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segunda-feira, 18 de março de 2024

AS LÁGRIMAS DE JENNIFER (1972). Dir: Giuliano Carnimeo.

 

NOTA: 8.5


Eu sou fã dos Gialli, principalmente dos exemplares tradicionais do gênero, com o assassino trajado com sobretudo e luvas.

 

AS LÁGRIMAS DE JENNIFER, lançado em 1972, com direção de Giuliano Carnimeo, é um desses exemplares, e um dos meus favoritos.

 

O filme é muito bem feito, com uma direção inspirada e um roteiro bem escrito, aliado a um elenco de peso, que atua muito bem.

 

Quando o longa foi lançado, no inicio dos anos 70, o gênero estava em seu auge, com diversos exemplares clássicos, desde os mais tradicionais, até as variações criativas, e este aqui pegou carona no movimento e acertou na mosca.

 

Primeiramente, Jennifer foi escrito por Ernesto Gastaldi, um dos grandes nomes do cinema popular italiano de gênero, e o roteirista acerta em cheio em sua narrativa, apostando no clima de suspense, com diversos suspeitos e cenas de morte criativas. Além disso, Gastaldi aposta principalmente no personagem Andrea, interpretado por George Hilton, como principal suspeito, visto que ele conhece o prédio onde os crimes aconteceram e tem aversão ao sangue, o que, segundo os policiais do filme, pode ser um motivo para torna-lo um assassino.

 

Aliado a esse roteiro, temos uma direção afiada de Carnimeo, que também aposta no clima de suspense, mas faz uso de ângulos e lentes criativas para contar sua história, ao mesmo tempo em que se mostra um ótimo diretor de atores, visto que nenhum membro do elenco está atuando de maneira exagerada ou caricata.

 

Conforme mencionei acima, o filme é um exemplar clássico do gênero, então, temos um assassino clássico também, com sua roupa e máscara pretas, além de uma máscara da mesma cor para esconder sua identidade, e uma faca característica. No entanto, apesar do figurino, aqui não temos um psicopata com luvas de couro pretas, pelo contrário; o criminoso utiliza luvas marrons de borracha, semelhantes àquelas luvas de cirurgião. Eu pessoalmente não vejo nenhum problema, porque, como eu mesmo já disse, sou um adepto do Giallo Tradicional, com o assassino de luvas, então, qualquer par de luvas é bem-vindo.

 

Além disso, temos outras características clássicas do gênero: a misoginia, a forte sexualidade, e a polícia ineficiente. Esta é a melhor coisa do filme, a polícia ineficiente, formada por um comissário viciado em selos e seu parceiro tapado. O parceiro tapado é o melhor personagem do filme, porque é exatamente isso que ele é. O personagem não é muito eficiente no seu trabalho e faz sempre cara de bobo. Eu me divirto com esses dois. E claro, não são eles quem resolvem o crime.

 

O filme foi produzido por Luciano Martino, irmão do diretor Sergio Martino, outro especialista no gênero. Provavelmente o maior fator que comprova que o filme foi produzido pelo irmão Martino, é a presença dos atores Edwige Fenech e George Hilton, que formavam grandes casais em diversos filmes do gênero. E aqui, eles não fazem feio, aparentemente repetindo os mesmos papéis que interpretaram em outros filmes. Hilton é sedutor e Edwige é sensual; e como de costume, os dois ficam juntos no decorrer da narrativa.

 

No entanto, apesar do roteiro afiado no suspense, existe um problema na narrativa. Em determinados momentos, Jennifer – personagem de Edwige – é assediada pelo ex-marido stalker, que está disposto a tudo para não perdê-la. Até aí, tudo bem, mas, eles fazem parte de um grupo que pratica o amor livre, e, do meu ponto de vista, a ideia desse grupo atrapalha o desenvolvimento da trama, visto que o mesmo grupo não tem muita relevância.

 

Mas, deixando esse problema de lado, Jennifer é um ótimo exemplar do Giallo, e um dos meus favoritos.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo, na coleção Giallo Vol.7, com áudio italiano, que conta com um depoimento de George Hilton como extra.

 

Enfim, As Lágrimas de Jennifer é um filme muito bom. Um Giallo clássico, com todos os elementos, contado de maneira ímpar, a partir de um roteiro afiado, aliado a uma direção criativa e um elenco de peso. Um filme que apresenta todos os elementos presentes no gênero, além de subverter alguns deles. Um filme que fica melhor e mais divertido a cada revisão. Um dos meus exemplares favoritos do gênero. 


Créditos: Versátil Home Vídeo.


segunda-feira, 24 de agosto de 2020

NO QUARTO ESCURO DE SATÃ (1972). Dir.: Sergio Martino.


 NOTA: 8


O diretor Sergio Martino resolveu ingressar no gênero Giallo em 1971, com o ótimo O Estranho Vício da Senhora Wardh, onde iniciou uma caprichada parceria com os atores Edwige Fenech e George Hilton, que formaram um dos casais mais famosos do gênero. E aqui, ele repete a parceria com a atriz, agora interpretando uma vilã. 

NO QUARTO ESCURO DE SATÃ é a terceira excursão de Martino no gênero, e um dos melhores. Mesmo não contanto com a trama clássica de assassinatos misteriosos, Martino fez um ótimo trabalho novamente, dando ao filme um aspecto interiorano e convidativo.

Como mencionei na resenha de Torso, essa é uma das melhores características de alguns dos Gialli do diretor, e ajudam a torna-los ainda mais atraentes. De verdade, são filmes que podem ser assistidos no final de semana a tarde, e a sensação que fica é muito boa, parece que combina. É o tipo de coisa que torna o Giallo um gênero tão agradável.

Ao contrario de seus compatriotas, Martino não optou pelas características clássicas do gênero – somente em O Estranho Vício e Torso – , deixando a figura do assassino mais de lado, e aqui não é diferente. E isso faz total sentido, uma vez que mudanças na estrutura dos filmes do gênero eram muito bem-vindas, e vários cineastas optaram por usá-las, o que deu uma certa variada. Eu pessoalmente sou fã do Giallo Clássico, com o assassino de luvas pretas, mas não vejo problema em assistir a um exemplar diferente. 

Bem, aqui, existe, sim a figura do assassino misterioso, mas, ele mesmo não faz parte da trama central. A trama central envolve o estranho triangulo sexual – não dá pra chama-lo de “triangulo amoroso” de jeito nenhum – formado pelos personagens principais, um triangulo repleto de submissão, sexo e violência. No fundo, essa é a essência do filme, uma historia de violência e tortura psicológica, e o diretor não poupa o espectador. Se você acha filmes com essa temática muito pesados, então, não recomendo este aqui. Grande parte da violência é desencadeada pelo personagem Oliviero, escritor decadente e alcóolatra. O personagem é terrível; humilha e tortura psicologicamente a esposa, seja em particular, seja em público, tem um caso com uma ex-aluna e com a empregada da casa e trata todos ao seu redor com desprezo. A única criatura que não sofre em suas mãos é o seu gato preto, Satã. Irina, sua esposa, é típico exemplo de personagem submisso. Vive sempre triste e com medo das agressões do marido; e Floriana é a mulher sedutora da cidade grande. Outros personagens como a empregada da mansão; uma senhora catadora de lixo; os policiais que investigam os homicídios; uma jovem prostituta e sua tia cafetina; e o dono da livraria, completam o elenco da trama, e todos eles são estranhos, cada um a sua maneira, o que é comum, ao meu ver.

Como mencionado, o diretor Martino repete aqui a parceria com a atriz Edwige Fenech, um dos grandes símbolos sexuais da época. Ao contrario do filme anterior, aqui ela interpreta uma personagem sem escrúpulos, que seduz tanto o casal principal, quanto um dos moradores da cidade, e sua atuação é fantástica. Acredito que não haveria atriz melhor para interpretar o papel, visto que é uma personagem cheia de sensualidade, e, francamente, a atriz era muito sensual. Da mesma forma que no filme anterior – e nos demais onde trabalharam juntos – , o diretor não faz pudor ao mostra-la nua.

Mas, apesar de ser um filme muito bom, ele também tem seus defeitos. Na minha opinião, o maior deles é a atriz Anita Strinberg, que interpreta Irina, a esposa de Oliviero. Eu sei que, assim como o Slasher, o Giallo também teve suas musas, e a atriz é considerada uma delas, mas eu pessoalmente não gosto dela. Eu não acho que ela entrega uma boa atuação, e aqui, a sua personagem passa o filme todo chorando e gritando, e mesmo quando acontece a reviravolta, a atuação dela não melhora. O ator Ivan Rassimov, outro colaborador frequente do diretor, também está nesse filme, no papel de um personagem misterioso, que infelizmente, quase não possui relevância para a historia, mesmo na hora da reviravolta. Sinceramente, acho que ele nem precisava estar no filme. E a sequencia dos créditos de abertura é muito lenta, tanto que eu pulo sempre que vejo o filme. E os miados do gato são muito irritantes.

Mesmo com esses problemas, No Quarto Escuro de Satã é um filme muito bom. Como eu disse, possui uma atmosfera de interior, que o torna ainda mais charmoso. Parte disso vem da própria ambientação. As locações são belíssimas, típicas do interior da Itália. A mansão do escritor também, com seus corredores vazios, janelas enormes, exterior todo deteriorado... O tipo de casa onde alguma coisa desagradável pode acontecer, e também, convidativa.

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo, em versão restaurada, na coleção Giallo Vol.3.

Enfim, No Quarto Escuro de Satã é um ótimo exemplar do gênero Giallo. Tem um clima interiorano que o torna mais charmoso. Além disso, sua trama é repleta de situações rocambolescas, onde nada e ninguém é o que aparenta ser. Uma historia de violência e tortura muito bem contada, que chama a atenção. Uma direção segura e criativa, e uma trilha sonora calma e tensa ao mesmo tempo. Um dos melhores filmes do diretor Sergio Martino. Recomendado.

 

Créditos: Versátil Home Vídeo




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