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sábado, 19 de outubro de 2024

O DESPERTAR DOS MORTOS (1978). Dir.: George A. Romero.

 

NOTA: 10


O DESPERTAR DOS MORTOS é, sem dúvida, o melhor filme de George A. Romero, além de ser o melhor filme de zumbis de todos os tempos.

 

Filme do meio da trilogia dos zumbis, esse filme apresentou tudo aquilo que hoje é utilizado em mídias sobre apocalipse zumbi.

 

Algumas regras já haviam sido estabelecidas em A Noite dos Mortos-Vivos, mas, em Despertar, elas foram aumentadas, e hoje em dia, tornaram-se praticamente obrigatórias.

 

Isso sem falar que, assim como seu antecessor, é um filme repleto de comentário social, desta vez, voltado para o consumismo.

 

Essa era uma característica nos filmes de Romero, mas, acredito que ficaram ainda mais em evidência dos seus filmes de zumbi, visto que o cineasta soube fazer isso com maestria, maestria essa que até hoje é discutida por cinéfilos e cineastas.

 

Além de tudo isso, Despertar também é um marco do gore, graças aos efeitos especiais do mestre Tom Savini, mas, mais detalhes sobre isso adiante.

 

Na trama, o mundo está quase todo devastado pelos zumbis. Sabendo disso, um grupo de quatro pessoas foge em um helicóptero e acaba encontrado um shopping center, onde acaba se instalando para escapar do ataque dos mortos-vivos.

 

Assim como no anterior, é uma trama simples que também está carregada de comentários sociais, mas, ao contrário do primeiro filme, é possível perceber que o orçamento foi um pouco maior aqui.

 

A grandeza do filme está presente desde os seus bastidores.

 

Romero estava com dificuldades de produzir uma continuação para o primeiro filme, mas acabou recebendo apoio do diretor Dario Argento, que já era um grande fã do cineasta, e vice-versa. Assim, Romero viajou para a Itália, onde conseguiu desenvolver o roteiro e conseguiu financiamento para realizar o filme.

 

É legal saber que Romero teve apoio de Argento para fazer o filme, o que formou uma grande amizade entre eles, que se consolidou ainda mais quando se uniram novamente para dirigir o filme Dois Olhos Satânicos (1990), antologia baseada em dois contos de Edgar Allan Poe.

 

Ainda segundo Romero, a ideia para este filme surgiu quando ele estava em um shopping center em Pittsburg, e imaginou como seria se uma horda de zumbis invadisse o lugar.

Conforme mencionado acima, a crítica da vez está no consumismo exagerado, e não deixa de ser verdade, visto que, quando as pessoas vão ao shopping, elas passam horas no local, olhando para os itens em oferta, e além disso, quando acontece alguma promoção em alguma loja, não é incomum ver um grupo de pessoas se formando na porta do estabelecimento, prontas para agarrar os itens o quanto antes. Eu já vi uma imagem dessas na internet, mas, graças a Deus, nunca presenciei algo como esse pessoalmente.

 

Agora que já comentei um pouco a respeito do comentário social presente no filme, deixe-me falar sobre os personagens.

 

O roteiro é focado em grupo de quatro pessoas, formado por dois policias da SWAT, uma repórter de TV e um piloto da emissora. A interação entre eles é muito boa, e é possível identificá-los rapidamente, assim que aparecem no filme. Fran se encaixa a princípio no perfil da mocinha indefesa, visto que ela começa o filme toda fragilizada, mas, conforme a trama avança, ela se mostra tão forte quanto os homens. Stephen é o seu namorado, e é o piloto do grupo; no início, ele também se mostra receoso em matar as criaturas, mas muda de atitude quando percebe que não há outra saída. Peter e Roger são os agentes da SWAT, e cada um possui sua própria personalidade; Roger é valente e não tem medo do perigo; Peter, por outro lado, é mais racional, mas valente, também.

 

Juntos, os personagens formam um grupo bastante unido, e se apoiam nas decisões importantes que devem ser tomadas. Além disso, eles se unem também na hora de tomar o shopping, chegando a construir quase que uma casa dentro do prédio, no local onde escolheram para se esconder. E na hora do combate, eles se unem ainda mais, cada um dentro de suas habilidades.

 

O roteiro de Romero também é muito afiado no que quis respeito ao ritmo. Logo no começo, fomos brindados com uma confusão no estúdio de TV, passando para uma guerra no conjunto habitacional de cubanos. Depois desse início frenético, as coisas começam a andar de forma mais lenta, com os personagens tomando o shopping, procurando um lugar para se esconder, depois, começam a tomar as coisas das lojas, até que conseguem se firmar no local. Mas não é só isso. A trama também se preocupa em explorar as relações entre os quatro, principalmente entre Fran e Stephen.

 

Em determinado momento, um grupo de motoqueiros saqueadores invade o prédio e provoca uma guerra com os quatro, o que leva a trama de volta à ação, visto que eles também lutam contra os zumbis das formas mais criativas possíveis.

 

Conforme mencionado acima, o filme é também um marco do gore, graças aos excelentes efeitos especiais de Tom Savini. O visual dos zumbis é básico, até, com uma tonalidade cinza e azulada, mais os efeitos de morte são o auge. Logo na primeira sequência de ação, no conjunto habitacional dos cubanos, somos presenteados com uma cabeça explodindo em frente à câmera, além de cenas de pessoas sendo mordidas. No shopping, a coisa não é muito diferente, com os zumbis sendo derrotados com tiros na cabeça, mas com efeitos diversos. No entanto, o melhor acontece quando eles matam os motoqueiros, arrancando seus órgãos na base da unha, e devorando-os vivos. No entanto, Savini deixaria o melhor para o filme seguinte da trilogia, Dia dos Mortos (1985), mas isso é assunto para outra resenha.

 

Despertar dos Mortos foi financiado por Dario Argento, conforme mencionei, e com isso, acabou ganhado uma versão remontada pelo cineasta italiano para o mercado europeu, que recebeu o título de Zombie. Além da versão editada por Argento, o filme também possui uma versão estendida, com 139 minutos, considerada por muitos como a Versão do Diretor; no entanto, Romero afirmava que a sua Versão do Diretor era a versão original, com 127 minutos. A versão escolhida para esta resenha é justamente a Versão do Diretor.

 

Foi lançado em Blu-ray e DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo, numa edição que apresenta as três edições, em versões restauradas, com um disco só de extras. Atualmente, tais edições estão fora de catálogo.

 

Enfim, O Despertar dos Mortos é um filme excelente. O filme que apresentou as principais regras para as mídias posteriores, além de contar com uma direção inspirada, roteiro afiado, e efeitos especiais bastante criativos. Um filme que se tornou um marco do gore, e também, o melhor filme de zumbis de todos os tempos, além de ser o melhor filme do diretor George A. Romero.


Créditos: Versátil Home Vídeo.


sexta-feira, 12 de abril de 2024

O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA 2 (1986). Dir.: Tobe Hooper.

 

NOTA: 9


Podem me julgar, mas eu gosto muito de O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA 2, lançado em 1986, produzido pela Cannon Group, e novamente dirigido por Tobe Hooper.

 

Eu tenho algumas memorias desse filme, quando assisti a algumas cenas na TV aberta há alguns anos, mas não o filme todo, porque fiquei com muito medo. Eu me lembrava do primeiro homicídio, com Leatherface em cima da caminhonete; e de Stretch no covil da família, com uma máscara de pele.

 

Anos depois, eu tive a oportunidade de assistir ao filme por completo, e gostei muito. Eu acho este aqui tão bom quanto o primeiro, mas, claro que não se compara ao anterior; mas mesmo assim, eu me divirto muito toda vez que assisto.

 

Acredito que o principal motivo para isso seja a direção de Hooper, que soube contar a história com firmeza. Apesar de estar com a credibilidade baixa na época, em virtude da sua parceria com a Cannon, Hooper fez um ótimo trabalho aqui.

 

No geral, O Massacre 2 é um filme bem competente, e não a bomba que muitos ilustram, na minha opinião. É um daqueles casos de uma continuação que não ofende a obra original.

 

Outra coisa que faz deste um filme muito legal, é o roteiro. Ao invés de focar 100% no terror, temos aqui uma obra voltada para o humor negro, com situações absurdas e piadas pesadas. O humor se deve muito em conta por causa de algumas das atuações também e personagens, principalmente, os membros da família de Leatherface, aqui, batizados de Sawyers.

 

Mais uma vez, a interação entre eles é caótica, com todos os membros sendo agredidos verbalmente pelo velho cozinheiro – Drayton – e mais uma vez, descobrimos um pouco mais sobre a dinâmica dos membros da família.

 

Além disso, temos um Leatherface diferente do anterior, um pouco mais dócil e bobo, principalmente quando está ao lado da protagonista Stretch. O vilão gosta da personagem, e rende momentos absurdos, que até hoje, são comentados por fãs de terror, principalmente, uma cena em especifico.

 

Ao contrário de seu antecessor, aqui temos um filme focado no sangue e no gore, graças aos efeitos do mestre Tom Savini. Desde o primeiro assassinato, o gore está presente, e segue até o final do filme. Temos cabeças arrancadas, peles esfoladas e sangue jorrando das paredes. Os efeitos de Savini são muito bons, e quase não precisam de comentários, porque sabemos da qualidade dos mesmos. Savini fez grandes coisas aqui, desde o cadáver utilizado por Leatherface na cena da ponte; até a placa de metal na cabeça de Chop-Top.

 

Deixe-me também contar sobre a cena que mais me vem à mente quando eu lembro desse filme, a cena da ponte. Na minha opinião, é a melhor cena do filme, simplesmente por causa da maneira como é mostrada na tela. Leatherface está em cima na caminhonete, vestido com um cadáver putrefato, e com a serra nas mãos. Ele faz um grande estrago no carro dos adolescentes ricos, arranhando a lataria e decepando a cabeça de um deles, tudo ao som de Oingo Boingo.

 

E claro, assim como seu antecessor, a produção aqui foi tomada por problemas. Segundo o diretor Hooper, um dos cenários foi tomado por fogo, e eles quase perderam o set; o ator que interpretou Leatherface, em certo momento, contraiu pneumonia; sem contar o comportamento de Dennis Hopper no set.

 

Foi lançado em Blu-ray no Brasil pela Obras-Primas do Cinema, em versão remasterizada, na coleção O Massacre da Serra Elétrica, com vários extras. Atualmente, tal edição está fora de catálogo.

 

Enfim, O Massacre da Serra Elétrica 2 é um filme excelente. Um longa que consegue ser tão bom quanto seu antecessor, mas, claro, não se iguala a ele. A direção de Tobe Hooper é segura, e o diretor consegue criar cenas tensas e engraçadas ao mesmo tempo. Os efeitos especiais de Tom Savini são o destaque, graças às técnicas milenares de um dos maiores maquiadores do cinema. Um filme muito divertido. Altamente recomendado.


Créditos: Obras-Primas do Cinema


sexta-feira, 1 de março de 2024

UM DRINK NO INFERNO (1996). Dir.: Robert Rodriguez.

 

NOTA: 9.5


O primeiro filme de terror a gente nunca esquece, não é verdade? E quanto ao segundo?

 

Qual foi o segundo filme de terror que vocês assistiram? O meu foi UM DRINK NO INFERNO, um misto de ação, terror e crime, comandado pela dupla Quentin Tarantino e Robert Rodriguez.

 

Infelizmente, serei obrigado a dar spoilers aqui nessa resenha, senão, a mesma ficaria incompreensível.

 

Recado dado, vamos lá.

 

Para quem já conhece, o filme é dividido em duas partes bem diferentes.

 

Na primeira, acompanhamos uma trama de crime digna dos filmes de Tarantino, com os irmãos, Seth e Richard Gecko, dois criminosos que espalham o terror pelo país e sequestram uma família, com o objetivo de fugir para o México. Na segunda parte, acompanhamos os personagens em um bar de strip-tease que se revela um antro de vampiros sugadores de sangue.

 

Passada essa introdução, vamos falar sobre o filme como um todo.

 

A começar pela direção de Robert Rodriguez, que é muito boa, e o diretor consegue conduzir as duas partes da trama com maestria, e ambas acertam em cheio.

 

A primeira parte, conforme mencionada acima, lembra muito os filmes de ação do diretor Tarantino, com a temática de sequestro e assalto a lojas e bancos, com ângulos de câmera e diálogos que poderiam ter saído diretamente de um filme de Tarantino, assim como as cenas violência.

 

Já a segunda parte, se transforma em um filme completamente diferente, com um ar de trasheira, com cenas de mortes exageradas e sangrentas ao extremo, com o sangue jorrando sem parar logo após a introdução dos vampiros, e os personagens lutando contra as criaturas com tudo que encontram no local, como tacos de bilhar e as pernas das mesas.

 

E o roteiro de Tarantino é muito bom em combinar essas duas partes, e faz tudo com maestria. Na primeira metade, tudo acontece aos poucos, com a dupla de irmãos se organizando para fugir do país, enquanto mantêm uma mulher como refém, mas as coisas não acabam bem, e os dois são obrigados a sequestrar uma família para ajudá-los a fugir.  No entanto, quando chegamos na segunda metade, o terror surge com tudo, com direito a corpos decepados e sangue jorrando com gosto; mas, após o massacre inicial, o roteiro novamente aposta no slow-burn, até desencadear para novos momentos de terror.

 

Os efeitos especiais foram criados pela KNB Effects Group, de Robert Kurtzman, Greg Nicotero, e Howard Berger, e eles não economizaram. Aqui tem de tudo, de membros falsos, passando por bonecos animatrônicos, e fantasias de monstros. Esqueça os vampiros clássicos. Aqui, temos vampiros monstruosos, com rostos deformados, e presas afiadas. Difícil dizer qual é o melhor, porque todos são muito bem feitos, e, convencem muito até hoje, assim como os efeitos de sangue.

 

Deixe-me falar um pouco mais sobre os vampiros. Além do visual monstruoso, eles são inspirados nos vampiros clássicos, e seguem algumas regras, como, por exemplo, são derrotados pela luz do sol; estacas de madeira no coração e cruzes também funcionam; e se transformam em morcegos. No entanto, o que os torna diferentes, é que eles podem ingerir outras bebidas, conforme mostrado quando somos apresentados ao bar Twittie-Twister – não vou usar a tradução aqui, para não criar polêmicas.

 

No início da resenha, eu mencionei que este foi o meu segundo filme de terror, porque eu o assisti quando era criança com a minha mãe. Até assisti-lo novamente, anos depois, eu me lembrava de algumas cenas, e sempre que o revejo, e as cenas aparecem, sinto um quentinho no coração. Por isso, este filme tem um lugar especial na minha vida.

 

Enfim, Um Drink no Inferno é um filme excelente. Um filme de ação e terror, contado com maestria pela dupla Quentin Tarantino e Robert Rodriguez, com um roteiro bem afiado e direção inspirada. Os efeitos especiais são o grande destaque, com tudo que tem direito, e a KNB cria vampiros verdadeiramente assustadores. Altamente recomendado.



sábado, 23 de julho de 2022

SEXTA-FEIRA 13 – PARTE 4 – CAPÍTULO FINAL (1984). Dir.: Joseph Zito.

 

NOTA: 8.5



Dois anos após ser derrotado em Sexta-Feira 13 – Parte 3, Jason está de volta na terceira continuação da franquia, ainda em sua melhor forma.

 

SEXTA-FEIRA 13 – PARTE 4 – CAPÍTULO FINAL é mais um dos melhores filmes da franquia, tudo graças, novamente, à estrutura, à direção e aos efeitos especiais.

 

Conforme mencionei nas resenhas anteriores, os primeiros filmes da franquia eram os melhores, graças à técnica, porque eram mais focados na tensão e no mistério do que nos assassinatos em si, além de contar com um bom tempo de tela antes das mortes acontecerem. E aqui não é diferente.

 

Dá para ver que Sexta-Feira 13 – Parte 4 foi realizado com os anteriores como inspiração, até porque nós temos aqui um “filme de verdade”, ao invés dos demais, que se transformaram em galhofas, após a Parte 6 – principalmente a Parte 9, um dos meus favoritos.

 

Vale lembrar que o filme foi lançado no auge dos Slashers, que naquela época já começava a dar sinais de desgaste, com alguns exemplares questionáveis – mas, que graças à Hora do Pesadelo, o gênero teve um respiro novo. Mas naquela época, o gênero não andava bem das pernas, e as coisas também não estavam bem em virtude do lançamento de Natal Sangrento (1984), que obteve um retorno super negativo, o que motivou a Paramount a lançar este aqui, temendo uma provável rejeição do público.

 

Polêmicas e confusões a parte, este aqui é um dos melhores, e tudo contribui para isso. A começar pela direção do experiente Joseph Zito, vindo do ótimo Quem Matou Rosemary? (1981), que trouxe o clima de tensão para esse filme, com suas tomadas em POV, além de cenas carregadas de tensão. Outro ponto, claro, são os efeitos especiais, criados pelo mestre Tom Savini, mas isso será discutido depois.

 

Outro ponto são os personagens, que aqui estão no auge do caricato e do exagero, pelo menos alguns deles. Temos aqui os mesmos jovens que vão para o lago unicamente para fazer sexo e usar drogas. Como de costume, temos aquela história do velho “quem transa, morre”, porque, conforme estabelecido no gênero, os jovens que fazem sexo, acabam morrendo. O mesmo vale para aqueles que usam drogas.

 


Além dos jovens caricatos, temos também a família Jarvis, que aqui apresenta o garotinho Tommy, que em breve se tornaria o grande inimigo do vilão. Aqui, interpretado por Corey Feldman – pré-Garotos Perdidos – o garoto é um dos melhores personagens do filme, com suas máscaras e truques de monstros – a maior parte dos brinquedos de Tommy eram parte do próprio acervo de Savini.


O melhor é, claro, são as mortes. Infelizmente, como todos os filmes da franquia, este aqui foi censurado pela MPAA, que acabou cortando boas cenas, mas que na minha opinião, são as melhores da franquia, novamente graças aos efeitos de Savini. Se não fosse por esses cortes, o filme seria bem melhor, na minha opinião.

 

Não dá para falar desse filme sem mencionar os efeitos de maquiagem. Aqui temos o retorno de Tom Savini à franquia, com seus truques maravilhosos com lâminas falsas e sangue vermelho-vivo. A melhor é a cena do cutelo, onde o vilão crava a lâmina no rosto do personagem de Crispin Glover pré-De Volta para o Futuro.

 

Antes de encerrar, vamos falar do vilão. Assim como nos anteriores, aqui temos um Jason ágil, que corre atrás de suas vítimas, com o ferimento do filme anterior na cabeça e unhas pretas. E novamente temos a presença do machete, mas o vilão não usa; pelo contrário, a arma é usada no final, quando Tommy acaba com ele. E no final, temos a revelação do rosto do vilão no final do filme, com efeitos especiais de Savini com a ajuda de Kevin Yagher – que teve o nome escrito errado nos créditos!

 

Sexta-Feira 13 – Capítulo Final estreou em 13/abr/1984 e obteve bons resultados de bilheteria. Assim como o anterior, foi distribuído pela Paramount, que possuía dos direitos da franquia, e foi distribuído no exterior, inclusive aqui no Brasil, pelo estúdio, ao contrário do que aconteceu com o primeiro. Foi lançado em VHS e DVD por aqui, mas atualmente está fora de catálogo. Lá fora, recentemente foi lançado em um box gigante em Blu-ray com todos os filmes da franquia; se tal box chegará aqui, talvez nunca saberemos.

 

Enfim, Sexta-Feira 13 – Parte 4 – Capítulo Final é um dos melhores da franquia. Um filme com uma construção de tensão e mistério dignos de nota, combinados com uma direção experiente de alguém que conhece o gênero, além de contar com personagens exagerados e divertidos. Os efeitos especiais de Tom Savini são o verdadeiro destaque, além do próprio vilão. Um ótimo filme. 



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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

SEXTA-FEIRA 13 (1980). Dir.: Sean S. Cunningham.

 

NOTA: 9



Não há a menor duvida que Halloween, A Noite do Terror (1978), de John Carpenter, é o maior e melhor exemplar do gênero Slasher, até porque ele foi o primeiro a introduzir as regras que hoje são obrigatórias no gênero: Não faça sexo; não use drogas; nunca diga “Eu voltarei”, entre outras, sendo a principal, a figura do assassino mascarado que não morre.

 

Pois bem, eis que dois anos depois, outro filme se tornaria um clássico do gênero: SEXTA-FEIRA 13, dirigido por Sean S. Cunningham, e responsável por apresentar um novo ícone do terror: Jason Voorhees, o assassino de Crystal Lake. Mas, vamos com calma. Na verdade, o personagem só daria as caras de fato no filme seguinte, lançado um ano depois. Aqui, o assassino é outra pessoa. Mas, vamos por partes.

 

A ideia para o projeto partiu do diretor Sean S. Cunningham, que até então, era diretor de filmes infantis e de esporte, que não foram bem de bilheteria; além disso, Cunningham também o produtor do ultra-violento Aniversário Macabro (1972), filme de estreia do saudoso Wes Craven. Como seus trabalhos anteriores não deram retorno nas bilheterias, o diretor resolveu investir em outro gênero, então optou por fazer um filme de terror. E o filme que o inspirou foi justamente do filme de John Carpenter.

 

Na verdade, conforme o diretor conta, ele não tinha nem ideia de como fazer um filme de terror, mas mesmo assim, pediu para que a Variety publicasse um anuncio que dizia: “Friday the 13th, The Most Horrifying Film Ever Made!”, sendo que a única coisa que era de fato concreta era o título, novamente inspirado na ideia de uma data comemorativa, a exemplo de Halloween. O próximo a embarcar foi o roteirista Victor Miller, que já trabalhara com o diretor anteriormente. Miller foi ao cinema assistir ao filme de Carpenter, e de lá já descobriu as “regras” para se montar um filme do gênero Slasher.

 

As demais historias de bastidores se divergem. Uma delas diz que o diretor tinha contato com membros da Máfia de Chicago, que o ajudaram a conseguir dinheiro para o filme; outra fala que o diretor teve a ideia para o filme após assistir ao filme Banho de Sangue (1971), do Maestro Mario Bava, que foi exibido em uma sessão dupla com Aniversário Macabro, com o bizarro título de Last House on the Left II, sendo que foi lançado um ano antes do filme de Wes Craven. Na verdade, existem fãs do gênero que dizem que Sexta-Feira 13 é idêntico ao filme de Bava. Eu pessoalmente não acho. Acredito, sim, que Cunningham deva ter se inspirado no filme de Bava, mas não tinha a intenção de copiá-lo quadro a quadro.

 

Bom, seja como for, o fato é que Sexta-Feira 13 é um grande exemplar do Slasher, e também um dos melhores filmes do gênero, a começar pelo próprio roteiro. O roteirista Victor Miller admite que foi inspirado pelo filme de John Carpenter, mas a própria narrativa é bem diferente. Uma coisa que os dois filmes têm em comum é a estrutura. Ambos são mais focados na atmosfera do que nos assassinatos, apostando mais no suspense, deixando o gore para depois. Conforme já disse varias vezes, é o tipo de filme que eu gosto muito, porque investe mais na construção do ambiente e dos personagens, do que nos assassinatos; e temos um grande intervalo entre eles, algo que infelizmente não funciona hoje em dia, com as plateias mais acostumadas com o gore e a violência chocante explicita.

 

E o suspense toma conta do filme do começo ao fim. O diretor e o roteirista não poupam o espectador de cenas angustiantes, que conseguem deixar qualquer um com vontade de roer as unhas ou pular da cadeira. Eu mesmo já vi o filme várias vezes e sempre fico nervoso nessas cenas, principalmente no final, quando o assassino é revelado e começa a caçar a ultima sobrevivente pelo acampamento. Se no filme de John Carpenter isso já funcionou bem, aqui também não é diferente.

 

A direção de Cunningham é segura e experiente. O diretor e o diretor de fotografia fazem um belo trabalho, e seus ângulos e tomadas do acampamento são muito bem feitos, principalmente quando adotam a câmera como POV do assassino. São realmente cenas bem filmadas e enquadradas, e bem editadas, principalmente à noite, quando o acampamento é tomado por uma tempestade. Novamente, é um exemplo de como os filmes de terror eram mais focados nesse aspecto, o da atmosfera.

 

No entanto, apesar de ter sido influenciando por Halloween, Sexta-Feira 13 é diferente em uma coisa: os efeitos especiais. Enquanto o filme de Carpenter não tinha quase nenhuma gota de sangue, aqui a coisa foi bem diferente. Aqui nós temos assassinatos sangrentos, com o gore jorrando na tela. E cada um consegue ser mais cruel que o outro. O responsável pelos efeitos especiais foi o mestre Tom Savini, que já possuía uma carreira no cinema de terror, sendo mais conhecido por ser o colaborador do saudoso George A. Romero nos seus filmes de zumbis. Savini havia trabalhado anteriormente em O Despertar dos Mortos, lançado dois anos antes, e já mostrara seu talento; e aqui não foi diferente. Os efeitos especiais de maquiagem são espetaculares e vão dos mais simples aos mais elaborados. Difícil dizer qual o melhor, mas os meus favoritos são o da fecha e do machado. Uma aula de maquiagem, tudo feito com efeitos práticos.

 

Conforme mencionei acima, a franquia Sexta-Feira 13 foi a responsável por introduzir o personagem Jason Voorhees na cultura pop, transformando-o no maior vilão do cinema Slasher de todos os tempos. No enranto, quem dá as facadas no primeiro Sexta-Feira 13 não é o Jason, e sim, sua mãe, Pamela Voorhees, motivada pela vingança por terem deixado seu filho se afogar no lago no passado. E a Sra. Voorhees, toca o terror, eliminando os jovens um por um com requintes de sadismo e crueldade. É uma personagem excelente, uma das melhores do gênero Slasher, e tudo se deve a interpretação da atriz Betsy Palmer, que na época já não era um rosto tão conhecido no cinema, e, segundo ela mesma diz, estava precisando de dinheiro; inclusive, quando leu o roteiro, a atriz detestou o projeto, mas acabou aceitando o papel.

 

Sexta-Feira 13 foi lançado em 1980, e tornou-se um sucesso de bilheteria. Tornou-se também o primeiro filme Slasher a ser distribuído por um grande estúdio, no caso, a Paramount Pictures, que foi a responsável pela distribuição nos Estados Unidos, enquanto que no exterior, inclusive no Brasil, o filme foi distribuído pela Warner Bros. O sucesso do filme foi o responsável pelo surgimento das sequencias, cujo primeiro filme saiu no ano seguinte. Atualmente, a franquia conta com mais de dez filmes, incluindo o crossover com Freddy Krueger em Freddy X Jason (2003). Há muito tempo, surgiram rumores de um novo filme, mas, devido a uma batalha de direitos, isso não foi possível, uma vez que não se sabe qual estúdio detêm os direitos da franquia, uma vez que em determinado momento, a Paramount largou a franquia. Se haverá um novo filme ou não, acredito que nunca saberemos.

 

Foi lançado em VHS e DVD no Brasil, mas atualmente está fora de catalogo.

 

Enfim, Sexta-Feira 13 é um filme assustador. Uma historia redonda, com uma trama de verdade, simples, mas que consegue assustar. Os efeitos especiais de Tom Savini são um dos destaques do filme. Um dos maiores Slashers de todos os tempos. Um dos Filmes Mais Assustadores de Todos os Tempos. Um Clássico dos Slashers. 







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