sofre – não tanto quanto a Sally, mas é quase isso. Ela é aquele típico personagem que muda de arco ao longo do filme – ela começa boazinha, e incapaz de ferir alguém, mas no final, ela sofre uma mudança brusca.

 

O restante do elenco também está bem, principalmente o ator Viggo Mortensen, que interpreta um dos membros da família canibal. Seu Tex consegue ser amistoso quando quer, mas quando se torna ameaçador, ele muda completamente, e se torna um personagem assustador.

 

No entanto, apesar dessas qualidades, o filme tem também os seus problemas. A direção de Jeff Burr não é ruim, mas o resto da técnica é questionável. O principal é a casa da família canibal, que se parece com uma casa comum e tem só um cômodo cheio de ossos velhos; o certo seria o contrário, fazer a casa inteira ser cheia de ossos velhos. A fotografia tem os seus méritos, mas a montagem não se salva, principalmente nas cenas violentas. Aparentemente, o filme foi censurado pela MPAA, então, não temos grandes efeitos aqui, sendo que o maior problema ficou na cena da marreta, que voa em direção ao rosto do personagem, mas acontece um corte antes de vermos o rosto dele ser destruído.

 

Os efeitos especiais ficaram a cabo da KNB Effects, e eles são quase inexistentes, conforme mencionei acima. Acredito que o melhor seja na sequência em que a protagonista tem as duas mãos perfuradas com pregos na cadeira.

 

E claro, no final, temos a mesma sequência de jantar, que funcionou nos dois primeiros filmes, mas, se você levar em conta o que foi escrito aqui, vai achar estranho.

 

Foi lançado em DVD no Brasil na coleção O Massacre da Serra Elétrica, da Obras-Primas do Cinema, com muitos extras.

 

Enfim, O Massacre da Serra Elétrica III é um bom filme, apesar dos seus defeitos. Uma história de horror contada de maneira honesta, com uma direção competente. O maior problema é o roteiro, que não sabe exatamente qual caminho seguir, e acaba repetindo elementos anteriores, e criando momentos que não fazem muito sentindo. Um filme problemático, mas decente.


Créditos: Obras-Primas do Cinema.


sexta-feira, 12 de abril de 2024

O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA 2 (1986). Dir.: Tobe Hooper.

 

NOTA: 9


Podem me julgar, mas eu gosto muito de O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA 2, lançado em 1986, produzido pela Cannon Group, e novamente dirigido por Tobe Hooper.

 

Eu tenho algumas memorias desse filme, quando assisti a algumas cenas na TV aberta há alguns anos, mas não o filme todo, porque fiquei com muito medo. Eu me lembrava do primeiro homicídio, com Leatherface em cima da caminhonete; e de Stretch no covil da família, com uma máscara de pele.

 

Anos depois, eu tive a oportunidade de assistir ao filme por completo, e gostei muito. Eu acho este aqui tão bom quanto o primeiro, mas, claro que não se compara ao anterior; mas mesmo assim, eu me divirto muito toda vez que assisto.

 

Acredito que o principal motivo para isso seja a direção de Hooper, que soube contar a história com firmeza. Apesar de estar com a credibilidade baixa na época, em virtude da sua parceria com a Cannon, Hooper fez um ótimo trabalho aqui.

 

No geral, O Massacre 2 é um filme bem competente, e não a bomba que muitos ilustram, na minha opinião. É um daqueles casos de uma continuação que não ofende a obra original.

 

Outra coisa que faz deste um filme muito legal, é o roteiro. Ao invés de focar 100% no terror, temos aqui uma obra voltada para o humor negro, com situações absurdas e piadas pesadas. O humor se deve muito em conta por causa de algumas das atuações também e personagens, principalmente, os membros da família de Leatherface, aqui, batizados de Sawyers.

 

Mais uma vez, a interação entre eles é caótica, com todos os membros sendo agredidos verbalmente pelo velho cozinheiro – Drayton – e mais uma vez, descobrimos um pouco mais sobre a dinâmica dos membros da família.

 

Além disso, temos um Leatherface diferente do anterior, um pouco mais dócil e bobo, principalmente quando está ao lado da protagonista Stretch. O vilão gosta da personagem, e rende momentos absurdos, que até hoje, são comentados por fãs de terror, principalmente, uma cena em especifico.

 

Ao contrário de seu antecessor, aqui temos um filme focado no sangue e no gore, graças aos efeitos do mestre Tom Savini. Desde o primeiro assassinato, o gore está presente, e segue até o final do filme. Temos cabeças arrancadas, peles esfoladas e sangue jorrando das paredes. Os efeitos de Savini são muito bons, e quase não precisam de comentários, porque sabemos da qualidade dos mesmos. Savini fez grandes coisas aqui, desde o cadáver utilizado por Leatherface na cena da ponte; até a placa de metal na cabeça de Chop-Top.

 

Deixe-me também contar sobre a cena que mais me vem à mente quando eu lembro desse filme, a cena da ponte. Na minha opinião, é a melhor cena do filme, simplesmente por causa da maneira como é mostrada na tela. Leatherface está em cima na caminhonete, vestido com um cadáver putrefato, e com a serra nas mãos. Ele faz um grande estrago no carro dos adolescentes ricos, arranhando a lataria e decepando a cabeça de um deles, tudo ao som de Oingo Boingo.

 

E claro, assim como seu antecessor, a produção aqui foi tomada por problemas. Segundo o diretor Hooper, um dos cenários foi tomado por fogo, e eles quase perderam o set; o ator que interpretou Leatherface, em certo momento, contraiu pneumonia; sem contar o comportamento de Dennis Hopper no set.

 

Foi lançado em Blu-ray no Brasil pela Obras-Primas do Cinema, em versão remasterizada, na coleção O Massacre da Serra Elétrica, com vários extras. Atualmente, tal edição está fora de catálogo.

 

Enfim, O Massacre da Serra Elétrica 2 é um filme excelente. Um longa que consegue ser tão bom quanto seu antecessor, mas, claro, não se iguala a ele. A direção de Tobe Hooper é segura, e o diretor consegue criar cenas tensas e engraçadas ao mesmo tempo. Os efeitos especiais de Tom Savini são o destaque, graças às técnicas milenares de um dos maiores maquiadores do cinema. Um filme muito divertido. Altamente recomendado.


Créditos: Obras-Primas do Cinema


sexta-feira, 18 de agosto de 2023

O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA (1974). Dir.: Tobe Hooper.

 

NOTA: 10


Existem filmes que são atemporais. Isso se refere a todos os filmes de todos os gêneros, inclusive aos filmes de terror.

 

O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA, lançado em 1974, dirigido por Tobe Hooper, é um desses casos. Desde o seu lançamento, há quase 50 anos, o filme mantém seu impacto até hoje como um dos maiores filmes de todos os tempos.

 

E motivos para isso não faltam. O Massacre é um daqueles casos de filmes em que tudo funciona a seu favor, e o resultado é o dos melhores.

 

A começar pelos quesitos técnicos. A direção de Hooper é segura, dando um ar quase documental para o longa, com seus movimentos e ângulos de câmera diferentes, dignos de aflição; o roteiro também é muito bom, apostando mais na tensão do que no banho de sangue, além de criar personagens absolutamente reais, do tipo que vemos todos os dias.

 

Como sabemos, o roteiro de Hooper e Kim Henkel não aposta no terror sobrenatural, conforme era comum no final da década anterior. Os tempos eram outros. Na década de 70, os Estados Unidos estavam passando por dificuldades políticas e sociais, como o escândalo de Watergate, e a derrota na Guerra do Vietnã, que acabou com a ideia do sonho americano. Além disso, no inicio da década, ocorreu também o final da Era de Aquário, então o cinema underground foi marcado por produções violentas, inspiradas pelos assassinatos de Charles Manson. O longa de Hooper é o retrato perfeito de como era a situação do país naquela época. O terror mostrado no longa é absolutamente real, o que o deixa ainda mais assustador.

 

Além da importância do contexto histórico, temos também aqui um dos primeiros exemplares do gênero Slasher, que se tornou popular nos anos 80. Tudo que se tornou clichê no gênero foi apresentado aqui, como o assassino que utiliza ferramentas do dia-a-dia para matar suas vitimas, e a final girl, a garota que sobrevive ao ataque do maníaco.

 

Conforme mencionado acima, o roteiro do longa é focado em cinco jovens texanos, e todos eles se parecem com pessoas reais. Sally é a protagonista; Franklin é seu irmão paraplégico; Pam e Kirk são o casal; e Jerry é o namorado da protagonista. Todos aqui funcionam muito bem, e cada um tem as suas peculiaridades, principalmente Franklin, que é aquele inconveniente e reclamão.

 

O time de vilões também não fica atrás. Todos são cruéis e perturbados, e possuem um apetite especial por carne humana. Os melhores são Leatherface e o velho. Quando estão todos juntos, a coisa fica ainda mais estranha. A dinâmica entre eles é horrível, com todos gritando uns com os outros, principalmente com Leatherface, que age como uma criança.

 

Leatherface é o melhor personagem do filme. Desde sua primeira aparição, ele se revela uma presença ameaçadora, matando os personagens com requintes de crueldade. Sua primeira aparição é uma das cenas mais pesadas do cinema, quando ele acerta a cabeça do personagem com uma marreta, o que provoca espasmos no corpo da vitima. Em seguida, temos a cena do gancho, que consegue ser tão aterradora quanto a anterior. E os melhores momentos são quando ele faz uso de sua motosserra para perseguir Sally e os outros personagens.

 

As cenas de tensão também merecem destaque. Difícil escolher a melhor, mas tudo funciona principalmente graças à técnica. A perseguição de Leatherface à Sally é assustadora, principalmente por causa do fato do maníaco estar atrás dela com a motosserra; o som da arma já causa arrepios. A cena do jantar pode ser considerada a mais tensa, novamente graças à técnica. Os ângulos de câmera ajudam a provocar a tensão, com seus closes extremos nos olhos de Sally, que praticamente provocam claustrofobia e desconforto.

 

E o final é um dos melhores do cinema de todos os tempos.

 

O Massacre é um dos maiores filmes independentes de todos os tempos. Todos os envolvidos passaram por perrengues durante os três meses de filmagem. O longa foi gravado em pleno verão texano, o que dificultou a produção. Existem também relatos de que alguns membros do elenco estavam sob efeito de drogas; além do mau cheiro provocado pelas condições do clima. O longa custou cerca de US$ 140.000,00.

 

Graças ao seu teor violento e chocante, O Massacre foi banido em alguns países após seu lançamento, inclusive no Brasil. Hoje em dia, possui status de cult e se tornou um dos maiores clássicos do cinema de todos os tempos.

 

O longa até hoje é o mais conhecido da carreira de Tobe Hooper, que alcançou status em Hollywood durante alguns anos, antes de ver sua carreira e seu prestigio acabarem, graças ao seu envolvimento com a Cannon Group, que lançou a primeira sequência em 1986.

 

Foi lançado em Blu-ray no Brasil pela Obras-Primas do Cinema, em versão restaurada 4k, na Coleção O Massacre da Serra Elétrica, além de edições individuais. Este ano, será relançado nos cinemas em versão restaurada 4k.

 

Enfim, O Massacre da Serra Elétrica é um filme excelente. Um longa perturbador, carregado de tensão e medo, aliados a uma direção experimente, um roteiro amarrado, elenco afiado e técnicas dignas de nota. É o gênero terror na sua forma mais pura, onde tudo contribui para isso. Um dos Filmes Mais Assustadores de Todos os Tempos, e um dos maiores Clássicos do cinema. Assustador. Violento. Perturbador. Tenso. Altamente recomendado.


Créditos: Obras-Primas do Cinema.


quinta-feira, 18 de maio de 2023

SEXTA-FEIRA 13 – PARTE 6 – JASON VIVE (1986). Dir.: Tom McLoughlin.

 

NOTA: 8


Antes de falar sobre o filme, vou deixar um recado. Esta é a ultima resenha a respeito da franquia Sexta-Feira 13, porque é o ultimo filme da franquia que tenho na minha coleção, e também porque os demais não foram lançados no Brasil em mídia física.

 

Bom, dado o recado, vamos lá.

 

Após o desempenho ruim da Parte 5, a Paramount decidiu trazer Jason de volta, e o resultado foi SEXTA-FEIRA 13 – PARTE 6 – JASON VIVE, dirigido por Tom McLoughlin.

 

Na opinião de muitos fãs da franquia, este é o segundo melhor depois do primeiro, talvez pela forma como foi contado. Ao contrário do tom sério dos filmes anteriores, aqui temos um longa conduzido pelo humor negro e pelas situações absurdas no roteiro.

 

Eu pessoalmente não considero esse um dos meus favoritos, mas admito que é muito legal. No entanto, eu ainda prefiro os quatro primeiros.

 

Mas vamos lá. Sexta-Feira 13 – Parte 6 é mais um filme focado no personagem do Tommy Jarvis, que esteve nos dois filmes anteriores, ganhando destaque na franquia como sendo uma espécie de nêmesis do vilão. Aqui, temos o personagem adulto novamente, disposto a provar que Jason está a solta, após ser revivido numa noite de tempestade. No entanto, ninguém acredita nele e somente descobrem a verdade após o assassino surgir diante deles.

 

É um roteiro bem amarrado, porque foca na trama de Tommy e sua busca para derrotar o vilão. Além disso, temos de fato a trama de um acampamento funcionando, porque temos crianças que estão realmente acampando no Crystal Lake, que aqui foi renomeado, justamente para tentar apagar a lenda do vilão.

 

Além disso, temos algumas cenas que envolvem um humor negro até que involuntário, com direito a quebras de quarta barreira, principalmente nas cenas envolvendo o coveiro do cemitério. Os personagens também contribuem para esse tom de humor, com tiradas espertas, muitas delas dadas pelos personagens secundários.

 

Uma das mais notáveis é a sequência do jogo de paintball, uma sequência aleatória, que surge do nada, com personagens estúpidos, que estão lá apenas para morrerem nas mãos de Jason. E as cenas de morte dessa sequência são bem criativas, com direito a membros arrancados e um rosto sendo prensado numa arvore com um smile desenhado nela. Nessa cena também é estabelecido como Jason conseguiu sua machete, arrancando-a de um dos jogadores. Na verdade, ao longo da franquia, nós vimos que o vilão conseguiu várias machetes diferentes, mas parece que foi aqui que a machete definitiva do personagem foi conquistada – mesmo que ele não faça uso dela nos demais filmes.

 

Conforme mencionado acima, aqui temos o retorno de Tommy Jarvis, mas também temos outros personagens bem interessantes, como o Xerife Garris, que faz de tudo para conter o protagonista porque não acredita nele; temos também a filha do xerife, que simpatiza com Tommy e decide ajuda-lo; como sempre, temos os monitores do acampamento, sendo todos muito bem estabelecidos e bem escritos. Os demais personagens também não fazem feio.

 

No entanto, o melhor personagem é o vilão. Aqui temos a primeira aparição da versão zumbi de Jason, visto que ele ressuscita de seu tumulo com ajuda de um raio. O vilão está em forma aqui, alto, brutal, implacável, com sua característica máscara de hóquei, luvas de couro e um cinto de utilidades. Essa é a peça do figurino que mais chama a atenção dos fãs, e adiciona um elemento a mais ao personagem.

 

Apesar de sua presença imponente, as cenas de morte são bem reduzidas aqui, principalmente graças aos cortes da MPAA, que era famosa por cortar as cenas mais sangrentas da franquia. A falta de cenas mais elaboradas não exclui as cenas de mortes criativas, principalmente a cena em que uma personagem tem o rosto prensado na lataria do trailer, ou quando Jason quebra um personagem ao meio.

 

E claro, além do roteiro bem amarrado, temos também uma direção criativa. O diretor McLoughlin faz uso de planos mirabolantes para criar cenas de tensão, sempre mostrando o vilão ao fundo do cenário, ou na frente da câmera.

 

E na trilha sonora, temos a presença do cantor Alice Cooper, com três canções, sendo a mais conhecida, He’s Back (The Man Behind the Mask), que toca nos créditos finais.

 

Sexta-Feira 13 – Parte 6 – Jason Vive foi lançado em 01/ago/1986 e obteve um bom resultado nas bilheterias.

 

A franquia foi lançada em VHS e DVD no Brasil ao longo dos anos, mas atualmente está fora de catálogo. Lá fora, a franquia foi lançada em Blu-Ray pela Shout! Factory, em um grande box ilustrado.

 

Enfim, Sexta-Feira 13 – Parte 6 – Jason Vive é um filme bem legal. Um filme com um roteiro bem amarrado, focado no humor negro, com grandes tiradas. Além disso, a direção é criativa e cria cenas de tensão e medo. O vilão Jason é o grande destaque, com um novo visual imponente, brutal e implacável, com a clássica machete e um cinto de utilidades. Um dos mais adorados pelos fãs da franquia. Um filme muito bom.





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terça-feira, 8 de novembro de 2022

O PÁSSARO SANGRENTO (1987). Dir.: Michele Soavi.

 

NOTA: 9.5



Michele Soavi foi o último dos grandes diretores do cinema de horror italiano, tendo sido responsável por um dos maiores filmes de zumbi de todos os tempos, o clássico Pelo Amor e Pela Morte (1994), o longa que encerrou de vez o ciclo do horror italiano no cinema.

 

Em 1987, Soavi estreou na direção com O PÁSSARO SANGRENTO, um Slasher metalinguístico, e um dos melhores do gênero. Assim como seus outros filmes, este aqui é carregado de imagens líricas e momentos de pura beleza.

 

O Pássaro é um verdadeiro espetáculo visual, com suas cenas carregadas de violência e momentos de tensão, combinados à direção de Soavi, que já mostrou altamente capacitado.

 

Conforme mencionado acima, O Pássaro é um Slasher, no sentido clássico da palavra, com tudo que tem direito, desde a figura do assassino mascarado, até as cenas de morte sangrentas, e aqui, temos muito sangue.

 

O importante é dizer que, na época do lançamento do filme, o gênero americano estava em queda, com produções de baixa qualidade e pouco inspiradas, além de continuações dos clássicos já estabelecidos – que não são ruins, vale lembrar. Em comparação com o que era produzido nos Estados Unidos, O Pássaro é excelente.

 

Também conforme mencionado acima, O Pássaro é um Slasher metalinguístico, porque fala justamente de uma peça de teatro dentro do filme, e logo na abertura, somos brindados com uma sequencia ambientada em um palco, mas não sabemos disso até que o diretor da peça aparece e encerra a apresentação; aí, descobrimos que se trata de um ensaio.

 

A partir daí, somos brindados com muitas cenas ambientadas dentro do teatro, com o elenco e a equipe se preparando para a estreia da peça, mas, conforme descobrimos, se torna impossível, não apenas pelo pouco tempo que eles têm, mas por causa da figura do assassino.

 

Antes de falar dele, vou falar dos personagens. A começar pelo diretor da peça, Peter. Ele é um grande cretino, que não ouve ninguém, e está disposto a realizar a peça a qualquer custo, e não pensa duas vezes antes de dispensar a protagonista. Alicia, a protagonista, tem bom coração e quer se provar uma boa atriz, mas também bate de frente quando precisa. Brett é um ator de temperamento forte, que não liga para a opinião dos outros e afronta os membros da equipe. Os demais são aqueles típicos personagens caricatos e exagerados, comuns nas produções italianas, mas não deixam de ser interessantes.

 

Já o assassino é o melhor personagem do filme, a começar pelo visual. Durante o filme inteiro, ele veste uma roupa preta e usa uma grande máscara de coruja; um visual belíssimo. E assim como seus colegas americanos, ele é implacável e não poupa ninguém, utilizando métodos criativos para matar os personagens.

 

Em relação às cenas de morte, temos aqui, algumas das mais sangrentas do gênero. Conforme mencionado acima, o assassino faz uso da criatividade para executar os crimes, com tudo que está à sua disposição, desde uma motosserra à um machado. Temos aqui decapitações, corpos cortados ao meio e pessoas perfuradas. A melhor cena é a da furadeira, que me surpreendeu na primeira vez que assisti ao filme. Após as cenas de morte, temos um verdadeiro espetáculo armado no palco pelo assassino.

 

A direção de Soavi aqui é correta e criativa, com belos truques de câmera e momentos de beleza, que se tornariam marca do cineasta nos filmes futuros.

 

Além das cenas de morte, temos também cenas muito tensas, principalmente quando a protagonista foge do assassino. A cena da chave é a mais tensa de todas, justamente porque não sabemos como vai acabar.

 

O Pássaro foi produzido por Joe D’Amato, um dos grandes nomes do cinema bagaceiro italiano, responsável por mais de 100 produções. O roteiro foi escrito por Luigi Montifiore, também conhecido por George Eastman, que esteve presente em O Antropófago, dirigido por D’Amato.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo, na coleção Slashers, após anos fora de catalogo.

 

Enfim, O Pássaro Sangrento é um filme maravilhoso. Um Slasher italiano, com assassinatos criativos, cenas antológicas e momentos arrepiantes. Um filme que entra em conflito com os slashers produzidos nos Estados Unidos na época, e que consegue ser melhor do que eles. Um dos filmes mais assustadores de todos os tempos. Excelente.


Créditos: Versátil Home Vídeo


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