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sexta-feira, 28 de junho de 2024

O CHAMADO DE CTHULHU (H.P. Lovecraft).

 

NOTA: 10


O CHAMADO DE CTHULHU é o trabalho mais famoso de H.P. Lovecraft, e um de seus melhores, sem sombra de dúvida.

 

Para quem já conhece o trabalho do autor, Cthulhu deve ser a história que todos se lembram quando pensam em Lovecraft, principalmente porque é um texto excepcional, escrito de uma maneira única, e além disso, é uma trama absolutamente original, que originou aquilo que se tornou conhecido como “ Os Mitos de Cthulhu”.

 

O termo foi criado por um amigo de Lovecraft para designar uma série de histórias compartilhadas, tendo O Chamado como peça principal.

 

Na trama, um homem decide investigar a vida de seu tio após sua morte súbita. Ele então se depara com uma série de documentos que relatam acontecimentos estranhos ao redor do mundo, envolvendo um culto à uma criatura conhecida como Cthulhu. Ele então decide investigar por conta própria o que é esse culto, e acaba descobrindo coisas muito mais sinistras.

 

Parece ser uma trama simples, não é?

 

Mas, em se tratando de Lovecraft, há sempre algo a mais, porque o autor é conhecido por sempre dar um toque quase filosófico em suas obras, além de escrevê-las sempre com as suas características, ou seja, em primeira pessoa, sem muitos diálogos, e, o mais importante, nunca descrevendo a ameaça. Nos textos de Lovecraft, a ameaça é sempre indefinida, inominável.

 

Mas, em Cthulhu, o autor muda essa regra, e resolve descrever o seu monstro, e o faz de duas maneiras bem distintas. Na primeira, ele faz uma descrição rápida, apresentando detalhes da criatura; já na segunda, a descrição é bem mais profunda, com as formas sendo detalhadas para o leitor, e assim, facilitando a visualização.

 

Essa é uma das grandes características da narrativa lovecraftiana. O autor descreve seus monstros de maneira única, com detalhes pequenos, deixando tudo para o leitor imaginar como é aquela criatura. Lovecraft faz uso de muitos adjetivos para descrever suas criaturas, e não se enganem, isso não é um defeito.

 

No entanto, para quem não conhece as obras do autor, deve ser muito estranho ler qualquer texto dele, principalmente por causa de suas características e seu estilo, portanto, eu aconselho aqueles que estão curiosos para ler Lovecraft, começar por algumas histórias mais curtas e simples.

 

Mas, voltando a Cthulhu, este é um texto excelente, que faz o leitor mergulhar em sua trama de mistério, que parece se misturar com outros gêneros, como por exemplo, o de investigação policial, passando por história de antropologia, e por fim, chegando ao horror cósmico, gênero muito presente nas narrativas de Lovecraft.

 

O autor combina todos esses temas com maestria, e faz isso na medida certa, começando por uma trama de assassinato misterioso, até chegar ao ponto principal, que é a trama de horror cósmico, desencadeado pelo surgimento do Grande Cthulhu, que traz o caos e a loucura.

 


A trama de Cthulhu tem muito a ver também com a presença dos Antigos, entidades cósmicas, que, segundo o próprio autor, existem desde o início dos tempos e foram os responsáveis pela criação da vida, mas que agora, querem o seu lugar de direito no universo, e não se importam conosco. Lovecraft viria a explorar mais sobre os Antigos em seus textos posteriores, principalmente em Nas Montanhas da Loucura.

 


Além de explorar a questão dos Antigos, Lovecraft também explora aqui a questão do caos e da loucura, que seriam as consequências da vinda dos próprios Antigos à Terra.

 

Ao longo da narrativa, vamos acompanhando o narrador – algo bem comum nas narrativas de Lovecraft – em sua jornada para descobrir o que de fato aconteceu com seu tio nas ruas de Providence. À primeira vista, parece ter sido uma morte acidental, mas, conforme vamos lendo, acabamos descobrindo que o professor estava investigando detalhes a respeito de um culto à Cthulhu, que age principalmente no estado da Louisiana.

 

O narrador também que um inspetor da polícia estava investigando fenômenos estranhos, como pessoas tendo ataques de loucura em outros lugares do mundo, e tudo pode estar relacionado à uma estátua de argila que ele confiscou de um culto que testemunhou.

 

Além de uma trama de culto, e de horror cósmico, também temos uma trama de monstro marinho, visto que Cthulhu é uma entidade que vive em uma cidade misteriosa que foi varrida da Terra pelas ondas do mar e agora se encontra nas profundezas. Lovecraft nos conta que a cidade foi varrida para as profundezas, e que Cthulhu aguarda seu momento de despertar, e quando isso acontece, é o grande momento do conto, porque finalmente, podemos quem é o Grande Cthulhu, e quais são suas habilidades.

 

Eu também enxerguei um toque de trama de conspiração, porque o narrador fica intrigado e começa a suspeitar que seu tio foi na verdade, assassinado, porque sabia demais sobre o culto, e no fim, ele próprio acaba temendo por sua vida, pois acredita que os servos de Cthulhu virão busca-lo.

 

Eu já li esse conto algumas vezes, e sempre me impressionei, e, na última leitura, não foi diferente. É um conto muito bem escrito, sem dúvida.

 

Enfim, O Chamado de Cthulhu é um conto excelente. Uma narrativa intrigante, que chama a atenção do leitor aos poucos, e o convida a mergulhar em sua trama de conspiração, aliada ao terror cósmico característico de H.P. Lovecraft. Uma trama onde o mistério vai sendo apresentado lentamente, até chegar ao grande ápice. Lovecraft faz o leitor acompanhar o narrador ao longo de sua investigação, e o faz de forma brilhante, com os elementos aparecendo devagar, até não haver mais caminho de volta. Um conto excepcional, muito bem escrito, que mostra toda a capacidade de autor de H.P. Lovecraft. Altamente recomendado.


H.P. LOVECRAFT.


quinta-feira, 9 de maio de 2024

DAGON (H.P. Lovecraft).

 

NOTA: 9.5


DAGON é um dos contos mais conhecidos de H.P. Lovecraft.

 

Escrito e publicado no início de carreira do autor, já apresenta uma característica que se tornaria comum em sua bibliografia: a presença de criaturas marinhas ancestrais.

 

É um conto rápido, cuja leitura flui com naturalidade, e não cansa.

 

As descrições que Lovecraft faz do ambiente onde o protagonista está inserido – uma ilha inabitada – são o ponto alto da narrativa, porque fazem com que o leitor mergulhe naquele ambiente sinistro; além disso, a descrição do obelisco que o protagonista encontra na ilha também é muito boa, e fácil de visualizar.

 

Essa é uma das grandes características da obra de Lovecraft; a descrição do ambiente – ou personagem – fica bem melhor no papel, porque, assim, nós podemos dar a imagem que quisermos. Claro, às vezes isso não funciona muito, como foi no caso da leitura de A Sombra Vinda do Tempo, mas, por exemplo, em Cthulhu, isso não atrapalha; e aqui não atrapalhou também, principalmente no final.

 

O fato é que Lovecraft era um escritor de mão cheia, e sabia muito bem apresentar o terror quando achava necessário, utilizando técnicas impares, e aqui não é diferente.

 

O autor passa boa parte da narrativa preparando o terreno, descrevendo o dia-a-dia do protagonista na ilha inabitada, sua rotina pelo local, até que finalmente, ele encontra o obelisco ancestral, e se vê frente à frente com uma criatura tão antiga quanto o próprio homem.

 

Além disso, Lovecraft faz uso de Mitologia, uma vez que seu monstro é inspirado no deus-peixe dos Filisteus. Eu achava que Dagon era uma criação do autor, mas, de acordo com a nota de rodapé presente na edição da DarkSide Books, Dagon faz parte da cultura dos Filisteus. Agora, eu, pessoalmente, quando penso em Dagon, penso nesse conto de Lovecraft.

 

Enfim, Dagon é um conto excelente. Uma narrativa rápida, mas brilhante, escrita com o toque ímpar de Lovecraft, apresentando algumas características que se tornariam clássicas em sua obra. Um conto muito bem escrito, inspirado em Mitologia, além de servir como uma espécie de precursor de seu trabalho mais famoso. Um conto excelente.


H.P. LOVECRAFT

 

sábado, 21 de novembro de 2020

HÄXAN, A FEITIÇARIA ATRAVÉS DOS TEMPOS (1922). Dir.: Benjamin Christensen.

 

NOTA: 10



Filmes sobre a Caça às Bruxas não são fáceis de assistir, e o principal motivo são as cenas de tortura e execução. Pois bem, não sei qual o primeiro filme a retratar esse período vergonhoso da historia da Humanidade, mas, sem dúvida, HÄXAN, A FEITIÇARIA ATRAVÉS DOS TEMPOS (1922) é um dos melhores e mais assustadores, mesmo quase cem anos após seu lançamento.

 

Não se engane. Mesmo depois de tanto tempo, o filme continua relevante e atual, e principalmente, muito assustador. Häxan é um filme profano até a medula, com suas imagens perturbadoras e chocantes, até para os padrões atuais.

 

O diretor Benjamin Christensen teve como base o polêmico O Martelo das Feiticeiras (Malleus Maleficarum), o mais famoso livro sobre Caça às Bruxas da História, publicado no século XV, que se tornou uma espécie de guia para a Inquisição durante a época. Pois bem, segundo informações, o diretor mostrou interesse em fazer um filme sobre o livro, ainda em 1919, e pelos dois anos seguintes, estudou o tema a fundo. A pós-produção levou um ano para ser concluída, enquanto a fotografia principal levou cerca de oito meses. Como resultado, o filme tornou-se o longa europeu mais caro do cinema mudo.

 

Como mostrado já nos letreiros de abertura, o filme é divido em sete capítulos. No primeiro capitulo, somos apresentados a uma espécie de documentário, mostrando a representação do Demônio e das bruxas durante a Idade Média, usando como imagens, as clássicas ilustrações da época. Nos capítulos seguintes, o filme apresenta uma espécie de recriação da época medieval, como se fosse uma espécie de antologia. O mais pesado fica para os capítulos 4 até o capitulo 6, onde o diretor relata como foi a época da Inqusição, mostrando sem pudores o julgamento e tortura de uma velha senhora, acusada de bruxaria. E no ultimo capitulo, o filme nos leva até a Era Moderna, no caso, o começo da década de 20, onde o avanço da Ciência tenta nos dar uma explicação racional para o que na Idade Média era considerado como manifestações do Demônio, como por exemplo, doenças mentais e deformidades.

 

Do começo ao fim, Häxan é uma obra importante para os fãs de cinema. No quesito técnico, apresenta grandes cenas com efeitos especiais, como por exemplo, projeções, animação stop-motion e maquiagem. São cenas muito boas, e até hoje não deixam de ser impressionantes, pelo menos para mim. Difícil destacar uma cena especifica, porque são todas muito bem feitas, principalmente a maquiagem das criaturas, mais detalhes adiante.

 

Além de fazer uso de efeitos especiais dignos de nota, o diretor também não mostra pudor ao retratar a realidade, principalmente nas cenas históricas. Não espere pessoas com maquiagem para simular a sujeira e a velhice; não, aqui é tudo mostrado na cara dura: imperfeições, dentes faltando, sujeira, tudo que tem direito. E além disso, o diretor também faz questão de mostrar até mesmo cenas de nudez, mesmo que maneira quase imperceptível, e também, sacrifícios humanos e rituais satânicos com realismo impressionante.

 

Como mencionado acima, a maquiagem é um dos destaques. Os demônios e as criaturas são retratados de maneira quase que realista, principalmente o próprio Satã, interpretado pelo próprio diretor. Não me lembro de ter visto uma caracterização tão profana quanto a mostrada aqui, nem mesmo em outros filmes que falam sobre o assunto. A maquiagem é tão perfeita que faz pensar que aquelas criaturas são reais, o que aumenta o grau de realismo.

 

E a melhor sequência do filme, sem dúvida, é a sequência da Missa Negra dentro da floresta. Tem de tudo: profanação, sacrifícios, nudez, adoração à Satã... Tudo feito de uma maneira impressionante, que, novamente, beira ao realismo. É de fato uma sequência perturbadora e quase desconfortável, principalmente por conta das imagens de profanação e adoração à Satã, mas também não deixa de ser impactante e digna de nota, por conta da maneira como foi dirigida e montada. Uma sequência arrepiante e digna de pesadelos.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Obras-Primas do Cinema, em versão restaurada, com três opções de áudio e muitos extras. Lá fora, recebeu uma nova restauração em 4k em Blu-Ray pela Criterion; anteriormente, foi lançado em DVD no Brasil pela Magnus Opus; e além disso, como está em domínio publico, pode ser encontrado no YouTube sem dificuldades.

 

Enfim, Häxan, A Feitiçaria Através dos Tempos é um filme excelente. Uma obra verdadeiramente assustadora, com imagens e cenas dignas de pesadelos. Um filme muito bem feito, e que até hoje, impressiona, por conta de seus efeitos especiais e cenas antológicas. O diretor Benjamin Christensen faz um relato histórico detalhado e impressionante da época medieval, passando pela Inquisição, e mostrando, sem pudor, cenas de tortura, violência, nudez e profanação. Sem dúvida, uma obra profana até a medula, mas não menos impressionante e atual. Um dos filmes de terror mais assustadores de todos os tempos. Perturbador. Arrepiante. Macabro. Excelente. Altamente recomendado.

 


Créditos: Obras-Primas do Cinema



Agradecimentos:

Canal Boca do Inferno.com.br


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segunda-feira, 2 de novembro de 2020

NOSFERATU (1922). Dir.: F.W. Murnau.

 

NOTA: 10



Desde que sua publicação, no final do século XIX, Drácula, do autor Bram Stoker, tornou-se um sucesso. Na virada do século XX, a obra passou a ser adaptada para o cinema, por vários cineastas, ao longo dos anos. Foram mais de 200 adaptações, entre elas, clássicos absolutos, produções medianas, produções trash e grandes bombas. A primeira adaptação surgiu em 1920, em um filme húngaro chamado A Morte de Drácula. Infelizmente, não sabemos quase nada a respeito desse filme, porque ele foi perdido. Então, eis que, em 1922, surgiu aquela que é considerada a primeira adaptação oficial do livro de Bram Stoker: NOSFERATU, dirigido por F.W. Murnau. 

 

Nosferatu é um Clássico do Cinema, não apenas do cinema de horror. É um dos filmes mais assustadores de todos os tempos, e até hoje, mantém o seu poder de causar calafrios no espectador. Lançado no auge do Expressionismo Alemão, o filme é um dos maiores representantes do movimento; o maior ainda é O Gabinete do Dr. Caligari, lançado dois anos antes. O Expressionismo Alemão foi um estilo de cinema que surgiu nos anos 20, cuja maior caraterística eram as imagens distorcidas, geralmente de personagens e cenários, graças ao uso de recursos cinematográficos e maquiagem. Além do filme de Murnau e de Caligari, o movimento teve outros grandes exemplares, como Metrópolis (1927), de Fritz Lang, considerado um marco no cinema de ficção cientifica.

 

Mas não é apenas seu papel no movimento que faz de Nosferatu uma obra atemporal. Ele também foi o responsável pela introdução do cinema de terror gótico, apresentando algumas das características que se tornariam marcas no gênero, como por exemplo, portas que se abrem sozinhas, o castelo no alto da colina, a própria ambientação, com teias de aranha, e cortinas esvoaçantes. Tudo o que conhecemos do terror, pode-se dizer que surgiu com o filme de Murnau, apesar de eu não ter 100% de certeza a respeito disso.

 

Bom, o fato é que o filme é, sim, muito assustador. Desde o momento em que o Conde Orlok, interpreto por Max Schreck, surge, já sentimos um calafrio na espinha, principalmente por causa de sua aparência – mais sobre isso adiante. E o terror não para. Vale lembrar que o filme foi lançado numa época em que o cinema de terror era mais artístico, com toques belos, que conseguiam assustar, muito diferente do que vemos atualmente. Nosferatu é um exemplo. Não há dúvida que o filme é belíssimo. A fotografia é um dos principais fatores, e deu ao filme um ar de mistério e fantasia, que passou a ser copiado por diversos cineastas nas décadas seguintes.

 

A direção de Murnau é excelente. O diretor conseguiu criar cenas belíssimas com os recursos que tinha à disposição, e, praticamente com uma única câmera, devido a questões de orçamento. Graças a isso, o filme é repleto de cenas memoráveis, desde o começo, quando Hutter e sua esposa se abraçam apaixonadamente, passando pelas cenas no castelo, a cena na praia, e a famosa cena das sombras de Orlok nas escadas.

 

E o medo está presente, principalmente após a chegada do vampiro a Wisborg. Não sabemos o que ele vai fazer, mas ficamos apreensivos, e não conseguimos tirar os olhos da tela. Tudo isso acompanhado às cenas da esposa de Hutter angustiada, esperando que o marido volte para casa. E a coisa fica ainda pior, uma vez que a chegada do vampiro é acompanhada pela chegada da Peste, o que obriga dos cidadãos a ficarem trancados em casa. Ou seja, não há escapatória. O vampiro é imbatível e está disposto a dizimar a população da cidade. Uma coisa realmente assustadora.

 

Além da fotografia, o filme também foi inovador pelo fato de ser o primeiro filme rodado em locação. O filme teve locações na Alemanha, principalmente na cidade de Wismar, além de locações em Lauenburg, Rostock e em Sylt. Outras locações foram nos próprios Montes Cárpatos, principalmente no Castelo de Orava, e também em Tatras Altos, na fronteira entre a Eslováquia e a Polônia. De todas essas locações, a mais impressionante é o Castelo de Orava, que serviu de cenário para o castelo do conde. Realmente, o lugar dá a impressão de ser um castelo assombrado, com suas janelas enormes e portas que se abrem sozinhas. Espetacular. 

 

Porém, o melhor fica para o Conde Orlok. Sua caracterização é absolutamente aterrorizante: o vampiro é alto, magro, veste-se todo de preto, careca, com orelhas e unhas pontudas e dentes frontais afiados. É uma figura digna de pesadelos. Segundo informações, Orlok é o mais próximo da ideia original que Bram Stoker tinha de Drácula; ao contrário do conde charmoso e aristocrático, ele seria repulsivo e nada atraente. Como ainda não li o livro, não posso dizer se tal afirmação está correta, mas concordo com ela.

 

Provavelmente, Nosferatu é conhecido também por sua história de bastidores problemática. O que aconteceu foi que os realizadores, e principalmente o estúdio, a Prana-Films, não consultaram a família de Stoker para comprar os direitos de adaptação, talvez porque não sabiam, ou então, não se preocuparam. O fato é que a viúva do autor ficou furiosa com todos os envolvidos, e mesmo com as alterações nos nomes dos personagens, ela ordenou que as copias do filme fossem destruídas. Felizmente, antes disso, algumas copias conseguiram ser levadas para fora da Alemanha, o que possibilitou a exibição do filme fora do país. Ainda bem, porque senão, o filme entraria para a lista de filmes perdidos, o que seria uma lástima, porque, queira ou não, o filme é um registro histórico. Hoje em dia, é considerado um dos filmes mais importantes da Alemanha, e um marco do Expressionismo Alemão, e o filme mais famoso de Murnau.

 

Outra história de bastidores, aliás, uma lenda de bastidores, é a de o ator Max Schreck era, de fato, um vampiro. Não sei de onde tal boato surgiu, mas talvez tenha relação com seu sobrenome, que em alemão significa “Medo” ou “Terror”. Seja como for, o fato é que esse boato ficou conhecido por muito tempo. Outra história de bastidores que surgiu é a de o produtor, Albin Grau, estava envolvido com ocultismo, e, inclusive, existe a historia de que símbolos ocultistas estejam presentes na carta que Knock recebe do Conde; e outra história de bastidores, envolve o provável envolvimento da produtora Prana-Films com o Nazismo, e inclusive, o próprio filme foi considerado como parte da propaganda antissemita. Se todos são verdade, talvez nunca saibamos.

 

Mesmo quase 100 anos desde seu lançamento, o filme se mantem muito forte, tendo influenciado uma série de outros filmes do gênero, e também diversos cineastas, como por exemplo, o diretor Tim Burton, fã declarado do Expressionismo Alemão, que homenageou o movimento, e o filme em Batman, o Retorno, com o vilão Max Schreck, interpretado por Christopher Walken.

 

Em 1979, ganhou um excelente remake dirigido por Werner Herzog, e estrelado por Klaus Kinski, Isabelle Adjani e Bruno Ganz.

 

Teve seus bastidores retratados no excelente A Sombra do Vampiro (2000), dirigido por E. Elias Merhige, e estrelado por John Malkovich, no papel de Murnau, Willem Dafoe, no papel de Schreck, e Udo Kier, como o produtor Albin Grau. Apesar de focar nos bastidores da produção, o filme é uma obra de ficção, principalmente porque faz uso da lenda de que Schreck era um vampiro de verdade. Mesmo assim, é altamente recomendado.

 

Foi lançado em DVD por aqui pela Versátil Home Vídeo, primeiro na coleção Vampiros no Cinema, e depois na caixa Nosferatu – Edição Definitiva Limitada, juntamente com o excelente remake de 1979.


Enfim, Nosferatu é um Clássico do Cinema. Um filme verdadeiramente assustador, que ainda mantém seu impacto, quase 100 anos após seu lançamento. Uma história arrepiante, repleta de características que se tornariam parte do cinema de terror gótico, e que consegue assustar e provocar calafrios sem o menor esforço. A direção de F.W. Munrau torna o filme ainda mais belo e impressionante, com luzes e sombras distorcidas. A atuação de Max Schreck é o grande ponto do filme, e o ator dá vida a um personagem arrepiante, diabólico e repulsivo. A primeira adaptação registrada do clássico de Bram Stoker. Um marco do Expressionismo Alemão, e um dos Filmes Mais Assustadores da História. Obrigatório para fãs de cinema. Altamente recomendado. 



Créditos: Versátil Home Vídeo 


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segunda-feira, 18 de março de 2019

AR FRIO (H.P. Lovecraft).


NOTA: 9


AR FRIO
AR FRIO é um conto fantástico. Uma historia de horror com toques ficção cientifica e mistério.

Escrito por Lovecraft no final dos anos 20, é um de seus melhores trabalhos, e um dos mais arrepiantes. Em poucas paginas, o autor cria uma trama simples, mas repleta de enigmas, que são revelados aos poucos, e de forma chocante.

O que também torna este um texto incrível é que, de certa forma, ele consegue fazer com que o leitor entre naquele lugar junto com o personagem principal – e narrador – e descobrir o que esconde o doutor que está hospedado no andar superior. E a medida que o mistério vai se desenrolando, logo percebemos que o protagonista não deveria ter feito aquilo, mas, infelizmente é tarde demais. De algum modo, ele torna-se cumplice do medico, não apenas no que diz respeito a sua estranha doença, mas também no que vem em seguida, quando a maquina que ele mantem em seu quarto – cujo proposito é macabro – começa a apresentar defeitos. Então, a partir daí, é possível perceber que não há saída.

Durante o tempo em que produziu o texto, Lovecraft passou parte de sua vida em Nova York, acompanhando sua esposa. Conforme relatou, foi uma terrível experiência, uma vez que estava fora de casa, e ajudou a intensificar seus medos, que ele transferiu para o papel, tanto aqui como em Ele, talvez o trabalho que mais reflete seu período na Grande Maçã.

Enfim, Ar Frio é excelente. Contém elementos de horror, talvez, um certo clima de investigação, e principalmente, de ficção cientifica. E tudo isso foi combinado de forma majestosa, culminando num final chocante.

Em 1993, recebeu uma adaptação no filme Necronomicon – O Livro Proibido dos Mortos, excelente antologia baseada nos textos do autor.

Um dos melhores trabalhos de H.P. Lovecraft.



H.P. LOVECRAFT






domingo, 17 de março de 2019

OS RATOS NAS PAREDES (H.P. Lovecraft).


NOTA: 9.5


OS RATOS NAS PAREDES
Escrito por Lovecraft nos anos 20, OS RATOS NAS PAREDES é um dos seus melhores trabalhos, e talvez um dos mais conhecidos fora do Ciclo dos Mitos de Cthulhu, ao lado de A Tumba e Herbert West Reanimator.

Com uma narrativa repleta de tensão e suspense, Lovecraft tem aqui uma historia sufocante, construída aos poucos, mas que consegue prender a atenção e provocar arrepios.
Considerado como uma rara excursão do autor ao terror gótico, Ratos pode, sim, ser considerado como tal, uma vez que apresenta elementos presentes nesse tipo de texto: a família com segredos, a atmosfera e a arquitetura do local da narrativa.

O que também o torna um texto surpreendente é a forma como é construído. Ao invés de revelar logo de cara o terror, Lovecraft primeiro nos leva ao passado da família De La Poer, uma família antiga, cercada de mistérios e segredos obscuros. Nos primeiros parágrafos, o personagem principal narra a historia de seus ancestrais, e não é uma historia boa: assassinatos, loucura, ligações com seres pagãos... Enfim, uma família repleta de esqueletos nos armários. Mas, mesmo sabendo da historia, o protagonista mostra-se determinado a residir no castelo da família, após restaurá-lo. Porém, quase que imediatamente após sua chegada, seus gatos, em especial seu gato preto Nigger-Man, começam a se comportar de forma estranha, o que leva-o a investigar o que está acontecendo. A partir daí, Lovecraft leva seu protagonista ao inferno, de uma certa forma.

As cenas dentro do castelo são aterrorizantes, escritas com riqueza de detalhes, principalmente nos momentos finais da historia. Juro. Confesso que me imaginei naquele lugar junto com os personagens, o que de certa forma, aumentou minha sensação de claustrofobia. De fato, é possível sentir claustrofobia durante a leitura. E o final, é de cair o queixo.

Enfim, OS RATOS NAS PAREDES é um dos melhores textos de H.P. Lovecraft. Uma trama de terror genuína, com todos os elementos necessários para criar medo no leitor.


Um texto brilhante e assustador. Excelente.



H.P. LOVECRAFT

    A TUMBA (H.P. Lovecraft)


    Esta resenha corresponde ao texto publicado na primeira e na segunda edição de "Grandes Contos de H.P. Lovecraft", lançado pela Editora Martin Claret. Ambas as edições apresentam o mesmo conteúdo. 


    NOTA: 9.5


    A TUMBA
    Escrito no inicio de carreira de Lovecraft, A TUMBA é talvez um de seus trabalhos mais conhecidos.

    Uma historia arrepiante de fantasmas e horror psicológico, repleta de elementos do terror gótico.

    A historia é narrada por Jervas Dudley, membro de uma família aristocrática da Nova Inglaterra que acaba descobrindo uma tumba misteriosa. Movido por forças desconhecidas, e, possivelmente, sobrenaturais, Dudley sente um desejo quase incontrolável de adentrar no local e descobrir o que há lá dentro. Dentre suas pesquisas sobre o local, ele descobre que a tumba é do descendente de uma família abastada já inexistente. Porém, a medida que seu desejo de adentrar na tumba aumenta, ele acaba fazendo uma descoberta arrepiante sobre si mesmo e sobre a tumba.

    O texto de Lovecraft é ágil, de fácil compreensão, e repleto de elementos associados ao terror gótico. Sua descrição da cripta onde a tumba está localizada é fascinante, e, durante a leitura, eu me imaginei dentro daquele lugar escuro, úmido e assustador. A descrição da tumba do falecido descendente da família abastada é fascinante, e, com certeza, me fez lembrar dos elementos que eu associo ao terror, em especial crânios e ossos humanos.

    O restante da historia também é de uma qualidade impar, quase sempre focada no interior da cripta e na obsessão de seu protagonista em descobrir o que há lá; e de certa forma, o leitor também junta-se a ele nessa expedição ao sobrenatural. Falando em sobrenatural, A Tumba pode ser considerada uma historia de fantasmas, mesmo que sem a presença de um. Como já mencionei, a própria ambientação lembra muito o cenário de uma historia de fantasmas, principalmente as historias de casas mal-assombradas.

    Em suas poucas páginas, Lovecraft nos conta uma historia arrepiante, cheia de mistério, sensações estranhas e surpresas de cair o queixo.

    A Tumba é um conto fascinante, perfeito para uma noite de chuva.


    Maravilhoso. Simples. Assustador. Um pequeno clássico de H.P. Lovecraft.


    H.P. LOVECRAFT

    sexta-feira, 15 de março de 2019

    HERBERT WEST REANIMATOR (H.P. Lovecraft).


    NOTA: 10


    HERBERT WEST REANIMATOR
    A leitura de HERBERT WEST REANIMATOR foi uma experiência surreal, no mínimo.

    O texto de Lovecraft é fascinante. Um conto de horror e sangue, apavorante, com diversos momentos chocantes, de tensão e medo.

    A historia de Herbert West é a melhor que eu já li até agora. O motivo da leitura foi principalmente uma homenagem a Lovecraft, que fez aniversario em agosto. Inicialmente, minha intenção era ler O Chamado de Cthulhu ou Dagon, que também são seus textos mais famosos. Porém, como eu ainda não havia lido Reanimator, acabei optando por ele. E vejo que não me arrependi. Desde a primeira linha, Lovecraft deixa claro que algo de muito sinistro aconteceu ao personagem-título, conforme narrado – em primeira pessoa – por seu colega de faculdade e profissão.

    Basicamente, todos os seis capítulos do conto nos dizem que é o Dr. West, e qual seu objetivo – no caso, a reanimação de cadáveres frescos com o auxilio de um soro que ele mesmo desenvolveu. Talvez para os mais exigentes, essa repetição seja maçante, mas para mim não foi, uma vez que optei por ler um capítulo por dia – mais detalhes adiante.

    Talvez a única coisa que eu sabia a respeito do texto é que seus capítulos são concluídos de forma chocante e violenta, fato esse que comprovei durante a leitura. Porem, o que mais me chocou não foi a violência, e sim, a forma com que Lovecraft se refere a uma das “cobaias” de Herbert West. Talvez não seja surpresa para ninguém que o autor era racista, antissemita e xenofóbico, e aqui ele faz uso de suas opiniões da forma mais sincera e, honestamente, assustadora possível. Em relação a isso, o autor já foi alvo de algumas polemicas, mas, temos que levar em consideração que ele era produto de outra época...

    Em relação à leitura, conforme mencionei acima, optei por ler um capitulo por dia. Não sei como aqueles que já leram essa historia o fizeram, mas, devo dizer que esse método foi o melhor para mim, porque assim, eu descobriria o que West fez no dia seguinte, o que aumentou ainda mais o suspense, na minha opinião.

    E sobre o final, não vou entregar spoilers, mas, digo o seguinte: Lovecraft guardou o melhor para o final, sem duvida, e deu ao conto uma conclusão de cair o queijo e talvez, embrulhar o estomago.

    Em 1985, o conto ganhou uma excelente adaptação para o cinema, Re-Animator: A Hora dos Mortos-Vivos, dirigida por Stuart Gordon e estrelada por Jeffrey Combs no papel de Herbert West. Não há duvidas de que o ator ficou perfeito no papel, mas, lendo o conto original, fica mais fácil de entender o porquê.

    Enfim, ler Herbert West Reanimator foi uma experiência surreal, no mínimo. É um conto fascinante, uma visceral história de horror e um Clássico de H.P. Lovecraft, o homem que definiu o terror moderno.

    Maravilhoso!




    AVISO.

      O LIVROS & FILMES DE HORROR está em recesso. Obrigado.