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sexta-feira, 28 de junho de 2024

O CHAMADO DE CTHULHU (H.P. Lovecraft).

 

NOTA: 10


O CHAMADO DE CTHULHU é o trabalho mais famoso de H.P. Lovecraft, e um de seus melhores, sem sombra de dúvida.

 

Para quem já conhece o trabalho do autor, Cthulhu deve ser a história que todos se lembram quando pensam em Lovecraft, principalmente porque é um texto excepcional, escrito de uma maneira única, e além disso, é uma trama absolutamente original, que originou aquilo que se tornou conhecido como “ Os Mitos de Cthulhu”.

 

O termo foi criado por um amigo de Lovecraft para designar uma série de histórias compartilhadas, tendo O Chamado como peça principal.

 

Na trama, um homem decide investigar a vida de seu tio após sua morte súbita. Ele então se depara com uma série de documentos que relatam acontecimentos estranhos ao redor do mundo, envolvendo um culto à uma criatura conhecida como Cthulhu. Ele então decide investigar por conta própria o que é esse culto, e acaba descobrindo coisas muito mais sinistras.

 

Parece ser uma trama simples, não é?

 

Mas, em se tratando de Lovecraft, há sempre algo a mais, porque o autor é conhecido por sempre dar um toque quase filosófico em suas obras, além de escrevê-las sempre com as suas características, ou seja, em primeira pessoa, sem muitos diálogos, e, o mais importante, nunca descrevendo a ameaça. Nos textos de Lovecraft, a ameaça é sempre indefinida, inominável.

 

Mas, em Cthulhu, o autor muda essa regra, e resolve descrever o seu monstro, e o faz de duas maneiras bem distintas. Na primeira, ele faz uma descrição rápida, apresentando detalhes da criatura; já na segunda, a descrição é bem mais profunda, com as formas sendo detalhadas para o leitor, e assim, facilitando a visualização.

 

Essa é uma das grandes características da narrativa lovecraftiana. O autor descreve seus monstros de maneira única, com detalhes pequenos, deixando tudo para o leitor imaginar como é aquela criatura. Lovecraft faz uso de muitos adjetivos para descrever suas criaturas, e não se enganem, isso não é um defeito.

 

No entanto, para quem não conhece as obras do autor, deve ser muito estranho ler qualquer texto dele, principalmente por causa de suas características e seu estilo, portanto, eu aconselho aqueles que estão curiosos para ler Lovecraft, começar por algumas histórias mais curtas e simples.

 

Mas, voltando a Cthulhu, este é um texto excelente, que faz o leitor mergulhar em sua trama de mistério, que parece se misturar com outros gêneros, como por exemplo, o de investigação policial, passando por história de antropologia, e por fim, chegando ao horror cósmico, gênero muito presente nas narrativas de Lovecraft.

 

O autor combina todos esses temas com maestria, e faz isso na medida certa, começando por uma trama de assassinato misterioso, até chegar ao ponto principal, que é a trama de horror cósmico, desencadeado pelo surgimento do Grande Cthulhu, que traz o caos e a loucura.

 


A trama de Cthulhu tem muito a ver também com a presença dos Antigos, entidades cósmicas, que, segundo o próprio autor, existem desde o início dos tempos e foram os responsáveis pela criação da vida, mas que agora, querem o seu lugar de direito no universo, e não se importam conosco. Lovecraft viria a explorar mais sobre os Antigos em seus textos posteriores, principalmente em Nas Montanhas da Loucura.

 


Além de explorar a questão dos Antigos, Lovecraft também explora aqui a questão do caos e da loucura, que seriam as consequências da vinda dos próprios Antigos à Terra.

 

Ao longo da narrativa, vamos acompanhando o narrador – algo bem comum nas narrativas de Lovecraft – em sua jornada para descobrir o que de fato aconteceu com seu tio nas ruas de Providence. À primeira vista, parece ter sido uma morte acidental, mas, conforme vamos lendo, acabamos descobrindo que o professor estava investigando detalhes a respeito de um culto à Cthulhu, que age principalmente no estado da Louisiana.

 

O narrador também que um inspetor da polícia estava investigando fenômenos estranhos, como pessoas tendo ataques de loucura em outros lugares do mundo, e tudo pode estar relacionado à uma estátua de argila que ele confiscou de um culto que testemunhou.

 

Além de uma trama de culto, e de horror cósmico, também temos uma trama de monstro marinho, visto que Cthulhu é uma entidade que vive em uma cidade misteriosa que foi varrida da Terra pelas ondas do mar e agora se encontra nas profundezas. Lovecraft nos conta que a cidade foi varrida para as profundezas, e que Cthulhu aguarda seu momento de despertar, e quando isso acontece, é o grande momento do conto, porque finalmente, podemos quem é o Grande Cthulhu, e quais são suas habilidades.

 

Eu também enxerguei um toque de trama de conspiração, porque o narrador fica intrigado e começa a suspeitar que seu tio foi na verdade, assassinado, porque sabia demais sobre o culto, e no fim, ele próprio acaba temendo por sua vida, pois acredita que os servos de Cthulhu virão busca-lo.

 

Eu já li esse conto algumas vezes, e sempre me impressionei, e, na última leitura, não foi diferente. É um conto muito bem escrito, sem dúvida.

 

Enfim, O Chamado de Cthulhu é um conto excelente. Uma narrativa intrigante, que chama a atenção do leitor aos poucos, e o convida a mergulhar em sua trama de conspiração, aliada ao terror cósmico característico de H.P. Lovecraft. Uma trama onde o mistério vai sendo apresentado lentamente, até chegar ao grande ápice. Lovecraft faz o leitor acompanhar o narrador ao longo de sua investigação, e o faz de forma brilhante, com os elementos aparecendo devagar, até não haver mais caminho de volta. Um conto excepcional, muito bem escrito, que mostra toda a capacidade de autor de H.P. Lovecraft. Altamente recomendado.


H.P. LOVECRAFT.


quinta-feira, 9 de maio de 2024

DAGON (H.P. Lovecraft).

 

NOTA: 9.5


DAGON é um dos contos mais conhecidos de H.P. Lovecraft.

 

Escrito e publicado no início de carreira do autor, já apresenta uma característica que se tornaria comum em sua bibliografia: a presença de criaturas marinhas ancestrais.

 

É um conto rápido, cuja leitura flui com naturalidade, e não cansa.

 

As descrições que Lovecraft faz do ambiente onde o protagonista está inserido – uma ilha inabitada – são o ponto alto da narrativa, porque fazem com que o leitor mergulhe naquele ambiente sinistro; além disso, a descrição do obelisco que o protagonista encontra na ilha também é muito boa, e fácil de visualizar.

 

Essa é uma das grandes características da obra de Lovecraft; a descrição do ambiente – ou personagem – fica bem melhor no papel, porque, assim, nós podemos dar a imagem que quisermos. Claro, às vezes isso não funciona muito, como foi no caso da leitura de A Sombra Vinda do Tempo, mas, por exemplo, em Cthulhu, isso não atrapalha; e aqui não atrapalhou também, principalmente no final.

 

O fato é que Lovecraft era um escritor de mão cheia, e sabia muito bem apresentar o terror quando achava necessário, utilizando técnicas impares, e aqui não é diferente.

 

O autor passa boa parte da narrativa preparando o terreno, descrevendo o dia-a-dia do protagonista na ilha inabitada, sua rotina pelo local, até que finalmente, ele encontra o obelisco ancestral, e se vê frente à frente com uma criatura tão antiga quanto o próprio homem.

 

Além disso, Lovecraft faz uso de Mitologia, uma vez que seu monstro é inspirado no deus-peixe dos Filisteus. Eu achava que Dagon era uma criação do autor, mas, de acordo com a nota de rodapé presente na edição da DarkSide Books, Dagon faz parte da cultura dos Filisteus. Agora, eu, pessoalmente, quando penso em Dagon, penso nesse conto de Lovecraft.

 

Enfim, Dagon é um conto excelente. Uma narrativa rápida, mas brilhante, escrita com o toque ímpar de Lovecraft, apresentando algumas características que se tornariam clássicas em sua obra. Um conto muito bem escrito, inspirado em Mitologia, além de servir como uma espécie de precursor de seu trabalho mais famoso. Um conto excelente.


H.P. LOVECRAFT

 

sexta-feira, 22 de setembro de 2023

A SOMBRA VINDA DO TEMPO (H.P. Lovecraft).

 

NOTA: 8.5


O escritor H.P. Lovecraft é um dos maiores autores de horror e ficção cientifica de todos os tempos, graças às suas histórias focadas no chamado horror cósmico, e nos Mitos de Cthulhu, que se tornaram um marco em sua bibliografia.

 

A SOMBRA VINDA DO TEMPO, novela escrita pelo autor e publicada em 1936, parece fazer parte dos Mitos de Cthulhu, mas não tenho certeza porque, de acordo com cada fonte, as historias presentes nesse universo são diferentes.

 

Mesmo não tendo certeza se faz parte dos Mitos, A Sombra faz parte da fase do Terror Cósmico, que se tornou muito famoso na bibliografia do autor. Mas o que é o Terror Cósmico?

 

Bem, eu pessoalmente acho um pouco difícil de definir, visto que existem diversas definições e exemplos visuais, mas ao que parece, o conceito surgiu nas obras de Lovecraft.

 

A história é sobre um professor da Universidade Miskatonic, também presente nas obras do autor, que sofreu um período de anos de amnesia, enquanto sua mente era possuída por criaturas de outra dimensão, conhecidos aqui como a Grande Raça. Parece um resumo bem simples, não? Bem, na verdade é um pouco mais complexo que isso, porque a trama também aborda questões de viagem no tempo e no espaço.

 

Eu pessoalmente gostei bastante dessa historia, pois tenho curiosidade de saber sobre o que se trata o Terror Cósmico de Lovecraft, e com essa leitura, tive uma amostra.

 

O texto do autor – descrito em primeira pessoa, como de costume – é muito bem escrito, e Lovecraft faz uso de descrições detalhadas para dar vida às suas criaturas e ambientes, principalmente os membros da Grande Raça, aqui descritos como uma espécie de vida capaz de viajar no tempo e espaço através da possessão de corpos.

 

Mas não estamos falando de possessão no sentido normal da palavra, visto que as criaturas se apossam do corpo e da mente do protagonista, e o fazem sofrer de amnesia e ter visões horríveis, durante muito tempo, o que culmina no fim do seu casamento e da relação com dois de seus três filhos.

 

Mas vamos falar das criaturas e do lugar de onde elas vêm. Novamente, tudo está na descrição de Lovecraft, principalmente das criaturas, que foge completamente do padrão. O autor os descreve como seres alienígenas em forma de cone, com tentáculos e tenazes e três olhos. Eu já havia ouvido falar que as criaturas de Lovecraft são incapazes de serem reproduzidas visualmente, mas aqui confesso que precisei de um pouco de ajuda, pois não tinha certeza de qual seria sua aparência. E pelo que vi, as criaturas são de fato assustadoras.

 

A respeito do lugar de onde vêm, Lovecraft o descreve como um deserto composto por altas torres escuras, além de bibliotecas, remetendo, talvez, à sua fase conhecida como Ciclo dos Sonhos, onde suas tramas eram ambientadas nos desertos da Arábia. Mesmo não tendo lido nenhuma historia dessa fase, foi essa a impressão que eu tive.

 

O personagem principal também é muito bem escrito. Lovecraft o descreve como um professor da renomada Universidade Miskatonic, especializado em Política Econômica. Segundo informações da internet, existem laços autobiográficos no personagem, principalmente no que diz respeito à sua amnesia, que se assemelha ao colapso nervoso que o autor sofreu em sua juventude. Se é verdade ou não, não sei.

 

O fato é que é possível simpatizar com esse personagem, e conforme a leitura avança, vemos que ele é genuinamente preocupado com o que lhe aconteceu, além de ser determinado em encontrar a origem das criaturas que o assombram, algo que acontece durante uma expedição ao deserto da Austrália. Quando li que ele estava retornando de uma expedição, eu rapidamente fiz uma associação com Nas Montanhas da Loucura, a grande obra-prima do autor.

 

Aliás, falando em Nas Montanhas da Loucura, devo destacar que, mais uma vez, Lovecraft cria uma espécie de multiverso, onde todas suas historias estão conectadas. Isso porque temos menção às criaturas de Nas Montanhas; à terrível cidade de Arkham; e ao terrível Necronomicon. Lovecraft já fez isso em outras de suas obras, e é sempre um prazer ler sobre essas ligações e esse multiverso.

 

E no final, Lovecraft entrega algo que parece ter sido de um filme de Indiana Jones, onde o nosso protagonista se aventura pelas ruinas de uma das torres das cidades da Grande Raça, e encontra um livro que pode conter a resposta para tudo. Contudo, as coisas não saem como planejado, e a conclusão da novela é de cair o queixo.

 

Então temos aqui mais um exemplo da maestria de Lovecraft em contar histórias, visto que o autor faz tudo com seu estilo clássico de descrever demais, tanto as coisas quanto as sensações, e confesso que é um pouco cansativo de ser ler, mas, acredito que se você fizer um esforço, pode acabar gostando, como foi o meu caso.

 

Enfim, A Sombra Vinda do Tempo é uma história muito boa. Uma trama de ficção cientifica, misturada com horror cósmico, contada com a maestria singular de H.P. Lovecraft, do jeito que somente o autor sabia fazer. Em suas paginas, o autor leva tanto o protagonista quanto o leitor, a um mundo cósmico, habitado por criaturas de outra dimensão e com isso, ficamos imersos na leitura, tentando descobrir se o que aconteceu foi real ou não. Uma ótima novela, e um dos melhores textos de Lovecraft. Altamente recomendado. 


H.P. LOVECRAFT


terça-feira, 22 de agosto de 2023

A NOIVA DE RE-ANIMATOR (1989). Dir.: Brian Yuzna.

 

NOTA: 8.5


Na década de 20, H.P. Lovecraft lançou a serie Herbert West – Reanimator, que, apesar de não se tornar um sucesso na época de publicação, tornou-se uma de suas obras mais famosas com o passar dos anos.

 

Em 1985, o diretor Stuart Gordon e o produtor Brian Yuzna lançaram Re-Animator – A Hora dos Mortos-Vivos, estrelada por Jeffrey Combs, Barbara Crampton, Bruce Abbott e David Gale, que se tornou um dos maiores clássicos dos anos 80, e a melhor adaptação da obra de Lovecraft.

 

Quatro anos depois, foi lançado A NOIVA DE RE-ANIMATOR, desta vez dirigido por Yuzna, novamente com Jeffrey Combs, Bruce Abbott e David Gale no elenco, retomando seus papeis principais.

 

Aqui temos um exemplo de continuação que é tão boa quanto o primeiro filme, tudo graças ao longa como um todo.

 

Mesmo não contando com Stuart Gordon na direção, o ritmo frenético se mantém aqui, assim como os efeitos especiais caprichados no gore e na escatologia.

 

Claro, aqui, não sei se temos cenas tão memoráveis quanto no primeiro filme, mas temos cenas de horror muito boas, graças a direção de Yuzna, em seu segundo trabalho na função.

 

O roteiro, desta vez não escrito por Dennis Paoli, pega novamente alguns elementos da história original de Lovecraft e a transporta para a era contemporânea. Podemos dizer que é uma continuação direta, porque os eventos aqui acontecem oito meses após o primeiro filme, e no prologo, acompanhamos West e Cain na guerra do Peru, algo presente na história original. Após os incidentes no Peru, retornamos a Arkham, ao hospital da Universidade de Miskatonic, onde conhecemos também uma paciente em estado terminal, que se tornará uma peça importante na narrativa.

 

E assim como no primeiro filme, temos aqui uma certa dose de humor negro, graças principalmente ao Dr. Graves, o patologista do hospital e seu assistente. No entanto, West e Cain também protagonizam cenas de humor negro, ainda mais quando envolvem um pequeno experimento com partes de corpos.

 

Essa aqui é uma mudança boa no roteiro; West e Cain desta vez trabalham com partes de corpos, pois querem ver se conseguem criar um ser humano completo, algo certamente inspirado no Frankenstein de Mary Shelley. Além das experiências com partes de corpos, West também desenvolve novos métodos e formulas, que o ajudam na hora de criar suas cobaias.

 

Essa também é uma grande sacada do roteiro, porque, de certa forma, ele amplia as experiências de West, dando a ele um ar ainda mais sinistro. E novamente, vemos que o personagem se mantém igual ao primeiro filme, todo cheio de si mesmo e que se importa apenas com seus experimentos.

 

Além do retorno de West e Cain, temos também novos personagens; além do já mencionado Patologista, temos um novo par romântico para Cain, e um detetive que está disposto a descobrir a verdade sobre o massacre ocorrido na Universidade oito meses antes. Esse personagem até que entrega boas cenas, apesar de aparentar ser mais intrometido que o normal; Francesca, o novo interesse romântico de Cain também funciona, quase como um contraponto para Meg, do primeiro filme.

 

No entanto, o grande destaque aqui é o retorno do cruel Dr. Hill, novamente interpretado por David Gale. Assim como no primeiro filme, somos brindados com sua cabeça falante, que controla os mortos-vivos, além de aparecer com um visual marcante no final do filme.

 

Aliás, o final do filme também parece ter sido diretamente inspirado pelo conto original de Lovecraft, visto que os experimentos anteriores de West se rebelam contra ele dentro da cripta.

 

Os efeitos especiais também são o grande destaque aqui, criados por grandes nomes do gênero, como Screaming Mad George; KNB Effects, e David Allen, cada um desempenhando uma função especifica. Assim como no primeiro filme, somos brindados com cenas caprichadas no gore e na escatologia, e os três zumbis principais são nojentos em um nível impressionante. Além disso, as habilidades dos zumbis são ampliadas, com o uso da fala e de ferramentas.

 

O auge de efeitos, no entanto, é a Noiva, criada a partir da paciente Gloria. Ao longo do filme, West arromba o deposito da Universidade para roubar partes de corpos, além de usar pacientes completos para o experimento. Ele junta tudo em seu laboratório no porão da nova casa, e após a morte de Gloria, ele percebe que está na hora de testar sua teoria.

 

A cena da ressureição da Noiva é uma das melhores do filme, justamente por causa da direção de Yuzna, além de ser muito parecida com a cena de criação da Noiva de Frankenstein, no filme de James Whale, que também serviu de inspiração para este filme. A Noiva é a melhor criatura do longa, porque é aquela personagem que se sente perdida no mundo e precisa encontrar seu lugar. Após sua ressureição, é possível ver que ela se afeiçoa a Cain, tanto pelo fato do coração de Meg estar batendo em seu peito, quanto pela afeição que a própria Gloria tinha pelo médico.

 

E o final é tão frenético quanto o filme em si, com as criaturas de West escapando da cripta e se juntando para acabar com ele, tudo sob o comando de Hill.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo, na coleção Lovecraft no Cinema 2, em versão restaurada sem cortes.

 

Enfim, A Noiva de Re-Animator é um filme muito bom. Um longa frenético, com cenas carregadas no gore, com zumbis grotescos e personagens cativantes. A direção de Brian Yuzna é competente, e o diretor sabe o que faz, criando assim, cenas tensas e engraçadas. O retorno dos personagens e atores do primeiro filme também contribuem para deixar este filme ainda melhor a cada revista, acompanhados pelos efeitos especiais criativos. Uma leve adaptação do clássico de H.P. Lovecraft, e um dos melhores filmes baseados nos textos do autor. Altamente recomendado.


Créditos: Versátil Home Vídeo.

 

quarta-feira, 14 de setembro de 2022

EVIL DEAD II – UMA NOITE ALUCINANTE 2 (1987). Dir.: Sam Raimi.

 

NOTA: 10



Em 1981, o diretor Sam Raimi lançou Evil Dead – Uma Noite Alucinante I – A Morte do Demônio, que se tornou um dos maiores clássicos do cinema de horror de todos os tempos.

 

Em 1987, foi lançado EVIL DEAD II – UMA NOITE ALUCINANTE 2, novamente comandado por Sam Raimi e estrelado por Bruce Campbell, reprisando seu icônico papel como Ash.

 

O que dizer sobre esse filme? Bom, digo o seguinte. Esse é um dos melhores filmes de terror e comédia de todos os tempos, pois mistura os dois na medida certa, e aqui temos de tudo.

 

Evil Dead II é o exemplo de continuação que muita gente considera melhor que o primeiro filme, talvez por ser mais maduro e mais desenvolvido... mas eu pessoalmente o considero tão maravilhoso quanto o primeiro, justamente por causa desses fatos, e mais ainda, pela nostalgia.

 

Eu assisti a esse filme pela primeira vez em 2002, pouco tempo depois de assistir ao primeiro filme, quando aluguei na mesma locadora. Mas, diferente do primeiro, a imagem era bem mais clara, então pude ver tudo sem nenhum problema. Eu adorei o filme, e quando o vi em uma banca, comprei rapidamente, sem saber que o primeiro filme estaria disponível também; este saiu em VHS, o segundo, saiu em DVD. O engraçado é que quando eu vi que o primeiro saiu também, eu fiquei arrepiado por causa da minha experiência negativa com ele. Hoje em dia, eu amo a Trilogia Evil Dead, e os filmes ficam melhores a cada revisão.

 

Com este aqui não é diferente. Eu me divirto toda vez que assisto, e conheço todas as cenas, e fica difícil dizer qual é a melhor; a minha favorita é quando um dos personagens é possuído e levita pela cabana.

 

Alias, aqui temos aqui a volta da cabana isolada na floresta, visto que no começo do filme, acontece um repeteco do anterior, por motivos que foram explicados pelo próprio Bruce Campbell em uma entrevista. Talvez para os mais exigentes, isso seja um problema, mas talvez isso funcione como uma espécie de recapitulação sem os demais personagens, e funciona. A presença da cabana na floresta é um fator recorrente e marcante da franquia que funciona mesmo para quem não conhece o filme propriamente dito.

 

Pode-se dizer que o “filme de verdade” acontece após esse repeteco, quando os demais personagens vão até a cabana e a trama acontece; mas não é bem assim, porque é importante não desconsiderar o que acontece anteriormente, porque ocorrem outras coisas após a possessão da namorada de Ash.

 

Os demais personagens são muito legais, cada um com a sua característica, mas o melhor é a versão possuída da esposa do arqueólogo, que inferniza a vida de todos ali. É uma característica comum da franquia, conforme mencionei anteriormente, um grupo de vilões que os personagens precisam combater antes de destruir o vilão principal.

 

Evil Dead II é conhecido também como um dos mais famosos exemplares de terror e comédia do cinema. Nos anos 80, o gênero começou a se misturar com a comédia, o que rendeu grandes exemplares, e este aqui é um dos melhores. Os momentos de humor ficam por conta do confronto entre Ash e sua mão possuída, que rende momentos antológicos, com direito a pratos quebrados e tiro ao alvo.

 

Além do humor negro, temos também a presença de melhores efeitos especiais. Temos aqui cabeças e membros decepados, corpos sem cabeça que andam sozinhos e stop-motion, tudo graças ao orçamento um pouco maior. E claro, temos também a câmera que percorre o cenário no papel da entidade demoníaca sem rosto. Aqui a câmera está afiada, com seus movimentos elaborados e rapidez alucinante. Os efeitos especiais foram realizados por grandes nomes do gênero, e deixam o filme ainda mais divertido. A maquiagem dos monstros também está bem melhor.

 

Antes de encerrar, Evil Dead II é considerado por muitos como sendo melhor que o primeiro filme, tendo recebido avaliações mais altas em sites e de críticos.

 

Foi lançado em Blu-ray no Brasil pela Obras-Primas do Cinema em versão restaurada em 4k na coleção Trilogia Uma Noite Alucinante, em edição caprichada recheada de material extra. Atualmente, a coleção está fora de catalogo, mas a distribuidora anunciou o lançamento da trilogia em DVD ainda nesse ano.

 

Enfim, Evil Dead II é um filme excelente. Um filme maravilhoso, com cenas antológicas misturadas com humor negro que funciona muito bem. A direção de Sam Raimi também é um dos destaques, novamente com sua câmera frenética que percorre os cenários de maneira alucinante. Os efeitos especiais também funcionam e deixam o filme ainda mais divertido. Um dos melhores filmes de terror de todos os tempos. Altamente recomendado.


Créditos: Obras-Primas do Cinema


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segunda-feira, 22 de agosto de 2022

O PERVERSO CLÉRIGO (H.P. Lovecraft).

 

NOTA: 8.5



Assim como já elogiei Stephen King várias vezes aqui, também faço meus elogios a H.P. Lovecraft, o autor que o inspirou.

 

Mesmo não tendo seguido o caminho de novelista, Lovecraft era um mestre na arte de contar pequenas historias, sejam elas bem pequenas ou grandes, até.

 

O PERVERSO CLÉRIGO é mais um exemplo de uma historia pequena, mas que consegue prender o leitor.

 

Em poucas paginas, Lovecraft cria uma trama de mistério que rapidamente se transforma em algo inusitado, e leva, tanto o leitor, quanto o seu protagonista, para um caminho sem volta.

 

Pois bem, é isso que acontece com o protagonista – cujo nome nunca é revelado, como de praxe nas tramas do autor – que vai narrando a sua chegada ao sótão, até seu encontro com entidades de outra dimensão, pelo menos, é a minha interpretação; mas isso também não impede de ser uma historia de fantasma.

 

Mas o fato é que o básico da trama é esse. O protagonista entra no sótão, encontra um pequeno objeto e por fim, após tocá-lo, depara-se com o horror.

 

O melhor fica para o final, com plot-twist de cair o queixo ou provocar arrepios.

 

Mas o mais interessante é o mistério presente aqui. Ao meu ver, temos aqui outro caso de um objeto ou lugar maldito, que traz azar para quem estiver com ele. Essa foi a sensação que o conto me passou, visto que o personagem do velho sabia a respeito daquelas entidades, principalmente da entidade que dá nome ao conto. Um mistério assustador, devo dizer.

 

Mas, enfim, O Perverso Clérigo é um ótimo conto de terror, com uma atmosfera de mistério que vai aumentando à medida que a historia avança. A escrita de Lovecraft é o grande atrativo, e o autor prova que mais uma vez consegue contar uma grande historia, mesmo com poucas paginas. 



H.P. LOVECRAFT

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terça-feira, 21 de junho de 2022

RE-ANIMATOR – A HORA DOS MORTOS-VIVOS (1985). Dir.: Stuart Gordon.

 

NOTA: 9.5



Na década de 20, H.P. Lovecraft escreveu Herbert West Reanimator, um de seus trabalhos mais sangrentos, influenciado pelo clássico Frankenstein, de Mary Shelley. O texto é um dos melhores trabalhos do autor, além de ser um de seus mais conhecidos.

 

Em 1985, o diretor Stuart Gordon, em parceria com o produtor Brian Yuzna, e o roteirista Dennis Paoli, lançou RE-ANIMATOR – A HORA DOS MORTOS-VIVOS, adaptação do conto, e com certeza, a melhor adaptação de uma obra do autor para o cinema.

 

Re-Animator é um festival de sangue, repleto de cenas memoráveis e momentos absurdos, além de ser um dos melhores filmes de zumbi de todos os tempos.

 

A primeira coisa que chama a atenção é o fato do filme ser ambientado na era contemporânea – no caso, os anos 80 – porque, se fosse uma adaptação literal, ambientada nos anos 20, não teria um bom resultado, porque naquela época, o terror gótico já não estava mais em voga no cinema. Conforme mencionei na resenha de A Guerra dos Mundos (1953), eu gosto desse tipo de adaptação, porque o filme se passa em uma realidade alternativa, onde o material-base não existe.

 

Além disso, temos aqui um dos filmes mais sangrentos de todos os tempos, com cenas dignas de provocar náuseas no espectador; e temos também o elemento sexual, que não existe em nenhuma obra do autor, culminando na cena mais famosa e bizarra do filme.

 

O filme foi dirigido por Stuart Gordon, em sua estreia no cinema, após anos de trabalho no teatro, e posso dizer que ele fez um excelente trabalho. O diretor conseguiu tirar ótimas performances de seu elenco, principalmente do trio principal, composto por estreantes. Além disso, mostrou-se também competente nas cenas de horror, conseguindo criar algumas das melhores do gênero, mesmo sabendo de suas limitações orçamentárias.

 

Esse, aliás, é o grande charme do filme. Re-Animator é claramente um Filme B de baixo orçamento, mas do tipo de possui um charme atemporal, conforme era comum na época. Com isso, somos brindados com cenas absurdas, como por exemplo, a cena do gato que volta dos mortos.



Mas, claro, o grande destaque são os efeitos especiais. Temos aqui um dos melhores efeitos especiais de um filme de zumbi, com tudo que temos direito. Temos cabeças decepadas, membros arrancados, efeitos de queimaduras, etc. E claro, o sangue. Logo na primeira cena, temos uma ideia do que vem pela frente, visto que Gordon já apresenta uma sequência sangrenta e escatológica. A partir daí, o filme não dá descanso. No entanto, apesar dos efeitos especiais, o filme teve cortes quando passou na televisão brasileira, o que deve ter prejudicado o entendimento de quem assistiu na época.  


Além dos efeitos especiais, temos também o elenco, com destaque para Jeffrey Combs e David Gale, que interpretam o Dr. Herbert West e o Dr. Carl Hill, respectivamente. Os dois dão um show de atuação e fica difícil saber qual deles está melhor no papel. No entanto, não é difícil saber quem é o verdadeiro vilão da trama. Os atores Barbara Crampton e Bruce Abbott também não fazem feio nos papeis do casal protagonista. Após esse filme, a atriz se tornaria uma das maiores screen-queens do cinema de horror moderno. 

 

E claro, temos também a questão do sexo, algo que não aparece em nenhum texto do autor. No momento mais memorável, temos a atriz Barbara Crampton protagonizando uma sequência de nudez enquanto é atormentada – para dizer o mínimo – pela cabeça decapada do Dr. Hill, num festival antológico de sangue e sexo.

 

Re-Animator foi lançado em 18/out/1985 e não foi um sucesso de bilheteria, mas ganhou status de cult no mercado de home vídeo. Atualmente, é considerado um dos melhores filmes de terror dos anos 80 e uma das melhores adaptações da obra de Lovecraft.

 

Em 1986, o diretor Gordon lançou a adaptação de Do Além, novamente estrelada por Jeffrey Combs e Barbara Crampton. Em 1989, Re-Animator ganhou uma sequência, A Noiva de Re-Animator, novamente com Jefffrey Combs, Bruce Abbott e David Gale no elenco, mas desta vez, dirigido por Brian Yuzna.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo na coleção Lovecraft no Cinema em versão restaurada em 4k, após anos fora de catálogo.

 

Enfim, Re-Animator – A Hora dos Mortos-Vivos é um filme brilhante. Uma historia de sangue e sexo, com os dois elementos muito bem combinados. Um filme que não dá folego ao espectador desde o começo, e consegue prender a atenção, e fica melhor a cada revisão. Uma historia assustadoramente simples, mas cheia de momentos antológicos e violentos, que a deixam ainda mais perturbadora e divertida. Atuações excelentes e direção correta e roteiro redondo contribuem para o excelente desempenho do filme. Os efeitos especiais sangrentos e escatológicos roubam a cena. Um dos Filmes Mais Assustadores de Todos os Tempos. Um dos melhores filmes de terror dos anos 80. Uma excelente adaptação de H.P. Lovecraft. 


Créditos: Versátil Home Vídeo


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terça-feira, 6 de abril de 2021

DO ALÉM (H.P. Lovecraft).


NOTA: 10



Como já mencionei anteriormente, existem alguns autores que são capazes de contar as historias mais simples em poucas páginas, e H.P. Lovecraft foi um desses autores.

 

Suas narrativas são, em sua maioria, curtas, mas conseguem prender o leitor desde a primeira linha, graças a sua capacidade de escrita, sempre fazendo uso de descrições minuciosas e adjetivos. E DO ALÉM é mais um desses exemplos.

 

Lovecraft conseguiu novamente criar uma historia fascinante e arrepiante em poucas páginas, cuja leitura é rápida mas prazerosa. Escrita antes de seus clássicos como O Chamado de Chutlhu e Nas Montanhas da Loucura, Do Além é uma de suas melhores historias.

 

Diferentemente do que faria no futuro, aqui Lovecraft combina dois gêneros que se relacionam muito bem: o terror e a ficção cientifica. Por que ficção cientifica? Porque estamos falando de uma historia que possui elementos do gênero, como a máquina criada por Crawford Thillinghast, que permite a ele entrar em contato com criaturas de outra dimensão. Não sei para vocês, mas para mim, há um toque de ficção cientifica nessa historia, sim.

 

No entanto, o que mais predomina aqui é o terror. Lovecraft faz questão de descrever situações que beiram ao mais puro terror, como a loucura de Thillinghast após utilizar a máquina, além do mistério por trás do desaparecimento de seus criados, e claro, as próprias criaturas. Tudo escrito com uma habilidade extraordinária.

 

Como mencionado, o texto de Lovecraft é rápido, mas isso não impede de ser uma leitura prazerosa. Pelo contrário, é possível, sim, ler a história e se envolver em sua narrativa, mais de uma vez, inclusive. Uma leitura que vale muito a pena. O texto original em inglês é tão fascinante quanto em português.

 

Em 1986, recebeu uma excelente adaptação para o cinema dirigida por Stuart Gordon e estrelada por Jeffrey Combs, Barbara Crampton e Ken Foree.

 

Enfim, Do Além é fascinante. Uma história arrepiante de horror com toques de ficção cientifica que causa calafrios no leitor. Uma das melhores historias de H.P. Lovecraft. Altamente recomendado.


H.P. LOVECRAFT

 

Acesse também:

https://livrosfilmesdehorror.home.blog/



Essa resenha corresponde à tradução em português disponível tanto na primeira quanto na segunda edição do livro GRANDES CONTOS DE H.P. LOVECRAFT, lançados pela editora Martin Claret. Ambas as edições possuem o mesmo conteúdo. Também corresponde ao texto original em inglês, disponível no livro H.P. LOVECRAFT – THE COMPLETE FICTION, lançado pela editora Barnes & Nobles.



sábado, 6 de abril de 2019

O CASTELO ASSOMBRADO (1963). Dir.: Roger Corman.


NOTA: 8.5


O CASTELO ASSOMBRADO (1963)
O CASTELO ASSOMBRADO, dirigido por Roger Corman – que fez aniversário ontem – é a primeira excursão de H.P. Lovecraft no cinema. Aqui, no caso, a historia adaptada é O Caso de Charles Dexter Ward, uma das mais conhecidas historias do autor. Porém, O Castelo Assombrado não é considerado como uma adaptação de Lovecraft, mas, sim, um filme do ciclo Edgar Allan Poe, na qual Corman estava envolvido naquela época.

A razão para Corman escolher Dexter Ward foi a de que, até então, ele achava que havia trabalho em muitos filmes baseados em contos de Poe, então, resolveu escolher outro material. Então, com o aval da AIP (American International Pictures), escolheu a historia de Lovecraft. Mas, como mencionado acima, a AIP deu aval para Corman, mas, ao invés de utilizar o título da historia de Lovecraft, acabaram adotando – talvez por razoes de Marketing ou picaretagem – o título de um poema de Edgar Allan Poe, The Haunted Palace, inclusive utilizando o nome de Poe acima do título. Picaretagem ou Marketing? Vai saber.

Bem, mesmo com essa diferença, o fato é que o filme é muito bom. Realizado na década de 60, possui todos aqueles elementos dos filmes daquela época: a neblina, o cemitério retorcido, o castelo cheio de teias de aranha... Enfim, todos os elementos do Terror Gótico dos anos 60. Além desses elementos, merece destaque também a direção de arte, a cargo de Daniel Haller, que trabalhou com Corman nos filmes de Poe, e que, mais tarde, dirigiria duas adaptações da obra de Lovecraft: Morte Para um Monstro (1965) e O Altar do Diabo (1970), respectivamente, baseados em A Cor que Caiu do Espaço e O Horror de Dunwich. O trabalho de Haller é espetacular. Sua recriação da cidade Arkham é extraordinária, praticamente perfeita. Não sei como ela foi retratada em outras adaptações, mas aqui, a cidade fictícia criada pelo autor parece ter saído do papel, literalmente. Quando ela aparece, passa uma sensação de medo e claustrofobia, sensações que devem ter sido imaginadas por Lovecraft em seus textos. O castelo de Curwen também é um espetáculo, com seus corredores empoeirados, paredes cheias de teias de aranhas, e o quadro de seu proprietário acima da lareira; aliás, esse quadro já serve como garantia de muitos arrepios.

Como todos os filmes de Corman dessa época, O Castelo Assombrado é estrelado por Vincent Price, no papel principal; aliás, papeis, uma vez que ele interpreta tanto Charles Dexter Ward quanto seu ancestral, Joseph Curwen, e sua atuação é incrível. Price não tem medo de parecer exagerado, principalmente quando interpreta o vilão, após seu espirito possuir o corpo e a alma de Charles Ward. O resto do elenco também merece destaque, principalmente os atores que interpretam os habitantes de Arkham, tanto no passado como no presente; é possível ver que aqueles homens são vitimas da maldição de Curwen e o medo que sentem de seu descendente é real. Debra Paget também entrega uma ótima atuação como a esposa de Charles Ward; durante todo o filme, ela mostra-se uma mulher apaixonada pelo marido, e que teme por ele quando o terror começa a surgir. Corman sempre soube escolher mulheres bonitas para seus filmes do Poe, e aqui não foi diferente, mesmo não sendo um filme do Ciclo Edgar Allan Poe. E por fim, Lon Chaney Jr., o eterno Lobisomem da Universal, também não faz feio em sua interpretação do servo de Curwen.

Mesmo apostando mais no terror psicológico, O Castelo Assombrado possui momentos que são de fato assustadores. O melhor deles, sem duvida, é quando Charles e sua esposa são encurralados pelos habitantes amaldiçoados de Arkham nas ruas do vilarejo. É uma cena muito bem feita, onde o terror é construído aos poucos, e o resultado dificilmente sai da mente do espectador, e a maquiagem com certeza contribui para isso. Outro é o enterro de um dos habitantes da cidade, vitima da vingança de Curwen. Uma sequencia envolta em neblina, sem trilha sonora, com a figura de Curwen à distancia, observando tudo com seu olhar maligno.

Enfim, O Castelo Assombrado é um filme belíssimo, do jeito que Roger Corman sabia fazer naquela época, antes de se envolver com as produções atuais da Asylium.

Um filme muito bem feito, com toques de Terror Gótico, que enchem a tela de beleza. Bizarramente, nos créditos, o nome de Poe está grifado de maneira errada (Allen Poe ao invés de Allan Poe!). Permaneceu inédito no Brasil, até ser lançado em DVD pela Versátil Home Vídeo, na coleção Lovecraft no Cinema Vol.2.

Um ótimo inicio para a carreira cinematográfica de Lovecraft, que ganhou vida de fato, apenas nos anos 80, com o lançamento de Re-Animator: A Hora dos Mortos Vivos (1985), dirigido por Stuart Gordon, baseado no excelente conto Herbert West Reanimator.


Muito bem recomendado. 




Créditos: Versátil Home Vídeo



segunda-feira, 18 de março de 2019

AR FRIO (H.P. Lovecraft).


NOTA: 9


AR FRIO
AR FRIO é um conto fantástico. Uma historia de horror com toques ficção cientifica e mistério.

Escrito por Lovecraft no final dos anos 20, é um de seus melhores trabalhos, e um dos mais arrepiantes. Em poucas paginas, o autor cria uma trama simples, mas repleta de enigmas, que são revelados aos poucos, e de forma chocante.

O que também torna este um texto incrível é que, de certa forma, ele consegue fazer com que o leitor entre naquele lugar junto com o personagem principal – e narrador – e descobrir o que esconde o doutor que está hospedado no andar superior. E a medida que o mistério vai se desenrolando, logo percebemos que o protagonista não deveria ter feito aquilo, mas, infelizmente é tarde demais. De algum modo, ele torna-se cumplice do medico, não apenas no que diz respeito a sua estranha doença, mas também no que vem em seguida, quando a maquina que ele mantem em seu quarto – cujo proposito é macabro – começa a apresentar defeitos. Então, a partir daí, é possível perceber que não há saída.

Durante o tempo em que produziu o texto, Lovecraft passou parte de sua vida em Nova York, acompanhando sua esposa. Conforme relatou, foi uma terrível experiência, uma vez que estava fora de casa, e ajudou a intensificar seus medos, que ele transferiu para o papel, tanto aqui como em Ele, talvez o trabalho que mais reflete seu período na Grande Maçã.

Enfim, Ar Frio é excelente. Contém elementos de horror, talvez, um certo clima de investigação, e principalmente, de ficção cientifica. E tudo isso foi combinado de forma majestosa, culminando num final chocante.

Em 1993, recebeu uma adaptação no filme Necronomicon – O Livro Proibido dos Mortos, excelente antologia baseada nos textos do autor.

Um dos melhores trabalhos de H.P. Lovecraft.



H.P. LOVECRAFT






AVISO.

  O LIVROS & FILMES DE HORROR está em recesso. Obrigado.