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sábado, 19 de outubro de 2024

O DESPERTAR DOS MORTOS (1978). Dir.: George A. Romero.

 

NOTA: 10


O DESPERTAR DOS MORTOS é, sem dúvida, o melhor filme de George A. Romero, além de ser o melhor filme de zumbis de todos os tempos.

 

Filme do meio da trilogia dos zumbis, esse filme apresentou tudo aquilo que hoje é utilizado em mídias sobre apocalipse zumbi.

 

Algumas regras já haviam sido estabelecidas em A Noite dos Mortos-Vivos, mas, em Despertar, elas foram aumentadas, e hoje em dia, tornaram-se praticamente obrigatórias.

 

Isso sem falar que, assim como seu antecessor, é um filme repleto de comentário social, desta vez, voltado para o consumismo.

 

Essa era uma característica nos filmes de Romero, mas, acredito que ficaram ainda mais em evidência dos seus filmes de zumbi, visto que o cineasta soube fazer isso com maestria, maestria essa que até hoje é discutida por cinéfilos e cineastas.

 

Além de tudo isso, Despertar também é um marco do gore, graças aos efeitos especiais do mestre Tom Savini, mas, mais detalhes sobre isso adiante.

 

Na trama, o mundo está quase todo devastado pelos zumbis. Sabendo disso, um grupo de quatro pessoas foge em um helicóptero e acaba encontrado um shopping center, onde acaba se instalando para escapar do ataque dos mortos-vivos.

 

Assim como no anterior, é uma trama simples que também está carregada de comentários sociais, mas, ao contrário do primeiro filme, é possível perceber que o orçamento foi um pouco maior aqui.

 

A grandeza do filme está presente desde os seus bastidores.

 

Romero estava com dificuldades de produzir uma continuação para o primeiro filme, mas acabou recebendo apoio do diretor Dario Argento, que já era um grande fã do cineasta, e vice-versa. Assim, Romero viajou para a Itália, onde conseguiu desenvolver o roteiro e conseguiu financiamento para realizar o filme.

 

É legal saber que Romero teve apoio de Argento para fazer o filme, o que formou uma grande amizade entre eles, que se consolidou ainda mais quando se uniram novamente para dirigir o filme Dois Olhos Satânicos (1990), antologia baseada em dois contos de Edgar Allan Poe.

 

Ainda segundo Romero, a ideia para este filme surgiu quando ele estava em um shopping center em Pittsburg, e imaginou como seria se uma horda de zumbis invadisse o lugar.

Conforme mencionado acima, a crítica da vez está no consumismo exagerado, e não deixa de ser verdade, visto que, quando as pessoas vão ao shopping, elas passam horas no local, olhando para os itens em oferta, e além disso, quando acontece alguma promoção em alguma loja, não é incomum ver um grupo de pessoas se formando na porta do estabelecimento, prontas para agarrar os itens o quanto antes. Eu já vi uma imagem dessas na internet, mas, graças a Deus, nunca presenciei algo como esse pessoalmente.

 

Agora que já comentei um pouco a respeito do comentário social presente no filme, deixe-me falar sobre os personagens.

 

O roteiro é focado em grupo de quatro pessoas, formado por dois policias da SWAT, uma repórter de TV e um piloto da emissora. A interação entre eles é muito boa, e é possível identificá-los rapidamente, assim que aparecem no filme. Fran se encaixa a princípio no perfil da mocinha indefesa, visto que ela começa o filme toda fragilizada, mas, conforme a trama avança, ela se mostra tão forte quanto os homens. Stephen é o seu namorado, e é o piloto do grupo; no início, ele também se mostra receoso em matar as criaturas, mas muda de atitude quando percebe que não há outra saída. Peter e Roger são os agentes da SWAT, e cada um possui sua própria personalidade; Roger é valente e não tem medo do perigo; Peter, por outro lado, é mais racional, mas valente, também.

 

Juntos, os personagens formam um grupo bastante unido, e se apoiam nas decisões importantes que devem ser tomadas. Além disso, eles se unem também na hora de tomar o shopping, chegando a construir quase que uma casa dentro do prédio, no local onde escolheram para se esconder. E na hora do combate, eles se unem ainda mais, cada um dentro de suas habilidades.

 

O roteiro de Romero também é muito afiado no que quis respeito ao ritmo. Logo no começo, fomos brindados com uma confusão no estúdio de TV, passando para uma guerra no conjunto habitacional de cubanos. Depois desse início frenético, as coisas começam a andar de forma mais lenta, com os personagens tomando o shopping, procurando um lugar para se esconder, depois, começam a tomar as coisas das lojas, até que conseguem se firmar no local. Mas não é só isso. A trama também se preocupa em explorar as relações entre os quatro, principalmente entre Fran e Stephen.

 

Em determinado momento, um grupo de motoqueiros saqueadores invade o prédio e provoca uma guerra com os quatro, o que leva a trama de volta à ação, visto que eles também lutam contra os zumbis das formas mais criativas possíveis.

 

Conforme mencionado acima, o filme é também um marco do gore, graças aos excelentes efeitos especiais de Tom Savini. O visual dos zumbis é básico, até, com uma tonalidade cinza e azulada, mais os efeitos de morte são o auge. Logo na primeira sequência de ação, no conjunto habitacional dos cubanos, somos presenteados com uma cabeça explodindo em frente à câmera, além de cenas de pessoas sendo mordidas. No shopping, a coisa não é muito diferente, com os zumbis sendo derrotados com tiros na cabeça, mas com efeitos diversos. No entanto, o melhor acontece quando eles matam os motoqueiros, arrancando seus órgãos na base da unha, e devorando-os vivos. No entanto, Savini deixaria o melhor para o filme seguinte da trilogia, Dia dos Mortos (1985), mas isso é assunto para outra resenha.

 

Despertar dos Mortos foi financiado por Dario Argento, conforme mencionei, e com isso, acabou ganhado uma versão remontada pelo cineasta italiano para o mercado europeu, que recebeu o título de Zombie. Além da versão editada por Argento, o filme também possui uma versão estendida, com 139 minutos, considerada por muitos como a Versão do Diretor; no entanto, Romero afirmava que a sua Versão do Diretor era a versão original, com 127 minutos. A versão escolhida para esta resenha é justamente a Versão do Diretor.

 

Foi lançado em Blu-ray e DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo, numa edição que apresenta as três edições, em versões restauradas, com um disco só de extras. Atualmente, tais edições estão fora de catálogo.

 

Enfim, O Despertar dos Mortos é um filme excelente. O filme que apresentou as principais regras para as mídias posteriores, além de contar com uma direção inspirada, roteiro afiado, e efeitos especiais bastante criativos. Um filme que se tornou um marco do gore, e também, o melhor filme de zumbis de todos os tempos, além de ser o melhor filme do diretor George A. Romero.


Créditos: Versátil Home Vídeo.


segunda-feira, 14 de agosto de 2023

A ÁRVORE DA MALDIÇÃO (1990). Dir.: William Friedkin.

 

EM MEMÓRIA DE WILLIAM FRIEDKIN


NOTA: 8


William Friedkin foi um dos grandes nomes do cinema, responsável por alguns dos maiores clássicos da Nova Hollywood, entre eles, o absoluto O Exorcista (1973), o maior filme de terror de todos os tempos.

 

Mas hoje, não irei falar sobre o clássico absoluto do gênero, e sim, sobre A ÁRVORE DA MALDIÇÃO (1990), segunda incursão do cineasta no gênero.

 

Mesmo sendo considerado um filme menor de sua carreira, este é um ótimo filme de terror, com uma atmosfera de conto de fadas macabro, misturado com altas dozes de gore.

 

Esse filme para mim representa uma certa doze de nostalgia, não porque eu assisti muito na infância, mas por causa do VHS da saudosa CIC Vídeo, com aquela imagem negra contra a luz azul; tal imagem me impactava sempre que eu ia a locadora, e me deparava com ela, na seção de filmes de terror.

 

Não sei qual a opinião de muitas pessoas, mas eu gostei muito do filme na primeira vez que vi, e gostei um pouco mais na segunda vez, principalmente das cenas envolvendo os lobos – mais detalhes adiante.

 

Mesmo tendo fincado seu lugar no hall dos grandes diretores de todos os tempos, não dá para negar que aqui temos de fato um filme menor do cineasta, que meio que se perde em sua filmografia, talvez porque, por ser um filme de terror, talvez as pessoas esperassem algo no mesmo nível de O Exorcista, mas não é esse o caso, porque temos aqui um filme diferente, com atmosfera e ambientações diferentes; e talvez seja por isso que muitas pessoas não gostam dele.

 

Eu não sou uma dessas pessoas, e considero este um dos filmes de terror mais notáveis dos anos 90, década em que o gênero estava fadado ao esquecimento, visto a quantidade de produções questionáveis – salvo exceções – que eram lançadas naquele período – especialistas podem contextualizar com mais clareza do que eu.

 

Bom, mas do que se trata o filme? A Árvore da Maldição se trata, em sua essência, de uma criatura que sacrifica bebês para uma arvore amaldiçoada. Já nos créditos de abertura, temos um breve texto sobre sacerdotes da religião druida, que idolatravam as arvores, e às vezes, sacrificavam pessoas para elas. E é isso que temos aqui; uma história sobre uma criatura mitológica que realiza sacrifícios humanos. Simples, não? Pois bem, além disso, temos também uma típica história de uma babá perversa, algo, na minha opinião, que torna o terror desse filme ainda maior.

 

Maior porque, se tirarmos a questão da criatura mitológica, podemos encaixar esse filme na categoria do suspense, porque, em certo momento, ficamos sabendo de um incidente assustador envolvendo a babá e a criança que estava sob seus cuidados. Dois anos depois, o tema de babá psicótica seria aproveitado no filme A Mão que Balança o Berço, com Rebecca de Mornay.

 

Mas voltando ao filme de Friedkin, eu gosto da ideia de uma criatura mitológica se infiltrando na casa de uma família para realizar um sacrifício humano. Temos uma subversão do tema da babá psicótica, além de termos também uma espécie de conto de fadas de horror, visto a presença do clássico João e Maria no longa.

 

Bom, deixe-me falar da técnica. Não é novidade para ninguém que Friedkin era um grande diretor, e aqui ele não faz feio. Seu elenco está muito bem, principalmente a atriz Jenny Seagrove, no papel da ninfa Camilla. A fotografia também é muito boa, principalmente nas cenas noturnas envolvendo a ninfa e a árvore; e os efeitos especiais também merecem menção, principalmente na sequência em que três bandidos são trucidados pela arvore maldita. Os bebês e os rostos encravados na árvore também merecem destaque, principalmente os bebês, que chegam a ser chocantes.  

 

Apesar do casal protagonista ter mais destaque, na minha opinião quem rouba a cena é Jenny Seagrove. Sua Camilla é uma grande personagem, passando tanto a doçura quanto a maldade que o roteiro e a direção pedem; além disso, ela se mostra também muito sedutora, visto que vez ou outra, invade os sonhos de Phil.

 

Como mencionado acima, A Árvore da Maldição é um filme carregado de gore, e podemos ver isso na sequência em que três bandidos são massacrados pela árvore. Friedkin não poupa o espectador de cenas grotescas, com membros decepados e pessoas sendo empaladas e literalmente devoradas. Mais para frente, temos outro exemplo, quando Phil utiliza uma motosserra na árvore, e literalmente decepa seus membros, num verdadeiro banho de sangue.

 

Também conforme mencionado, o filme possui outras grandes sequencias, desta vez envolvendo lobos negros. Eu adoro lobos, e é sempre um prazer vê-los no cinema, e aqui, Friedkin não decepciona. Os lobos, possivelmente guardiães da árvore maldita, dão um show quando entram em cena, principalmente quando atacam os personagens, tanto um secundário em sua casa – outra cena carregada no gore – quanto o casal protagonista, numa sequência que me lembrou o final de Lobos (1981), por sinal.

 

No entanto, apesar de ser um filme muito bom, A Árvore da Maldição foi uma produção conturbada. Segundo informações da internet, o diretor Sam Raimi estava inicialmente cogitado, mas desistiu para comandar Darkman – Vingança Sem Rosto, então, Friedkin foi chamado. Mas os problemas continuaram, porque todos ficaram entusiasmados por ser o segundo filme de terror do cineasta, então, com certeza, estavam esperando algo na mesma linha de O Exorcista. Mas não foi isso que aconteceu.

 

Após sua contratação, Friedkin fez alterações no roteiro, que, segundo ele, seria focado em uma babá que sequestra crianças, mas o estúdio queria algo voltado para o sobrenatural. Então, Friedkin e mais um roteirista fizeram novas alterações, mas mesmo assim, os problemas não acabaram, porque o roteiro passaria a ser escrito enquanto o filme estava sendo rodado. No final, o filme não obteve grandes resultados de bilheteria, mas hoje em dia possui um status de cult. A coisa piorou com uma versão lançada para a TV a cabo, que desagradou Friedkin, que pediu para ter seu nome desvinculado do projeto. O próprio Friedkin aparentava ter sentimentos conflitantes sobre o filme, dando apenas uma entrevista sobre o longa, onde relatou sobre o que o inspirou a fazê-lo, no caso, um incidente envolvendo sua família e uma babá.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo, na coleção Obras-Primas do Terror – Volume 13, após anos fora de catálogo.

 

William Friedkin nos deixou em Agosto deste ano, mas seu nome está sempre gravado no hall dos grandes cineastas de todos os tempos. Seu legado será eterno.

 

Enfim, A Árvore da Maldição é um filme muito bom. Uma historia sombria e assustadora, com toques de conto de fadas, misturado à técnica milenar do diretor William Friedkin. O elenco também merece menção, principalmente Jenny Seagrove, em uma interpretação arrepiante como a babá perversa; e os efeitos especiais também, caprichados no gore. Um filme que merece ser redescoberto. Recomendado.


Créditos: Versátil Home Vídeo.

 

quarta-feira, 14 de setembro de 2022

EVIL DEAD II – UMA NOITE ALUCINANTE 2 (1987). Dir.: Sam Raimi.

 

NOTA: 10



Em 1981, o diretor Sam Raimi lançou Evil Dead – Uma Noite Alucinante I – A Morte do Demônio, que se tornou um dos maiores clássicos do cinema de horror de todos os tempos.

 

Em 1987, foi lançado EVIL DEAD II – UMA NOITE ALUCINANTE 2, novamente comandado por Sam Raimi e estrelado por Bruce Campbell, reprisando seu icônico papel como Ash.

 

O que dizer sobre esse filme? Bom, digo o seguinte. Esse é um dos melhores filmes de terror e comédia de todos os tempos, pois mistura os dois na medida certa, e aqui temos de tudo.

 

Evil Dead II é o exemplo de continuação que muita gente considera melhor que o primeiro filme, talvez por ser mais maduro e mais desenvolvido... mas eu pessoalmente o considero tão maravilhoso quanto o primeiro, justamente por causa desses fatos, e mais ainda, pela nostalgia.

 

Eu assisti a esse filme pela primeira vez em 2002, pouco tempo depois de assistir ao primeiro filme, quando aluguei na mesma locadora. Mas, diferente do primeiro, a imagem era bem mais clara, então pude ver tudo sem nenhum problema. Eu adorei o filme, e quando o vi em uma banca, comprei rapidamente, sem saber que o primeiro filme estaria disponível também; este saiu em VHS, o segundo, saiu em DVD. O engraçado é que quando eu vi que o primeiro saiu também, eu fiquei arrepiado por causa da minha experiência negativa com ele. Hoje em dia, eu amo a Trilogia Evil Dead, e os filmes ficam melhores a cada revisão.

 

Com este aqui não é diferente. Eu me divirto toda vez que assisto, e conheço todas as cenas, e fica difícil dizer qual é a melhor; a minha favorita é quando um dos personagens é possuído e levita pela cabana.

 

Alias, aqui temos aqui a volta da cabana isolada na floresta, visto que no começo do filme, acontece um repeteco do anterior, por motivos que foram explicados pelo próprio Bruce Campbell em uma entrevista. Talvez para os mais exigentes, isso seja um problema, mas talvez isso funcione como uma espécie de recapitulação sem os demais personagens, e funciona. A presença da cabana na floresta é um fator recorrente e marcante da franquia que funciona mesmo para quem não conhece o filme propriamente dito.

 

Pode-se dizer que o “filme de verdade” acontece após esse repeteco, quando os demais personagens vão até a cabana e a trama acontece; mas não é bem assim, porque é importante não desconsiderar o que acontece anteriormente, porque ocorrem outras coisas após a possessão da namorada de Ash.

 

Os demais personagens são muito legais, cada um com a sua característica, mas o melhor é a versão possuída da esposa do arqueólogo, que inferniza a vida de todos ali. É uma característica comum da franquia, conforme mencionei anteriormente, um grupo de vilões que os personagens precisam combater antes de destruir o vilão principal.

 

Evil Dead II é conhecido também como um dos mais famosos exemplares de terror e comédia do cinema. Nos anos 80, o gênero começou a se misturar com a comédia, o que rendeu grandes exemplares, e este aqui é um dos melhores. Os momentos de humor ficam por conta do confronto entre Ash e sua mão possuída, que rende momentos antológicos, com direito a pratos quebrados e tiro ao alvo.

 

Além do humor negro, temos também a presença de melhores efeitos especiais. Temos aqui cabeças e membros decepados, corpos sem cabeça que andam sozinhos e stop-motion, tudo graças ao orçamento um pouco maior. E claro, temos também a câmera que percorre o cenário no papel da entidade demoníaca sem rosto. Aqui a câmera está afiada, com seus movimentos elaborados e rapidez alucinante. Os efeitos especiais foram realizados por grandes nomes do gênero, e deixam o filme ainda mais divertido. A maquiagem dos monstros também está bem melhor.

 

Antes de encerrar, Evil Dead II é considerado por muitos como sendo melhor que o primeiro filme, tendo recebido avaliações mais altas em sites e de críticos.

 

Foi lançado em Blu-ray no Brasil pela Obras-Primas do Cinema em versão restaurada em 4k na coleção Trilogia Uma Noite Alucinante, em edição caprichada recheada de material extra. Atualmente, a coleção está fora de catalogo, mas a distribuidora anunciou o lançamento da trilogia em DVD ainda nesse ano.

 

Enfim, Evil Dead II é um filme excelente. Um filme maravilhoso, com cenas antológicas misturadas com humor negro que funciona muito bem. A direção de Sam Raimi também é um dos destaques, novamente com sua câmera frenética que percorre os cenários de maneira alucinante. Os efeitos especiais também funcionam e deixam o filme ainda mais divertido. Um dos melhores filmes de terror de todos os tempos. Altamente recomendado.


Créditos: Obras-Primas do Cinema


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terça-feira, 21 de junho de 2022

RE-ANIMATOR – A HORA DOS MORTOS-VIVOS (1985). Dir.: Stuart Gordon.

 

NOTA: 9.5



Na década de 20, H.P. Lovecraft escreveu Herbert West Reanimator, um de seus trabalhos mais sangrentos, influenciado pelo clássico Frankenstein, de Mary Shelley. O texto é um dos melhores trabalhos do autor, além de ser um de seus mais conhecidos.

 

Em 1985, o diretor Stuart Gordon, em parceria com o produtor Brian Yuzna, e o roteirista Dennis Paoli, lançou RE-ANIMATOR – A HORA DOS MORTOS-VIVOS, adaptação do conto, e com certeza, a melhor adaptação de uma obra do autor para o cinema.

 

Re-Animator é um festival de sangue, repleto de cenas memoráveis e momentos absurdos, além de ser um dos melhores filmes de zumbi de todos os tempos.

 

A primeira coisa que chama a atenção é o fato do filme ser ambientado na era contemporânea – no caso, os anos 80 – porque, se fosse uma adaptação literal, ambientada nos anos 20, não teria um bom resultado, porque naquela época, o terror gótico já não estava mais em voga no cinema. Conforme mencionei na resenha de A Guerra dos Mundos (1953), eu gosto desse tipo de adaptação, porque o filme se passa em uma realidade alternativa, onde o material-base não existe.

 

Além disso, temos aqui um dos filmes mais sangrentos de todos os tempos, com cenas dignas de provocar náuseas no espectador; e temos também o elemento sexual, que não existe em nenhuma obra do autor, culminando na cena mais famosa e bizarra do filme.

 

O filme foi dirigido por Stuart Gordon, em sua estreia no cinema, após anos de trabalho no teatro, e posso dizer que ele fez um excelente trabalho. O diretor conseguiu tirar ótimas performances de seu elenco, principalmente do trio principal, composto por estreantes. Além disso, mostrou-se também competente nas cenas de horror, conseguindo criar algumas das melhores do gênero, mesmo sabendo de suas limitações orçamentárias.

 

Esse, aliás, é o grande charme do filme. Re-Animator é claramente um Filme B de baixo orçamento, mas do tipo de possui um charme atemporal, conforme era comum na época. Com isso, somos brindados com cenas absurdas, como por exemplo, a cena do gato que volta dos mortos.



Mas, claro, o grande destaque são os efeitos especiais. Temos aqui um dos melhores efeitos especiais de um filme de zumbi, com tudo que temos direito. Temos cabeças decepadas, membros arrancados, efeitos de queimaduras, etc. E claro, o sangue. Logo na primeira cena, temos uma ideia do que vem pela frente, visto que Gordon já apresenta uma sequência sangrenta e escatológica. A partir daí, o filme não dá descanso. No entanto, apesar dos efeitos especiais, o filme teve cortes quando passou na televisão brasileira, o que deve ter prejudicado o entendimento de quem assistiu na época.  


Além dos efeitos especiais, temos também o elenco, com destaque para Jeffrey Combs e David Gale, que interpretam o Dr. Herbert West e o Dr. Carl Hill, respectivamente. Os dois dão um show de atuação e fica difícil saber qual deles está melhor no papel. No entanto, não é difícil saber quem é o verdadeiro vilão da trama. Os atores Barbara Crampton e Bruce Abbott também não fazem feio nos papeis do casal protagonista. Após esse filme, a atriz se tornaria uma das maiores screen-queens do cinema de horror moderno. 

 

E claro, temos também a questão do sexo, algo que não aparece em nenhum texto do autor. No momento mais memorável, temos a atriz Barbara Crampton protagonizando uma sequência de nudez enquanto é atormentada – para dizer o mínimo – pela cabeça decapada do Dr. Hill, num festival antológico de sangue e sexo.

 

Re-Animator foi lançado em 18/out/1985 e não foi um sucesso de bilheteria, mas ganhou status de cult no mercado de home vídeo. Atualmente, é considerado um dos melhores filmes de terror dos anos 80 e uma das melhores adaptações da obra de Lovecraft.

 

Em 1986, o diretor Gordon lançou a adaptação de Do Além, novamente estrelada por Jeffrey Combs e Barbara Crampton. Em 1989, Re-Animator ganhou uma sequência, A Noiva de Re-Animator, novamente com Jefffrey Combs, Bruce Abbott e David Gale no elenco, mas desta vez, dirigido por Brian Yuzna.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo na coleção Lovecraft no Cinema em versão restaurada em 4k, após anos fora de catálogo.

 

Enfim, Re-Animator – A Hora dos Mortos-Vivos é um filme brilhante. Uma historia de sangue e sexo, com os dois elementos muito bem combinados. Um filme que não dá folego ao espectador desde o começo, e consegue prender a atenção, e fica melhor a cada revisão. Uma historia assustadoramente simples, mas cheia de momentos antológicos e violentos, que a deixam ainda mais perturbadora e divertida. Atuações excelentes e direção correta e roteiro redondo contribuem para o excelente desempenho do filme. Os efeitos especiais sangrentos e escatológicos roubam a cena. Um dos Filmes Mais Assustadores de Todos os Tempos. Um dos melhores filmes de terror dos anos 80. Uma excelente adaptação de H.P. Lovecraft. 


Créditos: Versátil Home Vídeo


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sábado, 11 de junho de 2022

A HORA DO PESADELO 5 – O MAIOR HORROR DE FREDDY (1989). Dir.: Stephen Hopkins.

 

NOTA: 8



Em 1984, quando lançou A Hora do Pesadelo, Wes Craven não sabia o quão importante seu filme seria para o gênero, e o quão popular o seu vilão, o assassino Freddy Krueger, se tornaria ao longo dos anos. O sucesso do primeiro filme motivou os donos da New Line a transformar o filme em uma franquia.

 

Um ano após O Mestre dos Sonhos, a distribuidora lançou A HORA DO PESADELO 5 – O MAIOR HORROR DE FREDDY, comandado por Stephen Hopkins, marcando o retorno de Alice Johnson, após derrota-lo no filme anterior.

 

Bem, vou ser sincero aqui. Ao contrário do que muitos dizem, eu gosto desse filme, principalmente porque ainda mantém o grau de qualidade da franquia, além de trazer a protagonista Alice de volta, e trazer novas formas criativas para Freddy matar suas vítimas; além, é claro, da expansão da história do maníaco, e a ideia de que desta vez, ele não está matando nos sonhos dos jovens, e sim, nos sonhos do bebê não-nascido de Alice.

 

Segundo a produtora Sara Risher, a ideia original era trazer temas mais pesados, como o aborto, mas, devido a diferenças criativas, a ideia foi alterada e novos roteiristas foram chamados, o que, infelizmente, acabou trazendo problemas para o filme.

 

Mas mesmo assim, eu acho a temática interessante, visto que desta vez, os jovens protagonistas estão perdidos e precisam encontrar uma nova maneira de destruir o vilão, algo que é revelado logo após a sua ressurreição.

 

Sobre essa cena, posso dizer que é uma das mais bizarras da franquia, visto que tudo começa com um bebê deformado e termina em uma versão ainda mais deformada do vilão, que pessoalmente, me incomoda um pouco, mas não tanto a ponto de acabar com a minha experiência toda vez que assisto. Também posso dizer que nessa cena, temos um pouco do Freddy Krueger diabólico do primeiro filme, mas temos também a volta dos toques de humor negro, ainda que reduzidos, em comparação ao filme anterior. No entanto, uma coisa não me agrada nessa cena: o tamanho das garras afiadas do vilão. Mesmo que dure poucos segundos, as garras são mostradas exageradamente grandes, em comparação ao restante da franquia. Felizmente, esse erro é corrigido com o passar do filme.

 

Além do retorno em grande estilo do vilão, temos a volta de Alice e Dan, o casal protagonista do filme anterior. Novamente, esse é um toque que me agrada na franquia, a possibilidade de tornar Krueger, uma entidade universal, que ameaça os pesadelos de todos. E acho que posso dizer, sem medo de errar, que Alice se tornou uma das melhores final-girls da franquia ao lado de Nancy. E aqui, não temos a garota perdida, que não sabe como lidar com a ameaça do assassino dos sonhos; pelo contrário, quando descobre que Freddy está vivo novamente, Alice rapidamente pede ajuda ao seu novo grupo de amigos, pois a essa altura, ela sabe do que o assassino é capaz.

 

E como de costume, temos novamente cenas de morte criativas, uma para cada vítima especifica. A melhor, sem dúvida, é quando – Spoiler! – Dan é fundido à uma moto antes de morrer, transformando-se numa criatura grotesca com efeitos de Body Horror dignos de arrepios. A segunda melhor é a do garoto viciado em quadrinhos, que acaba sendo morto da forma mais criativa possível, mas não sem antes de enfrentar o Super Freddy, uma versão em HQ do vilão, e talvez, uma das figuras mais lembradas do filme.

 

Além das cenas de morte criativas, temos também os pais que não se importam com os filhos, pois não acreditam em seus medos, marca registrada da franquia, que retornaria no filme seguinte. A pior deles é a mãe de Greta, que sonha em transformar a filha em uma Top Model, obrigando-a a passar por situações humilhantes, apenas para satisfazer seus caprichos, conforme mostrado na horrorosa cena do jantar. Os pais de Dan também não ficam atrás, e mostram que não se importam com Alice quando tentam tirar seu filho, a fim de cria-lo como se fosse seu. Horrível.

 

Além dessas duas características, temos também a volta dos cenários e cenas mirabolantes, mergulhados no surrealismo. Sem dúvida, aqui temos algumas das cenas mais surreais da franquia, visto que o diretor optou por gravá-las com o auxílio de lentes distorcidas, principalmente na cena do manicômio, onde vemos o terrível destino de Amanda Krueger. As outras cenas de pesadelo possuem quase o mesmo aspecto, além de serem mergulhadas nas cores pulsantes e luzes fortes. Novamente, um belo exemplo da marca do cineasta escolhido para comandar o filme.

 

Aliás, vale ressaltar que A Hora do Pesadelo 5 foi um filme marcado por problemas nos bastidores, visto que a equipe teve um tempo muito apertado para produzir o filme, além de alterações no roteiro, que era escrito às pressas, principalmente o final, que, na minha opinião, não foi tão satisfatório quando nos filmes anteriores, apesar da boa estratégia apresentada, a presença de Amanda Krueger.

 

Antes de encerrar, quero destacar novamente o vilão Freddy Krueger. Não é novidade nenhuma que ele é a melhor coisa da franquia, e aqui, ele continua afiado. E claro, tudo isso se deve ao astro Robert Englund, que também aparece sem a maquiagem na horrorosa cena do manicômio. A caracterização do personagem continua muito boa, tudo porque trouxeram David Miller de volta, então, pode-se dizer que aqui, temos um visual mais ou menos – mais ou menos!! – próximo ao visual do primeiro filme. Além disso, eles não se esqueceram de apresentar as garras arranhando canos de aço. E a sequência da derrota do vilão também é muito legal, novamente com o vilão se transformando em uma coisa disforme.

 

A Hora do Pesadelo 5 foi lançado em 11/ago/1989, e conseguiu arrecadar ótimos resultados na bilheteria, apesar das críticas negativas. A franquia foi lançada em VHS, DVD e Blu-ray no Brasil ao longo dos anos, mas atualmente, está fora de catálogo.

 

Enfim, A Hora do Pesadelo 5 é um ótimo filme. Um longa que traz de volta os elementos clássicos da franquia, juntamente com a protagonista do filme anterior, além de novos detalhes sobre o passado do vilão. Robert Englund mais uma vez entrega uma ótima performance, e Freddy novamente faz uso de métodos criativos para matar suas vítimas. Um filme muito divertido. 




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segunda-feira, 6 de junho de 2022

A HORA DO PESADELO 4 – O MESTRE DOS SONHOS (1988). Dir.: Renny Harlin.

 

NOTA: 8.5



Em 1984, quando lançou A Hora do Pesadelo, Wes Craven não sabia o quão importante seu filme seria para o gênero, e o quão popular o seu vilão, o assassino Freddy Krueger, se tornaria ao longo dos anos. O sucesso do primeiro filme motivou os donos da New Line a transformar o filme em uma franquia de sucesso.

 

Em 1988, a New Line lançou A HORA DO PESADELO 4 – O MESTRE DOS SONHOS, terceira continuação da franquia, com direção de Renny Harlin.

 

Aqui, temos outro ótimo filme, com o mesmo clima dos anteriores, que apresenta pela primeira vez o polêmico humor negro do vilão Freddy Krueger.

 

Além do humor negro, temos também o retorno de Kristen e seus amigos do filme anterior, aqui novamente às voltas com Krueger. Mas, conforme sabemos – spoilers! – esse novo filme não é sobre eles, e sim sobre a amiga de Kristen, Alice Johnson, que se torna o novo alvo do vilão.

 

Conforme mencionei na resenha do filme anterior, eu acho esse um grande toque da franquia, pois apresenta para nós a possibilidade de Krueger ser uma entidade universal, que ameaça os sonhos de outras pessoas, e não apenas de Nancy Thompson, protagonista do primeiro filme.

 

Pois bem, aqui temos um novo grupo de adolescentes atormentados pelo vilão, que precisam unir forças para tentar destruí-lo. Além das novas vítimas, temos também os adultos que não se importam com os problemas dos filhos, algo muito comum na franquia.

 

E assim como nos filmes anteriores, temos aqui uma direção criativa, com cenários e cenas exuberantes, fantasiosos, outra coisa muito comum na franquia. O diretor Harlin fez um ótimo trabalho, além de dar um toque único para a franquia.

 

Aliás, esse é outro toque. Cada diretor deu o seu toque único à franquia, mas não perderam a essência da mesma, e o trabalho de Harlin é um dos melhores.

 

O roteiro também não fica atrás, com cenas memoráveis e dignas de nota, como por exemplo, a cena da pizza de almas, a cena da barata e a derrota de Freddy. Cada uma dessas cenas é bem feita e tem o seu mérito.

 

O elenco jovem também é um destaque. Nenhum dos jovens atua de forma caricata e dão seu próprio ar aos personagens. Cada um dos jovens tem a sua própria característica, o que os torna presas fáceis para o vilão. E temos aqui grandes cenas de morte, sendo uma delas mencionada acima. Eu pessoalmente acho esse um dos atrativos da franquia – as formas criativas com que Freddy mata suas vítimas, chegando a ser melhores do que a dos slashers que vieram depois dele.

 

E claro, temos o vilão novamente em forma. Como todos sabemos, a partir deste aqui, vemos o assassino abusar do humor negro na hora de se apresentar para as vítimas, algo que para os mais exigentes, pode ser uma falha, mas para mim, não há problema, visto que Krueger faz uso do humor desde o primeiro filme, sim! Eu encaro essa tendência como uma arma a mais para o vilão, além de dar-lhe mais personalidade.

 

No entanto, apesar de suas qualidades, um dos problemas do filme é a presença de Kristen Parker, aqui interpretada por Tuesday Knight, que substituiu Patricia Arquette, que estava grávida na época. Eu sinceramente acho muito estranho ver a atriz interpretando a personagem, que apesar do seu esforço, não convence. Talvez, os realizadores pudessem ter escalado outra atriz, ou então, reescrever o roteiro. Mas, enfim...

 

Antes de encerrar, quero destacar os efeitos especiais. Temos aqui talvez, alguns dos melhores efeitos da franquia, visto que os responsáveis fazem verdadeiros truques de mágica para trazer o roteiro à vida, principalmente nas cenas de mortes. A melhor delas, sem dúvida, é a cena da barata, onde uma das personagens vai se transformando num inseto antes de ser eliminada. Uma cena nojenta, mas, em se tratando de pessoas virando insetos, teremos sempre A Mosca (1986), o Clássico absoluto de David Cronenberg, onde Jeff Goldblum se transforma em mosca. Outra cena memorável, é a cena da pizza de almas, que mistura miniaturas e cenários em tamanho real. E temos também um exemplo parecido na cena de derrota de Freddy, onde o técnico Screaming Mad George teve que criar um peito gigante do vilão para os atores interagirem.

 

Mas o melhor é a caracterização do vilão, novamente comandada por Kevin Yagher, com auxílio de Howard Berger, da KNB Effects Group. Eu pessoalmente gosto muito do trabalho de Yagher na franquia, visto que ele deu seu próprio ar ao astro, e talvez, um de seus visuais mais memoráveis. E Robert Englund continua perfeito, numa atuação inspirada.

 

A Hora do Pesadelo 4 foi lançado em 04/mai/1988 nos EUA e foi um sucesso de bilheteria, motivando a New Line a produzir uma nova sequência para o ano seguinte. A franquia foi lançada em VHS, DVD e Blu-ray no Brasil ao longo dos anos, mas atualmente, está fora de catálogo.

 

Enfim, A Hora do Pesadelo 4 é um dos melhores da franquia. A direção de Renny Harlin é um dos atrativos do longa, com cenas hipnotizantes e coloridas. Robert Englund entrega uma atuação inspirada no papel do vilão Freddy Krueger, que começa a apresentar os primeiros indícios de humor negro, algo que contribui para deixar o filme ainda melhor. Os efeitos especiais também merecem menção, principalmente nas cenas de mortes. Um longa criativo e divertido.



 

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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022

SEXTA-FEIRA 13 – PARTE 3 (1982). Dir.: Steve Miner.

 

NOTA: 8



Um ano após sua primeira aparição oficinal no cinema, Jason está de volta, desta vez para ficar, ainda em sua melhor forma.

 

Não sei se já comentei isso, mas, para mim, a franquia Sexta-Feira 13 funciona somente com os quatro primeiros filmes e também com o nono filme – um dos meus favoritos. Eu gosto muito da fase inicial da franquia, que era mais focada na trama e no suspense no que nas cenas de morte, ao contrário do que aconteceu com os filmes seguintes; além disso, os primeiros filmes eram bem feitos, e tinham desenvolvimento. Hoje, vou falar sobre o terceiro filme da franquia, lançado um ano após o primeiro: SEXTA-FEIRA 13 – PARTE 3, também dirigida por Steve Miner.

 

Cria dos anos 80, o filme acabou sendo lançado em 3D nos cinemas, e contou com aqueles efeitos estúpidos de coisas sendo jogadas na tela, mas, mais detalhes adiante.

 

O filme é um dos mais divertidos da franquia, simplesmente porque ele é repleto de situações absurdas, mas, ao contrário dos filmes de hoje em dia, ainda é focado na tensão e no suspense do que nas cenas de morte. Durante boa parte do filme, nós acompanhamos os outros personagens, os jovens que resolvem passar o fim de semana nas cercanias do Crystal Lake, usando drogas e fazendo sexo, algo comum na franquia. Mas apesar disso, nós também podemos ver o vilão, mas somente nas sombras, em planos abertos ou planos fechados. E como disse na resenha do filme anterior, Jason está em sua melhor forma – mais detalhes sobre isso adiante.

 

No entanto, apesar de contarmos com Jason em sua melhor forma, na minha opinião, este já começa a apresentar alguns problemas, principalmente no que diz respeito aos personagens e aos “efeitos” em 3D.

 

Para começar, aqui nós temos personagens completamente genéricos, quase desprovidos de carisma e profundidade. O casal que transa só quer saber disso – principalmente o garoto; temos também um casal de hippies que passa o filme inteiro chapado, além do gordinho que adora fazer piadas para chamar a atenção de todos. Isso sem falar na mocinha, que é completamente sem sal, e, apesar de ter um background com o vilão, não convence. Não sei se o problema foi a escalação da atriz, mas o fato é que ela realmente não funciona, além de ser um pouco caricata. E tem também a questão do background dela com o vilão. Em certo momento da trama, ela relata ao namorado o que aconteceu – uma cena tensa, por sinal – numa noite após brigar com os pais: enquanto descansava aos pés de uma árvore, ela se deparou com um homem deformado que a ameaçou com uma faca; apesar de conseguir lutar com o agressor, ela diz que acabou perdendo a consciência e não se lembra do que aconteceu depois, o que nos leva a pensar que talvez o vilão tenha feito alguma coisa terrível... Eu pessoalmente não sei se é verdade, porque não consigo imaginá-lo cometendo tal ato. Mas, tirando esse detalhe, o medo e a desconfiança da protagonista ficam bem evidentes, e isso é convincente, porque a mostra como uma vítima de uma experiência traumática tentando se reerguer e voltar ao normal, mesmo sendo difícil. Como eu disse, esse detalhe é muito bem explorado, o problema é performance da atriz...

 

E sobre o casal que transa, tem um detalhe. Em certos momentos, é mencionado que a garota está grávida, mas antes, a protagonista brinca com o fato dela precisar ir ao banheiro toda hora, o que leva ao diálogo. Eu não sou um especialista, mas, pelo que eu sei, a mulher grávida vai realmente ao banheiro com certa frequência, mas após o crescimento do feto, porque ele automaticamente aperta a bexiga, mas aqui, a barriga da garota ainda nem cresceu! Então, no meu ponto de vista, foi uma falha do roteiro. Corrijam-me se eu estiver errado. E como mencionei, o garoto passa o filme todo querendo transar com ela, além de ser aquele típico mala que gosta de se exibir.

 

E claro, temos o gordinho e o casal de hippies. O gordinho é o típico inseguro, que não consegue fazer amizade com ninguém, por isso, passa o filme inteiro fazendo brincadeiras com os outros para chamar a atenção de todos, o que chega a ser irritante, falando francamente. E o casal de hippies passa o filme todo fumando maconha. Ou seja, estereótipos ao extremo.

 

Talvez os únicos personagens interessantes – fora o vilão – sejam o namorado da mocinha, a namorada do garoto gordinho e um trio de punks. Eu acho que esses personagens bem melhores que os outros, e francamente, mereciam um pouco mais de destaque no filme, principalmente os punks, que rendem momentos engraçados, além de terem uma caracterização estereotipada até a medula.

 

Mas, vamos falar dos “efeitos especiais”. Conforme mencionado no cartaz e no trailer, Sexta-Feira 13 – Parte 3 foi rodado em 3D, e como consequência, somos bombardeados por cenas de objetos sendo “jogados” na tela. Eu pessoalmente nunca fui fã de filmes em 3D, mesmo os mais antigos, e confesso que tais efeitos me incomodam, não pela qualidade, mas pela quantidade de cenas. Pessoalmente, eu preferiria que o filme não fosse rodado em 3D, e sim em 2D; seria bem melhor. No entanto, também somos brindados com cenas clássicas, como por exemplo a cena do arpão e a cena do olho saltando.

 

E claro, não posso encerrar sem falar da direção e do vilão.

 

Sexta-Feira 13 – Parte 3 foi dirigido por Steve Miner, em sua última participação na franquia, e novamente, o diretor fez um ótimo trabalho. Ele se mostrou novamente um diretor competente, principalmente nas cenas de suspense. Temos aqui ótimos planos abertos, além de movimentos e ângulos de câmera criativos. No entanto, o mesmo não pode ser dito a respeito do elenco, conforme mencionado acima.

 

E claro, temos o vilão. Conforme já mencionei, Jason está novamente em sua melhor forma, diferente do que serie mostrado nos filmes seguintes. Assim como no anterior, temos aqui um Jason atlético, que corre atrás das vítimas, além de ter movimentos ágeis, principalmente quando vai atacar alguém. Além disso, temos aqui, a introdução da famosa máscara de hóquei, que se tornou a marca registrada do vilão. O engraçado é que tal fato acontece de maneira aleatória, porque o assassino passa a usá-la após atacar o garoto gordinho, que a usou para fazer outra de suas brincadeiras. Eu pessoalmente achei tal momento muito aleatório, mas vamos admitir que é muito legal ver o nosso querido Jason com sua máscara pela primeira vez. E claro – AVISO DE SPOILER! temos a oportunidade de ver o rosto dele no final do filme, algo que se tornaria clássico na franquia. E um detalhe importante: a maquiagem do vilão foi criada pelo Mestre Stan Winston! Mesmo não creditado, existem fotos na internet de Winston ao lado do ator caracterizado com a maquiagem. Muito legal. E respectivamente, 16 anos e 17 anos depois (1998 e 1999), Winston voltaria a trabalhar com o diretor em Halloween H2O, criando a máscara de Michael Myers; e em Pânico no Lago, sendo responsável pelo crocodilo.

 

Assim como o anterior, foi distribuído pela Paramount, que possuía dos direitos da franquia, e foi distribuído no exterior, inclusive aqui no Brasil, pelo estúdio, ao contrário do que aconteceu com o primeiro. Foi lançado em VHS e DVD por aqui, mas atualmente está fora de catálogo. Lá fora, recentemente foi lançado em um box gigante em Blu-ray com todos os filmes da franquia; se tal box chegará aqui, talvez nunca saberemos.

 

Enfim, Sexta-Feira 13 – Parte 3 é um ótimo filme. Um dos mais divertidos da franquia, com uma direção competente, além de cenas memoráveis e momentos absurdos. Jason Voorhees está em forma, mostrando sua agilidade e competência como um dos maiores vilões do Slasher, além de apresentar sua famosa máscara de hóquei. Mesmo com seus defeitos, é um filme que consegue divertir e arrepiar sem fazer o menor esforço. Recomendado. 




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quinta-feira, 19 de agosto de 2021

O SEGREDO DO BOSQUE DOS SONHOS (1972). Dir.: Lucio Fulci.

 

NOTA: 9.5



Lucio Fulci foi um dos mestres do terror italiano. Desde que resolveu se aventurar no gênero, tornou-se especialista em produções repletas de sangue e gore. No entanto, antes de se aventurar em produções gore, Fulci se aventurou no Giallo, e nos deu grandes exemplares do gênero, como por exemplo, Premonição (1977), Uma Sobre a Outra (1968), Uma Lagartixa num Corpo de Mulher (1971).

 

O SEGREDO DO BOSQUE DOS SONHOS é outro Giallo do diretor. Lançado em 1972, marca a segunda parceria de Fulci com a atriz brasileira Florinda Bolkan, após a colaboração em Uma Lagartixa. O Bosque dos Sonhos é um dos melhores Gialli de Fulci e também o mais polêmico, o que levou a ser excomungado da igreja católica.

 

Polêmicas à parte, o filme é um dos melhores exemplares do gênero, e um dos meus favoritos. O longa apresenta um dos temas mais pesados do gênero: o assassinato de crianças.

 

Não é segredo para ninguém que a morte de crianças é um dos maiores tabus do cinema, e aqui, Fulci faz uso desse tabu sem o menor pudor, com cenas de assassinatos cruéis. Tudo bem, o número de vítimas do assassino não é muito grande, mas mesmo assim, somos brindados com momentos de tensão que parecem piorar a cada revisão.

 

Aqui como em seus outros Gialli, aqui, Fulci não faz uso do assassino tradicional, com luvas pretas, mas mesmo assim, essa é uma grande variação do gênero. Como eu disse, eu aprecio algumas variações do Giallo, mas ainda prefiro o Giallo clássico. Mas mesmo assim, esse filme consegue ser muito agradável.

 

O principal detalhe é a ambientação. Ao contrário dos demais, O Bosque dos Sonhos é ambientado no interior da Itália, e Fulci soube capturar excelentes tomadas do interior, dando um ar convidativo para o filme. Devo dizer que essa ambientação é um dos meus fatores favoritos sobre o filme, e me passa uma ótima sensação. E além da ambientação de interior, temos também ótimos personagens, que passam a sensação de serem realmente pessoas simples do campo. E em relação a isso, Fulci também não teve o menor pudor em mostrar as pessoas como realmente são, então, temos aqui personagens malcuidados, com as roupas e os rostos sujos de terra e suor; além de figurantes idosos desdentados. Tudo isso aumenta ainda mais o realismo e deixa as cenas de tensão ainda melhores.

 

Sobre isso, digo o seguinte: temos aqui cenas dignas de programas sensacionalistas da TV, com o povo se juntando na porta da delegacia para exigir a captura do assassino, ou para linchá-lo em público. E claro, a coisa fica pior com a chegada de vários repórteres, dispostos a tudo para conseguir uma exclusiva. Em resumo, temos um verdadeiro circo midiático e popular. É possível notar que as pessoas daquele vilarejo querem um culpado a qualquer custo, e estão dispostos até a fazer justiça com as próprias mãos, conforme visto na cena do cemitério. Todos esses detalhes aumentam ainda mais o teor chocante do filme e o deixam ainda mais perturbador.

 

E não para por aí. Além da questão do assassino de crianças, temos também uma forte questão sexual, que fica ainda mais perturbadora porque envolve as crianças, principalmente os meninos. Logo no inicio do filme, Fulci nos presenteia com uma cena de nudez da atriz Barbara Bouchet – uma das musas do gênero – cuja personagem possui um forte apelo sexual e também um ar de mistério, que contribui para torna-la suspeita dos crimes. Patrizia, sua personagem, não demonstra pudor ao tentar seduzir um garoto que trabalha para ela, utilizando palavras de cunho sexual explicito. Realmente, uma cena que não seria realizada nos dias de hoje. Na verdade, eu tenho certeza que o filme não seria realizado nos dias de hoje, principalmente por causa de questões politicamente corretas, devo dizer, há muita coisa errada nesse filme, além dos assassinatos das crianças. Claro, Fulci não as exibe na tela, mas deixa a critério do espectador. Eu mesmo tenho algumas teorias perturbadoras envolvendo o personagem do padre.

 

Como mencionado acima, O Bosque dos Sonhos marcou a segunda colaboração de Fulci com a atriz brasileira Florinda Bolkan. Aqui, ela interpreta a Bruxa do vilarejo, uma mulher que vive sozinha no bosque a pratica feitiços com bonecos de cera. Logo de cara, Fulci faz questão de mostra-la como uma das suspeitas dos crimes, uma vez que ela é vista na cena de um dos crimes. Além disso, ela é mal vista pela população, que tem o habito de cuspir no chão sempre que a vê. E quando a polícia consegue captura-la, a coisa não muda de figura. A população se revolta com toda sua força e se mostra ainda mais hostil. E temos a cena do cemitério, talvez a cena mais cruel e violenta do filme, onde ela é açoitada com correntes, tudo ao som de Ornella Vanoni. A atriz entrega uma ótima atuação aqui.

 

Essa cena e a cena final mostram que Fulci sabia lidar com o gore ainda em seus primeiros filmes de terror, e o diretor não poupa ninguém. A cena do cemitério é a mais violenta do filme todo, graças à atuação e aos efeitos especiais de maquiagem, que lembram a cena de abertura de Terror nas Trevas (1981), que também contou com a presença de correntes.

 

E em certo ponto do filme, Fulci faz questão de mostrar um boneco do Pato Donald, fazendo alusão ao título do filme. E a revelação do assassino, bem como seu motivo para os crimes, são tão pesados que levaram o diretor a ser excomungado pela Igreja Católica; uma prova de que o diretor não tinha o menor medo de mostrar questões pesadas na tela.

 

Bom, seja como for, O Segredo do Bosque dos Sonhos é um dos melhores filmes de Lucio Fulci e um dos melhores exemplares do Giallo.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo na coleção Giallo, em versão restaurada com áudio italiano.

 

Enfim, O Segredo do Bosque dos Sonhos é um filme perturbador. Um Giallo com clima de interior que enche a tela. A direção de Lucio Fulci é um dos destaques, e o diretor consegue criar cenas de tensão que deixam o espectador nervoso, além de focar em assuntos proibidos sem o menor pudor. Uma história pesada, cheia de momentos revoltantes, e de suspense. Um filme excelente. Altamente recomendado.


Créditos: Versátil Home Vídeo

 

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