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sexta-feira, 18 de outubro de 2024

HALLOWEEN 4 – O RETORNO DE MICHAEL MYERS (1988). Dir.: Dwight H. Little.

 

NOTA: 6


Dez anos após sua primeira aparição, Michael Myers está de volta em HALLOWEEN 4 – O RETORNO DE MICHAEL MYERS.

 

E chegamos a Halloween 4, o filme que retoma a linha do tempo que terminou em Halloween II, e que dá início à polêmica Trilogia de Thorn, que, na opinião de muitos críticos, destruiu a mitologia da franquia, além de não fazer muito sentido.

 

Além disso, esse filme também não se iguala ao primeiro, e nem ao segundo em questões técnicas e de roteiro, mas, mais detalhes sobre isso mais para frente.

 

Primeiro, vamos começar dizendo como essa sequência ganhou a luz do dia.

 

Depois da recepção fria do filme anterior, o produtor Moustapha Akkad queria retomar as raízes da franquia, ou seja, queria trazer Michael de volta. Sendo assim, ele chamou os criadores, John Carpenter e Debra Hill, para escreverem o roteiro, mas, a ideia deles se distanciou muito do que Akkad tinha em mente.

 

Segundo informações da internet, e de um livro que fala sobre as ideias rejeitadas de continuações para a franquia, o roteiro de Carpenter e Hill focava nas consequências do massacre de 1978, com a cidade de Haddonfield abandonando o Halloween, e com uma nova onda de assassinatos acontecendo, o que despertaria a possibilidade de que um novo Michael Myers estaria surgindo.

 

No entanto, a Akkad não gostou da proposta e rejeitou o roteiro, o que levou Carpenter e Hill a abandonarem a franquia, e Akkad a adquirir os direitos. Então, um novo roteirista foi contratado, e, segundo informações, ele teve de agir rápido, porque, naquele ano, uma greve de roteiristas estava prestes a estourar. O roteirista conseguiu finalizar o trabalho em alguns dias, mas não havia tempo para revisões e reescritas, o que prejudicou o resultado.

 

O diretor Dwight H. Little também não tinha muita experiência no cinema, e teve que trabalhar num ritmo acelerado para concluir o filme a tempo para o lançamento. Posso dizer que ele fez um trabalho decente, apesar de cometer alguns erros, principalmente na hora de montar o filme.

 

Assim como o primeiro, Halloween 4 foi rodado na primavera, o que levou os realizadores a se virar para encontrar folhas secas e abóboras para decorar os cenários.  Levando em conta o tempo que tiveram, eu diria que eles conseguiram se virar muito bem.

 

Na trama, Michael passa dez anos em um hospital, e será transferido para Smith’s Grove. No entanto, ele consegue matar os paramédicos e parte de volta para Haddonfield, com o intuito de matar sua sobrinha. Sabendo que Michael está à solta novamente, o Dr. Loomis decide ir à caça do assassino.

 

Passado esse resumo da trama, vamos falar sobre o filme em si.

 

Halloween 4 é um filme que tenta seguir a fórmula criada por Carpenter, além de tentar seguir também a fórmula dos slashers que estavam em vigor na época. Mas, além disso, ele se esforça para ser uma continuação, visto que apresenta novos personagens e situações que não estavam presentes nos filmes anteriores.

 

Eu vou sincero aqui e dizer que até gosto dos personagens novos, e eles funcionam bem no filme, principalmente a garotinha Jamie Lloyd, a filha de Laurie Strode, que, segundo a trama, morreu em um acidente automobilístico, o que levou Jamie a ser adotada por outra família.

 

A família de Jamie convence bem, e os atores não fazem feio em suas performances, assim como boa parte do elenco. A irmã mais velha, Rachel, se apresenta como uma possível final-girl certinha, que cuida da irmã mais nova e a leva para pedir doces no Halloween.

 

O mesmo pode ser dito a respeito dos outros jovens que compõem o elenco, o namorado de Rachel, e a filha do novo xerife, eles cumprem bem seus papéis.

 

No entanto, isso não livra o filme de muitos erros, principalmente no roteiro. Como eu disse acima, o roteiro foi escrito em poucos dias antes da greve, portanto, não foi possível fazer uma revisão, ou reescrevê-lo, o que leva o filme a apresentar situações absurdas, que não fazem sentido, em sua maioria.

 

A principal delas, para mim, é quando um dos homens do xerife informa a ele que descobriu que os demais policiais foram massacrados na delegacia. Isso não faz o menor sentido, visto que há repórteres na cidade, e também ocorreu um blackout. Como ele descobriu isso, então? Porque deve ter ouvido os linchadores comentando entre si? Como, se ele ficou na casa de Jamie o tempo todo? Eu não engulo essa cena.

 

Outro erro está na sequência final na caminhonete. De acordo com a cena, Michael surge por trás do veículo e mata todos os homens. Mas, como ele apareceu lá, se, na cena anterior, ele foi derrubado por um extintor de incêndio na escola? Em momento nenhum, ele é visto saindo da escola e se escondendo debaixo do veículo. Eu não sei como essa cena faz sentido.

 

Além disso, a montagem às vezes também parece não fazer sentido, principalmente na sequência de perseguição na escola, porque, parece que Michael está em vários lugares do prédio ao mesmo tempo, o que deixa a sequência mais confusa, e parece que a geografia do prédio é confusa.

 

Quando eu era mais novo, eu admito que não dava importância para esses problemas, mas, conforme fui ficando mais velho, com um certo senso crítico, fui percebendo o quão bagunçado é esse filme.

 

Outro problema apresentado por alguns críticos, é o visual do vilão. Após sua fuga, fica claro que Michael roubou o macacão de um mecânico, mas o problema é o visual de sua máscara. É mostrado que Michael a rouba de uma loja de fantasias, mas, ela não lembra em nada a máscara original, sendo aparentemente lisa, contando com os olhos negros e expressão facial neutra. Aliás, essa questão da máscara ficaria mal resolvida ao longo das demais continuações.

 

As cenas de morte também não são muito inspiradas; para falar a verdade, eu diria que elas aparentam terem sido censuradas pela MPAA, o que as deixou incompletas. Mas isso não as impediu de apresentar problemas, em especial, a cena em que a filha do xerife é empalada na parede por uma espingarda. Essa é mais uma cena que não faz o menor sentido, além de não ser nem um pouco prática e inverossímil.

 

E claro, não podemos deixar que falar do maior problema do filme – e das duas sequências –, que é a presença do Dr. Loomis. Conforme vimos em Halloween II, ele provoca uma explosão no hospital que deixa Michael incapacitado, e que, na teoria, deveria matá-lo. O fato de Michael sobreviver à explosão pode até ser perdoado, mas Loomis sobreviver e ficar com uma cicatriz minúscula no rosto e nas mãos também não é verossímil. Se foi uma condição imposta por Moustapha Akkad, mostra que realmente ele não estava interessando em coerências.

 

E a derrota de Michael deixa evidente que o fato dele ter sobrevivido em Halloween 5 também não faz sentido, principalmente por causa do local onde ele foi derrotado.

 

No entanto, apesar dos erros, Halloween 4 tem seus bons momentos, como boas cenas de suspense, além de contar com uma boa cena de ação na caminhonete, e uma ótima sequência de créditos iniciais, e uma boa trilha sonora.

 

Enfim, Halloween 4 é um filme bom. Uma continuação decente para a franquia Halloween, que traz seu principal personagem de volta, além de fazer adições razoáveis ao elenco. Um filme que contêm muitos erros, principalmente no roteiro, mas eles são compensados pela trilha sonora e por um elenco que atua bem.



 

terça-feira, 15 de outubro de 2024

A NOITE DOS DEMÔNIOS (1988). Dir.: Kevin S. Tenney.

 

NOTA: 8.5


A NOITE DOS DEMÔNIOS é um dos filmes de terror mais cultuados de todos os tempos.

 

Além disso, é um dos filmes mais arrepiantes e divertidos que eu já vi, mesmo após ter visto as continuações.

 

Na verdade, eu não sei se o filme é de fato cultuado lá fora, mas acredito que a sua vilã principal, a adolescente Angela, seja uma das figuras mais conhecidas do gênero.

 

Este é um grande filme com temáticas de Halloween e possessão demoníaca, e os aborda de maneira bem sincera, e principalmente, faz questão de ser arrepiante.

 

O longa é também parte daqueles filmes de terror dos anos 80 que possuem um roteiro bem criativo, aliado a uma técnica de direção afiada, que foca em detalhes importantes da narrativa.

 

Na trama, a adolescente Angela promove uma festa de Halloween numa casa funerária abandonada. Durante a festa, ela propõe uma brincadeira com um espelho da casa, e, após o espelho cair acidentalmente, um demônio é libertado e todos passam a ser possuídos.

 

É uma trama básica de possessão demoníaca, não? Somando isso o fato do filme se passar no Halloween, deixa-o ainda melhor e mais sinistro.

 

A Noite dos Demônios é um filme muito criativo, a começar pela técnica de direção de Kevin Tenney, que faz uso de câmeras que simulam o ponto de vista da entidade, a lá Uma Noite Alucinante, além de truques impecáveis de maquiagem, e uma trilha sonora inspirada.

 

O elenco de jovens também está afiado, principalmente a atriz Amelia Kinkade, que interpreta a icônica Angela, com seu vestido de noiva negro e brincos de cruzes. Ao lado de Amelia, Linnea Quigley também brilha, com sua divertida Suzanne, que está sempre preocupada com a maquiagem. Quem também funciona é Cathy Podewell, no papel da heroína Judy, que pode ser considerada uma final-girl.

 

Mas não se engane. A maquiagem é o grande destaque, e os efeitos funcionam muito bem. O maquiador Steve Johnson criou grandes coisas, e a aparência dos demônios é muito boa e não exagerada, o que é de bom tamanho. Eu diria que o visual de Angela é o melhor, com seus dentes afiados e voz grossa, combinado com o figurino negro. A personagem retornaria nas continuações com o mesmo visual.

 

É possível perceber que os demônios aqui têm as suas próprias regras, e elas funcionam muito bem. A possessão acontece após um contato imediato, e afeta também aqueles que morrem nas mãos dos demônios.

 

O design de produção também merece destaque, principalmente a casa funerária abandonada. O lugar é aquilo que se pode esperar de um filme de terror, com as janelas cobertas por tábuas, corredores escuros e luminosidade muito limitada. E quando os personagens tentam fugir dos demônios, a casa parece se transformar em um labirinto, o que deixa as cenas de terror ainda mais angustiantes.

 

No entanto, apesar do roteiro esperto, que dá foco a pequenos detalhes, como o fato dos brincos de Angela se inverterem após ela ser possuída, existe uma questão que, ao meu ver, não foi bem explorada: a presença de água corrente abaixo da casa, o que impede os demônios de cruzar o local. Apesar de ser mencionado no começo, esse fato não retorna no final.

 

Mas, apesar desse pequeno detalhe, a Noite dos Demônios é muito divertido. Nos anos 90, recebeu duas continuações direto para vídeo, ambos que marcam o retorno de Amelia Kinkade no papel de Angela.

 

Foi lançado em DVD no Brasil na coleção Sessão de Terror Anos 80 – Vol.4, da Obras-Primas do Cinema, em versão remasterizada, com uma entrevista de Amelia Kinkade nos extras.

 

Enfim, A Noite dos Demônios é um filme muito bom. Uma história de Halloween e possessão demoníaca contada com uma grande técnica de direção, e grandes efeitos de maquiagem. Um filme muito divertido, que consegue ser assustador em determinados momentos, graças à câmera do diretor Kevin Tenney. Um dos filmes mais divertidos dos anos 80.


Créditos: Obras-Primas do Cinema.


terça-feira, 8 de outubro de 2024

GATO NEGRO (1981). Dir.: Lucio Fulci.

 

NOTA: 8


GATO NEGRO é o encontro entre o escritor Edgar Allan Poe, e o diretor Lucio Fulci.

 

Lançado em 1981, o filme faz parte da grande fase de Fulci no horror, que começou com o clássico Zombie (1979), onde o cineasta mostrou que o seu lugar era no terror.

 

Gato Negro faz parte desse período, e pessoalmente, eu o considero um dos filmes mais bizarros dessa época. Bizarro porque, apesar de ser muito livremente baseado em O Gato Preto, o roteiro foca em uma trama com elementos paranormais, misturada com trama de serial killer, mas, nesse caso, o tal serial killer é o gato preto do título.

 

Parece estranho, mas, também é muito divertido, porque, os níveis de absurdo fazem o espectador fã de Fulci curtir o longa até o final da projeção.

 

Na trama, os habitantes de um vilarejo inglês são assassinados de maneira misteriosa, e, preocupados com o desaparecimento de um casal de jovens, recebem a visita de um inspetor da Scotland Yard, que conta com a ajuda de uma fotografa, que acredita que o responsável pelas mortes é um gato preto que pertence a um professor.

 

Parece ser uma trama um tanto simples, não? Bem, na superfície, até que é, mas, no fundo, ela é bem mais complicada.

 

É uma trama um tanto complexa em certos momentos, porque envolve um pouco de paranormalidade, principalmente por causa do Professor Miles, que possui o dom de se comunicar com os mortos.

 

Eu vou ser sincero aqui, e dizer que tais habilidades do professor não servem para praticamente nada, principalmente por causa de uma cena no cemitério, onde Miles tenta convencer um amigo morto a dizer onde está um determinado item. Infelizmente, isso nunca é explicado, e nunca mais é mencionado no roteiro.

 

Tirando esse problema, eu confesso que me diverti com Gato Negro, e digo que é um ótimo filme de animal assassino, além de ser um ótimo filme de Fulci.

 

Animais assassinos às vezes rendem bons filmes, e este aqui, felizmente, é um desses casos. E o filme não nega a que veio.

 

Logo na primeira cena, somos presenteados com um acidente causado pelo estranho felino, onde o proprietário de um veículo se choca contra o para-brisa, num espetáculo de gore. A partir daí, prepare-se para não levar o filme a sério, com o gato matando diversos personagens ao longo da projeção.

 

As cenas de morte acontecem em momentos aparentemente importantes, e de forma quase aleatória, mas, são muito criativas. Falo de pessoas sufocadas, queimadas e perfuradas por canos de metal. Além disso, não podemos deixar de presenciar cenas com o felino usando suas garras afiadas.

 

A maquiagem é muito boa, e aqui, Fulci quase dá uma pisada no freio no quesito gore, porque não temos corpos mutilados e pessoas com os olhos arrancados, mas, quando os efeitos aparecem, eles convencem muito bem. Ao meu ver, isso era algo comum no cinema de terror italiano da época; a preocupação em criar efeitos convincentes, principalmente nos filmes de Fulci.

 

Além dos efeitos, temos também a direção afiada de Fulci, principalmente nas cenas envolvendo o gato. Em determinados momentos, Fulci faz sua câmera imitar o ponto de vista do animal, ou seja, ela fica próxima ao chão, e as lentes aparentam ser distorcidas. Em relação aos atores, Fulci também consegue fazer um bom trabalho, e quase todos estão muito bem em seus papéis.

 

E por último, temos as locações inglesas. O filme foi rodado em três vilarejos no interior da Inglaterra, além dos estúdios em Roma. As tomadas do vilarejo são muito boas, e chegam até a ser nostálgicas e convidativas. Nostálgicas porque parece que estamos assistindo a algum filme britânico dos anos 70.

 

Outras locações que merecem menção, são a tumba que aparece no começo do filme, e o próprio cemitério do vilarejo. A tumba é cheia de teias de aranhas, esqueletos e ossos espalhados; e o cemitério é envolto pela névoa, e fica mais sinistro durante a noite. Dois cenários perfeitos para um filme de terror.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo, na coleção Edgar Allan Poe no Cinema – Vol.2, em versão restaurada com áudio em italiano. 

 

Enfim, Gato Negro é um filme muito bom. Uma história de animal assassino contada com maestria pelo Padrinho do Gore, Lucio Fulci, livremente baseado na clássica história de Edgar Allan Poe. A direção de Fulci é um dos pontos positivos, com sua câmera que simula o ponto de vista do felino; além disso, o filme conta com boas cenas de morte criativas, levemente carregadas no gore. Um filme que faz parte da melhor fase de Fulci no gênero, e um de seus trabalhos mais interessantes.


 

Créditos: Versátil Home Vídeo.


sexta-feira, 19 de julho de 2024

A CASA DO ESPANTO (1986). Dir.: Steve Miner.

 

NOTA: 8.5


A CASA DO ESPANTO é um dos filmes da minha coleção que eu gosto muito.

 

Desde a primeira vez que o assisti, há mais de 20 anos, eu gostei muito dele, e me diverti muito com tudo aquilo que vi na tela, e essa sensação segue até os dias de hoje.

 

Além disso, este é um daqueles filmes dos anos 80 que misturam terror e humor de maneira muito boa e realista. Se o filme fosse apenas um filme de terror de casa assombrada, tudo bem, mas o modo como as coisas são feitas aqui, contribui para deixá-lo único.

 

Na trama, o escritor Roger Cobb se muda para a casa da tia após a morte dela, com o objetivo de escrever um livro sobre suas experiências no Vietnã. Mas ao mesmo tempo, ele decide investigar mais a fundo, o desaparecimento do filho, que supostamente foi raptado dentro da casa.

 

A trama básica é essa, mas, conforme o filme vai andando, as coisas bizarras vão acontecendo uma atrás da outra, e o longa se revela como um filme de casa assombrada, mas não no sentido literal.

 

Aqui, não temos apenas fantasmas; nós temos criaturas de outra dimensão, monstros e zumbis, que têm como único objetivo, infernizar a vida do protagonista, e impedir que ele resolva o mistério por trás do desaparecimento do filho.

 

O roteiro é muito bom em misturar terror e humor, e na verdade, eu mesmo não considero este um filme de terror; na minha opinião, ele é uma comédia de humor negro, visto a quantidade de situações absurdas que o protagonista enfrenta ao longo da narrativa.

 

Além das criaturas bizarras, nós temos também personagens excêntricos, como o vizinho enxerido do protagonista; a ex-esposa dele – talvez a mais normal entre os personagens –; a vizinha bonitona; e os fãs do escritor, os tipos mais variados de figuras. O vizinho é um personagem bem legal, pois está sempre aparecendo nos momentos mais inoportunos, mas se mostra um amigo para o protagonista. As cenas de interação entre os dois são muito boas e engraçadas também, principalmente quando Roger o convida para capturar uma das criaturas.

 

Outro personagem que merece menção, é o parceiro de guerra de Roger, o fortão Big Ben, que aparece nas cenas de flashback da guerra. Big Ben é o típico personagem casca-grossa, mas não deixa de ser engraçado quando o roteiro pede. As cenas entre ele e Roger também são muito bem escritas e dão um contraste bacana entre eles, expondo suas diferenças em combate.

 

Agora que já falei os personagens, vou falar das criaturas. Há várias delas aqui, que vão desde monstros saindo do armário, até zumbis que voltam do túmulo, passando por seres tentaculares e voadores de outra dimensão. A melhor delas é mulher de vestido roxo e unhas vermelhas, que é uma personagem muito engraçada desde a primeira vez em que aparece, e ela apanha muito durante o filme.

 

No entanto, o principal monstro do filme é a versão zumbi de Ben, que se mostra o verdadeiro vilão do filme, e tem um motivo pessoal para ir atrás de Roger.

 

A direção de Steve Miner também merece ser mencionada aqui, porque o diretor faz uso de técnicas criativas para contar sua história, sendo a mais engenhosa delas o plano sequência que acontece durante os créditos iniciais, que começa na parte de trás da casa e termina na fachada da mesma, uma sequência inteira sem cortes, que não deve ter sido fácil de ser feita na época.

 

A trilha sonora de Harry Manfredini também é muito boa, principalmente o tema principal, que remete a um filme de terror de fato. Em certos momentos, a trilha lembra muito a da franquia Sexta-Feira 13, que é do mesmo compositor, e isso não é um defeito.

 

As cenas de humor e terror são muito boas também, e não apelam para muitos clichês. Os momentos de verdadeiro terror acontecem quando Roger atravessa os portais para outra dimensão, ou então, quando é perseguido pelo zumbi; já as cenas de humor acontecem graças às criaturas, que são muito engraçadas de fato, principalmente a mulher de vestido roxo.

 

E para finalizar, a própria casa em si é um personagem, principalmente a sua fachada em estilo colonial, que é bem memorável e assustadora.

 

Enfim, A Casa do Espanto é um filme muito bom. Um filme de terror de casa assombrada, com toques de humor espertos, aliados a uma direção competente, e um roteiro criativo. Os efeitos especiais merecem menção também, principalmente as criaturas, que são bem convincentes. A fotografia faz um ótimo trabalho, principalmente quando destaca a fachada da casa, que é bem memorável. Uma ótima mistura de terror e humor.




sexta-feira, 21 de junho de 2024

PAGUE PARA ENTRAR, REZE PARA SAIR (1981). Dir.: Tobe Hooper.

 

NOTA: 8.5


PAGUE PARA ENTRAR, REZE PARA SAIR é um interessante exemplar do gênero slasher.

 

Lançado em 1981, e dirigido por Tobe Hooper, é um dos filmes considerados menores do cineasta, mas, não deixa de ser um dos melhores.

 

Além de ser um dos melhores filmes do diretor, é também um exemplar curioso do gênero Slasher, visto que apresenta as características que estavam presentes no gênero naquela época.

 

Este é um dos filmes mais criativos dirigidos por Hooper, graças às técnicas empregadas pelo cineasta, principalmente no que diz respeito à câmera do diretor, que realiza movimentos incríveis.

 

O roteiro apresenta uma trama bem simples, de parque de diversões maldito, onde um assassino se esconde. A protagonista Amy e seus amigos decidem passar a noite nesse mesmo parque, e acabam testemunhando um assassinato, e precisam fugir do assassino.

 

Parece ser uma trama bem simples, não? Na verdade, até é, mas existe uma diferença aqui. Ao invés de um assassino convencional, temos um assassino literalmente monstruoso, com um rosto deformado, que mata suas vítimas com requintes de crueldade.

 

É uma trama simples, não é? Sim, é bem simples. As diferenças são a ambientação – que foge do padrão tradicional dos Slashers – e o próprio assassino. Os personagens são os típicos de um filme Slasher, com seus estereótipos característicos, como o valentão, o figura cômica e a garota virginal.

 

No entanto, há uma diferença aqui. Amy, a protagonista, até se encaixa no perfil da garota virginal – a final girl –, mas, em determinados momentos, ela é vista fumando maconha, e se pegando com o namorado. Mas, apesar dessas diferenças, Amy ainda se encaixa no perfil característico da final girl, também presente no subgênero.

 

Conforme mencionado acima, um dos fatores que diferem este de outros Slashers, é a ambientação, no caso, um parque de diversões itinerante. Eu digo isso, porque, no gênero, era comum os filmes se passarem em fraternidades ou em acampamentos, então, ao meu ver, a mudança de ares, é um dos pontos positivos do filme.

 

O parque é aquele típico parque de diversões que percorre o país, com seus brinquedos característicos, e personagens estranhos. Mas não se engane; o design de produção é muito bem feito, considerando que o filme foi rodado em locações e em estúdios na Flórida. O lugar é muito bem iluminado, e tem as atrações clássicas, como o show de mágica, a roda-gigante, a montanha-russa, e o show de aberrações, além de outras atrações.

 

No entanto, nenhuma das atrações supera o trem-fantasma, que entra na tal Funhouse do título original. O local é repleto de atrações fantasmagóricas e arrepiantes, como um show de bonecos animados, além de aranhas gigantes e esqueletos que saem do chão. Eu nunca estive em um desses, mas, se estivesse, não sei qual seria a minha reação.

 

A câmera de Hooper também é um ponto positivo. O diretor faz uso de planos criativos, colocando-a em lugares específicos para contar sua história. Uma das tomadas mais impressionantes, sem dúvida, é a grua, que acontece quando o parque está prestes a fechar. A câmera começa acompanhando o irmão mais novo da protagonista, e depois, vai subindo, até chegar a um grande plano geral do parque; a própria grua é mais alta que a roda-gigante. Tal sequência meio que se repete no final do filme.

 

Antes de encerrar, deixe-me falar sobre o assassino e as cenas de morte. Como todo exemplar do gênero Slasher, é viável que o filme tenha boas cenas de morte, certo? Mas não é esse o caso aqui. As cenas de morte são bem reduzidas, e quase não temos o gore, que se espera de um filme desse gênero. Já o assassino é outro detalhe. Ao contrário dos assassinos de costume, temos aqui um ser literalmente monstruoso, com rosto deformado e atitudes animalescas.

 

Mas digo que ele é a melhor coisa do filme. O design do monstro foi criado pelo mestre da maquiagem, Rick Baker, o que já é um grande ponto positivo para ele. Mesmo com as limitações, Hooper faz uso de truques criativos para escondê-las, deixando o assassino sempre nas sombras, e poucos closes. É um assassino animalesco, e um dos melhores do gênero.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Obras-Primas do Cinema, na coleção Sessão de Terror Anos 80 Vol.3.

 

Enfim, Pague para Entrar, Reze para Sair, é um filme muito bom. Uma história assustadora com toques de Slasher. A temática de parque de diversão assombrado, combinado a uma direção criativa, fazem deste um dos melhores filmes do diretor Tobe Hooper. O vilão também é um destaque, graças aos efeitos especiais do mestre Rick Baker. Um dos Filmes Mais Assustadores de Todos os Tempos. Recomendado.


Créditos: Obras-Primas do Cinema.

 

terça-feira, 4 de junho de 2024

PRÍNCIPE DAS SOMBRAS (1987). Dir.: John Carpenter.

 

NOTA: 9


PRÍNCIPE DAS SOMBRAS é um dos meus filmes favoritos do diretor John Carpenter, porque é um dos filmes do cineasta que eu mais vejo.

 

Na teoria, o longa é um filme de terror, mas na prática, é um filme que contém muitas coisas ao mesmo tempo e muitos temas misturados.

 

O roteiro, escrito pelo próprio diretor – usando pseudônimo –, mistura física com religião e terror cósmico, além de contar com um elenco de muitos personagens.

 

Mas não se engane. Essa confusão tonal faz parte do charme do longa, que é feito com as técnicas milenares do cineasta, que faz aqui, um dos seus melhores filmes.

 

Na trama, o Padre Loomis recruta um professor de Física e seus alunos para investigar estranhos fenômenos que estão acontecendo na cidade de Los Angeles. Durante as investigações, eles descobrem que tais fenômenos estão relacionados a um estranho recipiente guardado no porão de uma velha igreja.

 

Parece uma trama simples, não é? Mas, conforme mencionei acima, o roteiro de Carpenter lida com vários assuntos diversos. O diretor lida com questões de Física e religião de uma forma que eu nunca tinha visto em um filme; ele quase junta os dois, como se fossem uma coisa só.

 

De acordo com o próprio diretor, a ideia veio por causa do interesse que ele tem nessas questões de Física, nas equações, etc., e com isso, criou um filme que merece ser visto com a mente aberta.

 

Eu acho que isso é importante. Assistir ao filme com a mente aberta, e não com o olhar de um Físico, ou Teólogo, porque Carpenter com questões um tanto quanto problemáticas, principalmente em determinado trecho, quando diz quem foi Jesus Cristo, e de onde Ele veio. Com certeza, não é todo mundo que vai engolir a explicação que o roteiro dá.

 

Conforme também mencionei acima, o roteiro contém um elenco bem grande de personagens, e acredito que Carpenter teve que fazer um malabarismo para conseguir colocá-los juntos na narrativa, visto a quantidade de atores ali presentes. Acredito que esse é um detalhe que pode deixar o espectador confuso, até mesmo porque, alguns deles não são mencionados pelo nome.

 

No entanto, apesar do elenco bem grande, temos um protagonista, o Padre Loomis, interpretado por Donald Pleasence, em sua terceira colaboração com Carpenter, que é o fio condutor da trama toda. Ao seu lado, temos outros personagens importantes, que estão presentes desde o começo. O primeiro é o professor Birack, que se mostra um conhecido do padre; temos também os alunos Brian, Catherine e Walter, um dos personagens mais divertidos do filme. Brian e Catherine são o casal de mocinhos, que acabam fazendo parte do time de físicos que são contratados para investigar o estranho cilindro com líquido verde. Eu confesso que tenho meus problemas com Brian, porque ele não me convence em alguns pontos do filme – não sei se é por causa do ator, ou por causa do próprio personagem. Walter é o aluno convencido, de quem ninguém gosta, que fala besteiras nos momentos errados.

 


Outro detalhe que merece ser mencionado é o cenário. O filme inteiro se passa dentro de uma antiga igreja em Los Angeles, e Carpenter soube aproveitar o cenário ao máximo. Sua câmera foca em diversos locais diferentes da igreja, mesmo tendo seu foco no porão, onde o recipiente misterioso está localizado. Aparentemente pequena do lado de fora, a igreja é bem grande do lado de dentro, com vários lances de escadas, e diversos quartos e uma enfermaria. É um cenário bem dinâmico.

 

Os efeitos especiais também merecem menção especial. Temos aqui efeitos de corpos se despedaçando, truques de maquiagem e insetos. A maquiagem do filme é muito boa, além de contar com alguns efeitos de body horror, principalmente quando o receptor do líquido verde é revelado. O corpo e o rosto do personagem em questão fica coberto de feridas e pústulas, dando um aspecto até que nojento, diga-se de passagem.



O efeito do líquido verde também é digno de nota. Ao longo do filme, ele aparenta estar rodando dentro do cilindro, e o efeito não se perde nem mesmo quando o recipiente é filmado em planos abertos. Temos também efeitos de gotas e rachadas do líquido caindo de baixo para cima, com truques muito bem feitos.

 

Além da maquiagem e efeitos do líquido, temos também a presença de insetos e minhocas, e são muitos deles, principalmente na cena em que um personagem se desfaz diante dos protagonistas, coberto por milhares de besouros. Temos também minhocas presas na janela e formigas se acumulando no formigueiro. Faço ideia de como esses efeitos foram criados, de tão bem feitos que são.

 

Vale aqui também uma menção ao estranho líquido verde. No primeiro momento, não sabemos exatamente qual sua origem, ou seu significado, mas fica claro que ele é capaz de se infectar diversas pessoas, sendo passado de uma para outra por meio de jatos. Ele permanece um mistério, até que o professor revela ao padre que todas as partículas do mundo possuem um reflexo, então, o padre chega à conclusão que o líquido seja um fluído do próprio Satã, mesmo que isso não fique explícito no roteiro.

 

E por fim, além das questões religiosas e físicas, temos também um pouco de viagem no tempo, visto que os personagens têm um sonho específico, com a entrada da igreja e com uma figura negra misteriosa; a voz presente no sonho informa ao espectador que a mensagem está sendo passada do ano de 1999, ou seja, do futuro. Talvez, tal sonho signifique que o mundo está acabando, e que o Apocalipse chegará no ano de 1999, conforme se acreditava.

 

E antes de encerrar, temos uma participação especial de Alice Cooper, no papel de um líder de um grupo de moradores de rua que são infectados pelo líquido de forma indireta. Mesmo com a pouca presença, o cantor rouba a cena quando aparece, e seu personagem é muito assustador.

 

Foi lançado em Blu-ray no Brasil pela Obras-Primas do Cinema, em versão remasterizada em 4k, aprovada pelo diretor de fotografia, com muitos extras.

 

Enfim, Príncipe das Sombras é um filme excelente. Um filme bizarro, que mistura diversos assuntos ao mesmo tempo, além de contar com muitos personagens em seu elenco. Uma trama sobrenatural de mistério e terror cósmico, contada com a maestria característica do diretor John Carpenter. O diretor lida com questões religiosas e de Física de maneira brilhante, e cria uma trama bem elaborada. Um dos melhores filmes do diretor. Altamente recomendado.


Créditos: Obras-Primas do Cinema.


terça-feira, 7 de maio de 2024

O BRAÇO DE MAR (Stephen King).

 

NOTA: 8.5


O BRAÇO DE MAR, presente na antologia Tripulação de Esqueletos, é um dos contos mais melancólicos e interessantes de Stephen King.

 

Aqui, o autor criou uma história de fantasmas dramática, sem apelar para o terror, seu gênero de costume, e mesmo assim, escreveu uma história muito boa.

 

A começar pela ambientação. A narrativa se passa em uma ilhota no Maine, e tem como protagonista, uma senhora idosa de 95 anos chamada Stella, que morou na ilha a vida inteira, e que nunca foi ao continente. No entanto, certo dia, durante o inverno mais rigoroso em 50 anos, ela decide ir ao continente, tendo como companhia o fantasma de seu marido.

 

No fundo, a história é basicamente assim, mas, na verdade, é um conto triste sobre uma mulher triste, que vive sozinha, visto que alguns de seus amigos e familiares já se foram. No entanto, ela ainda tem a companhia do filho e dos bisnetos, e passa o tempo contando histórias do passado da ilha para eles.

 

Mas logo, a solidão da protagonista é abalada pelas visões com seu marido falecido, que surge de vez em quando para ampará-la e para fazer companhia a ela, principalmente no final da história.

 

Ao contrário do que se pode imaginar, O Braço de Mar não é um conto de terror, e sim, um drama fantástico com elementos de suspense, visto que não há nenhum elemento de horror na narrativa.

 

Eu pessoalmente gostei muito desse conto, principalmente por causa da ambientação em uma ilhota do Maine. Durante a leitura, eu consegui imaginar como seria aquele lugar, principalmente aquela vila, onde a protagonista mora. Imagens de um filme canadense, baseado na história real de uma pintora folk, me vieram à mente, além de alguma ideia para um conto de minha autoria. Eu gosto muito dessa sensação quando estou lendo um livro, ou um conto, porque eu acabo, de certa forma, entrando na narrativa e na atmosfera.

 

As aparições do fantasma do marido de Stella também são um dos pontos altos da narrativa, porque, acontecem de maneira natural, com Stella primeiro interagindo com ele com medo, mas depois, acaba se acostumando com aquilo. O mesmo pode ser dito quando outros fantasmas surgem para acompanhá-la em sua jornada ao continente.

 

A sequência da jornada de Stella também merece menção porque é uma sequência tensa, que se passa no inverno mais rigoroso que a ilha está enfrentando, o que dificulta a jornada da protagonista, e a mesma acaba passando por alguns perrengues, antes de se encontrar com o marido e com os demais que já morreram no passado. A partir daí, vira uma sequência muito bonita, com os fantasmas dando apoio a ela em sua jornada.

 

E o final em si também é muito bonito e um pouco triste, com o destino de Stella sendo descrito pelo autor com sua técnica ímpar.

 

Esta, na verdade, é a minha segunda leitura do conto, mas, a primeira na edição da Suma; a primeira vez, foi na edição da Objetiva, mas eu não tive uma leitura agradável, porque a letra era bem pequena; com a edição da Suma, a leitura foi bem melhor e fluiu normalmente.

 

Enfim, O Braço de Mar é um conto muito bom. Uma história dramática com toques fantásticos, que prende o leitor e consegue encantá-lo ao mesmo tempo. Uma história triste e melancólica, cuja leitura é rápida, mas, envolvente. Uma narrativa de fantasmas contada com a maestria ímpar do Mestre Stephen King. Recomendado.


sexta-feira, 12 de abril de 2024

O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA 2 (1986). Dir.: Tobe Hooper.

 

NOTA: 9


Podem me julgar, mas eu gosto muito de O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA 2, lançado em 1986, produzido pela Cannon Group, e novamente dirigido por Tobe Hooper.

 

Eu tenho algumas memorias desse filme, quando assisti a algumas cenas na TV aberta há alguns anos, mas não o filme todo, porque fiquei com muito medo. Eu me lembrava do primeiro homicídio, com Leatherface em cima da caminhonete; e de Stretch no covil da família, com uma máscara de pele.

 

Anos depois, eu tive a oportunidade de assistir ao filme por completo, e gostei muito. Eu acho este aqui tão bom quanto o primeiro, mas, claro que não se compara ao anterior; mas mesmo assim, eu me divirto muito toda vez que assisto.

 

Acredito que o principal motivo para isso seja a direção de Hooper, que soube contar a história com firmeza. Apesar de estar com a credibilidade baixa na época, em virtude da sua parceria com a Cannon, Hooper fez um ótimo trabalho aqui.

 

No geral, O Massacre 2 é um filme bem competente, e não a bomba que muitos ilustram, na minha opinião. É um daqueles casos de uma continuação que não ofende a obra original.

 

Outra coisa que faz deste um filme muito legal, é o roteiro. Ao invés de focar 100% no terror, temos aqui uma obra voltada para o humor negro, com situações absurdas e piadas pesadas. O humor se deve muito em conta por causa de algumas das atuações também e personagens, principalmente, os membros da família de Leatherface, aqui, batizados de Sawyers.

 

Mais uma vez, a interação entre eles é caótica, com todos os membros sendo agredidos verbalmente pelo velho cozinheiro – Drayton – e mais uma vez, descobrimos um pouco mais sobre a dinâmica dos membros da família.

 

Além disso, temos um Leatherface diferente do anterior, um pouco mais dócil e bobo, principalmente quando está ao lado da protagonista Stretch. O vilão gosta da personagem, e rende momentos absurdos, que até hoje, são comentados por fãs de terror, principalmente, uma cena em especifico.

 

Ao contrário de seu antecessor, aqui temos um filme focado no sangue e no gore, graças aos efeitos do mestre Tom Savini. Desde o primeiro assassinato, o gore está presente, e segue até o final do filme. Temos cabeças arrancadas, peles esfoladas e sangue jorrando das paredes. Os efeitos de Savini são muito bons, e quase não precisam de comentários, porque sabemos da qualidade dos mesmos. Savini fez grandes coisas aqui, desde o cadáver utilizado por Leatherface na cena da ponte; até a placa de metal na cabeça de Chop-Top.

 

Deixe-me também contar sobre a cena que mais me vem à mente quando eu lembro desse filme, a cena da ponte. Na minha opinião, é a melhor cena do filme, simplesmente por causa da maneira como é mostrada na tela. Leatherface está em cima na caminhonete, vestido com um cadáver putrefato, e com a serra nas mãos. Ele faz um grande estrago no carro dos adolescentes ricos, arranhando a lataria e decepando a cabeça de um deles, tudo ao som de Oingo Boingo.

 

E claro, assim como seu antecessor, a produção aqui foi tomada por problemas. Segundo o diretor Hooper, um dos cenários foi tomado por fogo, e eles quase perderam o set; o ator que interpretou Leatherface, em certo momento, contraiu pneumonia; sem contar o comportamento de Dennis Hopper no set.

 

Foi lançado em Blu-ray no Brasil pela Obras-Primas do Cinema, em versão remasterizada, na coleção O Massacre da Serra Elétrica, com vários extras. Atualmente, tal edição está fora de catálogo.

 

Enfim, O Massacre da Serra Elétrica 2 é um filme excelente. Um longa que consegue ser tão bom quanto seu antecessor, mas, claro, não se iguala a ele. A direção de Tobe Hooper é segura, e o diretor consegue criar cenas tensas e engraçadas ao mesmo tempo. Os efeitos especiais de Tom Savini são o destaque, graças às técnicas milenares de um dos maiores maquiadores do cinema. Um filme muito divertido. Altamente recomendado.


Créditos: Obras-Primas do Cinema


sábado, 23 de março de 2024

PAVOR NA CIDADE DOS ZUMBIS (1980). Dir.: Lucio Fulci.

 

NOTA: 9


Entre 1980 e 1981, o diretor Lucio Fulci realizou a sua Trilogia do Inferno, em parceria com a atriz Catriona MacColl, que também se tornaram um marco em sua filmografia.

 

PAVOR NA CIDADE DOS ZUMBIS é o primeiro filme dessa trilogia, e o que faltava ser comentado aqui.

 

Já irei começar pelo obvio, e dizer que este é um dos melhores filmes do diretor, que estava dando seus primeiros passos no terror, um ano após o lançamento de Zombie, sua obra-prima.

 

Mais uma vez, Fulci se reuniu com o roteirista Dardano Sacchetti, e juntos escreveram outro filme de zumbis, mas desta vez, os mortos-vivos não são os protagonistas da trama, sendo transformados em coadjuvantes; o foco principal são os eventos sobrenaturais que assolam a cidade de Dunwich, após o suicídio do padre local.

 

Conforme pude averiguar na internet, a Trilogia do Inferno é composta por filmes que possuem apenas um fiapo de trama, e o foco são as maluquices presentes no roteiro. Eu pessoalmente acredito que os filmes têm, sim, uma trama, e que os acontecimentos estão relacionados a ela, e aqui não é diferente.

 

O suicídio do Padre Thomas, apresentado logo no início do filme, é um estopim para os acontecimentos sobrenaturais que começam, e Fulci e Sacchetti brincam com tudo que querem para contar sua história, o que deixa ainda mais divertida a cada revisão, assim como fizeram nos dois filmes posteriores dessa trilogia.

 

O filme marca a primeira parceria entre Fulci e a atriz Catriona MacColl, e ela está muito bem aqui, interpretando a vidente Mary Woodhouse. Sua interpretação não é exagerada, e ela transmite tudo aquilo que o roteiro pede, com naturalidade.

 

O restante do elenco também não faz feio; os atores secundários atuam daquela maneira exagerada que estamos acostumados a ver em filmes italianos, mas nada que prejudique a experiência de assistir ao filme.

 

A direção de Fulci também é muito boa, e o cineasta mostra que tem o domínio do gênero, criando cenas tensas e sequências antológicas, graças às suas técnicas criativas para criar terror, com destaque para o próprio padre, que sempre aparece com uma iluminação vinda de baixo, o que aumenta seu aspecto assustador.

 

Este é um filme de zumbis, e como não poderia deixar de ser, eles não ficam para trás. O visual das criaturas é aquele putrefato que se tornou característica de Fulci, com uma maquiagem carregada. Além do visual marcante, eles também podem se tele transportar e possuem um método bem específico que matar suas vítimas.

 

Falando em cenas antológicas, devo destacar a cena do carro, onde uma jovem regurgita suas vísceras, após avistar o padre. É uma cena que demora o tempo certo para acontecer, e começa de uma maneira bem simples, com a personagem vertendo lágrimas de sangue, até chegar ao ápice.

 

E além das cenas, temos também a trilha memorável de Fabio Trizzi, um dos colaboradores de Fulci.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo na coleção Zumbis no Cinema Vol.2, que conta com um making of como extra.

 

Enfim, Pavor na Cidade dos Zumbis é um filme arrepiante. Uma história fascinante, com ar de pesadelo, repleta de momentos indigestos, com muito sangue e escatologia. Um filme de zumbis putrefatos, com excelentes efeitos de maquiagem e gore. A direção de Lucio Fulci é segura, combinada a um roteiro bem escrito, e uma trilha sonora assustadora. Um belo exemplar do cinema de zumbi italiano, e uma grande obra do Padrinho do Gore, Lucio Fulci.


Créditos: Versátil Home Vídeo.


AVISO.

  O LIVROS & FILMES DE HORROR está em recesso. Obrigado.