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terça-feira, 1 de agosto de 2023

A MALDIÇÃO DE FRANKENSTEIN (1957). Dir.: Terence Fisher.

 

NOTA: 9.5


Desde sua publicação, no século XIX, Frankenstein, de Mary Shelley, tornou-se um clássico da literatura e um dos maiores expoentes da literatura de horror e ficção cientifica. E como todo sucesso literário, ganhou diversas adaptações para diversas mídias, principalmente para o cinema.

 

E hoje, eu vou falar sobre uma delas: A MALDIÇÃO DE FRANKENSTEIN, lançado em 1957, dirigido por Terence Fisher, e produzido pela lendária Hammer Filmes.

 

Bom, eu vou começar dizendo que este é um dos mais importantes filmes de horror de todos os tempos, porque inaugurou a nova fase do lendário estúdio britânico, que na época, estava mal das pernas e investia em produções em preto e branco. Frankenstein quebrou essa regra porque foi o primeiro filme do estúdio totalmente produzido em cores, além de transportar a historia de Mary Shelley para outra época, diferente do havia sido feito até então em Hollywood.

 

Além de ser um dos filmes de terror mais importantes de todos os tempos, este é também um dos melhores filmes do estúdio, e isso se deve à sua técnica. É um filme muito bem feito, bem escrito, bem dirigido, bem atuado e com uma técnica exemplar.

 

O longa foi dirigido por Terence Fisher, um dos grandes nomes do estúdio, e responsável pelos maiores clássicos do mesmo. O cineasta fez um excelente trabalho aqui e conseguiu arrancar grandes performances de seus atores e equipe, e criou momentos memoráveis. O cineasta soube aproveitar muito bem tudo o que tinha, assim como faria nos filmes posteriores do estúdio.

 

Sem duvida, um dos grandes atrativos de A Maldição de Frankenstein é o seu elenco. No papel principal, temos o lorde Peter Cushing, na época, um nome bem reconhecido no estúdio, graças às suas contribuições anteriores. O astro criou um Frankenstein digno de ódio, um personagem vilanesco, que não se importa com ninguém além de si próprio e seus experimentos. Em alguns momentos, é possível sentir raiva do personagem, visto o modo como ele trata os demais. Mas isso não o impede de ser uma das grandes performances do astro.

 

Além de Cushing, temos também os atores Robert Urquhart, como o professor de Frankenstein, Paul Krempe; Hazel Court como Elizabeth; e Valerie Gaunt como a empregada Justine. Assim como Cushing, todos estão muito bem em seus papeis, principalmente Urguhart, que faz um professor Krempe que se mostra oposto à Frankenstein, principalmente quando o mesmo passa a envolver Elizabeth em seus experimentos. Krempe é o verdadeiro herói do filme, e está disposto a combater Frankenstein com todas suas forças, a fim de impedir seu reinado de horror. Hazel Court também não faz feio e entrega uma Elizabeth doce e amável, além de apaixonada por Frankenstein. Quem também não está ruim é Valerie Gaunt, cuja personagem é um mero brinquedo para o Barão, mas que não tem medo dele quando é colocada de lado.


Mas não tem jeito. Quem sem duvida rouba a cena, é o também lorde Christopher Lee, em seu primeiro filme de terror e sua primeira colaboração com o estúdio. O astro interpreta a Criatura de Frankenstein, e tem a melhor atuação do longa, fazendo de sua Criatura um ser perverso, cruel, que não tem escrúpulos em matar. Mesmo sem dizer uma palavra, Lee tem uma das maiores atuações de sua carreira, sem dúvida.

 

Ainda sobre a Criatura, ela tem um dos visuais mais originais do cinema, indo totalmente contra o que foi feito pelo lendário Jack Pierce no clássico de James Whale. A Criatura de Christopher Lee tem um rosto envolto em cicatrizes, além de um figurino que lembra o Nosferatu de Murnau. É um dos melhores visuais para a Criatura de todos os tempos.

 

A Maldição de Frankenstein também marca o inicio, não apenas da parceria, mas também da amizade entre Peter Cushing e Christopher Lee, que rapidamente se tornaram sinônimo de sucesso de produções do estúdio, e também grandes amigos fora dele, e assim ficaram até o fim de suas vidas. Seus nomes estão para sempre cravados no hall dos grandes astros do cinema de horror de todos os tempos.

 

A Maldição de Frankenstein foi o primeiro filme em cores da Hammer, e posso dizer que é um dos melhores. As cores pulsam na tela, principalmente o vermelho, enchem o filme, e o deixam ainda mais bonito, principalmente com as novas versões restauradas.

 

O filme foi lançado nos cinemas em Maio de 1957, e se tornou um sucesso de bilheteria, o que motivou o estúdio a lançar uma sequencia já no ano seguinte, e criar uma franquia, assim como fizeram com Drácula, também do ano seguinte.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo, na coleção Frankenstein no Cinema, em inédita versão restaurada, com muitos extras.

 

Enfim, A Maldição de Frankenstein é um filme excelente. Um verdadeiro espetáculo visual, que se tornou um dos filmes de horror mais importantes de todos os tempos para a Hammer Filmes. A presença dos lordes Peter Cushing e Christopher Lee no elenco é o grande atrativo do filme, e é maravilhoso vê-los juntos pela primeira vez. A direção e a fotografia também contribuem para deixar o filme ainda melhor. Um verdadeiro clássico do terror e uma das melhores adaptações da obra de Mary Shelley. Altamente recomendado. 


Créditos: Versátil Home Vídeo.

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quarta-feira, 24 de março de 2021

AS NOIVAS DO VAMPIRO (1960). Dir.: Terence Fisher.

 

NOTA: 9



Entre 1957 e 1974, a Hammer Films produziu uma serie de filmes protagonizados pelo Conde Drácula, criado pelo escritor Bram Stoker. Ao todo, foram nove filmes, sete deles estrelados pelo grande Christopher Lee, no papel que o consagrou como astro do horror. Somente dois filmes não contaram com o astro no elenco. AS NOIVAS DO VAMPIRO (1960) é um deles.

 

Dirigido por Terence Fisher, em seu penúltimo filme no universo do Conde Drácula para o estúdio, este é um dos melhores e um dos meus favoritos, talvez o meu segundo favorito da série, depois do terceiro filme, Drácula, o Príncipe das Trevas (1966), que é sem duvida, o melhor da série, melhor até que o primeiro filme, O Vampiro da Noite (1958).

 

Mas o filme em questão desse texto é o segundo longa da série, o primeiro que, apesar de ter Drácula no título, não contou com Christopher Lee no elenco, e o vampiro não é o Conde Drácula. Talvez a única relação com o personagem seja o Dr. Van Helsing, novamente interpretado por Peter Cushing.

 

Bom, mas vamos lá. Eu gosto muito desse filme. É um filme belíssimo, cheio de cores, com ótimas atuações e cenas arrepiantes dignas de nota. Com certeza o principal fator seja a direção de Terence Fisher, considerado um dos melhores diretores do estúdio. O diretor faz um ótimo trabalho na direção, e também se mostra um ótimo diretor de atores, e as atuações não comprometem o resultado. Todos os atores estão muito bem nos papeis, principalmente Cushing, que mais uma vez prova que é o Van Helsing definitivo do cinema. O ator convence sem esforço, até mesmo quando exagera na atuação, nas cenas de luta com os vampiros. E quem também não erra é o ator David Peel, no papel do vilão. Claro, não chega aos pés de Christopher Lee, mas consegue criar um vampiro assustador. Yvonne Monlaur também não decepciona, embora em alguns momentos sua atuação deixe um pouco a desejar. Outros personagens como o padre do vilarejo, o casal dono da escola feminina, a criada da baronesa e um médico viciado em comprimidos, completam o elenco de personagens, e cada um também convence muito bem, com destaque para o médico, que serve como alivio cômico, apesar de sua pequena participação.

 

Como todos os filmes da série, este aqui aposta na atmosfera gótica, e, sem duvida, não peca nesse quesito. O castelo da Baronesa é um templo gótico, assim como o cemitério do vilarejo, com suas cruzes inclinadas; além de um velho moinho de vento. Mais um exemplo do quão competente era a direção de arte, principalmente nesses primeiros filmes da série; o tipo de filme que faz qualquer fã do terror gótico se apaixonar. Aliás, o confronto no moinho é outro ponto positivo, porque foge um pouco da questão do confronto no castelo do vampiro.

 

Além disso, o filme tem uma trilha sonora muito boa, que vai de um toque lúgubre a um toque que beira ao trágico, muito diferente da trilha sonora pesada dos outros filmes da série. Mais um ponto positivo.


E claro, não posso deixar de mencionar os vampiros. A Hammer foi um dos estúdios que mais soube trabalhar com os vampiros, e suas criaturas beiram à perfeição; e aqui não é diferente. Temos os vampiros clássicos, com a pele branca como papel e os caninos afiados. O Barão possui uma ótima caracterização, com seu ar de Conde Drácula, com sua capa e seus olhos vermelhos; no entanto, quem tem a melhor caracterização são as duas vampiras. Seu visual é clássico, com as camisolas brancas, que dão um excelente contraste com sua pele branca e os caninos afiados. O tipo de visual que eu gosto muito. A melhor cena, e também a minha favorita, é quando a primeira ressuscita de seu tumulo, sob o olhar aterrorizado do Dr. Van Helsing. Uma cena muito bem feita que consegue arrepiar sem esforço. A ressurreição da segunda vampira também é muito boa, mas a cena anterior é bem melhor.



Antes de encerrar, quero salientar dois pontos. O primeiro é além de ser um filme de vampiro, esse filme também parece ser uma historia de amor, porque parece que Van Helsing se apaixona por Marianne quando a conhece, pelo menos essa foi a minha impressão. Outro ponto na verdade é uma pequena falha no roteiro: no começo do filme, surge um homem misterioso vestido de preto, que causa pânico nos camponeses. Porem, esse personagem desaparece rapidamente e nunca mais surge na historia. Infelizmente, é um ponto negativo para o filme.

 

E por fim, devo dizer que a temática da superstição é bem abordada aqui. Os camponeses têm muito medo dos vampiros, e deixam isso bem claro quando o nome do Barão é mencionado; ou então, na cena do funeral, quando o corpo da garota que viria a ser a primeira vampira, é coberto por folhas de alho. É o tipo de coisa que eu gosto em filmes de terror, essa questão da superstição local, onde os habitantes temem as criaturas. É muito legal.

 

O diretor Tim Burton sempre se declarou como fã dos filmes da Hammer, e prestou uma homenagem à cena final deste filme em A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça (1999); uma homenagem respeitosa, como um verdadeiro cineasta sabe fazer.

 

As Noivas do Vampiro foi lançado em DVD por aqui num Box da distribuidora Dark Side com todos os filmes do Drácula da Hammer Films, Drácula – The Ultimate Hammer Collection. Foi lançado em DVD também em uma edição individual da NBO, mas deve estar fora de catálogo.

 

Enfim, As Noivas do Vampiro é um dos melhores filmes da Hammer. Um filme arrepiante, colorido, com cores pulsantes, com ótima direção de arte e trilha sonora digna de nota. Uma historia arrepiante de vampiros do jeito que o estúdio sabia fazer, com toques de horror gótico que enchem os olhos. Um dos melhores filmes da série do Conde Drácula criada pelo estúdio. Altamente recomendado. 




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