Mostrando postagens com marcador ESTADOS UNIDOS. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ESTADOS UNIDOS. Mostrar todas as postagens

sábado, 26 de outubro de 2024

O HOMEM INVISÍVEL (1933). Dir.: James Whale.

 

NOTA: 9


O Ciclo dos Monstros Clássicos da Universal foi um dos mais importantes de todos os tempos, não apenas para o cinema de horror, mas para o próprio estúdio também, pois, foi graças aos clássicos Drácula (1931) e Frankenstein (1931), que os lucros aumentaram durante a famigerada época da Grande Depressão.

 

O HOMEM INVISÍVEL, lançado em 1933, e dirigido por James Whale, é mais um exemplar desse maravilhoso ciclo, e um dos melhores, também.

 

Aliás, eu me arrisco a dizer que o Ciclo Clássico não tem filmes ruins.

 

Além de ser um dos melhores, este aqui também é a segunda adaptação de uma obra de H.G. Wells para o cinema; a primeira havia sido A Ilha das Almas Selvagens, lançada um ano antes pela Paramount, baseada no livro A Ilha do Dr. Moreau.

 

Mas, segundo os historiadores de cinema, Wells não ficou satisfeito com o resultado da adaptação, e, quando a Universal resolveu adaptar O Homem Invisível, ele pediu que o estúdio tivesse mais cuidado e respeito com o material original.

 

Mas, falarei sobre os detalhes da produção mais para frente.

 

O Homem Invisível é um filme excelente, realizado com excelentes técnicas de direção, e efeitos especiais que até hoje impressionam.

 

Não apenas isso, este é também um dos filmes mais divertidos do Ciclo, graças à direção de James Whale, que imprime seu característico humor camp, que esteve presente no seu filme anterior, o ótimo A Casa Sinistra (1932).

 

Whale entrou no projeto graças à sua influência no estúdio, que se tornou evidente após o sucesso da adaptação da peça Journey’s End, que foi adaptada pelo estúdio no começo dos anos 30, e que possibilitou de Whale dirigisse Frankenstein, lançado em 1931, que impulsionou a carreira de Boris Karloff, e deu início a uma das franquias mais rentáveis da Universal, os filmes de terror.

 

No entanto, a produção de O Homem Invisível não foi fácil, porque o filme passou pelo processo que hoje é conhecido como “Inferno de desenvolvimento”, visto que o roteiro passou por várias pessoas diferentes, que se diferenciavam bastante do romance de Wells. Esse processo demorado continuou até Wells chamar R.C. Sheriff, que havia escrito Journey’s End, para escrever o roteiro, desta vez, parcialmente inspirado no romance de Wells e no romance The Murderer Invisible, cujos direitos foram adquiridos pelo estúdio.

 

Como eu ainda não li o livro de Wells, não sei se o filme ficou próximo do mesmo, mas, eu digo que é um roteiro muito bem escrito, com pequenas peças que vão se encaixando aos poucos, e que mistura elementos de terror e ficção cientifica com um toque especial, além de conter alguns elementos de humor negro, que se tornariam característicos de Whale durante sua curta carreira.

 

Além do roteiro inteligente, o filme conta com um ótimo elenco, liderado pelo ator Claude Rains, que atua de maneira brilhante, principalmente com sua voz impactante. Em momento nenhum, o elenco escolhido por Whale faz feio em suas performances, e cada um atua de acordo com as instruções que devem ter sido passadas pelo diretor, com menção para o colorido elenco de apoio, que conta com atores cômicos.

 

No entanto, eu acredito que o que mais chama atenção em O Homem Invisível são seus efeitos especiais, que, como eu disse, ainda surpreendem e não ofendem o espectador. Os efeitos foram criados por John Fulton, e contavam com o que mais havia de moderno na época. Para as cenas em que o ator não estava presente, foram utilizados cabos especiais, invisíveis na lente da câmera; no entanto, quando Rains estava presente com algumas peças de roupa, o ator foi coberto por um tecido preto, e fotografado contra um fundo da mesma cor, e as cenas foram combinadas na pós-produção. De acordo com os historiadores de cinema, Fulton teve mais dificuldade na cena em que o Homem Invisível está sentado diante de um espelho, tirando suas faixas de gaze. Foi uma sequência difícil porque quatro peças diferentes de filme foram fotografadas e depois combinadas.

 

Como eu disse acima, os efeitos são impressionantes até hoje, e devem ter servido de inspiração para vários técnicos e cineastas futuros, além de ter arrancados suspiros das plateias, que ainda estavam impressionadas pelos efeitos especiais de King Kong, que foi lançado no mesmo ano.

 

No entanto, apesar de gostar muito do filme, eu devo dizer que não sou muito fã desse humor camp do diretor Whale; eu considero muito exagerado em certos pontos, e isso se deve principalmente a alguns dos atores que ele escala para seus filmes; isso ficou evidente para mim em A Casa Sinistra, e me incomodou um pouco. Aqui, também temos um pouco disso, e é um pouco demais.

 

Mas isso não impede O Homem Invisível de ser um grande filme, que merece visto por fãs de cinema.

 

Enfim, O Homem Invisível é um filme excelente. Um filme de terror e ficção cientifica contado com uma maestria inspirada, auxiliada por um elenco inteligente, e por efeitos especiais que impressionam até hoje. Um roteiro muito bem escrito, que combina terror, ficção cientifica e humor negro muito bem, e deixa os elementos quase imperceptíveis. Um dos melhores filmes do Ciclo dos Monstros Clássicos da Universal Studios.



 

sábado, 19 de outubro de 2024

O DESPERTAR DOS MORTOS (1978). Dir.: George A. Romero.

 

NOTA: 10


O DESPERTAR DOS MORTOS é, sem dúvida, o melhor filme de George A. Romero, além de ser o melhor filme de zumbis de todos os tempos.

 

Filme do meio da trilogia dos zumbis, esse filme apresentou tudo aquilo que hoje é utilizado em mídias sobre apocalipse zumbi.

 

Algumas regras já haviam sido estabelecidas em A Noite dos Mortos-Vivos, mas, em Despertar, elas foram aumentadas, e hoje em dia, tornaram-se praticamente obrigatórias.

 

Isso sem falar que, assim como seu antecessor, é um filme repleto de comentário social, desta vez, voltado para o consumismo.

 

Essa era uma característica nos filmes de Romero, mas, acredito que ficaram ainda mais em evidência dos seus filmes de zumbi, visto que o cineasta soube fazer isso com maestria, maestria essa que até hoje é discutida por cinéfilos e cineastas.

 

Além de tudo isso, Despertar também é um marco do gore, graças aos efeitos especiais do mestre Tom Savini, mas, mais detalhes sobre isso adiante.

 

Na trama, o mundo está quase todo devastado pelos zumbis. Sabendo disso, um grupo de quatro pessoas foge em um helicóptero e acaba encontrado um shopping center, onde acaba se instalando para escapar do ataque dos mortos-vivos.

 

Assim como no anterior, é uma trama simples que também está carregada de comentários sociais, mas, ao contrário do primeiro filme, é possível perceber que o orçamento foi um pouco maior aqui.

 

A grandeza do filme está presente desde os seus bastidores.

 

Romero estava com dificuldades de produzir uma continuação para o primeiro filme, mas acabou recebendo apoio do diretor Dario Argento, que já era um grande fã do cineasta, e vice-versa. Assim, Romero viajou para a Itália, onde conseguiu desenvolver o roteiro e conseguiu financiamento para realizar o filme.

 

É legal saber que Romero teve apoio de Argento para fazer o filme, o que formou uma grande amizade entre eles, que se consolidou ainda mais quando se uniram novamente para dirigir o filme Dois Olhos Satânicos (1990), antologia baseada em dois contos de Edgar Allan Poe.

 

Ainda segundo Romero, a ideia para este filme surgiu quando ele estava em um shopping center em Pittsburg, e imaginou como seria se uma horda de zumbis invadisse o lugar.

Conforme mencionado acima, a crítica da vez está no consumismo exagerado, e não deixa de ser verdade, visto que, quando as pessoas vão ao shopping, elas passam horas no local, olhando para os itens em oferta, e além disso, quando acontece alguma promoção em alguma loja, não é incomum ver um grupo de pessoas se formando na porta do estabelecimento, prontas para agarrar os itens o quanto antes. Eu já vi uma imagem dessas na internet, mas, graças a Deus, nunca presenciei algo como esse pessoalmente.

 

Agora que já comentei um pouco a respeito do comentário social presente no filme, deixe-me falar sobre os personagens.

 

O roteiro é focado em grupo de quatro pessoas, formado por dois policias da SWAT, uma repórter de TV e um piloto da emissora. A interação entre eles é muito boa, e é possível identificá-los rapidamente, assim que aparecem no filme. Fran se encaixa a princípio no perfil da mocinha indefesa, visto que ela começa o filme toda fragilizada, mas, conforme a trama avança, ela se mostra tão forte quanto os homens. Stephen é o seu namorado, e é o piloto do grupo; no início, ele também se mostra receoso em matar as criaturas, mas muda de atitude quando percebe que não há outra saída. Peter e Roger são os agentes da SWAT, e cada um possui sua própria personalidade; Roger é valente e não tem medo do perigo; Peter, por outro lado, é mais racional, mas valente, também.

 

Juntos, os personagens formam um grupo bastante unido, e se apoiam nas decisões importantes que devem ser tomadas. Além disso, eles se unem também na hora de tomar o shopping, chegando a construir quase que uma casa dentro do prédio, no local onde escolheram para se esconder. E na hora do combate, eles se unem ainda mais, cada um dentro de suas habilidades.

 

O roteiro de Romero também é muito afiado no que quis respeito ao ritmo. Logo no começo, fomos brindados com uma confusão no estúdio de TV, passando para uma guerra no conjunto habitacional de cubanos. Depois desse início frenético, as coisas começam a andar de forma mais lenta, com os personagens tomando o shopping, procurando um lugar para se esconder, depois, começam a tomar as coisas das lojas, até que conseguem se firmar no local. Mas não é só isso. A trama também se preocupa em explorar as relações entre os quatro, principalmente entre Fran e Stephen.

 

Em determinado momento, um grupo de motoqueiros saqueadores invade o prédio e provoca uma guerra com os quatro, o que leva a trama de volta à ação, visto que eles também lutam contra os zumbis das formas mais criativas possíveis.

 

Conforme mencionado acima, o filme é também um marco do gore, graças aos excelentes efeitos especiais de Tom Savini. O visual dos zumbis é básico, até, com uma tonalidade cinza e azulada, mais os efeitos de morte são o auge. Logo na primeira sequência de ação, no conjunto habitacional dos cubanos, somos presenteados com uma cabeça explodindo em frente à câmera, além de cenas de pessoas sendo mordidas. No shopping, a coisa não é muito diferente, com os zumbis sendo derrotados com tiros na cabeça, mas com efeitos diversos. No entanto, o melhor acontece quando eles matam os motoqueiros, arrancando seus órgãos na base da unha, e devorando-os vivos. No entanto, Savini deixaria o melhor para o filme seguinte da trilogia, Dia dos Mortos (1985), mas isso é assunto para outra resenha.

 

Despertar dos Mortos foi financiado por Dario Argento, conforme mencionei, e com isso, acabou ganhado uma versão remontada pelo cineasta italiano para o mercado europeu, que recebeu o título de Zombie. Além da versão editada por Argento, o filme também possui uma versão estendida, com 139 minutos, considerada por muitos como a Versão do Diretor; no entanto, Romero afirmava que a sua Versão do Diretor era a versão original, com 127 minutos. A versão escolhida para esta resenha é justamente a Versão do Diretor.

 

Foi lançado em Blu-ray e DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo, numa edição que apresenta as três edições, em versões restauradas, com um disco só de extras. Atualmente, tais edições estão fora de catálogo.

 

Enfim, O Despertar dos Mortos é um filme excelente. O filme que apresentou as principais regras para as mídias posteriores, além de contar com uma direção inspirada, roteiro afiado, e efeitos especiais bastante criativos. Um filme que se tornou um marco do gore, e também, o melhor filme de zumbis de todos os tempos, além de ser o melhor filme do diretor George A. Romero.


Créditos: Versátil Home Vídeo.


sexta-feira, 18 de outubro de 2024

HALLOWEEN 4 – O RETORNO DE MICHAEL MYERS (1988). Dir.: Dwight H. Little.

 

NOTA: 6


Dez anos após sua primeira aparição, Michael Myers está de volta em HALLOWEEN 4 – O RETORNO DE MICHAEL MYERS.

 

E chegamos a Halloween 4, o filme que retoma a linha do tempo que terminou em Halloween II, e que dá início à polêmica Trilogia de Thorn, que, na opinião de muitos críticos, destruiu a mitologia da franquia, além de não fazer muito sentido.

 

Além disso, esse filme também não se iguala ao primeiro, e nem ao segundo em questões técnicas e de roteiro, mas, mais detalhes sobre isso mais para frente.

 

Primeiro, vamos começar dizendo como essa sequência ganhou a luz do dia.

 

Depois da recepção fria do filme anterior, o produtor Moustapha Akkad queria retomar as raízes da franquia, ou seja, queria trazer Michael de volta. Sendo assim, ele chamou os criadores, John Carpenter e Debra Hill, para escreverem o roteiro, mas, a ideia deles se distanciou muito do que Akkad tinha em mente.

 

Segundo informações da internet, e de um livro que fala sobre as ideias rejeitadas de continuações para a franquia, o roteiro de Carpenter e Hill focava nas consequências do massacre de 1978, com a cidade de Haddonfield abandonando o Halloween, e com uma nova onda de assassinatos acontecendo, o que despertaria a possibilidade de que um novo Michael Myers estaria surgindo.

 

No entanto, a Akkad não gostou da proposta e rejeitou o roteiro, o que levou Carpenter e Hill a abandonarem a franquia, e Akkad a adquirir os direitos. Então, um novo roteirista foi contratado, e, segundo informações, ele teve de agir rápido, porque, naquele ano, uma greve de roteiristas estava prestes a estourar. O roteirista conseguiu finalizar o trabalho em alguns dias, mas não havia tempo para revisões e reescritas, o que prejudicou o resultado.

 

O diretor Dwight H. Little também não tinha muita experiência no cinema, e teve que trabalhar num ritmo acelerado para concluir o filme a tempo para o lançamento. Posso dizer que ele fez um trabalho decente, apesar de cometer alguns erros, principalmente na hora de montar o filme.

 

Assim como o primeiro, Halloween 4 foi rodado na primavera, o que levou os realizadores a se virar para encontrar folhas secas e abóboras para decorar os cenários.  Levando em conta o tempo que tiveram, eu diria que eles conseguiram se virar muito bem.

 

Na trama, Michael passa dez anos em um hospital, e será transferido para Smith’s Grove. No entanto, ele consegue matar os paramédicos e parte de volta para Haddonfield, com o intuito de matar sua sobrinha. Sabendo que Michael está à solta novamente, o Dr. Loomis decide ir à caça do assassino.

 

Passado esse resumo da trama, vamos falar sobre o filme em si.

 

Halloween 4 é um filme que tenta seguir a fórmula criada por Carpenter, além de tentar seguir também a fórmula dos slashers que estavam em vigor na época. Mas, além disso, ele se esforça para ser uma continuação, visto que apresenta novos personagens e situações que não estavam presentes nos filmes anteriores.

 

Eu vou sincero aqui e dizer que até gosto dos personagens novos, e eles funcionam bem no filme, principalmente a garotinha Jamie Lloyd, a filha de Laurie Strode, que, segundo a trama, morreu em um acidente automobilístico, o que levou Jamie a ser adotada por outra família.

 

A família de Jamie convence bem, e os atores não fazem feio em suas performances, assim como boa parte do elenco. A irmã mais velha, Rachel, se apresenta como uma possível final-girl certinha, que cuida da irmã mais nova e a leva para pedir doces no Halloween.

 

O mesmo pode ser dito a respeito dos outros jovens que compõem o elenco, o namorado de Rachel, e a filha do novo xerife, eles cumprem bem seus papéis.

 

No entanto, isso não livra o filme de muitos erros, principalmente no roteiro. Como eu disse acima, o roteiro foi escrito em poucos dias antes da greve, portanto, não foi possível fazer uma revisão, ou reescrevê-lo, o que leva o filme a apresentar situações absurdas, que não fazem sentido, em sua maioria.

 

A principal delas, para mim, é quando um dos homens do xerife informa a ele que descobriu que os demais policiais foram massacrados na delegacia. Isso não faz o menor sentido, visto que há repórteres na cidade, e também ocorreu um blackout. Como ele descobriu isso, então? Porque deve ter ouvido os linchadores comentando entre si? Como, se ele ficou na casa de Jamie o tempo todo? Eu não engulo essa cena.

 

Outro erro está na sequência final na caminhonete. De acordo com a cena, Michael surge por trás do veículo e mata todos os homens. Mas, como ele apareceu lá, se, na cena anterior, ele foi derrubado por um extintor de incêndio na escola? Em momento nenhum, ele é visto saindo da escola e se escondendo debaixo do veículo. Eu não sei como essa cena faz sentido.

 

Além disso, a montagem às vezes também parece não fazer sentido, principalmente na sequência de perseguição na escola, porque, parece que Michael está em vários lugares do prédio ao mesmo tempo, o que deixa a sequência mais confusa, e parece que a geografia do prédio é confusa.

 

Quando eu era mais novo, eu admito que não dava importância para esses problemas, mas, conforme fui ficando mais velho, com um certo senso crítico, fui percebendo o quão bagunçado é esse filme.

 

Outro problema apresentado por alguns críticos, é o visual do vilão. Após sua fuga, fica claro que Michael roubou o macacão de um mecânico, mas o problema é o visual de sua máscara. É mostrado que Michael a rouba de uma loja de fantasias, mas, ela não lembra em nada a máscara original, sendo aparentemente lisa, contando com os olhos negros e expressão facial neutra. Aliás, essa questão da máscara ficaria mal resolvida ao longo das demais continuações.

 

As cenas de morte também não são muito inspiradas; para falar a verdade, eu diria que elas aparentam terem sido censuradas pela MPAA, o que as deixou incompletas. Mas isso não as impediu de apresentar problemas, em especial, a cena em que a filha do xerife é empalada na parede por uma espingarda. Essa é mais uma cena que não faz o menor sentido, além de não ser nem um pouco prática e inverossímil.

 

E claro, não podemos deixar que falar do maior problema do filme – e das duas sequências –, que é a presença do Dr. Loomis. Conforme vimos em Halloween II, ele provoca uma explosão no hospital que deixa Michael incapacitado, e que, na teoria, deveria matá-lo. O fato de Michael sobreviver à explosão pode até ser perdoado, mas Loomis sobreviver e ficar com uma cicatriz minúscula no rosto e nas mãos também não é verossímil. Se foi uma condição imposta por Moustapha Akkad, mostra que realmente ele não estava interessando em coerências.

 

E a derrota de Michael deixa evidente que o fato dele ter sobrevivido em Halloween 5 também não faz sentido, principalmente por causa do local onde ele foi derrotado.

 

No entanto, apesar dos erros, Halloween 4 tem seus bons momentos, como boas cenas de suspense, além de contar com uma boa cena de ação na caminhonete, e uma ótima sequência de créditos iniciais, e uma boa trilha sonora.

 

Enfim, Halloween 4 é um filme bom. Uma continuação decente para a franquia Halloween, que traz seu principal personagem de volta, além de fazer adições razoáveis ao elenco. Um filme que contêm muitos erros, principalmente no roteiro, mas eles são compensados pela trilha sonora e por um elenco que atua bem.



 

terça-feira, 15 de outubro de 2024

A NOITE DOS DEMÔNIOS (1988). Dir.: Kevin S. Tenney.

 

NOTA: 8.5


A NOITE DOS DEMÔNIOS é um dos filmes de terror mais cultuados de todos os tempos.

 

Além disso, é um dos filmes mais arrepiantes e divertidos que eu já vi, mesmo após ter visto as continuações.

 

Na verdade, eu não sei se o filme é de fato cultuado lá fora, mas acredito que a sua vilã principal, a adolescente Angela, seja uma das figuras mais conhecidas do gênero.

 

Este é um grande filme com temáticas de Halloween e possessão demoníaca, e os aborda de maneira bem sincera, e principalmente, faz questão de ser arrepiante.

 

O longa é também parte daqueles filmes de terror dos anos 80 que possuem um roteiro bem criativo, aliado a uma técnica de direção afiada, que foca em detalhes importantes da narrativa.

 

Na trama, a adolescente Angela promove uma festa de Halloween numa casa funerária abandonada. Durante a festa, ela propõe uma brincadeira com um espelho da casa, e, após o espelho cair acidentalmente, um demônio é libertado e todos passam a ser possuídos.

 

É uma trama básica de possessão demoníaca, não? Somando isso o fato do filme se passar no Halloween, deixa-o ainda melhor e mais sinistro.

 

A Noite dos Demônios é um filme muito criativo, a começar pela técnica de direção de Kevin Tenney, que faz uso de câmeras que simulam o ponto de vista da entidade, a lá Uma Noite Alucinante, além de truques impecáveis de maquiagem, e uma trilha sonora inspirada.

 

O elenco de jovens também está afiado, principalmente a atriz Amelia Kinkade, que interpreta a icônica Angela, com seu vestido de noiva negro e brincos de cruzes. Ao lado de Amelia, Linnea Quigley também brilha, com sua divertida Suzanne, que está sempre preocupada com a maquiagem. Quem também funciona é Cathy Podewell, no papel da heroína Judy, que pode ser considerada uma final-girl.

 

Mas não se engane. A maquiagem é o grande destaque, e os efeitos funcionam muito bem. O maquiador Steve Johnson criou grandes coisas, e a aparência dos demônios é muito boa e não exagerada, o que é de bom tamanho. Eu diria que o visual de Angela é o melhor, com seus dentes afiados e voz grossa, combinado com o figurino negro. A personagem retornaria nas continuações com o mesmo visual.

 

É possível perceber que os demônios aqui têm as suas próprias regras, e elas funcionam muito bem. A possessão acontece após um contato imediato, e afeta também aqueles que morrem nas mãos dos demônios.

 

O design de produção também merece destaque, principalmente a casa funerária abandonada. O lugar é aquilo que se pode esperar de um filme de terror, com as janelas cobertas por tábuas, corredores escuros e luminosidade muito limitada. E quando os personagens tentam fugir dos demônios, a casa parece se transformar em um labirinto, o que deixa as cenas de terror ainda mais angustiantes.

 

No entanto, apesar do roteiro esperto, que dá foco a pequenos detalhes, como o fato dos brincos de Angela se inverterem após ela ser possuída, existe uma questão que, ao meu ver, não foi bem explorada: a presença de água corrente abaixo da casa, o que impede os demônios de cruzar o local. Apesar de ser mencionado no começo, esse fato não retorna no final.

 

Mas, apesar desse pequeno detalhe, a Noite dos Demônios é muito divertido. Nos anos 90, recebeu duas continuações direto para vídeo, ambos que marcam o retorno de Amelia Kinkade no papel de Angela.

 

Foi lançado em DVD no Brasil na coleção Sessão de Terror Anos 80 – Vol.4, da Obras-Primas do Cinema, em versão remasterizada, com uma entrevista de Amelia Kinkade nos extras.

 

Enfim, A Noite dos Demônios é um filme muito bom. Uma história de Halloween e possessão demoníaca contada com uma grande técnica de direção, e grandes efeitos de maquiagem. Um filme muito divertido, que consegue ser assustador em determinados momentos, graças à câmera do diretor Kevin Tenney. Um dos filmes mais divertidos dos anos 80.


Créditos: Obras-Primas do Cinema.


segunda-feira, 16 de setembro de 2024

OS FANTASMAS AINDA SE DIVERTEM (2024). Dir.: Tim Burton.

 

NOTA: 9.5


Beetlejuice está de volta.

 

36 anos após sua primeira aparição em Os Fantasmas se Divertem, o fantasma mais famoso do pedaço está de volta em OS FANTASMAS AINDA SE DIVERTEM, a tão aguardada continuação da comédia dark dirigida por Tim Burton, que retorna na direção também.

 

Só digo uma coisa. Eu amei esse filme! A espera valeu a pena.

 

Beetlejuice 2 é tão assustador, divertido e absurdo quanto o primeiro. Eu me diverti muito com esse filme, e posso dizer que, após cinco anos afastado do cinema, Burton continua um grande cineasta, que sabe imprimir seu toque clássico em seus filmes, e transformá-los em grandes obras.

 

O retorno de Beetlejuice era aguardado por todos nós desde os anos 90, quando Burton foi apresentado a diversas ideias para uma continuação, mas, nenhuma delas foi para frente. Não sei com detalhes quais foram essas ideias, mas digo que, enquanto pensava em como um segundo filme seria, o diretor acabou comandando a continuação de Batman, e o filme foi engavetado. Felizmente, o tempo foi generoso, e Burton entregou um de seus melhores filmes.

 

E não temos apenas o retorno do Suco, como também, de duas personagens do primeiro filme.

 

Na trama, Lydia Deetz retorna à Winter River para o funeral de seu pai, que morreu de forma súbita. Ao seu lado, estão sua madrasta Delia, e também sua filha Astrid. Enquanto se recuperam do baque da morta súbita de Charles, Astrid acaba descobrindo a maquete dos Maitland no sótão da casa, e também descobre sobre Beetlejuice. Ao mesmo tempo, ela conhece um garoto que a leva para o mundo dos mortos. Desesperada, Lydia pede ajuda à Beetlejuice para trazê-la de volta.

 

Essa é a trama de Beetlejuice 2. Eu posso dizer que gostei dela, porque é uma variação da trama do primeiro filme, onde o casal Barbara e Adam recorre ao Suco para expulsar os Deetz de sua casa. Aqui, a coisa é diferente. Os roteiristas fizeram muito bem em mostrar como os personagens evoluíram durante os 36 anos que separam os dois filmes, principalmente Lydia. Aqui, ela se tornou apresentadora de um programa sobre eventos sobrenaturais, ao mesmo tempo que precisa lidar sua filha rancorosa e rebelde. Delia, por outro lado, também apresentou mudanças, mas, se mostra a mesma mulher preocupada com a própria reputação, do que com a família.

 

Eu pessoalmente não achei ruim esse fato, na verdade, até esperava por isso, porque, convenhamos, Delia não poderia apresentar outra personalidade.

 

Quem realmente mudou foi Lydia, que, além de ser uma celebridade, também é uma mulher insegura consigo mesma, e que luta para reconquistar o amor de Astrid, que se revoltou com a mãe após perder o pai.

 

Como não acompanhei nenhuma crítica ou resenha do filme, porque queria ter a minha própria impressão do mesmo, não sei o que as pessoas acharam de Astrid, porque a garota é uma adolescente rebelde, que critica a mãe o tempo todo. Eu confesso que não sabia o que esperar dessa personagem, então, eu digo que fui surpreendido. Astrid é rancorosa, além de cética, mas, no fundo, tem um bom coração.

 

Além das três mulheres da família Deetz, temos também alguns novos personagens, como Rory, o empresário e namorado de Lydia, que acompanha a família na viagem à Winter River, e faz de tudo por ela, inclusive, recuperar seus comprimidos do lixo. O personagem é bem legal, e se mostra apito a ajudar, mas, em determinado momento do filme, suas intenções são reveladas.

 

Ao lado de Rory, temos o fantasma Wolf Jackson, um ex-ator de filmes de espionagem, que se tornou policial no Outro Lado, e possui um papel muito importante na trama, porque ele está atrás de alguém que está sugando a alma dos fantasmas. O personagem é bem divertido, e mostra que, mesmo depois de morto, não deixou seu lado canastrão de lado.

 

Para fazer companhia aos dois, temos também os ajudantes de cabeça encolhida, os Encolhidos. Eles são muito legais, e passam o filme inteiro fazendo atrapalhadas, além de trabalharem como secretários no Outro Lado, mais ou menos como vimos no primeiro filme, com a fantasma da senhora que cuidava do caso dos Maitland.

 

E por fim, temos Delores, a ex-noiva de Beetlejuice. A personagem já surge mostrando que não está para brincadeira, numa cena hilária, onde ela aparece se reconstruindo, após um pequeno acidente provocado por um faxineiro, numa ponta bem bacana de Danny DeVito. A mulher pode ser definida como uma Morticia Addams com grampos, uma vez que ela se parece muito com a matriarca da Família Addams. Uma adição muito legal ao universo do Outro Lado.

 

E claro que não poderia faltar o nosso querido fantasma mais famoso do pedaço. O Suco mostra que não mudou nada após todos esses anos, mas isso não é um defeito. O personagem não poderia ter sido escrito de outra forma, apelando para piadas de mal gosto e tiradas sagazes, além do humor ácido. E convenhamos que Michael Keaton continua com tudo no papel.

 

A direção de Burton também é um ponto positivo. Conforme mencionei acima, mesmo após cinco anos afastado do cinema, o cineasta mostrou que fazer filmes é sua paixão, e ele não falhou em momento nenhum, seja com seu elenco, seja com sua equipe. Ele conseguiu tirar grandes atuações de seus atores, e todos se mostraram bem à vontade em reprisar seus papéis. Os quesitos técnicos também não ficam atrás, com os enquadramentos e movimentos de câmera criativos, tanto no nosso mundo, quando no Outro Lado.

 

E é claro que o diretor não iria deixar de colocar sua marca no filme. É possível ver a impressão de Burton durante todo o filme, do começo ao fim, e isso fica evidente principalmente em algumas cenas importantes. A melhor delas é a narração que Beetlejuice faz sobre como conheceu Delores. A sequência é filmada como se fosse um filme gótico italiano, uma grande homenagem ao Maestro Mario Bava, devo dizer, porque parece uma sequência extraída direto de A Maldição do Demônio (1960), primeiro filme do cineasta italiano.

 

Além de homenagear um de seus ídolos, Burton fez questão de usar o máximo de efeitos práticos possível; então, temos aqui inúmeros fantasmas criados com maquiagem de verdade, além os Encolhidos, e do verme de areia, que foi todo criado em stop-motion. Eu amei as cenas com o verme, porque não havia outro jeito de criá-los, que não fosse esse.

 

No entanto, o filme tem um pequeno problema. Eu senti que Delores não foi tão bem aproveitada quanto deveria, porque, ela aparece pouco, e sua participação no final foi bem rápida. Eu esperava que a personagem tivesse um papel ainda mais importante no filme, que poderia gerar uma espécie de conflito entre ela, Beetlejuice, e Lydia, mas, infelizmente, não foi o que aconteceu... Nesse ponto, o filme perdeu um ponto.

 

Mas, apesar desse pequeno problema, eu amei assistir a Beetlejuice 2. Foi como revistar velhos amigos, que não via há muito tempo, e pude me divertir com suas nova histórias.

 

Enfim, Os Fantasmas Ainda se Divertem é um filme excelente. Uma comédia de horror contada com grande maestria, com tudo que se pode esperar de um filme de Tim Burton. A direção do cineasta é um dos pontos positivos, e ele se mostra muito capaz de comandar após sua ausência das telas. Os efeitos especiais, a maquiagem e o design de produção também merecem ser mencionados, porque remetem a tudo que tinha no primeiro filme. E o retorno do elenco principal deixa o filme ainda mais delicioso, principalmente o personagem-título, que continua mais atrevido do que nunca. Um dos melhores filmes do diretor Tim Burton.



sexta-feira, 19 de julho de 2024

A CASA DO ESPANTO (1986). Dir.: Steve Miner.

 

NOTA: 8.5


A CASA DO ESPANTO é um dos filmes da minha coleção que eu gosto muito.

 

Desde a primeira vez que o assisti, há mais de 20 anos, eu gostei muito dele, e me diverti muito com tudo aquilo que vi na tela, e essa sensação segue até os dias de hoje.

 

Além disso, este é um daqueles filmes dos anos 80 que misturam terror e humor de maneira muito boa e realista. Se o filme fosse apenas um filme de terror de casa assombrada, tudo bem, mas o modo como as coisas são feitas aqui, contribui para deixá-lo único.

 

Na trama, o escritor Roger Cobb se muda para a casa da tia após a morte dela, com o objetivo de escrever um livro sobre suas experiências no Vietnã. Mas ao mesmo tempo, ele decide investigar mais a fundo, o desaparecimento do filho, que supostamente foi raptado dentro da casa.

 

A trama básica é essa, mas, conforme o filme vai andando, as coisas bizarras vão acontecendo uma atrás da outra, e o longa se revela como um filme de casa assombrada, mas não no sentido literal.

 

Aqui, não temos apenas fantasmas; nós temos criaturas de outra dimensão, monstros e zumbis, que têm como único objetivo, infernizar a vida do protagonista, e impedir que ele resolva o mistério por trás do desaparecimento do filho.

 

O roteiro é muito bom em misturar terror e humor, e na verdade, eu mesmo não considero este um filme de terror; na minha opinião, ele é uma comédia de humor negro, visto a quantidade de situações absurdas que o protagonista enfrenta ao longo da narrativa.

 

Além das criaturas bizarras, nós temos também personagens excêntricos, como o vizinho enxerido do protagonista; a ex-esposa dele – talvez a mais normal entre os personagens –; a vizinha bonitona; e os fãs do escritor, os tipos mais variados de figuras. O vizinho é um personagem bem legal, pois está sempre aparecendo nos momentos mais inoportunos, mas se mostra um amigo para o protagonista. As cenas de interação entre os dois são muito boas e engraçadas também, principalmente quando Roger o convida para capturar uma das criaturas.

 

Outro personagem que merece menção, é o parceiro de guerra de Roger, o fortão Big Ben, que aparece nas cenas de flashback da guerra. Big Ben é o típico personagem casca-grossa, mas não deixa de ser engraçado quando o roteiro pede. As cenas entre ele e Roger também são muito bem escritas e dão um contraste bacana entre eles, expondo suas diferenças em combate.

 

Agora que já falei os personagens, vou falar das criaturas. Há várias delas aqui, que vão desde monstros saindo do armário, até zumbis que voltam do túmulo, passando por seres tentaculares e voadores de outra dimensão. A melhor delas é mulher de vestido roxo e unhas vermelhas, que é uma personagem muito engraçada desde a primeira vez em que aparece, e ela apanha muito durante o filme.

 

No entanto, o principal monstro do filme é a versão zumbi de Ben, que se mostra o verdadeiro vilão do filme, e tem um motivo pessoal para ir atrás de Roger.

 

A direção de Steve Miner também merece ser mencionada aqui, porque o diretor faz uso de técnicas criativas para contar sua história, sendo a mais engenhosa delas o plano sequência que acontece durante os créditos iniciais, que começa na parte de trás da casa e termina na fachada da mesma, uma sequência inteira sem cortes, que não deve ter sido fácil de ser feita na época.

 

A trilha sonora de Harry Manfredini também é muito boa, principalmente o tema principal, que remete a um filme de terror de fato. Em certos momentos, a trilha lembra muito a da franquia Sexta-Feira 13, que é do mesmo compositor, e isso não é um defeito.

 

As cenas de humor e terror são muito boas também, e não apelam para muitos clichês. Os momentos de verdadeiro terror acontecem quando Roger atravessa os portais para outra dimensão, ou então, quando é perseguido pelo zumbi; já as cenas de humor acontecem graças às criaturas, que são muito engraçadas de fato, principalmente a mulher de vestido roxo.

 

E para finalizar, a própria casa em si é um personagem, principalmente a sua fachada em estilo colonial, que é bem memorável e assustadora.

 

Enfim, A Casa do Espanto é um filme muito bom. Um filme de terror de casa assombrada, com toques de humor espertos, aliados a uma direção competente, e um roteiro criativo. Os efeitos especiais merecem menção também, principalmente as criaturas, que são bem convincentes. A fotografia faz um ótimo trabalho, principalmente quando destaca a fachada da casa, que é bem memorável. Uma ótima mistura de terror e humor.




sexta-feira, 21 de junho de 2024

PAGUE PARA ENTRAR, REZE PARA SAIR (1981). Dir.: Tobe Hooper.

 

NOTA: 8.5


PAGUE PARA ENTRAR, REZE PARA SAIR é um interessante exemplar do gênero slasher.

 

Lançado em 1981, e dirigido por Tobe Hooper, é um dos filmes considerados menores do cineasta, mas, não deixa de ser um dos melhores.

 

Além de ser um dos melhores filmes do diretor, é também um exemplar curioso do gênero Slasher, visto que apresenta as características que estavam presentes no gênero naquela época.

 

Este é um dos filmes mais criativos dirigidos por Hooper, graças às técnicas empregadas pelo cineasta, principalmente no que diz respeito à câmera do diretor, que realiza movimentos incríveis.

 

O roteiro apresenta uma trama bem simples, de parque de diversões maldito, onde um assassino se esconde. A protagonista Amy e seus amigos decidem passar a noite nesse mesmo parque, e acabam testemunhando um assassinato, e precisam fugir do assassino.

 

Parece ser uma trama bem simples, não? Na verdade, até é, mas existe uma diferença aqui. Ao invés de um assassino convencional, temos um assassino literalmente monstruoso, com um rosto deformado, que mata suas vítimas com requintes de crueldade.

 

É uma trama simples, não é? Sim, é bem simples. As diferenças são a ambientação – que foge do padrão tradicional dos Slashers – e o próprio assassino. Os personagens são os típicos de um filme Slasher, com seus estereótipos característicos, como o valentão, o figura cômica e a garota virginal.

 

No entanto, há uma diferença aqui. Amy, a protagonista, até se encaixa no perfil da garota virginal – a final girl –, mas, em determinados momentos, ela é vista fumando maconha, e se pegando com o namorado. Mas, apesar dessas diferenças, Amy ainda se encaixa no perfil característico da final girl, também presente no subgênero.

 

Conforme mencionado acima, um dos fatores que diferem este de outros Slashers, é a ambientação, no caso, um parque de diversões itinerante. Eu digo isso, porque, no gênero, era comum os filmes se passarem em fraternidades ou em acampamentos, então, ao meu ver, a mudança de ares, é um dos pontos positivos do filme.

 

O parque é aquele típico parque de diversões que percorre o país, com seus brinquedos característicos, e personagens estranhos. Mas não se engane; o design de produção é muito bem feito, considerando que o filme foi rodado em locações e em estúdios na Flórida. O lugar é muito bem iluminado, e tem as atrações clássicas, como o show de mágica, a roda-gigante, a montanha-russa, e o show de aberrações, além de outras atrações.

 

No entanto, nenhuma das atrações supera o trem-fantasma, que entra na tal Funhouse do título original. O local é repleto de atrações fantasmagóricas e arrepiantes, como um show de bonecos animados, além de aranhas gigantes e esqueletos que saem do chão. Eu nunca estive em um desses, mas, se estivesse, não sei qual seria a minha reação.

 

A câmera de Hooper também é um ponto positivo. O diretor faz uso de planos criativos, colocando-a em lugares específicos para contar sua história. Uma das tomadas mais impressionantes, sem dúvida, é a grua, que acontece quando o parque está prestes a fechar. A câmera começa acompanhando o irmão mais novo da protagonista, e depois, vai subindo, até chegar a um grande plano geral do parque; a própria grua é mais alta que a roda-gigante. Tal sequência meio que se repete no final do filme.

 

Antes de encerrar, deixe-me falar sobre o assassino e as cenas de morte. Como todo exemplar do gênero Slasher, é viável que o filme tenha boas cenas de morte, certo? Mas não é esse o caso aqui. As cenas de morte são bem reduzidas, e quase não temos o gore, que se espera de um filme desse gênero. Já o assassino é outro detalhe. Ao contrário dos assassinos de costume, temos aqui um ser literalmente monstruoso, com rosto deformado e atitudes animalescas.

 

Mas digo que ele é a melhor coisa do filme. O design do monstro foi criado pelo mestre da maquiagem, Rick Baker, o que já é um grande ponto positivo para ele. Mesmo com as limitações, Hooper faz uso de truques criativos para escondê-las, deixando o assassino sempre nas sombras, e poucos closes. É um assassino animalesco, e um dos melhores do gênero.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Obras-Primas do Cinema, na coleção Sessão de Terror Anos 80 Vol.3.

 

Enfim, Pague para Entrar, Reze para Sair, é um filme muito bom. Uma história assustadora com toques de Slasher. A temática de parque de diversão assombrado, combinado a uma direção criativa, fazem deste um dos melhores filmes do diretor Tobe Hooper. O vilão também é um destaque, graças aos efeitos especiais do mestre Rick Baker. Um dos Filmes Mais Assustadores de Todos os Tempos. Recomendado.


Créditos: Obras-Primas do Cinema.

 

segunda-feira, 10 de junho de 2024

A NOITE DOS MORTOS-VIVOS (1968). Dir.: George A. Romero.

 

NOTA: 10


A NOITE DOS MORTOS-VIVOS é um filme atemporal.

 

Lançado há quase 60 anos, é considerado um dos maiores filmes de terror de todos os tempos, e foi o responsável por apresentar várias características que se tornariam regras para o subgênero de zumbi, além de colocar os mortos-vivos de vez na cultura pop.

 

Aliado a tudo isso, temos as técnicas de direção e produção, que se mostram muito eficientes desde o começo.

 

O diretor George A. Romero fez sua estreia com esse filme, e se mostrou muito competente na arte de comandar e escrever o roteiro de um filme.

 

O roteiro de Romero, escrito em parceria com John Russo, apresenta uma trama simples na verdade, onde um grupo de pessoas se vê preso em uma casa de fazenda abandonada, cercada por vários zumbis. O grupo então precisa se unir para sobreviver a esse ataque.

 

É uma trama simples, não é? Sim, e misturada às técnicas de direção e roteiro, contribui para deixar o filme melhor a cada revisão.

 

Mas não é apenas a técnica que deixa o filme melhor. Outra coisa que contribui para isso é a crítica que o roteiro faz à situação que o país vivia naquele momento, mas, falarei sobre isso mais para frente.

 

Não é novidade que este é um filme de zumbi, mas, não foi o primeiro – o primeiro foi Zumbi Branco (1932), com Bela Lugosi. Apesar de não ser o primeiro, foi o responsável por apresentar o zumbi moderno para a cultura pop, além de ser o filme que definiu o gênero de terror moderno, influenciando gerações de cinéfilos e cineastas ao longo das décadas.

 

Além disso, é um dos filmes mais claustrofóbicos de todos os tempos. A ambientação na casa é a principal fonte de claustrofobia, porque ela está sempre fechada para impedir a entrada dos zumbis. Os personagens ficam enclausurados dentro daquela casa, e com isso, nós, os espectadores também.

 

Uma curiosidade interessante. Apesar de ser um filme de zumbi, a própria palavra “zumbi” não é mencionada em momento nenhum, e nem a origem das criaturas é explicada com clareza. Em determinado momento, o noticiário diz que o responsável pela ressurreição dos mortos foi um satélite que caiu em algum lugar os Estados Unidos. É uma boa explicação.

 

Além de ser um dos filmes mais claustrofóbicos de todos os tempos, este é também um dos filmes mais chocantes e assustadores de todos os tempos, e motivos para isso não faltam. Um exemplo claro disso é a cena em que os zumbis comem os pedaços de dois personagens que morreram; mesmo sendo em preto e branco, é uma cena pesada até hoje.

 

É um dos filmes mais assustadores porque a tensão e o medo estão presentes desde o primeiro momento, e conforme o filme vai passando, parece que as duas sensações vão aumentando, porque não sabemos o que vai acontecer com os personagens, principalmente dentro da casa, visto que eles se enfrentam o tempo todo.

 

Essa é a grande crítica que o roteiro de Romero e Russo faz. Romero pegou como inspiração os conflitos raciais que estavam acontecendo no país na época, combinado ao terror da Guerra do Vietnã, e montou uma grande crítica em torno do racismo, porque o protagonista Ben é um homem negro, que entra em conflito com Cooper, que é um pai de família tradicional, que não aceita opiniões de ninguém, nem mesmo da esposa.

 

Até hoje, cenas de conflitos raciais estão presentes nos Estados Unidos, vide o movimento “Black Lives Matter!”, que surgiu após um episódio revoltante envolvendo um cidadão afro-americano e um policial. Quem disser que este filme é datado, está enganado.

 

Foi lançado no Brasil em DVD e Blu-ray pela Versátil Home Vídeo, em inédita versão restaurada, com muitos extras acompanhando.

 

Enfim, A Noite dos Mortos-Vivos é Um Clássico do Terror. Um filme que revolucionou o gênero e trouxe os zumbis para a cultura popular e influenciou gerações de cineastas e cinéfilos. Um filme importante em muitos aspectos, pois aborda temas que até hoje são relevantes e importantes, e merece ser visto. Uma trama muito simples, mas que consegue ser assustadora até hoje. Uma trama claustrofóbica que não deixa o espectador respirar. Muito bem feito, muito bem dirigido, com roteiro redondo, sem falhas na concepção. Um dos maiores filmes de terror de todos os tempos, que deu um novo sopro ao gênero. Um dos Filmes Mais Assustadores de Todos os Tempos. O maior filme de zumbis de todos os tempos. Assustador. Claustrofóbico. Chocante. Excelente. 


Créditos: Versátil Home Vídeo.

 

AVISO.

  O LIVROS & FILMES DE HORROR está em recesso. Obrigado.