segunda-feira, 18 de março de 2024

AS LÁGRIMAS DE JENNIFER (1972). Dir: Giuliano Carnimeo.

 

NOTA: 8.5


Eu sou fã dos Gialli, principalmente dos exemplares tradicionais do gênero, com o assassino trajado com sobretudo e luvas.

 

AS LÁGRIMAS DE JENNIFER, lançado em 1972, com direção de Giuliano Carnimeo, é um desses exemplares, e um dos meus favoritos.

 

O filme é muito bem feito, com uma direção inspirada e um roteiro bem escrito, aliado a um elenco de peso, que atua muito bem.

 

Quando o longa foi lançado, no inicio dos anos 70, o gênero estava em seu auge, com diversos exemplares clássicos, desde os mais tradicionais, até as variações criativas, e este aqui pegou carona no movimento e acertou na mosca.

 

Primeiramente, Jennifer foi escrito por Ernesto Gastaldi, um dos grandes nomes do cinema popular italiano de gênero, e o roteirista acerta em cheio em sua narrativa, apostando no clima de suspense, com diversos suspeitos e cenas de morte criativas. Além disso, Gastaldi aposta principalmente no personagem Andrea, interpretado por George Hilton, como principal suspeito, visto que ele conhece o prédio onde os crimes aconteceram e tem aversão ao sangue, o que, segundo os policiais do filme, pode ser um motivo para torna-lo um assassino.

 

Aliado a esse roteiro, temos uma direção afiada de Carnimeo, que também aposta no clima de suspense, mas faz uso de ângulos e lentes criativas para contar sua história, ao mesmo tempo em que se mostra um ótimo diretor de atores, visto que nenhum membro do elenco está atuando de maneira exagerada ou caricata.

 

Conforme mencionei acima, o filme é um exemplar clássico do gênero, então, temos um assassino clássico também, com sua roupa e máscara pretas, além de uma máscara da mesma cor para esconder sua identidade, e uma faca característica. No entanto, apesar do figurino, aqui não temos um psicopata com luvas de couro pretas, pelo contrário; o criminoso utiliza luvas marrons de borracha, semelhantes àquelas luvas de cirurgião. Eu pessoalmente não vejo nenhum problema, porque, como eu mesmo já disse, sou um adepto do Giallo Tradicional, com o assassino de luvas, então, qualquer par de luvas é bem-vindo.

 

Além disso, temos outras características clássicas do gênero: a misoginia, a forte sexualidade, e a polícia ineficiente. Esta é a melhor coisa do filme, a polícia ineficiente, formada por um comissário viciado em selos e seu parceiro tapado. O parceiro tapado é o melhor personagem do filme, porque é exatamente isso que ele é. O personagem não é muito eficiente no seu trabalho e faz sempre cara de bobo. Eu me divirto com esses dois. E claro, não são eles quem resolvem o crime.

 

O filme foi produzido por Luciano Martino, irmão do diretor Sergio Martino, outro especialista no gênero. Provavelmente o maior fator que comprova que o filme foi produzido pelo irmão Martino, é a presença dos atores Edwige Fenech e George Hilton, que formavam grandes casais em diversos filmes do gênero. E aqui, eles não fazem feio, aparentemente repetindo os mesmos papéis que interpretaram em outros filmes. Hilton é sedutor e Edwige é sensual; e como de costume, os dois ficam juntos no decorrer da narrativa.

 

No entanto, apesar do roteiro afiado no suspense, existe um problema na narrativa. Em determinados momentos, Jennifer – personagem de Edwige – é assediada pelo ex-marido stalker, que está disposto a tudo para não perdê-la. Até aí, tudo bem, mas, eles fazem parte de um grupo que pratica o amor livre, e, do meu ponto de vista, a ideia desse grupo atrapalha o desenvolvimento da trama, visto que o mesmo grupo não tem muita relevância.

 

Mas, deixando esse problema de lado, Jennifer é um ótimo exemplar do Giallo, e um dos meus favoritos.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo, na coleção Giallo Vol.7, com áudio italiano, que conta com um depoimento de George Hilton como extra.

 

Enfim, As Lágrimas de Jennifer é um filme muito bom. Um Giallo clássico, com todos os elementos, contado de maneira ímpar, a partir de um roteiro afiado, aliado a uma direção criativa e um elenco de peso. Um filme que apresenta todos os elementos presentes no gênero, além de subverter alguns deles. Um filme que fica melhor e mais divertido a cada revisão. Um dos meus exemplares favoritos do gênero. 


Créditos: Versátil Home Vídeo.


sábado, 9 de março de 2024

MORGIANA (1972). Dir.: Juraj Herz.

 

NOTA: 8.5


O diretor Juraj Herz foi um dos cineastas mais criativos de todos os tempos, e seus filmes possuíam um toque experimental e assustador.

 

MORGIANA é outro filme do cineasta, e um dos mais assustadores que já vi, e motivos para isso não faltam.

 

Desde a primeira vez em que o assisti, fui tomado por uma sensação de pavor, misturada com desconforto e fascínio, tudo isso graças, principalmente, à sequência dos créditos iniciais, que é banhada com uma trilha sonora arrepiante, combinada a imagens desconcertantes. Eu confesso que toda vez que penso em assistir ao filme, eu fico com receio por causa dessa sequência inicial, mas logo tal sensação passa, e sou capaz de apreciar o longa, ainda que tenha que enfrentar certos momentos arrepiantes.

 

Além de ser um dos mais assustadores que já vi, o filme é também um dos mais impressionantes, graças às técnicas de direção de Herz, que faz uso de métodos criativos e bizarros para contar sua história, como por exemplo, o uso de lentes grande-angulares e distorção de cores.

 

Mas não é apenas a técnica de direção que deixa o filme belo; a direção de arte e o figurino também contribuem para isso, e nos fazem entrar naquele mundo gótico europeu do século XIX. Sempre que assisto ao filme, eu presto atenção a esses detalhes, porque eles me deixam ainda mais imerso na experiência.

 

Agora que já mencionei a qualidade técnica, deixe-me falar sobre seu elenco, com destaque para a atriz Iva Janzurová, que interpreta as gêmeas Klara e Viktoria. A atriz está excelente em seus papéis, e confesso que é difícil não imaginar se são duas mulheres diferentes dando vida àquelas personagens, visto o grau de diferença de atuação. Iva se transforma nas personagens de modo impressionante, e nós sentimos simpatia pelas duas irmãs, apesar de sabermos que Viktoria é perversa.

 

Sobre as irmãs, digo o seguinte. O filme é a clássica história do gêmeo bom e do gêmeo mal, e fica fácil saber qual das irmãs é a boa, e qual é a má. Viktoria é a gêmea má, e isso fica evidente logo em sua primeira cena. A personagem é excelente, sempre vestida de preto, com sua maquiagem e rosto pálido como papel. Klara é a gêmea boa, sempre vestida com roupas coloridas, com ar de ingenuidade e bondade presentes em sua personalidade.

 

Ainda sobre Viktoria, ela é a encarnação da maldade, praticando atos ruins apenas porque é malvada, prejudicando a todos ao seu redor e se mostrando gananciosa e disposta a tomar a parte da herança que Klara recebeu do pai. Ela é uma das melhores vilãs que já vi em um filme.

 

Klara, por outro lado, é doce e sensível, e acredita na bondade das pessoas. Por isso, quando ela é envenenada, nós sentimos pena dela, pois sabemos o que aconteceu e o motivo pelo qual aconteceu; o mesmo acontece quando ela passa a sofrer os efeitos do veneno, sendo acometida por visões terríveis e disformes. O maior problema disso tudo, é que ela é obrigada a ficar sob os cuidados de uma freira assustadora e severa.

 

A trilha sonora também é um ponto positivo para o filme. É difícil classificá-la com precisão, mas digo que é uma verdadeira trilha sonora de filme de terror, que provoca arrepios no espectador; pelo menos para mim é assim sempre que assisto ao filme.

 

O filme também é cheio de momentos arrepiantes, escuros e desconcertantes, e é difícil dizer qual é o mais arrepiante. O que todos têm em comum, é que todos são protagonizados por Viktoria, o que aumentam seus graus de maldade.

 

Segundo o diretor Herz, o filme foi encarado por ele como um exercício para ele não perder suas habilidades de direção, visto que foi proibido de exercer a profissão por motivos políticos.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo, na coleção Obras-Primas do Terror 14, dedicado ao terror europeu, com um depoimento do cineasta como extra.

 

Enfim, Morgiana é um filme muito bom. Um filme de terror com imagens e cenas arrepiantes, que prendem a atenção do espectador, e podem causar pesadelos sem o menor esforço. A atriz Iva Janzurová é o grande destaque, com sua atuação magistral, no papel das gêmeas Klara e Viktoria. Um filme verdadeiramente assustador, e um dos melhores filmes de terror do cinema europeu.


Créditos: Versátil Home Vídeo.


quinta-feira, 7 de março de 2024

TUBARÃO 4 – A VINGANÇA (1987). Dir.: Joseph Sargent.

 

NOTA: 5.5


Todos nós temos as nossas contas e boletos para pagar.

 

Acredito que essa é a melhor forma de definir TUBARÃO 4 – A VINGANÇA, lançado em 1987, com direção de Joseph Sargent, que contou com a participação do ator Michael Caine no elenco.

 

O filme é considerado um dos piores do mundo e também é o responsável pelo sepultamento da série, porque foi um fracasso de bilheteria.

 

Eu pessoalmente não o considero o pior filme do mundo, mas admito que o mesmo tem seus problemas.

 

A começar pela trama sem sentido de vingança, porque não fica claro quem está se vingando de quem; se é o tubarão que se vingando da família Brody; ou se é Ellen quem está vingando do tubarão... Isso nunca fica claro em momento nenhum do filme, e poderia ser mais explorado. Isso acontece na novelização do longa, que dá uma explicação ainda mais absurda para a trama de vingança.

 

O outro principal problema é a ausência dos envolvidos na série desde o primeiro filme, o que contribuiu para deixá-lo ainda mais deslocado. Não sei o motivo que levou os realizadores optarem por novos caminhos, mas o fato é que graças a isso, o filme meio que se torna um reboot, visto que ignora os eventos do filme anterior.

 

Essa ideia de reboot fica evidente na idade dos personagens, porque Sean é muito mais novo do que no filme anterior; o mesmo vale para seu irmão Michael. Além disso, a trama começa em Amity, novamente filmada em Martha’s Vineyard, e não faz nenhuma menção ao parque aquático e o emprego e a namorada de Michael. E temos aqui o retorno de Ellen, agora viúva, que acredita que o tubarão que matou Sean é descendente do tubarão que foi morto por Brody, e que está perseguindo sua família.

 

Após essa introdução em Amity, a trama se muda para as Bahamas, onde Michael vive com sua nova família. A ambientação é muito boa, e as locações são convidativas, com o sol e o calor sempre presentes, fazendo um contraste com o inverno em Amity.

 

A direção de Joseph Sargent até que é competente, e o diretor conseguiu arrancar boas performances do seu elenco; a única exceção é quando Lorraine Gary está triste pela morte do filho, e a atuação dela passa um pouco do limite, principalmente na cena da balsa.

 

Sem dúvida, o grande destaque do filme é a presença de Michael Caine, como o piloto Hougie, o interesse amoroso de Ellen. Impossível assistir a esse filme e não pensar que o ator tinha algumas contas para pagar e aceitou o papel por causa do dinheiro. O próprio ator admite que não se lembra do filme, mas se lembra da casa que comprou com o dinheiro que ganhou. Na época, ele havia sido indicado ao Oscar® de Melhor Ator Coadjuvante por Hannah e Suas Irmãs, levou o prêmio, e não pôde receber porque estava filmando este filme.

 

Outro grande problema do filme são os efeitos especiais. O tubarão não é convincente e é absolutamente inexpressivo. É até triste assistir ao Clássico de Spielberg e depois este, e ver como os efeitos decaíram fortemente. A única sequência boa na minha opinião, é quando o peixe persegue Michael dentro do navio e o filho de Ellen escapa utilizando o tanque de oxigênio de maneira inteligente. E as cenas de ataque são muito mal editadas e não fazem muito sentido.

 

Enfim, Tubarão 4 – A Vingança é um filme regular. Um filme com uma trama absurda, mas que é compensada pelo elenco carismático e uma direção competente. Os efeitos especiais não convencem e é possível perceber o quanto eles caíram em relação ao primeiro filme. Um encerramento sem inspiração para a série.



 

sexta-feira, 1 de março de 2024

UM DRINK NO INFERNO (1996). Dir.: Robert Rodriguez.

 

NOTA: 9.5


O primeiro filme de terror a gente nunca esquece, não é verdade? E quanto ao segundo?

 

Qual foi o segundo filme de terror que vocês assistiram? O meu foi UM DRINK NO INFERNO, um misto de ação, terror e crime, comandado pela dupla Quentin Tarantino e Robert Rodriguez.

 

Infelizmente, serei obrigado a dar spoilers aqui nessa resenha, senão, a mesma ficaria incompreensível.

 

Recado dado, vamos lá.

 

Para quem já conhece, o filme é dividido em duas partes bem diferentes.

 

Na primeira, acompanhamos uma trama de crime digna dos filmes de Tarantino, com os irmãos, Seth e Richard Gecko, dois criminosos que espalham o terror pelo país e sequestram uma família, com o objetivo de fugir para o México. Na segunda parte, acompanhamos os personagens em um bar de strip-tease que se revela um antro de vampiros sugadores de sangue.

 

Passada essa introdução, vamos falar sobre o filme como um todo.

 

A começar pela direção de Robert Rodriguez, que é muito boa, e o diretor consegue conduzir as duas partes da trama com maestria, e ambas acertam em cheio.

 

A primeira parte, conforme mencionada acima, lembra muito os filmes de ação do diretor Tarantino, com a temática de sequestro e assalto a lojas e bancos, com ângulos de câmera e diálogos que poderiam ter saído diretamente de um filme de Tarantino, assim como as cenas violência.

 

Já a segunda parte, se transforma em um filme completamente diferente, com um ar de trasheira, com cenas de mortes exageradas e sangrentas ao extremo, com o sangue jorrando sem parar logo após a introdução dos vampiros, e os personagens lutando contra as criaturas com tudo que encontram no local, como tacos de bilhar e as pernas das mesas.

 

E o roteiro de Tarantino é muito bom em combinar essas duas partes, e faz tudo com maestria. Na primeira metade, tudo acontece aos poucos, com a dupla de irmãos se organizando para fugir do país, enquanto mantêm uma mulher como refém, mas as coisas não acabam bem, e os dois são obrigados a sequestrar uma família para ajudá-los a fugir.  No entanto, quando chegamos na segunda metade, o terror surge com tudo, com direito a corpos decepados e sangue jorrando com gosto; mas, após o massacre inicial, o roteiro novamente aposta no slow-burn, até desencadear para novos momentos de terror.

 

Os efeitos especiais foram criados pela KNB Effects Group, de Robert Kurtzman, Greg Nicotero, e Howard Berger, e eles não economizaram. Aqui tem de tudo, de membros falsos, passando por bonecos animatrônicos, e fantasias de monstros. Esqueça os vampiros clássicos. Aqui, temos vampiros monstruosos, com rostos deformados, e presas afiadas. Difícil dizer qual é o melhor, porque todos são muito bem feitos, e, convencem muito até hoje, assim como os efeitos de sangue.

 

Deixe-me falar um pouco mais sobre os vampiros. Além do visual monstruoso, eles são inspirados nos vampiros clássicos, e seguem algumas regras, como, por exemplo, são derrotados pela luz do sol; estacas de madeira no coração e cruzes também funcionam; e se transformam em morcegos. No entanto, o que os torna diferentes, é que eles podem ingerir outras bebidas, conforme mostrado quando somos apresentados ao bar Twittie-Twister – não vou usar a tradução aqui, para não criar polêmicas.

 

No início da resenha, eu mencionei que este foi o meu segundo filme de terror, porque eu o assisti quando era criança com a minha mãe. Até assisti-lo novamente, anos depois, eu me lembrava de algumas cenas, e sempre que o revejo, e as cenas aparecem, sinto um quentinho no coração. Por isso, este filme tem um lugar especial na minha vida.

 

Enfim, Um Drink no Inferno é um filme excelente. Um filme de ação e terror, contado com maestria pela dupla Quentin Tarantino e Robert Rodriguez, com um roteiro bem afiado e direção inspirada. Os efeitos especiais são o grande destaque, com tudo que tem direito, e a KNB cria vampiros verdadeiramente assustadores. Altamente recomendado.



sábado, 17 de fevereiro de 2024

A FILHA DE SATÃ (1962). Dir.: Sidney Hayers.

 

NOTA: 8.5


Eu não assisti a muitos filmes de bruxaria, mas digo que A FILHA DE SATÃ é um dos melhores, e um dos meus filmes de terror favoritos.

 

Lançado em 1962, e distribuído nos Estados Unidos pela lendária American International Pictures, este é um filme com uma atmosfera sinistra que se predomina desde o começo e vai até o final, construída com uma grande maestria.

 

Desde a primeira vez que assisti a esse filme, fui tomado por uma sensação de nostalgia – mesmo não tendo vivido naquela época – e uma conexão com os filmes de horror produzidos na Inglaterra naquela época, principalmente aqueles produzidos pela lendária Hammer.

 

Em vários momentos, o filme lembra as produções contemporâneas da Hammer, principalmente por causa da atmosfera e da ambientação britânica.

 

Mas não é apenas a ambientação que torna esse um dos meus filmes de terror favoritos; o roteiro, escrito por Richard Matheson e Charles Beaumont, a partir de um conto de Fritz Leiber, é muito bom e aposta pouco a pouco na questão da bruxaria, deixando no inicio, um clima de mistério, principalmente a respeito da relação entre o casal de protagonistas e os personagens secundários, que os tratam de maneira diferente. No entanto, após descobrirmos que Tansy, esposa do professor Norman Taylor, é uma bruxa, o roteiro aposta a fundo no tema da bruxaria, com direito a feitiços e objetos sagrados.

 

Após revelar que Tansy é uma bruxa, o roteiro nos mostra o quão perigosa a vida do casal se torna, principalmente a vida de Norman, a começar pela falsa acusação de assedio por uma garota que o admirava nas salas de aula; em seguida, o namorado da garota o ameaça com um revolver. Eu gosto muito dessa primeira ameaça à vida de Norman porque remete a um filme de suspense passional.

 

Outra coisa muito boa que o roteiro faz é deixar em aberto até perto do final se o que está acontecendo ao casal é fruto de bruxaria ou não, e faz isso muito bem, porque deixa essa duvida no ar, até chegar ao final, quando a verdadeira vilã é revelada – não direi quem é para não dar spoilers.

 

Além do roteiro, a direção de Sidney Hayers é muito boa, e o cineasta arranca ótimas performances de seus atores, mesmo aqueles que interpretam papeis secundários. De todos os atores, o casal protagonista está muito bem aqui, principalmente o ator Peter Wyngarde, que interpreta o cético professor Norman. O ator convence muito bem, passando o ceticismo com naturalidade. Este é um dos melhores personagens do cinema de horror na minha opinião.

 

No seu país da origem, foi lançado com o título Night of the Eagle, que remete ao final do filme, quando a vilã faz uma bruxaria para atacar o protagonista e faz uma estatua de uma águia ganhar vida. Alias, as estatuas de águias são elementos importantes na narrativa, presentes desde a primeira cena, dando uma espécie de pressagio do que vai acontecer ao longo do filme.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo na coleção Obras-Primas do Terror 4, em versão restaurada.

 

Enfim, A Filha de Satã é um filme muito bom. Uma historia de bruxaria contada com maestria, aliada a um elenco inspirado. A ambientação inglesa também contribui para deixar o filme ainda melhor a cada revisão, além de deixar o longa mais nostálgico. Um dos melhores filmes de bruxaria de todos os tempos.


Créditos: Versátil Home Vídeo.


sábado, 10 de fevereiro de 2024

OS ZUMBIS DE SUGAR HILL (1974). Dir.: Paul Maslansky.

 

NOTA: 8.5


Acredito que de todas as criaturas que supostamente não existem, o zumbi seja a única de que fato é real, visto que nas ilhas do Haiti existem relatos de pessoas que voltaram dos mortos, graças a um pó especial criado por alto-sacerdotes do vodu.

 

Desde que surgiram, foram poucos os filmes de zumbi que exploraram a origem haitiana da criatura. OS ZUMBIS DE SUGAR HILL é um dos exemplos que abordaram a origem real dos monstros.

 

Lançado em 1974, produzido pela American International Picture, este é um dos exemplares do blaxploitation são voltados para o terror. Conforme mencionei na resenha de Blácula, o blaxploitation foi um movimento cinematográfico voltado para o publico negro, com filmes produzidos e estrelados por negros, muitos deles voltados para o gênero de ação ou policial.

 

Sugar Hill vai pelo lado contrario, e foca principalmente no terror, apesar de conter alguns elementos de filmes de máfia também.

 

Eu digo que este é um dos meus filmes de zumbi favoritos, principalmente por causa da atmosfera e do visual dos zumbis. Eu me divirto com o filme a cada revisão e as cenas dos zumbis são arrepiantes.

 

Este é um filme muito bem feito, com uma ótima direção e um roteiro afiado, que aposta na temática do vodu sem nenhum medo ou tabu. As cenas que envolvem a religião haitiana são assustadoras, porque os cineastas conseguiram criar a atmosfera com realismo impressionante, algo também visto em A Maldição dos Mortos-Vivos (1988), do saudoso Wes Craven.

 

Mas no fundo, Sugar Hill é um filme de vingança, com a protagonista resolvendo se vingar dos gangsteres que mataram seu namorado; no entanto, ao invés que utilizar métodos convencionais, Sugar recorre a uma feiticeira vodu e ao Barão Samedi – figura presente nas lendas vodu – e a um exercito de zumbis para executar sua vingança, executando os capangas do vilão com requintes de crueldade.

 

O vilão é interpretado pelo ator Robert Quarry, figura conhecida nos filmes da A.I.P, famoso por seu papel nos filmes do Conde Yorga. Eu confesso que, mesmo adorando ver o ator em outros papeis, eu gosto muito mais da interpretação de Quarry como o Conde Yorga. Seu personagem é muito bom, e não se importa com ninguém a não ser consigo mesmo. E a vingança de Sugar contra ele é feita quase como uma vingança de videogame, com os zumbis matando seus capangas até chegar a ele – eu não jogo videogame, então estou usando uma metáfora que ouvi anteriormente.

 

Mas, na minha opinião, o melhor do filme são os zumbis. Não sei como estava o cinema de zumbis naquela época, mas aqui, temos um dos melhores visuais dos monstros. Eles estão cobertos de teias de aranha, com os corpos pintados de branco e olhos vidrados. E como todo zumbi que se preze, eles se levantam de seus túmulos do cemitério. O visual deles é arrepiante e provoca calafrios sempre que eles aparecem.

 

Além do visual maravilhoso dos zumbis, o filme também passa uma sensação de calor, principalmente nas cenas externas; é possível sentir o suor dos personagens e quase sentimos calor junto com eles.

 

Conforme mencionado acima, Sugar Hill invoca o Barão Samedi, uma figura conhecida na religião vodu. Ao que parece, o personagem é muito poderoso e é utilizado por alto-sacerdotes da religião. O personagem aparentemente apareceu em um filme do James Bond e deve ter servido de inspiração para o vilão da animação A Princesa e o Sapo da Disney.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo na coleção Zumbis no Cinema 3, em versão restaurada com um depoimento do diretor como extra.

 

Enfim, Os Zumbis de Sugar Hill é um filme muito bom. Um filme de zumbis muito criativo e assustador, com uma direção inspirada e um roteiro muito bem construído, aliado a um elenco afiado. Os zumbis são a melhor coisa do filme, com seu visual arrepiante que provoca calafrios. Um exemplar do gênero terror do movimento blaxploitation. Um dos meus filmes de zumbis favoritos. Altamente recomendado. 


Créditos: Versátil Home Vídeo.


segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024

O VÍCIO (1995). Dir.: Abel Ferrara.

 

NOTA: 8



Os filmes de vampiro estão presentes no cinema desde sempre, com uma enorme variedade de conteúdos, criados por vários cineastas ao longo dos anos.

 

O VÍCIO, lançado em 1995, dirigido por Abel Ferrara, é uma dessas variações, e uma das mais criativas, por motivos que serão descritos mais adiante.

 

Este é um dos melhores filmes de vampiro que já vi, principalmente por conta da criatividade do roteiro e da direção de Ferrara. O cineasta subverte o gênero com maestria e faz uma analogia interessante com o titulo do longa.

 

Acredito que o principal fator de criatividade seja o fato do filme ser rodado em preto e branco, o que o torna ainda mais sombrio e sinistro. Em momento nenhum as cores fazem falta, e deixam o filme ainda melhor.

 

Mesmo não tendo visto os demais filmes de Ferrara, eu imagino que o cineasta gosta de subverter os temas com os quais trabalha, e coloca as suas características nos mesmos, e aqui não deve ter sido diferente.

 

Além de ser um filme de vampiro, O Vício é também um filme sobre filosofia, e isto está presente desde o começo, visto que a protagonista é estudante de Filosofia e está prestes a concluir sua tese de doutorado. O roteiro de Nicholas St. John – colaborador frequente do cineasta – é recheado de frases que devem remeter à Filosofia, com citações e menções a filósofos conhecidos. Eu pessoalmente acho essa sacada muito interessante porque possui uma relação com os estudos da protagonista e também com a própria ideia de que vampiros podem ser filósofos.

 

O elenco também é um ponto positivo para o filme, principalmente a atriz Lili Taylor, que interpreta a protagonista Kathleen. No inicio do filme, ela se mostra uma pessoa doce e gentil, focada nos estudos, mas após ser atacada, ela se transforma em outra pessoa, que não se importa em ferir os outros, e não dá importância para os estudos. Além disso, logo após o ataque, é possível perceber que ela não entende o que está acontecendo consigo mesma, e passa a sofrer as consequências. Essa é uma característica que me chama muito a atenção em historias de vampiros, os vampiros que não entendem sua condição e sofrem por causa disso. Mas logo isso muda, e Kathleen se transforma em uma criatura sedenta de sangue.

 

O restante do elenco não faz feio, principalmente o ator Christopher Walken, que interpreta um vampiro filosófico que carrega consigo a sabedoria dos séculos. Apesar da pouca presença, o personagem rouba a cena.

 

Conforme mencionado acima, O Vício subverte o gênero de forma criativa, visto que a própria palavra “Vampiro” não é mencionada em momento nenhum ao longo do filme. Além disso, o roteiro faz uma analogia interessante com o vicio em drogas – daí o titulo – visto que, após adquirir o gosto pelo sangue, a protagonista passa a querer consumir o mesmo cada vez mais, até decair completamente, culminando na cena do massacre. E também devo dizer que o roteirista St. John cria suas próprias regras em relação às criaturas, o que é sempre bom de se ver: seus vampiros não possuem presas e podem andar à luz do dia; e os outros elementos não são apresentados aqui, mas sinceramente não fazem falta.

 

E além disso, o diretor Ferrara nos faz questão de mostrar Nova York como um lugar dominado pelas gangues e pela degradação, algo mostrado no cinema décadas antes.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo na coleção Vampiros no Cinema 3, em versão restaurada, com um making of entre os extras.

 

Enfim, O Vício é um filme muito bom. Uma historia de vampiros ousada que subverte o gênero com criatividade impar e faz uma analogia interessante com o uso de drogas. A direção de Abel Ferrara é muito boa e o diretor consegue arrancar ótimas performances de seu elenco, que não está nem um pouco exagerado. A fotografia em preto e branco também é um destaque, e deixa o filme mais sombrio e sinistro. Um ótimo filme de vampiro e um exemplar criativo do gênero.



Créditos: Versátil Home Vídeo.


AVISO.

  O LIVROS & FILMES DE HORROR está em recesso. Obrigado.