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sexta-feira, 2 de julho de 2021

O CHICOTE E O CORPO (1963). Dir.: Mario Bava.

 

NOTA: 10



Não há duvidas que Mario Bava era um mestre do cinema de horror, conforme já mencionei em outras resenhas aqui.

 

Bem, hoje, irei falar sobre mais um de seus filmes: O CHICOTE E O CORPO (1963), um dos meus favoritos dele, e que conta com o astro Christopher Lee no elenco.

 

O que dizer sobre esse filme? Bom, devo dizer o óbvio: é um filme maravilhoso, e tudo isso se deve ao próprio Bava. O diretor sabia muito bem como queria contar uma historia e o que deveria usar para isso, e aqui, ele faz isso de sua melhor arma: a criatividade. Bava era extremamente criativo com o uso da câmera e da luz, e graças a isso, foi o responsável pelos mais belos filmes de terror de todos os tempos.

 

O Chicote e o Corpo é um deles, e como mencionei, um dos meus favoritos. É uma verdadeira história de terror gótico, de castelo assombrado, com tudo que tem direito, e que somente o gênero poderia trazer de melhor. E mais, é visualmente deslumbrante. Toda vez que eu assisto ao filme, eu me surpreendo com as imagens colocadas na tela. Eu não me canso de assistir a esse filme. E fica melhor a cada revisão.

 

É o tipo de filme de terror que os italianos sabiam fazer, com todos os toques góticos e sobrenaturais, misturados com uma pitada de suspense psicológico.

 

A fotografia é o principal destaque do filme. Assim como fizera em seus outros filmes, Bava criou uma obra colorida, onde todas as cores pulsam na tela em tons vivos. Sim, é um filme de terror colorido, do tipo de faz falta hoje em dia. Não se engane, eu gosto de filmes de terror em preto e branco, mas, com filmes de terror coloridos, parece que a coisa é mais diferente. E na versão lançada em DVD pela Versátil, a qualidade é muito melhor do que as outras versões disponíveis.

 

E claro, Bava também foi o responsável pela direção de fotografia e pelos efeitos especiais, e como sempre, mostrou-se muito habilidoso e fez um excelente trabalho, uma vez que ele começou sua carreira no cinema atuando nessas respectivas áreas.

 

Como todo filme de terror gótico, a história é ambientada num castelo, nesse caso, um castelo à beira-mar. Bava soube fazer uso do cenário, sempre destacando seu interior claustrofóbico e seu exterior clássico, com as torres que se destacam ao longe. A praia é também um ótimo cenário, com as ondas quebrando na areia, e completamente deserta.

 

O elenco também é um ponto positivo, com destaque para o grande Christopher Lee, em sua segunda colaboração com Bava. Mesmo com pouca presença em tela, o astro dá um show de atuação no papel de Kurt Menliff, o vilão do filme. O personagem é um verdadeiro sádico, que sente prazer perverso em torturar a esposa do irmão, que foi sua amante, com requintes de crueldade, agredindo-a com o chicote, a fim de despertar seu apetite sexual. Aliás, esse é um ponto que deve ser mencionado. O filme possui um forte tom de erotismo, apesar de não conter cenas de nudez, mas mesmo assim, é possível captar os toques de erotismo e sensualidade.

 

E claro, O Chicote e o Corpo é um excelente filme de fantasmas com toques de suspense. Os italianos sabiam fazer grandes filmes de fantasmas, misturados com outros gêneros, e nesse caso, temos uma mistura de história de fantasma com história de assassinato misterioso, uma vez que temos duas cenas de assassinatos e não sabemos quem é o culpado. Eu acho uma ótima combinação para esse filme, porque prende ainda mais a atenção do espectador.

 

E sendo um filme de fantasmas, temos também o espírito que ronda o castelo e assombra seus familiares, nesse caso, Nevenka, conduzindo-a a episódios de histeria e levando-a a loucura completa. E isso funciona muito bem.

 

Antes de encerrar, devo mencionar o som. Conforme mencionei na resenha de Seis Mulheres para o Assassino (1964), também de Bava, o som é um elemento a parte. E aqui, não é diferente. O áudio em italiano é maravilhoso, e parece ecoar para fora da tela, como se estivéssemos no assistindo no cinema; além disso, o vento é quase um personagem, soprando desde o começo do filme, deixando clara a sua presença. Eu gosto muito de filmes de terror onde o vento pode ser ouvido, para mim passa uma sensação agradável e fantasmagórica. E a trilha sonora de Carlo Rustichelli é maravilhosa, com um ar melancólico que casa muito bem com o filme.

 

Esses são os atrativos que fazem deste um excelente filme de terror italiano, do tipo que somente eles sabiam fazer.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo, na coleção Obras-Primas do Terror, em versão restaurada com áudio em italiano. 

 

Enfim, O Chicote e o Corpo é um filme excelente. Uma historia de fantasmas com elementos eróticos e psicológicos que prendem a atenção do espectador. A direção de Mario Bava é o melhor aspecto do filme, e, aliado a uma fotografia colorida, deixam-no ainda mais bonito, e melhor a cada revisão. O astro Christopher Lee entrega uma excelente atuação. Um verdadeiro espetáculo visual, do jeito que somente Bava sabia fazer. Altamente recomendado.



Créditos: Versátil Home Vídeo

 

Acesse também:

https://livrosfilmesdehorror.home.blog/


quarta-feira, 11 de setembro de 2019

O CICLO DO PAVOR (1966). Dir.: Mario Bava.


NOTA: 10



O CICLO DO PAVOR (1966)
Conforme mencionei na resenha de Seis Mulheres para o Assassino (1964), o diretor Mario Bava era um Mestre do cinema de horror. Dentre suas obras, CICLO DO PAVOR (1966) é uma das minhas favoritas.

Marco do Terror Gótico Italiano, é um filme maravilhoso. Uma historia de fantasmas com toques de conto de fadas, com os truques que somente Bava conseguia dar a suas obras.

Não é novidade nenhuma que Bava era um especialista em fazer grandes coisas com orçamentos e tempos apertados, e aqui, não é diferente. A produção foi marcada por dificuldades, e em determinado momento, o orçamento acabou, mas, mesmo assim, a equipe e o elenco concordaram em trabalhar de graça; mas, nada disso impediu o filme de ser uma obra maravilhosa.

Bava faz uso de técnicas espetaculares, técnicas essas que diretor nenhum consegue – nem conseguirá – copiar. Isso aconteceu graças à sua experiência como operador de câmera e diretor de fotografia nos anos 50, o que lhe rendeu muitos elogios. E claro, quando resolveu se aventurar na direção, levou suas técnicas consigo.

Bava estreou oficialmente na direção em 1960, com o excelente A Maldição do Demônio, e desde então, tem se dedicado ao terror gótico praticamente com exclusividade – o que não o impediu de se aventurar em outros gêneros, claro. E em O Ciclo do Pavor, Bava está em sua melhor forma.

O roteiro é simples, mas, torna-se pretexto para o diretor aplicar tudo o que desenvolveu nos anos anteriores. Impossível dizer qual o melhor momento, porque são muitos; mas, sem duvida, uma das melhores cenas é a do balanço no cemitério – mais sobre ela adiante. 

A fotografia é uma melhores coisas do filme, sem duvida. Com tons de laranja, azul e preto, ela enche a tela e chega a hipnotizar e a ser atraente. Sério. Dá um aspecto de nostalgia e interior ao filme, o que o enchem ainda mais de charme. E a transição de cores acontece naturalmente; se no inicio, durante o dia, o filme é banhado nos tons laranja e amarelos, durante a noite, o preto e o azul-escuro tomam conta, e não mudam o tom nostálgico do filme. Sem duvida, mesmo não sendo responsável pela direção de fotografia, Bava soube administrar os tons, e, sinceramente, não chegam a transformar o filme num arco-íris, mas deixam-no lindo.

O design do filme também contribui para deixa-lo lindo. O vilarejo parece parado no tempo, completamente envolto em teias de aranha; as portas das casas estão sempre fechadas; as paredes são forradas de alho, cruzes e velas – uma amostra do quão supersticiosos seus habitantes são – ; e principalmente, a Vila da Baronesa Graps não fica para trás. A decadência está presente em todas as paredes da casa, cuja pintura está caindo aos pedaços; os cômodos e moveis estão envoltos em enormes teias de aranha, e o muro da cripta da família está prestes a desmoronar. Parece que a qualquer minuto, a Vila vai desabar.

A trilha sonora, composta por Carlo Rustichelli, que já havia trabalhado com Bava no passado, é maravilhosa. Ao invés de ser uma trilha alta, que pula na tela, é quase uma melodia de conto de fadas, que casa perfeitamente com a atmosfera do filme.

Como mencionado acima, o filme tem varias cenas impressionantes; uma das melhores, sem duvida é o balanço. É uma cena perfeita, com Bava dando seus toques de mestre; os primeiros segundos mostram a câmera indo para frente e para trás, de maneira aleatória, sobrenatural, até. Não me lembro de ter visto uma cena tão artesanal e linda como essa, e com a paleta de cores, fica perfeita. A cena da escada também é muito boa, digna de provocar arrepios. Mas, uma das minhas favoritas, é quando o Dr. Eswai chega ao vilarejo: assim que sua carruagem para, ele vê, ao longe, um grupo de homens carregando um caixão. É uma cena em plano geral, sob o céu alaranjado, com as silhuetas dos homens andando; quando vi essa cena pela primeira vez, eu me apaixonei pelo filme, e toda vez que eu o vejo, volto a cena para conferir de novo. As cenas entre o Comissário Kruger e o protagonista também são as minhas favoritas. Bava soube filmá-las muito bem, sem uso de trilha sonora, o que as deixa mais sinistras. Outro exemplo da genialidade do diretor.

Os personagens do filme também merecem atenção. O Dr. Paul Eswai é o típico homem da Ciência, o médico que não acredita no sobrenatural nem nas superstições dos moradores do vilarejo, e mostra-se disposto a enfrentar a tal maldição para provar suas teorias. Seria o tipo de personagem que a gente torce para ser eliminado, mas, sinceramente, não é possível. Monica, a antiga moradora do vilarejo também é uma ótima personagem, o tipo de pessoa que, mesmo morando naquele lugar durante boa parte da vida, sente-se uma estranha quando retorna. Ela tem uma personalidade doce, mas não daquele tipo que exagera, sempre chorando por aí, fazendo gestos e caras e bocas; pelo contrario, ela é verdadeira em sua fragilidade. E a relação entre os dois funciona muito bem, e francamente, não seria surpresa se ambos se apaixonassem um pelo outro. Não atrapalharia em nada o andamento da trama.

Os demais personagens também são atraentes. Cada um à sua maneira, é envolvido pelo mistério que ronda o vilarejo, e mostram-se verdadeiramente aterrorizados pelas forças sobrenaturais. O burgomestre já não tem poder nenhum sobre o lugar; os habitantes acreditam apenas em suas próprias leis. Enfim, os típicos personagens supersticiosos de historias como essa. Uma menção especial para: Ruth, a bruxa do vilarejo. Dotada de poderes de cura, é a ela a quem os moradores recorrem quando algo ruim acontece, e eles confiam fielmente em suas habilidades. A Baronesa Graps é a própria imagem da decadência. Morando em sua Vila caindo aos pedaços, ela própria também está decaindo, com as roupas sujas, o cabelo embaraçado, despreocupada com sua aparência, uma completa reclusa. E por fim, Melissa, a menina morta. Vitima de um acidente que lhe custou a vida, ela é um melhores fantasmas do cinema de horror. Vestida de branco, com o rosto branco como papel e os cabelos loiros, é uma imagem assustadora. Ela é a responsável pelas mortes misteriosas no vilarejo, e os residentes têm até medo de pronunciar seu nome.

Todos esses aspectos fazem de O Ciclo do Pavor um dos melhores filmes de terror do cinema italiano. Sem duvida, é um daqueles filmes que ficam melhores a cada vez que vemos, e às vezes parece que uma coisa nova vai aparecer. É um dos filmes que eu mais gosto de assistir, e faço isso com prazer, de verdade. Mesmo tendo-o visto várias vezes, não me canso dele.

Com mais esse filme, Mario Bava provou que era um Maestro do Cinema de Horror Italiano, e o Rei do Horror Italiano.

Foi lançado em DVD por aqui pela Versátil Home Vídeo, na excelente coleção Obras-Primas do Terror Vol.2, com áudio original italiano.

Recentemente, foi lançado em Blu-ray, em versão restaurada, que na minha opinião, não faz jus ao filme, além de ser dublada em inglês. Na minha opinião, é muito melhor assistir ao filme com áudio original em italiano; assisti-lo com dublagem em inglês é muito estranho, parece outro filme. A versão disponível aqui no Brasil é a melhor disponível.

Enfim, O Ciclo do Pavor é um filme excelente. Um filme belíssimo. Uma história de horror com toques de conto de fadas. Um dos meus filmes favoritos do Maestro Mario Bava.




Créditos: Versátil Home Vídeo



segunda-feira, 2 de setembro de 2019

AMITYVILLE, A CIDADE DO HORROR (1979). Dir.: Stuart Rosenberg.


NOTA: 10




AMITYVILLE, A CIDADE DO HORROR
(1979)
AMITYVILLE, A CIDADE DO HORROR (1979) é um dos filmes mais assustadores que eu já vi. Um filme brilhante, muito bem feito, que até hoje, consegue assustar sem fazer esforço.

Antes de falar sobre o filme, vou deixar claro como me tornei fã da série. Acredito que meu primeiro contato foi com as fitas VHS que eu via na locadora, quando íamos lá para alugar filmes, no fim de semana. No começo, não dava muita importância, porém, gostava muito da capa de Amityville: Uma Questão de Hora, sexto filme da franquia, e uma porcaria sem tamanho. Se não estou enganado, a locadora também tinha o segundo, batizado de Terror em Amityville (1982) e o oitavo, A Casa Maldita. Em outra locadora, provavelmente, anos antes, vi de relance o VHS do terceiro filme, focando minha atenção principalmente na enorme garra que saía de dentro da casa. Mas, apesar desse pequeno contato, não tinha interesse nenhum em assistir, talvez por ter medo. Meu interesse pela série surgiu de fato quando aluguei, na mesma locadora que frequentávamos, o DVD de Amityville 2 e Amityville 3-D, lançados em edição lastimável de banca. Aluguei e coloquei no aparelho. O resultado foi uma experiência de horror, em especial, graças ao segundo filme. Por um longo tempo, passei a alugar o DVD, mais por causa do segundo filme, até que resolvi procurar pelo primeiro, sem sucesso. Até que, numa visita a um shopping, encontrei o DVD do primeiro filme, que comprei rapidamente. Quando eu, minha mãe e meu irmão nos juntamos para assistir, o resultado também foi uma experiência de horror. A cada cena, nós pulávamos de cama e nos assustávamos. No final, eu adorei o filme, e continuo adorando até hoje.

O filme é uma adaptação do livro The Amityville Horror, do escritor e jornalista Jay Anson, lançado dois anos antes, que por sua vez, foi baseado em uma historia real ocorrida em 1975, onde o casal George e Kathy Lutz, juntamente com seus filhos, mudou-se para a mansão de Amityville, onde permaneceu por 28 dias, antes de fugir. O livro é assustador, um dos mais assustadores que já li; e o filme, não fica atrás.

Dirigido por Stuart Rosenberg, famoso por sua colaboração com o ator Paul Newman, foi produzido por Samuel Z. Arkoff, da America International Pictures (A.I.P.), que nos anos 60, foi responsável pelo lançamento de vários filmes de Roger Corman, baseados em historias de Edgar Allan Poe.

Amityville é excelente. Muito bem feito, com roteiro simples, de verdade, mas que aposta mais no terror psicológico do que no terror “visível”, vamos dizer assim. Durante toda a narrativa, o diretor Rosenberg deixa muitas coisas na base da sugestão, principalmente quando envolve as presenças sobrenaturais que rondam a casa. O melhor é que funciona.

A ambientação também contribui. Apesar da mansão ser ampla, em certos momentos, uma sensação de claustrofobia e insegurança é transmitida para o espectador. Parece mesmo que a casa não é um local seguro para aquela família, e eles precisam sair dali o mais rápido possível.

Como deu pra perceber, o filme faz parte de dois subgêneros muito populares naquela época: o terror satanista e as casas mal-assombradas. Apesar de o primeiro não estar tão evidente, o segundo está presente desde o começo. Falo de ventos que surgem de repente, portas que abrem e fecham e janelas que se fecham sozinhas. Ou seja, tudo que se pode encontrar em uma historia de casa assombrada; só faltou a presença dos fantasmas, mas, francamente, não é necessário. O aspecto satanista da historia só é revelado mais adiante, quando George decide investigar o que está acontecendo, e encontra um livro sobre o assunto.

Como já mencionado, é o tipo de filme que consegue assustar sem fazer esforço e sem apelar para jump-scares. O susto vem de repente, muitas vezes, sem trilha sonora alta, que pula na tela, como se vê nos filmes de terror atuais. O diretor cria esses momentos aos poucos, graças a cenas aparentemente inofensivas, como establishing shots da casa, tanto de dia como de noite, e também cenas de diálogos, e então, solta o terror na tela, deixando o espectador sem ar. Na primeira vez que assisti esse filme, fiquei com essa sensação. Foram momentos de puro terror.

Outro fator que contribui para o terror é a trilha sonora, composta pelo argentino Lalo Schifrin, autor da trilha sonora de Missão Impossível. Segundo o próprio, a intensão era criar algo que fosse parecido com uma canção de ninar, composta por um coro feminino. A ideia deu certo, e, na minha opinião, o tema musical é um melhores do cinema de horror; inclusive, chegou a ser indicado ao Oscar® de Melhor Trilha Sonora em 1980. É uma prova de que um filme de terror não precisa de temas pesados para ser assustador. Schifrin seria também responsável pela trilha sonora da continuação, lançada três anos depois.

Além da trilha sonora, a fotografia também ajuda a construir a atmosfera. Se durante o dia, o filme é todo colorido, à noite, a paleta de cores muda completamente, assumindo tons de azul e preto, o que deixa o filme ainda mais assustador.

O roteiro, escrito por Sandor Stern é excelente. O autor fez praticamente uma adaptação fiel do livro de Anson, apenas alterando a época da historia: no livro acontece no inverno, aqui, acontece provavelmente no outono. Mas, francamente, não muda em nada a essência da historia. Stern fez um belo trabalho, mostrando praticamente todos os dias em que os Lutz permaneceram na casa, além de mostrar a relação entre George e Kathy, e como ela vai se deteriorando a medida que ele é afetado pelas forças sobrenaturais. E como mencionei, é quase tudo na base do terror psicológico.

O modo como George é afetado pelas forças sobrenaturais é muito bem feito. Conforme ele vai sendo afetado, sua personalidade vai mudando, bem como sua aparência. De padrasto e marido amoroso, ele torna-se obcecado em arrumar a lareira e passa a se descuidar, sempre aparecendo desarrumado, com as roupas suadas e o rosto pálido. Muito boa transformação. Mas não é apenas George que é afetado; Amy, a filha de Kathy passa a interagir com uma amiga imaginaria chamada Jody, que passa a influenciá-la de maneira negativa, como mostrado na cena do armário. Esse também é outro truque do roteiro que funciona bem. Jody não aparece durante o filme; sua presença é sugerida pela cadeirinha de balanço de Amy, que está sempre em movimento. As únicas vezes em que o diretor resolve mostra-la são bem rápidas, e uma delas nos assustou tanto, que minha mãe pediu para voltar e ver de novo. Realmente, uma cena brilhante, que acontece conforme descrevi acima.

Amityville é estrelado por James Brolin, Margot Kidder (1948-2018) e Rod Steiger (1925-2002). Margot Kidder, no ano anterior, havia estrelado Superman – O Filme, de Richard Donner, ao lado de Christopher Reeve. Já Rod Steiger havia levado o Oscar® de Melhor Ator por No Calor da Noite, onde atuou ao lado de Sidney Poitier. Não sei qual era a opinião do ator sobre Amityville, mas, a atriz Margot Kidder chegou a declarar que era o pior filme que fizera, porém, anos depois, voltou atrás em sua opinião. Os atores estão muito bem em seus papéis e passam as sensações que seus personagens estão sentindo de forma autentica. Os atores-mirins também estão bem, mas, em alguns momentos, não são tão agradáveis. No elenco, também tem a presença do ator Murray Hamilton (1923-1986), no papel de um dos padres.

O filme chegou a ser lançado em VHS, com a tag “Pelo amor de Deus, fugam!” estampada na capa, com o título de A Cidade do Horror. Também chegou a ser lançado em DVD pela MGM, desta vez com o título Terror em Amityville, o que é estranho, porque também o título que o segundo filme recebeu em VHS por aqui. Ambas as edições estão fora de catálogo; mas, recentemente, foi lançado novamente em DVD pela Obras-Primas do Cinema na coleção Trilogia Terror em Amityville, juntamente com suas duas continuações oficiais, todos em versões remasterizadas e com muitos extras.

Como também mencionado, o filme ganhou várias continuações, cuja a primeira foi lançada três anos depois; o terceiro filme foi lançado no ano seguinte. A partir do quarto filme, lançado em 1989, as continuações não tiveram nenhuma relação com a historia original, e principalmente, com a Mansão Amityville. Na verdade, era apenas uma estratégia de marketing bem sem-vergonha para veicular o nome Amityville à uma serie de filmes sobrenaturais. O único dessa leva que eu assisti foi o sexto filme, Amityville: Uma Questão de Hora, no SBT, e como disse, é uma porcaria sem tamanho. A única continuação que vale a pena, é o ótimo Amityville: O Despertar, lançado em 2017. Mais recentemente, uma prequel foi produzida, The Amityville Murders, que aparentemente, foca na família que viveu na casa antes da família Lutz.

Enfim, Amityville, A Cidade do Horror é um filme excelente. Um dos melhores filmes de terror de todos os tempos. Uma historia apavorante, que provoca arrepios sem fazer esforço.

Muito bem recomendado.







segunda-feira, 17 de junho de 2019

CARNAVAL DE ALMAS (1962). Dir.: Herk Harvey.


NOTA: 10


CARNAVAL DE ALMAS (1962)
Um pequeno Clássico do Terror. Assim pode ser definido CARNAVAL DE ALMAS (1962), um dos filmes mais assustadores que já tive o prazer de assistir. De verdade.

Desde a primeira vez que coloquei o DVD no aparelho e apertei o Play, esse filme me deu enormes calafrios na espinha. E não é para menos. Rodado com um orçamento mínimo, e de forma independente, o filme é um exemplo de que não há necessidade de grandes orçamentos, nem de grandes estúdios, para contar uma boa historia; o que precisa é ter criatividade, e aqui, o diretor Herk Harvey tem de sobra.

Com uma historia até simples, mas que precisa de raciocínio para assistir, o diretor criou um dos filmes mais assustadores de todos os tempos, mas que, infelizmente, boa parte do publico não conhece. O que é uma pena, porque é um filme que vale a pena ser conferido, mais de uma vez, até.

Mas o que o torna um filme tão assustador? Bom, como acabei de mencionar, tem criatividade de sobra; mas, não é só isso. Talvez um dos principais fatores seja a trilha sonora, composta exclusivamente por órgãos, que desde o primeiro momento, é digna de arrepios, seja pela melodia sombria, seja pela melodia alegre de parque de diversões. Outro fator que contribui para o clima de horror é a atmosfera enigmática e de pesadelo; a partir do momento em que a protagonista, Mary, se recupera do acidente que sofreu, fica impossível saber se o que ela está vivendo é real ou não, uma vez que a figura do Homem de Preto que a persegue o filme todo, é vista somente por ela. Na minha opinião, essa atmosfera dá mais um charme ao filme, porque, realmente, é impossível saber se a garota está imaginando tudo aquilo, ou se é algo pior. E, acredite, é pior.

Mesmo com essa clima de suspense psicológico, Carnaval de Almas é um verdadeiro filme de fantasmas, talvez um dos melhores que eu já vi. A concepção das aparições é a melhor possível, de uma simplicidade impar: todos vestem roupas negras e têm o rosto branco como papel, lábios escuros e manchas pretas em volta dos olhos. Não precisa ser mais assustador do que isso; e olha, eles conseguem ser assustadores, principalmente o Homem de Preto, com sua expressão neutra e sorriso diabólico. É sério, ele é o melhor personagem do filme, um daqueles casos em que o personagem dá medo só de olhar pra ele; não há necessidade de diálogos, apenas a expressão é digna de pesadelos! E o mesmo vale para os outros fantasmas.

No entanto, a protagonista não fica atrás. Mesmo sendo uma garota de personalidade forte, às vezes meio insensível, não dá para não simpatizar com ela, seja pelo o que acontece a ela no começo do filme, seja pelos pesadelos que a atormentam ao longo da historia. E não são perrengues simples de se resolver, não. Em certo momento, ela torna-se “invisível” para o mundo, percorrendo as ruas da cidade sem ouvir nada, nem falar com ninguém.

Agora, devo destacar aqui os momentos mais assustadores do filme, que não são poucos, mas, destacarei apenas dois. O primeiro acontece depois que Mary se recupera do primeiro “transe invisível” e vai tomar água num bebedouro próximo, e se assusta com um homem que pela pensa ser o Fantasma. Num filme qualquer, seria mais uma cena simples, mas aqui não é nada disso. A cena toda é construída de maneira brilhante, sem trilha sonora, somente com os sons do ambiente; e toda vez que eu vejo o filme, eu repito a cena pelo menos duas vezes, porque é muito bem feita – é a minha cena favorita. Outra, é quando ela embarca num delírio dentro da igreja, enquanto toca o órgão: ela se vê dentro do parque abandonado, onde os fantasmas estão dançando em uma espécie de Baile da Morte. Assim como a cena descrita anteriormente, essa também é muito bem feita, e consegue, facilmente, provocar arrepios – parte disso graças à trilha sonora fúnebre.

Como mencionado acima, Carnaval de Almas é uma produção independente de baixo orçamento. Segundo o diretor Harvey, a ideia surgiu após ele deparar-se com um pavilhão abandonado em Salt Lake City. Após essa experiência, ele pediu a um amigo que escrevesse um roteiro para um filme, sendo que ele descreveu apenas a ultima cena. O roteiro foi escrito em três semanas. Harvey alugou o pavilhão por cerca de US$ 50, além de outras cenas. Foi uma produção marcada pela chamada “Guerrilla filmmaking”, que é a maneira como é conhecida a produção de produções independentes de baixo orçamento.

No entanto, a produção feita na garra, não impediu a baixa distribuição do filme, o que contribuiu para sua baixa atenção. Atualmente, o filme possui uma certa aura cult, sendo exibido nas noites de Halloween, além de influenciar cineastas como George A. Romero e David Lynch.

Para finalizar, Carnaval de Almas é foi o único filme de Harvey na direção, e sua protagonista, a atriz Candace Hilligoss, fez apenas mais dois filmes, antes de se aposentar, em 2001.

Por muitos anos, permaneceu raro no Brasil, até ser lançado em DVD na coleção Obras-Primas do Terror 3, da Versátil Home Vídeo.

Enfim, Carnaval de Almas é um filme excelente. Uma historia simples, mas que consegue assustar sem fazer esforço. Um dos filmes mais assustadores que eu já vi. Uma brilhante historia de fantasmas.

Altamente recomendado.





Créditos: Versátil Home Vídeo


domingo, 17 de março de 2019

TERRORES URBANOS (2018).


NOTAS DOS EPISÓDIOS:

A LOIRA DO BANHEIRO: 9 | A GANGUE DOS PALHAÇOS: 8 | O QUADRO DO MENINO QUE CHORA: 7.5 | BONECO AMIGÃO: 8 | O HOMEM DO SACO: 8


TERRORES URBANOS (2018)
Lançada no inicio de Janeiro, Terrores Urbanos é mais uma das inúmeras produções nacionais voltadas para o gênero de terror. Ao contrario das demais, “Terrores” é uma produção de TV, realizada pela Record.

Eu admito que não sou consumidor da Record, simplesmente porque não sou fã da programação da emissora; mas, admito que a série me chamou a atenção, por causa do tema: Lendas Urbanas brasileiras. Porém, antes de começar a falar sobre os 5 episódios, vou admitir: não conheço nada sobre as lendas urbanas abordadas na série.

O primeiro episódio aborda a lenda da Loira do Banheiro, uma menina que morreu no banheiro da escola enquanto matava aula. Na história, uma adolescente, que recebeu a tarefa de ser oradora da turma no final do ano, passa a ser assombrada pelo fantasma de outra garota no banheiro da escola. Intrigada, ela decide descobrir quem é a garota. As consequências são desastrosas e assustadoras – comum em todos os episódios.

O segundo episódio apresenta a história da Gangue dos Palhaços, que, segundo dizem, sequestra crianças no portão da escola. Aqui, porém, as coisas são diferentes. A moradora de um bairro rico de SP – que mantém a casa sobre vigilância constante, com câmeras de segurança – é ameaçada em sua casa pela tal gangue, que possui alguma relação com a prisão de seu marido, devido a um escândalo. O resultado é uma noite de terror e medo.

No terceiro episódio, um médico recebe um Quadro com a figura de um Menino Chorando, que, segundo um funcionário da clínica, traz desgraças para quem seu dono. No inicio, o doutor não acredita nas historias; porém, conforme o tempo vai passando, coisas estranhas começam a acontecer: ele passa a ter visões de um garotinho, e seus pacientes começam a morrer de formas horríveis. Com o tempo, ele próprio passa a ser afetado pelo tal quadro.

O penúltimo episódio conta a história de um boneco amaldiçoado. Um menino ganha de sua avó um Boneco Amigão, que fez muito sucesso nos anos 90. À primeira vista, sua mãe – que acabou de dar a luz – não acha nada de estranho. Mas, as coisas começam a mudar na vida de seu filho. Intrigada, ela decide investigar a historia do boneco e descobre coisas assustadoras sobre ele. Com medo pela vida dos seus filhos, ela tenta, de todas as formas, livrar-se do brinquedo, mas descobre que não é nada fácil afastá-lo de seu filho, uma vez que ele próprio parece afetado pelo boneco.

O último episódio apresenta a historia do Homem do Saco, que segundo dizem, sequestrava crianças malvadas. Uma vendedora de cosméticos recebe de sua irmã a tarefa de cuidar de sua sobrinha. Inicialmente relutante, devido a uma traumática experiência anterior, ela acaba aceitando. Porém, coisas estranhas começam a acontecer, como o desaparecimento de uma criança do bairro, e seus clientes passam a ter reações alérgicas aos seus produtos; ao mesmo tempo, sua sobrinha começa a comportar-se mal, e passa a atormentá-la com a lenda do Homem do Saco.

Esteticamente falando, a série foi muito bem feita. A iluminação, edição, direção, elenco e efeitos especiais são muito bons, em especial o elenco, que não se deixa cair no exagero, coisa comum nas produções de entretenimento da emissora. Os atores expressaram o medo de forma autentica, o que ajudou a aumentar a tensão dos episódios. Os roteiros também foram muito bem escritos, redondos, com começo, meio e fim. Seguindo o formato de pequenas historias, no primeiro momento, tudo parece bem, até que, rapidamente, o terror toma conta, de forma discreta no inicio, mas, conforme a historia avança, ele vai crescendo, da melhor forma. Talvez tomando emprestado as técnicas do cinema americano, a série contava muito com jump-scares, mas ao contrario dos filmes de terror atuais, a técnica funcionou. E bem.

Agora, sobre os efeitos especiais, digo o seguinte. Foram outro dos trunfos da serie, principalmente os truques de maquiagem, com destaque para o primeiro episodio – a maquiagem de fantasma da garota morta era de arrepiar!

Agora, como copiar o trabalho dos outros não é novidade, os realizadores da série fizeram isso com certeza. Sério. Principalmente nos dois últimos episódios. O tal “Boneco Amigão” foi claramente inspirado no Chucky, tanto no nome quanto na aparência – o sorriso é praticamente idêntico! A própria estrutura do episodio também parece ter sido xerocada, principalmente do primeiro filme da série Brinquedo Assassino: em certo momento, a silhueta do menino correndo pelo corredor lembra, e muito, a cena do primeiro assassinato no filme de 1988. Agora, a piada foi deixada para o último episodio. O tal “Homem do Saco” é cópia escarrada do assassino de Seis Mulheres para o Assassino (1964), do Maestro Mario Bava! Sério! Enquanto assistia ao episodio, eu só pensava que estava assistindo a um Giallo!!!! Tive vontade de rir!!! Em tempo: o segundo episódio me fez lembrar – e muito – Os Estranhos ou a série Uma Noite de Crimes, uma vez que a trama se passa praticamente na casa.

Em compensação, o medo tomou conta de mim o tempo inteiro. Desde o primeiro episodio. Acho que desde Trilogia do Terror (1968), nunca tive tanto medo numa produção de horror brasileira!

Outra coisa que me chamou a atenção foi o fato de todos os personagens da série terem problemas. A começar pela protagonista do primeiro episodio: dominada por uma mãe exigente e perfeccionista. A protagonista do primeiro episódio tem problemas psicológicos, sofre nas mãos do filho rebelde – e assustador – e do marido corrupto, pra completar, sofre de Clourofobia (medo de palhaços)! O medico do terceiro episódio perdeu um garotinho para o câncer e ao que parece, passou a perna no antigo sócio. A protagonista do penúltimo episódio tenta, a todo custo, ser a esposa e mãe perfeitas, sofre com a rejeição da sogra, e, tem problemas de amamentação. E por fim, a mocinha do último episodio, perdeu o garotinho de quem tomava conta e vive atormentada pelo peso da culpa. Em suma, todos são vítimas fáceis para o sobrenatural – não que o sobrenatural também não escolha as “pessoas perfeitas”.

Os coadjuvantes também não ficam atrás. O filho da protagonista do Episódio 2 é assustador, mesmo, e consegue ser pior que os palhaços. O Homem do Saco também não fica atrás.

E por fim, os episódios são cheios de surpresas, mas, não vou entregar, pra não dar spoilers.


Enfim, Terrores Urbanos foi uma das melhores séries que assisti nesse começo de ano. Muito boa. Super bem feita. Assustadora.


A TUMBA (H.P. Lovecraft)


Esta resenha corresponde ao texto publicado na primeira e na segunda edição de "Grandes Contos de H.P. Lovecraft", lançado pela Editora Martin Claret. Ambas as edições apresentam o mesmo conteúdo. 


NOTA: 9.5


A TUMBA
Escrito no inicio de carreira de Lovecraft, A TUMBA é talvez um de seus trabalhos mais conhecidos.

Uma historia arrepiante de fantasmas e horror psicológico, repleta de elementos do terror gótico.

A historia é narrada por Jervas Dudley, membro de uma família aristocrática da Nova Inglaterra que acaba descobrindo uma tumba misteriosa. Movido por forças desconhecidas, e, possivelmente, sobrenaturais, Dudley sente um desejo quase incontrolável de adentrar no local e descobrir o que há lá dentro. Dentre suas pesquisas sobre o local, ele descobre que a tumba é do descendente de uma família abastada já inexistente. Porém, a medida que seu desejo de adentrar na tumba aumenta, ele acaba fazendo uma descoberta arrepiante sobre si mesmo e sobre a tumba.

O texto de Lovecraft é ágil, de fácil compreensão, e repleto de elementos associados ao terror gótico. Sua descrição da cripta onde a tumba está localizada é fascinante, e, durante a leitura, eu me imaginei dentro daquele lugar escuro, úmido e assustador. A descrição da tumba do falecido descendente da família abastada é fascinante, e, com certeza, me fez lembrar dos elementos que eu associo ao terror, em especial crânios e ossos humanos.

O restante da historia também é de uma qualidade impar, quase sempre focada no interior da cripta e na obsessão de seu protagonista em descobrir o que há lá; e de certa forma, o leitor também junta-se a ele nessa expedição ao sobrenatural. Falando em sobrenatural, A Tumba pode ser considerada uma historia de fantasmas, mesmo que sem a presença de um. Como já mencionei, a própria ambientação lembra muito o cenário de uma historia de fantasmas, principalmente as historias de casas mal-assombradas.

Em suas poucas páginas, Lovecraft nos conta uma historia arrepiante, cheia de mistério, sensações estranhas e surpresas de cair o queixo.

A Tumba é um conto fascinante, perfeito para uma noite de chuva.


Maravilhoso. Simples. Assustador. Um pequeno clássico de H.P. Lovecraft.


H.P. LOVECRAFT

sábado, 16 de março de 2019

SUSPIRIA (1977). Dir.: Dario Argento.


NOTA: 10


SUSPIRIA (1977)
Assistir a Suspiria (1977) foi uma experiência maravilhosa.

Segunda obra-prima de Dario Argento, o filme foi lançado dois anos após sua primeira obra-prima, o também maravilhoso Prelúdio Para Matar.

O longa é um dos maiores filmes de terror de todos os tempos, além de ser um dos filmes mais assustadores da história, adjetivos que lhe cabem como uma luva!

Co-escrito por Argento e sua então companheira Daria Nicolodi – inspirados por um livro de Thomas de Quincey – o roteiro fala de uma jovem americana que vai para uma escola de dança na Alemanha e acaba descobrindo um culto de bruxas. Uma trama simples, não é? Bom, como já comentei em Prelúdio, nas mãos de um cineasta qualquer, seria sim, uma história bem simples. Porém, Dario Argento não é um cineasta qualquer.

Como fizera na Trilogia dos Bichos, lançada anteriormente, o diretor coloca sua marca em todos os aspectos do filme, desde a iluminação até a direção de arte. Aliás, ambos são os destaques do filme. A começar pela fotografia, que usa e abusa das cores brilhantes e pulsantes, especialmente o Vermelho, o Azul e o Verde – provavelmente uma homenagem à Mario Bava, conforme descrito na belíssima edição em Blu-Ray lançada pela Versátil (infelizmente, para quem ainda não adquiriu, está fora de catálogo). As cores saltam na tela de uma forma incrível que enchem os olhos e não incomodam, como às vezes acontece... Já a direção de arte também é um deleite. Se por fora, a escola parece normal, por dentro ela é um maravilhoso prédio gótico, iluminado e colorido. Possivelmente, esse estilo gótico também é uma homenagem ao Maestro Bava, não sei.

Fora a direção de fotografia e a direção de arte, quem também brilha é a sua protagonista, Susy, interpretada por Jessica Harper. Originalmente imaginada pelo diretor como uma menina de 11 anos, a jovem é o brilho do filme, fato esse que o diretor repetiria em Phenomena (1985), em que a protagonista é interpretada por Jennifer Connelly. Mas, voltando à Jessica Harper, a atriz está no seu melhor papel no cinema fantástico, ao lado de O Fantasma do Paraíso de Brian de Palma. Claro que o restante do elenco também dá um show com destaque para as duas atrizes veteranas principais, Alida Valli e Joan Bennett. Alida Valli entrega uma performance assustadora, com seu sorriso maléfico e figurino negro. Joan Bennett, por outro lado, está gélida, crua, fria e sinistra, e revela-se como uma super vilã de conto de fadas.

Aliás, falando em conto de fadas, a principal inspiração para Argento foi o Clássico Branca de Neve e os Sete Anões, de Walt Disney, lançado em 1937. Dizem que o diretor reproduziu o filme para a equipe a fim de obter a mesma paleta de cores. Não duvido. Inclusive, acho uma estratégia fantástica para a realização de um filme de terror!

E falando em filme de terror, Suspiria é um verdadeiro Filme de Terror! Desde o inicio, Argento não nega fogo, com grandes toques de violência e sangue. E no que diz respeito ao diretor, tais cenas se transformam em obras de arte. A cena do primeiro assassinato – que termina com uma das imagens mais icônicas do cinema de horror – é arrepiante desde o inicio e o diretor a executa com maestria, dando, inclusive, seus toques de Giallo. A partir daí, segure-se na cadeira. São momentos de muita tensão, banhadas às cores brilhantes, e, o maior truque do cinema de horror, na minha opinião: a ausência de trilha sonora! Aliás, uma das cenas mais assustadoras do filme faz uso desse truque. Não é uma cena de assassinato e não envolve sangue. Na verdade, é uma cena em que o personagem Daniel é expulso da escola porque seu cão-guia machucou um menino. Sério. É a cena que mais me deu medo no filme inteiro! Muito bem feita, tanto na direção quanto nas performances dos atores.

Bom, não posso falar mais, senão vou entregar spoilers.

Como já disse, Suspiria recebeu um lançamento de pompa em Blu-Ray aqui no Brasil. Foi lançado na coleção Argento Essencial, que também contou com a obra Prelúdio Para Matar. A versão disponível na caixa é excelente, muito bem restaurada e colorida. Porém, infelizmente, a caixa teve lançamento limitado, e hoje está fora de catalogo... Felizmente, eu consegui o meu.

Enfim, assistir Suspiria foi uma experiência maravilhosa. Suspiria é Maravilhoso. Colorido. Assustador.


Um dos maiores filmes de terror de todos os tempos. Um dos Filmes Mais Assustadores da História.



sexta-feira, 15 de março de 2019

A LENDA DO CAVALEIRO SEM CABEÇA (Washington Irving).


NOTA: 10


A LENDA DO CAVALEIRO SEM CABEÇA
A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça é meu livrinho favorito. Uma historinha que sempre fez parte da minha vida, desde que assisti à versão da Disney. 
Durante muito tempo, a versão animada foi a única que conheci, até que assisti às duas versões lançadas em 1999, o filme de Tim Burton e um telefilme distribuído pela extinta Hallmark Television. Ambas são maravilhosas.
Mas, voltando à história original de Irving, por anos, busquei o livro, mas nunca encontrei. Cheguei, inclusive, a procurar para baixar na internet, mas não havia tradução brasileira. No fim, acabei baixando algumas versões americanas, inclusive em audiobook no YouTube, e fiquei maravilhado. Achei o texto muito divertido, engraçado mesmo, nada assustador. Mas as buscas por um livro físico traduzido continuaram. Até que finalmente encontrei em um sebo virtual e comprei, numa edição da Leya, do selo Eternamente Clássicos.
Que livrinho maravilhoso!
Minha opinião a respeito da história não mudou. É deliciosa, arrepiante e engraçada! Levei cerca de uma hora para ler e amei cada momento.
Sem dúvida, uma das melhores histórias que já li na vida.
A narrativa de Irving é rápida e simples, sem diálogos, e do tipo que se lê em voz alta. 
Ichabod Crane é o meu personagem literário favorito, um personagem que eu sempre quis ser, desde bem pequeno.
Além das adaptações mencionadas acima, outras que merecem destaque são um telefilme lançado em 1980, estrelado por Jeff Goldblum e um episódio da série infantil Wishbone, onde ele faz o papel principal. Ambas as versões são super divertidas e contam a história com muito humor.
Uma pequena história de fantasmas, fantasia, romance e humor. Uma historinha que faz parte da minha vida! Perfeita não apenas para o Halloween, mas para todos os momentos!


Deliciosa! Excelente!

AVISO.

  O LIVROS & FILMES DE HORROR está em recesso. Obrigado.