domingo, 17 de março de 2019

NECRONOMICON, O LIVRO PROIBIDO DOS MORTOS (1993). Dir.: Vários.


NOTA: 10


NECRONOMICON, 
O LIVRO PROIBIDO DOS MORTOS (1993)
Necronomicon, o Livro Proibido dos Mortos é um filme alucinante. Uma viagem arrepiante pelo universo cósmico criado por H.P. Lovecraft.

Produzido por Brian Yuzna, o filme é de certa forma, uma adaptação do Livro Maldito Necronomicon, criado pelo autor nos anos 20, em formato de antologia. Porém, ele também pode ser classificado como adaptação de textos do autor, uma vez que as historias apresentadas possuem elementos presentes na obra de Lovecraft.

O filme começa com um prólogo – fictício – ambientado nos anos 30, onde o próprio Lovecraft (Jeffrey Combs, ator carimbado dos filmes baseados nas obras do autor) visita uma biblioteca vigiada por monges, e acaba encontrando o Livro Maldito, escrito pelo árabe louco Abdul Alhazred. Uma vez com o livro em mãos, ele começa a escrever suas historias.

A primeira delas, “The Drowned”, é uma adaptação de Os Ratos nas Paredes, onde o ultimo descendente da linhagem dos Delapore retorna da Suíça para conhecer um casarão abandonado que pertenceu a um ancestral. Uma noite, ele encontra uma carta escrita pelo Jethro Delapore, que sobreviveu a um naufrágio que vitimou sua esposa e filho. Tomado pela dor, ele lê um encantamento no Necronomicon, e acaba ressuscitando sua família, mas com consequências trágicas. Após ler a carta, o protagonista toma a mesma decisão para trazer de volta sua esposa, morta num acidente. Porém, além de trazê-la de volta, ele também invoca o Grande Cthulhu, e os dois acabam se enfrentando.

A segunda história, “The Cold”,  adapta o excelente Ar Frio. Nesse episodio, um repórter de Boston vai até um prédio de apartamentos, investigar relatos de desaparecimentos. Lá, ele encontra uma jovem misteriosa, que lhe conta uma estranha historia: anos atrás, sua mãe alugara um apartamento naquele mesmo prédio, onde conheceu um estranho médico com uma rara doença. Com o passar do tempo, a mulher descobre a verdade sobre o médico: para curar sua doença, ele sequestra e mata estranhos, a fim de utilizar seus fluidos. Após ouvir o relato da jovem, o repórter acaba fazendo uma descoberta arrepiante.

Já no último episodio, “Whispers”, é baseado em Sussurros na Escuridão, uma das historias mais famosas do autor. Aqui, somos apresentados a um casal de policiais em perseguição a um assassino. Após sofrerem um acidente, são resgatados por um casal de idosos, aparentemente simpático. O homem acaba não resistindo aos ferimentos; a mulher, por sua vez, decide investigar o que aconteceu com seu parceiro, e acaba caindo em uma armadilha arrepiante, repleta de criaturas de outras dimensões, sedentas de sangue humano.

Como já mencionado, Necronomicon segue a linha das antologias, filmes de longa metragem que contavam com várias historias. Entre os exemplos mais conhecidos estão os dois Creepshow; Tales From the Darkside: The Movie e Na Solidão da Noite. Pessoalmente, eu sou um grande admirador desse tipo de filme, principalmente pela forma com que as historias são contadas, de forma rápida e simples, geralmente com poucos personagens. Esse tipo de filme surgiu nos anos 40, com o britânico Na Solidão da Noite. A partir daí, o gênero tornou-se popular nos anos 60 e 70, principalmente por causa das series de TV de horror e ficção cientifica. Nos anos 80 e 90, eles foram ficando cada vez mais raros, até desaparecerem por completo nos anos 2000. Uma pena, porque era um gênero muito criativo e divertido.

Voltando a Necronomicon, o filme é de fato uma adaptação dos textos de Lovecraft mencionados acima, mas também apresentam elementos de outras obras do autor, principalmente The Drowned: a maneira como a carta de Jethro Delapore começa é uma citação ao conto Dagon (1919) e a própria presença de Cthulhu é uma citação ao clássico O Chamado de Cthulhu (1926). Já o segundo episodio é praticamente uma adaptação direta de Ar Frio, com todos os elementos de ficção cientifica e horror presentes no texto original. Sobre o terceiro episodio, não posso dizer nada, uma vez que ainda não li a Sussurros na Escuridão.

Para finalizar, Necronomicon, o Livro Proibido dos Mortos é um dos melhores filmes baseados na obra de Lovecraft, que, como seus “colegas”, possui liberdades na narrativa, que não podem ser evitadas, uma vez que é difícil adaptar as obras do autor para o cinema. Mas nada disso o impede de ser assustador, sangrento e alucinante.

Uma curiosidade: meu primeiro contato com esse filme – e talvez com Lovecraft – foi por meio da capa do VHS lançado pela HVC Filmes, que continha a imagem de uma gárgula no centro da arte e cenas dos episódios nos cantos. Todas as vezes que eu via aquilo, eu sinceramente não tinha uma boa impressão, achando que se tratava de um filme estranho e ruim. Felizmente, hoje minha opinião é muito diferente.




O QUE VOCÊS FIZERAM COM SOLANGE? (1972). Dir.: Massimo Dallamano.


NOTA: 10


O QUE VOCÊS FIZERAM 
COM SOLANGE? (1972)
Dentre os Gialli que já vi até agora, O QUE VOCÊS FIZERAM COM SOLANGE? (1972) é um dos melhores e um dos meus favoritos.

Uma história violenta de sexo, romance e suspense, como todos os filmes do gênero.

Basicamente, o que o torna diferente dos demais é a temática: boa parte da história acontece em uma escola feminina católica de Londres. Boa parte dos Gialli acontece em grandes cidades, principalmente na Europa.

Solange é um Giallo Clássico, com todos os elementos do gênero: o clima de mistério, a trama cheia de reviravoltas, a misoginia, a incapacidade da polícia em resolver os crimes, e principalmente, o assassino com as luvas de couro pretas.

A trama fala sobre uma série de assassinatos ocorridos em uma escola feminina católica em Londres. A polícia tenta solucionar o caso, mas não consegue. Resta então a um casal de professores tentar desvendar os crimes e descobrir a identidade do assassino.

Apesar de sua simplicidade, o filme consegue ser arrepiante em alguns momentos, principalmente aqueles envolvendo o assassino. Como em todos os filmes do gênero, vemos somente suas mãos enluvadas durante boa parte da trama. Porém, o que difere aqui é a maneira com que as cenas são filmadas. Os enquadramentos - praticamente em close - deixam as cenas de homicídio ainda mais assustadoras do que as de outros Gialli.

O filme marca a estreia de Camille Keaton no cinema, no papel da Solange do título, uma menina marcada por um trauma que a incapacitou psicologicamente. Anos mais tarde, a atriz protagonizaria A Vingança de Jennifer (1978), talvez o seu filme mais famoso, que recentemente, ganhou um péssimo remake, batizado de Doce Vingança. Camille dá um show de interpretação, assim como boa parte do elenco.

Outro destaque do filme é a trilha sonora, composta pelo mestre Ennio Morricone. Sem dúvida, é uma das melhores do compositor, e dá um toque dramático ao filme, com a presença de um coro feminino.

Como já mencionado, o Giallo é famoso por apresentar uma polícia ineficiente em praticamente todos os filmes, e aqui, isso é levado ao extremo, principalmente após a cena do parque de diversões.


O Que Vocês Fizeram com Solange? é um dos melhores Gialli de todos os tempos. Um filme arrepiante e maravilhoso. Um dos meus Gialli favoritos.


BLÁCULA, O VAMPIRO NEGRO (1972). Dir.: William Crain.


NOTA: 8.5


BLÁCULA, O VAMPIRO NEGRO (1972)
Por motivos desconhecidos, eu sempre subestimei BLÁCULA, O VAMPIRO NEGRO, talvez por acha-lo trash ou bizarro. Bom, após assistir ao filme, eu vi que estava certo. Blácula é um filme bizarro, mas muito divertido.

Realizado no ciclo do Blaxploitation – filmes feitos por negros para o público negro – este é um dos filmes de vampiro mais memoráveis dos anos 70, super simples e engraçado ao estremo.

A trama é super simples: um príncipe africano é mordido pelo Conde Drácula, enterrado em um caixão e acaba despertando na Los Angeles dos anos 70, causando pânico e transformando todos em vampiros. Mesmo com essa simplicidade, o roteiro consegue divertir e assustar, principalmente nas cenas envolvendo os vampiros. A caracterização das criaturas é super exagerada, com maquiagem carregada e sangue falso. Porém, no quesito de exagero, o Drácula, presente no prologo é bizarro: usa roupas coloridas, barba e bigode! Eu nunca vi um Drácula mais estranho do que esse. Em compensação, o personagem-título é muito bem feito. Interpretado de forma memorável por William Marshall, Blácula é um dos personagens mais icônicos do cinema fantástico dos anos 70: elegante, todo de preto, com uma capa característica e os enormes caninos. Fascinante. Impossível não sentir simpatia por ele.

Outra coisa que chama a atenção é o fato de ser uma produção de baixo orçamento, daquelas muito comuns naquela época. E a falta de orçamento não prejudica o filme em momento nenhum, e fica muito evidente nas cenas em que o protagonista utiliza seus poderes: não há cenas elaboradas, cheias de efeitos especiais; os efeitos limitam-se apenas à transformação em morcego, no melhor estilo de antigamente. As limitações orçamentárias também surgem nas cenas em que os vampiros são destruídos pelos “caçadores”.

Aliás, como em todos os filmes de vampiros, aqui os “heróis” adquirem o conhecimento necessário sobre vampiros muito rápido, após ler vários livros em um único dia! Vale lembrar que isso é muito comum, e aparece em qualquer filme de vampiro. Ou seja, todo boca aberta se considera um Van Helsing após ler um ou mais livros sobre vampiros. Vale lembrar que o Professor adquiriu seus conhecimentos após anos de estudo. Mas isso não deixa de ser divertido.

Como mencionado acima, Blácula foi realizado na época do Blaxploitation. Como não vi muitos filmes dessa época, não posso dar um parecer completo sobre o assunto, mas, algumas características ficam claras: o uso da trilha sonora, a pouca presença de atores brancos e o clima exagerado. Não que esse exagero seja um defeito; pelo contrario, ele diverte ainda mais.

O filme surgiu de forma curiosa, porque seus realizadores tentavam procurar novas formas de expandir o ciclo, que limitava-se aos filmes policiais. Talvez Blácula foi o primeiro, ou então um dos primeiros filmes de terror do ciclo, que também apresentou obras baseadas em O Médico e o Monstro, O Exorcista e o excelente Os Zumbis de Sugar Hill. Um ano depois, o filme ganhou uma sequencia, Scream Blacula Scream, novamente estrelada por William Marshall. Segundo o especialista no gênero, Kim Newman, foi uma tentativa da American Internation Pictures de criar uma franquia, como fizera anteriormente com Dr. Phibes e Conde Yorga.


Seja como for, este é um dos melhores Filmes de Vampiro dos anos 70. Divertido, sangrento e arrepiante. 



OS MENINOS (1976). Dir.: Narciso Ibáñez Serrador.


NOTA: 10


OS MENINOS (1976)
OS MENINOS é um filme brutal. Uma pequena obra do terror espanhol que me assustou já na primeira vez que eu assisti.

E sem dúvida, o terror está nisso mesmo, a simplicidade da trama. Segundo filme de terror dirigido por Serrador – o primeiro foi Internato Derradeiro (1969) – este talvez seu filme mais lembrado do gênero.

A historia acompanha um casal inglês em férias na Espanha, que decide ir até uma ilha distante para fazer turismo. Ao chegar lá, eles não encontram nenhum adulto, apenas crianças; a principio, não acham estranho, mas, acabam descobrindo algo horrível e assustador.

Desde o começo, o filme mostra que não aconselhável para pessoas sensíveis: durante dez minutos, Serrador enche a tela com imagens de documentários mostrando varias atrocidades cometidas na História, com destaque para o sofrimento e morte das crianças. Eu costumo dizer que essa abertura é um teste para ver se é possível assistir ao filme. Confesso que no inicio, tive vontade de avançar para o filme em si, mas acabei assistindo até o fim. Porém, eu logo descobri que avançar até o começo da historia não adiantaria em nada, uma vez que o que surge em seguida é tão chocante quanto a abertura. Sério. E o melhor, o filme é construído do jeito que eu mais gosto, o chamado slowburn, onde durante boa parte da projeção, nada acontece, e, finalmente, quando acontece, é a todo vapor. E o filme é um soco no estomago atrás do outro.

Para quem acha chocante ver crianças malvadas em filmes de terror, vai ter um verdadeiro choque. Eu me refiro a crianças munidas de facas, foices, armas de fogo, brincando de piñata humana... Um show de horrores. Mas, curiosamente, um show de horrores muito bem feito.

Não conheço os outros filmes de Serrador – apenas o também excelente Internato Derradeiro – então não sei se ele faz uso das técnicas aqui utilizadas nos seus outros trabalhos. O fato é que Os Meninos é muito bem feito, maravilhosamente dirigido e fotografado, além de contar com uma trilha sonora arrepiante. Porém, o que mais o difere de outros filmes de terror é o fato de a historia se passar principalmente durante o dia, com um sol escaldante! Durante todo o tempo de projeção, é possível sentir o calor dos personagens, como se estivéssemos com eles naquela ilha deserta. E mesmo durante a única sequencia noturna, essa sensação não passa. É impressionante, e, sinceramente, muito difícil de fazer hoje em dia. E também falando na trilha sonora, ela também contribui para assustar, principalmente o tema principal. Na verdade, não se ouve trilha sonora durante boa parte do filme, apenas nos momentos de tensão.

Tensão é uma palavra que também serve para definir Os Meninos. Como já mencionado acima, durante boa parte do tempo, nada acontece, mas quando finalmente ocorre alguma coisa, quem assiste fica na ponta da cadeira, ou tenta cobrir o rosto com o cobertor como foi o meu caso. Eu assisti ao filme pela primeira vez numa madrugada – talvez de sexta para sábado, ou sábado para domingo – e logo no inicio, foi a experiência mais assustadora da minha vida em muito tempo, pelos motivos já descritos. O filme foi lançado por aqui em DVD pela Versátil, na coleção Obras-Primas do Terror 3, e está presente no segundo disco da coleção, juntamente com O Parque Macabro (1962), outro pequeno filme de terror que me assustou de verdade

Enfim, assistir a Os Meninos foi uma das experiências mais assustadoras da minha vida, mas também foi uma das melhores. Um dos melhores filmes de terror que já assisti. Brutal e brilhante. Não recomendado para pessoas sensíveis. Maravilhoso. Assustador. Chocante. 



sábado, 16 de março de 2019

SUSPIRIA (1977). Dir.: Dario Argento.


NOTA: 10


SUSPIRIA (1977)
Assistir a Suspiria (1977) foi uma experiência maravilhosa.

Segunda obra-prima de Dario Argento, o filme foi lançado dois anos após sua primeira obra-prima, o também maravilhoso Prelúdio Para Matar.

O longa é um dos maiores filmes de terror de todos os tempos, além de ser um dos filmes mais assustadores da história, adjetivos que lhe cabem como uma luva!

Co-escrito por Argento e sua então companheira Daria Nicolodi – inspirados por um livro de Thomas de Quincey – o roteiro fala de uma jovem americana que vai para uma escola de dança na Alemanha e acaba descobrindo um culto de bruxas. Uma trama simples, não é? Bom, como já comentei em Prelúdio, nas mãos de um cineasta qualquer, seria sim, uma história bem simples. Porém, Dario Argento não é um cineasta qualquer.

Como fizera na Trilogia dos Bichos, lançada anteriormente, o diretor coloca sua marca em todos os aspectos do filme, desde a iluminação até a direção de arte. Aliás, ambos são os destaques do filme. A começar pela fotografia, que usa e abusa das cores brilhantes e pulsantes, especialmente o Vermelho, o Azul e o Verde – provavelmente uma homenagem à Mario Bava, conforme descrito na belíssima edição em Blu-Ray lançada pela Versátil (infelizmente, para quem ainda não adquiriu, está fora de catálogo). As cores saltam na tela de uma forma incrível que enchem os olhos e não incomodam, como às vezes acontece... Já a direção de arte também é um deleite. Se por fora, a escola parece normal, por dentro ela é um maravilhoso prédio gótico, iluminado e colorido. Possivelmente, esse estilo gótico também é uma homenagem ao Maestro Bava, não sei.

Fora a direção de fotografia e a direção de arte, quem também brilha é a sua protagonista, Susy, interpretada por Jessica Harper. Originalmente imaginada pelo diretor como uma menina de 11 anos, a jovem é o brilho do filme, fato esse que o diretor repetiria em Phenomena (1985), em que a protagonista é interpretada por Jennifer Connelly. Mas, voltando à Jessica Harper, a atriz está no seu melhor papel no cinema fantástico, ao lado de O Fantasma do Paraíso de Brian de Palma. Claro que o restante do elenco também dá um show com destaque para as duas atrizes veteranas principais, Alida Valli e Joan Bennett. Alida Valli entrega uma performance assustadora, com seu sorriso maléfico e figurino negro. Joan Bennett, por outro lado, está gélida, crua, fria e sinistra, e revela-se como uma super vilã de conto de fadas.

Aliás, falando em conto de fadas, a principal inspiração para Argento foi o Clássico Branca de Neve e os Sete Anões, de Walt Disney, lançado em 1937. Dizem que o diretor reproduziu o filme para a equipe a fim de obter a mesma paleta de cores. Não duvido. Inclusive, acho uma estratégia fantástica para a realização de um filme de terror!

E falando em filme de terror, Suspiria é um verdadeiro Filme de Terror! Desde o inicio, Argento não nega fogo, com grandes toques de violência e sangue. E no que diz respeito ao diretor, tais cenas se transformam em obras de arte. A cena do primeiro assassinato – que termina com uma das imagens mais icônicas do cinema de horror – é arrepiante desde o inicio e o diretor a executa com maestria, dando, inclusive, seus toques de Giallo. A partir daí, segure-se na cadeira. São momentos de muita tensão, banhadas às cores brilhantes, e, o maior truque do cinema de horror, na minha opinião: a ausência de trilha sonora! Aliás, uma das cenas mais assustadoras do filme faz uso desse truque. Não é uma cena de assassinato e não envolve sangue. Na verdade, é uma cena em que o personagem Daniel é expulso da escola porque seu cão-guia machucou um menino. Sério. É a cena que mais me deu medo no filme inteiro! Muito bem feita, tanto na direção quanto nas performances dos atores.

Bom, não posso falar mais, senão vou entregar spoilers.

Como já disse, Suspiria recebeu um lançamento de pompa em Blu-Ray aqui no Brasil. Foi lançado na coleção Argento Essencial, que também contou com a obra Prelúdio Para Matar. A versão disponível na caixa é excelente, muito bem restaurada e colorida. Porém, infelizmente, a caixa teve lançamento limitado, e hoje está fora de catalogo... Felizmente, eu consegui o meu.

Enfim, assistir Suspiria foi uma experiência maravilhosa. Suspiria é Maravilhoso. Colorido. Assustador.


Um dos maiores filmes de terror de todos os tempos. Um dos Filmes Mais Assustadores da História.



JOGO PERIGOSO (Stephen King).


NOTA: 10


JOGO PERIGOSO
Vou confessar.

Tenho uma coleção grande de livros de Stephen King, mas, li somente alguns. Desses alguns, um deles foi Jogo Perigoso. Sobre esse livro, posso dizer o seguinte: é um livro tenso, pesado, violento, cruel e... ASSUSTADOR! Nunca pensei que uma historia simples, centrada em uma única pessoa pudesse dar tantos arrepios...

O livro é sobre Jessie Burlingame, esposa de Gerald, um renomado advogado da Nova Inglaterra. Com dificuldades no casamento, eles decidem passar o fim de semana em sua cabana no interior do Maine e praticar jogos sadomasoquistas para apimentar a relação. No inicio, tudo parece bem, até que Jessie se cansa de brincar, mas Gerald, não. Durante uma investida do marido, Jessie o ataca e algo terrível acontece: ele sofre um ataque cardíaco e morre, ao seu lado, deixando-a algemada à cama. A partir daí, Jessie trava uma luta desesperada para se libertar das algemas e sair da casa. Porém, a noite e sua mente têm algo especial para ela.
Pronto. Já contei o essencial da história. Poderia gastar mais tempo, mas, iria entregar um baú de spoilers...

O básico que se precisa saber sobre o livro é que se trata de um cabin in the woods book. Grande parte da ação acontece na cabana dos Burlingame, mais precisamente, na cama de Jessie.
E acredite, o que vem por aí NÃO É BRINCADEIRA. Já pensou no filme mais cruel de todos os tempos? A lista é grande. Bem, em relação à lista dos livros mais cruéis de todos os tempos, imagino que seja grande também, e Jogo perigoso merece lugar entre os 10 primeiros. Sério.

Conhecido pelo seu estilo sobrenatural e fantástico, aqui, King cria uma história comum, até, se pararmos para pensar. Praticamente, o Mestre não apela para monstros, fantasmas, vampiros, etc... Aqui, ele faz uso da pior ferramenta humana: nosso subconsciente. Ao invés de ser um livro sobre um monstro, Jogo é um autentico livro de terror psicológico, no melhor sentido da expressão: enquanto está presa à cama, a protagonista é vítima dos truques de sua própria mente – os fantasmas de seu passado. E olhe, que passado.

Em um dos vários flashbacks de Jessie, King revela que a personagem teve uma vida de merda. Mesmo. E pior não é isso. Durante seu período na “prisão”, Jessie recebe algumas visitas: vozes de suas amigas e um cachorro em estado deplorável (se Cujo era malvado, o cão desse livro foi seu aluno), que faz algo inimaginável.

Mas, para ser honesto, durante toda a leitura, pude perceber que o verdadeiro inimigo de Jessie era, de, fato, seu subconsciente. As cenas que Jessie é obrigada a lembrar são as mais horríveis possível. King lida, nesse livro, com temas que talvez ninguém pudesse imaginar: incesto, estupro, abuso sexual de menor, sexo selvagem, assassinato, e... necrofilia. E olhem, é difícil decidir qual o pior. Todos são mostrados envoltos em terror e medo, o que me provocou arrepios na espinha.

Ao todo, Jessie passa quase três dias presa à cama, sendo atormentada pelas vozes, pelos fantasmas e por um visitante misterioso, que se revela um ser mais perturbador que qualquer fantasma.

Os momentos finais do livro resumem-se à uma carta que Jessie escreve para sua amiga Ruth, após conseguir se soltar da cama, e sofrer um acidente de carro na fuga.
Para quem pensa que King tortura sua protagonista apenas psicologicamente, engana-se. A tortura é também física, principalmente nos momentos em que Jessie luta para sair de sua prisão. Eu falo de sangue, sangue e mais sangue. É sério!

Enfim, Jogo Perigoso pode não ser um romance sobrenatural, mas, sem dúvida, é um dos melhores, e mais assustadores do Mestre.

Recentemente, o livro ganhou uma excelente adaptação lançada pela Netflix, que consegue ser tão assustadora e chocante quanto o livro.

Curiosidade:

  • King planejava fundar a trama de Jogo perigoso com a de Eclipse Total, em razão das semelhanças entre ambas.



PRELÚDIO PARA MATAR (1975). Dir.: Dario Argento.


NOTA: 10


PRELÚDIO PARA MATAR (1975)
Dentre todos os filmes de Dario Argento, PRELÚDIO PARA MATAR é considerado sua obra-prima. E não é para menos.

O filme é um dos melhores que já tive o prazer de assistir.

A trama fala sobre um músico que testemunha um homicídio e passa a investigá-lo com a ajuda de uma repórter. 

Parece simples, não? Bem, nas mãos de um cineasta qualquer poderia ser; mas, nas mãos de Dario Argento, é um verdadeiro espetáculo. 

Um dos filmes mais assustadores de todos os tempos, Prelúdio Para Matar é um verdadeiro show de horror e suspense. Uma trama super redonda, repleta de momentos de pular da cadeira. 

Um clima de mistério toma conta do filme o tempo todo, e não deixa o espectador respirar - pelo menos comigo foi assim. As cenas de assassinato estão entre as melhores do gênero, com destaque para a cena do bonequinho.

O filme também marca o primeiro encontro de Argento com Daria Nicolodi, que se tornaria sua companheira na década seguinte. A atriz interpreta a parceira - e par romântico - do músico, e posso dizer que as melhores cenas são dela. Ela está maravilhosa e engraçada, e consegue ser mais durona que o protagonista. 

Dentre os melhores momentos de tensão, destaco a sequência em que o 'herói' percorre os corredores de uma velha mansão que pode ter ligação com os homicídios. Nunca havia sentido tanto medo em um Giallo na vida.

Como o título entrega, o Vermelho é a cor que predomina na tela. E isso em maravilhosos tons vivos, da cor do sangue mesmo. Nem no último filme da Trilogia das Cores que eu assisti na faculdade, eu vi um Vermelho tão vivo! 

A câmera de Argento também é a estrela, com seus movimentos impossíveis de serem imitados e closes nos olhos do assassino - marca registrada do diretor. Os closes nos olhos do assassino são maravilhosos, melhores até do que aqueles dos filmes de Lucio Fulci.

O assassino também é um destaque, com seu visual clássico para o gênero: roupa de couro, chapéu cobrindo o rosto, e, principalmente, as luvas pretas e a arma utilizada para os homicídios. 

Tudo em Prelúdio para Matar é maravilhoso. Não há nenhum defeito na trama, nem furos no roteiro (uma das características de Argento apontadas por muitos, mas que eu não vejo em nenhum de seus filmes), e medo percorreu a minha pele. 


Um dos Filmes Mais Assustadores de todos os tempos. Um dos melhores Gialli que já assisti na vida. Uma aula de como fazer um Giallo. 



AVISO.

  O LIVROS & FILMES DE HORROR está em recesso. Obrigado.