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terça-feira, 15 de outubro de 2024

A NOITE DOS DEMÔNIOS (1988). Dir.: Kevin S. Tenney.

 

NOTA: 8.5


A NOITE DOS DEMÔNIOS é um dos filmes de terror mais cultuados de todos os tempos.

 

Além disso, é um dos filmes mais arrepiantes e divertidos que eu já vi, mesmo após ter visto as continuações.

 

Na verdade, eu não sei se o filme é de fato cultuado lá fora, mas acredito que a sua vilã principal, a adolescente Angela, seja uma das figuras mais conhecidas do gênero.

 

Este é um grande filme com temáticas de Halloween e possessão demoníaca, e os aborda de maneira bem sincera, e principalmente, faz questão de ser arrepiante.

 

O longa é também parte daqueles filmes de terror dos anos 80 que possuem um roteiro bem criativo, aliado a uma técnica de direção afiada, que foca em detalhes importantes da narrativa.

 

Na trama, a adolescente Angela promove uma festa de Halloween numa casa funerária abandonada. Durante a festa, ela propõe uma brincadeira com um espelho da casa, e, após o espelho cair acidentalmente, um demônio é libertado e todos passam a ser possuídos.

 

É uma trama básica de possessão demoníaca, não? Somando isso o fato do filme se passar no Halloween, deixa-o ainda melhor e mais sinistro.

 

A Noite dos Demônios é um filme muito criativo, a começar pela técnica de direção de Kevin Tenney, que faz uso de câmeras que simulam o ponto de vista da entidade, a lá Uma Noite Alucinante, além de truques impecáveis de maquiagem, e uma trilha sonora inspirada.

 

O elenco de jovens também está afiado, principalmente a atriz Amelia Kinkade, que interpreta a icônica Angela, com seu vestido de noiva negro e brincos de cruzes. Ao lado de Amelia, Linnea Quigley também brilha, com sua divertida Suzanne, que está sempre preocupada com a maquiagem. Quem também funciona é Cathy Podewell, no papel da heroína Judy, que pode ser considerada uma final-girl.

 

Mas não se engane. A maquiagem é o grande destaque, e os efeitos funcionam muito bem. O maquiador Steve Johnson criou grandes coisas, e a aparência dos demônios é muito boa e não exagerada, o que é de bom tamanho. Eu diria que o visual de Angela é o melhor, com seus dentes afiados e voz grossa, combinado com o figurino negro. A personagem retornaria nas continuações com o mesmo visual.

 

É possível perceber que os demônios aqui têm as suas próprias regras, e elas funcionam muito bem. A possessão acontece após um contato imediato, e afeta também aqueles que morrem nas mãos dos demônios.

 

O design de produção também merece destaque, principalmente a casa funerária abandonada. O lugar é aquilo que se pode esperar de um filme de terror, com as janelas cobertas por tábuas, corredores escuros e luminosidade muito limitada. E quando os personagens tentam fugir dos demônios, a casa parece se transformar em um labirinto, o que deixa as cenas de terror ainda mais angustiantes.

 

No entanto, apesar do roteiro esperto, que dá foco a pequenos detalhes, como o fato dos brincos de Angela se inverterem após ela ser possuída, existe uma questão que, ao meu ver, não foi bem explorada: a presença de água corrente abaixo da casa, o que impede os demônios de cruzar o local. Apesar de ser mencionado no começo, esse fato não retorna no final.

 

Mas, apesar desse pequeno detalhe, a Noite dos Demônios é muito divertido. Nos anos 90, recebeu duas continuações direto para vídeo, ambos que marcam o retorno de Amelia Kinkade no papel de Angela.

 

Foi lançado em DVD no Brasil na coleção Sessão de Terror Anos 80 – Vol.4, da Obras-Primas do Cinema, em versão remasterizada, com uma entrevista de Amelia Kinkade nos extras.

 

Enfim, A Noite dos Demônios é um filme muito bom. Uma história de Halloween e possessão demoníaca contada com uma grande técnica de direção, e grandes efeitos de maquiagem. Um filme muito divertido, que consegue ser assustador em determinados momentos, graças à câmera do diretor Kevin Tenney. Um dos filmes mais divertidos dos anos 80.


Créditos: Obras-Primas do Cinema.


quinta-feira, 6 de julho de 2023

ÀS VEZES ELES VOLTAM (Stephen King).

 

NOTA: 8.5


Stephen King é um mestre na arte de contar histórias, seja nos livros, seja nos contos.

 

ÀS VEZES ELES VOLTAM, presente na coletânea Sombras da Noite, é mais um exemplo da genialidade do autor. Aqui temos também um tema que o autor gosta de abordar em suas obras: os adolescentes perversos; mas não é só isso.

 

Antes de chegar ao clímax, vou entrar em detalhes sobre o conto. Logo no inicio, nós temos uma noção do que aconteceu com o protagonista, o professor Jim Norman, visto que o autor deixa claro que o mesmo sofre de pesadelos com um evento ocorrido em sua infância, o assassinato de seu irmão, que foi cometido por um grupo de adolescentes.

 

E o pesadelo torna-se constante na história, visto que Norman é acometido por eles todas as noites, o que chama a atenção de sua esposa; mas o protagonista não revela a ela em momento nenhum o que aconteceu. E em determinado trecho da história, King nos conta o que aconteceu ao irmão de Norman, numa sequência assustadora e triste ao mesmo tempo – que me fez lembrar da adaptação dos anos 90.

 

E as coisas ficam piores para Norman, porque alguns de seus alunos começam a desaparecer e são substituídos por três adolescentes, que rapidamente se revelam para ele quem são de verdade. E as consequências do surgimento desses adolescentes são desastrosas.

 

Ao meu ver – e também utilizando o filme como base – , pude perceber que King faz uso aqui entidades demoníacas, ao invés de fantasmas, porque o protagonista faz uso de um livro sobre invocação de demônios e rituais para enfrentar os adolescentes; e tudo é feito de maneira brilhante, do modo como autor sempre sabe fazer.

 

Confesso que resolvi encarar a leitura do conto motivado pelo filme, que já vi algumas vezes, e acho muito bom. O conto também é muito bom, e claro, temos aqui grandes diferenças entre um e outro, principalmente no que diz respeito aos demônios. E o final do conto é mais macabro e sinistro do que o do filme – sem spoilers aqui.

 

Enfim, Às Vezes Eles Voltam é um conto muito bom. Uma historia de demônios e pesadelos escrito de maneira brilhante, do modo como Stephen King sabia fazer. A narrativa do autor é digna de pesadelos e arrepios, principalmente no que diz respeito aos vilões da historia. Uma das histórias mais populares de Stephen King, e uma de suas melhores. Altamente recomendado.


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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2023

AMITYVILLE 3 – O DEMÔNIO (1983). Dir.: Richard Fleischer.

 

NOTA: 8



Não há dúvidas que Amityville é uma das maiores – talvez a maior – franquia de terror do cinema. Ao todo, foram mais de dez filmes, entre as “continuações oficiais” e produções da Asylium. No entanto, a franquia tem apenas quatro filmes, lançados entre 1979 e 2017. Eu pessoalmente não considero os filmes que vieram depois de 1983, porque são todos horríveis e não tem nada a ver com a franquia original; o único que retomou a franquia foi Amityville – O Despertar, que traz a casa de volta.

 

Mas não vou falar sobre eles. Vou falar sobre o último filme da trilogia original, AMITYVILLE 3 – O DEMÔNIO, lançado em 1983 e novamente produzido por Dino de Laurentiis.

 

Ao contrário dos anteriores, aqui nós temos uma história original envolvendo a Mansão de Amityville, com pouco – ou quase nenhum – foco nos assassinatos cometidos por Ronald DeFeo em 1974.

 

Aqui, acompanhamos John Baxter, um cético repórter que compra a Mansão de Amityville após provar que um casal realiza falsas sessões espiritas. A partir daí, as coisas correm bem para ele, mas não demora muito para as manifestações acontecerem.

 

Amityville 3 foi dirigido por Richard Fleischer, que na época, estava em uma fase diferente da carreira. Aqui ele se mostra um diretor competente, e consegue tirar boas atuações do seu elenco, e cria cenas arrepiantes.

 

O elenco também não faz feio, principalmente o ator Tony Roberts, no papel do protagonista. Ele consegue passar a imagem do homem cético, que acredita somente no que é palpável. Tess Harper e Robert Joy também convencem, principalmente Harper, que interpreta a ex-esposa do protagonista, numa atuação dúbia, porque eu não sei dizer se ela concorda ou não com o divórcio; Joy interpreta o Dr. West, cientista que investiga o paranormal.

 

Devo mencionar também o elenco jovem, com as estreantes Lori Loughlin e – pasmem! – Meg Ryan, nos papeis da filha de Baxter e sua amiga, respectivamente. Em resumo, aqui, como nos outros filmes – principalmente no primeiro – temos personagens que parecem reais.

 

No entanto, o que mais chama a atenção no filme são os efeitos 3D. O longa foi produzido no auge dos efeitos 3D no cinema, onde praticamente todos os cineastas apelavam para o efeito, a fim de chamar o público. Não tenho dúvidas de que, na época, deve ter sido muito chamativo, mas, infelizmente, hoje em dia, é bem datado, principalmente por causa do fato de todos os personagens jogarem coisas na tela o tempo todo; e, conforme mencionei em Tubarão 3, quando o filme é convertido para 2D, a imagem e os efeitos ficam estranhos.

 

Na opinião, além dos efeitos 3D, temos também um pequeno problema relacionado à casa. Em certo momento, é possível ver que as tradicionais janelas foram substituídas por outras em dos lados da casa, e com isso, ao meu ver, a mesma perde parte de sua identidade.

 

Mas, mesmo com esse pequeno problema, é sempre bom ver a Mansão na tela, com suas janelas semelhantes a olhos, que chamam a atenção do espectador; além de sua presença ameaçadora e assustadora. Não há dúvidas que a Mansão se tornou a cara da trilogia.

 

Ao contrário dos dois anteriores, aqui não temos cenas carregadas de terror; ao invés disso, temos cenas levemente tensas, como por exemplo, a cena em que a personagem de Candy Clark percorre a casa com a lanterna, até o porão. É uma sequência tensa, mas não muito assustadora.

 

Realmente, parece que aqui, não temos muitas cenas memoráveis, talvez, apenas os efeitos em 3D. Talvez a mais memorável seja a sequência com a equipe de paranormais investigando a casa, até o momento em que o demônio surge e ataca o Dr. West. Mas nada disso impede o filme de ser divertido.

 

Antes de encerrar, queria deixar minha opinião em relação ao medo que a ex-esposa de Baxter tem em relação à Mansão de Amityville. Em uma cena anterior, ela se consulta com o Dr. West a respeito dos fenômenos que podem acontecer na casa; em outra, ela discute com a filha e a proíbe de visitar o pai na casa. Faltou uma cena do casal discutindo sobre a casa, principalmente após a tragédia que se abate sobre eles. Há um processo de negação por parte de Nancy, mas não há uma conversa entre eles depois disso. Eu achei que faltou isso, porque os dois primeiros filmes focavam em problemas familiares dentro da casa.

 

Amityville 3 foi lançado nos cinemas em 18/nov/1983 e foi um fracasso de bilheteria, o que levou os realizadores a produzirem as demais sequencias somente para a TV ou para o mercado de home vídeo. A franquia retornou oficialmente em 2017 com Amityville – O Despertar, que traz a Mansão de volta.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pelas Obras-Primas do Cinema na coleção Trilogia Terror em Amityville, em versão remasterizada.

 

Enfim, Amityville 3 é um filme muito bom. Um longa bem dirigido e com ótimas atuações, além de momentos de suspense e toques sobrenaturais. Um filme muito divertido, com uma historia original para a Mansão de Amityville. Recomendado.



Créditos: Obras-Primas do Cinema


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segunda-feira, 13 de setembro de 2021

AMITYVILLE II – A POSSESSÃO (1982). Dir.: Damiano Damiani.

 

NOTA: 9



Não há duvidas que Amityville é uma das maiores – talvez a maior – franquia de terror do cinema. Ao todo, foram mais de dez filmes, entre as “continuações oficiais” e produções da Asylium. No entanto, a franquia tem apenas quatro filmes, lançados entre 1979 e 2017. Eu pessoalmente não considero os filmes que vieram depois de 1983, porque são todos horríveis e não tem nada a ver com a franquia original; o único que retomou a franquia foi Amityville – O Despertar, que traz a casa de volta.

 

Mas não vou falar sobre eles. Vou falar sobre o segundo filme da trilogia original, AMITYVILLE II – A POSSESSÃO, lançado em 1982 e produzido por Dino de Laurentiis.

 

Esse foi meu primeiro contato oficial com a franquia, porque foi o primeiro filme que assisti, numa edição lastimável de banca que vinha junto com o terceiro filme. Eu aluguei muitas vezes na locadora, antes de comprar quando estavam vendendo. E devo dizer que foi uma das experiências mais assustadoras da minha vida, não porque o filme é ruim, mas porque ele é muito assustador.

 

O filme tem tantas cenas assustadoras que é difícil dizer qual é a mais. Eu pessoalmente tenho muito medo da cena em que a entidade percorre a casa à noite, fazendo barulhos sinistros. Eu já assisti várias vezes, mas quando chega nessa cena, eu sinto arrepios na espinha. E devo citar também o confronto entre o Padre Adamsky e o garoto possuído.

 

O que torna essas cenas ainda mais assustadoras, além da direção, é a ausência de trilha sonora. Eu já comentei algumas vezes que é um fator determinante para criar um momento de tensão em um filme de terror, e aqui, isso é aproveitado com habilidade.

 

Apesar de ter sido lançado três anos depois do primeiro filme, Amityville II é considerado uma prequel, porque conta para nós o que aconteceu na casa antes dos Lutz se mudarem para lá. De fato, existem certos elementos que constatam tal afirmação, principalmente a questão da possessão demoníaca e os assassinatos numa noite de chuva. No entanto, há uma cena no início do filme onde as janelas da casa estão seladas com pregos, algo que acontece no primeiro filme. Eu honestamente não sei como interpretar isso, porque aconteceu anteriormente, então... Fica a critério de cada um. Dizem também que o walkman do filho mais velho é outro ponto contra a constatação de que é uma prequel, então...  Novamente, é difícil chegar a uma conclusão.

 

No entanto, o que podemos dizer com certeza a respeito de Amityville II, é que se trata de um filme sobre possessão demoníaca, pegando carona no sucesso do Clássico Absoluto O Exorcista (1973), ainda que tardiamente. É sério, eu acho que é o último filme que tentou entrar na onda do filme de William Friedkin, mas devo dizer que é um dos melhores. As cenas de possessão são realmente muito boas, graças à maquiagem, principalmente. Eu devo dizer que quando vi tais cenas pela primeira vez, principalmente a cena dos assassinatos, eu fiquei com muito medo, porque a maquiagem é muito boa, com tudo que tem direito, até mesmo voz alterada. É tudo muito bem feito.

 

Outro ponto que quero destacar são as atuações. Alguns atores até que entregam boas performances, mas, também existem momentos em que as atuações são sofríveis, principalmente na cena dos assassinatos.

 

Agora, além da questão da possessão demoníaca, existem questões um tanto quanto controversas, todas envolvendo a família. O pai é alcoólatra e dominador; a mãe é submissa e existe um clima de incesto entre os irmãos mais velhos. Além da família, devo destacar também o padre. Sinceramente, eu não o considero um padre honesto, sem pensamentos pecaminosos; pelo contrário, é evidente a atração sexual que ele sente pela filha mais velha, e isso fica claro na cena de exorcismo. Não sei se aqueles que assistiram ao filme tiveram a mesma impressão que eu, mas vou deixa-la aqui.

 

Antes de encerrar, devo mencionar também a trilha sonora, novamente composta por Lalo Schifrin. Sinceramente, eu prefiro muito mais a trilha sonora deste filme; é mais assustadora do que a do filme anterior – na verdade, há uma certa diferença entre as duas, até mesmo o uso do coro infantil – e isso fica mais evidente em cenas especificas, principalmente no final do filme, quando há o uso de instrumentos de corda.

E como sempre, temos excelentes tomadas da casa, principalmente de suas famosas janelas, dignas de arrepios, a marca registrada da trilogia.

 

Foi lançado em VHS e DVD – em edição de banca – no Brasil, mas estava fora de catálogo até que foi relançado em DVD pela Obras-Primas do Cinema no box Trilogia Terror em Amityville, em versão remasterizada.

 

Enfim, Amityville II – A Possessão é um filme assustador, com uma atmosfera de pesadelo que provoca arrepios no espectador. Um clima de medo enche o longa desde o começo e deixa o espectador apavorado. As cenas de possessão são muito boas e assustadoras, principalmente a cena de exorcismo, e a trilha sonora provoca arrepios sem o menor esforço. Um filme excelente.


Créditos: Obras-Primas do Cinema

 

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sexta-feira, 26 de março de 2021

EVANGELHO DE SANGUE (Clive Barker).

 

NOTA: 8



Não há duvidas que o universo de Hellraiser, criado pelo escritor Clive Barker, é um dos mais ricos do terror. Em Hellraiser, o autor deu uma pequena amostra de como esse universo funciona, apresentando aquele que seria o personagem principal desse universo: o Cenobita Pinhead. Além disso, Barker mostrou que não estava para brincadeira, e criou uma historia banhada em sangue e sexo.

 

EVANGELHO DE SANGUE é mais uma historia do autor ambientada nesse universo, e também serve como uma espécie de prequel dos eventos narrados em Hellraiser. Aqui, o autor apresenta os dois principais elementos do universo de Hellraiser: a caixa de Lemarchand e o próprio Pinhead, descrevendo ambos nos mínimos detalhes, ao contrario do que fizera no livro anterior. Mas não é só isso.

 

Em Evangelho de Sangue, Barker mostra mais uma vez que é um escritor afiado, com uma escrita que penetra na mente do leitor com uma força impressionante. As descrições que ele faz dos cenários é muito bem feita, e não fica difícil para o leitor imaginá-los em sua mente; o mesmo vale para as cenas ambientadas no Inferno, quando Harry e seus amigos vão resgatar Norma. Não sei como foi para os outros leitores, mas eu consegui visualizar aquele Inferno como um lugar de fantasia, com um tom branco ou cinza, ou invés do tradicional vermelho. Barker o descreve quase como uma espécie de jardim morto, com tudo que tem direito. O mesmo vale para os demônios. Eles são descritos como criaturas humanoides, mas sem os chifres e asas de morcego. Sem duvida, uma visão diferente e original.

 

E da mesma forma que fizera no livro anterior, Barker começa a historia com os dois pés no peito, apresentando cenas grotescas de violência e sexo já no prologo. E o restante da historia vai pelo mesmo caminho. Durante toda a leitura, o leitor não é poupado de cenas dignas de pesadelos, com toques grotescos de violência, e principalmente, sexo. Isso mesmo. Barker mistura sangue e sexo em todos os momentos, de uma forma assustadoramente natural, e cada vez que isso acontece, é chocante, e o autor não mostra pudor nenhum, principalmente quando descreve o que as criaturas estão fazendo com seus “membros” – para usar um termo “leve”. É praticamente um terror pornográfico.

 

E falando em terror, novamente, esqueça os torture porn da vida: as cenas de horror descritas por Barker são dignas de pesadelo, com o sangue escorrendo aos montes; claro, não chegam aos pés do livro anterior, mas conseguem ser quase tão grotescas quanto – não há outra palavra para descrever. Com certeza, não é tipo de leitura recomendada para leitores de coração fraco.

 

Os personagens humanos são muito bons e quase parecem pessoas reais, com a diferença que todos têm ligação com o sobrenatural, principalmente o protagonista, o detetive Harry D’Amour. Desde que ele surgiu na historia, eu o visualizei como um detetive particular de filme noir, com o casaco e o chapéu. Aliás, as cenas de investigação do personagem quase parecem com cenas de um filme noir, daqueles clássicos, estrelados por Humphery Bogart. Os outros personagens também são bem descritos, cada um com sua característica própria.

 

No entanto, apesar de contar uma historia muito boa, Barker cometeu alguns erros. O primeiro deles acontece no prologo, quando ele apresenta um demônio-fêmea que nasceu em uma cena grotesca. Eu achei que aquela personagem seria relevante para a historia, mas ela simplesmente desaparece. Eu pelo menos não consegui reencontrá-la. Outro ponto negativo acontece no Inferno, quando Pinhead comete um ato de violência contra Norma, ato esse que não faz parte de seu repertorio. E eu também achei a historia de Lúcifer incompleta.

 

Aliás, esse é outro ponto. Barker criou um universo tão original para os Cenobitas, com um deus próprio, o Leviatã e também o Engenheiro, e aqui, ele apresenta justamente Lúcifer como líder do Inferno. Apesar de descrever uma batalha épica entre ele e Pinhead, eu achei que o autor poderia ter utilizado outra criatura para comandar o Inferno, até porque, como eu disse, a descrição do Inferno não combina com a imagem clássica que temos dele.

 

No entanto, devo dizer que o autor criou, sem duvida, uma batalha épica. Ele mostra que Pinhead está disposto a tudo para tomar o poder e não tem medo de derrubar Lúcifer, mesmo que para isso, tenha que derrubar o próprio Inferno. Toda essa sequencia da luta entre eles é espetacular, com direito a armadura e sangue, muito sangue. E quando Lúcifer ressurge, a atmosfera épica continua. E no final, temos quase um Pinhead arrependido do que fez. Muito bom.

 

E aqui também temos a Caixa de Lemarchand, que abre o portal para o Inferno dos Cenobitas. Como mencionado acima, quando Barker a introduz, faz questão de descrevê-la nos mínimos detalhes, descrevendo até a musiquinha que ela produz ao ser aberta. Por um momento, eu até havia me esquecido dela, mas quando ela retorna, é uma surpresa. E ainda falando do universo de Hellraiser, aqui temos também as clássicas correntes com ganchos; e elas fazem um estrago. Sério.

 

Bem, seja como for, o fato é que Evangelho de Sangue é um livro muito bom; não chega aos pés de Hellraiser, mas, se me perguntassem se merecia uma adaptação para o cinema, eu diria que sim, dependendo de quem assumisse as rédeas.

 

Enfim, Evangelho de Sangue é um livro muito bom. Uma historia épica de terror com toques grotescos de sangue e sexo. A escrita de Clive Barker prende o leitor com suas cenas dignas de pesadelo. Uma viagem literal ao Inferno, onde poucos saem com vida. O reencontro com Pinhead, o principal personagem do universo de Hellraiser. Um livro sangrento e arrepiante. Recomendado.



 

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sábado, 21 de novembro de 2020

HÄXAN, A FEITIÇARIA ATRAVÉS DOS TEMPOS (1922). Dir.: Benjamin Christensen.

 

NOTA: 10



Filmes sobre a Caça às Bruxas não são fáceis de assistir, e o principal motivo são as cenas de tortura e execução. Pois bem, não sei qual o primeiro filme a retratar esse período vergonhoso da historia da Humanidade, mas, sem dúvida, HÄXAN, A FEITIÇARIA ATRAVÉS DOS TEMPOS (1922) é um dos melhores e mais assustadores, mesmo quase cem anos após seu lançamento.

 

Não se engane. Mesmo depois de tanto tempo, o filme continua relevante e atual, e principalmente, muito assustador. Häxan é um filme profano até a medula, com suas imagens perturbadoras e chocantes, até para os padrões atuais.

 

O diretor Benjamin Christensen teve como base o polêmico O Martelo das Feiticeiras (Malleus Maleficarum), o mais famoso livro sobre Caça às Bruxas da História, publicado no século XV, que se tornou uma espécie de guia para a Inquisição durante a época. Pois bem, segundo informações, o diretor mostrou interesse em fazer um filme sobre o livro, ainda em 1919, e pelos dois anos seguintes, estudou o tema a fundo. A pós-produção levou um ano para ser concluída, enquanto a fotografia principal levou cerca de oito meses. Como resultado, o filme tornou-se o longa europeu mais caro do cinema mudo.

 

Como mostrado já nos letreiros de abertura, o filme é divido em sete capítulos. No primeiro capitulo, somos apresentados a uma espécie de documentário, mostrando a representação do Demônio e das bruxas durante a Idade Média, usando como imagens, as clássicas ilustrações da época. Nos capítulos seguintes, o filme apresenta uma espécie de recriação da época medieval, como se fosse uma espécie de antologia. O mais pesado fica para os capítulos 4 até o capitulo 6, onde o diretor relata como foi a época da Inqusição, mostrando sem pudores o julgamento e tortura de uma velha senhora, acusada de bruxaria. E no ultimo capitulo, o filme nos leva até a Era Moderna, no caso, o começo da década de 20, onde o avanço da Ciência tenta nos dar uma explicação racional para o que na Idade Média era considerado como manifestações do Demônio, como por exemplo, doenças mentais e deformidades.

 

Do começo ao fim, Häxan é uma obra importante para os fãs de cinema. No quesito técnico, apresenta grandes cenas com efeitos especiais, como por exemplo, projeções, animação stop-motion e maquiagem. São cenas muito boas, e até hoje não deixam de ser impressionantes, pelo menos para mim. Difícil destacar uma cena especifica, porque são todas muito bem feitas, principalmente a maquiagem das criaturas, mais detalhes adiante.

 

Além de fazer uso de efeitos especiais dignos de nota, o diretor também não mostra pudor ao retratar a realidade, principalmente nas cenas históricas. Não espere pessoas com maquiagem para simular a sujeira e a velhice; não, aqui é tudo mostrado na cara dura: imperfeições, dentes faltando, sujeira, tudo que tem direito. E além disso, o diretor também faz questão de mostrar até mesmo cenas de nudez, mesmo que maneira quase imperceptível, e também, sacrifícios humanos e rituais satânicos com realismo impressionante.

 

Como mencionado acima, a maquiagem é um dos destaques. Os demônios e as criaturas são retratados de maneira quase que realista, principalmente o próprio Satã, interpretado pelo próprio diretor. Não me lembro de ter visto uma caracterização tão profana quanto a mostrada aqui, nem mesmo em outros filmes que falam sobre o assunto. A maquiagem é tão perfeita que faz pensar que aquelas criaturas são reais, o que aumenta o grau de realismo.

 

E a melhor sequência do filme, sem dúvida, é a sequência da Missa Negra dentro da floresta. Tem de tudo: profanação, sacrifícios, nudez, adoração à Satã... Tudo feito de uma maneira impressionante, que, novamente, beira ao realismo. É de fato uma sequência perturbadora e quase desconfortável, principalmente por conta das imagens de profanação e adoração à Satã, mas também não deixa de ser impactante e digna de nota, por conta da maneira como foi dirigida e montada. Uma sequência arrepiante e digna de pesadelos.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Obras-Primas do Cinema, em versão restaurada, com três opções de áudio e muitos extras. Lá fora, recebeu uma nova restauração em 4k em Blu-Ray pela Criterion; anteriormente, foi lançado em DVD no Brasil pela Magnus Opus; e além disso, como está em domínio publico, pode ser encontrado no YouTube sem dificuldades.

 

Enfim, Häxan, A Feitiçaria Através dos Tempos é um filme excelente. Uma obra verdadeiramente assustadora, com imagens e cenas dignas de pesadelos. Um filme muito bem feito, e que até hoje, impressiona, por conta de seus efeitos especiais e cenas antológicas. O diretor Benjamin Christensen faz um relato histórico detalhado e impressionante da época medieval, passando pela Inquisição, e mostrando, sem pudor, cenas de tortura, violência, nudez e profanação. Sem dúvida, uma obra profana até a medula, mas não menos impressionante e atual. Um dos filmes de terror mais assustadores de todos os tempos. Perturbador. Arrepiante. Macabro. Excelente. Altamente recomendado.

 


Créditos: Obras-Primas do Cinema



Agradecimentos:

Canal Boca do Inferno.com.br


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domingo, 17 de março de 2019

EVIL DEAD - UMA NOITE ALUCINANTE I - A MORTE DO DEMÔNIO (1981). Dir.: Sam Raimi.


NOTA: 10


EVIL DEAD - UMA NOITE ALUCINANTE I -
A MORTE DO DEMÔNIO (1981)
EVIL DEAD é um Clássico! Não apenas um Clássico do Terror, mas um Clássico do Cinema. Um marco do gore, é um filmes mais assustadores que eu já vi na vida.

Tudo começou em 2002, quando fui à locadora com meu irmão e minha mãe, como era costume nas noites de sexta-feira. Como sempre, fui à seção de filmes de terror e comecei a vasculhar as fitas. Acabei encontrando o VHS e resolvi alugar. Naquela mesma noite, botei no videocassete. O resultado foi uma noite de horror, tão grande que devolvi a fita no dia seguinte. Um tempo depois, aluguei a fita novamente e consegui assistir ao filme, com exceção da cena em que um dos monstros decepa a própria mão com os dentes – cena essa que me assustou da primeira vez. Mais tarde naquele mesmo ano, acabei comprando o DVD, que veio junto com o VHS do segundo filme, numa banca de revista. A experiência foi praticamente a mesma. Hoje em dia, reconheço o valor e a importância desse pequeno filme de horror.

Lançado em 1981, escrito e dirigido por Sam Raimi, não há duvidas de que é um dos maiores filmes de terror de todos os tempos, contando com legiões de fãs no mundo todo.
Com certeza, o que torna Evil Dead tão assustador é a sua simplicidade. Rodado com um orçamento mínimo, praticamente por estudantes de cinema, é a prova de que não se precisa de um orçamento gigantesco para se contar uma boa historia, independente do gênero. Raimi conseguiu grandes feitos, principalmente técnicos, com destaque para a maquiagem dos monstros e truques de câmera, que seriam aprimorados no segundo filme, lançado seis anos depois.

Um detalhe curioso é que na época em que o filme foi lançado, o que estava em vigor no cinema de horror eram os slashers, então, Raimi e sua equipe queriam fazer uma coisa diferente, fora de realidade, como explicou o astro Bruce Campbell, anos mais tarde. E de fato, conseguiram. Filmes sobre possessões demoníacas não eram novidade no cinema na época, porém, eram sempre voltados para o cunho religioso. Até onde eu sei, antes de Evil Dead, não houve nenhum filme sobre possessão demoníaca abordada dessa maneira. E com certeza, nunca houve depois.

Como mencionado acima, o filme, além de ser um marco do horror, é um marco do gore, ou talvez, um dos mais importantes filmes gore do cinema. E falo sério. Desde o momento que o primeiro personagem é possuído pelos demônios, Raimi não nega fogo, e mostra sangue de todas as formas, saindo de todos os lugares, principalmente nos momentos finais. Antes dele, talvez o maior filme gore do cinema tenha sido O Despertar dos Mortos (1978), do saudoso George A. Romero, que logo na abertura, contava com sequencias verdadeiramente sangrentas, criadas pelo mestre Tom Savini. Mas aqui, parece que Raimi foi mais fundo, com o exagero ao máximo, o que contribui para o clima assustador da historia.

Porém, não só de horror vive Evil Dead. Em certos momentos, principalmente no inicio, o diretor pega leve com o espectador, às vezes criando um clima de filme leve, até engraçado. E mesmo depois que a coisa pega fogo, ele apresenta momentos em que nada acontece, o que também ajuda a aumentar o medo e a tensão. E não é sempre que isso dá certo.

Outra coisa que o filme ajudou a fazer, foi popularizar, e por que não, criar o subgênero Cabin in the Woods, onde os personagens vão para uma cabana nas montanhas. Talvez o exemplo mais conhecido depois de Evil Dead seja Cabana do Inferno (2003), primeiro filme dirigido por Eli Roth.

Não sei o que outros cineastas que exploraram esse subgênero fizeram em seus filmes, mas, aqui, Raimi praticamente transforma a cabana em um personagem da historia, talvez um dos personagens mais importantes da historia, uma vez que os outros não podem sair, porque os espíritos demoníacos tomaram todo o ambiente. E o pior é que, de fato, não há lugar para onde eles podem ir, conforme o protagonista Ash e sua irmã descobriram quando tentaram escapar após a polêmica sequencia das árvores – que até hoje, rende discussões. E como eles, de certa forma, também nós nos sentimos presos àquele lugar, ainda mais quando as esperanças de fugir com vida vão diminuindo à medida que todos são possuídos.

Por falar nos personagens, dois merecem destaque. O primeiro com certeza é Ash, interpretado por Bruce Campbell. Para quem conhece o personagem hoje, com seu ar de bad boy, com uma motosserra na mão, caçando e despedaçando demônios, vai se surpreender. Aqui ele é apresentado quase como um medroso, sempre gritando e hesitando na hora de matar os monstros. Isso é claramente uma forma de construir o personagem, uma vez que no segundo filme, ele se torna-se aquele Ash J. Williams que todos nós conhecemos e adoramos hoje – e que com certeza, gostaríamos de ser ou então ter ao nosso lado numa briga com os demônios da franquia. Outro que merece destaque é sua irmã, Cheryl. Se no inicio da historia, ela mostra-se uma pessoa insegura com aquela aventura, após ser possuída pelos demônios, torna-se um monstro implacável. Alias, essa sempre foi uma característica da trilogia: mesmo com os outros personagens sendo possuídos, sempre um acaba se tornando o vilão principal. E logo no primeiro filme, a coisa fica feia. A criatura não poupa o personagem principal em momento nenhum, principalmente depois que foge do porão, onde estava presa.

Para finalizar, Evil Dead é um filme cheio de fãs. Desde o seu modesto lançamento, tornou-se um dos mais importantes filmes de todos os tempos, figurando na lista dos “1001 Filmes que Você Precisa Ver Antes de Morrer”, além de receber altas avaliações em sites especializados no gênero e outros. E o reconhecimento passou para suas continuações, que também contam com altas avaliações do publico.

Em 2013, recebeu um remake, que contou com Raimi e Campbell como produtores. Como todo produto do cinema de horror atual, o remake aposta mais no clima pesado e na falta de sustos. Pelo menos, contou com efeitos práticos que conseguem ser convincentes, mas, não superam o original em nada.

Enfim, Evil Dead é um grande filme. Um verdadeiro Clássico do Terror. Um dos Filmes Mais Assustadores de Todos os Tempos. Excelente.






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