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sábado, 12 de fevereiro de 2022

A MANSÃO DO INFERNO (1980). Dir.: Dario Argento.

 

NOTA: 9.5



Dario Argento é um dos grandes nomes do cinema de horror italiano. Nos primeiros anos de carreira, lançou grandes clássicos do gênero, entre eles, a Trilogia dos Bichos (1970-1971), além de Suspiria (1977) e Prelúdio para Matar (1975), sua grande obra-prima, e o maior Giallo de todos os tempos. 

 

Em 1980, Argento se uniu ao mestre do terror italiano, o Maestro Mario Bava, e juntos, produziram A MANSÃO DO INFERNO, o filme do meio da Trilogia das Mães, iniciada com Suspiria (1977). O que posso dizer sobre esse filme? Bem, vou ser claro: é um dos meus filmes favoritos do diretor, e também um dos seus melhores.

 

Inferno é um filme belíssimo, um verdadeiro espetáculo visual, e motivos para isso não faltam. Mais uma vez, Argento se mostra um mestre na direção, e também se mostra um grande contador de histórias, uma vez que aqui entrega mais um grande filme, do jeito que ele sabia fazer na época.

 

O diretor faz um dos seus melhores filmes, uma rara excursão no terror, visto que na época ele era mais conhecido por seus exemplares do Giallo, gênero que o consagrou no cinema. E aqui, fica evidente a presença do gênero, até porque, acredito que era difícil para o diretor se distanciar do mesmo, e sinceramente, eu não vejo nenhum problema nisso; na verdade, é algo até natural.

 

Inferno é um verdadeiro espetáculo visual, e grande parte se deve à fotografia. O filme é muito colorido, com cores que pulsam na tela, principalmente o azul, o vermelho e o rosa, cores utilizadas por Bava no seu O Chicote e o Corpo (1963); e graças a isso, o filme mais parece um longa do Maestro do que um longa de Argento. Além da fotografia, Bava também trabalhou na equipe de produção do filme.


O Maestro foi responsável pelos efeitos especiais, e também foi diretor da segunda equipe, além de ter substituído Argento na direção quando o mesmo precisou se afastar por problemas de saúde. Algumas das cenas comandadas pelo Maestro são as cenas debaixo d’água e a sequência dos ratos. E há até uma foto de bastidores onde ambos dividem o set de filmagens.


Inferno foi o último filme que contou com a colaboração de Mario Bava; o Maestro faleceu em 27/abr/1980.

 

Com certeza, o fato de ter sido o filme onde ambos trabalharam juntos, faz deste um verdadeiro deslumbre, e também deve servir como atrativo para os fãs do terror italiano, porque, conforme mencionado acima, o diretor Argento estava em alta na época, e entrega grandes filmes; e quanto ao Maestro Bava, não há comentários.




Inferno marcou uma nova parceria do diretor com sua companheira, a saudosa Daria Nicolodi, aqui no papel de atriz. A atriz entrega uma ótima atuação, no papel de uma condessa decadente e de saúde frágil, que se alia ao protagonista em sua busca por sua irmã. Além dela, temos ótimos atores, entre eles, a atriz Alida Valli, que já trabalhou com o diretor em Suspiria, além de ter trabalhado com o Maestro em Lisa e o Diabo (1973); a atriz interpreta a misteriosa senhoria do prédio, e sua performance é digna de calafrios. Outros como Feodor Chaliapin Jr.; Ania Pieroni; Irene Miracle e Gabriele Lavia também entregam grandes atuações, em papéis secundários, mas muito importantes para a trama.



Conforme mencionado acima, Inferno é o filme do meio da Trilogia das Mães, iniciada com Suspiria (1977) e concluída com A Mãe das Lágrimas (2007), que infelizmente, marca a fase decadente do cineasta. Recentemente, surgiram boatos a respeito da jovem que segue o protagonista na sequência da aula de música, interpretada por Ania Pieroni. Dizem que a personagem é a Mãe das Lágrimas em sua juventude. Quanto a isso, não sei o que dizer; o que posso dizer é que a atriz tem presença forte, com seus grandes olhos verdes.



Outra coisa que me atrai nesse filme, além da fotografia colorida, é o som. Sério, os efeitos de som aqui são maravilhosos e enchem os ouvidos, principalmente o som dos passos.

 

Além do som, é notável a habilidade de Argento em dar destaque para coisas “sem importância”, como por exemplo, a chuva e cacos de vidro, assim como fizera em Suspiria. Sobre a sequência da biblioteca, o que chama a atenção é o modo como as gotas caem na roupa de uma personagem, além do modo como a água cai do céu. Maravilhoso.

 


Conforme mencionado, Bava dirigiu a famigerada sequência dos ratos, uma sequência repugnante, onde os animais surgem aos poucos de um cano de esgoto, até o cobrirem por completo. Eu pessoalmente tenho PAVOR DE RATOS, e se estivesse presente na cena, ficaria muito, mas muito nervoso. Mas voltando a sequência, posso dizer que a punição que o personagem ali presente merece, porque ele é cruel com alguns gatos que invadem seu estabelecimento. Não sou fã de gatos, mas admito que o que ele faz com eles é cruel. A cena do esfaqueamento é digna do trabalho de Argento, que lembra muito seus Gialli anteriores, apesar de parecer um pouco deslocada. Eu pessoalmente faço uma comparação com a cena do cachorro em Suspiria, onde o animal foi tomado por forças sobrenaturais; aqui, acredito que não é diferente.

 


Sobre a cena como um todo, ela digna de um filme do Maestro, com as cores pulsantes e a luz que se projeta por detrás da árvore. Além disso, é rodada em grandes planos gerais, onde fica impossível focar em uma única coisa em particular.

 


Bem, aqui temos também outra amostra do gosto que Argento tem por gatos, conforme mostrou logo na Trilogia dos Bichos. Aqui, os animais fazem um estrago com uma das personagens, com direito a closes extremos de suas patas e garras afiadas se projetando para fora; além disso, a cena também apresenta elementos de Giallo, conforme dito diversas vezes aqui. 

 


Para encerrar, quero destacar a trilha sonora, composta pelo falecido Keith Emerson, com destaque para Mater Tenebrarum, presente na cena em que Mark, o protagonista, se arrasta pelo interior do prédio, trilha essa que se repete nos créditos finais. Além da trilha de Emerson, temos também trechos com ópera, principalmente a ópera de Verdi – Va’ pensiero, de Nabucco. A mesma toca em momentos chaves da trama, e pessoalmente, eu acho muito bonito. 

 

E por fim, quero deixar aqui as minhas impressões a respeito da Mãe das Trevas, principalmente da sua forma final. A mesma é interpretada pela atriz Veronica Lazar, que também atuou em Terror nas Trevas (1981), de Lucio Fulci; mesmo com pouca presença, ela consegue passar um ar de mistério, principalmente quando está junto de um velho cadeirante. E sua forma final é muito bonita; o mesmo vale para a maquiagem dos seus servos, com suas mãos putrefatas com unhas compridas e afiadas.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo, em belíssima versão restaurada com áudio em italiano, na coleção Obras-Primas do Terror Vol.2, dedicada ao terror italiano.

 

Enfim, A Mansão do Inferno é um excelente filme do diretor Dario Argento. Um verdadeiro espetáculo visual, com cores que pulsam na tela e deixam o filme mais bonito, além de outros aspectos que contribuem para deixa-lo ainda melhor a cada revisão. A união de Dario Argento com o Maestro Mario Bava é o grande fator que chama a atenção para este filme, além da habilidade de Argento como diretor e roteirista. Um espetáculo de cores e som. 



Créditos: Versátil Home Vídeo



Acesse também:

https://livrosfilmesdehorror.home.blog/


sábado, 16 de março de 2019

SUSPIRIA (1977). Dir.: Dario Argento.


NOTA: 10


SUSPIRIA (1977)
Assistir a Suspiria (1977) foi uma experiência maravilhosa.

Segunda obra-prima de Dario Argento, o filme foi lançado dois anos após sua primeira obra-prima, o também maravilhoso Prelúdio Para Matar.

O longa é um dos maiores filmes de terror de todos os tempos, além de ser um dos filmes mais assustadores da história, adjetivos que lhe cabem como uma luva!

Co-escrito por Argento e sua então companheira Daria Nicolodi – inspirados por um livro de Thomas de Quincey – o roteiro fala de uma jovem americana que vai para uma escola de dança na Alemanha e acaba descobrindo um culto de bruxas. Uma trama simples, não é? Bom, como já comentei em Prelúdio, nas mãos de um cineasta qualquer, seria sim, uma história bem simples. Porém, Dario Argento não é um cineasta qualquer.

Como fizera na Trilogia dos Bichos, lançada anteriormente, o diretor coloca sua marca em todos os aspectos do filme, desde a iluminação até a direção de arte. Aliás, ambos são os destaques do filme. A começar pela fotografia, que usa e abusa das cores brilhantes e pulsantes, especialmente o Vermelho, o Azul e o Verde – provavelmente uma homenagem à Mario Bava, conforme descrito na belíssima edição em Blu-Ray lançada pela Versátil (infelizmente, para quem ainda não adquiriu, está fora de catálogo). As cores saltam na tela de uma forma incrível que enchem os olhos e não incomodam, como às vezes acontece... Já a direção de arte também é um deleite. Se por fora, a escola parece normal, por dentro ela é um maravilhoso prédio gótico, iluminado e colorido. Possivelmente, esse estilo gótico também é uma homenagem ao Maestro Bava, não sei.

Fora a direção de fotografia e a direção de arte, quem também brilha é a sua protagonista, Susy, interpretada por Jessica Harper. Originalmente imaginada pelo diretor como uma menina de 11 anos, a jovem é o brilho do filme, fato esse que o diretor repetiria em Phenomena (1985), em que a protagonista é interpretada por Jennifer Connelly. Mas, voltando à Jessica Harper, a atriz está no seu melhor papel no cinema fantástico, ao lado de O Fantasma do Paraíso de Brian de Palma. Claro que o restante do elenco também dá um show com destaque para as duas atrizes veteranas principais, Alida Valli e Joan Bennett. Alida Valli entrega uma performance assustadora, com seu sorriso maléfico e figurino negro. Joan Bennett, por outro lado, está gélida, crua, fria e sinistra, e revela-se como uma super vilã de conto de fadas.

Aliás, falando em conto de fadas, a principal inspiração para Argento foi o Clássico Branca de Neve e os Sete Anões, de Walt Disney, lançado em 1937. Dizem que o diretor reproduziu o filme para a equipe a fim de obter a mesma paleta de cores. Não duvido. Inclusive, acho uma estratégia fantástica para a realização de um filme de terror!

E falando em filme de terror, Suspiria é um verdadeiro Filme de Terror! Desde o inicio, Argento não nega fogo, com grandes toques de violência e sangue. E no que diz respeito ao diretor, tais cenas se transformam em obras de arte. A cena do primeiro assassinato – que termina com uma das imagens mais icônicas do cinema de horror – é arrepiante desde o inicio e o diretor a executa com maestria, dando, inclusive, seus toques de Giallo. A partir daí, segure-se na cadeira. São momentos de muita tensão, banhadas às cores brilhantes, e, o maior truque do cinema de horror, na minha opinião: a ausência de trilha sonora! Aliás, uma das cenas mais assustadoras do filme faz uso desse truque. Não é uma cena de assassinato e não envolve sangue. Na verdade, é uma cena em que o personagem Daniel é expulso da escola porque seu cão-guia machucou um menino. Sério. É a cena que mais me deu medo no filme inteiro! Muito bem feita, tanto na direção quanto nas performances dos atores.

Bom, não posso falar mais, senão vou entregar spoilers.

Como já disse, Suspiria recebeu um lançamento de pompa em Blu-Ray aqui no Brasil. Foi lançado na coleção Argento Essencial, que também contou com a obra Prelúdio Para Matar. A versão disponível na caixa é excelente, muito bem restaurada e colorida. Porém, infelizmente, a caixa teve lançamento limitado, e hoje está fora de catalogo... Felizmente, eu consegui o meu.

Enfim, assistir Suspiria foi uma experiência maravilhosa. Suspiria é Maravilhoso. Colorido. Assustador.


Um dos maiores filmes de terror de todos os tempos. Um dos Filmes Mais Assustadores da História.



PRELÚDIO PARA MATAR (1975). Dir.: Dario Argento.


NOTA: 10


PRELÚDIO PARA MATAR (1975)
Dentre todos os filmes de Dario Argento, PRELÚDIO PARA MATAR é considerado sua obra-prima. E não é para menos.

O filme é um dos melhores que já tive o prazer de assistir.

A trama fala sobre um músico que testemunha um homicídio e passa a investigá-lo com a ajuda de uma repórter. 

Parece simples, não? Bem, nas mãos de um cineasta qualquer poderia ser; mas, nas mãos de Dario Argento, é um verdadeiro espetáculo. 

Um dos filmes mais assustadores de todos os tempos, Prelúdio Para Matar é um verdadeiro show de horror e suspense. Uma trama super redonda, repleta de momentos de pular da cadeira. 

Um clima de mistério toma conta do filme o tempo todo, e não deixa o espectador respirar - pelo menos comigo foi assim. As cenas de assassinato estão entre as melhores do gênero, com destaque para a cena do bonequinho.

O filme também marca o primeiro encontro de Argento com Daria Nicolodi, que se tornaria sua companheira na década seguinte. A atriz interpreta a parceira - e par romântico - do músico, e posso dizer que as melhores cenas são dela. Ela está maravilhosa e engraçada, e consegue ser mais durona que o protagonista. 

Dentre os melhores momentos de tensão, destaco a sequência em que o 'herói' percorre os corredores de uma velha mansão que pode ter ligação com os homicídios. Nunca havia sentido tanto medo em um Giallo na vida.

Como o título entrega, o Vermelho é a cor que predomina na tela. E isso em maravilhosos tons vivos, da cor do sangue mesmo. Nem no último filme da Trilogia das Cores que eu assisti na faculdade, eu vi um Vermelho tão vivo! 

A câmera de Argento também é a estrela, com seus movimentos impossíveis de serem imitados e closes nos olhos do assassino - marca registrada do diretor. Os closes nos olhos do assassino são maravilhosos, melhores até do que aqueles dos filmes de Lucio Fulci.

O assassino também é um destaque, com seu visual clássico para o gênero: roupa de couro, chapéu cobrindo o rosto, e, principalmente, as luvas pretas e a arma utilizada para os homicídios. 

Tudo em Prelúdio para Matar é maravilhoso. Não há nenhum defeito na trama, nem furos no roteiro (uma das características de Argento apontadas por muitos, mas que eu não vejo em nenhum de seus filmes), e medo percorreu a minha pele. 


Um dos Filmes Mais Assustadores de todos os tempos. Um dos melhores Gialli que já assisti na vida. Uma aula de como fazer um Giallo. 



AVISO.

  O LIVROS & FILMES DE HORROR está em recesso. Obrigado.