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sexta-feira, 18 de outubro de 2024

HALLOWEEN 4 – O RETORNO DE MICHAEL MYERS (1988). Dir.: Dwight H. Little.

 

NOTA: 6


Dez anos após sua primeira aparição, Michael Myers está de volta em HALLOWEEN 4 – O RETORNO DE MICHAEL MYERS.

 

E chegamos a Halloween 4, o filme que retoma a linha do tempo que terminou em Halloween II, e que dá início à polêmica Trilogia de Thorn, que, na opinião de muitos críticos, destruiu a mitologia da franquia, além de não fazer muito sentido.

 

Além disso, esse filme também não se iguala ao primeiro, e nem ao segundo em questões técnicas e de roteiro, mas, mais detalhes sobre isso mais para frente.

 

Primeiro, vamos começar dizendo como essa sequência ganhou a luz do dia.

 

Depois da recepção fria do filme anterior, o produtor Moustapha Akkad queria retomar as raízes da franquia, ou seja, queria trazer Michael de volta. Sendo assim, ele chamou os criadores, John Carpenter e Debra Hill, para escreverem o roteiro, mas, a ideia deles se distanciou muito do que Akkad tinha em mente.

 

Segundo informações da internet, e de um livro que fala sobre as ideias rejeitadas de continuações para a franquia, o roteiro de Carpenter e Hill focava nas consequências do massacre de 1978, com a cidade de Haddonfield abandonando o Halloween, e com uma nova onda de assassinatos acontecendo, o que despertaria a possibilidade de que um novo Michael Myers estaria surgindo.

 

No entanto, a Akkad não gostou da proposta e rejeitou o roteiro, o que levou Carpenter e Hill a abandonarem a franquia, e Akkad a adquirir os direitos. Então, um novo roteirista foi contratado, e, segundo informações, ele teve de agir rápido, porque, naquele ano, uma greve de roteiristas estava prestes a estourar. O roteirista conseguiu finalizar o trabalho em alguns dias, mas não havia tempo para revisões e reescritas, o que prejudicou o resultado.

 

O diretor Dwight H. Little também não tinha muita experiência no cinema, e teve que trabalhar num ritmo acelerado para concluir o filme a tempo para o lançamento. Posso dizer que ele fez um trabalho decente, apesar de cometer alguns erros, principalmente na hora de montar o filme.

 

Assim como o primeiro, Halloween 4 foi rodado na primavera, o que levou os realizadores a se virar para encontrar folhas secas e abóboras para decorar os cenários.  Levando em conta o tempo que tiveram, eu diria que eles conseguiram se virar muito bem.

 

Na trama, Michael passa dez anos em um hospital, e será transferido para Smith’s Grove. No entanto, ele consegue matar os paramédicos e parte de volta para Haddonfield, com o intuito de matar sua sobrinha. Sabendo que Michael está à solta novamente, o Dr. Loomis decide ir à caça do assassino.

 

Passado esse resumo da trama, vamos falar sobre o filme em si.

 

Halloween 4 é um filme que tenta seguir a fórmula criada por Carpenter, além de tentar seguir também a fórmula dos slashers que estavam em vigor na época. Mas, além disso, ele se esforça para ser uma continuação, visto que apresenta novos personagens e situações que não estavam presentes nos filmes anteriores.

 

Eu vou sincero aqui e dizer que até gosto dos personagens novos, e eles funcionam bem no filme, principalmente a garotinha Jamie Lloyd, a filha de Laurie Strode, que, segundo a trama, morreu em um acidente automobilístico, o que levou Jamie a ser adotada por outra família.

 

A família de Jamie convence bem, e os atores não fazem feio em suas performances, assim como boa parte do elenco. A irmã mais velha, Rachel, se apresenta como uma possível final-girl certinha, que cuida da irmã mais nova e a leva para pedir doces no Halloween.

 

O mesmo pode ser dito a respeito dos outros jovens que compõem o elenco, o namorado de Rachel, e a filha do novo xerife, eles cumprem bem seus papéis.

 

No entanto, isso não livra o filme de muitos erros, principalmente no roteiro. Como eu disse acima, o roteiro foi escrito em poucos dias antes da greve, portanto, não foi possível fazer uma revisão, ou reescrevê-lo, o que leva o filme a apresentar situações absurdas, que não fazem sentido, em sua maioria.

 

A principal delas, para mim, é quando um dos homens do xerife informa a ele que descobriu que os demais policiais foram massacrados na delegacia. Isso não faz o menor sentido, visto que há repórteres na cidade, e também ocorreu um blackout. Como ele descobriu isso, então? Porque deve ter ouvido os linchadores comentando entre si? Como, se ele ficou na casa de Jamie o tempo todo? Eu não engulo essa cena.

 

Outro erro está na sequência final na caminhonete. De acordo com a cena, Michael surge por trás do veículo e mata todos os homens. Mas, como ele apareceu lá, se, na cena anterior, ele foi derrubado por um extintor de incêndio na escola? Em momento nenhum, ele é visto saindo da escola e se escondendo debaixo do veículo. Eu não sei como essa cena faz sentido.

 

Além disso, a montagem às vezes também parece não fazer sentido, principalmente na sequência de perseguição na escola, porque, parece que Michael está em vários lugares do prédio ao mesmo tempo, o que deixa a sequência mais confusa, e parece que a geografia do prédio é confusa.

 

Quando eu era mais novo, eu admito que não dava importância para esses problemas, mas, conforme fui ficando mais velho, com um certo senso crítico, fui percebendo o quão bagunçado é esse filme.

 

Outro problema apresentado por alguns críticos, é o visual do vilão. Após sua fuga, fica claro que Michael roubou o macacão de um mecânico, mas o problema é o visual de sua máscara. É mostrado que Michael a rouba de uma loja de fantasias, mas, ela não lembra em nada a máscara original, sendo aparentemente lisa, contando com os olhos negros e expressão facial neutra. Aliás, essa questão da máscara ficaria mal resolvida ao longo das demais continuações.

 

As cenas de morte também não são muito inspiradas; para falar a verdade, eu diria que elas aparentam terem sido censuradas pela MPAA, o que as deixou incompletas. Mas isso não as impediu de apresentar problemas, em especial, a cena em que a filha do xerife é empalada na parede por uma espingarda. Essa é mais uma cena que não faz o menor sentido, além de não ser nem um pouco prática e inverossímil.

 

E claro, não podemos deixar que falar do maior problema do filme – e das duas sequências –, que é a presença do Dr. Loomis. Conforme vimos em Halloween II, ele provoca uma explosão no hospital que deixa Michael incapacitado, e que, na teoria, deveria matá-lo. O fato de Michael sobreviver à explosão pode até ser perdoado, mas Loomis sobreviver e ficar com uma cicatriz minúscula no rosto e nas mãos também não é verossímil. Se foi uma condição imposta por Moustapha Akkad, mostra que realmente ele não estava interessando em coerências.

 

E a derrota de Michael deixa evidente que o fato dele ter sobrevivido em Halloween 5 também não faz sentido, principalmente por causa do local onde ele foi derrotado.

 

No entanto, apesar dos erros, Halloween 4 tem seus bons momentos, como boas cenas de suspense, além de contar com uma boa cena de ação na caminhonete, e uma ótima sequência de créditos iniciais, e uma boa trilha sonora.

 

Enfim, Halloween 4 é um filme bom. Uma continuação decente para a franquia Halloween, que traz seu principal personagem de volta, além de fazer adições razoáveis ao elenco. Um filme que contêm muitos erros, principalmente no roteiro, mas eles são compensados pela trilha sonora e por um elenco que atua bem.



 

segunda-feira, 17 de outubro de 2022

HALLOWEEN ENDS (2022). Dir.: David Gordon Green.

 

NOTA: 9



O que os fãs queriam? Acho que essa é a pergunta a se fazer após assistir HALLOWEEN ENDS, a conclusão da trilogia iniciada com o maravilhoso reboot da franquia, em 2018. Eu mesmo não sabia o que esperar, a não ser o combate final entre os protagonistas, mas fora isso, não tinha a menor ideia. Tanto que não liguei para nada do que falaram e fui ao cinema conferir por mim mesmo.

 

Pois bem, eu não sei o que os fãs queriam, mas, com certeza, irão se surpreender – para o bem ou para o mal – após assistirem ao filme, porque, é de fato, aquilo que todos nós esperávamos, mas com algumas ideias novas também.

 

Para começar, eu devo dizer que Halloween Ends presta agora a sua homenagem à Halloween 4, ou melhor, ao que o filme deveria ter sido, quando foi concebido por John Carpenter em 1988. A ideia original de Carpenter, era fazer um filme completamente diferente do que acabou saindo, com uma historia focada em uma Haddonfield traumatizada pelos eventos dos dois primeiros filmes, então, não haveria comemoração de Halloween, mas logo, novos assassinatos aconteceriam, e um novo Michael Myers surgiria. Uma ideia muito boa, certo? De fato, mas, infelizmente, como sabemos, ela foi descartada pelo produtor Moustapha Akkad, como resultado, tivemos um Halloween 4 completamente diferente.

 

Pois bem, agora, parece que o diretor David Gordon Green e os produtores da Blumhouse decidiram ouvir Carpenter – parcialmente – e pegaram a ideia de uma Haddonfield traumatizada pelos eventos da noite de Halloween de 2018, e a transformaram em uma cidade tocada pelo mal, onde seus habitantes não esqueceram o que aconteceu e passaram a enxergar Michael como a verdadeira força do mal que ele é. Mas isso não poupou também Laurie e sua neta, que também passam a ser perseguidas, principalmente por valentões e parentes das vitimas. Quando eu vi que esse foi o rumo, logo me lembrei da ideia original de Carpenter para o quarto filme, e aqui, eles fizeram um trabalho excelente.

 

No entanto, além de Laurie e Allyson, que estão se recuperando também, surge uma nova vitima, o adolescente Corey Cunningham, que matou um garotinho por acidente no Halloween de 2019, e também ganhou uma péssima reputação, tanto dos pais, quanto da cidade, que também o marginaliza. E a coisa muda quando seu caminho se cruza com o de Michael...

 

O que acontece também, é que aqui, não temos tanto foco em Michael Myers, mas sim, nos novos crimes que acontecem em Haddonfield, o que leva Laurie a acreditar que Michael ainda está vivo, mas Allyson não acredita. E conforme mencionado acima, essa era a ideia original de Carpenter, e parece que os roteiristas resolveram escutá-lo, porque temos uma nova onda de assassinatos aqui, mas também temos o vilão original. Pode ser que muitas pessoas já saibam do que estou falando, mas o fato é que eu gostei muito dessa ideia, por motivos já mencionados.

 

Bem, aqui temos mais uma vez o diretor David Gordon Green no comando, e mais uma vez ele acerta no clima de tensão, apelando para jump-scares, verdade, mas apostando também na tensão, que sempre foi o foco do clássico de Carpenter. Mas não se enganem, aqui também temos um banho de sangue, mas tudo feito sem exagero.

 

Deixe-me agora falar sobre os personagens. Laurie e Allyson seguem com suas vidas, na medida do possível, principalmente Laurie, que ainda não se recuperou dos incidentes do passado, principalmente por ela ainda acredita que Michael possa estar vivo. Allyson trabalha no Hospital Memorial de Haddonfield e precisa lidar com uma colega de trabalho inconveniente. E Corey, como já mencionei, também tenta colocar as vidas nos trilhos... Temos aqui também aparições rápidas de Lindsey Wallace e do policial Hawkins, que também tentam se reconstruir.

 

Em resumo, Halloween Ends é um filme sobre os personagens tentando se reerguer, mas também é o fechamento da trilogia, e nesse quesito, cumpre o que promete.

 

E claro, temos o vilão. Assim como no reboot e em Halloween Kills, aqui temos um Michael Myers brutal que não poupa ninguém. E o segundo assassino também não faz feio, principalmente quando assume a identidade temporária do matador. Seu melhor momento fica na sequencia do ferro-velho, onde massacra um grupo de valentões.

 

E claro, aqui não podem faltar as homenagens. Além da já mencionada homenagem a Halloween 4, temos também uma nova homenagem à Halloween III, nos créditos de abertura; e claro, as homenagens ao clássico de Carpenter não param, com uma cena que lembra a da morte de Bob, e uma ponta de Nick Castle, o ator que interpretou o assassino em 1978.

 

Mas claro, o melhor fica para o confronto final entre Laurie e Michael, que era o que estávamos de fato esperando. A sequencia é brutal, com os dois lutando no corpo-a-corpo, com tudo que tem direito, como facas e agulhas e sangue, muito sangue.

 

Com tudo isso, devo dizer que Halloween Ends encerra com louvor a trilogia do reboot, e que eu amei o filme. Eu acredito que Jamie Lee Curtis tinha razão quando disse que muitos iriam odiar, talvez por não ser aquilo que esperavam, mas de minha parte, pode ficar em paz.

 

Enfim, Halloween Ends é um filme excelente, carregado de tensão, violência e brutalidade, além de uma trama que novamente presta homenagens ao clássico de John Carpenter e à franquia como um todo. Um filme que cumpre o que promete e entrega um encerramento digno para a trilogia e para a franquia também.



 

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sexta-feira, 14 de outubro de 2022

HALLOWEEN KILLS – O TERROR CONTINUA (2021). Dir.: David Gordon Green.

 

NOTA: 9.5



Três anos após o lançamento do maravilhoso reboot da franquia Halloween, Laurie Strode e Michael Myers estão de volta em HALLOWEEN KILLS – O TERROR CONTINUA.

 

 O que posso falar sobre esse filme? Bem, vou começar pelo mais claro. Eu adorei esse filme! É uma continuação digna para o reboot de 2018 e também para essa nova fase da franquia, porque mais uma vez, os produtores respeitaram a essência do longa de John Carpenter e da franquia como um todo, e entregaram um filme maravilhoso.

 

É o tipo de filme onde tudo coopera para obter um ótimo resultado, a começar pelo roteiro que tem a excelente sacada de homenagear Halloween II (1981), e continua a história exatamente de onde o filme anterior parou, além da subtrama no hospital, algo presente na primeira sequencia do clássico de Carpenter. Mais detalhes sobre isso adiante.

 

Na verdade, Halloween Kills não é uma espécie de remake de Halloween II, porque o filme todo é sobre a vingança dos moradores de Haddonfield contra Michael, todos liderados por Tommy Doyle, que não se recuperou dos incidentes ocorridos 40 anos atrás. Alias, esse é um dos méritos do filme, trazer os personagens do clássico de volta; além de Tommy, temos também Linsdey Wallace e a enfermeira Marion Chambers, aqui reinterpretadas por Kyle Richards e Nancy Stephens – em seu retorno à franquia – respectivamente. E além delas, temos também o ex-xerife Brackett, novamente interpretado por Charles Cyphers; e também Loonie, um dos garotos que atormentaram Tommy no clássico de Carpenter. Todos aqui desempenham seus papeis muito bem e alguns tem o seu tempo certo de tela.

 

Além da homenagem ao segundo filme da franquia, aqui temos também um filme construído com um pouco menos de tensão e mais sangue, visto que a tensão já estava presente no primeiro filme dessa nova fase. Até porque, aqui, como é o filme do meio de uma trilogia, é necessário que já um pouco de narrativa, porque é um momento de transição entre um filme e outro, algo que muitas pessoas não gostaram – e que deve ser comentado, mas vou deixar para a resenha do último filme.

 

Vou falar sobre os personagens. Conforme mencionado acima, temos o retorno dos demais personagens clássicos da franquia, e todos estão muito bem. Aqui também acontece uma mudança, porque, parece que desta vez, o protagonismo fica com Tommy, que se torna o líder da multidão que se une para caçar Michael. O personagem está ótimo, com seus traumas evidentes e também um pouco de paranoia, algo mostrado em Halloween H2O com Laurie; e as coisas mudam quando ele passa a liderar a multidão, porque ele se mostra como alguém capaz de tudo para combater o mal em Haddonfield. Lindsey e Marion, apesar da pouca presença, também estão muito bem, e também carregam o medo e o trauma dos incidentes de 1978. Aliás, temos aqui a presença de um casal figura cômica, que fizeram um pequena ponta no reboot; assim como o garotinho do reboot, eles são engraçados e rendem momentos divertidos.

 

Talvez o maior problema do filme, na opinião dos fãs, seja a ausência de Laurie, que passa o filme todo no hospital, se recuperando dos ferimentos. Mas, saindo em defesa do filme, a historia não é sobre ela, e sim, sobre todo o mal de Michael na cidade e o pânico que ele provoca. Tivemos algo semelhante em Halloween II, cujo roteiro foi mais focado em Loomis e nos demais personagens do quem Laurie, e naquele filme funcionou; aqui, também. Conforme mencionado acima, Halloween Kills não é sobre o confronto entre Laurie e Michael.

 

Além do ótimo roteiro, que homenageia o segundo filme da franquia, aqui temos uma homenagem ao famigerado Halloween III, com a presença das máscaras da Silver Shamrock, que aparecerem de relance no reboot, mas aqui, aparecem com louvor. Quando eu vi pela primeira vez, eu fiquei muito feliz, porque não sabia que tais acessórios estariam no filme. Uma prova que Halloween III não é um filme esquecido pelos fãs e pelos produtores.

 

Juntamente com a presença das máscaras da Silver Shamrock, temos também uma homenagem ao clássico de Carpenter, na cena do carro, onde os personagens, inclusive Marion, são atacados por Michael, da mesma forma que aconteceu no portão do sanatório de Smith’s Grove; do mesmo jeito, mesmo, com direito ao vilão pulando em cima do carro e quebrando o vidro com a mão. No trailer, já era lindo, no filme, fica ainda melhor.

 

E claro, temos o vilão. Assim como no reboot, aqui temos um Michael Myers ameaçador e brutal, que não poupa ninguém, e se mostra uma verdadeira máquina de matar. Sua melhor cena acontece quando ele ataca o primeiro casal com requintes de crueldade, transformando a morte de ambos, principalmente do marido, em um verdadeiro espetáculo de horror, do jeito que o personagem sabe fazer. Ele é sempre o melhor personagem do filme e da franquia, com seu ar ameaçador e cruel.

 

Laurie também não fica atrás. Mesmo com sua pouca presença, ela ainda se mostra uma mulher forte e disposta a acabar com o reinado de terror de Michael, não importa as consequências. O mesmo vale para sua família, que junta-se a ela em sua busca por vingança. Sua filha Karen é ainda mais determinada, e mostra que não tem medo do vilão.

 

E claro, não posso encerrar essa resenha, sem mencionar a melhor sequência do filme: o flashback de 1978, que mostra o que aconteceu após a fuga de Michael. Tudo foi construído nos mínimos detalhes para lembrar o clima do clássico de John Carpenter. Nenhum detalhe foi deixado de lado, nem mesmo o objeto que quebrou a janela da casa dos Myers e o cachorro morto dentro da casa. As melhores caracterizações ficam com Michael e o Dr. Loomis – numa presença que me surpreendeu quando eu vi pela primeira vez. Os dois ficaram idênticos ao clássico de 1978 e surpreendem muito bem. Pelo que eu vi, todos gostaram muito dessa sequência, mesmo alguns tendo odiado o filme.

 

Mas, conforme mencionei acima, Halloween Kills é um filme de transição. Agora, só esperar pela conclusão da trilogia.

 

Enfim, Halloween Kills é um filme excelente. Um longa cheio de momentos de tensão e medo, com toques absolutos de horror e sangue. A direção e o roteiro conseguiram fazer um grande trabalho, e mais uma vez, prestaram homenagens respeitosas à franquia original e principalmente, ao clássico de John Carpenter, com seus personagens que retornam e se unem mais uma vez. Um filme excelente e maravilhoso. Altamente recomendado.




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quinta-feira, 6 de outubro de 2022

HALLOWEEN III – A NOITE DAS BRUXAS (1982). Dir.: Tommy Lee Wallace.

 

NOTA: 8



Em 1978, o diretor John Carpenter lançou Halloween – A Noite do Terror, que rapidamente se tornou um clássico do terror e o melhor exemplar do gênero Slasher. O sucesso do filme levou os estúdios a produzirem sequencias, a fim de transformá-lo em uma franquia.

 

Enfim, chegamos ao controverso HALLOWEEN III – A NOITE DAS BRUXAS, lançado em 1982, produzido por John Carpenter e Debra Hill, os criados do clássico de 1978, e escrito e dirigido por Tommy Lee Wallace.

 

Controverso porque, como sabemos, este é o único da franquia que não conta com a presença de Michael Myers e cia., por um motivo muito simples que será explicado mais tarde.

 

Mas isso não impede o filme de ser muito legal, justamente por causa de seu clima de mistério e trama diferenciada.

 

Diferenciada porque ao invés do Slasher, aqui temos uma trama mais voltada para a conspiração e a ficção cientifica, com os personagens vivendo uma espécie de jogo sinistro arquitetado pelo vilão. À primeira vista, isso pode até parecer estranho – e não vou mentir, é – mas a gente acaba entrando na onda e compra a ideia.  

 

Então, aqui temos mais uma trama de investigação, e durante todo o filme nós acompanhamos os protagonistas enquanto eles tentam desvendar o que está acontecendo na pequena comunidade de Santa Mira, pois o mistério está relacionado com a morte do pai da mocinha, e as pistas levaram os dois até a comunidade.

 

E durante o caminho, eles trombam com coisas estranhas, que vão aumentando conforme o mistério. E o que acontece é muito bizarro.

 

Bizarro porque à principio parece que a trama vai para uma direção, mas de repente, a chave vira e o rumo muda, para mais bizarro ainda, digno de um filme de ficção cientifica.

 

Mas vamos falar sobre o filme como um todo. Para começar, devo dizer que é um filme muito bem dirigido, com sequencias e planos longos, além de cenas com toques de mistério, quase com ares de teoria da conspiração.

 

No entanto, apesar da boa direção, devo dizer que o filme tem os seus problemas, muitos deles relacionados ao roteiro. Por exemplo, há um dialogo absurdo na cena do hospital proferida por um dos personagens ao protagonista. Outro problema é o fato de os assassinos misteriosos da Silver Shamrock serem quase onipresentes e saberem de tudo o que acontece à sua volta, fato esse que culmina na cena da furadeira, por exemplo; e claro, o embate final entre o protagonista e a mocinha, que até hoje continua sem resposta.

 

Tirando esses problemas, somos também brindados com cenas e personagens absurdos, todas envolvendo os personagens secundários, em especial, uma família rica que vai se hospedar na cidade, cujo pai é representante de vendas da Silver Shamrock. São cenas absurdas mesmo, dignas dos filmes da época.

 

Falando da Silver Shamrock, não posso falar do filme sem mencionar as maravilhosas máscaras do Dia das Bruxas. Desde a primeira vez que vi o filme, há alguns anos na TV, eu adorei as máscaras, principalmente as de esqueleto e abobora, porque são muito lindas. Eu tenho vontade de ter as máscaras para brincar em casa. As máscaras reapareceram na franquia no reboot de 2018, como uma homenagem.

 

Ainda sobre a Shamrock, a mesma se faz presente no filme o tempo inteiro, seja nos logos em forma de trevo, seja pela fabrica, que observa a cidade como se fosse a Mansão Marsten, do livro Salem, de Stephen King. É possível ver que a marca e o empresário Cochran controlam a cidade, com suas câmeras de segurança espalhadas pelos locais, e o modo como a população se refere a ele com respeito e admiração.

 

Agora, vamos falar sobre a parte de horror do filme. Conforme mencionado acima, Halloween III não pode ser considerado um Slasher, porque não temos cenas de morte de adolescentes carregadas no gore; ao contrario, temos apenas três, todas sem uma gota de sangue. Além do paciente misterioso, temos a cena da furadeira, que me lembra – e muito – a cena da furadeira do excelente Giallo Sete Orquídeas Manchadas de Sangue (1971), dirigido por Umberto Lenzi. No entanto, a melhor delas é a demonstração do poder das máscaras de Shamrock, cujas cobaias são os membros da família rica. É a famosa cena onde a máscara derrete na cabeça do garoto e logo saem um monte de insetos e cobras da sua boca. Uma cena muito boa.

 

Quero também mencionar a respeito do vilão, o Sr. Cochran. Ele é o típico vilão que se revela aos poucos, a principio, mostrado nas sombras, depois aparecendo de relance, e por fim, quando surge por completo, mostra seus traços de maldade aos poucos. Seu momento mais absurdo é quando ele revela ao protagonista os seus planos, que possuem relação com a pratica pagã do Samhain, conforme apresentada no segundo filme, e que seria levada para frente nessa primeira parte da franquia. De acordo com o roteiro, o vilão gosta de criar brincadeiras e pegadinhas, e conforme o mesmo admite, tudo não passa de uma brincadeira de Dia das Bruxas.

 

E o mais absurdo de tudo, a fonte de seus poderes malignos vem de uma das pedras do Stonehenge que ele roubou... Não faz o menor sentido, mas é muito divertido por causa disso.

 

Antes de encerrar, deixe-me esclarecer por que Halloween III é o único da franquia que não conta com a presença de Michael Myers. Segundo informações da internet, o diretor John Carpenter tinha a intenção de transformar a franquia em uma antologia, com um filme diferente ambientado no Dia das Bruxas. No entanto, seus planos foram abortados por causa de Halloween II, que contou com os personagens originais; mas, após o fim do segundo filme, Carpenter resolveu colocar suas ideias em pratica, e o primeiro foi este filme. Infelizmente, o plano não deu certo, e o filme foi odiado pelo publico e pela critica após sua estreia.

 

Apesar do ódio inicial, aos poucos, Halloween III foi ganhando respeito dos fãs da franquia, tendo recebido status de cult. Eu pessoalmente me encaixo nesse globo, porque, após essa ultima revisão, o filme ficou bem melhor do que eu me lembrava.

 

Estreou em 22/out/1982 e conseguiu obter bons números de bilheteria, apesar das criticas negativas, conforme explicado acima. Foi lançado em VHS e DVD no Brasil, mas atualmente está fora de catalogo. Lá fora, recebeu um lançado em Blu-ray em 4k pela Shout Factory, juntamente com os demais da franquia.

 

Enfim, Halloween III é um filme muito bom. Um longa divertido, com uma trama absurda, carregada de momentos ridículos e memoráveis, que o deixam ainda melhor a cada revisão. A direção e o clima são os grandes atrativos do filme, pois remetem a um filme do diretor John Carpenter, que aqui volta como produtor. Um filme que ganhou status de cult com o passar dos anos, que agrada aos fãs da franquia. Muito bom. Divertido. Recomendado.

 

FELIZ DIA DAS BRUXAS!



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sábado, 30 de outubro de 2021

HALLOWEEN II – O PESADELO CONTINUA (1981). Dir.: Rick Rosenthal.

 

NOTA: 9.5



Não há dúvidas que Halloween – A Noite do Terror (1978) é um dos maiores filmes de terror de todos os tempos, e um clássico absoluto do gênero Slasher. Motivados pelo sucesso do primeiro filme, e inspirados pelo sucesso de outros exemplares do gênero, os produtores logo se animaram para lançar uma sequência. HALLOWEEN II – O PESADELO CONTINUA foi a primeira delas, distribuída pela Universal e produzida por Dino de Laurentiis.

 

Lançado em 1981, o filme é uma continuação direta do Clássico de John Carpenter, pois começa exatamente onde o primeiro filme parou, algo raro de ser nas continuações, mesmo hoje em dia. Aliás, esse é o primeiro ponto positivo do filme, porque geralmente, sequencias tendem a começar de forma independente, muitas vezes com passagens de tempo entre um filme e outro, mas aqui foi diferente.

 

Halloween II é um exemplo de sequência que não ofende o filme original, pelo contrário, chega a ser tão bom quanto, mesmo sem o brilhantismo do antecessor. Inclusive, conforme mencionado em diversos sites, os dois filmes juntos formam um longa único com 3 horas de duração. Outra coisa que é sempre mencionada, é que este é conhecido pelos fãs da franquia como o “Filme do Hospital”, uma vez que a historia se passa dentro do Hospital Memorial de Haddonfield, o que, para muitos, é motivo de algumas criticas, mas, mais detalhes sobre isso adiante. E outra coisa que chama atenção no filme, é o fato de haver mais sangue, ação e violência e cenas icônicas, mas não entrarei em detalhes ainda.

 

O fato é que Halloween II é um dos melhores da franquia, justamente por ser um filme que de certa forma, tentou seguir a tradição do primeiro filme, mantendo um clima de suspense e mistério, apesar de também apresentar cenas de violência e nudez, algo que não estava presente no filme anterior. O principal motivo para tais mudanças foi o fato de que naquela época, o gênero Slasher já apresentava tais características, principalmente nos primeiros filmes da franquia Sexta-Feira 13, cuja primeira sequência foi lançada no mesmo ano. Então, o jeito foi seguir a formula. E deu muito certo.

 

Eu sou um grande fã de Halloween II, e considero um dos meus favoritos da franquia. Eu assisti ao filme pela primeira vez em 2002 e gostei imediatamente, principalmente porque naquela época, eu estava descobrindo a franquia, então, quando surgiu a oportunidade, eu agarrei. Até hoje, eu gosto muito do filme e fica melhor a cada revisão. Aliás, conforme mencionei outra vezes, eu sou um fã assumido da franquia – menos dos filmes que vieram depois de Halloween H2O no inicio dos anos 2000 – até mesmo dos mais problemáticos, principalmente Halloween 5 e Halloween 6 (somente a Versão do Produtor). Felizmente, a franquia voltou com tudo em 2018, com o maravilhoso reboot de David Gordon Green, e suas duas continuações.

 

Halloween II foi novamente produzido por Moustapha Akkad e Irwin Yablans, que demonstraram interesse em realizar uma sequencia após o sucesso do gênero Slasher nos cinemas; então, para isso, chamaram novamente John Carpenter e Debra Hill; no entanto, na época, ambos estavam envolvidos na produção de A Bruma Assassina (1980), que seria lançado pela Avco Embassy. Tanto Carpenter quanto Hill na realidade não tinham muito interesse em uma sequência de Halloween, pelo menos não tão cedo, mas mesmo assim, acabaram entrando no projeto, mesmo após desavenças com Yablans, que acabou processando Carpenter após este se desvincular do projeto inicialmente e se dedicar à Bruma. Para prestar auxilio, o produtor Dino de Laurentiis também acabou se envolvendo, mesmo que por meio de sua companhia, a Dino de Laurentiis Corportation. No final, Carpenter e Hill escreveram o roteiro e assumiram o cargo de produtores, mas novos problemas surgiram. Segundo o próprio Carpenter, ele mesmo não gostou do trabalho que fez no roteiro, tendo inclusive, declarado que o escreveu enquanto bebia sua cerveja favorita, o que acabou explicando algumas decisões na trama – inclusive a principal delas. E além de escrever o roteiro e co-produzir, Carpenter também ficou novamente responsável pela trilha sonora, e contou com a ajuda de Alan Howarth; mas mesmo assim, o diretor acabou não se envolvendo tanto, porque acabou se dedicando a O Enigma de Outro Mundo, sua obra-prima, que sairia no ano seguinte. Mesmo assim, a trilha sonora ficou muito boa, principalmente o tema principal, que ganhou uma ótima variação. E para completar, Carpenter e Hill ainda estavam envolvidos com a produção de Fuga de Nova York, lançado no mesmo ano.

 

Halloween II, inicialmente, seria dirigido por Tommy Lee Wallace, que trabalhou no original como designer de produção e co-editor. No entanto, após o ler o roteiro, Wallace detestou e acabou abandonando o projeto, que acabou sendo dirigido por Rick Rosenthal, um conhecido de Carpenter, aqui em sua estreia na função. O diretor fez um ótimo trabalho e se mostrou muito competente, principalmente como diretor de atores, e conseguiu arrancar ótimas performances de seu elenco.

 

O filme marcou o retorno de Jamie Lee Curtis e Donald Pleasence à franquia, nos respectivos papeis de Laurie Strode e Dr. Loomis. Além deles, os atores Charles Cyphers e Nancy Stephens também retornaram, reprisando seus papeis. Cyphers não tem muita presença em tela, realmente, mas sua participação é memorável. Outros como a enfermeira-chefe Sra. Alves; os motoristas de ambulância, Jimmy e Budd; as enfermeiras Janet e Jill; e o vigia Sr. Garret; além do policial Hunt, completam o elenco de novos personagens do longa, e todos são muito bons, assim como os atores que os interpretam. Além do elenco, o diretor de fotografia Dean Cundey também retornou, e seu trabalho é excelente, principalmente nas cenas dos corredores escuros do hospital, que ganharam um clima soturno e macabro.

 

Alias, como mencionado acima, Halloween II é conhecido como o “Filme do Hospital”, e devo dizer que funcionou muito bem, porque eu acho que se o roteiro tivesse optado por uma trama parecida com o primeiro filme, talvez o resultado não fosse tão bom assim. No entanto, apesar da inovação na trama, para os mais exigentes, ela apresenta um grande problema: não tem absolutamente ninguém naquele hospital! Não sei realmente como os hospitais são retratados nos filmes americanos, mas, devo dizer que não me importo tanto assim para esse detalhe; claro, ver um hospital vazio e escuro num filme é estranho, mas isso não faz muita diferença para mim. Eu gosto desse clima.

 

Além de ser considerado o “Filme do Hospital Vazio”, Halloween II é o filme da franquia com as cenas de morte mais memoráveis para os fãs, e são muitas. Carpenter e Hill capricharam na violência aqui, com direito a mortes verdadeiramente sangrentas e pesadas, principalmente dentro do hospital. Temos também algumas cenas ótimas fora do hospital, sendo a melhor delas, a cena do atropelamento seguido da explosão de uma van. No entanto, as cenas mais famosas ficam mesmo dentro do hospital, com destaque para a enfermeira que tem seu rosto mergulhado em uma piscina de água quente, além da outra enfermeira que é levantada no ar após ser esfaqueada por um bisturi; além, é claro, da destruição de Michael, no final.

 

Não posso concluir este texto sobre Halloween II sem mencionar Michael Myers. Se no primeiro filme, nós tínhamos um Michael Myers mais misterioso, com ares de stalker, aqui a coisa é diferente. Michael assume uma personalidade mais mortal, que mata suas vítimas com requintes de crueldade, e ele praticamente não poupa ninguém. O vilão percorre os corredores do Hospital de Haddonfield como um predador a procura de sua presa, e não mede esforços para encontrá-la e matá-la. Em relação ao seu visual, temos aqui o que talvez o “Michael Myers de Halloween II”, com a mascara um pouco deformada e a gola do macacão rente ao pescoço, e o bisturi ao invés da faca. Além disso, temos o famoso visual no final do filme, com sangue escorrendo pelos olhos da máscara. Mesmo assim, ele continua o mesmo, e tais mudanças são quase imperceptíveis.

 

Outra coisa que ronda pela internet, é o fato de Halloween II ser o filme que “definiu” a franquia, ou seja, ele estabeleceu os rumos que a franquia tomaria nos anos seguintes, e muito disso provavelmente se deve ao fato de Carpenter ter escrito o roteiro enquanto bebia sua cerveja favorita – sem julgamentos, pelo amor de Deus! Quer dizer, talvez não seja exatamente o caso, mas o fato é que o filme apresenta situações que foram seguidas nas continuações, como por exemplo, a cena da escola, onde a palavra “Samhain” está escrita com sangue na lousa. Essa cena serviu para estabelecer a ligação de Michael Myers com a cultura druida e a celebração do Festival de Samhain, além de estabelecer ligação com a famigerada “Maldição de Thorn”, o que transformou o personagem numa entidade sobrenatural ligada a rituais de sacrifícios e seitas, conforme estabelecido em Halloween 5 e principalmente em Halloween 6. Outra coisa que Carpenter acrescentou aqui foi o fato de Laurie Strode – ALERTA DE SPOILER!ser irmã de Michael Myers, o que explica a obsessão do maníaco por ela. Segundo Carpenter, ele estava sem ideias para o filme e resolveu acrescentar esse detalhe na historia, talvez para explicar por que Michael persegue Laurie. Tal fato foi estabelecido nas sequencias, principalmente em Halloween H2O, onde Laurie e Michael se reencontram e se enfrentam como irmão e irmã. Nas demais continuações, os laços familiares aparecem na perseguição de Michael a sua sobrinha, mas, mais detalhes sobre isso nas resenhas de Halloween 4, Halloween 5 e Halloween 6 – Versão do Produtor.

 

Halloween II foi lançado nos cinemas em 30/out/1981 – há 40 anos – e tornou-se um sucesso de bilheteria, apesar das críticas negativas. O sucesso do filme inspirou John Carpenter e Debra Hill a produzir mais uma sequência, Halloween III – A Noite das Bruxas, lançado no ano seguinte, mas que tomou um caminho diferente, conforme veremos no futuro.

 

Foi lançado em DVD no Brasil, mas permaneceu fora de catálogo por anos, até ser lançado em Blu-Ray pela Obras-Primas do Cinema, numa edição caprichada, em versão restaurada, juntamente com o Clássico de John Carpenter, que também foi lançado em versão restaurada em 4k, além das versões estendidas para TV. Lá fora, os cinco primeiros filmes da franquia receberam um lançamento recente em novas versões restauradas em 4k, com artes de capa muito bonitas. Não sei se chegarão aqui no Brasil, principalmente os dois primeiros, mas, não custa sonhar, não é mesmo?

 

Enfim, Halloween II – O Pesadelo Continua é excelente. Um filme cheio de ação, violência, e cenas que são lembradas com muito carinho pelos fãs da franquia. Um exemplo de sequência que não ofende o filme original, pelo contrário, merece lugar ao seu lado, mesmo não contendo o brilhantismo do antecessor. O retorno de Michael Myers e outros personagens clássicos, aliados a um roteiro bem amarrado, uma direção afiada e trilha sonora inspirada, fazem deste um dos melhores filmes da franquia Halloween. Excelente. Sangrento. Arrepiante.

 

FELIZ DIA DAS BRUXAS!


Créditos: Obras-Primas do Cinema



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sábado, 23 de novembro de 2019

A LENDA DO CAVALEIRO SEM CABEÇA (1999). Dir.: Tim Burton.


NOTA: 10



A LENDA DO CAVALEIRO SEM CABEÇA 
(1999)
A LENDA DO CAVALEIRO SEM CABEÇA é um filme belíssimo! É um dos meus filmes favoritos do diretor Tim Burton – o primeiro é Marte Ataca! (1996) – e sem duvida, um dos seus melhores – aliás, nenhum filme do Tim Burton é ruim, e ponto! Não digo isso só porque sou fã, mas porque é verdade.

Eu tive o prazer de ver esse filme no cinema com a minha família duas vezes, a primeira na semana da estreia, e outra no ultimo dia, e adorei. Foi uma das melhores experiências da minha vida, porque a historia original de Washington Irving faz parte da minha vida desde sempre, principalmente por causa da maravilhosa animação da Disney. Aliás, por anos, foi a única versão que eu conhecia, e quando soube que iria acontecer, fiquei muito animado. Eu queria ver esse filme! E minha mãe compartilhava esse sentimento, porque, uns dias antes, ela me acordou de madrugada para assistir a um especial sobre ele na TV, e eu adorei, e a minha vontade de assistir aumentou. E quando fomos ao cinema, fomos pegos de surpresa pela primeira cena, com o cocheiro decapitado. Sem duvida, uma das melhores apresentações de um filme. E o resto da sessão correu muito bem, com as surpresas surgindo a cada momento. E quando fomos novamente para o cinema, a sensação não mudou. E continua assim até hoje.

É o tipo de filme que não fica chato quando assistimos; pelo contrario, fica melhor a cada vez. E isso se deve à genialidade de Tim Burton. Desde que o descobri com Marte Ataca!, lançado três anos antes, eu me apaixonei, e essa paixão dura até hoje. Tim Burton é o meu cineasta favorito, e é o diretor que me inspira a querer fazer filmes, da mesma forma que os filmes de terror que ele assistia na infância também o inspiraram. E aqui, ele presta diversas homenagens a esses filmes.

Burton cresceu assistindo aos filmes de Roger Corman com Vincent Price, seu ídolo maior, além das produções da Hammer com Christopher Lee, e outros. Na minha opinião, infância melhor não há. Nada melhor do que assistir aos filmes que você gosta, com os atores e diretores que você gosta, e acabar se inspirando neles no futuro. Afirmo, sem medo, que Tim Burton é a minha inspiração.

Nada em A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça é ruim. A fotografia em preto e branco é linda; a direção de arte, impecável; o figurino, belíssimo; a maquiagem, incrível... Tudo é lindo. E é possível ver o quanto Burton é um cineasta excepcional. Sua direção é madura e correta, com todos os detalhes em ordem, do jeito que deveriam estar, tudo feito da maneira que ele sabe fazer.

Com certeza a paixão do cineasta pelo material é um dos fatores a favor do filme. Burton conhecia a historia desde pequeno, através da animação da Disney, e para ele, havia algo de extraordinário na figura de um Cavaleiro Sem Cabeça, correndo a cavalo pela floresta com a espada e a abobora nas mãos. E dá para ver que ele levou isso para o filme. Em vários momentos, a animação da Disney está presente, principalmente nas cenas envolvendo o Cavaleiro. Sério. Parece que Burton pegou a animação e literalmente a transformou em um filme live-action, porque é tudo muito parecido! Não apenas as cenas envolvendo o Cavaleiro, mas a cena da ponte também. A própria ponte que divide o lugarejo de Sleepy Hollow em dois, é idêntica à ponte da animação; foi inclusive uma das coisas que me chamou atenção no cinema. E as homenagens não param por aí.

Além disso, o clima soturno da animação também está presente no filme, principalmente nas cenas noturnas. Um exemplo é a cena de exumação no cemitério. Parece a abertura da animação, com as lapides inclinadas diante da igreja. Muito bem feita. E claro, a sequencia da floresta também remete ao filme da Disney, até porque, a sequencia de perseguição entre Ichabod e o Cavaleiro já era soturna e assustadora; e aqui, Burton recria essa sensação.

Mas claro, além de prestar homenagens aos filmes de sua infância, Burton também homenageia a historia original de Irving, apesar das inúmeras diferenças. A mais evidente, para mim, é a Fazenda Van Tassel. Em vários momentos, Irving descreve a casa de Baltus Van Tassel como um enorme castelo, e aqui, isso foi reproduzido com fidelidade. A casa parece mesmo um castelo; na verdade, parece um castelo de historias de fantasmas; todo imponente, que pode ser visto do topo da colina... Uma construção arrepiante. O próprio lugarejo de Sleepy Hollow também passa essa impressão. Uma pequena comunidade no meio do campo, praticamente isolada do mundo, com animais como vacas, ovelhas e gansos correndo ao ar livre. Um lugar bonito, mas com uma atmosfera assustadora. E claro, o cavalo de Ichabod Crane, Pólvora. Mesmo com pouca presença na historia, ele não poderia faltar, até porque, é o companheiro do professor no clímax. E toda a descrição desajeitada de Ichabod como cavaleiro também aparece, porque, simplesmente, não poderia faltar. É uma das principais características da historia original. Alguns dos personagens também são reflexos da historia original. Ichabod é um covarde, cheio de frescuras; Katrina é doce, amável e sensível; Brom Bones é o valentão que tenta passar a perna em Ichabod; Baltus é o fazendeiro rico; e o próprio Cavaleiro é o espirito dominante da região, que mete medo nos habitantes do lugarejo. Enfim, tudo que aparecia na historia aparece aqui, de maneira excepcional e perfeita.

Com certeza, um dos pontos principais da historia original, é quem era o Cavaleiro Sem Cabeça e como ele perdeu sua cabeça. Aqui, isso é apresentado. O Cavaleiro é um soldado hessiano que lutava em uma batalha nos arredores de Sleepy Hollow. A única coisa que mudaram foi o modo como ele perdeu a cabeça: na historia de Irving, ele é decapitado por uma bola de canhão; aqui é diferente. A cena do flashback é uma das melhores, mostrando o Cavaleiro em toda sua fúria, decapitando e trucidando soldados. Muito bem feita, bem dirigida e atuada. Sangrenta e arrepiante.

Aliás, posso dizer que A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça marca uma espécie de nova fase para o diretor Tim Burton. No inicio de sua carreira, ele fazia filmes com um tom mais família, quase sem nenhum sangue ou violência. Aqui, ele já muda de figura. O filme é repleto de cenas sangrentas, com destaque para as decapitações. Dizem que os responsáveis pela censura acharam as cenas tão pesadas que classificaram o filme para maiores; aqui no Brasil, recebeu classificação “18 anos”, o que gerou problemas para quem foi assistir no cinema. Hoje em dia, talvez as cenas não sejam tão pesadas assim, mas na época, era compreensível. Não me lembro de ver um filme do diretor anterior a esse com essa pegada. O próprio Burton inclusive optou por não cortar as cenas de decapitação. E ao que parece, o diretor seguiu essa nova linha, porque Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet (2007) é carregado de cenas sangrentas, por causa do conteúdo original. E mesmo assim, não parece que foi dirigido por outro cineasta. Incrível.

O elenco é também um dos pontos altos. Em sua terceira colaboração com Burton, Johnny Depp está perfeito como Ichabod Crane. Também fã da animação da Disney, ele conseguiu representar o personagem de maneira crível e divertida. Suas cenas de desmaios são muito engraçadas e servem muito bem para quebrar a tensão após uma cena assustadora. Em uma entrevista, Depp declarou que chegou a cogitar a hipótese de usar próteses para ficar mais parecido com o Ichabod Crane da animação, o verdadeiro Ichabod Crane. Sinceramente, achei que foi muito bom que isso não aconteceu porque só existe um Ichabod Crane alto, extremamente magro, com uma cabeça pequena e chata em cima, e nariz comprido, que parece uma das pontas de um cata-vento preso ao seu fino pescoço. E esse Ichabod Crane é o Ichabod Crane da Disney. Ponto! No entanto, as melhores atuações são de Christina Ricci e Christopher Walken. A atriz interpreta Katrina Van Tassel com uma delicadeza e uma beleza impressionantes. Parece que ela assume a personagem, de tão perfeita que é sua atuação. Sem duvida, ela soube traduzir a personagem melhor do que ninguém. Belíssima. Já Christopher Walken está assustador no papel do Cavaleiro Sem Cabeça. Mesmo não aparecendo muito, sua presença é marcante, e dá um ar maligno ao personagem. O Cavaleiro também foi interpretado pelo dublê Ray Park no restante do filme, quando vemos o personagem sem sua cabeça. Outro dublê também deu vida ao Cavaleiro nas cenas de montaria. Mesmo assim, nenhum deles consegue superar Walken. O restante do elenco também está muito bem em suas performances, e não parecem caricatos em momento nenhum.

Como mencionado, A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça é repleto de homenagens aos filmes que Burton assistia na infância. A começar pelos clássicos da Hammer, estúdio de cinema britânico responsável pelos maiores filmes do gênero nos anos 50, 60 e 70. O filme tem todo um aspecto da Hammer, com suas cores escuras, sangue pulsante e ambientação gótica. Lembra muito os primeiros filmes coloridos do estúdio, como os filmes do Drácula, estrelados por Christopher Lee. Aliás, a presença do ator é uma das maiores homenagens ao estúdio. Christopher Lee era um dos ídolos de Burton, ao lado de Vincent Price, e sua presença é impactante. O ator aparece por poucos minutos, mas valem a pena. A presença dele é imponente, que inspira e exige respeito de quem está ali. Burton até menciona nos comentários que todos da equipe pararam para prestar a atenção no ator, dada a sua magnitude. Em outra cena, Burton cita suas inspirações também em Roger Corman e em Mario Bava. Novamente, a fotografia e a ambientação contribuem. Além de lembrar os filmes da Hammer, o filme também lembra os filmes do Ciclo Edgar Allan Poe, estrelados por Vincent Price, que Corman dirigiu nos anos 60. Eu já tive o prazer de assistir alguns dos filmes do Ciclo Edgar Allan Poe, e posso dizer que a semelhança é impressionante. A floresta assombrada parece muito com as florestas dos filmes de Corman. Aliás, um detalhe. A cena de investigação de Ichabod na floresta possui uma das melhores tomadas do cinema de horror. O investigador avista uma estranha figura branca andando por entre as arvores retorcidas e decide ver o que é; para mim, é uma bela cena de floresta mal-assombrada, e com certeza, vai servir de inspiração no futuro. Mas, voltando, parece mesmo que eu estava vendo um filme de Roger Corman, e parecia que Vincent Price iria aparecer a qualquer momento. A inspiração em Mario Bava também é evidente. A cena em que Ichabod é perseguido por um falso Cavaleiro Sem Cabeça lembra muito as cenas de A Máscara de Satã (1960) e As Três Máscaras do Terror (1963); além disso, existem também duas outras homenagens ao filme de estreia de Bava, todas muito bem feitas e respeitosas. Existe também uma homenagem ao Clássico Frankenstein (1931), estrelado por Boris Karloff: a cena do moinho. Burton já declarou que sua primeira lembrança de moinhos veio do filme de James Whale, e assim como as homenagens à Bava e Corman, ele a presta com todo o respeito que o filme merece. No entanto, além de homenagear seus filmes favoritos, o diretor também homenageia a si mesmo. Os espantalhos que aparecem no milharal no começo do filme lembram a fantasia de espantalho de Jack Skellington; o vestido que Katrina usa em determinada cena lembra a roupa de Beetlejuice; e as participações de seus ídolos, Christopher Lee e Michael Gough, remetem à presença de seu ídolo máximo em Vincent (1982) e em Edward Mãos-de-Tesoura (1990). 

A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça foi lançado em novembro de 1999 e tornou-se um sucesso de bilheteria. O filme marca a terceira colaboração entre Tim Burton e Johnny Depp, iniciada em 1990 com o inigualável Edward Mãos-de-Tesoura. Os dois trabalharam juntos novamente em Ed Wood (1994), cinebiografia do “pior diretor de todos os tempos”; A Fantástica Fábrica de Chocolates (2004); A Noiva-Cadáver (2005); Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet (2007); Alice no País das Maravilhas (2010) e Sombras da Noite (2012), baseado na série de TV “Dark Shadows”, de Dan Curtis.

Enfim, A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça é um filme maravilhoso. Um dos meus filmes favoritos. Uma historia de amor com elementos de suspense. Um verdadeiro conto de fadas. Excelente.









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quarta-feira, 30 de outubro de 2019

HALLOWEEN (2018). Dir.: David Gordon Green.


NOTA: 9.5



HALLOWEEN (2018)
Michael Myers está de volta. 40 anos depois de sua primeira aparição no cinema, e 20 anos desde a última – porque eu desconsidero completamente tudo que veio depois de Halloween H2O: Vinte Anos Depois, de 1998 – , ele está de volta.

E que retorno! HALLOWEEN é maravilhoso! É muito melhor do que esperava que fosse; é tudo aquilo que os fãs da franquia esperavam, e muito mais. Já na minha primeira conferida, pude ver que o filme cumpriu tudo que prometeu. É assustador, é sangrento, é tenso... Tudo que o filme original era. É um filme feito para os fãs da franquia; e feito com amor.

Tudo nesse filme funciona de maneira brilhante, desde o roteiro, passando pela direção, até as atuações, os efeitos especiais; tudo se encaixa perfeitamente, numa historia magistral, sem nenhum defeito e nenhuma ponta solta.

Devo confessar que, quando soube que um novo filme seria feito, fiquei empolgado, porque, como mencionei acima, desde 1998, Michael Myers e cia. não tiveram o tratamento que mereciam nas telas; pelo contrario, o personagem foi detonado e humilhado por cineastas que nada sabiam de sua mitologia. E isso é tudo que vou dizer a respeito das experiências lamentáveis pelo qual ele passou; não só ele, toda sua turma.

Mas, felizmente, isso foi consertado. O novo filme dá uma repaginada no personagem, mas sem tirar sua essência e sem alterar sua mitologia. Aqui, Michael continua o mesmo, a pura encarnação do Mal, sanguinário, selvagem, implacável. Não apenas o vilão que foi repaginado. Laurie Strode, a sobrevivente do primeiro filme, também foi reescrita. Agora, ao invés da adolescente inocente, virgem, do primeiro filme, aqui, ela se transformou em uma eremita, que vive sozinha em sua casa, afastada da cidade, cercada por armas e armadilhas, que ela mesma construiu, pois sabia que Michael retornaria um dia. Dito e feito. Michael escapou mais uma vez, e está pronto para recomeçar seu reinado de terror.

E da mesma forma que no Original, aqui ele executa sua arte com maestria. Desde o primeiro assassinato, Michael mostra que não está “enferrujado” pelo tempo; pelo contrario, continua uma maquina de matar, sem medo ou remorso. E como sempre, ele se mostra especialista na arte de matar, executando suas vitimas com selvageria e requintes de crueldade, tudo sem o menor remorso. Porém, aqui existe uma diferença. Se, no Clássico de John Carpenter não havia sangue, aqui a coisa é diferente. O sangue corre solto, mas não no estilo “torture-porn”, que infelizmente, tomou o gênero de terror. Pelo contrario, o sangue corre do jeito certo, sem exageros, sem muita sujeira, sem artifícios. E os métodos de Michael? Mais sobre isso adiante.

Esse é aquele tipo de filme que dá gosto de assistir, porque foi feito para os fãs. Não sei os outros, mas eu adoro o Michael Myers de antigamente, uma força da Natureza, o Mal encarnado, o assassino sanguinário; e aqui ele é tudo isso. Mas não é apenas isso que faz desse um filme feito com carinho. Todo o suspense e a tensão, presentes no primeiro filme, também aparecem aqui, desde o começo. Quando eu vi aquela cena de abertura, antes dos créditos iniciais, eu fiquei arrepiado porque é muito bem feita; gostei tanto que voltei umas duas vezes. Não se fazem cenas assim hoje em dia; e quando alguém consegue, é porque tem habilidade, e o diretor David Gordon Green tem.

Mesmo sem nenhuma experiência no gênero, ele se mostrou um excelente diretor de horror, e executou tudo com brilhantismo. Ele não apelou para câmeras tremidas, movimentos rápidos e bruscos; foi tudo feito com a câmera nas posições certas, com os movimentos certos, nos ângulos certos. A fotografia também fez bonito, principalmente nas cenas noturnas. As paletas de cores são ótimas, e combinam com as cenas, e o melhor, dão uma impressão de veracidade. E as cenas noturnas são belíssimas; ao invés da horrível paleta “verde musgo”, muito usada pelo diretor David Fincher, aqui nós temos paletas escuras, pretas, mas que fazem um belo contraste com as luzes das casas e das aboboras nas ruas.

Sobre os créditos iniciais, eu acho que são os melhores da franquia desde o quinto filme. Não apenas pela forma como eles surgem, mas também o que eles representam. Representam o ressurgimento da franquia. Eu vi em algum lugar que a regeneração da abobora na abertura, representa a regeneração da franquia. E é verdade, tanto que a tipologia é a mesma – que não é utilizada desde H2O – e o modo de apresentação do elenco também é o mesmo, além da abobora ser a mesma do primeiro filme e se modificar do mesmo jeito. Se isso também não é uma homenagem, eu não sei o que é.

Aliás, o filme presta várias homenagens, não apenas ao primeiro filme, mas também à própria franquia. Por exemplo, a cena dos assassinatos no banheiro, lembra muito a cena do banheiro em H2O; um personagem diz um nome que remete ao segundo filme; a cena da sala de aula é idêntica à cena da sala de aula do primeiro filme; a própria menção do termo “boogey-man”, etc., mas talvez, um dos maiores easter eggs tenha aparecido já no trailer, um easter egg de Halloween III (1983), que não apresenta os personagens do universo criado por Carpenter e Debra Hill. Novamente, é uma prova do quão importante a Franquia Halloween se tornou.

Além de contar com momentos – muitos momentos – de terror, Halloween também tem momentos divertidos. Ou melhor, um momento divertido. Acontece na cena em que uma das amigas da neta de Laurie está cuidando de um garoto enquanto seus pais estão fora. O menino é muito engraçado. Eu dei algumas risadas nessa sequencia, porque é muito boa mesmo. Talvez, tenha servido para quebrar a tensão, porque momentos antes, tivemos algumas cenas de assassinatos.

Agora, sobre Laurie Strode. Conforme mencionado acima, aqui, ela deixou de ser a adolescente tímida do filme original, e se transformou numa eremita. Ela vive isolada em sua casa afastada da cidade, lugar que ela transformou em uma fortaleza, com armas e armadilhas por todos os lados. Não apenas isso; ela também se tornou uma espécie de pária, sendo rejeitada pela filha, de quem perdeu a guarda no passado, teve dois casamentos fracassados, e tornou-se alcóolatra. Além disso, algumas pessoas também a consideram uma louca por acreditar que Michael Myers pode retornar um dia, o que contribuiu para a destruição de sua família. A única pessoa que tenta se aproximar dela é sua neta, a quem ela também tenta proteger. Mas todo esse declínio ajuda na reconstrução da personagem. Não acho que a coisa tivesse o mesmo impacto se Laurie tivesse se tornado uma pessoa que apagou tudo de sua memoria, e vive uma vida normal. Esse declínio é o tipo de coisa que tem que acontecer com alguém como ela. Excelente reconstrução.

Além dos protagonistas, o filme também apresenta um personagem chamado Dr. Sartain, que se torna uma espécie de Dr. Loomis, uma vez que, após o falecimento do medico, ele tomou o caso de Michael para si, pois está determinado a descobrir por que ele se tornou um assassino. Mas, ao contrario de Loomis, Sartain não se mostra tão bonzinho assim, e está disposto a cometer loucuras para provar seu caso. Além dele, temos também um casal de jornalistas que tem quase o mesmo objetivo. Primeiro, eles visitam Michael em Smith’s Grove e tentam motivá-lo, mostrando-lhe sua mascara. Mas, com o fracasso da expedição, eles vão à casa de Laurie, com o objetivo de desvendar o mistério por trás daquela noite de Halloween, há 40 anos. Mas, eles também falham.

O filme tem muitos efeitos práticos, e eles funcionam muito bem. Eu falo de sangue, muito sangue. Michael é implacável nas cenas de assassinato, utilizando o que estiver ao seu alcance para matar, e o faz com requintes de crueldade e selvageria. Pescoços quebrados, queixos deslocados, rostos contra portas, gargantas perfuradas... Tudo que tem direito; e muito bem feito.

E novamente, Michael está perfeito. Um monstro implacável, movido por puro instinto assassino, sem medo ou remorso. Uma maquina de matar indestrutível, com desejo por sangue e carnificina. Seu figurino é praticamente o mesmo do filme original, com detalhe para sua icônica máscara; toda cheia de marcas do tempo, mas intacta, livre de furos ou rasgos. E quando eles finalmente se reencontram, é o melhor momento do filme, sem dúvida! Michael Myers ressurge em toda sua gloria, pronto para retornar a Haddonfield, e reiniciar seu reinado de terror.

Com certeza, Halloween é o retorno digno da franquia aos cinemas, após anos. É uma pena que Michael tenha passado por três experiências lastimáveis, antes de retornar do jeito que deveria. Mas tudo bem, o que importa é que ele está de volta, maior, melhor e mais assustador do que nunca. Recentemente, começaram a sair noticiais sobre duas continuações para o filme, que prometem encerrar definitivamente a historia de Laurie Strode e Michael Myers. A primeira, Halloween Kills, título esse que eu não consigo engolir, será lançada em 2020; a última parte, Halloween Ends, tem lançamento agendado para 2021. Vamos aguardar.

Enfim, Halloween é um filme excelente, que presta varias homenagens ao Clássico de John Carpenter, e à franquia. Maravilhoso. Assustador, sangrento, tenso. Um filme excelente.

Altamente recomendado.









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