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sábado, 9 de maio de 2020

O PÁSSARO DAS PLUMAS DE CRISTAL (1970). Dir.: Dario Argento.



NOTA: 10



O PÁSSARO DAS PLUMAS DE CRISTAL
(1970)
Segundo o próprio Dario Argento, o Giallo é um gênero italiano. Surgiu no país na literatura, com uma pequena editora que lançava os livros de suspense com as capas amarelas – “giallo” quer dizer “amarelo” em Italiano – para diferenciá-las dos demais. A partir de 1963, o gênero migrou para o cinema, graças ao Maestro Mario Bava, que lançou o filme A Garota que Sabia Demais, que possuía algumas características que se tornariam clássicas no gênero. No ano seguinte, foi lançado Seis Mulheres para o Assassino, também do maestro Bava, filme responsável por apresentar as principais características do gênero: as mortes mirabolantes, a ineficiência da policia, a misoginia, as pistas falsas, e principalmente, o assassino de luvas pretas. Apesar desse pontapé inicial, não foram muitos os cineastas que resolveram se aventurar nesse gênero. Até que, em 1970, a coisa mudou.

Além de ser o primeiro filme do diretor Dario Argento, O PÁSSARO DAS PLUMAS DE CRISTAL, foi também o filme responsável por lançar de vez o Giallo no cinema. E já em sua estreia, Argento mostrou a que veio.

A história é contada de forma brilhante, com ótima direção, roteiro bem amarrado e ótimas atuações. É o tipo de filme onde tudo funciona a seu favor, e a cada revisão, parece ficar melhor; pelo menos para mim é assim. E mesmo tendo visto várias vezes, é um filme que gosto muito de assistir.

Não sei ao certo quando meu interesse pela obra de Argento começou, mas, desde que resolvi me aventurar em sua filmografia – a melhor parte, pelo menos – me tornei fã e admirador do cineasta, fazendo de seus filmes, uma inspiração. E este aqui é um dos meus favoritos.

Conforme já mencionei, O Pássaro é um filme onde tudo funciona, a começar pelo roteiro. Conforme Argento comentou em entrevistas, ele tinha interesse em modificar as regras do suspense. O que de fato, ele conseguiu. O roteiro é muito bem escrito, e consegue levar o protagonista, o escritor Sam Dalmas, a uma teia cheia de enigmas, que parecem aumentar à medida que ele resolve investigar por conta própria. Esta é também outra característica do gênero: a investigação que o protagonista faz por conta própria – quase sempre motivado por algo que testemunhou anteriormente – uma vez que a policia não consegue resolver os crimes. O fato da policia não conseguir resolvê-los, já fora estabelecido por Bava, mas, antes deste aqui, não me lembro de outro exemplar onde o protagonista resolve investigar o mistério; talvez nos filmes que vieram depois de Bava, mas não posso afirmar com certeza absoluta. O fato é que aqui, Dalmas faz exatamente isso, uma vez que o Comissário Morossini e seus homens estão em um beco sem saída.

Já no primeiro filme, Argento apresentou uma de suas principais características: o uso de câmeras subjetivas. É incrível o que a câmera faz em determinadas cenas, principalmente simula os POV’s – pontos de vista. E um cena em especial, Argento e o diretor de fotografia, Vittorio Storano, posicionam a câmera sobre um lance de escadas de um prédio, dando uma ótima perspectiva do ambiente. Outra que o diretor soube fazer muito bem foi enquadrar as mulheres. Segundo o próprio Argento, essa habilidade surgiu ao seu costume de observar o trabalho da mãe, a fotógrafa brasileira Elda Luxardo, que passava horas fotografando atores e atrizes italianos famosos. E dá para perceber que o diretor aprendeu muito bem. Os enquadramentos são perfeitos, principalmente das mulheres. Acho que nunca vi um filme em que as atrizes foram tão bem enquadradas pela câmera, algo que o cineasta utilizou em seus filmes futuros.

Outra coisa que funciona muito bem é a trilha sonora, composta pelo Maestro Ennio Morricone. Ao invés de uma trilha pesada, Morricone utilizou vozes femininas para fazer um coro parecido com uma canção infantil. É uma trilha que combina muito bem com a atmosfera.

Mas talvez as melhores coisas do filme sejam as cenas de assassinato, e o próprio assassino. Como já havia dito no começo, um dos atributos que tornaram o Giallo conhecido, foi a figura do assassino em roupas escuras, usando luvas de couro pretas, e aqui temos isso na melhor forma. O assassino encaixa-se perfeitamente na descrição clássica: usa roupas pretas, jaqueta com a gola levantada para esconder o rosto, chapéu, e claro, as luvas de couro pretas. Não tem nada melhor do que isso. Apesar de gostar das variações do gênero, eu sou fã do Giallo que tenha o assassino com luvas.

Agora, sobre os assassinatos. Se em Seis Mulheres para o Assassino, Mario Bava conseguiu transformar cenas de assassinato em obras de arte, aqui, Argento faz a mesma coisa. Apesar de o assassino ter matado cinco mulheres durante o filme, Argento só mostra duas delas sendo assassinadas, e ambas as cenas são muito bem feitas, construídas da maneira mais simples, mas com clima de suspense que deixa tudo mais tenso, deixando o espectador roendo as unhas. E quando os assassinatos acontecem, são fantásticos desse ver; não que o homicídio seja uma coisa bonita; eu me refiro ao modo como as cenas são filmadas. Não espere um banho de sangue. O sangue é espirrado na tela na quantidade certa e do jeito certo. A melhor cena de assassinato é a segunda, com uma navalha enorme fazendo seu trabalho; uma cena quase claustrofóbica. Argento levaria essa técnica de transformar cenas de assassinato em obras de arte para seus filmes futuros.

Uma das coisas pela qual Argento é questionado são as atuações do seu elenco. Há quem diga os aspectos técnicos do filme são melhores que as atuações, mas eu não vejo problema. As atuações são muito boas, principalmente dos quatro personagens principais. Outro “ponto negativo” é o fato de o protagonista não conseguir identificar o som do pássaro do título – o Grou coroado oriental – já que ele também estuda aves raras. Minha explicação é que, no calor da investigação, ele não se lembrou da espécie, ou então, não chegou a ler sobre ela. Essa é a minha interpretação.

O Pássaro das Plumas de Cristal foi lançado em Fevereiro de 1970 na Itália, e foi um sucesso de bilheteria; nos Estados Unidos, ficou em primeiro lugar por três semanas, tornando-se um sucesso por lá também.

O sucesso do filme foi responsável da introdução do Giallo no cinema, levando vários cineastas a produzir seus próprios filmes do gênero, muitos deles com nomes de animais nos títulos.

O filme é o primeiro da chamada “Trilogia dos Bichos”, composta também pelos filmes O Gato de Nove Caudas e Quatro Moscas Sobre Veludo Cinza, ambos lançados em 1971, também escritos e dirigidos por Dario Argento.

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo, em versão restaurada, com áudio italiano, na coleção A Arte de Dario Argento, juntamente com os outros filmes da “Trilogia dos Bichos”, e Terror na Ópera (1987), um de seus últimos grandes trabalhos.

Enfim, O Pássaro das Plumas de Cristal é um dos maiores exemplares do Giallo italiano. Um filme com atmosfera de suspense muito bem construída, que deixa o espectador arrepiado. A direção experiente de Dario Argento contribui para o ótimo desempenho do filme, além de mostrar o quão habilidoso ele se tornaria. O filme responsável por catapultar o Giallo no cinema, além de ter influenciado uma serie de cineastas a seguir o mesmo caminho. Um filme excelente, que merece ser visto e apreciado. Maravilhoso. Altamente recomendado.



Créditos: Versátil Home Vídeo




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sexta-feira, 26 de abril de 2019

TORSO (1973). Dir.: Sergio Martino.


NOTA: 9.5


TORSO (1973)
TORSO é o meu Giallo favorito do diretor Sergio Martino. Lançado em 1973, este é o último dos 5 Gialli dirigidos por ele, que começou a se aventurar no gênero em 1971, com o ótimo O Estranho Vício da Senhora Wardh.

Considerado pelo próprio diretor como sua obra-prima, este é também um dos maiores exemplares do gênero, com todos os toques que o tornaram popular nos anos 70 na Itália: a misoginia, a trama enrolada, o assassino motivado por traumas do passado, etc. Porém, além de ser um dos melhores Gialli de todos os tempos, Torso também é considerado como um precursor dos Slashers americanos, uma vez que também apresenta as características que os cineastas americanos adotaram.

O filme apresenta uma trama muito simples, mas que, ao mesmo tempo, é enigmática, uma vez que os suspeitos de serem o assassino vão mudando a cada momento – característica também comum – , o que contribui para o clima de suspense e mistério; e, sinceramente, na primeira vez que assisti ao filme, fiquei em duvidas sobre quem seria o assassino, e quando ele é revelado, só descobri quem era na segunda ou terceira vez que assisti.

E falando no assassino, como em todos os Gialli, aqui ele é o destaque, com seu visual icônico: mascara de esqui cobrindo o rosto, vestes azuis e o lenço vermelho em volta do pescoço, sem contar, claro, as já famosas luvas pretas. E sem duvida, é um dos assassinos mais perversos do gênero, principalmente nos momentos finais, quando utiliza um serrote para acabar com suas vitimas – uma imagem também icônica, e impossível de não associar ao filme.

A sexualidade é outro fator muito presente no filme, o que contribui também para a fúria do assassino. Desde os créditos de abertura, o espectador é brindado com cenas de nudez, e elas percorrem o filme todo, praticamente o tempo inteiro, principalmente quando envolvem as protagonistas. Porém, essa sexualidade não se resume apenas às cenas de nudez, mas também na questão do desejo sexual, muito bem impresso na cena em que as protagonistas chegam ao vilarejo e são “devoradas” pelos homens. Conforme explica o diretor Eli Roth – fã confesso do filme – num depoimento, qualquer um daqueles personagens pode ser um maníaco sexual, e isso é verdade! Tudo isso também foi discutido por Fernando Britto, curador da Versátil Home Vídeo, que lançou o filme em DVD, com o critico Marcelo Miranda.

Como mencionado acima, Torso é o meu Giallo favorito do diretor Martino. Não apenas pela trama, mas também pelo aspecto que o filme passa – um aspecto nostálgico, quase de final de semana, um aspecto que me atrai muito em certos filmes.

Ao longo dos anos, o filme tornou-se objeto de cult nos Estados Unidos, tendo como fãs principais os diretores Quentin Tarantino e Eli Roth, que, conforme também declara em seu depoimento, prestou uma homenagem ao filme em O Albergue 2, ao escalar o ator Luc Merenda, que aqui interpreta um medico, para um pequeno papel.

Em relação ao elenco, as atrizes principais merecem destaque, principalmente Suzy Kendall, que interpreta a protagonista; anteriormente, ela havia estrelado o excelente O Pássaro das Plumas de Cristal (1970), filme de estreia de Dario Argento. Ela entrega uma atuação honesta, principalmente nos momentos finais – os mais assustadores – quando expressa o medo por encontrar-se presa em um ambiente com o assassino. Suas companheiras de elenco também não fazem feio, principalmente a atriz Tina Aumont, com uma atuação autentica.

Uma curiosidade: no seu depoimento sobre o filme, Martino declarou que o título americano (Torso) não tem nenhum significado na Itália, uma vez que os distribuidores não devem ter compreendido o título italiano: I Corpi Presentano Tracce di Violenza Carnale (Os Corpos Apresentaram Traços de Violência Carnal) e optaram por lançá-lo como Torso. Aliás, o filme recebeu outro título fora da Itália: Carnal Violence – uma tradução literal de “Violência Carnal”, talvez inspirado no título italiano.

Enfim, Torso é um Giallo excelente. Um dos melhores de todos os tempos. Um Clássico do gênero.

Permaneceu raro no Brasil, até ser lançado em DVD pela Versátil Home Vídeo, na maravilhosa coleção Giallo Vol.2.

Altamente recomendado. 



Créditos: Versátil Home Vídeo


AVISO.

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