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quarta-feira, 6 de setembro de 2023

CORAÇÃO ASSOMBRADO – STEPHEN KING – A BIOGRAFIA (Lisa Rogak).

 

NOTA: 8.5


Eu já disse – e vou continuar dizendo – que Stephen King é um dos maiores escritores de todos os tempos, com uma capacidade ímpar de contar histórias. E como vocês sabem, eu já resenhei algumas de suas histórias aqui.

 

E hoje, vou falar novamente sobre Stephen King, mas não sobre suas histórias, e sim, sobre CORAÇÃO ASSOMBRADO, da autora Lisa Rogak. Mas o que esse livro tem a ver com Stephen King? Bem, tudo, porque se trata da biografia, ainda que não autorizada, do mesmo.

 

A autora faz um ótimo trabalho ao contar a história de vida do autor mais famoso do Maine, passando por sua infância pobre, chegando à juventude, até o sucesso como escritor.

 

Aqui, ela faz um relato quase que detalhado da vida de King, e conta tudo com maestria digna de nota.

 

Primeiro ela começa a falar sobre o passado da família de King, mais precisamente o de sua mãe, Ruth, que teve de criar os filhos sozinha, uma vez que o pai de King saiu de casa quando o autor tinha apenas dois anos, conforme ele mesmo conta diversas vezes. Rogak conta a respeito das dificuldades de Ruth em arranjar comida para os filhos, e às vezes, sobre como eles não tinham nem o que comer para que King pudesse estudar.

 

Além da pobreza de família, Rogak também nos conta como Stephen King descobriu o gosto pela literatura, através dos gibis da EC Comics – Tales from the Crypt, principalmente, e de obras de diversos autores. A autora relata que o jovem King vivia sempre acompanhado de um livro e que gastava horas do dia lendo e devorando as páginas.

 

Temos também o relato de quando King começou a escrever, quando ainda estava na escola, e teve, por exemplo, de escrever uma versão própria do conto O Poço e o Pendulo, clássico de Edgar Allan Poe, que ele vendia pelos corredores da escola. Além disso, temos também os relatos de King na faculdade, onde continuou a escrever suas histórias, além de trabalhar no jornal da escola, e de criar o seu próprio, onde publicava notícias do campus.

 

Rogak também faz um apanhado das encrencas em que King se meteu na época de faculdade, quando foi preso por conta de bebida, e sobre como conheceu sua esposa, Tabitha Spruce, com quem é casado até hoje. E mais para frente, temos os primeiros contos publicados do autor, que eram lançados em revistas masculinas, e rendiam bons cheques a ele, mas nem todos eram suficientes para pagar as contas.

 

King passou um bom tempo com dificuldades financeiras, tendo de trabalhar como professor para poder pagar as contas, mas ele mesmo acabava gastando o dinheiro com bebida, o que gerava problemas para a família.

 

Mas como sabemos, tudo isso mudou em 1973, quando King enviou para a editora Doubleday o original do que seria o seu primeiro romance, o clássico Carrie – A Estranha. A autora revela que King não tinha muita fé no manuscrito, visto que seus manuscritos anteriores haviam sido rejeitados pela mesma editora. Porém, contrariando suas expectativas, Carrie foi vendido e se tornou um sucesso absoluto, assim como seu segundo livro, ‘Salem’s Lot.

 

Nos capítulos seguintes, a autora nos conta mais detalhes sobre a vida do autor, destacando como King criou seu pseudônimo, Richard Bachman, e sobre os livros que escreveu sob esse pseudônimo, entre eles, o polêmico Fúria, que foi banido pelo próprio autor após o massacre de Columbine, em 1999. Rogak nos revela que King escreveu alguns dos livros de Bachman ainda antes de escrever Carrie, e que, após o sucesso do mesmo, os livros foram publicados.

 

Rogak também nos revela também o período em King foi viciado em drogas, principalmente cocaína, que o consumiu por anos. Foi nessa época que o autor começou a escrever compulsivamente, chegando a lançar três livros em um curto espaço de tempo, dentre eles, A Incendiaria, A Zona Morta e Cujo, que, como o próprio King relata, não se lembra de ter escrito devido ao vício.

 

Além disso, somos também apresentados ao lado cinematográfico do autor, com sua passagem pelo cinema, graças ao sucesso das primeiras adaptações de seus livros e contos, dentre eles, claro, O Iluminado, dirigido por Stanley Kubrick, que desagradou King. Rogak nos conta por exemplo, como foi a criação de Creepshow, além das recepções – por parte do próprio King – às versões para cinema produzidas até então.

 

Nessa mesma época, King enfrentou desavenças com sua principal editora, a Doubleday, que publicou muitos de seus grandes sucessos, e foi obrigado a mudar para outras editoras, mas mesmo assim, enfrentou problemas, porque a Doubleday não queria lhe dar o dinheiro que achava que precisava. Ao invés disso, o autor firmou um acordo e publicou O Cemitério em 1983, livro que ele odiava e não queria ver publicado.

 

Além disso, a autora também nos conta como foi a relação de King com as drogas, e sua luta para se manter sóbrio durante a década de 90. Também ficamos sabendo da relação do autor com seus fãs, destacando dois episódios envolvendo fãs malucos, que invadiram a casa dos King e os ameaçaram com bombas.

 

Temos também um relato de como King montou sua banda, e as apresentações que fizeram ao redor dos Estados Unidos ao longo dos anos. A autora também faz um apanhado de como os filhos do autor resolveram se aventurar na arte do pai, e acidente que Naomi sofreu.

 

E para finalizar os eventos importantes na vida do autor, o livro também descreve como foi o atropelamento que ele sofreu em Junho de 1999, que quase lhe custou a vida. Rogak nos conta o que King estava fazendo antes de ser atropelado, bem como foi a sua vida após o acidente, e sua luta para se livrar de um novo vicio, desta vez de analgésicos.

 

E claro, temos diversas menções à aposentadoria de King, algo que ele sempre diz que vai se concretizar, mas nunca fez, visto que em Setembro, teremos o lançamento de Holly, seu livro mais recente.

 

Não entrarei em mais detalhes para não dar spoilers – até porque eu já falei de muita coisa aqui.

 

No geral, eu achei o livro muito bem escrito e até um pouco bem humorado – não sei se teve alguma coisa a ver com a tradução, mas foi essa a impressão que tive.

 

Além de ser uma biografia, também pode ser encarado como uma espécie de manual para quem quer escrever – digo isso porque, conforme eu lia, me senti com mais vontade de retomar minhas escritas, principalmente os livros que estão empacados.

 

A autora fez um ótimo trabalho de pesquisa, mas eu senti um pouco de falta de mais informações sobre o passado da família do autor, uma pesquisa um pouco mais aprofundada, mas isso não atrapalhou a leitura.

 

A escrita do livro também é muito boa, e às vezes, parece que a autora está conversando conosco, vide o modo como ela usou as palavras. Eu confesso que me diverti com algumas passagens, apesar de ter encontrado dificuldades em outras – deve ter sido por causa do meu modo e ritmo de leitura.

 

Mas no geral, eu gostei bastante de Coração Assombrado, e recomendo a leitura para quem gosta de biografias, e principalmente, de Stephen King.

 

Enfim, Coração Assombrado é um livro muito bom. Uma leitura rápida e às vezes divertida, que prende a atenção do leitor e o deixa curioso para saber o que mais aconteceu na vida do Mestre Stephen King. A autora fez um ótimo trabalho e nos apresentou os grandes momentos da vida do autor com sensibilidade e até bom humor. Um livro recomendado para quem gosta de biografias, e principalmente, gosta de Stephen King. 


sexta-feira, 26 de março de 2021

EVANGELHO DE SANGUE (Clive Barker).

 

NOTA: 8



Não há duvidas que o universo de Hellraiser, criado pelo escritor Clive Barker, é um dos mais ricos do terror. Em Hellraiser, o autor deu uma pequena amostra de como esse universo funciona, apresentando aquele que seria o personagem principal desse universo: o Cenobita Pinhead. Além disso, Barker mostrou que não estava para brincadeira, e criou uma historia banhada em sangue e sexo.

 

EVANGELHO DE SANGUE é mais uma historia do autor ambientada nesse universo, e também serve como uma espécie de prequel dos eventos narrados em Hellraiser. Aqui, o autor apresenta os dois principais elementos do universo de Hellraiser: a caixa de Lemarchand e o próprio Pinhead, descrevendo ambos nos mínimos detalhes, ao contrario do que fizera no livro anterior. Mas não é só isso.

 

Em Evangelho de Sangue, Barker mostra mais uma vez que é um escritor afiado, com uma escrita que penetra na mente do leitor com uma força impressionante. As descrições que ele faz dos cenários é muito bem feita, e não fica difícil para o leitor imaginá-los em sua mente; o mesmo vale para as cenas ambientadas no Inferno, quando Harry e seus amigos vão resgatar Norma. Não sei como foi para os outros leitores, mas eu consegui visualizar aquele Inferno como um lugar de fantasia, com um tom branco ou cinza, ou invés do tradicional vermelho. Barker o descreve quase como uma espécie de jardim morto, com tudo que tem direito. O mesmo vale para os demônios. Eles são descritos como criaturas humanoides, mas sem os chifres e asas de morcego. Sem duvida, uma visão diferente e original.

 

E da mesma forma que fizera no livro anterior, Barker começa a historia com os dois pés no peito, apresentando cenas grotescas de violência e sexo já no prologo. E o restante da historia vai pelo mesmo caminho. Durante toda a leitura, o leitor não é poupado de cenas dignas de pesadelos, com toques grotescos de violência, e principalmente, sexo. Isso mesmo. Barker mistura sangue e sexo em todos os momentos, de uma forma assustadoramente natural, e cada vez que isso acontece, é chocante, e o autor não mostra pudor nenhum, principalmente quando descreve o que as criaturas estão fazendo com seus “membros” – para usar um termo “leve”. É praticamente um terror pornográfico.

 

E falando em terror, novamente, esqueça os torture porn da vida: as cenas de horror descritas por Barker são dignas de pesadelo, com o sangue escorrendo aos montes; claro, não chegam aos pés do livro anterior, mas conseguem ser quase tão grotescas quanto – não há outra palavra para descrever. Com certeza, não é tipo de leitura recomendada para leitores de coração fraco.

 

Os personagens humanos são muito bons e quase parecem pessoas reais, com a diferença que todos têm ligação com o sobrenatural, principalmente o protagonista, o detetive Harry D’Amour. Desde que ele surgiu na historia, eu o visualizei como um detetive particular de filme noir, com o casaco e o chapéu. Aliás, as cenas de investigação do personagem quase parecem com cenas de um filme noir, daqueles clássicos, estrelados por Humphery Bogart. Os outros personagens também são bem descritos, cada um com sua característica própria.

 

No entanto, apesar de contar uma historia muito boa, Barker cometeu alguns erros. O primeiro deles acontece no prologo, quando ele apresenta um demônio-fêmea que nasceu em uma cena grotesca. Eu achei que aquela personagem seria relevante para a historia, mas ela simplesmente desaparece. Eu pelo menos não consegui reencontrá-la. Outro ponto negativo acontece no Inferno, quando Pinhead comete um ato de violência contra Norma, ato esse que não faz parte de seu repertorio. E eu também achei a historia de Lúcifer incompleta.

 

Aliás, esse é outro ponto. Barker criou um universo tão original para os Cenobitas, com um deus próprio, o Leviatã e também o Engenheiro, e aqui, ele apresenta justamente Lúcifer como líder do Inferno. Apesar de descrever uma batalha épica entre ele e Pinhead, eu achei que o autor poderia ter utilizado outra criatura para comandar o Inferno, até porque, como eu disse, a descrição do Inferno não combina com a imagem clássica que temos dele.

 

No entanto, devo dizer que o autor criou, sem duvida, uma batalha épica. Ele mostra que Pinhead está disposto a tudo para tomar o poder e não tem medo de derrubar Lúcifer, mesmo que para isso, tenha que derrubar o próprio Inferno. Toda essa sequencia da luta entre eles é espetacular, com direito a armadura e sangue, muito sangue. E quando Lúcifer ressurge, a atmosfera épica continua. E no final, temos quase um Pinhead arrependido do que fez. Muito bom.

 

E aqui também temos a Caixa de Lemarchand, que abre o portal para o Inferno dos Cenobitas. Como mencionado acima, quando Barker a introduz, faz questão de descrevê-la nos mínimos detalhes, descrevendo até a musiquinha que ela produz ao ser aberta. Por um momento, eu até havia me esquecido dela, mas quando ela retorna, é uma surpresa. E ainda falando do universo de Hellraiser, aqui temos também as clássicas correntes com ganchos; e elas fazem um estrago. Sério.

 

Bem, seja como for, o fato é que Evangelho de Sangue é um livro muito bom; não chega aos pés de Hellraiser, mas, se me perguntassem se merecia uma adaptação para o cinema, eu diria que sim, dependendo de quem assumisse as rédeas.

 

Enfim, Evangelho de Sangue é um livro muito bom. Uma historia épica de terror com toques grotescos de sangue e sexo. A escrita de Clive Barker prende o leitor com suas cenas dignas de pesadelo. Uma viagem literal ao Inferno, onde poucos saem com vida. O reencontro com Pinhead, o principal personagem do universo de Hellraiser. Um livro sangrento e arrepiante. Recomendado.



 

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sexta-feira, 25 de setembro de 2020

UM OTIMISTA INCORRIGÍVEL (Michael J. Fox).

 

NOTA: 9



UM OTIMISTA INCORRIGÍVEL, do ator Michael J. Fox, é um livro excelente. Um relato verdadeiro e corajoso de uma pessoa portadora do Mal de Parkinson, ou Doença de Parkinson, conforme mencionado no livro.

 

O que o torna um livro especial, é a capacidade que Fox tem de descrever a sua rotina com a doença, sem medo de esconder nada, expondo suas maiores dificuldades diárias, em todos os setores em que atua, o trabalho, a política, a família e a fé. Em cada um desses segmentos, ele faz um relato de como vive seu dia, e como a doença interfere em seu desenvolvimento, e como, infelizmente, ela também o atrapalha.

 

Fox deixa claro que não é fácil viver com Parkinson, principalmente por causa das características da doença, sendo os tremores as mais comuns. Ele expõe a difícil tarefa de controla-los, desde as primeiras horas do dia, e, durante a leitura, fica fácil entender o motivo. Mesmo não tendo, e nem conhecendo ninguém que tem a doença, eu consigo entender as dificuldades do ator, e como deve ser difícil lutar contra algo que você não pode controlar. E ele faz sempre questão de expor essa luta constante.

 

A escrita do livro é muito boa. Parece que Fox está escrevendo um diário e mostrando para nós, para que soubéssemos da sua luta contra a doença, e principalmente, da luta para encontrar a cura, algo que ele tem feito praticamente desde divulgou para o mundo que era portador da doença.

 

Nos capítulos referentes ao trabalho e à política, ele deixa isso muito claro, descrevendo sua luta para encontrar a cura, com a ajuda da sua Fundação, montada em 2000; além disso, ele também se mostra um defensor das pesquisas com células-tronco, que podem ter um papel muito importante na batalha contra o Parkinson.

 

Nos demais capítulos, ele relata a sua convivência com a família, desde o nascimento de seu primeiro filho, até o nascimento de sua última filha. É um dos melhores momentos do livro, porque, de certa forma, não é difícil não se emocionar e até mesmo rir com o que o ator escreve, como por exemplo, a primeira vez que seu filho andou de bicicleta ou o Bar e o Bat mitzvá deles. São de fato, belos momentos, assim como a viagem de carro que ele fez com o pai quando criança. Ele também relata as dificuldades que enfrentou como pai de primeira viagem, principalmente por não tinha mais o próprio pai para ajuda-lo, entre outras coisas.

 

O livro é, sem dúvida, o relato de um lutador. Um homem que teve sua vida mudada de maneira brusca, sem opção de escolha. É o tipo de livro que qualquer pessoa deveria ler. É um livro que faz jus ao título, porque, o próprio Fox admite que nunca desistiu de encontrar uma solução para sua condição, mesmo tendo pensado em desistir no início; mas, motivado pela família e pela fé, ele resolveu se erguer e encontrar uma saída. Infelizmente, até hoje, a cura para o Parkinson não foi encontrada; no entanto, a luta de Michael J. Fox em encontra-la serviu e serve de inspiração para muitos.


Altamente recomendado. 


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quarta-feira, 30 de outubro de 2019

HALLOWEEN (2018). Dir.: David Gordon Green.


NOTA: 9.5



HALLOWEEN (2018)
Michael Myers está de volta. 40 anos depois de sua primeira aparição no cinema, e 20 anos desde a última – porque eu desconsidero completamente tudo que veio depois de Halloween H2O: Vinte Anos Depois, de 1998 – , ele está de volta.

E que retorno! HALLOWEEN é maravilhoso! É muito melhor do que esperava que fosse; é tudo aquilo que os fãs da franquia esperavam, e muito mais. Já na minha primeira conferida, pude ver que o filme cumpriu tudo que prometeu. É assustador, é sangrento, é tenso... Tudo que o filme original era. É um filme feito para os fãs da franquia; e feito com amor.

Tudo nesse filme funciona de maneira brilhante, desde o roteiro, passando pela direção, até as atuações, os efeitos especiais; tudo se encaixa perfeitamente, numa historia magistral, sem nenhum defeito e nenhuma ponta solta.

Devo confessar que, quando soube que um novo filme seria feito, fiquei empolgado, porque, como mencionei acima, desde 1998, Michael Myers e cia. não tiveram o tratamento que mereciam nas telas; pelo contrario, o personagem foi detonado e humilhado por cineastas que nada sabiam de sua mitologia. E isso é tudo que vou dizer a respeito das experiências lamentáveis pelo qual ele passou; não só ele, toda sua turma.

Mas, felizmente, isso foi consertado. O novo filme dá uma repaginada no personagem, mas sem tirar sua essência e sem alterar sua mitologia. Aqui, Michael continua o mesmo, a pura encarnação do Mal, sanguinário, selvagem, implacável. Não apenas o vilão que foi repaginado. Laurie Strode, a sobrevivente do primeiro filme, também foi reescrita. Agora, ao invés da adolescente inocente, virgem, do primeiro filme, aqui, ela se transformou em uma eremita, que vive sozinha em sua casa, afastada da cidade, cercada por armas e armadilhas, que ela mesma construiu, pois sabia que Michael retornaria um dia. Dito e feito. Michael escapou mais uma vez, e está pronto para recomeçar seu reinado de terror.

E da mesma forma que no Original, aqui ele executa sua arte com maestria. Desde o primeiro assassinato, Michael mostra que não está “enferrujado” pelo tempo; pelo contrario, continua uma maquina de matar, sem medo ou remorso. E como sempre, ele se mostra especialista na arte de matar, executando suas vitimas com selvageria e requintes de crueldade, tudo sem o menor remorso. Porém, aqui existe uma diferença. Se, no Clássico de John Carpenter não havia sangue, aqui a coisa é diferente. O sangue corre solto, mas não no estilo “torture-porn”, que infelizmente, tomou o gênero de terror. Pelo contrario, o sangue corre do jeito certo, sem exageros, sem muita sujeira, sem artifícios. E os métodos de Michael? Mais sobre isso adiante.

Esse é aquele tipo de filme que dá gosto de assistir, porque foi feito para os fãs. Não sei os outros, mas eu adoro o Michael Myers de antigamente, uma força da Natureza, o Mal encarnado, o assassino sanguinário; e aqui ele é tudo isso. Mas não é apenas isso que faz desse um filme feito com carinho. Todo o suspense e a tensão, presentes no primeiro filme, também aparecem aqui, desde o começo. Quando eu vi aquela cena de abertura, antes dos créditos iniciais, eu fiquei arrepiado porque é muito bem feita; gostei tanto que voltei umas duas vezes. Não se fazem cenas assim hoje em dia; e quando alguém consegue, é porque tem habilidade, e o diretor David Gordon Green tem.

Mesmo sem nenhuma experiência no gênero, ele se mostrou um excelente diretor de horror, e executou tudo com brilhantismo. Ele não apelou para câmeras tremidas, movimentos rápidos e bruscos; foi tudo feito com a câmera nas posições certas, com os movimentos certos, nos ângulos certos. A fotografia também fez bonito, principalmente nas cenas noturnas. As paletas de cores são ótimas, e combinam com as cenas, e o melhor, dão uma impressão de veracidade. E as cenas noturnas são belíssimas; ao invés da horrível paleta “verde musgo”, muito usada pelo diretor David Fincher, aqui nós temos paletas escuras, pretas, mas que fazem um belo contraste com as luzes das casas e das aboboras nas ruas.

Sobre os créditos iniciais, eu acho que são os melhores da franquia desde o quinto filme. Não apenas pela forma como eles surgem, mas também o que eles representam. Representam o ressurgimento da franquia. Eu vi em algum lugar que a regeneração da abobora na abertura, representa a regeneração da franquia. E é verdade, tanto que a tipologia é a mesma – que não é utilizada desde H2O – e o modo de apresentação do elenco também é o mesmo, além da abobora ser a mesma do primeiro filme e se modificar do mesmo jeito. Se isso também não é uma homenagem, eu não sei o que é.

Aliás, o filme presta várias homenagens, não apenas ao primeiro filme, mas também à própria franquia. Por exemplo, a cena dos assassinatos no banheiro, lembra muito a cena do banheiro em H2O; um personagem diz um nome que remete ao segundo filme; a cena da sala de aula é idêntica à cena da sala de aula do primeiro filme; a própria menção do termo “boogey-man”, etc., mas talvez, um dos maiores easter eggs tenha aparecido já no trailer, um easter egg de Halloween III (1983), que não apresenta os personagens do universo criado por Carpenter e Debra Hill. Novamente, é uma prova do quão importante a Franquia Halloween se tornou.

Além de contar com momentos – muitos momentos – de terror, Halloween também tem momentos divertidos. Ou melhor, um momento divertido. Acontece na cena em que uma das amigas da neta de Laurie está cuidando de um garoto enquanto seus pais estão fora. O menino é muito engraçado. Eu dei algumas risadas nessa sequencia, porque é muito boa mesmo. Talvez, tenha servido para quebrar a tensão, porque momentos antes, tivemos algumas cenas de assassinatos.

Agora, sobre Laurie Strode. Conforme mencionado acima, aqui, ela deixou de ser a adolescente tímida do filme original, e se transformou numa eremita. Ela vive isolada em sua casa afastada da cidade, lugar que ela transformou em uma fortaleza, com armas e armadilhas por todos os lados. Não apenas isso; ela também se tornou uma espécie de pária, sendo rejeitada pela filha, de quem perdeu a guarda no passado, teve dois casamentos fracassados, e tornou-se alcóolatra. Além disso, algumas pessoas também a consideram uma louca por acreditar que Michael Myers pode retornar um dia, o que contribuiu para a destruição de sua família. A única pessoa que tenta se aproximar dela é sua neta, a quem ela também tenta proteger. Mas todo esse declínio ajuda na reconstrução da personagem. Não acho que a coisa tivesse o mesmo impacto se Laurie tivesse se tornado uma pessoa que apagou tudo de sua memoria, e vive uma vida normal. Esse declínio é o tipo de coisa que tem que acontecer com alguém como ela. Excelente reconstrução.

Além dos protagonistas, o filme também apresenta um personagem chamado Dr. Sartain, que se torna uma espécie de Dr. Loomis, uma vez que, após o falecimento do medico, ele tomou o caso de Michael para si, pois está determinado a descobrir por que ele se tornou um assassino. Mas, ao contrario de Loomis, Sartain não se mostra tão bonzinho assim, e está disposto a cometer loucuras para provar seu caso. Além dele, temos também um casal de jornalistas que tem quase o mesmo objetivo. Primeiro, eles visitam Michael em Smith’s Grove e tentam motivá-lo, mostrando-lhe sua mascara. Mas, com o fracasso da expedição, eles vão à casa de Laurie, com o objetivo de desvendar o mistério por trás daquela noite de Halloween, há 40 anos. Mas, eles também falham.

O filme tem muitos efeitos práticos, e eles funcionam muito bem. Eu falo de sangue, muito sangue. Michael é implacável nas cenas de assassinato, utilizando o que estiver ao seu alcance para matar, e o faz com requintes de crueldade e selvageria. Pescoços quebrados, queixos deslocados, rostos contra portas, gargantas perfuradas... Tudo que tem direito; e muito bem feito.

E novamente, Michael está perfeito. Um monstro implacável, movido por puro instinto assassino, sem medo ou remorso. Uma maquina de matar indestrutível, com desejo por sangue e carnificina. Seu figurino é praticamente o mesmo do filme original, com detalhe para sua icônica máscara; toda cheia de marcas do tempo, mas intacta, livre de furos ou rasgos. E quando eles finalmente se reencontram, é o melhor momento do filme, sem dúvida! Michael Myers ressurge em toda sua gloria, pronto para retornar a Haddonfield, e reiniciar seu reinado de terror.

Com certeza, Halloween é o retorno digno da franquia aos cinemas, após anos. É uma pena que Michael tenha passado por três experiências lastimáveis, antes de retornar do jeito que deveria. Mas tudo bem, o que importa é que ele está de volta, maior, melhor e mais assustador do que nunca. Recentemente, começaram a sair noticiais sobre duas continuações para o filme, que prometem encerrar definitivamente a historia de Laurie Strode e Michael Myers. A primeira, Halloween Kills, título esse que eu não consigo engolir, será lançada em 2020; a última parte, Halloween Ends, tem lançamento agendado para 2021. Vamos aguardar.

Enfim, Halloween é um filme excelente, que presta varias homenagens ao Clássico de John Carpenter, e à franquia. Maravilhoso. Assustador, sangrento, tenso. Um filme excelente.

Altamente recomendado.









Confira também a resenha em:


Acesse também:


segunda-feira, 14 de outubro de 2019

PROJETO LIVRO AZUL (2019).


NOTA: 10




PROJETO LIVRO AZUL
PROJETO LIVRO AZUL foi uma das melhores séries que já vi esse ano. Sem dúvida, também foi uma das mais assustadoras também.

Mas, antes de falar sobre ela, quero falar um pouco sobre o Projeto Livro Azul. O Projeto Livro Azul foi um projeto de investigação criado pelo governo americano nos anos 50, com o objetivo de investigar aparições de OVNIs ao redor do país naquela época. De 1947 a 1969, o projeto investigou mais de 1.000 casos envolvendo aparições de objetos voadores não identificados; desses, apenas 6% foram classificados como inexplicáveis. O restante foi classificado como sendo de natureza terrestre. O Projeto foi a quarta tentativa do governo de investigar relatos sobre OVNIs e extraterrestres.

Agora, sobre a série. Eu já tinha uma ideia do que se tratava o Projeto Livro Azul, por causa da série Arquivos Extraterrestres, exibida pelo History Channel, que produziu essa série. Em um dos episódios, referente aos chamados “Cinzas”, o Projeto foi mencionado como uma tentativa do Governo de descobrir se relatos de aparições eram reais ou não. Ele também foi mencionado em outro episódio, referente ao Hangar 18, localizado na Base Aérea Wright-Patterson, que aparece com destaque na série.

Quando soube que o History iria exibir a série, fiquei animado, porque queria saber como iriam abordar o caso. E o fizeram de maneira brilhante.

Em seus 10 episódios, a série conseguiu prender minha atenção desde o começo, e foi assim até o final. Não foi uma série de ficção científica. Foi uma série de suspense, com toques dramáticos. E como já disse, tudo muito bem feito.

Além de focar nas investigações do Professor Hynek e do Capitão Quinn, a série também mostrou a vida de Hynek, ao lado da esposa e do filho. A esposa do Professor mostra-se uma mulher devotada ao marido, mas ao mesmo tempo, é infeliz por causa da distancia entre eles. Então, ao conhecer uma mulher numa loja de conveniências, elas rapidamente tornam-se amigas, o que a ajuda a se distrair. Porém, sua nova amiga revela-se uma espiã russa, cujo objetivo é vigiar Hynek, sua família, e descobrir sobre o Projeto Livro Azul. Ao invés de maçantes, esses momentos também merecem destaque porque, de certa forma, servem para preencher o tempo, uma vez que os episódios focam principalmente nas investigações de Hynek e Quinn.

As cenas de investigação são as melhores. Em diversos momentos, parece uma serie policial, até porque os dois protagonistas fazem muito bem o seu trabalho, e mostram-se dispostos a investigar os relatos, entrevistar testemunhas e, se necessário, descobrir os culpados por eventuais farsas, e existem farsas. É tudo muito bem feito, bem filmado, bem escrito e, principalmente, bem atuado. O Dr. Hynek foi interpretado pelo ator Aidan Gillen, que brilhou na inesquecível série Game of Thrones, como o vilão Mindinho; o Capitão Quinn foi interpretado por Michael Malarkey, que atuou em Vampire Diaries. Ambos estão excelentes em suas performances e não parecem caricatos, do contrario. O restante do elenco também está excepcional, com destaque para Neal McDonough como o General James Harding e Laura Mennell como Mimi Hynek, esposa do Dr. Hynek. A série também contou com Robert John Burke como o Secretário de Defesa William Fairchild, e Bob Gutton, como o Presidente Harry Truman.

Os efeitos visuais também são um atrativo. Nenhum deles parece falso, e chegam até a ofuscar os atores em alguns momentos. O melhor momento surge no ultimo episodio, quando um grupo de esferas luminosas voa sobre a capital do País em plena luz do dia. Parece que aquelas luzes estão mesmo lá. É impressionante.

Como mencionado nos créditos, a série é baseada nas investigações reais do Projeto Livro Azul. Entre os casos apresentados na série estão “As Luzes de Lubbock”, que ocorreu no Texas, quando várias pessoas avistaram luzes estranhas em forma de V sobrevoando a cidade; “As Bolas de Fogo Verdes”, que foram avistadas por pilotos de caça e “O Monstro de Flatwoods” onde uma família afirmou ter visto um monstro nas florestas perto de sua casa. O caso também tornou-se conhecido na Criptzoologia, que estuda relatos de aparições de criaturas estranhas, como o Monstro do Lago Ness e o Chupacabra.

Esse também é um fato que contribuiu para tornar a série tão assustadora. Só de saber que boa parte daquilo aconteceu de verdade foi suficiente para prender minha atenção. Confesso que acredito na existência de OVNIs e vida em outros planetas, então, acompanhar tudo o que foi mostrado, serviu para aumentar ainda mais a minha credibilidade no assunto.

O que também que me chamou a atenção na série, foi a pretensão do governo dos EUA em esconder as possíveis aparições e avistamentos a qualquer custo, jogando toda a culpa nos Russos, que estavam em alta no País naquela época. O motivo de fazerem isso é o fato de que, se de fato a Terra fosse invadida, eles não conseguiriam conter o pânico e teriam que admitir suas falhas. Não sei se tudo o que foi mostrado aconteceu de fato, como a infiltração dos russos no País, mas o fato é que serviu como um ingrediente a mais para o mistério.

Enfim, Projeto Livro Azul foi uma das melhores séries de TV assisti em 2019, ao lado de NOS4A2, a segunda temporada de Siren, Legacies, e a última temporada de Games of Thrones. Recentemente, foi anunciada a renovação para segunda temporada, que deve estrear ainda esse ano nos Estados Unidos.

O Projeto foi encerrado em 1969. Dos mais de 1.000 casos investigados, apenas 6% permaneceram inexplicáveis. Até hoje, é considerado um dos maiores casos da Ufologia mundial. O Dr. Allen Hynek, cético assumido quando entrou para o Projeto, tornou-se ufólogo e fundou o Centro para Estudo de ÓVNIs. Hynek faleceu em 27/abr/1986.










Confira a resenha também em:


Acesse também:



sexta-feira, 3 de maio de 2019

MEGATUBARÃO (2018). Dir.: Jon Turteltaub.


NOTA: 8


MEGATUBARÃO (2018)
MEGATUBARÃO é uma bobagem! Mas uma bobagem super legal!
Lançado no ano passado, pode ser considerado mais uma das inúmeras Jaws Rip-offs que temos visto recentemente a cada mês. A única diferença, é que, ao contrario daquelas produções, essa aqui realmente tem algo de bom, por incrível que pareça.

Segundo informações obtidas por Marcos Brolia, do sensacional 101 Horror Movies, o filme, que é baseado em um livro de Steve Alten, esteve em produção há anos. Ao que parece, deveria ser um filme dirigido por Eli Roth, e deveria ser muito mais sangrento. Porém, os executivos optaram por cortar as cenas de gore, talvez por medo de perder o público. E olha, em certos momentos, o gore fez falta. Acho que desde os filmes da série Tubarão, nenhum filme do gênero teve um numero tão reduzidos de mortes em cena. E francamente, por mais legais que sejam as cenas de morte, elas não são apenas o fundamental.

Bom, o fato é que o filme é muito divertido; eu dei muita risada, involuntárias, verdade. Impossível dizer qual cena é a mais absurda, uma vez que elas surgem a cada momento. Uma das mais absurdas é quando o “herói” interpretado por Jason Statham pula na água atrás da criatura, e, quando está a alguns metros de distancia do barco, resolve colocar a mascara de mergulho! Na hora que vi a cena, comecei a dar muita risada! E foi assim pelo resto do filme.

Além dos momentos engraçados, o longa também é povoado por frases de efeito, a maioria dita pelo “protagonista”. Por falar nele, é um completo imbecil, como todos os personagens do filme. De verdade. Já vi filmes com personagens imbecis, mas era possível torcer por eles; aqui é o contrario; passei o filme todo torcendo pelo tubarão, uma vez que deve ser o personagem mais inteligente do filme todo.

Falando no tubarão, posso dizer que ele é muito bem feito, e, ao contrario do pôster, passa longe de parecer com um grande tubarão branco, descendente do Megalodonte (ou Megalodon). De verdade, num período em que os tubarões digitais são horríveis e não convincentes, aqui é o oposto, talvez pelo orçamento da produção. O monstro é muito bonito, realista e consegue assustar, sim, mesmo quando sua presença deixa de ser novidade. Os demais efeitos visuais também chamam a atenção e dão a impressão de serem realistas, sim. Porém, de todos os efeitos visuais, o melhor, sem duvida, é a Lula-Gigante que surge de repente, ataca um dos submarinos da equipe e é covardemente despachada pelo tubarão, com apenas 15 segundos de presença na tela. Motherfucking shark!

Mesmo sendo um filme de ação, deu pra ver que ele se esforça para criar um clima de suspense, mas não consegue; o máximo que passa é um clima de claustrofobia, uma vez que a equipe passa boa parte do tempo embaixo d’água, cercada pela escuridão e pelos peixes abissais. Em vários aspectos, o filme me lembrou muito o ótimo Do Fundo do Mar (1999).

Outra coisa que o filme faz, na maior cara de pau, é tentar “homenagear” o Clássico de Spielberg, seja nos falsos momentos de suspense, seja nos takes vistos de cima. Aliás, outro atrativo são os planos do tubarão visto de cima; belíssimos, destacando o tamanho descomunal do monstro. Muito bons, mesmo.

Mas, enfim, o fato é que Megatubarão é um filme muito legal. Divertido, impossível de se levar a sério, com momentos engraçados e frases de efeito. Vale muito a pena para dar umas boas risadas. Pelo menos, consegue ser muito melhor que os filmes da Asylium e uma bobagem chamada Tubarões 3 (2002), que também era sobre Megalodontes. 

Detalhe: o que motivou meu interesse em assistir esse filme foi a propaganda da Skye, com a canção Beyond the Sea ao fundo. Não sei por quê, mas, funcionou muito bem.

domingo, 17 de março de 2019

TERRORES URBANOS (2018).


NOTAS DOS EPISÓDIOS:

A LOIRA DO BANHEIRO: 9 | A GANGUE DOS PALHAÇOS: 8 | O QUADRO DO MENINO QUE CHORA: 7.5 | BONECO AMIGÃO: 8 | O HOMEM DO SACO: 8


TERRORES URBANOS (2018)
Lançada no inicio de Janeiro, Terrores Urbanos é mais uma das inúmeras produções nacionais voltadas para o gênero de terror. Ao contrario das demais, “Terrores” é uma produção de TV, realizada pela Record.

Eu admito que não sou consumidor da Record, simplesmente porque não sou fã da programação da emissora; mas, admito que a série me chamou a atenção, por causa do tema: Lendas Urbanas brasileiras. Porém, antes de começar a falar sobre os 5 episódios, vou admitir: não conheço nada sobre as lendas urbanas abordadas na série.

O primeiro episódio aborda a lenda da Loira do Banheiro, uma menina que morreu no banheiro da escola enquanto matava aula. Na história, uma adolescente, que recebeu a tarefa de ser oradora da turma no final do ano, passa a ser assombrada pelo fantasma de outra garota no banheiro da escola. Intrigada, ela decide descobrir quem é a garota. As consequências são desastrosas e assustadoras – comum em todos os episódios.

O segundo episódio apresenta a história da Gangue dos Palhaços, que, segundo dizem, sequestra crianças no portão da escola. Aqui, porém, as coisas são diferentes. A moradora de um bairro rico de SP – que mantém a casa sobre vigilância constante, com câmeras de segurança – é ameaçada em sua casa pela tal gangue, que possui alguma relação com a prisão de seu marido, devido a um escândalo. O resultado é uma noite de terror e medo.

No terceiro episódio, um médico recebe um Quadro com a figura de um Menino Chorando, que, segundo um funcionário da clínica, traz desgraças para quem seu dono. No inicio, o doutor não acredita nas historias; porém, conforme o tempo vai passando, coisas estranhas começam a acontecer: ele passa a ter visões de um garotinho, e seus pacientes começam a morrer de formas horríveis. Com o tempo, ele próprio passa a ser afetado pelo tal quadro.

O penúltimo episódio conta a história de um boneco amaldiçoado. Um menino ganha de sua avó um Boneco Amigão, que fez muito sucesso nos anos 90. À primeira vista, sua mãe – que acabou de dar a luz – não acha nada de estranho. Mas, as coisas começam a mudar na vida de seu filho. Intrigada, ela decide investigar a historia do boneco e descobre coisas assustadoras sobre ele. Com medo pela vida dos seus filhos, ela tenta, de todas as formas, livrar-se do brinquedo, mas descobre que não é nada fácil afastá-lo de seu filho, uma vez que ele próprio parece afetado pelo boneco.

O último episódio apresenta a historia do Homem do Saco, que segundo dizem, sequestrava crianças malvadas. Uma vendedora de cosméticos recebe de sua irmã a tarefa de cuidar de sua sobrinha. Inicialmente relutante, devido a uma traumática experiência anterior, ela acaba aceitando. Porém, coisas estranhas começam a acontecer, como o desaparecimento de uma criança do bairro, e seus clientes passam a ter reações alérgicas aos seus produtos; ao mesmo tempo, sua sobrinha começa a comportar-se mal, e passa a atormentá-la com a lenda do Homem do Saco.

Esteticamente falando, a série foi muito bem feita. A iluminação, edição, direção, elenco e efeitos especiais são muito bons, em especial o elenco, que não se deixa cair no exagero, coisa comum nas produções de entretenimento da emissora. Os atores expressaram o medo de forma autentica, o que ajudou a aumentar a tensão dos episódios. Os roteiros também foram muito bem escritos, redondos, com começo, meio e fim. Seguindo o formato de pequenas historias, no primeiro momento, tudo parece bem, até que, rapidamente, o terror toma conta, de forma discreta no inicio, mas, conforme a historia avança, ele vai crescendo, da melhor forma. Talvez tomando emprestado as técnicas do cinema americano, a série contava muito com jump-scares, mas ao contrario dos filmes de terror atuais, a técnica funcionou. E bem.

Agora, sobre os efeitos especiais, digo o seguinte. Foram outro dos trunfos da serie, principalmente os truques de maquiagem, com destaque para o primeiro episodio – a maquiagem de fantasma da garota morta era de arrepiar!

Agora, como copiar o trabalho dos outros não é novidade, os realizadores da série fizeram isso com certeza. Sério. Principalmente nos dois últimos episódios. O tal “Boneco Amigão” foi claramente inspirado no Chucky, tanto no nome quanto na aparência – o sorriso é praticamente idêntico! A própria estrutura do episodio também parece ter sido xerocada, principalmente do primeiro filme da série Brinquedo Assassino: em certo momento, a silhueta do menino correndo pelo corredor lembra, e muito, a cena do primeiro assassinato no filme de 1988. Agora, a piada foi deixada para o último episodio. O tal “Homem do Saco” é cópia escarrada do assassino de Seis Mulheres para o Assassino (1964), do Maestro Mario Bava! Sério! Enquanto assistia ao episodio, eu só pensava que estava assistindo a um Giallo!!!! Tive vontade de rir!!! Em tempo: o segundo episódio me fez lembrar – e muito – Os Estranhos ou a série Uma Noite de Crimes, uma vez que a trama se passa praticamente na casa.

Em compensação, o medo tomou conta de mim o tempo inteiro. Desde o primeiro episodio. Acho que desde Trilogia do Terror (1968), nunca tive tanto medo numa produção de horror brasileira!

Outra coisa que me chamou a atenção foi o fato de todos os personagens da série terem problemas. A começar pela protagonista do primeiro episodio: dominada por uma mãe exigente e perfeccionista. A protagonista do primeiro episódio tem problemas psicológicos, sofre nas mãos do filho rebelde – e assustador – e do marido corrupto, pra completar, sofre de Clourofobia (medo de palhaços)! O medico do terceiro episódio perdeu um garotinho para o câncer e ao que parece, passou a perna no antigo sócio. A protagonista do penúltimo episódio tenta, a todo custo, ser a esposa e mãe perfeitas, sofre com a rejeição da sogra, e, tem problemas de amamentação. E por fim, a mocinha do último episodio, perdeu o garotinho de quem tomava conta e vive atormentada pelo peso da culpa. Em suma, todos são vítimas fáceis para o sobrenatural – não que o sobrenatural também não escolha as “pessoas perfeitas”.

Os coadjuvantes também não ficam atrás. O filho da protagonista do Episódio 2 é assustador, mesmo, e consegue ser pior que os palhaços. O Homem do Saco também não fica atrás.

E por fim, os episódios são cheios de surpresas, mas, não vou entregar, pra não dar spoilers.


Enfim, Terrores Urbanos foi uma das melhores séries que assisti nesse começo de ano. Muito boa. Super bem feita. Assustadora.


SIREN – PRIMEIRA TEMPORADA (2018).


NOTA: 10


SIREN - PRIMEIRA TEMPORADA (2018)
Das séries de TV que eu vi em 2018, Siren foi a melhor de todas.

Desde o primeiro episodio, a série mostrou a que veio, com tudo. Apesar da trama básica, a primeira temporada conseguiu prender minha atenção. A primeira coisa que me atraiu foi sua protagonista, Ryn, interpretada pela atriz Eline Powell; com sua cara de anjo, Ryn revela-se um verdadeiro monstro desde o primeiro momento, despedaçando um homem que lhe deu carona para a cidade. Porém, com o passar, ela acaba mudando sua personalidade conforme convive com os protagonistas, e aos poucos, também revela-se como uma criatura órfã, perdida num mundo que não conhece.

Os personagens humanos também conseguiram me cativar, uma vez que foram retratados com realismo. Todos os personagens humanos da serie mostram o que são: imperfeitos, fracos, mas principalmente, verdadeiros em tudo que fazem.

Porém, o grande destaque são Ryn e suas companheiras do mar. Desde o anuncio, ficou claro que Siren não iria retratar as sereias como criaturas doces e gentis; ao contrario, elas mostram suas garras e dentes, como verdadeiros monstros marinhos que são. Tal descrição pode não se aplicar tanto a Ryn, mas, sim às outras sereias. Com seus dentes afiadíssimos e nadadeiras com garras, elas estão dispostas a matar todos os seres vivos que encontram. E o visual das criaturas é o melhor possível, digno das criaturas de H.P. Lovecraft.

Porém, apesar do terror, Siren também se mostra como uma historia de amor, uma vez que Ryn e Ben, o protagonista humano, exibiram, desde a primeira vista, uma forte atração entre si. Se ambos ficarão juntos ou não, não sei, uma vez que a temporada encerrou-se com essa pergunta no ar.

Como mencionado acima, a série não mostra apenas o lado perverso de Ryn, mas, também, talvez, o seu melhor lado. Uma vez vivendo como humana, ela mostra que sente-se confusa e perdida naquele mundo, um mundo que não entende. Pessoalmente, eu gosto muito de historias com personagens assim, uma vez que são retratados de forma verdadeira, expondo seus medos em relação ao mundo onde estão inseridos.

Enfim, acompanhar os 10 episódios da primeira temporada de Siren foi muito divertido.

Uma série cheia de surpresas, terror, suspense e romance. Uma das séries de TV mais fascinantes que já vi nos últimos tempos. A melhor série de TV de 2018.


Que venha a segunda temporada!


THE ASSASSINATION OF GIANNI VERSACE: AMERICAN CRIME STORY (2018).


NOTA: 10


THE ASSASSINATION OF GIANNI VERSACE:
AMERICAN CRIME STORY (2018)
Apesar de não assistir à temporada anterior, devo dizer que esta foi a melhor temporada de American Crime Story.

Em seus 9 episódios, a série contou de forma verdadeira a história do assassinato do estilista Gianni Versace, ocorrido na Flórida em 1997. Os realizadores não tiveram medo - e nem pudores - ao retratar as vidas de Versace e seu assassino, Andrew Cunanan, até o dia de sua morte.

Confesso que quando soube que este seria o assunto da nova temporada, achei que iriam retratar, além do homicídio, a caçada à Cunanan, até o desfecho sangrento. Mas, como pude ver, estava enganado. Apesar de retratar o crime de Versace, a temporada, no fundo, contou a história de Andrew Cunanan. Mesmo tendo um certo conhecimento sobre a vida do assassino, graças aos documentários do Discovery Channel, fiquei surpreso ao acompanhar a trajetória de Cunanan até o dia do assassinato de Versace. Em vários momentos, fiquei dividido entre sentir ódio e pena do assassino, uma vez que sua vida inteira era uma grande mentira, criada por ele mesmo.

Em relação ao elenco, digo apenas o seguinte: todos foram maravilhosos em suas performances. Porém, Édgar Ramirez e Darren Criss forma os que mais brilharam nos papéis de Versace e Cunanan, respectivamente. Ambos se transformaram nos personagens, de uma maneira que eu nunca havia visto. Penélope Cruz também brilhou no papel de Donatella Versace, irmã do estilista. Ao que parece, desde o início, ela foi o destaque da temporada, e realmente, ela se saiu muito bem no papel, mostrando total controle sobre as emoções que a personagem sentia em determinados momentos. E Ricky Martin, também se saiu muito bem no papel do amante de Versace. Apesar de pouca presença, sua atuação foi muito comovente. Os demais atores, nos papéis secundários, também se saíram muito bem. A direção de arte histórica também merece destaque, bem como os roteiros dos episódios.

Enfim, uma temporada maravilhosa, verdadeira e corajosa. Um grande trunfo da TV em 2018.


sexta-feira, 15 de março de 2019

WALT DISNEY, O TRIUNFO DA IMAGINAÇÃO AMERICANA (Neal Gabler).


NOTA: 10


WALT DISNEY
O TRIUNFO DA IMAGINAÇÃO AMERICANA
Neal Gabler nos apresenta a verdadeira biografia de Walt Disney, nos seus mínimos detalhes.

Depois de sete anos de pesquisa, Gabler montou um relato surpreendente da vida de um homem que ajudou a criar a imaginação americana e mundial. Gabler nos mostra passo a passo a infância pobre, cheia de disciplina de Walt Disney, depois, sua juventude, marcada pela sua passagem na I Guerra Mundial, sua vida adulta, onde criou seus primeiros desenhos animados, Alice's Wonderland, e depois, seu personagem mais famoso: Mickey Mouse, com Plane Crazy (1927) e depois, o primeiro desenho sonoro, Stemboat Willie (1928).

Há também sua inserção ao cinema colorido, com Flowers and Trees (1932), com o qual venceu o primeiro de seus 22 Oscars.

Gabler nos conta também o passo a passo da criação de seus filmes, bem como o declínio de seu estúdio, devastado pela greve de animadores; os filmes militares feitos durante a II Guerra Mundial, seus filmes live-action, seus filmes animados posteriores, a criação da Disneyland, seus anos após o parque e o fim de sua vida.

Gabler conta também como Walt Disney vivia realmente, marcado por traições, tristezas, fracassos, problemas com sua imagem publica e enfermidades; bem como era sua relação com Lillian, sua esposa e com suas filhas, Diane e Sharon; sua paixão por trens e sua busca obsessiva pela perfeição. Além disso, conta em detalhes, os últimos dias de sua vida e como foi sua morte.

A verdadeira história de Walt Disney, o homem que ajudou a modelar a imaginação americana e nos deixou um legado eterno.

Um livro excelente.



AVISO.

  O LIVROS & FILMES DE HORROR está em recesso. Obrigado.