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sexta-feira, 10 de março de 2023

TUBARÃO (Peter Benchley).

 

NOTA: 8



Em 1975, o diretor Steven Spielberg lançou Tubarão, que se tornou um dos maiores clássicos do cinema, e um grande sucesso, arrecadando mais de US$ 100 milhões em bilheteria.

 

Mas hoje não estou aqui para falar do filme de Spielberg, mas, sim do livro que deu origem ao mesmo: TUBARÃO, livro de estreia de Peter Benchley.

 

Bom, já vou começar pelo obvio. O livro é muito diferente do filme, principalmente no que diz respeito a algumas cenas e alguns personagens. Claro, a cena de abertura é praticamente a mesma do filme, mas ainda assim tem suas diferenças. A principal delas é que o autor já resolveu mostrar o animal logo de cara, numa cena carregada de tensão e violência.

 

A partir do primeiro ataque, a história segue mais ou menos igual ao filme, como já disse, com suas diferenças. No primeiro momento, temos mais destaque para os coadjuvantes da trama, para depois focarmos no Chefe Brody e em sua família.

 

O livro é dividido em três partes.

 

Na primeira, temos o foco nos ataques do tubarão, que até acontecem na mesma ordem do filme, mas, com destaque para a presença do animal. Temos também o impacto que isso gera na comunidade de Amity, com Brody fazendo o possível para impedir que novos ataques aconteçam, sugerindo para as autoridades a interdição das praias, mas elas não aceitam, chegando a ameaçá-lo. Assim como no filme, a segunda pessoa a morrer é o garotinho na boia, e logo após, temos o confronto entre Brody e a mãe do garoto, na minha opinião, um dos momentos mais interessantes do livro, pelo modo como foi escrito – mais detalhes sobre isso adiante. Ainda na primeira parte, somos apresentados ao oceanógrafo Matt Hooper, que rapidamente cria uma divergência com Brody.

 

Na segunda parte, somos apresentados à vida na comunidade de Amity, com destaque para a relação entre Hooper e Ellen Brody. Esse é um dos pontos mais estranhos do livro, na minha opinião, porque parece surgir do nada, por causa de um relacionamento que Ellen teve com o irmão mais velho de Hooper. Bom, a segunda parte apresenta uma melhora quando chega ao ultimo capitulo, pois temos o foco no tubarão novamente.

 

Já a última parte é focada na caça ao peixe gigante. Ao contrário do que acontece no filme, nós somos apresentados à rotina diária de Brody, Hooper e Quint a bordo do Orca, enquanto eles esperam pelo peixe. No primeiro dia, acompanhamos os três enquanto discutem sobre a vida de pescador de Quint, enquanto o mesmo mostra a eles suas habilidades. No segundo dia, temos um breve encontro com o tubarão, mas antes disso, somos novamente apresentados à rotina dos três personagens a bordo do barco. Os dois últimos dias envolvem os confrontos finais com o peixe.

 

Pois bem, agora vamos falar sobre o livro em si. Como deu para ver, o livro é diferente do filme – algo muito comum – e apresenta momentos que foram aproveitados no longa de Spielberg, mas, a partir da segunda parte, temos uma história um pouco mais dramática, onde a rotina de Brody e dos demais personagens é apresentada, quase nos mínimos detalhes.

 

No entanto, um dos maiores problemas do livro, para mim, é a caracterização dos personagens. Se na primeira parte é possível ter simpatia por eles, o mesmo não pode ser dito da segunda parte, porque somos apresentados a Hooper, o oceanógrafo que chega à cidade para ajudar as autoridades. Ao contrario do filme, Hooper é mostrado como um personagem arrogante, que acha que sabe mais do que os outros por causa de sua profissão, apesar de às vezes se mostrar prestativo.

 

Os demais personagens também possuem caracterizações bizarras. Ellen, por exemplo, é descrita como uma dondoca que se arrepende de ter abandonado a vida de luxo que tinha após se casar com Brody; e o prefeito Vaughn, apesar de estar mais preocupado com a situação financeira da comunidade, em certos momentos, se mostra como um homem covarde e beberrão, que se envolve com membros da máfia de Nova York. Claro, não vejo nenhum problema com a visão pessoal do autor, mas em certos momentos, eu não consegui engolir as caracterizações dos personagens.

 

A escrita de Benchley é muito boa, porque em sua estreia, o autor conseguiu descrever o que queria mostrar com habilidade, principalmente as cenas envolvendo a cidade. No entanto, em certos momentos, ele apresenta algumas falhas, como descrever situações que parecem deslocadas ou extensas demais. O principal problema é que no final de alguns capítulos, o autor resolveu colocar cenas que não condizem com a narrativa, apenas para preencher espaço – na minha visão. As cenas de ataques são descritas muito bem e o suspense é construído aos poucos e consegue prender a atenção.

 

No entanto, o maior problema do livro é a relação entre Brody e Hooper. Desde o primeiro encontro, o autor faz questão de colocar um atrito entre eles, e tal atrito vai aumentando ao longo da historia, beirando ao exagero. E a coisa piora principalmente por causa do envolvimento de Hooper com Ellen, que, conforme mencionei acima, parece ter saído do nada, por causa de uma relação que ela tinha com o irmão dele.

 

A personalidade de Brody também apresenta um grave defeito na segunda parte, na sequencia do jantar. Durante toda a sequência, Brody é descrito como alguém extremamente desagradável, que não está nem um pouco à vontade com a situação, mas não se esforça para mudar. Na verdade, eu não gosto muito dessa sequência, porque ela parece sair do nada, a fim de mostrar como as personalidades dos envolvidos são fúteis.

 

E para finalizar os problemas, eu achei o final do livro muito apressado, com a solução acontecendo de uma vez, de forma quase impossível de acompanhar na leitura.

 

E o principal problema, não se refere ao livro como um todo, mas sim à tradução da editora DarkSide, que apresentou erros na escrita, principalmente nos diálogos. Para uma melhor leitura, eu recomendo a edição clássica da Círculo do Livro.

 

Mas, deixando esses problemas de lado, eu digo que Tubarão é um ótimo livro e serve como um bom pontapé inicial para quem não conhece a história, e para quem conhece apenas o filme.

 

Enfim, Tubarão é um livro muito bom. Uma história de horror e aventura escrita com grande habilidade, com momentos de tensão e suspense que prendem o leitor. Recomendado. 


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sexta-feira, 26 de agosto de 2022

TUBARÃO 3 (1983). Dir.: Joe Alves.

 

NOTA: 8.5



Em 1975, Steven Spielberg lançou Tubarão, que rapidamente, tornou-se o primeiro blockbuster da historia, arrecadando mais de US$ 100 milhões em bilheteria. O sucesso do filme inspirou a Universal a produzir uma sequência, lançada quatro anos depois, que também foi bem-sucedida. E quatro anos depois, o estúdio lançou uma nova sequência.

 

Podem me julgar, mas eu adoro TUBARÃO 3! Para mim, é o meu favorito da franquia Tubarão, porque foi o filme que eu mais vi quando era criança.

 

Talvez o motivo seja porque eu não me assustei tanto com ele como me assustei com o primeiro filme, até porque, este aqui tem um clima diferente. Ao contrario dos anteriores, que se passam em Amity Island, aqui a ação é transferida para a Flórida, para um parque aquático, uma espécie de Sea World.

 

Além disso, ao meu ver, o filme não tinha tantas cenas assustadoras assim, e o tubarão-fêmea não metia tanto medo assim também.

 

Bom, então, como puderam ver, eu gosto desse filme e me divirto toda vez que o vejo, principalmente com as cenas envolvendo o tubarão-fêmea, mais detalhes sobre isso adiante.

 

Conforme mencionado acima, Tubarão 3 estava em desenvolvimento pela Universal, inclusive, por Richard D. Zanuck e David Brown, os produtores dos dois primeiros filmes. Segundo Brown, a ideia original era fazer uma parodia do gênero, mais focada na comédia; eles tinham inclusive um título – Jaws 3 X People 0 - ; um roteiro – escrito por John Hughes, que pode ser encontrado na internet – e um diretor em mente – o diretor Joe Dante, que fez Piranha em 1978.

 

No entanto, as ideias de ambos foram descartadas e o filme foi mandado para o Limbo. Coube então ao roteirista Carl Gottlieb – que escreveu os dois primeiros – a tarefa de reescrever o filme, com ajuda do mestre Richard Matheson – autor de Eu Sou a Lenda. Entretanto, conforme mencionou em uma entrevista, Matheson declarou que suas ideias para o filme não foram aproveitadas, mas seu nome foi mantido. Por qual motivo, jamais saberemos...

 

O fato é que aqui temos um filme completamente diferente do que havia sido apresentado na franquia – tanto que existem teorias que dizem que o filme nem deveria ter se chamado Tubarão 3, por causa do distanciamento do Clássico de Spielberg.

 

Se isso é verdade ou não, não sei. O que eu sei é que este é um ótimo filme; tem seus problemas, tem, mas nada que impeça a gente de se divertir com ele, e não leva-lo tão a sério, como muitas pessoas devem fazer.

 

Vamos aos problemas. Em certo momento do filme, dois ladrões entram no parque para roubar corais e vender no mercado ilegal, mas acabam sendo mortos pelo tubarão. Certo. No entanto, tal evento nunca mais é mencionado, nem o veículo dos homens é apreendido ou encontrado... Então, não havia motivo para essa sequência toda estar no filme. Esse problema já foi apresentado em outros lugares, e eu concordo com quem o considera um furo de roteiro. Outro problema é o 3D, muito comum na época para filmes de terror que entravam em sua segunda sequência, conforme mencionei antes. Aqui temos o velho artificio de jogar coisas na lente, como gotas d´água e pedaços das presas do monstro. E quando um filme em 3D é convertido para 2D, em lançamentos em mídia física, o efeito na imagem fica muito estranho... No entanto, na minha opinião, os piores problemas são os golfinhos – Cindy e Sandy – e algumas cenas entre Brody e Kay, sua namorada. Os golfinhos se tornam quase onipresentes, chegando ao ponto de ajudar os protagonistas no final do filme... Além disso, Kay é muito apegada a eles. Eu entendo isso, mas acho que aqui ficou muito exagerado. E as cenas entre ela e Mike às vezes ficam muito forçadas também, tanto que eles não funcionam como casal.

 

Mas, deixando os problemas de lado, vou me concentrar no tubarão-fêmea agora. O monstro é a melhor coisa do filme, com seus 10m de comprimentos e fome por carne humana. Desde o seu surgimento – que demora um pouco – ela se mostra como uma máquina de matar, que não poupará ninguém que estiver em seu caminho. O design do animal também é muito legal, não lembrando nada o design de Bruce e seu colega Scarface. Eu particularmente gosto muito do tubarão-fêmea, e as cenas dela são as melhores, principalmente o pandemônio que ela causa no parque diante do público apavorado; o ataque a FitzRoyce também me agrada muito; e o final quase épico nas instalações do parque. Além da fêmea, também temos o seu filhote, que desencadeia toda a trama antes do surgimento da ameaça principal. Ele protagoniza um dos melhores momentos do filme, quando os personagens decidem leva-lo para o parque para estuda-lo, numa sequência de mergulho noturno arrepiante.

 

Mas o melhor fica após que a fêmea aparece, e provoca pânico e destruição no parque, começando pelos esquiadores diante do público e terminando nos tuneis. Eu adoro essa sequência, principalmente por causa dos gritos das pessoas ali presentes, algo que me agrada muito nos filmes – o medo do público impotente diante de uma situação de terror. A sequência nos tuneis também é muito legal, novamente com o pânico das pessoas.

 

Antes de encerrar, deixe-me comentar sobre os polêmicos efeitos dos tubarões. Eu pessoalmente não vejo nenhum problema com eles, visto que eram os efeitos comuns da época, principalmente por causa do orçamento limitado. E os efeitos no final do filme, considerados os piores da história, também são bem legais, com direito até a stop-motion. Hoje em dia temos efeitos especiais muito piores, em filmes muito piores.

 

Tubarão 3 estreou em 22/jul/1983, e foi bem de bilheteria, arrecadando US$ 88 milhões. Em compensação, as criticas foram – e continuam sendo – negativas, e o filme recebeu cinco indicações ao Framboesa de Ouro, incluindo a de Pior Filme. Chegou a ser lançado em VHS e DVD no Brasil, mas atualmente está fora de catálogo.

 

Enfim, Tubarão 3 é um filme muito divertido. Uma história de suspense com toques de claustrofobia, que diverte o espectador, apesar de seus defeitos.  Os efeitos especiais do tubarão são a melhor coisa do filme e rendem cenas muito legais e memoráveis. O meu filme de tubarão favorito. Muito divertido. Recomendado.



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sexta-feira, 5 de novembro de 2021

TUBARÃO 2 (1978). Dir.: Jeannot Szwarc.

 

NOTA: 9.5



Tubarão, o Clássico de Steven Spielberg, lançado em 1975, tornou-se o primeiro filme blockbuster da história, arrecadando mais de US$ 100 milhões em bilheteria.  Motivados pelo sucesso do filme, os executivos da Universal logo se animaram para lançar uma sequência.

 

Lançado em 1978, TUBARÃO 2 foi dirigido por Jeannot Szwarc, e contou novamente com alguns membros da equipe e elenco do primeiro filme. Até hoje, é considerado a melhor sequência do filme de Spielberg, talvez por ainda contar com elementos de tensão e suspense. E realmente, é uma excelente continuação.

 

Devo dizer que esse foi um dos últimos filmes da franquia Tubarão que eu assisti, porque o meu contato com a franquia se deu da seguinte maneira: o primeiro eu assisti o Clássico; depois, veio o terceiro filme (1983); em seguida, este aqui; e por último, o quarto filme (1987). E confesso que fui pego de surpresa.

 

Sinceramente, como já estava acostumado com os filmes de tubarão, eu esperava que Tubarão 2 fosse um filme completamente diferente, com maior presença do vilão e maior número de mortes. E o que vi foi exatamente o oposto, principalmente no número de mortes, mas, mais detalhes sobre isso adiante.

 

Realmente, Tubarão 2 é um ótimo filme, e o principal motivo para isso seja o próprio desenvolvimento do longa. Os produtores Richard Zanuck e David Brown – que também produziram o original – tinham várias ideias em mente para o filme, chegando inclusive, a contar com sugestões do autor Peter Benchley, e até mesmo do próprio Spielberg, que acabaram abandonando o projeto. Após algumas sugestões, eles perceberam que o publico iria gostar de rever os personagens e o cenário do filme anterior, então, eles foram trazidos de volta.

 

O filme se passa quatro anos após os incidentes do primeiro filme, então, fomos levados de volta à Amity Island, com o Chefe Brody e os demais personagens, com adições de outros, principalmente os jovens. De fato, além dos filhos de Brody, aqui temos um elenco de jovens personagens, cuja principal atividade é sair para velejar. Além dos jovens, temos também outros adultos, entre eles, o dono do grupo imobiliário de Amity, que agora assume o posto de autoridade incrédula.

 

Sim, aqui temos isso novamente. Na verdade, talvez para os mais exigentes, Tubarão 2 pode parecer uma refilmagem malfeita do primeiro filme, uma vez que temos os mesmos elementos da trama anterior. Na verdade, não é bem assim. Mesmo contando com o elemento das autoridades incrédulas, o filme é bem diferente do original, principalmente em se tratando da trama. Aqui, nós temos um pouco mais de oportunidade de acompanhar a vida na cidade, e como o Chefe Brody exerce sua função perante todos. No primeiro filme, nós até já tivemos essa oportunidade, mas aqui, podemos desfrutar um pouco mais. E é muito bom retornar à Amity Island.

 

Conforme mencionado acima, aqui nós temos o retorno do Chefe Brody, novamente interpretado por Roy Scheider; e além dele, Lorraine Gary e Murray Hamilton retornam nos seus respectivos papéis, e também é muito bom vê-los novamente em cena. E além do elenco, e dos produtores Zanuck e Brown, o roteirista Carl Cottlieb e o design de produção Joe Alves também retornaram.

 

O elenco jovem também é um destaque. Muitos dos jovens atores eram inexperientes e logo no primeiro filme, apresentaram boas performances. O melhor é que aqueles atores realmente parecem jovens locais, que gostam de passar o tempo juntos, bebendo cerveja e se divertindo em grupos. E como em todos os grupos de jovens, nós temos aqui a famosa hierarquia, onde os perdedores são separados dos demais. No entanto, quando a situação se agrava, todos se unem para sobreviver à ameaça. Muito legal.


Outra coisa que deve ser mencionada é a direção de Szwarc. O diretor é muito bom no que faz, principalmente com seus ângulos elaborados atrás do tubarão; além disso, ele se mostra um ótimo diretor de atores, visto que seu elenco arranca ótimas performances, conforme mencionado. 


Tubarão 2 voltou a contar com John Williams na trilha sonora, e, ao contrário do que muitos devem pensar, o compositor não reaproveitou a trilha do filme de Spielberg; ao contrário, aqui temos uma trilha sonora diferente, com mais tensão e momentos líricos, com direito a harpa. Mas, não se enganem, a trilha sonora do primeiro filme ainda é a melhor de todas. 

 

E claro que não posso encerrar esse texto sem mencionar o tubarão. Segundo o designer de produção, Joe Alves, a equipe de efeitos especiais utilizou os mesmos moldes usados em Bruce para construir o peixe, com algumas diferenças. Claro, temos, por exemplo, a barbatana dorsal com o mesmo design, mas a face do tubarão é diferente, principalmente porque não tem aqueles dois detalhes na mandíbula. E assim como seu antecessor, o animatrônico apresentou problemas ao ser colocado na água, o que causou atrasos na produção. Mas a melhor parte, é a característica marcante do vilão: sua face queimada, cheia de cicatrizes, resultado do seu segundo ataque. Sem duvida, é o visual mais marcante do filme. E também temos tomadas de tubarões reais, novamente cortesia de Ron e Valerie Taylor.



E como mencionado acima, o filme apresentou alguns problemas nas filmagens, que também envolveram as câmeras utilizadas, principalmente devido às condições do tempo. Os barcos a vela também trouxeram problemas, principalmente quando começam a tombar durante o ataque do tubarão. Outras dificuldades técnicas incluem o uso das câmeras submarinas, na cena do jet-ski. A ilha artificial também trouxe problemas, visto que acabou se soltando de seu ponto de apoio e se deslocou em direção à Cuba. E o tubarão também apresentou dificuldades para funcionar em determinadas cenas. 

 

Tubarão 2 foi novamente rodado em Martha’s Vineyard, em Massachusetts. No entanto, a equipe permaneceu na locação durante 3 ou 4 semanas, e foram para a Flórida para filmar as cenas no mar. E além disso, algumas cenas debaixo d’água foram rodadas na Califórnia e nos tanques da MGM, e o realismo mais uma vez ficou evidente.

 

Para finalizar, Tubarão 2 teve sua contagem de cadáveres reduzida, visto que, segundo Zanuck e Brown, eles iriam perder seu público-alvo, os adolescentes, que iriam ao cinema para se divertir. E, após o sucesso do filme, os dois produtores logo se entusiasmaram para produzir uma nova sequência, o famigerado Tubarão 3 X People 0, que nunca foi produzido, mas chegou a ter um roteiro escrito por John Hughes e chegou a escalar o diretor Joe Dante para comandá-lo, mas, como sabemos, o projeto foi abortado.

 

Tubarão 2 foi lançado em 16/jun/1978, e tornou-se um sucesso de bilheteria, arrecadando US$ 208 milhões de dólares, apesar das críticas mistas. Foi lançado no Brasil em DVD, mas atualmente, está fora de catálogo.

 

O sucesso do filme inspirou a produção das próximas sequências, Tubarão 3, lançado em 1983 e dirigido por Joe Alves; e Tubarão – A Vingança, lançado em 1987 e dirigido por Joseph Sargent. No entanto, apesar do sucesso deste filme, as duas ultimas sequências são consideradas as piores, principalmente o último filme, que sepultou a franquia, mas não as imitações de quinta categoria...

 

Enfim, Tubarão 2 é um filme excelente. Uma sequência digna do primeiro filme, mesmo não contando com o brilhantismo de seu antecessor, mas mesmo assim, querido por muitos. O retorno do elenco original, aliados a um roteiro inspirado e uma direção afiada, fazem desta a melhor sequência do Clássico de Steven Spielberg. Um filme cheio de tensão e medo. Maravilhoso. 




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sexta-feira, 2 de julho de 2021

CANINOS BRANCOS (Jack London).

 

NOTA: 9.5



Eu adoro lobos-cinzentos. São algumas das minhas criaturas favoritas, principalmente por causa de sua beleza. E eu já comentei sobre eles. A primeira vez foi sobre o meu primeiro livro, O Vale dos Lobos, publicado em 2014, pelo Grupo Editorial Scortecci; e a segunda vez foi sobre o filme Lobos (1981), filme de terror que me inspirou a escrever o livro.

 

E aqui estou, mais uma vez, para falar sobre lobos. Mas desta vez, não será uma história de horror. Pelo contrário, é uma história linda: CANINOS BRANCOS, do autor Jack London.

 

Na verdade, este texto é sobre uma releitura, uma vez que eu já havia lido o livro antes, numa edição da Editora Martin Claret. No entanto, aquela não foi uma leitura muito prazerosa, porque eu resolvi ler cada uma das partes do livro num dia diferente – o livro é dividido em cinco partes. E nessa leitura, eu não me agarrei com firmeza na história.

 

Bom, agora com essa releitura, a coisa foi diferente. Eu pude me prender à leitura no tempo certo, lendo um pouco de cada vez, principalmente porque o livro é composto basicamente por texto, e não contem muitos diálogos.

 

Aliás, preciso dizer que esse é um detalhe que torna a leitura desse livro complicada, uma vez que London faz uso de muito texto para descrever as aventuras de seu personagem-título. Mas ao mesmo tempo que é uma leitura complicada, é também prazerosa e impressionante porque eu quase não leio livros com poucos diálogos e poucos personagens humanos.

 

Isso mesmo, quase não temos personagens humanos nessa história, e faz sentido, porque não é uma história sobre pessoas, mas sim, sobre um lobo.

 

London faz deste livro quase uma biografia do personagem, contando para nós como e onde ele nasceu, passando por sua juventude, até chegar a vida adulta. Se isso não é uma biografia, não sei o que deve ser. E o autor não poupa Caninos Brancos de perrengues, e que perrengues. Existem passagens violentas no livro, que cortam o coração do leitor, e é difícil escolher a pior. Eu confesso que enquanto estava lendo, eu senti um aperto no coração.

 

E as coisas pioram quando ele se torna propriedade de um homem branco que o compra de um cacique. Não vou dizer o que acontece, para não dar spoilers, mas é tão terrível quanto os perrengues que ele enfrenta na floresta e na aldeia dos índios.

 

Mas apesar disso, Caninos Brancos é um grande livro. London se mostrou um excelente autor, e soube contar sua história com total maestria. E o livro contém grandes cenas, todas protagonizadas pelo personagem-título; as melhores, na minha opinião, acontecem no final da história.

 

Antes de encerrar, devo dizer que o motivo que me levou a ler – ou nesse caso, reler – o livro foi a adaptação lançada em 1993 e produzida pela Disney. É um filme excelente, e durante a leitura, eu pude visualizar o ator animal que interpretou o lobo, o cão Jed.

 

Essas são as qualidades que fazem de Caninos Brancos um livro excelente e um grande romance do escritor Jack London.

 

Enfim, esse é um excelente livro. Uma linda história de aventura, ação, drama e amor contada com uma maestria ímpar. O autor Jack London se mostrou um grande contador de histórias e criou um dos maiores romances dos Estados Unidos. Um livro maravilhoso. Altamente recomendado.



JACK LONDON


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segunda-feira, 31 de maio de 2021

CRUELLA (2021). Dir.: Craig Gillespie.


NOTA: 10



Devo dizer que desde o seu surgimento, no começo da década passada, os novos live-actions da Disney tem dado o que falar. Até o presente momento, fomos presenteados com novas versões das animações clássicas do estúdio, algumas boas e outras ruins. No entanto, uma coisa é justa: todos foram sucesso de bilheteria.

 

Pois bem, hoje vou falar sobre um deles, de cara, um dos melhores: CRUELLA (2021), filme de origem de uma das maiores vilãs do estúdio.

 

O que posso dizer sobre ele? Bem, vou ser direto. É um filme espetacular! Sem duvida, um filme onde tudo contribui a seu favor, e consegue deixar qualquer um de queixo caído.

 

Cruella é magnifico, um verdadeiro show de extravagância, cores, luzes, e, principalmente, estilo. É sério. Quem conhece a personagem sabe que ela tem estilo sobrando para dar e vender, mas, ter a oportunidade de ver de onde tudo surgiu e como começou é uma experiência única. Ou seja, Cruella é um filme de origem.

 

Todos nós sabemos que são filmes de origem, e, francamente, alguns são até dispensáveis. Mas, esse não é o caso. Confesso que Cruella é aquela personagem que não precisa ter seu passado mostrado, mas, aqui, eles conseguiram fazer isso de uma forma brilhante, sem apelar para o óbvio. E o melhor, não transforma a personagem em uma vítima, ou sugere que ela no fundo é incompreendida. Não. Aqui, temos a verdadeira Cruella De Vil, a Rainha da Maldade, esbanjando glamour e... crueldade.

 

Eu confesso que desde o primeiro trailer, a minha empolgação estava lá em cima, e após assistir ao filme, eu pude ver que eu estava certo. O filme é tudo aquilo que prometeu e um pouco mais. É divertido, tenso, dramático, engraçado e cheio de ação. E não passa pano nas maldades de sua protagonista, conforme mencionado. E no fundo, está certo. Se uma personagem é má, deve-se mostra-la como tal, e não tentar apresentar um argumento fajuto de que ela foi mal interpretada.

 

O que temos aqui é o nascimento daquela Cruella que nós conhecemos e amamos, sempre esbanjando glamour e estilo com toda a pompa. E que estilo. Os figurinos são espetaculares, cada um melhor que o anterior. Um verdadeiro desfile na tela, literalmente.


A direção de arte e o design de produção também merecem pontos. A Londres da década de 70 é muito bem retratada, toda colorida e exuberante.


E a própria direção é fantástica. O diretor Gillespie fez um excelente trabalho e arrancou performances inspiradas de seu elenco, principalmente de Emma Stone e Emma Thompson, nos papeis de Cruella e da Barones, respectivamente. Ambas as atrizes brilham nos papéis, assim como o restante do elenco.

 

Devo dizer que o filme respeita, e muito, os materiais de origem, no caso, a animação de 1961, e o livro de Dodie Smith, sem apelar para easter eggs forçados. Aqui, temos, sim, easter eggs, mas são aqueles easter eggs respeitosos, que aparecem porque devem aparecer, e não para lucrar em cima do material original. Além disso, o roteiro não dá quase nenhuma dica explicita a respeito da historia original, apenas apresenta seus personagens principais, mas não dá tanto destaque; então, sim, aqui temos Roger e Anita, mas eles são reduzidos a coadjuvantes, uma decisão mais do que acertada. E quem conhece a história, seja da animação, seja do live-action de 1996, sabe que Cruella e Anita têm uma relação de longa data, algo mostrado aqui de maneira rápida, mas também acertada.

 

E o que é de Cruella sem os dálmatas? Bom, não espere os 101 dálmatas da história original. Aqui, nós temos apenas três, e já é o suficiente para estabelecer a relação da vilã com eles. Aliás, relação essa que vem desde o passado, conforme mostrado no prólogo.

 

Aliás, o prólogo é outro acerto do roteiro, mostrando o passado conturbado da protagonista, sua relação com as pintas e como conheceu seus capangas, Horácio e Gaspar. Inclusive, o roteiro adota uma sacada que, acredito eu, nunca havia sido abordada antes: Cruella, Horacio e Gaspar se conhecem há muito tempo e são velhos parceiros no crime.

 

Aliás, crimes é o que não faltam, principalmente roubos. Então, além de ser um filme origem, é um filme sobre roubos, no melhor estilo do gênero, e do tipo que empolga.

 

Eu confesso que fiquei empolgado nas cenas de ação, justamente porque elas são muito bem feitas. E o que seria de Cruella sem um pouco de ação, não é? Vimos isso na animação e também nos dois live-actions. E mais uma coisa: não espere cenas para crianças, porque temos algumas que realmente não são apropriadas para menores – mas sem nada muito pesado.

 

Para finalizar, vou repetir: o filme cumpriu as minhas expectativas e as superou desde a primeira cena.

 

Enfim, Cruella é um filme excelente. Divertido, empolgante, engraçado, dramático e cheio de ação. Figurinos espetaculares, combinados com uma direção de arte maravilhosa, uma direção firme e um elenco afiado, formam uma excelente combinação e criam um filme que enche os olhos. Maravilhoso e cheio de surpresas e diversão. Excelente. 





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terça-feira, 27 de agosto de 2019

O MONSTRO DO MAR REVOLTO (1955). Dir.: Robert Gordon.


NOTA: 10




O MONSTRO DO MAR REVOLTO (1955)
O MONSTRO DO MAR REVOLTO é excelente. Lançado em 1955, é mais uma cria do “cinema radioativo” da década de 50, que nos trouxe obras como Tarântula, O Mundo em Perigo, Earth vs the Spider, O Começo do Fim, entre outros.

Mas o que o torna um filme tão maravilhoso? Bem, para começar, a historia. Como todo produto daquela época, é uma historia simples, até, com tudo que tem direito: o monstro radioativo, os cientistas determinados a descobrir a causa de sua existência, o Exército mobilizado para destruí-lo e, claro, a população da cidade correndo em pânico. O filme tem tudo isso, e mais. Realmente, é um daqueles filmes que fica melhor a cada vez que assistimos, e fica mesmo. E o melhor de tudo é que o filme não tem falhas. É um filme redondinho, com roteiro bem amarrado.

E assistindo, fica claro o porquê disso tudo. Em nenhum momento, a trama é falha, arrastada, desconexa; é perfeitamente linear, indo do ponto A ao ponto Z, com tudo acontecendo do jeito certo, no momento certo, o que rende cenas memoráveis – mais sobre isso adiante.

Além de ser redondinha, a trama também é crível, inclusive a questão da Bomba H, que no filme, funciona muito bem. O que importa é que os personagens parecem de fato, cientistas e militares. Sério. Não é difícil acreditar que o Capitão Pete Matthews é um militar de verdade; que Leslie e Carter são cientistas, e por aí vai. As atuações ajudam nessa impressão. Nenhum dos atores é canastrão, ou atua mal; pelo contrário.

Os aspectos técnicos também funcionam. O diretor Robert Gordon preenche a tela com cenas bem filmadas, que combinam muito bem com materiais de arquivo, técnica comum no cinema daquela época. Gordon utiliza imagens de arquivo de submarinos, navios sendo abatidos e testes com bombas. Isso, combinado com as cenas do filme, não fica falso. Os efeitos em cromaqui também funcionam. É o tipo de efeito que eu gosto muito, efeitos ópticos, onde os personagens aparecem “destacados” da tela. Efeitos assim são muito melhores do que os efeitos de hoje em dia.

O melhor sobre esse filme, além do que já foi mencionado, é que o tipo de filme que dá pra assistir de uma tacada só. A historia é tão rápida que em pouco tempo, o filme já acabou. E dá pra se divertir. Quer dizer, eu não sou do tipo que fica dando risada, apontando pra tela, vendo o quão “malfeito” ele é; pelo contrário, eu me divirto muito vendo aquele polvo gigantesco atacando a cidade de San Francisco, destruindo a pote Goden Gate e esmagando a população com seus tentáculos. É o tipo de filme que eu gosto de ver para me distrair e me divertir.

Já comentei sobre os personagens, mas, não posso deixar de falar sobre eles detalhadamente. O Capitão Pete Matthews é o típico Capitão da Marinha Americana. Um homem determinado, sempre disposto a servir o país e talvez se sacrificar pela tripulação de seu submarino. A Dra. Leslie Joyce é talvez a melhor personagem do filme. Ao contrario das personagens femininas de sempre, ela mostra-se uma mulher a frente de seu tempo, que não aceita ajuda de nenhum homem e quer provar que também pode ser tão capaz quanto eles. E ela consegue. E por fim, seu colega John Carter. Assim como Leslie, ele também é determinado a sua causa, e apoia as opiniões da colega e também a respeita, o que é muito importante. Juntos, eles formam uma espécie de “triangulo amoroso” em certos pontos da historia, mas, fica claro que o romance entre Matthews e Leslie é o mais evidente. E o legal, é que não atrapalha em nada o andamento da historia.

Não posso concluir esse texto sem deixar de mencionar o Polvo.

Ele é, sem duvida, a melhor coisa do filme inteiro. Gigantesco, com seus tentáculos enormes, que deslizam pela cidade de San Francisco, destruindo os prédios, esmagando as pessoas, ou então, envolvendo os barcos, para leva-los para debaixo d’água. Posso dizer, com toda certeza, que ele é muito melhor que qualquer criatura digital do cinema de hoje. Tudo isso graças aos efeitos especiais do saudoso Mestre Ray Harryhausen, mestre da animação Stop-Motion. A animação de Harryhausen é perfeita, e em momento nenhum, passa a sensação de ser falsa; pelo contrario, é possível acreditar que o polvo é real, e está causando todos aqueles estragos. Difícil dizer qual cena é a melhor, porque ele brilha em todas elas. Mas, sem duvida, a mais icônica, é quando ele ataca a ponte Golden Gate, em San Francisco. É uma cena muito bem feita, como todas envolvendo o monstro. E quando ele surge, enche a tela com sua monstruosidade e sua beleza. Um belíssimo monstro marinho. É a minha criatura favorita de Harryhausen.

Ray Harryhausen foi um mestre na arte da animação Stop-Motion, que consiste no lento processo de animar um frame por vez e fotografar, animar um frame e fotografar... Um processo lento e demorado. Harryhausen começou como discípulo de Willis O’Brien, responsável pelo inesquecível King Kong (1933). Juntos, eles foram responsáveis pela animação do macaco de Mighty Joe Young (1949), filme de aventura inspirado em King Kong. Entre seus outros trabalhos, destacam-se A Sétima Viagem de Sinbad (1958), A Ilha Misteriosa (1961), Jasão e o Velo de Ouro (1963), o excelente O Vale de Gwangi (1969) e Fúria de Titãs (1981), seu último trabalho antes de se aposentar. Suas criaturas tornaram-se referencia para o cinema de fantasia, e seu trabalho é reverenciado por cinéfilos e cineastas até hoje; um de seus maiores admiradores é o diretor Tim Burton, que prestou varias homenagens à ele em seus filmes. Harryhausen faleceu em 7/mai/2013.

O filme foi lançado em DVD no Brasil em 2007, numa edição com dois discos, com vários extras, entre eles, um bate-papo entre Harryhausen e Tim Burton. O primeiro disco apresenta o filme em versão original em preto e branco e versão colorida, supervisionada por Harryhausen. O filme fez parte de uma coleção de três filmes de Harryhausen, que contou também com A Invasão dos Discos Voadores (1956) e A Vinte Milhões de Léguas da Terra (1957). Atualmente, o DVD está fora de catálogo.

Os polvos gigantes voltariam ao cinema no ótimo Tentáculos (1977), trash italiano lançado no sucesso de Tubarão (1975), e depois em Octopus (2000) e Octopus 2 (2001), duas bobagens lançadas direto para vídeo.

Enfim, O Monstro do Mar Revolto é um filme excelente. Um pequeno Clássico da Ficção Científica. Um dos melhores filmes de monstros de todos os tempos. Excelente. Maravilhoso.









sexta-feira, 2 de agosto de 2019

TUBARÃO (1975). Dir.: Steven Spielberg


NOTA: 10




TUBARÃO (1975)
TUBARÃO (1975) é um Clássico Absoluto. Um dos maiores filmes de todos os tempos, e um dos filmes mais assustadores da historia. 

Até hoje, mais de 40 anos depois, possui imensa importância para o Cinema, seja nos aspectos técnicos, seja em relação à historia, enfim, um filme importante.

Produzido durante a Nova Hollywood – movimento marcado pela reinvenção da indústria, durante a década de 70 – , foi um filme marcado por contratempos, a maioria envolvendo o tubarão animatrônico, conforme comentarei mais adiante.

Seja como for, o fato que é o filme possui seu lugar ao sol no hall dos clássicos do cinema, isso é indiscutível.

Tubarão é perfeito. O roteiro, adaptado do romance de Peter Benchley, lançado dois anos antes, é linear, e não apresenta nenhuma falha. Tudo que acontece, acontece no momento certo, sem problemas. A direção de Spielberg – em seu terceiro trabalho – é excelente, e aqui, já é possível ver que ele apresentaria seu estilo como cineasta autoral. Além da direção, a trilha sonora de John Williams também contribuiu para o sucesso do filme.

Tubarão foi um filme que me assustou muito quando eu era pequeno. Por anos, foi um filme que só consegui assistir a partir da sequencia do feriado do 4 de Julho – Dia da Independência Americana – até o final. E o final era a minha parte favorita, quando o vilão aparece em toda sua gloria. Mais sobre isso adiante.

O engraçado também é que meu irmão era apaixonado por esse filme, não apenas por esse filme, mas pelos tubarões. E isso perdurou por anos; eu já tinha interesse pelo filme, mas não era tanto assim, tanto que, quando passou na TV, ele pediu pra gravar, porque ele gostou da chamada, provavelmente, e queria ver o filme. Meu amor verdadeiro pelo filme – e pelos tubarões – só surgiu anos depois, mais ou menos, em 2000, quando o filme completou 25 anos, e foi lançado em VHS duplo. E acho que não apenas isso, mas também outras coisas relacionadas ao filme aumentaram meu interesse e por consequência, meu amor por ele também.

Seja como for, o fato é que é um filme que merece ser visto, e fica muito melhor cada vez que se vê. Parece um daqueles filmes que a gente assiste, e encontra algo novo, que havíamos visto antes. E não fica chato; pelo contrario, passa as mesmas sensações toda vez! É o tipo de coisa que dá gosto de fazer: assistir Tubarão, principalmente depois de muito tempo desde a última vez. E a sensação de medo, por exemplo, não passa, não importa a cena. Por exemplo, a cena em que o garoto é morto pelo tubarão – inclusive, uma cena que me assustou muito quando eu era pequeno – é brilhante. A maneira como ela é construída, de certa forma, passa essa sensação. Spielberg mostrou-se um mestre, quando optou por focá-la no Chefe Brody, e no seu medo de entrar na água, porque ele sabe que há um tubarão ali, mas mesmo assim, omite o fato e deixa todos entrarem na água. E quando o baque vem, ele vem com tudo e de uma forma brilhante.

As demais cenas também são assim, construídas com brilhantismo, mesmo aquelas que não mostram nada de assustador. As cenas envolvendo a cidadezinha de Amity são maravilhosas; coloridas, sempre iluminadas pelo sol do verão; têm um aspecto de cidade pequena, que chama a atenção, e torna-se convidativo. Eu pessoalmente, nunca me canso de ver essas cenas, e posso dizer que, te certa forma, elas me influenciaram quando penso em uma historia de monstro marinho.

É o tipo de filme que não precisa mostrar o personagem-título para mostrar que é sobre ele – na verdade, aprendi com As Aventuras de Tintim que narrativas não precisam ser dessa forma. Mesmo com a ausência física do tubarão, Spielberg faz questão de sugeri-lo o tempo todo, principalmente na cena do livro, uma das minhas favoritas. Brody foleia o livro e vê fotos de tubarões – principalmente do grande tubarão branco – o tempo todo, o que sugere que ele está sempre presente, sempre atrás de nós. Outra cena que ilustra isso muito bem, é a cena em que Brody está sentado em sua mesa de jantar, triste pelo que aconteceu anteriormente. Novamente, uma cena belíssima, muito bem orquestrada, atuada e dirigida. O mesmo vale para o restante do filme.

O Chefe Brody de Roy Scheider é excelente. O típico herói disfarçado de não-herói, desastrado, medroso, engraçado; o Quint de Robert Shaw também é excelente. Assim como Brody, pode-se ver que é o típico pescador de ilha, rabugento, de opinião própria e que se considera o melhor pescador da ilha; e o Matt Hooper de Richard Dreyfuss também é excelente; o Oceanógrafo competente, que sabe o que está fazendo, disposto a ajudar Brody a descobrir a verdade, enfim... O mesmo vale para todos os personagens.

Conforme Spielberg declarou, a trilha sonora foi um dos fatores que contribuíram para o sucesso do filme. É de verdade. Desde a primeira cena, a música surge na tela, e continua pelo filme, e nunca mais sai da nossa cabeça. Conforme minha mãe disse algumas vezes, ela teve o prazer de assistir ao filme no cinema, e segundo ela, parecia que quando a música tocava, o tubarão estava na sala do cinema, debaixo das poltronas. Pior que é verdade. É o tipo de música que não nos abandona, que gruda mesmo, e, só de ouvi-la, já sabemos de que filme é. Conforme o compositor John Williams declarou, é o tipo de situação em que a música e a imagem combinam perfeitamente, e tornam-se inesquecíveis, assim como a cena do chuveiro em Psicose (1960).

Não é novidade nenhuma que o filme foi marcado por problemas na produção, a maioria deles envolvendo o tubarão mecânico, chamado de “Bruce” pela produção, em homenagem ao advogado de Spielberg na época. O monstro foi criado por Robert Mattey, que também havia criado a lula-gigante de 20.000 Léguas Submarinas (1954), produzido pelos Estúdios Disney. Joe Alves, o designer de produção, declarou que a proposta de construir um tubarão em tamanho natural inicialmente fora recebido com ressalvas, mas quando entrou em contato com Mattey, a resposta foi diferente. Primeiro, eles fizeram o teste do tubarão no seco, para ver se o mecanismo iria funcionar, e funcionou. Porém quando fizeram os testes no mar, a coisa foi diferente. O equipamento sofreu com a brutalidade do mar, que prejudicou o funcionamento do robô por meses, o que atrasou a produção, culminando inclusive, na possibilidade de Spielberg ser demitido, e o filme, cancelado. No entanto, os produtores sabiam que o filme não poderia ser cancelado, porque, se tirassem o rolo da câmera, não poderiam coloca-lo de volta; então, eles tiveram que continuar a filmar, mesmo que fossem tomadas pequenas. O tubarão só foi funcionar de fato em meados de Setembro, e continuou assim até o final das filmagens; no entanto, mesmo com o tubarão funcionando, algumas cenas apresentaram dificuldades, como a cena do garoto sendo morto pelo monstro.

Os problemas de produção não foram causados apenas pelo tubarão. O barco Orca chegou a afundar durante as filmagens, porque um dos ganchos que prendiam os barris foi puxado com muita força, o que arrancou a parte de trás. Como resultado, toda a  equipe teve que ser removida às pressas.

A cena do ataque à gaiola foi filmada nos tanques da MGM, após a fotografia principal na Nova Inglaterra. Na ocasião, Richard Dreyfuss não estava disponível, então, chamaram um duble para realizar a cena. A cena em que o tubarão destrói a gaiola foi aproveitada de uma filmagem com tubarões reais realizada na Austrália, onde um tubarão prendeu-se em uma das gaiolas. A ideia de filmar tubarões de verdade foi da própria produção, com o objetivo de trazer mais veracidade para o filme, e deu muito certo.

Tubarão foi filmado na ilha de Martha’s Vineyard, na Nova Inglaterra. A cidade de Edgartown serviu como cenário para o filme, o que levou a produção a escalar alguns membros da própria comunidade para alguns papéis e também como figurantes. O resultado é impressionante. Segundo os produtores, a locação nunca havia sido utilizada em um filme antes, então, eles foram precavidos, a fim de não causar estranhamento entre os residentes da comunidade, principalmente nas cenas envolvendo o tubarão. As cenas de pânico na praia foram um desafio, por causa da temperatura da água, e porque também as pessoas não entravam na água naquela época, inicio do verão. Mesmo assim, a produção conseguiu excelentes resultados.

Spielberg optou por filmar em locação, então, segundo ele, era importante que a câmera não focasse nenhum ponto de terra, na sequencia da caçada ao tubarão. Segundo ele, se a câmera capturasse algum ponto de terra, a credibilidade seria comprometida.

Os produtores Richard Zanuck e David Brown mostraram interesse em adaptar o romance de Peter Benchley ainda em 1973, após lerem o livro. O próprio Benchley também demonstrou interesse em adaptá-lo, então escreveu o primeiro rascunho do roteiro, que mostrou-se muito próximo ao livro, o que apresentou problemas. Então, outros roteiristas foram chamados, e novas adaptações foram feitas, sempre com Benchley envolvido. O rascunho final foi escrito por Benchley e por Carl Gottlieb, que foi inicialmente contratado como ator pelo próprio Spielberg. O processo de escrever o roteiro teve que ser rápido, porque o sindicato determinou que nenhum filme poderia ser rodado antes do final daquele ano, o que também apresentou problemas.

Tubarão estreou em 20/jun/1975, em Dallas. Zanuck e Brown ficaram apreensivos, pois temiam que o tubarão animatrônico provocaria risadas na plateia. Mas, conforme eles comprovaram, foi exatamente o oposto. Ao todo, o filme arrecadou mais de US$ 100 milhões, tornando-se um fenômeno de bilheteria, inaugurando o fenômeno dos blockbusters. Até hoje, a arrecadação do filme é uma das maiores de todos os tempos.

Até hoje, Tubarão é reconhecido como um Clássico do Cinema, e um dos maiores filmes de todos os tempos, ocupando diversas posições nas listas do AFI:

  • A fala “You’re gonna need a bigger boat”, improvisada por Roy Scheider, ocupa a 35ª posição na lista do 100 Years... 100 Movie Quotes;
  • O tubarão “Bruce” ocupa a 18ª posição no ranking dos Maiores Vilões do Cinema, na lista do 100 Years... 100 Heroes and Villains;
  • O filme ocupa a 48ª posição na lista do 100 Years... 100 Greast American Films;
  • Também ocupa a 56ª posição na lista do 10º aniversário do AFI do 100 Years... 100 Greast American Films;

Além desse reconhecimento, o filme também foi escolhido para preservação pelo National Film Registry.

Os realizadores de Procurando Nemo (2003) prestaram homenagem ao filme, batizando um dos personagens – um grande tubarão branco – de Bruce.

Tubarão ocupa a 1ª posição na Lista do Bravo’s 100 Scariest Movie Moments, e a 10ª posição na lista dos 100 Filmes Mais Assustadores da História, criada pela extinta revista SET em 2009.

Além de sua contribuição para o cinema, o filme – e o livro de Benchley – despertou o interesse do publico pelos tubarões, o que ajudou a preservá-los como espécie e também serviu para desmistificar a reputação de comedores de homens, algo que Peter Benchley se arrependeu até o dia de sua morte.

O filme também consolidou a carreira de Steven Spielberg, que hoje em dia, é considerado um dos maiores cineastas de todos os tempos.

O sucesso nas bilheterias motivou a realização de três continuações, lançadas entre 1978 e 1987. Além das sequencias, também gerou diversos imitadores, muitos deles, dignos de nota, lançados nos anos 70 e 80; hoje em dia, o subgênero “tubarão” está renegado apenas às produções lamentáveis da Asylium, responsável pelos Sharknados da vida...

O ultimo filme de tubarão assassino que é digno de nota, é o filme Águas Rasas, lançado em 2016.

O astro Roy Scheider faleceu em 2008. Robert Shaw faleceu em 1978. Até hoje, ambos são lembrados pelos seus papeis, bem como o ator Richard Dreyfuss. O autor Peter Benchley faleceu em 2006. Richard D. Zanuck faleceu em 2012. David Brown faleceu em 2010.

Enfim, Tubarão é um Clássico do Cinema. Um dos maiores filmes de todos os tempos. Um dos Filmes Mais Assustadores da História.

Excelente. Maravilhoso. Um filme inesquecível.

Altamente recomendado.







AVISO.

  O LIVROS & FILMES DE HORROR está em recesso. Obrigado.