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sábado, 12 de fevereiro de 2022

A MANSÃO DO INFERNO (1980). Dir.: Dario Argento.

 

NOTA: 9.5



Dario Argento é um dos grandes nomes do cinema de horror italiano. Nos primeiros anos de carreira, lançou grandes clássicos do gênero, entre eles, a Trilogia dos Bichos (1970-1971), além de Suspiria (1977) e Prelúdio para Matar (1975), sua grande obra-prima, e o maior Giallo de todos os tempos. 

 

Em 1980, Argento se uniu ao mestre do terror italiano, o Maestro Mario Bava, e juntos, produziram A MANSÃO DO INFERNO, o filme do meio da Trilogia das Mães, iniciada com Suspiria (1977). O que posso dizer sobre esse filme? Bem, vou ser claro: é um dos meus filmes favoritos do diretor, e também um dos seus melhores.

 

Inferno é um filme belíssimo, um verdadeiro espetáculo visual, e motivos para isso não faltam. Mais uma vez, Argento se mostra um mestre na direção, e também se mostra um grande contador de histórias, uma vez que aqui entrega mais um grande filme, do jeito que ele sabia fazer na época.

 

O diretor faz um dos seus melhores filmes, uma rara excursão no terror, visto que na época ele era mais conhecido por seus exemplares do Giallo, gênero que o consagrou no cinema. E aqui, fica evidente a presença do gênero, até porque, acredito que era difícil para o diretor se distanciar do mesmo, e sinceramente, eu não vejo nenhum problema nisso; na verdade, é algo até natural.

 

Inferno é um verdadeiro espetáculo visual, e grande parte se deve à fotografia. O filme é muito colorido, com cores que pulsam na tela, principalmente o azul, o vermelho e o rosa, cores utilizadas por Bava no seu O Chicote e o Corpo (1963); e graças a isso, o filme mais parece um longa do Maestro do que um longa de Argento. Além da fotografia, Bava também trabalhou na equipe de produção do filme.


O Maestro foi responsável pelos efeitos especiais, e também foi diretor da segunda equipe, além de ter substituído Argento na direção quando o mesmo precisou se afastar por problemas de saúde. Algumas das cenas comandadas pelo Maestro são as cenas debaixo d’água e a sequência dos ratos. E há até uma foto de bastidores onde ambos dividem o set de filmagens.


Inferno foi o último filme que contou com a colaboração de Mario Bava; o Maestro faleceu em 27/abr/1980.

 

Com certeza, o fato de ter sido o filme onde ambos trabalharam juntos, faz deste um verdadeiro deslumbre, e também deve servir como atrativo para os fãs do terror italiano, porque, conforme mencionado acima, o diretor Argento estava em alta na época, e entrega grandes filmes; e quanto ao Maestro Bava, não há comentários.




Inferno marcou uma nova parceria do diretor com sua companheira, a saudosa Daria Nicolodi, aqui no papel de atriz. A atriz entrega uma ótima atuação, no papel de uma condessa decadente e de saúde frágil, que se alia ao protagonista em sua busca por sua irmã. Além dela, temos ótimos atores, entre eles, a atriz Alida Valli, que já trabalhou com o diretor em Suspiria, além de ter trabalhado com o Maestro em Lisa e o Diabo (1973); a atriz interpreta a misteriosa senhoria do prédio, e sua performance é digna de calafrios. Outros como Feodor Chaliapin Jr.; Ania Pieroni; Irene Miracle e Gabriele Lavia também entregam grandes atuações, em papéis secundários, mas muito importantes para a trama.



Conforme mencionado acima, Inferno é o filme do meio da Trilogia das Mães, iniciada com Suspiria (1977) e concluída com A Mãe das Lágrimas (2007), que infelizmente, marca a fase decadente do cineasta. Recentemente, surgiram boatos a respeito da jovem que segue o protagonista na sequência da aula de música, interpretada por Ania Pieroni. Dizem que a personagem é a Mãe das Lágrimas em sua juventude. Quanto a isso, não sei o que dizer; o que posso dizer é que a atriz tem presença forte, com seus grandes olhos verdes.



Outra coisa que me atrai nesse filme, além da fotografia colorida, é o som. Sério, os efeitos de som aqui são maravilhosos e enchem os ouvidos, principalmente o som dos passos.

 

Além do som, é notável a habilidade de Argento em dar destaque para coisas “sem importância”, como por exemplo, a chuva e cacos de vidro, assim como fizera em Suspiria. Sobre a sequência da biblioteca, o que chama a atenção é o modo como as gotas caem na roupa de uma personagem, além do modo como a água cai do céu. Maravilhoso.

 


Conforme mencionado, Bava dirigiu a famigerada sequência dos ratos, uma sequência repugnante, onde os animais surgem aos poucos de um cano de esgoto, até o cobrirem por completo. Eu pessoalmente tenho PAVOR DE RATOS, e se estivesse presente na cena, ficaria muito, mas muito nervoso. Mas voltando a sequência, posso dizer que a punição que o personagem ali presente merece, porque ele é cruel com alguns gatos que invadem seu estabelecimento. Não sou fã de gatos, mas admito que o que ele faz com eles é cruel. A cena do esfaqueamento é digna do trabalho de Argento, que lembra muito seus Gialli anteriores, apesar de parecer um pouco deslocada. Eu pessoalmente faço uma comparação com a cena do cachorro em Suspiria, onde o animal foi tomado por forças sobrenaturais; aqui, acredito que não é diferente.

 


Sobre a cena como um todo, ela digna de um filme do Maestro, com as cores pulsantes e a luz que se projeta por detrás da árvore. Além disso, é rodada em grandes planos gerais, onde fica impossível focar em uma única coisa em particular.

 


Bem, aqui temos também outra amostra do gosto que Argento tem por gatos, conforme mostrou logo na Trilogia dos Bichos. Aqui, os animais fazem um estrago com uma das personagens, com direito a closes extremos de suas patas e garras afiadas se projetando para fora; além disso, a cena também apresenta elementos de Giallo, conforme dito diversas vezes aqui. 

 


Para encerrar, quero destacar a trilha sonora, composta pelo falecido Keith Emerson, com destaque para Mater Tenebrarum, presente na cena em que Mark, o protagonista, se arrasta pelo interior do prédio, trilha essa que se repete nos créditos finais. Além da trilha de Emerson, temos também trechos com ópera, principalmente a ópera de Verdi – Va’ pensiero, de Nabucco. A mesma toca em momentos chaves da trama, e pessoalmente, eu acho muito bonito. 

 

E por fim, quero deixar aqui as minhas impressões a respeito da Mãe das Trevas, principalmente da sua forma final. A mesma é interpretada pela atriz Veronica Lazar, que também atuou em Terror nas Trevas (1981), de Lucio Fulci; mesmo com pouca presença, ela consegue passar um ar de mistério, principalmente quando está junto de um velho cadeirante. E sua forma final é muito bonita; o mesmo vale para a maquiagem dos seus servos, com suas mãos putrefatas com unhas compridas e afiadas.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo, em belíssima versão restaurada com áudio em italiano, na coleção Obras-Primas do Terror Vol.2, dedicada ao terror italiano.

 

Enfim, A Mansão do Inferno é um excelente filme do diretor Dario Argento. Um verdadeiro espetáculo visual, com cores que pulsam na tela e deixam o filme mais bonito, além de outros aspectos que contribuem para deixa-lo ainda melhor a cada revisão. A união de Dario Argento com o Maestro Mario Bava é o grande fator que chama a atenção para este filme, além da habilidade de Argento como diretor e roteirista. Um espetáculo de cores e som. 



Créditos: Versátil Home Vídeo



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https://livrosfilmesdehorror.home.blog/


sábado, 9 de maio de 2020

O PÁSSARO DAS PLUMAS DE CRISTAL (1970). Dir.: Dario Argento.



NOTA: 10



O PÁSSARO DAS PLUMAS DE CRISTAL
(1970)
Segundo o próprio Dario Argento, o Giallo é um gênero italiano. Surgiu no país na literatura, com uma pequena editora que lançava os livros de suspense com as capas amarelas – “giallo” quer dizer “amarelo” em Italiano – para diferenciá-las dos demais. A partir de 1963, o gênero migrou para o cinema, graças ao Maestro Mario Bava, que lançou o filme A Garota que Sabia Demais, que possuía algumas características que se tornariam clássicas no gênero. No ano seguinte, foi lançado Seis Mulheres para o Assassino, também do maestro Bava, filme responsável por apresentar as principais características do gênero: as mortes mirabolantes, a ineficiência da policia, a misoginia, as pistas falsas, e principalmente, o assassino de luvas pretas. Apesar desse pontapé inicial, não foram muitos os cineastas que resolveram se aventurar nesse gênero. Até que, em 1970, a coisa mudou.

Além de ser o primeiro filme do diretor Dario Argento, O PÁSSARO DAS PLUMAS DE CRISTAL, foi também o filme responsável por lançar de vez o Giallo no cinema. E já em sua estreia, Argento mostrou a que veio.

A história é contada de forma brilhante, com ótima direção, roteiro bem amarrado e ótimas atuações. É o tipo de filme onde tudo funciona a seu favor, e a cada revisão, parece ficar melhor; pelo menos para mim é assim. E mesmo tendo visto várias vezes, é um filme que gosto muito de assistir.

Não sei ao certo quando meu interesse pela obra de Argento começou, mas, desde que resolvi me aventurar em sua filmografia – a melhor parte, pelo menos – me tornei fã e admirador do cineasta, fazendo de seus filmes, uma inspiração. E este aqui é um dos meus favoritos.

Conforme já mencionei, O Pássaro é um filme onde tudo funciona, a começar pelo roteiro. Conforme Argento comentou em entrevistas, ele tinha interesse em modificar as regras do suspense. O que de fato, ele conseguiu. O roteiro é muito bem escrito, e consegue levar o protagonista, o escritor Sam Dalmas, a uma teia cheia de enigmas, que parecem aumentar à medida que ele resolve investigar por conta própria. Esta é também outra característica do gênero: a investigação que o protagonista faz por conta própria – quase sempre motivado por algo que testemunhou anteriormente – uma vez que a policia não consegue resolver os crimes. O fato da policia não conseguir resolvê-los, já fora estabelecido por Bava, mas, antes deste aqui, não me lembro de outro exemplar onde o protagonista resolve investigar o mistério; talvez nos filmes que vieram depois de Bava, mas não posso afirmar com certeza absoluta. O fato é que aqui, Dalmas faz exatamente isso, uma vez que o Comissário Morossini e seus homens estão em um beco sem saída.

Já no primeiro filme, Argento apresentou uma de suas principais características: o uso de câmeras subjetivas. É incrível o que a câmera faz em determinadas cenas, principalmente simula os POV’s – pontos de vista. E um cena em especial, Argento e o diretor de fotografia, Vittorio Storano, posicionam a câmera sobre um lance de escadas de um prédio, dando uma ótima perspectiva do ambiente. Outra que o diretor soube fazer muito bem foi enquadrar as mulheres. Segundo o próprio Argento, essa habilidade surgiu ao seu costume de observar o trabalho da mãe, a fotógrafa brasileira Elda Luxardo, que passava horas fotografando atores e atrizes italianos famosos. E dá para perceber que o diretor aprendeu muito bem. Os enquadramentos são perfeitos, principalmente das mulheres. Acho que nunca vi um filme em que as atrizes foram tão bem enquadradas pela câmera, algo que o cineasta utilizou em seus filmes futuros.

Outra coisa que funciona muito bem é a trilha sonora, composta pelo Maestro Ennio Morricone. Ao invés de uma trilha pesada, Morricone utilizou vozes femininas para fazer um coro parecido com uma canção infantil. É uma trilha que combina muito bem com a atmosfera.

Mas talvez as melhores coisas do filme sejam as cenas de assassinato, e o próprio assassino. Como já havia dito no começo, um dos atributos que tornaram o Giallo conhecido, foi a figura do assassino em roupas escuras, usando luvas de couro pretas, e aqui temos isso na melhor forma. O assassino encaixa-se perfeitamente na descrição clássica: usa roupas pretas, jaqueta com a gola levantada para esconder o rosto, chapéu, e claro, as luvas de couro pretas. Não tem nada melhor do que isso. Apesar de gostar das variações do gênero, eu sou fã do Giallo que tenha o assassino com luvas.

Agora, sobre os assassinatos. Se em Seis Mulheres para o Assassino, Mario Bava conseguiu transformar cenas de assassinato em obras de arte, aqui, Argento faz a mesma coisa. Apesar de o assassino ter matado cinco mulheres durante o filme, Argento só mostra duas delas sendo assassinadas, e ambas as cenas são muito bem feitas, construídas da maneira mais simples, mas com clima de suspense que deixa tudo mais tenso, deixando o espectador roendo as unhas. E quando os assassinatos acontecem, são fantásticos desse ver; não que o homicídio seja uma coisa bonita; eu me refiro ao modo como as cenas são filmadas. Não espere um banho de sangue. O sangue é espirrado na tela na quantidade certa e do jeito certo. A melhor cena de assassinato é a segunda, com uma navalha enorme fazendo seu trabalho; uma cena quase claustrofóbica. Argento levaria essa técnica de transformar cenas de assassinato em obras de arte para seus filmes futuros.

Uma das coisas pela qual Argento é questionado são as atuações do seu elenco. Há quem diga os aspectos técnicos do filme são melhores que as atuações, mas eu não vejo problema. As atuações são muito boas, principalmente dos quatro personagens principais. Outro “ponto negativo” é o fato de o protagonista não conseguir identificar o som do pássaro do título – o Grou coroado oriental – já que ele também estuda aves raras. Minha explicação é que, no calor da investigação, ele não se lembrou da espécie, ou então, não chegou a ler sobre ela. Essa é a minha interpretação.

O Pássaro das Plumas de Cristal foi lançado em Fevereiro de 1970 na Itália, e foi um sucesso de bilheteria; nos Estados Unidos, ficou em primeiro lugar por três semanas, tornando-se um sucesso por lá também.

O sucesso do filme foi responsável da introdução do Giallo no cinema, levando vários cineastas a produzir seus próprios filmes do gênero, muitos deles com nomes de animais nos títulos.

O filme é o primeiro da chamada “Trilogia dos Bichos”, composta também pelos filmes O Gato de Nove Caudas e Quatro Moscas Sobre Veludo Cinza, ambos lançados em 1971, também escritos e dirigidos por Dario Argento.

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo, em versão restaurada, com áudio italiano, na coleção A Arte de Dario Argento, juntamente com os outros filmes da “Trilogia dos Bichos”, e Terror na Ópera (1987), um de seus últimos grandes trabalhos.

Enfim, O Pássaro das Plumas de Cristal é um dos maiores exemplares do Giallo italiano. Um filme com atmosfera de suspense muito bem construída, que deixa o espectador arrepiado. A direção experiente de Dario Argento contribui para o ótimo desempenho do filme, além de mostrar o quão habilidoso ele se tornaria. O filme responsável por catapultar o Giallo no cinema, além de ter influenciado uma serie de cineastas a seguir o mesmo caminho. Um filme excelente, que merece ser visto e apreciado. Maravilhoso. Altamente recomendado.



Créditos: Versátil Home Vídeo




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sábado, 8 de fevereiro de 2020

A COMPANHIA DOS LOBOS (1984). Dir.: Neil Jordan.


NOTA: 10



A COMPANHIA DOS LOBOS (1984)
A COMPANHIA DOS LOBOS é um filme lindo! Lançado em 1984, é a segunda aventura de Neil Jordan na direção; dois anos antes, ele estreou no cinema com Angel, O Anjo da Vingança, onde também iniciou sua parceria com o ator Stephen Rea, que se tornaria seu colaborador recorrente.

À primeira vista, o filme parece uma versão adulta da historia da Chapeuzinho Vermelho, devido às semelhanças da narrativa com o conto original. Na verdade, o filme é uma adaptação de uma historia da escritora Angela Carter, que trabalhou no roteiro ao lado do diretor. Apesar de fazer parte do gênero terror, eu pessoalmente, classifico o filme como uma obra de fantasia. E assistindo, fica claro o motivo dessa classificação.

É um filme belíssimo, cheio de cores, sombras e luzes, mas, principalmente, sombras. Além disso, é um verdadeiro filme de terror gótico, com tudo que tem direito. Claro, não chega aos pés de um filme do Maestro Mario Bava, mas, possui alguns dos elementos presentes no gênero. Sem duvida, o mais evidente é a floresta envolta em névoas, presente em algumas cenas; outros elementos também aparecem, como o próprio visual da pequena igreja da vila e o cemitério com as lapides inclinadas.

Não só isso. É um filme de fantasia na melhor concepção da palavra. Jordan deu a ele um aspecto de sonho mesmo, o que o deixa ainda mais bonito de se ver. E a cada revisão, ele fica melhor. Eu já sabia que o filme era maravilhoso, e após a ultima revisão, minha opinião não mudou. É o tipo de filme que prende a atenção do espectador, seja pela narrativa, pela fotografia, pelo design de produção... Enfim, tudo nele contribui para sua beleza.

Esse aspecto de sonho se deve muito ao orçamento limitado. Segundo o próprio diretor, ele encontrou dificuldades em trabalhar com o orçamento de que dispunha para criar o visual do filme; mesmo assim, o resultado ficou excelente, e deu ao longa um aspecto tanto fantasioso quanto claustrofóbico. Em vários momentos, os cenários são tão pequenos que parece os personagens vão ser esmagados por eles, ou então, dá a impressão de que eles estão, de fato, presos em um mundo de fantasia criado pela menina em seus sonhos. Não é o tipo de sensação que encontramos em muitos filmes de terror hoje em dia.

Então, A Companhia dos Lobos pode ser considerado somente como um filme de fantasia, e não como um filme de terror? Ao contrário. É um verdadeiro filme de terror. Apesar de classifica-lo mais como um filme de fantasia, eu admito que é, sim, um filme de terror. O terror está em dois pontos. O primeiro é a atmosfera. Conforme já mencionado, é um filme de terror gótico, e isso já o faz ser assustador. Existem cenas que provocam arrepios na espinha. Uma delas acontece no inicio do filme, quando a irmã da protagonista é atacada e morta por um bando de lobos. Além de contar com aspecto de pesadelo, a cena conta com efeitos especiais convincentes, que deixam-na mais arrepiante; um deles é o bonequinho que ganha vida e corre atrás da garota, antes de ser derrubado por ela. A fotografia também é um elemento-chave. As cenas noturnas são verdadeiramente arrepiantes e sombrias, e passam a sensação de insegurança. Realmente, eu não queria me aventurar naquela floresta depois do escurecer. As árvores estão mortas, sem folhas, com galhos secos e retorcidos, semelhantes a garras, e parece que vão nos agarrar e nos engolir. É tudo muito bem feito.

Outro ponto são os efeitos especiais. Mesmo para a época, são muito bons e convencem sem esforço. A primeira grande cena é justamente a primeira cena de transformação. É uma cena assumidamente sangrenta, com efeitos práticos muito bem executados. Desde a primeira vez que a vi, fiquei impressionado porque é realmente uma cena bem feita. Parece que de fato, o ator Stephen Rea está se transformando em lobo – uma transformação visceral, diga-se de passagem – arrancando sua pele, expondo seus músculos cobertos de sangue, enquanto seu rosto e seu corpo se modificam, até atingirem a forma completa de um lobo. A última cena de transformação também é excelente – inclusive, é a melhor cena do filme. Ao contrario da primeira, ela não possui litros de sangue, mas consegue ser mais violenta, devido à performance do ator Micha Bergese. Para os mais exigentes, talvez essas cenas pareçam falsas, mas, para mim, é exatamente o contrario. São muito melhores do que qualquer efeito digital de hoje.

O elenco é também um ponto a favor. Todos, sem exceção, entregam atuações muito boas e convincentes. Parece mesmo que aquelas pessoas são reais e vivem naquela época. Inclusive, alguns até entregam atuações que beiram ao cômico, como por exemplo, o ator que interpreta o garoto apaixonado por Rosaleen. Logo na sua primeira cena, no funeral, ele mostra a língua para a menina e leva um peteleco da mãe. É muito engraçada. O garoto é um completo palhaço, sempre tentando conquistar Rosaleen, seja por meio de presentes ou usando um passeio na floresta depois da missa. Mas suas investidas mostram-se fracassadas. Difícil assistir e não rir. Mas a melhor cena acontece quando ele chega correndo na vila, avisando que há um lobo nas redondezas. O pai da menina, assustado por não vê-la, dá-lhe uma surra, que se transforma em uma briga coletiva, com direito a socos, empurrões e banhos de água. Hilário. Difícil assistir e não dar risada.

Mas, apesar das atuações convincentes, quem rouba a cena são os veteranos Angela Landsbury e David Warner, que interpretam a avó e o pai de Rosaleen. Dona de uma respeitável carreira no cinema e o teatro, ela dá um show interpretando a Vovó, oscilando entre o cômico e o sério. De verdade. É a típica avó que cuida da netinha e lhe passa lições de vida, além de contar suas historias de feras que vivem na floresta. A melhor cena é quando ela o padre discutem no pátio da igreja após o mesmo atingi-la na cabeça com um galho que acabou de podar. Uma discussão muito engraçada, que fica melhor toda vez que revejo o filme. David Warner também não decepciona. Assim como Landsbury, ele também parece um pai verdadeiro, disposto a proteger e cuidar da família. E o melhor é que o ator convence muito como um típico pai de vilarejo do século XVIII. Na verdade, a atriz que interpreta a mãe de Rosaleen também convence.

No entanto, quem dá coração ao filme é a atriz Sarah Patterson, fazendo sua estreia no cinema. Ela entrega uma atuação espetacular. Sua Rosaleen é a própria imagem da inocência juvenil: ingênua, mas inteligente, ela vive em um mundo de fantasia, e não tem medo dos possíveis perigos que vivem na floresta, nem mesmo quando encontra o Caçador. Além disso, ela ficou perfeita na caracterização da Chapeuzinho Vermelho, fugindo da imagem clássica da personagem – loira de olhos azuis. Difícil dizer qual a melhor cena. Ao que parece, ela era muito mais jovem do que as outras atrizes que o diretor de elenco procurava, além do fato de que ela não poderia compreender os temas adultos presentes na narrativa. Mas o importante é que ela conseguiu entregar uma excelente atuação, e criou uma das melhores personagens do horror dos anos 80.

Além de ser um filme de lobisomens, A Companhia dos Lobos é também uma antologia. Mas não é típica antologia, que começa com a primeira historia e vai passando para as outras. Aqui, a antologia se desenrola por meio das historias que a Vovó conta para Rosaleen. E não são uma seguida da outra. Ocorre um período de tempo entre uma historia e outra, o que deixa o filme mais interessante, e às vezes, faz com que esqueçamos que estamos diante de uma antologia. E não é apenas a Vovó conta historias. Rosaleen também suas próprias historias para contar, e são tão assustadoras quanto as da Vovó. Difícil dizer qual a melhor, mas a minha favorita é a ultima, que acontece no final do filme.

E além de ser um filme de lobisomens e uma antologia, o filme também é uma historia de amadurecimento e despertar sexual, representados pela própria Rosaleen. É possível perceber o quanto ela amadurece durante o filme, seja por meio das historias de sua avó, seja por conta própria. É impressionante a transformação da personagem, de uma garotinha a uma adolescente prestes a descobrir o sexo. Um desses momentos acontece quando ela ouve os pais fazendo sexo à noite, e no dia seguinte questiona a mãe o que aconteceu entre eles. Não sei vocês, mas para mim, isso mostra o quão crescida a menina está. Mas sem duvida, o verdadeiro despertar acontece quando ela encontra o Caçador na casa da Vovó. Mesmo não contendo nada explicito – até porque não poderia – a sequencia é carregada de conteúdo erótico, representado pela figura sedutora do Caçador. Além disso, dá ênfase à historia original da Chapeuzinho, que diziam, era repleta de conteúdo adulto, envolvendo até pedofilia, canibalismo e zoofilia.

Mas nada disso impede A Companhia dos Lobos de ser um conto de fadas. Como já mencionado, o filme possui um aspecto de sonho e fantasia, que e chega até ser meio infantil. Um dos motivos é o fato de que foi todo filmado em estúdio, provavelmente pelo orçamento limitado. Mas nada disso é um defeito. Os cenários parecem verdadeiros e são muito bem feitos. Outra limitação orçamentaria é o fato de o diretor utilizar pastores-belga para simular os lobos, uma vez que o roteiro pedia a presença de mais lobos. Mas isso também não é um empecilho. Eu consigo imaginar aqueles cachorros como se fossem lobos, sem o menor problema, principalmente por causa da sua aparência. Lobos de verdade só aparecem algumas vezes no filme, e por poucos minutos. Mas como já disse, não faz a menor diferença; o importante é que convence muito bem e sem esforço.

E qual a minha cena favorita? Bom, não posso dizer, porque acontece no final do filme, então seria um spoiler. Só digo que é belíssima, e que servirá de inspiração para mim no futuro.

A Companhia dos Lobos foi lançado em Setembro de 1984, e foi recebido com criticas positivas, apesar de não ter tido uma boa bilheteria. Além de receber criticas positivas, o filme recebeu vários prêmios ao redor do mundo. No Brasil, foi lançado em Julho de 1987. Não sei se chegou a ser lançado em VHS por aqui, mas foi lançado em DVD, numa edição de banca. Atualmente, está fora de catálogo. Lá fora, já foi lançado em Blu-ray, em belíssima versão restaurada. 

Sobre o lançamento nos cinemas americanos, uma curiosidade: o filme foi distribuído pela Cannon Group, que o divulgou como um filme de terror, contraria à intenção do diretor Neil Jordan, que acreditava que tal intenção seria enganosa.

Conforme mencionei na resenha de Grito de Horror, A Companhia dos Lobos faz parte de uma “trilogia” de filmes de lobisomens lançados nos anos 80. Na verdade, outros exemplares do gênero também foram lançados nessa época, mas sem duvida, os mais memoráveis são: Grito de Horror, Um Lobisomem Americano em Londres e A Companhia dos Lobos, que em minha opinião, é o melhor deles.

Enfim, A Companhia dos Lobos é um filme belíssimo. Um filme de terror gótico com elementos de fantasia. Um dos melhores filmes de lobisomens de todos os tempos.

Maravilhoso.

Altamente recomendado.



"Little girls, this seems to say
Never stop upon your way
Never trust a stranger friend
No one knows how it will end
As you're pretty, so be wise
Wolves may lurk in every guise
Now as then, 'tis simple truth
Sweetest tongue has sharpest tooth."









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sábado, 1 de junho de 2019

A ORGIA DA MORTE (1964). Dir.: Roger Corman


NOTA: 9.5


A ORGIA DA MORTE (1964)
A ORGIA DA MORTE é o sexto filme do bem-sucedido “Ciclo Edgar Allan Poe”, que o diretor Roger Corman realizou em parceria com a American International Pictures. Novamente, contou com Vincent Price no papel principal, em uma de suas melhores atuações, sem a menor dúvida.

Conforme o título original entrega, o filme é baseado no conto A Máscara da Morte Rubra, ou O Baile da Morte Vermelha, um dos textos mais populares de Egdar Allan Poe. Sem dúvida, pode ser considerado um dos melhores filmes do Ciclo, que começou em 1960 com O Solar Maldito, baseado em A Queda da Casa de Usher, e terminou em 1965, com O Túmulo Sinistro, baseado em Ligeia.

Conforme o diretor Corman afirmou, esse é o seu melhor trabalho baseado em Poe, e não é pra menos. O filme é um espetáculo visual, repleto de cores vibrantes – sobretudo o vermelho – , clima gótico autentico e atmosfera de sonho. Tudo funciona muito bem, apesar do orçamento limitado e o tempo de filmagem apertado: cerca de 5 semanas de filmagem e cerca de 300 mil dólares de orçamento. E não faltou criatividade.

Como o texto de Poe em si só acontece no último ato, os roteiristas Charles Beaumont e R. Wright Campbell tiveram que preencher muitas lacunas na narrativa, o que tornou o filme ainda mais rico. Beaumont e Campbell dedicaram boa parte da historia ao seu protagonista, o sádico Príncipe Prospero e também à sua relação com a jovem Francesca, sua prisioneira. Foi possível perceber que, além de sádico, Próspero também mostrou-se de certa forma, fascinado pela moça, uma vez que não a tortura em nenhum momento – pelo menos não fisicamente; pelo contrario, ela tem livre acesso ao castelo, veste-se elegantemente e participa dos jantares promovidos pelo anfitrião. No entanto, mesmo com essa liberdade, Próspero mostra-se onipresente, pois tem planos diabólicos para a menina, como inicia-la em seus rituais de adoração ao Diabo; inclusive, desde o primeiro momento, o personagem deixa isso muito claro: é um adorador do Diabo, e bane, implacavelmente, qualquer forma de adoração a Deus.

Porém, existem outros pontos que merecem destaque. O primeiro deles é a forma como a monarquia é representada. Numa visão pessoal, eu sempre achei que os ricos eram de fato vulgares, desrespeitosos, e cruéis (ao contrario do que diziam dos pobres), e, aqui, é a mais pura verdade. Na primeira cena de festa promovida pelo Príncipe, os nobres surgem rindo, bebendo, gritando e debochando dos camponeses, tudo sem o menor pudor e discrição. Um desses nobres, Alfredo, mostra-se o pior deles. É um personagem perverso, com a maldade impressa no rosto – porém, não menor que a Próspero, vale lembrar – e disposto a tudo, inclusive, a passar a perna em seu amigo. Grande parte disso, deve-se à magnifica interpretação do ator Patrick Magee, que, com certeza, levou esse sadismo e crueldade para o seu personagem no clássico Laranja Mecânica (1971), de Stanley Kubrick. A atriz Jane Asher também merece destaque: sua Francesca é a personificação da bondade e da pureza, sempre mostrando-se fiel a seu pai e seu amado, e pregando amor a Deus, mesmo diante de Próspero. Juliana, interpretada pela atriz Hazel Court, pretendente de Próspero também merece destaque: ao contrario de Francesca, ela é própria imagem da crueldade, submissa, e perversa, disposta até a unir-se ao Diabo para ter Próspero ao seu lado.

Outro ponto é a ambientação. Naquela época, o cinema de horror era mais focado no clima gótico, de fantasia, o que rendeu grandes obras, e aqui, não é diferente. Com suas florestas de arvores mortas, envoltas em nevoa, o castelo de Próspero todo coberto por teias de aranha, o filme é uma das melhores representações do Gótico no cinema de horror. A direção de arte, a cargo de Robert Jones, e o design de produção, a cargo de Daniel Haller, com certeza, contribuíram para a ambientação medieval da trama. Em todos os momentos, é possível acreditar que aqueles personagens vivem naquela época e vestem aquelas roupas. Trabalho excelente, indicado ao BAFTA, o Oscar® do cinema britânico.

E por fim, duas cenas também devem ser mencionadas. A primeira é a cena do corvo, que culmina na morte de um personagem importante da historia. É uma cena belíssima, bem dirigida, onde, mesmo não sendo possível ver o corvo bicando e arranhando, é crível o que está acontecendo; e quando a cena termina, é um verdadeiro espetáculo. E a ultima menção fica a cargo do ultimo ato, que narra o conto de Poe em si. É um deslumbre visual e colorido, uma representação realista de um baile de máscaras, como visto em muitos filmes clássicos de décadas anteriores, principalmente as décadas de 30 e 40. E claro, o desfecho, onde o vermelho predomina toda a tela, em tons vivos que enchem os olhos.

E como todo filme de terror, possui seus momentos arrepiantes. O melhor deles, sem duvida, é quando os espectros da Morte se juntam no bosque envolto em nevoas, após realizaram seus trabalhos nas regiões próximas. Uma cena sem trilha sonora, onde os personagens sussurram o tempo todo, e, envoltos em suas vestes, tornam-se ainda mais assustadores, uma vez que não vemos seus rostos ou seus olhos. Talvez, uma das melhores personificações da Morte já mostradas em um filme.

Porém, o filme tem um pequeno defeito: uma cena em que Juliana tem uma alucinação, antes de seu matrimonio com Satã. Mesmo sendo bem executada, com seus efeitos visuais e lentes distorcidas, é uma cena que, ao meu ver, não precisava estar no filme, porque, sinceramente, parece muito longa e arrastada. Vale lembrar que Corman fez algumas cenas parecidas nos demais filmes do Ciclo.

E claro, não poderia concluir esse texto sem mencionar o astro Vincent Price. Como mencionado acima, o Príncipe Próspero talvez seja um de seus melhores personagens. Desde sua primeira aparição, o Príncipe mostra-se um verdadeiro sádico, com seu olhar cruel e sua expressão diabólica. Ele não mede esforços para realizar seus desejos sádicos, seja torturando seus prisioneiros, seja realizando seus bailes regados a orgia. Sem duvida, um vilão perfeito, como o ator sempre soube interpretar. Price não se mostra caricato ou atua demais, pelo contrário, faz na medida certa. Próspero é a representação do Mal, sem dúvida.

Enfim, com todos esses toques, A Orgia da Morte é um maravilhoso filme de terror. Uma das melhores adaptações de Edgar Allan Poe. Um dos melhores filmes de Roger Corman. Uma das melhores atuações de Vincent Price.

Foi lançado em DVD aqui no Brasil pela Versátil Home Vídeo, no primeiro volume da Coleção Obras-Primas do Terror.

Altamente recomendado.




Créditos: Versátil Home Vídeo



sábado, 16 de março de 2019

SUSPIRIA (1977). Dir.: Dario Argento.


NOTA: 10


SUSPIRIA (1977)
Assistir a Suspiria (1977) foi uma experiência maravilhosa.

Segunda obra-prima de Dario Argento, o filme foi lançado dois anos após sua primeira obra-prima, o também maravilhoso Prelúdio Para Matar.

O longa é um dos maiores filmes de terror de todos os tempos, além de ser um dos filmes mais assustadores da história, adjetivos que lhe cabem como uma luva!

Co-escrito por Argento e sua então companheira Daria Nicolodi – inspirados por um livro de Thomas de Quincey – o roteiro fala de uma jovem americana que vai para uma escola de dança na Alemanha e acaba descobrindo um culto de bruxas. Uma trama simples, não é? Bom, como já comentei em Prelúdio, nas mãos de um cineasta qualquer, seria sim, uma história bem simples. Porém, Dario Argento não é um cineasta qualquer.

Como fizera na Trilogia dos Bichos, lançada anteriormente, o diretor coloca sua marca em todos os aspectos do filme, desde a iluminação até a direção de arte. Aliás, ambos são os destaques do filme. A começar pela fotografia, que usa e abusa das cores brilhantes e pulsantes, especialmente o Vermelho, o Azul e o Verde – provavelmente uma homenagem à Mario Bava, conforme descrito na belíssima edição em Blu-Ray lançada pela Versátil (infelizmente, para quem ainda não adquiriu, está fora de catálogo). As cores saltam na tela de uma forma incrível que enchem os olhos e não incomodam, como às vezes acontece... Já a direção de arte também é um deleite. Se por fora, a escola parece normal, por dentro ela é um maravilhoso prédio gótico, iluminado e colorido. Possivelmente, esse estilo gótico também é uma homenagem ao Maestro Bava, não sei.

Fora a direção de fotografia e a direção de arte, quem também brilha é a sua protagonista, Susy, interpretada por Jessica Harper. Originalmente imaginada pelo diretor como uma menina de 11 anos, a jovem é o brilho do filme, fato esse que o diretor repetiria em Phenomena (1985), em que a protagonista é interpretada por Jennifer Connelly. Mas, voltando à Jessica Harper, a atriz está no seu melhor papel no cinema fantástico, ao lado de O Fantasma do Paraíso de Brian de Palma. Claro que o restante do elenco também dá um show com destaque para as duas atrizes veteranas principais, Alida Valli e Joan Bennett. Alida Valli entrega uma performance assustadora, com seu sorriso maléfico e figurino negro. Joan Bennett, por outro lado, está gélida, crua, fria e sinistra, e revela-se como uma super vilã de conto de fadas.

Aliás, falando em conto de fadas, a principal inspiração para Argento foi o Clássico Branca de Neve e os Sete Anões, de Walt Disney, lançado em 1937. Dizem que o diretor reproduziu o filme para a equipe a fim de obter a mesma paleta de cores. Não duvido. Inclusive, acho uma estratégia fantástica para a realização de um filme de terror!

E falando em filme de terror, Suspiria é um verdadeiro Filme de Terror! Desde o inicio, Argento não nega fogo, com grandes toques de violência e sangue. E no que diz respeito ao diretor, tais cenas se transformam em obras de arte. A cena do primeiro assassinato – que termina com uma das imagens mais icônicas do cinema de horror – é arrepiante desde o inicio e o diretor a executa com maestria, dando, inclusive, seus toques de Giallo. A partir daí, segure-se na cadeira. São momentos de muita tensão, banhadas às cores brilhantes, e, o maior truque do cinema de horror, na minha opinião: a ausência de trilha sonora! Aliás, uma das cenas mais assustadoras do filme faz uso desse truque. Não é uma cena de assassinato e não envolve sangue. Na verdade, é uma cena em que o personagem Daniel é expulso da escola porque seu cão-guia machucou um menino. Sério. É a cena que mais me deu medo no filme inteiro! Muito bem feita, tanto na direção quanto nas performances dos atores.

Bom, não posso falar mais, senão vou entregar spoilers.

Como já disse, Suspiria recebeu um lançamento de pompa em Blu-Ray aqui no Brasil. Foi lançado na coleção Argento Essencial, que também contou com a obra Prelúdio Para Matar. A versão disponível na caixa é excelente, muito bem restaurada e colorida. Porém, infelizmente, a caixa teve lançamento limitado, e hoje está fora de catalogo... Felizmente, eu consegui o meu.

Enfim, assistir Suspiria foi uma experiência maravilhosa. Suspiria é Maravilhoso. Colorido. Assustador.


Um dos maiores filmes de terror de todos os tempos. Um dos Filmes Mais Assustadores da História.



PRELÚDIO PARA MATAR (1975). Dir.: Dario Argento.


NOTA: 10


PRELÚDIO PARA MATAR (1975)
Dentre todos os filmes de Dario Argento, PRELÚDIO PARA MATAR é considerado sua obra-prima. E não é para menos.

O filme é um dos melhores que já tive o prazer de assistir.

A trama fala sobre um músico que testemunha um homicídio e passa a investigá-lo com a ajuda de uma repórter. 

Parece simples, não? Bem, nas mãos de um cineasta qualquer poderia ser; mas, nas mãos de Dario Argento, é um verdadeiro espetáculo. 

Um dos filmes mais assustadores de todos os tempos, Prelúdio Para Matar é um verdadeiro show de horror e suspense. Uma trama super redonda, repleta de momentos de pular da cadeira. 

Um clima de mistério toma conta do filme o tempo todo, e não deixa o espectador respirar - pelo menos comigo foi assim. As cenas de assassinato estão entre as melhores do gênero, com destaque para a cena do bonequinho.

O filme também marca o primeiro encontro de Argento com Daria Nicolodi, que se tornaria sua companheira na década seguinte. A atriz interpreta a parceira - e par romântico - do músico, e posso dizer que as melhores cenas são dela. Ela está maravilhosa e engraçada, e consegue ser mais durona que o protagonista. 

Dentre os melhores momentos de tensão, destaco a sequência em que o 'herói' percorre os corredores de uma velha mansão que pode ter ligação com os homicídios. Nunca havia sentido tanto medo em um Giallo na vida.

Como o título entrega, o Vermelho é a cor que predomina na tela. E isso em maravilhosos tons vivos, da cor do sangue mesmo. Nem no último filme da Trilogia das Cores que eu assisti na faculdade, eu vi um Vermelho tão vivo! 

A câmera de Argento também é a estrela, com seus movimentos impossíveis de serem imitados e closes nos olhos do assassino - marca registrada do diretor. Os closes nos olhos do assassino são maravilhosos, melhores até do que aqueles dos filmes de Lucio Fulci.

O assassino também é um destaque, com seu visual clássico para o gênero: roupa de couro, chapéu cobrindo o rosto, e, principalmente, as luvas pretas e a arma utilizada para os homicídios. 

Tudo em Prelúdio para Matar é maravilhoso. Não há nenhum defeito na trama, nem furos no roteiro (uma das características de Argento apontadas por muitos, mas que eu não vejo em nenhum de seus filmes), e medo percorreu a minha pele. 


Um dos Filmes Mais Assustadores de todos os tempos. Um dos melhores Gialli que já assisti na vida. Uma aula de como fazer um Giallo. 



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