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sábado, 12 de novembro de 2022

NA SOLIDÃO DA NOITE (1945). Dir.: Vários.

 

NOTA: 9.5



Desde sua fundação, em 1962, a Amicus tornou-se um dos maiores estúdios de cinema britânicos de todos os tempos, rivalizando com a Hammer Films. Porém, ao contrário da Hammer, o estúdio tornou-se especialista em produzir antologias de horror, apesar de lançar outros filmes, a maioria voltados para o horror. Ao total, foram sete antologias, todas maravilhosas.

 

Mas hoje, não estou aqui para falar das antologias da Amicus, e sim, de NA SOLIDÃO DA NOITE, precursor do gênero de antologia, lançado em 1945.

 

O que posso dizer sobre esse filme? Bem, digo o seguinte: é um dos melhores filmes de terror de todos os tempos, e um dos melhores que já vi; além de ser um daqueles casos de filmes que ficam melhores a cada revista.

 

Conforme mencionado acima, o filme é o precursor do gênero de antologia, neste caso, contando com cinco histórias de horror. Na verdade, antes de entrar nas histórias propriamente ditas, o filme até começa de maneira simples, com o protagonista indo até uma casa de fazenda no interior da Inglaterra. Quando ele chega lá, começa a falar com os outros personagens a respeito de seus sonhos e pesadelos, o que intriga a todos ali. Em seguida, eles mesmos começam a contar suas próprias histórias.

 

The Hearse Driver: Um corredor de carro sofre um acidente, e vai parar no hospital, onde é atendido por uma bela enfermeira. Durante a estadia, ele tem uma estranha visão de um carro funerário estacionado abaixo de sua janela. Ao sair do hospital, ele vê o motorista do carro funerário em um ônibus e decide não embarcar. O ônibus então sofre um acidente e todos os passageiros morrem.

 

The Christmas Party: Uma adolescente está comemorando o Natal na casa de um amigo e participa de um jogo de esconde-esconde com os convidados. Durante a brincadeira, ela encontra um quarto de criança e conhece um garotinho que tem medo da irmã. Ao reencontrar os outros convidados, ela descobre que o garotinho está morto desde o século XIX.

 

The Haunted Mirror: Uma mulher compra um espelho para seu noivo. No inicio, tudo parece bem, mas, aos poucos, o homem é atormentado por estranhas visões relacionadas ao espelho. A mulher descobre que o objeto pertenceu a um homem que matou a esposa no século XIX, e precisa correr para impedir que o noivo perca a razão.

 

The Golfer’s Story: Dois campeões de golfe conhecem e se apaixonam por uma mulher e resolvem disputa-la com uma partida. Um deles ganha a partida e o outro se suicida em um lago. Às vésperas de seu casamento, o vencedor é atormentado pelo fantasma de seu amigo, que afirma que ele trapaceou no jogo e exige que o amigo assuma o erro.


The Ventriloquist’s Dummy: Um ventríloquo americano conhece outro em Paris e se surpreende com seu ato, cuja principal atração é seu boneco Hugo. Ao reencontrá-lo em Londres, o americano descobre que o ventríloquo possui sérios problemas psicológicos, e na mesma noite, é atacado por ele, que não pretende entregar seu boneco ao rival.

 

Uma antologia básica, não? Sim, no entanto, ao contrário das que vieram depois, principalmente nos anos 70, aqui, as histórias foram dirigidas por cinco pessoas diferentes, e cada uma imprimiu seu próprio estilo. Entre os diretores, temos o brasileiro Alberto Cavalcanti, que dirigiu a segunda e última historias – a do boneco, a melhor delas.

 

Além da presença do brasileiro Cavalcanti, é possível perceber aqui a principal característica das antologias: a diversidade entre as histórias. A primeira remete primeiramente a um romance, mas logo se transforma em um terror, com a presença do carro funerário; a segunda é uma história de fantasma com toques infantis, principalmente pela presença do garotinho; a terceira foca mais um suspense sobrenatural, além de apresentar elementos de horror psicológico; a quarta também é uma história de fantasma, mas com uma veia cômica; e a última, é um suspense psicológico, onde a loucura é o principal elemento.

 

Além das histórias narradas pelos personagens, temos também os interlúdios, com o protagonista interagindo com eles, que culmina na melhor parte do filme, quando o pesadelo dele se torna realidade, e ele interage com todas as histórias de uma maneira macabra e assustadora.

 

Com certeza, o episódio mais lembrado do filme é o último, The Ventriloquist’s Dummy. Sem dúvida, é o melhor episódio, com toques de suspense psicológico, com o ventríloquo atormentado por problemas mentais, que culminam numa personalidade alternativa, que ele usa em seu boneco Hugo. Falando nele, o boneco é um dos personagens mais assustadores do cinema – algo comum em bonecos de ventríloquo – e sua aparência e voz fina são dignas de pesadelos. Algo semelhante aconteceria em Magia Negra (1978), onde o ator Anthony Hopkins interpretou um ventríloquo domado por seu boneco.

 

Os demais personagens também são bem interessantes, cada um à sua maneira, principalmente o protagonista, que se mostra visivelmente atormentado por seus sonhos recorrentes; os demais apelam à sua psiquiatra para descobrir o motivo por trás dos sonhos dele e também por trás de suas próprias histórias, algo que não fica chato conforme os relatos acabam.

 

Na Solidão da Noite possui um legado importante entre os fãs de cinema, tendo como fã o diretor Martin Scorsese, que o elegeu um dos filmes mais assustadores de todos os tempos. O último episódio inspirou diversas histórias posteriores, entre elas, um segmento da série Além da Imaginação, além de outros filmes.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo na coleção Obras-Primas do Terror.

 

Enfim, Na Solidão da Noite é um filme excelente. Uma história de horror composta por cinco segmentos aterrorizantes, que prendem a atenção do espectador. Cada um dos cineastas envolvidos deixa sua marca e as histórias ficam únicas por causa disso. Um dos filmes mais assustadores de todos os tempos, com um grande legado. 


Créditos: Versátil Home Vídeo


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segunda-feira, 12 de setembro de 2022

COMUNHÃO (1976). Dir.: Alfred Sole.

 

NOTA: 9



Em 1974, o diretor Bob Clark lançou Noite de Terror, considerado o primeiro Slasher do cinema, porque foi o primeiro a abordar a questão das datas comemorativas associadas ao gênero.

 

Dois anos depois, foi lançado COMUNHÃO, do diretor Alfred Sole, considerado um dos primeiros exemplares do gênero.

 

Talvez para os mais exigentes, o único mérito desse filme seja o fato de ser o primeiro longa da atriz Brooke Shields, mas, é muito mais do que isso. Ao contrario do que viria depois no gênero, temos aqui um filme muito mais focado no suspense do que nas cenas de morte e no sangue, o que, conforme mencionei em outras resenhas, é muito bom, porque mostra que naquela época, os cineastas estavam muito mais interessados na história no que no sangue.

 

E Comunhão segue isso quase ao pé da letra, visto que temos aqui pouquíssimas cenas de morte – apenas três personagens morrem – e mais momentos de mistério e investigação policial. Aliás, isso é o que mais temos aqui, visto que os incidentes têm inicio após – não é spoiler! – o assassinato da personagem de Brooke Shields na primeira comunhão, uma cena muito pesada.

 

Durante boa parte do filme, somos brindados com cenas da policia investigando o homicídio, interrogando os parentes da menina, fazendo testes de poligrafo na irmã mais velha, etc... Além disso, temos também os demais personagens envolvidos no mistério, entre eles, a Sra. Tredoni, a mulher que cuida dos afazeres da igreja; e o Sr. Alphonso, o desprezível senhorio do prédio onde Alice mora com a família. Os demais eventos se resumem à policia investigando a personagem, e o pai desconfiado da sobrinha, principalmente após outro incidente.

 

Além dos momentos de investigação, o filme é cheio de momentos tensos e pesados, muitos deles envolvendo a família de Alice; a começar pelo fato de que o pai e a mãe são divorciados e se reencontram durante o funeral de Karen, e o clima é carregado de tensão, principalmente sexual, visto que os dois ainda se amam. Juntamente com isso, temos também a complicada relação entre a mãe e a tia de Alice. A tia Annie é uma mulher tipicamente autoritária, que não respeita nem mesmo o momento de luto da irmã e da sobrinha. As cenas dessa personagem são as mais pesadas, tudo graças ao roteiro e a interpretação afiados da atriz.

 

O Sr. Alphonso também é um personagem com momentos tensos, principalmente graças às suas atitudes em relação aos outros personagens; em determinada cena, ele tenta assediar Alice quando a menina lhe entrega o cheque, por exemplo. Uma cena verdadeiramente grotesca que não seria reproduzida hoje em dia...

 

E além dele, temos também a Sra. Tredoni, que cuida dos padres da igreja. Desde sua primeira aparição, fica claro que ela tem algum problema, principalmente com o Padre Tom... Não posso entrar em mais detalhes para não dar spoilers, mas, fica claro que ela é aquele tipo de personagem que usa a fé para justificar seus atos, não importa quão terríveis eles sejam.

 

E para fechar, temos a protagonista, Alice. Assim como os demais, desde sua primeira cena, é possível perceber que há algo errado na menina, principalmente nas cenas em que ela interage com os pais e com a irmã mais nova. A principio, ela aparenta ter ciúmes da irmã, mas conforme o filme avança, a coisa fica mais séria. Ela é, sem duvida, uma das melhores crianças perversas do cinema.

 

E claro, como todo Slasher, temos também a figura memorável do assassino. Aqui, temos um assassino que se veste com uma capa de chuva amarela e usa uma máscara de boneca translucida. E desde o começo, as suspeitas sobre sua identidade caem sobre Alice, visto que a menina tem as mesmas roupas, mas, durante o segundo assassinato, as suspeitas mudam – por motivos de spoiler, não vou revelar o porquê. É um dos melhores assassinos do gênero, e assusta sem o menor esforço.

 

Antes de encerrar, Comunhão é basicamente um filme de terror cristão, visto que a figura dos padres, das freiras e a igreja são presenças recorrentes no longa, o que lhe dá um aspecto até mais pesado, porque é difícil imaginar um Slasher ambientado nesse contexto, além de contribuir para algumas das críticas sociais apresentadas no filme.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo na coleção Slashers – Vol.4, em versão restaurada sem cortes, após anos fora de catálogo.

 

Enfim, Comunhão é um filme perturbador. Uma trama cheia de mistério e violência, onde nada é o que parece. Um filme que consegue arrepiar sem fazer esforço para isso, com suspense bem construído e um final chocante. Uma trama perturbadora em todos os sentidos. Um dos primeiros exemplares do gênero Slasher e um dos melhores.


Créditos: Versátil Home Vídeo

 

terça-feira, 9 de agosto de 2022

O BICHO-PAPÃO (Stephen King).

 

NOTA: 8.5



Eu já disse várias vezes que Stephen King é um mestre na arte de contar histórias, seja através de livros ou contos.

 

O BICHO PAPÃO, presente na antologia Sombras da Noite, é mais um exemplo da sua genialidade. E que conto.

 

Em poucas páginas, ao autor foi capaz de escrever uma historia verdadeiramente arrepiante, capaz de nos provocar pesadelos.

 

Tudo começa na base da sugestão, narrada pelo protagonista, um homem atormentado pela morte de seus três filhos. Deitado no divã de um psiquiatra, ele vai contando tudo sobre sua vida, desde de seu casamento prematuro, passando pelo nascimento dos filhos e concluindo com suas mortes trágicas; e bem trágicas.

 

A princípio, parece que vamos ler uma historia sobre alguém que assassinou os filhos, conforme ele mesmo diz no começo, mas, conforme a leitura vai avançando, vamos descobrindo que se trata de muito mais. O homem é atormentado por uma criatura que seus filhos chamam de “Bicho-Papão”. E segundo ele, foi o monstro o responsável pela morte dos filhos. E o autor também faz questão de mostrar o quão desagradável é o protagonista, graças a suas opiniões controversas sobre certos assuntos; o que também não nos faz ser tão solidários com ele.

 

E a medida que vamos lendo, vamos mergulhando ainda mais nessa historia de horror, com o personagem contanto em detalhes como os filhos morreram e como ele os encontrou. Eu pessoalmente fiquei arrepiado, visto que o autor não nos poupa de cenas tensas.

 

E de fato temos cenas bem tensas aqui, principalmente que o protagonista descreve os elementos associados ao monstro: um som estranho, um odor peculiar... Tudo descrito com a maestria do Mestre Stephen King. E o melhor ele deixa para o final, mas não vou entrar em detalhes para não entregar spoilers.

 

Enfim, O Bicho-Papão é um conto muito bom. Uma pequena historia de horror com cenas dignas de pesadelos, tudo contado com a maestria que somente Stephen King possui. Uma historia rápida, mas arrepiante, que prende o leitor desde as primeiras linhas e o deixa largar até o final. Um ótimo conto de horror. Altamente recomendado.


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sexta-feira, 23 de julho de 2021

O MACACO (Stephen King).

 

NOTA: 8.5



Que Stephen King é um mestre na arte de contar histórias, todos sabemos disso, e, sinceramente, até agora, não li nenhum livro ou conto de sua autoria que me decepcionou.

 

O MACACO, presente na antologia Tripulação de Esqueletos, é um desses exemplos. É um dos contos mais arrepiantes do Mestre que eu já li. Na verdade, reli.

 

A primeira vez que li essa historia foi na edição da Objetiva, mas foi há muito tempo; e quando peguei o livro para reler algum conto, tive muita dificuldade porque as letras eram muito pequenas, então, comprei a edição da Suma, e essa semana, sentei para ler esse conto.

 

E que leitura. O Macaco é um conto verdadeiramente arrepiante, sobre os nossos pesadelos mais profundos, que sempre voltam para nos assombrar, cedo ou tarde.

 

O autor constrói uma história simples sobre um objeto aparentemente inocente, mas que fundo é um instrumento do terror, que carrega algo de ruim dentro de ruim. Eu já tinha visto a capacidade do Mestre em criar uma história assim em Christine e A Máquina de Lavar Roupa, e aqui, ele se mostra mais uma vez sua habilidade.

 

Mas mais do que uma história de um objeto maldito, O Macaco também é uma história de loucura, e ambiguidade, uma vez que em certos momentos, ficamos na dúvida se o macaco é mesmo um objeto maldito, ou se tudo não passa de imaginação do protagonista, que é assombrado por ele desde criança.

 

E francamente, não vejo objeto melhor para assombrar alguém do que um macaco de corda. Eu sinceramente, morro de medo desses brinquedos, principalmente por causa do seu sorriso sinistro e seus olhos penetrantes. Basta procurar na internet qualquer imagem de um macaco de brinquedo com címbalos, que vão ver o que quero dizer. Essas coisas são assustadoras, e quem já viu Toy Story 3 deve ter ideia do que estou falando...

E em se tratando de uma história de Stephen King, não pode deixar de ter aquele toque especial do autor, e nesse caso, ele não faz questão de esconder que o perigo está nos címbalos do macaco, que a cada toque, algo terrível acontece com alguém relacionado ao protagonista, coisas horríveis mesmo, uma mais assustadora que a outra.

 

E claro, temos também um pequeno toque de loucura, uma vez que, após reencontrar o macaco, o protagonista muda completamente sua personalidade, indo de um pai e marido amorosos, para um pai que agride seu filho mais velho com crueldade. E tal comportamento ameaça a instabilidade de sua família, mas o pior de tudo, é que eles não sabem o motivo de tal mudança.

 

E outra coisa que autor faz bem é o uso de flashbacks para explicar a relação do protagonista com o macaco, além de demonstrar as habilidades malditas com mesmo com as pessoas envolvidas com o protagonista, além de envolve-lo em um jogo de terror psicológico de arrepiar.

 

Enfim, O Macaco é um ótimo conto. Uma história simples, mas assustadora, sobre pesadelos de infância, que sempre conseguem voltar. A escrita de Stephen King é o grande destaque, e o autor consegue contar a história com sua habilidade de sempre, levando ao leitor para dentro da narrativa. Um conto arrepiante, digno de pesadelos. Muito bem recomendado. 



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terça-feira, 6 de abril de 2021

DO ALÉM (H.P. Lovecraft).


NOTA: 10



Como já mencionei anteriormente, existem alguns autores que são capazes de contar as historias mais simples em poucas páginas, e H.P. Lovecraft foi um desses autores.

 

Suas narrativas são, em sua maioria, curtas, mas conseguem prender o leitor desde a primeira linha, graças a sua capacidade de escrita, sempre fazendo uso de descrições minuciosas e adjetivos. E DO ALÉM é mais um desses exemplos.

 

Lovecraft conseguiu novamente criar uma historia fascinante e arrepiante em poucas páginas, cuja leitura é rápida mas prazerosa. Escrita antes de seus clássicos como O Chamado de Chutlhu e Nas Montanhas da Loucura, Do Além é uma de suas melhores historias.

 

Diferentemente do que faria no futuro, aqui Lovecraft combina dois gêneros que se relacionam muito bem: o terror e a ficção cientifica. Por que ficção cientifica? Porque estamos falando de uma historia que possui elementos do gênero, como a máquina criada por Crawford Thillinghast, que permite a ele entrar em contato com criaturas de outra dimensão. Não sei para vocês, mas para mim, há um toque de ficção cientifica nessa historia, sim.

 

No entanto, o que mais predomina aqui é o terror. Lovecraft faz questão de descrever situações que beiram ao mais puro terror, como a loucura de Thillinghast após utilizar a máquina, além do mistério por trás do desaparecimento de seus criados, e claro, as próprias criaturas. Tudo escrito com uma habilidade extraordinária.

 

Como mencionado, o texto de Lovecraft é rápido, mas isso não impede de ser uma leitura prazerosa. Pelo contrário, é possível, sim, ler a história e se envolver em sua narrativa, mais de uma vez, inclusive. Uma leitura que vale muito a pena. O texto original em inglês é tão fascinante quanto em português.

 

Em 1986, recebeu uma excelente adaptação para o cinema dirigida por Stuart Gordon e estrelada por Jeffrey Combs, Barbara Crampton e Ken Foree.

 

Enfim, Do Além é fascinante. Uma história arrepiante de horror com toques de ficção cientifica que causa calafrios no leitor. Uma das melhores historias de H.P. Lovecraft. Altamente recomendado.


H.P. LOVECRAFT

 

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Essa resenha corresponde à tradução em português disponível tanto na primeira quanto na segunda edição do livro GRANDES CONTOS DE H.P. LOVECRAFT, lançados pela editora Martin Claret. Ambas as edições possuem o mesmo conteúdo. Também corresponde ao texto original em inglês, disponível no livro H.P. LOVECRAFT – THE COMPLETE FICTION, lançado pela editora Barnes & Nobles.



sábado, 6 de março de 2021

FITZCARRALDO (1982). Dir.: Werner Herzog.

 

NOTA: 10



Primeiramente, vou deixar uma coisa clara: resenhas de filmes de outros gêneros são bem-vindas neste site, apesar de seu nome. E hoje, vou dar um exemplo disso.

 

Não é novidade que grandes diretores gostam de firmar parcerias com grandes atores, justamente pela afinidade que ambos desenvolveram nas produções em que trabalharam juntos. Existem muitos casos no cinema, e a relação entre o diretor Werner Herzog e o ator Klaus Kinski é uma delas. Dessa parceria, surgiram cinco filmes, todos considerados grandes obras por críticos e cinéfilos do mundo todo. FITZCARRALDO (1982) é um desses filmes, e sem duvida, o melhor filme que ambos fizeram juntos, ao lado de Nosferatu, o Vampiro da Noite (1979), reimaginação do Clássico de F.W. Murnau.

 

Bom, dois motivos me levaram a querer ver esse filme: o primeiro foi a informação presente na contracapa do livreto lançado pela Versátil em parceria com a Folha de São Paulo, que diz que foi uma das produções mais conturbadas de todos os tempos, e que a cena do barco foi realizada sem nenhum efeito especial; o outro foi um daqueles anúncios que aparecem no YouTube, no caso o de uma faculdade, ou curso, de cinema, onde aparecem cenas de grandes filmes; e um deles em questão mostrava o ator Klaus Kinski num barco com um gramofone diante de uma floresta. Eu já havia visto esse anuncio varias vezes, e sempre me encantava com ele. Bom, por fim, resolvi colocar o filme para rodar.

 

E que experiência. Fitzcarraldo é um dos melhores filmes que já vi na minha vida, mesmo tendo visto somente uma vez. Um filme belíssimo, maravilhosamente rodado, com cenários deslumbrantes, fotografia inspirada e um elenco afiado.

 

Mesmo tendo visto somente um – até então – filme do diretor Herzog, no caso, Nosferatu, eu já tinha certo conhecimento de sua reputação como cineasta, principalmente por conta de seu desejo de realizar filmes grandiosos, onde ele tornou-se conhecido por levar seu elenco às últimas consequências; e, bom, aqui temos um exemplo. Mais detalhes sobre isso mais adiante.

 

Mesmo sendo uma produção alemã, o filme com certeza foi todo rodado na América do Sul, provavelmente no Peru, e o diretor fez um excelente trabalho com o que dispunha. As tomadas que o diretor faz da selva amazônica são de tirar o folego. A câmera de Herzog passeia pelas árvores com naturalidade impressionante, criando tomadas panorâmicas impressionantes, dignas de tirar foto e emoldurar, e também, dignas de estudo. Herzog faz uso de muita câmera alta, para mostrar a imensidão da floresta amazônica, além de mostrar a cidade peruana com os mesmos toques de mestre. Nessas sequências, o diretor faz uso da câmera normal, com os planos mais simples, mas não menos grandiosos. O verdadeiro esplendor fica para as sequências que se passam de fato na floresta. E existem muitas delas, mesmo antes do grande ato. Herzog leva seu elenco para o interior da floresta, e mostra tudo sem o menor pudor.

 

As sequencias na cidade peruana também são impressionantes. Como eu disse, Herzog não faz tanto uso de câmeras altas, mas o que ele mostra, enche os olhos. É possível ver sua habilidade em capturar imagens belíssimas, do tipo que dá vontade de fotografar e emoldurar na parede. Não sei exatamente onde Herzog filmou as sequências na cidade peruana, mas o que ele mostra é digno de nota e traz uma sensação agradável, de nostalgia, mesmo para quem não viveu naquela época.

 

No entanto, o verdadeiro espetáculo fica para as cenas no interior da selva e dentro do navio. Conforme mencionado, Herzog não poupava seu elenco e equipe de passar por perrengues, e aqui não fica longe. Ele levou todos para o interior da selva, o que deve ter obrigado a todos a enfrentar as dificuldades de se filmar em um local como aquele. Esse foi um dos inúmeros problemas que a produção enfrentou, sendo talvez o maior deles, trabalhar com três modelos em escala real do navio. A famosa sequência em que ele é arrastado para o outro lado do rio foi rodada sem nenhum efeito especial, e, assistindo ao filme, é possível perceber isso. Realmente é uma sequência de tirar o folego, onde todos os envolvidos devem ter sofrido muito para chegar ao resultado que Herzog queria. Além da famosa sequencia, as cenas dentro do barco também não ficam atrás. As tomadas que Herzog exibe são lindas, e seus ângulos de câmera também são dignos de nota. Tudo isso acompanhado pela voz de Enrico Caruso.

 

Como mencionado, o filme enfrentou sérios problemas de produção. O primeiro ocorreu quando o diretor teve que remover todos da locação em razão de uma guerra. Depois, o antigo ator principal enfrentou problemas de saúde e teve de abandonar as filmagens; o musico Mick Jagger, que tinha um papel no filme, também abandonou o projeto, em razão de uma turnê de sua banda – os Rolling Stones – o que obrigou Herzog a cortar seu personagem do filme; além disso, o diretor foi acusado de exploração dos figurantes indígenas, que sofreram ferimentos e também morreram durante as filmagens; e também ocorreram duas pequenas quedas de avião, o que resultou em ferimentos e uma causa de paralisia, e por fim, um membro da equipe foi picado por uma cobra venenosa, o que o levou a decepar o próprio pé a fim de salvar sua vida. E claro, ocorreram diversas discussões entre Herzog e Kinski durante as filmagens, o que tornou-se comum entre eles durante sua parceria.

 

Outra coisa que merece menção, é o fato de Herzog não ter pudor em mostrar a realidade da selva, principalmente dos indígenas. Estou falando de índios sem dentes, velhos, falando seu idioma natural... Tudo no mais profundo realismo. Além disso, o elenco também não foi poupado. Durante toda a sequencia do barco, os atores se sujaram de barro e lama, principalmente Kinski, o que deve ter tornado a experiência ainda mais real e mais conturbada.

 

O filme teve locações em Manaus, no Brasil, e no Peru, principalmente em Pongo de Mainique, o istmo entre os rios Urubamba e Camisea, 36 milhas à oeste de um lugar real, o istmo de Fitzcarrald.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo em edição individual e também na coleção Cine Europeu, parceria da distribuidora com a Folha de São Paulo. Atualmente, deve estar fora de catalogo.

 

Enfim, Fitzcarraldo é um filme excelente. Uma historia épica de aventura, filmada de maneira brilhante, com tomadas e ângulos de câmera de tirar o fôlego. Um filme que mostra até onde o ser humano pode ir para realizar seus sonhos, mesmo que signifique ultrapassar os próprios limites. A parceira entre o ator Klaus Kinski e o diretor Werner Herzog rende grandes momentos e cenas memoráveis, principalmente a sequência do barco. Um dos grandes filmes do cinema europeu. Maravilhoso. 


Créditos: Versátil Home Vídeo


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segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

A INOCENTE FACE DO TERROR (1972). Dir.: Robert Mulligan.

 

NOTA: 9



Filmes com crianças perversas são extremamente chocantes, principalmente porque a difícil imaginar uma criança fazendo mal para qualquer ser vivo. Mas existem, sim, filmes que abordam essa temática polemica, e A INOCENTE FACE DO TERROR (1972) é um deles, e um dos melhores.

 

Dirigido por Robert Mulligan, de O Sol é Para Todos (1960), e baseado no livro de Thomas Tryon, que também escreveu o roteiro, este é um pequeno clássico do terror que aborda o tema de crianças perversas, no caso, os gêmeos Niles e Holland Perry. E mais que um filme de crianças malvadas, este é também um filme de terror e suspense psicológico de primeira, que requer certo raciocínio do espectador, principalmente na primeira vez.

 

Na minha primeira conferida, eu confesso que fiquei surpreso com o resultado, uma vez que o diretor nunca faz questão de mostrar os dois irmãos no mesmo frame; ao invés disso, ele faz isso que cortes rápidos e movimentos de câmera, que conseguem enganar o espectador, sem o menor esforço. E as surpresas não param por aí.

 

Além dessa trama cheia de mistério e reviravoltas, outra coisa que torna o filme atraente é a sua ambientação. A trama se passa durante os anos 30, no interior dos Estados Unidos. E a sensação que o longa passa é muito boa; parece que estamos vivendo aquela época, com recriações fieis à época, além de um clima de interior que enche os olhos. É o tipo de coisa que eu gosto em um filme, conforme mencionei em outras resenhas.

 

Além do clima de interior, outro detalhe que prende o espectador é a trilha sonora, composta por Jerry Goldsmith. Desde os créditos de abertura, ouvimos uma trilha belíssima, com ar de fantasia, ou de filme familiar, sem aqueles toques pesados de filme de terror. Não há dúvidas que Goldsmith era um grande compositor, com uma grande contribuição para o cinema, e a trilha sonora deste filme é uma delas. Uma trilha muito linda, mesmo.


Além da trilha sonora, outro ponto positivo é a fotografia. O filme é completamente colorido, com a fotografia destacando o calor do verão, e passando a sensação de calor; nas cenas noturnas, a coisa não é diferente; são cenas bem filmadas, que também passam uma sensação de realidade. Além da sensação de calor, o filme tem uma cena filmada do ponto de vista de um corvo, que sobrevoa a fazenda. Uma cena muito linda, com a câmera área percorrendo as locações, combinada com a trilha de Goldsmith.

 

E por fim, as atuações. Não existem atuações exageradas e caricatas; ao contrário, todos os atores entregam ótimas performances, e passam a sensação de serem pessoas reais. O melhor fica com os gêmeos Chris e Martin Udvarnoky, que interpretam os irmãos Perry. Por se tratar de um filme de gêmeos, temos aqui o clássico exemplo de gêmeo bom e gêmeo mal, e os atores mirins atuam muito bem, passando veracidade, chegando, inclusive, a confundir o espectador, principalmente porque eles usam as mesmas roupas, coisa comum nos gêmeos. Diana Muldaur também entrega uma atuação digna de nota, no papel da mãe dos gêmeos. Sua personagem carrega um trauma nas costas, e por conta disso, vive adoentada. Pois bem, a atriz passa essa sensação de personagem amargurada por algo terrível do passado e mais tarde, quando sua saúde piora, e sensação permanece. E por fim, a atriz Uta Hagen também não faz feio, no papel da avó dos irmãos, chegando até a ser melhor que eles.

 

A Inocente Face do Terror é um filme de terror psicológico, no melhor estilo do gênero. É uma história sobre loucura, principalmente, e um dos gêmeos é atormentado por ela. É evidente a loucura do personagem, principalmente quando acontece uma reviravolta chocante na trama, e o garoto não consegue se libertar dela, o que gera uma das melhores e mais assustadoras cenas do filme.

 

Por conta da história, é um filme que não dá para falar muito sem entregar spoilers; o máximo que pode ser dito é que acontece uma reviravolta chocante, e só isso. O resto fica por conta do espectador. O máximo que posso dizer é que o final é muito pesado, e me impressiona toda vez que assisto. E só isso.

 

Foi lançado por aqui em DVD pela Versátil Home Vídeo, na coleção Obras-Primas do Terror Vol.3. Anteriormente, chegou a ser lançado em VHS no Brasil, mas esteve fora de catálogo por muitos anos; além disso, também foi lançado em DVD pela Classicine.

 

Enfim, A Inocente Face do Terror é um filme excelente. Uma fascinante historia de terror e suspense psicológicos, com reviravoltas e conclusões chocantes. Um filme que pode enganar o espectador desavisado, principalmente na primeira vez, e por isso, deve ser visto novamente. A direção de Robert Mulligan, misturada com o roteiro de Thomas Tryon, além da trilha sonora de Jerry Goldsmith, e as atuações convincentes, formam o conjunto perfeito, e deixam o filme ainda melhor a cada revisão. Um filme perturbador em todos os sentidos. Excelente. Altamente recomendado. 


Créditos: Versátil Home Vídeo



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domingo, 17 de março de 2019

A TUMBA (H.P. Lovecraft)


Esta resenha corresponde ao texto publicado na primeira e na segunda edição de "Grandes Contos de H.P. Lovecraft", lançado pela Editora Martin Claret. Ambas as edições apresentam o mesmo conteúdo. 


NOTA: 9.5


A TUMBA
Escrito no inicio de carreira de Lovecraft, A TUMBA é talvez um de seus trabalhos mais conhecidos.

Uma historia arrepiante de fantasmas e horror psicológico, repleta de elementos do terror gótico.

A historia é narrada por Jervas Dudley, membro de uma família aristocrática da Nova Inglaterra que acaba descobrindo uma tumba misteriosa. Movido por forças desconhecidas, e, possivelmente, sobrenaturais, Dudley sente um desejo quase incontrolável de adentrar no local e descobrir o que há lá dentro. Dentre suas pesquisas sobre o local, ele descobre que a tumba é do descendente de uma família abastada já inexistente. Porém, a medida que seu desejo de adentrar na tumba aumenta, ele acaba fazendo uma descoberta arrepiante sobre si mesmo e sobre a tumba.

O texto de Lovecraft é ágil, de fácil compreensão, e repleto de elementos associados ao terror gótico. Sua descrição da cripta onde a tumba está localizada é fascinante, e, durante a leitura, eu me imaginei dentro daquele lugar escuro, úmido e assustador. A descrição da tumba do falecido descendente da família abastada é fascinante, e, com certeza, me fez lembrar dos elementos que eu associo ao terror, em especial crânios e ossos humanos.

O restante da historia também é de uma qualidade impar, quase sempre focada no interior da cripta e na obsessão de seu protagonista em descobrir o que há lá; e de certa forma, o leitor também junta-se a ele nessa expedição ao sobrenatural. Falando em sobrenatural, A Tumba pode ser considerada uma historia de fantasmas, mesmo que sem a presença de um. Como já mencionei, a própria ambientação lembra muito o cenário de uma historia de fantasmas, principalmente as historias de casas mal-assombradas.

Em suas poucas páginas, Lovecraft nos conta uma historia arrepiante, cheia de mistério, sensações estranhas e surpresas de cair o queixo.

A Tumba é um conto fascinante, perfeito para uma noite de chuva.


Maravilhoso. Simples. Assustador. Um pequeno clássico de H.P. Lovecraft.


H.P. LOVECRAFT

AVISO.

  O LIVROS & FILMES DE HORROR está em recesso. Obrigado.