Mostrando postagens com marcador MARIO ARDOF. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador MARIO ARDOF. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

O QUE ELES FIZERAM ÀS SUAS FILHAS? (1974). Dir.: Massimo Dallamano.

 


NOTA: 9



Eu já disse varias vezes que o Giallo é um dos meus gêneros favoritos, e desde que surgiu no final dos anos 60, grandes exemplares surgiram. Alguns deles já foram mencionados aqui, todos dirigidos por grandes mestres, e o diretor Massimo Dallamano foi um deles. Ele é o responsável pelo excelente O Que Vocês Fizeram com Solange? (1972), que marcou a estreia da atriz Camille Keaton no cinema. Esse é um dos meus exemplares favoritos do gênero.

 

Dois anos depois, Dallamano retornou ao gênero com O QUE ELES FIZERAM ÀS SUAS FILHAS?, que pode ser encarado como uma espécie de continuação do filme anterior. Eu pessoalmente não vejo dessa forma, eu encaro como outro filme com uma temática parecida. Mas isso não o impede de também ser um grande exemplar do gênero.

 

Mais do que isso, eu diria que é um dos mais brutais exemplares do gênero, não somente pelas cenas de violência, mas também pela forma como ele aborda a polemica questão da prostituição adolescente. Sério, são cenas realmente muito tensas e desconfortáveis. Já as cenas de violência são brutais e não poupam o espectador do sangue. Não é novidade que o gênero Giallo é famoso por suas cenas de morte mirabolantes, com toques até artísticos, dependendo do cineasta, e Dallamano faz questão de mostrar o sangue na tela. Eu confesso que na primeira vez que eu assisti, eu fiquei impressionado com as cenas de violência, principalmente uma que acontece num banheiro.

 

E assim como fez no filme anterior, Dallamano se mostra um especialista no gênero, principalmente quando filma cenas de tensão e suspense. E o filme tem muitas delas, cada uma melhor que a outra, todas envolvendo o assassino. Os movimentos de câmera merecem destaque, com toques rápidos e câmera dentro do carro e na garupa da moto. É muito bom.

 

Outro destaque é a trilha sonora, composta por Stelvio Cipriani, um nome conhecido no gênero, tendo sido responsável pelas trilhas de alguns exemplares do Giallo. É uma trilha muito boa, diferente do tipo que se espera ouvir um filme desses, que geralmente parte para uma coisa mais lírica e bonita. Aqui, não. A musica é quase pesada, principalmente o tema, que depois seria “reaproveitado” pelo compositor no divertido Tentáculos (1977). Quando eu ouvi pela primeira vez, eu na hora me lembrei da música do filme do polvo gigante. Picaretagem ou outra coisa?

 

Outro ponto que merece ser mencionado é o assassino. Como é de praxe no gênero, o assassino veste roupas pretas e luvas de couro também pretas; aqui temos exatamente isso, mas com um diferencial. Ao invés da mascara preta, temos um capacete de motociclista, visto que o assassino faz uso desse veiculo na cena de perseguição. E ao invés do tradicional canivete, a arma escolhida é um cutelo de açougueiro. E o assassino faz estragos com ela. Grandes estragos. A maior prova é na cena em que os policiais estão investigando o apartamento de um suspeito e encontram o banheiro todo ensanguentado. Cena digna de Slasher.

 

Devo ressaltar também que, pela primeira vez – que eu saiba - , temos uma personagem feminina na policia. Geralmente nos Gialli as mulheres são as vitimas do assassino, mas o roteiro optou por algo diferente, e criou uma personagem feminina de fibra, que não abaixa a cabeça para ninguém. É o tipo de coisa que podia aparecer mais no Giallo. Dallamano ganha mais pontos por essa inclusão.

 

Conforme mencionado acima, O Que Eles Fizeram às Suas Filhas? é uma historia que envolve prostituição de adolescentes. É um tema muito difícil de ser abordado, porque envolvem principalmente as adolescentes que entram para esse mundo. E o roteiro não passa pano para o tema. E não apenas estamos falando de prostituição, mas também de estupro e pedofilia, uma vez que as garotas são menores de idade e os agressores são homens mais velhos. E o pior, são homens importantes, que dificilmente serão culpados ou associados a tais crimes. É o tipo de coisa que infelizmente existe na nossa sociedade e que vemos todos os dias nos jornais e noticiários da TV. E mesmo sendo abordado em uma obra de ficção, não deixa de ser um tema perturbador e que merece ser discutido.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo na coleção Giallo Vol.4, em versão restaurada com áudio original em italiano.

 

Enfim, O Que Eles Fizeram às Suas Filhas? é um grande exemplar do gênero Giallo. Um filme violento e perturbador, com cenas de ação de tirar o folego, que conta um roteiro bem amarrado e uma direção segura. Além disso, toca em um assunto difícil de lidar, e faz isso sem o menor pudor, deixando o espectador desconfortável. Mas nada disso é um empecilho para torna-lo um filme excelente. Altamente recomendado. 



Créditos: Versátil Home Vídeo



Acesse também:

https://livrosfilmesdehorror.home.blog/


sábado, 9 de maio de 2020

O PÁSSARO DAS PLUMAS DE CRISTAL (1970). Dir.: Dario Argento.



NOTA: 10



O PÁSSARO DAS PLUMAS DE CRISTAL
(1970)
Segundo o próprio Dario Argento, o Giallo é um gênero italiano. Surgiu no país na literatura, com uma pequena editora que lançava os livros de suspense com as capas amarelas – “giallo” quer dizer “amarelo” em Italiano – para diferenciá-las dos demais. A partir de 1963, o gênero migrou para o cinema, graças ao Maestro Mario Bava, que lançou o filme A Garota que Sabia Demais, que possuía algumas características que se tornariam clássicas no gênero. No ano seguinte, foi lançado Seis Mulheres para o Assassino, também do maestro Bava, filme responsável por apresentar as principais características do gênero: as mortes mirabolantes, a ineficiência da policia, a misoginia, as pistas falsas, e principalmente, o assassino de luvas pretas. Apesar desse pontapé inicial, não foram muitos os cineastas que resolveram se aventurar nesse gênero. Até que, em 1970, a coisa mudou.

Além de ser o primeiro filme do diretor Dario Argento, O PÁSSARO DAS PLUMAS DE CRISTAL, foi também o filme responsável por lançar de vez o Giallo no cinema. E já em sua estreia, Argento mostrou a que veio.

A história é contada de forma brilhante, com ótima direção, roteiro bem amarrado e ótimas atuações. É o tipo de filme onde tudo funciona a seu favor, e a cada revisão, parece ficar melhor; pelo menos para mim é assim. E mesmo tendo visto várias vezes, é um filme que gosto muito de assistir.

Não sei ao certo quando meu interesse pela obra de Argento começou, mas, desde que resolvi me aventurar em sua filmografia – a melhor parte, pelo menos – me tornei fã e admirador do cineasta, fazendo de seus filmes, uma inspiração. E este aqui é um dos meus favoritos.

Conforme já mencionei, O Pássaro é um filme onde tudo funciona, a começar pelo roteiro. Conforme Argento comentou em entrevistas, ele tinha interesse em modificar as regras do suspense. O que de fato, ele conseguiu. O roteiro é muito bem escrito, e consegue levar o protagonista, o escritor Sam Dalmas, a uma teia cheia de enigmas, que parecem aumentar à medida que ele resolve investigar por conta própria. Esta é também outra característica do gênero: a investigação que o protagonista faz por conta própria – quase sempre motivado por algo que testemunhou anteriormente – uma vez que a policia não consegue resolver os crimes. O fato da policia não conseguir resolvê-los, já fora estabelecido por Bava, mas, antes deste aqui, não me lembro de outro exemplar onde o protagonista resolve investigar o mistério; talvez nos filmes que vieram depois de Bava, mas não posso afirmar com certeza absoluta. O fato é que aqui, Dalmas faz exatamente isso, uma vez que o Comissário Morossini e seus homens estão em um beco sem saída.

Já no primeiro filme, Argento apresentou uma de suas principais características: o uso de câmeras subjetivas. É incrível o que a câmera faz em determinadas cenas, principalmente simula os POV’s – pontos de vista. E um cena em especial, Argento e o diretor de fotografia, Vittorio Storano, posicionam a câmera sobre um lance de escadas de um prédio, dando uma ótima perspectiva do ambiente. Outra que o diretor soube fazer muito bem foi enquadrar as mulheres. Segundo o próprio Argento, essa habilidade surgiu ao seu costume de observar o trabalho da mãe, a fotógrafa brasileira Elda Luxardo, que passava horas fotografando atores e atrizes italianos famosos. E dá para perceber que o diretor aprendeu muito bem. Os enquadramentos são perfeitos, principalmente das mulheres. Acho que nunca vi um filme em que as atrizes foram tão bem enquadradas pela câmera, algo que o cineasta utilizou em seus filmes futuros.

Outra coisa que funciona muito bem é a trilha sonora, composta pelo Maestro Ennio Morricone. Ao invés de uma trilha pesada, Morricone utilizou vozes femininas para fazer um coro parecido com uma canção infantil. É uma trilha que combina muito bem com a atmosfera.

Mas talvez as melhores coisas do filme sejam as cenas de assassinato, e o próprio assassino. Como já havia dito no começo, um dos atributos que tornaram o Giallo conhecido, foi a figura do assassino em roupas escuras, usando luvas de couro pretas, e aqui temos isso na melhor forma. O assassino encaixa-se perfeitamente na descrição clássica: usa roupas pretas, jaqueta com a gola levantada para esconder o rosto, chapéu, e claro, as luvas de couro pretas. Não tem nada melhor do que isso. Apesar de gostar das variações do gênero, eu sou fã do Giallo que tenha o assassino com luvas.

Agora, sobre os assassinatos. Se em Seis Mulheres para o Assassino, Mario Bava conseguiu transformar cenas de assassinato em obras de arte, aqui, Argento faz a mesma coisa. Apesar de o assassino ter matado cinco mulheres durante o filme, Argento só mostra duas delas sendo assassinadas, e ambas as cenas são muito bem feitas, construídas da maneira mais simples, mas com clima de suspense que deixa tudo mais tenso, deixando o espectador roendo as unhas. E quando os assassinatos acontecem, são fantásticos desse ver; não que o homicídio seja uma coisa bonita; eu me refiro ao modo como as cenas são filmadas. Não espere um banho de sangue. O sangue é espirrado na tela na quantidade certa e do jeito certo. A melhor cena de assassinato é a segunda, com uma navalha enorme fazendo seu trabalho; uma cena quase claustrofóbica. Argento levaria essa técnica de transformar cenas de assassinato em obras de arte para seus filmes futuros.

Uma das coisas pela qual Argento é questionado são as atuações do seu elenco. Há quem diga os aspectos técnicos do filme são melhores que as atuações, mas eu não vejo problema. As atuações são muito boas, principalmente dos quatro personagens principais. Outro “ponto negativo” é o fato de o protagonista não conseguir identificar o som do pássaro do título – o Grou coroado oriental – já que ele também estuda aves raras. Minha explicação é que, no calor da investigação, ele não se lembrou da espécie, ou então, não chegou a ler sobre ela. Essa é a minha interpretação.

O Pássaro das Plumas de Cristal foi lançado em Fevereiro de 1970 na Itália, e foi um sucesso de bilheteria; nos Estados Unidos, ficou em primeiro lugar por três semanas, tornando-se um sucesso por lá também.

O sucesso do filme foi responsável da introdução do Giallo no cinema, levando vários cineastas a produzir seus próprios filmes do gênero, muitos deles com nomes de animais nos títulos.

O filme é o primeiro da chamada “Trilogia dos Bichos”, composta também pelos filmes O Gato de Nove Caudas e Quatro Moscas Sobre Veludo Cinza, ambos lançados em 1971, também escritos e dirigidos por Dario Argento.

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo, em versão restaurada, com áudio italiano, na coleção A Arte de Dario Argento, juntamente com os outros filmes da “Trilogia dos Bichos”, e Terror na Ópera (1987), um de seus últimos grandes trabalhos.

Enfim, O Pássaro das Plumas de Cristal é um dos maiores exemplares do Giallo italiano. Um filme com atmosfera de suspense muito bem construída, que deixa o espectador arrepiado. A direção experiente de Dario Argento contribui para o ótimo desempenho do filme, além de mostrar o quão habilidoso ele se tornaria. O filme responsável por catapultar o Giallo no cinema, além de ter influenciado uma serie de cineastas a seguir o mesmo caminho. Um filme excelente, que merece ser visto e apreciado. Maravilhoso. Altamente recomendado.



Créditos: Versátil Home Vídeo




Acesse também:



AVISO.

  O LIVROS & FILMES DE HORROR está em recesso. Obrigado.