quinta-feira, 19 de março de 2020

THE OUTSIDER (2020).


NOTA: 9



THE OUTSIDER
THE OUTSIDER é uma das melhores adaptações de Stephen King que foram lançadas nesse primeiro semestre. Além disso, é uma das melhores séries que já vi nesse primeiro semestre.

Sem duvida o que contribuiu para isso foi o fato de terem decidido adaptar o livro de mesmo nome em formato de série, ao invés de adaptarem para o cinema; isso porque o livro de Stephen King – que eu ainda não li – é bem grandinho e deve ter muito mais historias para contar.

Como em toda adaptação, eu sei que mudanças na narrativa tiveram que ser feitas, até para não correr risco de deixa-la mais extensa e com isso, fazer o publico perder o interesse. Bom, no meu caso, não vi isso como problema. Não posso dizer quais mudanças foram boas até porque, não li o livro, mas já posso dizer que quando o assunto é adaptações de Stephen King, existem alterações na trama que funcionam muito bem, e aqui foi um caso.

The Outsider é excelente. Como o próprio Stephen King declarou em um dos especiais da HBO GO, um dos gêneros que mais lhe chamou a atenção na literatura era o gênero de detetives. Mas, sendo o gênio que é, ele resolveu ir mais além, e criou uma historia de detetive que foge dos padrões.

À primeira vista, a série parece uma das inúmeras series policiais que vemos por aí, mas, a medida que a historia avança, já nos primeiros capítulos, fica claro que a situação não é bem assim. O monstro utilizado por King é um dos mais enigmáticos que já vi em uma obra sua – até mais enigmático que Pennywise, o Palhaço Dançarino! Novamente, não sei como o autor abordou a criatura no livro, mas aqui, eles o fizeram que forma interessante. Isso porque o monstro em si, quase nunca aparece, apenas as metamorfoses que sofre ao longo da trama e os efeitos físicos que suas vitimas sofrem.

Esse é um dos destaques da série. A equipe optou por utilizar efeitos práticos de maquiagem, utilizando efeitos digitais somente em casos extremos, e mesmo assim, não estragaram a experiência. A maquiagem é muito boa e chega a dar nos nervos.

A estética também é muito boa. A fotografia não é carregada de filtros, principalmente nas cenas noturnas, o que dá um ar mais natural para as cenas; a edição não é confusa, como acontece em muitos filmes e algumas series atuais; e o design de produção também acerta. O elenco também foi um acerto, principalmente o ator Jason Bateman, que aparece nos dois primeiros episódios.

Todos os episódios foram muito bem escritos e dirigidos e atuados, e seguem a linha narrativa, sem apelar para muitos flashbacks. A única vez que um flashback foi utilizado foi no penúltimo episodio, que mostrou a destruição da uma caverna que serviu para a conclusão da historia.

Enfim, The Outsider é uma das melhores adaptações de Stephen King desse primeiro semestre.

Uma série tensa, assustadora, cheia de mistérios. Muito bem feita, roteirizada, atuada e dirigida. Uma historia redonda, sem pontas soltas, que não apela para sustos falsos.



Acesse também:
https://livrosfilmesdehorror.home.blog/


DOM CASMURRO (Machado de Assis).


NOTA: 9.5



DOM CASMURRO
Capitu traiu Bentinho?

Essa é a pergunta que todos nós, que já lemos o livro de Machado de Assis alguma vez na vida, sempre fazemos. Qual o objetivo do autor ao escrever essa obra? Bem, eu sinceramente não sei. O que eu sei é que até hoje, DOM CASMURRO é motivo de discussões.

Mas é só isso que faz deste um livro fascinante? Não. Na minha segunda excursão à ele, pude perceber que é muito mais do que um livro aberto a sugestões. É um dos melhores e mais divertidos livros que já li. A primeira vez que tive contato com ele foi durante a época da escola, quando resolvi encarar alguns clássicos da nossa literatura para o Vestibular. Dos poucos livros que li, a única experiência negativa foi com A Cidade e as Serras, do autor Eça de Queirós. O resto foi muito bem, e este aqui é um deles. Eu gostei da experiência, e ao contrario do que possa parecer, não achei um livro chato e ultrapassado; pelo contrario, foi uma leitura prazerosa.

E a sensação se repetiu nessa releitura, feita mais de dez anos depois, inspirada, curiosamente, pela novela Bom Sucesso, da Rede Globo. Curioso, não? Na verdade, eu já tentei reler o livro em outra ocasião, mas, provavelmente por causa da edição, não consegui concluir, então deixei de lado. Somente depois de ver o livro sendo mencionado na novela, é que resolvi dar outra chance a ele, desta vez em outra edição. E não deu outra.

Eu me diverti muito durante a leitura, principalmente quando Bentinho relata sua infância ao lado da família. O modo como ele os descreve é muito engraçado, como se todos fossem personagens de alguma comédia, principalmente o agregado José Dias, que vive com eles. O sujeito é um verdadeiro cara de pau em todas as suas ações, e parece não ter vergonha nenhuma. É o tipo de personagem que a gente se pega rindo quando lê o que ele faz, e foi justamente assim que me senti; tive vontade de rir sempre que lia alguma linha de diálogo. A mãe de Bentinho também não fica atrás. Sem duvida, a melhor característica dela é o fato de não desistir da promessa que fizera quando o filho nasceu: ele iria para o seminário. É o tipo de insistência que chega a ser engraçada de certa forma, porque, conforme Bentinho narra, isso o coloca em diversas confusões, principalmente por causa da sua vizinha, Capitu, que também se torna seu primeiro e único amor. Não sei as outras pessoas que já leram o livro, mas, para mim, essa historia não me parece um romance e sim uma comédia romântica dramática.

A respeito da escrita do autor, digo o seguinte. É um livro muito bem escrito. Não tive muitos problemas durante a leitura, e consegui visualizar as cenas sem problemas, principalmente as cenas da infância do protagonista. Ainda não tive acesso aos outros textos de Machado de Assis, mas imagino que sejam tão bem escritos quanto este. A leitura do livro também foi rápida.

Bom, vamos à principal questão da obra. Capitu traiu Bentinho, ou tudo não passou de imaginação dele? Eu sinceramente, não sei responder. Não me lembro a que conclusão cheguei após a leitura que fiz no passado, mas após essa releitura, tudo que posso dizer é: não sei a resposta. E olha que, em certo trecho, há certa “pista” de uma possível traição; mas, mesmo após esse trecho – e antes dele até – , fica difícil confiar na palavra do Bentinho, porque Capitu sempre se mostrou muito apaixonada por ele, desde a infância. Fica a dúvida.

Esse também foi o melhor momento da leitura em minha opinião, o namoro de Capitu e Bentinho. É o típico amor de juventude, onde tudo é maravilhoso e divertido e novo. Em vários momentos, pareceu que eu tinha voltado à minha própria juventude e estava vivendo o mesmo tipo de amor – sensação essa que já havia sentido em Memórias de um Sargento de Milícias, outro clássico da literatura brasileira, e um dos meus livros favoritos.

Alias, como mencionado acima, a tal promessa da mãe do Bentinho leva o protagonista a uma serie de confusões, principalmente por causa do romance dele com Capitu. Em um dos capítulos mais engraçados, ela arma um “plano” para ajudar Bentinho a fugir da promessa, mas dá tudo errado. E essas confusões vão aumentado ao longo do livro, o que torna a leitura muito mais prazerosa.

Existem também outras cenas cômicas no livro, como por exemplo, um sonho onde Bentinho se imagina matando Capitu; ou então, quando ele pondera se deveria ou não acabar com a própria vida, em virtude de suas desconfianças... Mas existem também momentos dramáticos, principalmente no final, quando o personagem conclui sua narrativa, completamente sozinho. Não chegam a ser momentos dignos de nó na garganta, mas, servem quase como um castigo para Bentinho, por duvidar da fidelidade da esposa. Talvez.

Mas, a pergunta que fica é: Machado de Assis deixou a resposta escondida em algum lugar do livro, ou seu objetivo era mesmo fazer o leitor tirar suas próprias conclusões? Acredito que jamais saberemos.

Enfim, o fato é que Dom Casmurro é um dos maiores clássicos da literatura brasileira; um livro que até hoje gera discussões e é motivo de estudos, tanto no Brasil, como no exterior.

Um livro muito bem escrito. Uma historia romântica e divertida, com personagens memoráveis. Um clássico da literatura brasileira. Divertido. Excelente.

Altamente recomendado.

E para concluir, uma ultima pergunta. Capitu traiu Bentinho?




terça-feira, 10 de março de 2020

NOTA.










No último domingo (8/mar), o ator franco-sueco Max von Sydow, nos deixou. A notícia foi confirmada por sua esposa.



Com uma carreira de mais de 100 filmes, von Sydow era um dos maiores atores de todos os tempos, tendo atuado em clássicos como O Sétimo Selo, de Ingmar Bergman, com quem trabalhou em outros 9 filmes, e O Exorcista, um dos maiores clássicos do terror.



Seus outros trabalhos incluem Minority Report, de Steven Spielberg, Ilha do Medo, de Martin Scorsese, e A Maior História de Todos os Tempos, onde interpretou Jesus Cristo.



O Sétimo Selo contém uma das cenas mais memoráveis de todos os tempos: o jogo de Xadrez entre Antonius Block e a Morte, que acontece na praia; já a chegada do Padre Merrin a casa de Regan MacNeill, em O Exorcista, é uma cenas mais icônicas do cinema.



Um dos maiores atores de todos os tempos, Max von Sydow será sempre lembrando por suas inesquecíveis atuações.


Fica aqui a homenagem do Livros & Filmes de Horror à MAX VON SYDOW.




sábado, 8 de fevereiro de 2020

A COMPANHIA DOS LOBOS (1984). Dir.: Neil Jordan.


NOTA: 10



A COMPANHIA DOS LOBOS (1984)
A COMPANHIA DOS LOBOS é um filme lindo! Lançado em 1984, é a segunda aventura de Neil Jordan na direção; dois anos antes, ele estreou no cinema com Angel, O Anjo da Vingança, onde também iniciou sua parceria com o ator Stephen Rea, que se tornaria seu colaborador recorrente.

À primeira vista, o filme parece uma versão adulta da historia da Chapeuzinho Vermelho, devido às semelhanças da narrativa com o conto original. Na verdade, o filme é uma adaptação de uma historia da escritora Angela Carter, que trabalhou no roteiro ao lado do diretor. Apesar de fazer parte do gênero terror, eu pessoalmente, classifico o filme como uma obra de fantasia. E assistindo, fica claro o motivo dessa classificação.

É um filme belíssimo, cheio de cores, sombras e luzes, mas, principalmente, sombras. Além disso, é um verdadeiro filme de terror gótico, com tudo que tem direito. Claro, não chega aos pés de um filme do Maestro Mario Bava, mas, possui alguns dos elementos presentes no gênero. Sem duvida, o mais evidente é a floresta envolta em névoas, presente em algumas cenas; outros elementos também aparecem, como o próprio visual da pequena igreja da vila e o cemitério com as lapides inclinadas.

Não só isso. É um filme de fantasia na melhor concepção da palavra. Jordan deu a ele um aspecto de sonho mesmo, o que o deixa ainda mais bonito de se ver. E a cada revisão, ele fica melhor. Eu já sabia que o filme era maravilhoso, e após a ultima revisão, minha opinião não mudou. É o tipo de filme que prende a atenção do espectador, seja pela narrativa, pela fotografia, pelo design de produção... Enfim, tudo nele contribui para sua beleza.

Esse aspecto de sonho se deve muito ao orçamento limitado. Segundo o próprio diretor, ele encontrou dificuldades em trabalhar com o orçamento de que dispunha para criar o visual do filme; mesmo assim, o resultado ficou excelente, e deu ao longa um aspecto tanto fantasioso quanto claustrofóbico. Em vários momentos, os cenários são tão pequenos que parece os personagens vão ser esmagados por eles, ou então, dá a impressão de que eles estão, de fato, presos em um mundo de fantasia criado pela menina em seus sonhos. Não é o tipo de sensação que encontramos em muitos filmes de terror hoje em dia.

Então, A Companhia dos Lobos pode ser considerado somente como um filme de fantasia, e não como um filme de terror? Ao contrário. É um verdadeiro filme de terror. Apesar de classifica-lo mais como um filme de fantasia, eu admito que é, sim, um filme de terror. O terror está em dois pontos. O primeiro é a atmosfera. Conforme já mencionado, é um filme de terror gótico, e isso já o faz ser assustador. Existem cenas que provocam arrepios na espinha. Uma delas acontece no inicio do filme, quando a irmã da protagonista é atacada e morta por um bando de lobos. Além de contar com aspecto de pesadelo, a cena conta com efeitos especiais convincentes, que deixam-na mais arrepiante; um deles é o bonequinho que ganha vida e corre atrás da garota, antes de ser derrubado por ela. A fotografia também é um elemento-chave. As cenas noturnas são verdadeiramente arrepiantes e sombrias, e passam a sensação de insegurança. Realmente, eu não queria me aventurar naquela floresta depois do escurecer. As árvores estão mortas, sem folhas, com galhos secos e retorcidos, semelhantes a garras, e parece que vão nos agarrar e nos engolir. É tudo muito bem feito.

Outro ponto são os efeitos especiais. Mesmo para a época, são muito bons e convencem sem esforço. A primeira grande cena é justamente a primeira cena de transformação. É uma cena assumidamente sangrenta, com efeitos práticos muito bem executados. Desde a primeira vez que a vi, fiquei impressionado porque é realmente uma cena bem feita. Parece que de fato, o ator Stephen Rea está se transformando em lobo – uma transformação visceral, diga-se de passagem – arrancando sua pele, expondo seus músculos cobertos de sangue, enquanto seu rosto e seu corpo se modificam, até atingirem a forma completa de um lobo. A última cena de transformação também é excelente – inclusive, é a melhor cena do filme. Ao contrario da primeira, ela não possui litros de sangue, mas consegue ser mais violenta, devido à performance do ator Micha Bergese. Para os mais exigentes, talvez essas cenas pareçam falsas, mas, para mim, é exatamente o contrario. São muito melhores do que qualquer efeito digital de hoje.

O elenco é também um ponto a favor. Todos, sem exceção, entregam atuações muito boas e convincentes. Parece mesmo que aquelas pessoas são reais e vivem naquela época. Inclusive, alguns até entregam atuações que beiram ao cômico, como por exemplo, o ator que interpreta o garoto apaixonado por Rosaleen. Logo na sua primeira cena, no funeral, ele mostra a língua para a menina e leva um peteleco da mãe. É muito engraçada. O garoto é um completo palhaço, sempre tentando conquistar Rosaleen, seja por meio de presentes ou usando um passeio na floresta depois da missa. Mas suas investidas mostram-se fracassadas. Difícil assistir e não rir. Mas a melhor cena acontece quando ele chega correndo na vila, avisando que há um lobo nas redondezas. O pai da menina, assustado por não vê-la, dá-lhe uma surra, que se transforma em uma briga coletiva, com direito a socos, empurrões e banhos de água. Hilário. Difícil assistir e não dar risada.

Mas, apesar das atuações convincentes, quem rouba a cena são os veteranos Angela Landsbury e David Warner, que interpretam a avó e o pai de Rosaleen. Dona de uma respeitável carreira no cinema e o teatro, ela dá um show interpretando a Vovó, oscilando entre o cômico e o sério. De verdade. É a típica avó que cuida da netinha e lhe passa lições de vida, além de contar suas historias de feras que vivem na floresta. A melhor cena é quando ela o padre discutem no pátio da igreja após o mesmo atingi-la na cabeça com um galho que acabou de podar. Uma discussão muito engraçada, que fica melhor toda vez que revejo o filme. David Warner também não decepciona. Assim como Landsbury, ele também parece um pai verdadeiro, disposto a proteger e cuidar da família. E o melhor é que o ator convence muito como um típico pai de vilarejo do século XVIII. Na verdade, a atriz que interpreta a mãe de Rosaleen também convence.

No entanto, quem dá coração ao filme é a atriz Sarah Patterson, fazendo sua estreia no cinema. Ela entrega uma atuação espetacular. Sua Rosaleen é a própria imagem da inocência juvenil: ingênua, mas inteligente, ela vive em um mundo de fantasia, e não tem medo dos possíveis perigos que vivem na floresta, nem mesmo quando encontra o Caçador. Além disso, ela ficou perfeita na caracterização da Chapeuzinho Vermelho, fugindo da imagem clássica da personagem – loira de olhos azuis. Difícil dizer qual a melhor cena. Ao que parece, ela era muito mais jovem do que as outras atrizes que o diretor de elenco procurava, além do fato de que ela não poderia compreender os temas adultos presentes na narrativa. Mas o importante é que ela conseguiu entregar uma excelente atuação, e criou uma das melhores personagens do horror dos anos 80.

Além de ser um filme de lobisomens, A Companhia dos Lobos é também uma antologia. Mas não é típica antologia, que começa com a primeira historia e vai passando para as outras. Aqui, a antologia se desenrola por meio das historias que a Vovó conta para Rosaleen. E não são uma seguida da outra. Ocorre um período de tempo entre uma historia e outra, o que deixa o filme mais interessante, e às vezes, faz com que esqueçamos que estamos diante de uma antologia. E não é apenas a Vovó conta historias. Rosaleen também suas próprias historias para contar, e são tão assustadoras quanto as da Vovó. Difícil dizer qual a melhor, mas a minha favorita é a ultima, que acontece no final do filme.

E além de ser um filme de lobisomens e uma antologia, o filme também é uma historia de amadurecimento e despertar sexual, representados pela própria Rosaleen. É possível perceber o quanto ela amadurece durante o filme, seja por meio das historias de sua avó, seja por conta própria. É impressionante a transformação da personagem, de uma garotinha a uma adolescente prestes a descobrir o sexo. Um desses momentos acontece quando ela ouve os pais fazendo sexo à noite, e no dia seguinte questiona a mãe o que aconteceu entre eles. Não sei vocês, mas para mim, isso mostra o quão crescida a menina está. Mas sem duvida, o verdadeiro despertar acontece quando ela encontra o Caçador na casa da Vovó. Mesmo não contendo nada explicito – até porque não poderia – a sequencia é carregada de conteúdo erótico, representado pela figura sedutora do Caçador. Além disso, dá ênfase à historia original da Chapeuzinho, que diziam, era repleta de conteúdo adulto, envolvendo até pedofilia, canibalismo e zoofilia.

Mas nada disso impede A Companhia dos Lobos de ser um conto de fadas. Como já mencionado, o filme possui um aspecto de sonho e fantasia, que e chega até ser meio infantil. Um dos motivos é o fato de que foi todo filmado em estúdio, provavelmente pelo orçamento limitado. Mas nada disso é um defeito. Os cenários parecem verdadeiros e são muito bem feitos. Outra limitação orçamentaria é o fato de o diretor utilizar pastores-belga para simular os lobos, uma vez que o roteiro pedia a presença de mais lobos. Mas isso também não é um empecilho. Eu consigo imaginar aqueles cachorros como se fossem lobos, sem o menor problema, principalmente por causa da sua aparência. Lobos de verdade só aparecem algumas vezes no filme, e por poucos minutos. Mas como já disse, não faz a menor diferença; o importante é que convence muito bem e sem esforço.

E qual a minha cena favorita? Bom, não posso dizer, porque acontece no final do filme, então seria um spoiler. Só digo que é belíssima, e que servirá de inspiração para mim no futuro.

A Companhia dos Lobos foi lançado em Setembro de 1984, e foi recebido com criticas positivas, apesar de não ter tido uma boa bilheteria. Além de receber criticas positivas, o filme recebeu vários prêmios ao redor do mundo. No Brasil, foi lançado em Julho de 1987. Não sei se chegou a ser lançado em VHS por aqui, mas foi lançado em DVD, numa edição de banca. Atualmente, está fora de catálogo. Lá fora, já foi lançado em Blu-ray, em belíssima versão restaurada. 

Sobre o lançamento nos cinemas americanos, uma curiosidade: o filme foi distribuído pela Cannon Group, que o divulgou como um filme de terror, contraria à intenção do diretor Neil Jordan, que acreditava que tal intenção seria enganosa.

Conforme mencionei na resenha de Grito de Horror, A Companhia dos Lobos faz parte de uma “trilogia” de filmes de lobisomens lançados nos anos 80. Na verdade, outros exemplares do gênero também foram lançados nessa época, mas sem duvida, os mais memoráveis são: Grito de Horror, Um Lobisomem Americano em Londres e A Companhia dos Lobos, que em minha opinião, é o melhor deles.

Enfim, A Companhia dos Lobos é um filme belíssimo. Um filme de terror gótico com elementos de fantasia. Um dos melhores filmes de lobisomens de todos os tempos.

Maravilhoso.

Altamente recomendado.



"Little girls, this seems to say
Never stop upon your way
Never trust a stranger friend
No one knows how it will end
As you're pretty, so be wise
Wolves may lurk in every guise
Now as then, 'tis simple truth
Sweetest tongue has sharpest tooth."









Acesse também:


quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

NOTA.












Faleceu hoje, aos 103 anos, o ator Kirk Douglas, pai do ator Michael Douglas. A notícia foi dada pelo ator.

Dono de uma carreira de quase 80 filmes, Kirk Douglas era um dos últimos membros da Era de Ouro de Hollywood. Nascido em Nova York, começou sua carreira no teatro, e na década de 40, esteve na Broadway. Na mesma época, alistou-se na Marinha.

No cinema, o ator teve sua primeira indicação ao Oscar em 1949, pelo filme O Invencível, um clássico do cinema noir, considerado uma de suas melhores atuações.

Nos anos seguintes, continuou a trabalhar em muitos filmes, até que, em 1960, estrelou o épico Spartacus, dirigido por Stanley Kubrick. Até o hoje, o ator era lembrado pelo papel. Anteriormente, havia trabalhado com Kubrick em Glória Feita de Sangue (1957).

Em 1956, interpretou o pintor Vincent van Gogh no excelente Sede de Viver, de Vincente Minelli, onde atuou ao lado de Anthony Quinn.

Seus outros filmes incluem Ninho de Cobras (1970), ao lado de Henry Fonda; A Montanha dos Sete Abutres (1951), de Billy Wilder; Estranha Fascinação (1948), com Burt Lancaster; A Cidade dos Desiludidos (1962), também de Vincente Minelli, com Edward G. Robinson; O Rio da Aventura (1952), de Howard Hawks; Assim Estava Escrito (1952), também de Vincente Minelli; Vinkings, os Conquistadores (1958), de Richard Fleischer; Ulysses (1954), de Mario Camerini e Mario Bava, entre outros.

Outro de seus grandes trabalhos foi em 20.000 Léguas Submarinas (1954), também de Richard Fleischer, produzido pelos estúdios Disney, onde interpretou o heroico arpoador Ned Land. O ator dividiu a tela com outros grandes nomes, como Paul Lukas, Peter Lorre, e James Mason, que interpretou o Capitão Nemo. O filme levou dois Oscars em 1955, por Melhor Direção de Arte e Melhores Efeitos Visuais.

Nos anos 70, tentou levar o livro Um Estranho no Ninho para o cinema, com a esperança de interpretar o papel principal. O ator esteve na adaptação da Broadway. Michael Douglas acabou produzindo a adaptação para o cinema, dirigida por Milos Forman, e estrelada por Jack Nicholson, lançada em 1975. O filme levou o Oscar de Melhor Filme em 1976, além de outros prêmios.  

Foi um grande amigo do ator Karl Malden (1912-2009), que esteve em Streets of San Francisco, com Michael Douglas.

Apesar de nunca ter levado um Oscar de Melhor Ator, acabou levando um Oscar Honorário em 1996, e um premio do AFI: Life Achievement Award em 1987. Recebeu também o premio Cecille B. DeMille, e três indicações em Emmy. Em 2009, prestigiou o filho Michael na premiação do AFI, onde mostrou todo o orgulho que sentia dele.

Uma de suas ultimas aparições publicas ocorreu na premiação do Oscar em 2011, quando anunciou o premio de Melhor Atriz Coadjuvante. A atriz Melissa Leo levou o premio por sua atuação em O Lutador. Foi o grande momento da controversa premiação de 2011. A cerimonia do Oscar de 1958, cantou a canção “It’s Great Not to be Nominated”, ao lado de Burt Lancaster, uma performance muito divertida.

Também foi Embaixador da Boa Vontade dos EUA desde 1960, e, ao lado de sua atual esposa, fundou a “Harry’s Heaven”, para tratamento do Alzheimer.

Uma lenda de Hollywood, Kirk Douglas sempre será lembrado como um dos maiores atores de todos os tempos.

Fica aqui a homenagem do Livros & Filmes de Horror à Kirk Douglas.





Agradecimentos: Uol Entretenimento. 





segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

AVISO!












O LIVROS & FILMES DE HORROR está em recesso.

Novas resenhas a partir de Fevereiro/2020.

Obrigado.



sábado, 23 de novembro de 2019

A LENDA DO CAVALEIRO SEM CABEÇA (1999). Dir.: Tim Burton.


NOTA: 10



A LENDA DO CAVALEIRO SEM CABEÇA 
(1999)
A LENDA DO CAVALEIRO SEM CABEÇA é um filme belíssimo! É um dos meus filmes favoritos do diretor Tim Burton – o primeiro é Marte Ataca! (1996) – e sem duvida, um dos seus melhores – aliás, nenhum filme do Tim Burton é ruim, e ponto! Não digo isso só porque sou fã, mas porque é verdade.

Eu tive o prazer de ver esse filme no cinema com a minha família duas vezes, a primeira na semana da estreia, e outra no ultimo dia, e adorei. Foi uma das melhores experiências da minha vida, porque a historia original de Washington Irving faz parte da minha vida desde sempre, principalmente por causa da maravilhosa animação da Disney. Aliás, por anos, foi a única versão que eu conhecia, e quando soube que iria acontecer, fiquei muito animado. Eu queria ver esse filme! E minha mãe compartilhava esse sentimento, porque, uns dias antes, ela me acordou de madrugada para assistir a um especial sobre ele na TV, e eu adorei, e a minha vontade de assistir aumentou. E quando fomos ao cinema, fomos pegos de surpresa pela primeira cena, com o cocheiro decapitado. Sem duvida, uma das melhores apresentações de um filme. E o resto da sessão correu muito bem, com as surpresas surgindo a cada momento. E quando fomos novamente para o cinema, a sensação não mudou. E continua assim até hoje.

É o tipo de filme que não fica chato quando assistimos; pelo contrario, fica melhor a cada vez. E isso se deve à genialidade de Tim Burton. Desde que o descobri com Marte Ataca!, lançado três anos antes, eu me apaixonei, e essa paixão dura até hoje. Tim Burton é o meu cineasta favorito, e é o diretor que me inspira a querer fazer filmes, da mesma forma que os filmes de terror que ele assistia na infância também o inspiraram. E aqui, ele presta diversas homenagens a esses filmes.

Burton cresceu assistindo aos filmes de Roger Corman com Vincent Price, seu ídolo maior, além das produções da Hammer com Christopher Lee, e outros. Na minha opinião, infância melhor não há. Nada melhor do que assistir aos filmes que você gosta, com os atores e diretores que você gosta, e acabar se inspirando neles no futuro. Afirmo, sem medo, que Tim Burton é a minha inspiração.

Nada em A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça é ruim. A fotografia em preto e branco é linda; a direção de arte, impecável; o figurino, belíssimo; a maquiagem, incrível... Tudo é lindo. E é possível ver o quanto Burton é um cineasta excepcional. Sua direção é madura e correta, com todos os detalhes em ordem, do jeito que deveriam estar, tudo feito da maneira que ele sabe fazer.

Com certeza a paixão do cineasta pelo material é um dos fatores a favor do filme. Burton conhecia a historia desde pequeno, através da animação da Disney, e para ele, havia algo de extraordinário na figura de um Cavaleiro Sem Cabeça, correndo a cavalo pela floresta com a espada e a abobora nas mãos. E dá para ver que ele levou isso para o filme. Em vários momentos, a animação da Disney está presente, principalmente nas cenas envolvendo o Cavaleiro. Sério. Parece que Burton pegou a animação e literalmente a transformou em um filme live-action, porque é tudo muito parecido! Não apenas as cenas envolvendo o Cavaleiro, mas a cena da ponte também. A própria ponte que divide o lugarejo de Sleepy Hollow em dois, é idêntica à ponte da animação; foi inclusive uma das coisas que me chamou atenção no cinema. E as homenagens não param por aí.

Além disso, o clima soturno da animação também está presente no filme, principalmente nas cenas noturnas. Um exemplo é a cena de exumação no cemitério. Parece a abertura da animação, com as lapides inclinadas diante da igreja. Muito bem feita. E claro, a sequencia da floresta também remete ao filme da Disney, até porque, a sequencia de perseguição entre Ichabod e o Cavaleiro já era soturna e assustadora; e aqui, Burton recria essa sensação.

Mas claro, além de prestar homenagens aos filmes de sua infância, Burton também homenageia a historia original de Irving, apesar das inúmeras diferenças. A mais evidente, para mim, é a Fazenda Van Tassel. Em vários momentos, Irving descreve a casa de Baltus Van Tassel como um enorme castelo, e aqui, isso foi reproduzido com fidelidade. A casa parece mesmo um castelo; na verdade, parece um castelo de historias de fantasmas; todo imponente, que pode ser visto do topo da colina... Uma construção arrepiante. O próprio lugarejo de Sleepy Hollow também passa essa impressão. Uma pequena comunidade no meio do campo, praticamente isolada do mundo, com animais como vacas, ovelhas e gansos correndo ao ar livre. Um lugar bonito, mas com uma atmosfera assustadora. E claro, o cavalo de Ichabod Crane, Pólvora. Mesmo com pouca presença na historia, ele não poderia faltar, até porque, é o companheiro do professor no clímax. E toda a descrição desajeitada de Ichabod como cavaleiro também aparece, porque, simplesmente, não poderia faltar. É uma das principais características da historia original. Alguns dos personagens também são reflexos da historia original. Ichabod é um covarde, cheio de frescuras; Katrina é doce, amável e sensível; Brom Bones é o valentão que tenta passar a perna em Ichabod; Baltus é o fazendeiro rico; e o próprio Cavaleiro é o espirito dominante da região, que mete medo nos habitantes do lugarejo. Enfim, tudo que aparecia na historia aparece aqui, de maneira excepcional e perfeita.

Com certeza, um dos pontos principais da historia original, é quem era o Cavaleiro Sem Cabeça e como ele perdeu sua cabeça. Aqui, isso é apresentado. O Cavaleiro é um soldado hessiano que lutava em uma batalha nos arredores de Sleepy Hollow. A única coisa que mudaram foi o modo como ele perdeu a cabeça: na historia de Irving, ele é decapitado por uma bola de canhão; aqui é diferente. A cena do flashback é uma das melhores, mostrando o Cavaleiro em toda sua fúria, decapitando e trucidando soldados. Muito bem feita, bem dirigida e atuada. Sangrenta e arrepiante.

Aliás, posso dizer que A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça marca uma espécie de nova fase para o diretor Tim Burton. No inicio de sua carreira, ele fazia filmes com um tom mais família, quase sem nenhum sangue ou violência. Aqui, ele já muda de figura. O filme é repleto de cenas sangrentas, com destaque para as decapitações. Dizem que os responsáveis pela censura acharam as cenas tão pesadas que classificaram o filme para maiores; aqui no Brasil, recebeu classificação “18 anos”, o que gerou problemas para quem foi assistir no cinema. Hoje em dia, talvez as cenas não sejam tão pesadas assim, mas na época, era compreensível. Não me lembro de ver um filme do diretor anterior a esse com essa pegada. O próprio Burton inclusive optou por não cortar as cenas de decapitação. E ao que parece, o diretor seguiu essa nova linha, porque Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet (2007) é carregado de cenas sangrentas, por causa do conteúdo original. E mesmo assim, não parece que foi dirigido por outro cineasta. Incrível.

O elenco é também um dos pontos altos. Em sua terceira colaboração com Burton, Johnny Depp está perfeito como Ichabod Crane. Também fã da animação da Disney, ele conseguiu representar o personagem de maneira crível e divertida. Suas cenas de desmaios são muito engraçadas e servem muito bem para quebrar a tensão após uma cena assustadora. Em uma entrevista, Depp declarou que chegou a cogitar a hipótese de usar próteses para ficar mais parecido com o Ichabod Crane da animação, o verdadeiro Ichabod Crane. Sinceramente, achei que foi muito bom que isso não aconteceu porque só existe um Ichabod Crane alto, extremamente magro, com uma cabeça pequena e chata em cima, e nariz comprido, que parece uma das pontas de um cata-vento preso ao seu fino pescoço. E esse Ichabod Crane é o Ichabod Crane da Disney. Ponto! No entanto, as melhores atuações são de Christina Ricci e Christopher Walken. A atriz interpreta Katrina Van Tassel com uma delicadeza e uma beleza impressionantes. Parece que ela assume a personagem, de tão perfeita que é sua atuação. Sem duvida, ela soube traduzir a personagem melhor do que ninguém. Belíssima. Já Christopher Walken está assustador no papel do Cavaleiro Sem Cabeça. Mesmo não aparecendo muito, sua presença é marcante, e dá um ar maligno ao personagem. O Cavaleiro também foi interpretado pelo dublê Ray Park no restante do filme, quando vemos o personagem sem sua cabeça. Outro dublê também deu vida ao Cavaleiro nas cenas de montaria. Mesmo assim, nenhum deles consegue superar Walken. O restante do elenco também está muito bem em suas performances, e não parecem caricatos em momento nenhum.

Como mencionado, A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça é repleto de homenagens aos filmes que Burton assistia na infância. A começar pelos clássicos da Hammer, estúdio de cinema britânico responsável pelos maiores filmes do gênero nos anos 50, 60 e 70. O filme tem todo um aspecto da Hammer, com suas cores escuras, sangue pulsante e ambientação gótica. Lembra muito os primeiros filmes coloridos do estúdio, como os filmes do Drácula, estrelados por Christopher Lee. Aliás, a presença do ator é uma das maiores homenagens ao estúdio. Christopher Lee era um dos ídolos de Burton, ao lado de Vincent Price, e sua presença é impactante. O ator aparece por poucos minutos, mas valem a pena. A presença dele é imponente, que inspira e exige respeito de quem está ali. Burton até menciona nos comentários que todos da equipe pararam para prestar a atenção no ator, dada a sua magnitude. Em outra cena, Burton cita suas inspirações também em Roger Corman e em Mario Bava. Novamente, a fotografia e a ambientação contribuem. Além de lembrar os filmes da Hammer, o filme também lembra os filmes do Ciclo Edgar Allan Poe, estrelados por Vincent Price, que Corman dirigiu nos anos 60. Eu já tive o prazer de assistir alguns dos filmes do Ciclo Edgar Allan Poe, e posso dizer que a semelhança é impressionante. A floresta assombrada parece muito com as florestas dos filmes de Corman. Aliás, um detalhe. A cena de investigação de Ichabod na floresta possui uma das melhores tomadas do cinema de horror. O investigador avista uma estranha figura branca andando por entre as arvores retorcidas e decide ver o que é; para mim, é uma bela cena de floresta mal-assombrada, e com certeza, vai servir de inspiração no futuro. Mas, voltando, parece mesmo que eu estava vendo um filme de Roger Corman, e parecia que Vincent Price iria aparecer a qualquer momento. A inspiração em Mario Bava também é evidente. A cena em que Ichabod é perseguido por um falso Cavaleiro Sem Cabeça lembra muito as cenas de A Máscara de Satã (1960) e As Três Máscaras do Terror (1963); além disso, existem também duas outras homenagens ao filme de estreia de Bava, todas muito bem feitas e respeitosas. Existe também uma homenagem ao Clássico Frankenstein (1931), estrelado por Boris Karloff: a cena do moinho. Burton já declarou que sua primeira lembrança de moinhos veio do filme de James Whale, e assim como as homenagens à Bava e Corman, ele a presta com todo o respeito que o filme merece. No entanto, além de homenagear seus filmes favoritos, o diretor também homenageia a si mesmo. Os espantalhos que aparecem no milharal no começo do filme lembram a fantasia de espantalho de Jack Skellington; o vestido que Katrina usa em determinada cena lembra a roupa de Beetlejuice; e as participações de seus ídolos, Christopher Lee e Michael Gough, remetem à presença de seu ídolo máximo em Vincent (1982) e em Edward Mãos-de-Tesoura (1990). 

A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça foi lançado em novembro de 1999 e tornou-se um sucesso de bilheteria. O filme marca a terceira colaboração entre Tim Burton e Johnny Depp, iniciada em 1990 com o inigualável Edward Mãos-de-Tesoura. Os dois trabalharam juntos novamente em Ed Wood (1994), cinebiografia do “pior diretor de todos os tempos”; A Fantástica Fábrica de Chocolates (2004); A Noiva-Cadáver (2005); Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet (2007); Alice no País das Maravilhas (2010) e Sombras da Noite (2012), baseado na série de TV “Dark Shadows”, de Dan Curtis.

Enfim, A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça é um filme maravilhoso. Um dos meus filmes favoritos. Uma historia de amor com elementos de suspense. Um verdadeiro conto de fadas. Excelente.









Acesse também:




AVISO.

  O LIVROS & FILMES DE HORROR está em recesso. Obrigado.