sábado, 9 de maio de 2020

O PÁSSARO DAS PLUMAS DE CRISTAL (1970). Dir.: Dario Argento.



NOTA: 10



O PÁSSARO DAS PLUMAS DE CRISTAL
(1970)
Segundo o próprio Dario Argento, o Giallo é um gênero italiano. Surgiu no país na literatura, com uma pequena editora que lançava os livros de suspense com as capas amarelas – “giallo” quer dizer “amarelo” em Italiano – para diferenciá-las dos demais. A partir de 1963, o gênero migrou para o cinema, graças ao Maestro Mario Bava, que lançou o filme A Garota que Sabia Demais, que possuía algumas características que se tornariam clássicas no gênero. No ano seguinte, foi lançado Seis Mulheres para o Assassino, também do maestro Bava, filme responsável por apresentar as principais características do gênero: as mortes mirabolantes, a ineficiência da policia, a misoginia, as pistas falsas, e principalmente, o assassino de luvas pretas. Apesar desse pontapé inicial, não foram muitos os cineastas que resolveram se aventurar nesse gênero. Até que, em 1970, a coisa mudou.

Além de ser o primeiro filme do diretor Dario Argento, O PÁSSARO DAS PLUMAS DE CRISTAL, foi também o filme responsável por lançar de vez o Giallo no cinema. E já em sua estreia, Argento mostrou a que veio.

A história é contada de forma brilhante, com ótima direção, roteiro bem amarrado e ótimas atuações. É o tipo de filme onde tudo funciona a seu favor, e a cada revisão, parece ficar melhor; pelo menos para mim é assim. E mesmo tendo visto várias vezes, é um filme que gosto muito de assistir.

Não sei ao certo quando meu interesse pela obra de Argento começou, mas, desde que resolvi me aventurar em sua filmografia – a melhor parte, pelo menos – me tornei fã e admirador do cineasta, fazendo de seus filmes, uma inspiração. E este aqui é um dos meus favoritos.

Conforme já mencionei, O Pássaro é um filme onde tudo funciona, a começar pelo roteiro. Conforme Argento comentou em entrevistas, ele tinha interesse em modificar as regras do suspense. O que de fato, ele conseguiu. O roteiro é muito bem escrito, e consegue levar o protagonista, o escritor Sam Dalmas, a uma teia cheia de enigmas, que parecem aumentar à medida que ele resolve investigar por conta própria. Esta é também outra característica do gênero: a investigação que o protagonista faz por conta própria – quase sempre motivado por algo que testemunhou anteriormente – uma vez que a policia não consegue resolver os crimes. O fato da policia não conseguir resolvê-los, já fora estabelecido por Bava, mas, antes deste aqui, não me lembro de outro exemplar onde o protagonista resolve investigar o mistério; talvez nos filmes que vieram depois de Bava, mas não posso afirmar com certeza absoluta. O fato é que aqui, Dalmas faz exatamente isso, uma vez que o Comissário Morossini e seus homens estão em um beco sem saída.

Já no primeiro filme, Argento apresentou uma de suas principais características: o uso de câmeras subjetivas. É incrível o que a câmera faz em determinadas cenas, principalmente simula os POV’s – pontos de vista. E um cena em especial, Argento e o diretor de fotografia, Vittorio Storano, posicionam a câmera sobre um lance de escadas de um prédio, dando uma ótima perspectiva do ambiente. Outra que o diretor soube fazer muito bem foi enquadrar as mulheres. Segundo o próprio Argento, essa habilidade surgiu ao seu costume de observar o trabalho da mãe, a fotógrafa brasileira Elda Luxardo, que passava horas fotografando atores e atrizes italianos famosos. E dá para perceber que o diretor aprendeu muito bem. Os enquadramentos são perfeitos, principalmente das mulheres. Acho que nunca vi um filme em que as atrizes foram tão bem enquadradas pela câmera, algo que o cineasta utilizou em seus filmes futuros.

Outra coisa que funciona muito bem é a trilha sonora, composta pelo Maestro Ennio Morricone. Ao invés de uma trilha pesada, Morricone utilizou vozes femininas para fazer um coro parecido com uma canção infantil. É uma trilha que combina muito bem com a atmosfera.

Mas talvez as melhores coisas do filme sejam as cenas de assassinato, e o próprio assassino. Como já havia dito no começo, um dos atributos que tornaram o Giallo conhecido, foi a figura do assassino em roupas escuras, usando luvas de couro pretas, e aqui temos isso na melhor forma. O assassino encaixa-se perfeitamente na descrição clássica: usa roupas pretas, jaqueta com a gola levantada para esconder o rosto, chapéu, e claro, as luvas de couro pretas. Não tem nada melhor do que isso. Apesar de gostar das variações do gênero, eu sou fã do Giallo que tenha o assassino com luvas.

Agora, sobre os assassinatos. Se em Seis Mulheres para o Assassino, Mario Bava conseguiu transformar cenas de assassinato em obras de arte, aqui, Argento faz a mesma coisa. Apesar de o assassino ter matado cinco mulheres durante o filme, Argento só mostra duas delas sendo assassinadas, e ambas as cenas são muito bem feitas, construídas da maneira mais simples, mas com clima de suspense que deixa tudo mais tenso, deixando o espectador roendo as unhas. E quando os assassinatos acontecem, são fantásticos desse ver; não que o homicídio seja uma coisa bonita; eu me refiro ao modo como as cenas são filmadas. Não espere um banho de sangue. O sangue é espirrado na tela na quantidade certa e do jeito certo. A melhor cena de assassinato é a segunda, com uma navalha enorme fazendo seu trabalho; uma cena quase claustrofóbica. Argento levaria essa técnica de transformar cenas de assassinato em obras de arte para seus filmes futuros.

Uma das coisas pela qual Argento é questionado são as atuações do seu elenco. Há quem diga os aspectos técnicos do filme são melhores que as atuações, mas eu não vejo problema. As atuações são muito boas, principalmente dos quatro personagens principais. Outro “ponto negativo” é o fato de o protagonista não conseguir identificar o som do pássaro do título – o Grou coroado oriental – já que ele também estuda aves raras. Minha explicação é que, no calor da investigação, ele não se lembrou da espécie, ou então, não chegou a ler sobre ela. Essa é a minha interpretação.

O Pássaro das Plumas de Cristal foi lançado em Fevereiro de 1970 na Itália, e foi um sucesso de bilheteria; nos Estados Unidos, ficou em primeiro lugar por três semanas, tornando-se um sucesso por lá também.

O sucesso do filme foi responsável da introdução do Giallo no cinema, levando vários cineastas a produzir seus próprios filmes do gênero, muitos deles com nomes de animais nos títulos.

O filme é o primeiro da chamada “Trilogia dos Bichos”, composta também pelos filmes O Gato de Nove Caudas e Quatro Moscas Sobre Veludo Cinza, ambos lançados em 1971, também escritos e dirigidos por Dario Argento.

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo, em versão restaurada, com áudio italiano, na coleção A Arte de Dario Argento, juntamente com os outros filmes da “Trilogia dos Bichos”, e Terror na Ópera (1987), um de seus últimos grandes trabalhos.

Enfim, O Pássaro das Plumas de Cristal é um dos maiores exemplares do Giallo italiano. Um filme com atmosfera de suspense muito bem construída, que deixa o espectador arrepiado. A direção experiente de Dario Argento contribui para o ótimo desempenho do filme, além de mostrar o quão habilidoso ele se tornaria. O filme responsável por catapultar o Giallo no cinema, além de ter influenciado uma serie de cineastas a seguir o mesmo caminho. Um filme excelente, que merece ser visto e apreciado. Maravilhoso. Altamente recomendado.



Créditos: Versátil Home Vídeo




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sexta-feira, 1 de maio de 2020

A GUERRA DOS MUNDOS (1953). Dir.: Byron Haskin.


NOTA: 9.5



A GUERRA DOS MUNDOS (1953)
A GUERRA DOS MUNDOS é um dos maiores clássicos do cinema, e a segunda melhor adaptação de H.G. Wells. 

Lançado em 1953, até hoje, é reconhecido como um dos melhores exemplares do gênero de ficção científica, tendo influenciado diversos filmes posteriores. E mesmo hoje em dia, mais de sessenta anos após seu lançamento, ainda é um filme espetacular, principalmente por causa dos efeitos especiais – mais detalhes adiante.

Para mim, o faz deste um filme tão especial, é a nostalgia; não nostalgia por ter vivido naquela época (porque eu não vivi naquela época), mas sim por ver como o cinema era antigamente, sem efeitos digitais mirabolantes. Mesmo hoje em dia, é um filme que, do meu ponto de vista, não envelheceu mal e continua muito bem feito. Mas não é só isso. É interessante assistir aos filmes do passado e prestar atenção nos métodos de realização dos mesmos. Comparando com hoje, tudo parece muito mais simples e sem preocupação, chegando até ser divertido, principalmente nos filmes de gênero. Mas acima de tudo, eles passavam credibilidade. Conforme mencionei na resenha de O Monstro do Mar Revolto, era possível acreditar que aqueles personagens eram reais, e aqui acontece a mesma coisa, principalmente com cientistas e militares. E boa parte disso se deve ao roteiro: não existem muitos diálogos expositivos, ou explicações e teorias que se repetem ao longo da narrativa, pelo contrário; os diálogos são de fácil compreensão e não se repetem, o que os torna mais criveis. Você acredita que são cientistas de verdade e militares de verdade, justamente porque não precisam de um roteiro explicativo; é bem realista. É o tipo de coisa que faz falta no cinema atual.

Apesar do livro de Wells se passar na Inglaterra Vitoriana – época em que o autor viveu – o roteiro é ambientado na Califórnia dos anos 50, possivelmente por questões orçamentais; mas isso não é um problema. O filme faz parte de uma espécie de “realidade alternativa”, onde o material-base para a adaptação não existe, o que é bem interessante e bizarro, até. Além disso, o cinema de ficção cientifica da época sempre contou com filmes contemporâneos, então, uma adaptação fiel da obra, ambientada era Inglaterra Vitoriana provavelmente seria estranho; então a historia foi alterada para a realidade da época. É um dos melhores exemplos de adaptação que funcionam, porque capturam o espirito do material-base e não exatamente a época em que o mesmo foi escrito. Sem contar que o filme possui aquele aspecto do cinema sci-fi dos anos 50, o que contribui para a nostalgia.

Com certeza, um dos fatores que tornam A Guerra dos Mundos um filme espetacular, são os efeitos especiais, principalmente o design das naves dos Marcianos. Segundo o colecionador e historiador de cinema Bob Burns, o diretor de arte Al Nozaki tinha a ideia de criar um design diferente, porque todas as naves vistas até então, tinham quase sempre o mesmo design. Então, Nozaki apresentou um design semelhante à uma arraia-jamanta, cuja a arma de raios era acoplada em cima da nave e tinha aparência de cobra. O resultado foi um dos melhores e mais originais designs de discos voadores da história do Cinema. E de fato, as naves – ou maquinas de guerra, como são chamadas – são a melhor coisa do filme, e roubam a cena quando estão em tela. É impossível não se fascinar por elas, com sua cor escura e luzes verdes, principalmente quando aparecem voando e destruindo a cidade com seus raios de calor. O design dos marcianos é também um ponto a favor. Ao invés de cria-los a partir da concepção original de Wells, os cineastas apresentaram os extraterrestres como seres bípedes, com dois longos braços e três olhos. Também um design original e memorável. Graças aos efeitos especiais, o filme foi premiado com um Oscar® em 1954.


Este filme é dividido em três partes: o primeiro ataque dos Marcianos; o contra-ataque dos militares, e a evacuação e destruição de Los Angeles, cada uma com cenas memoráveis. Não direi muito sobre elas para não dar spoiler. Vou apenas falar da terceira parte. As melhores cenas da terceira parte são a evacuação e a destruição de Los Angeles. A cena da evacuação é uma das melhores que já vi, porque é muito bem filmada, inclusive, pode até ser utilizada como referencia para esses tempos que estamos vivendo, onde a humanidade está mais preocupada em salvar a própria pele do que ajudar o próximo. Realmente uma sequencia impressionante. A destruição de Los Angeles não fica para trás, com as naves voando por entre os prédios e destruindo os mesmos com seus raios de calor; em meio a isso, o protagonista correndo pelas ruas desertas, procurando a mocinha. Um perfeito cenário de apocalipse.

Uma curiosidade sobre as naves dos Marcianos. O diretor Byron Haskin reaproveitou as mesmas em seu filme Robson Crusoé em Marte, lançado em 1964.

A Guerra dos Mundos foi produzido por George Pal, considerado um dos mais importantes cineastas de ficção cientifica, tendo produzido também, a adaptação de “A Máquina do Tempo”, lançada em 1960 e estrelada por Rod Taylor, também considerada um marco do cinema de ficção cientifica. Foi lançado em Agosto de 1953, e tornou-se um sucesso de critica e de bilheteria. Até hoje, é considerado um dos maiores filmes de ficção cientifica de todos os tempos. Em 2011, foi selecionado para preservação no National Film Regisrty pela Biblioteca do Congresso dos EUA. Os Marcianos ocuparam a 27ª na lista dos 50 Maiores Vilões do Cinema do AFI (American Film Institute).

Em 2005, o diretor Steven Spielberg dirigiu uma nova adaptação do livro de Wells, estrelada por Tom Cruise.

Em 2020, a Criterion Collection anunciou o lançamento do filme em Blu-ray, em versão restaurada em 4k. Vamos aguardar. Infelizmente, é certo que essa versão nunca será lançada aqui no Brasil. O filme chegou a ser lançado em DVD no Brasil, mas atualmente está fora de catalogo.

A Guerra dos Mundos é, sem duvida, um dos maiores filmes de ficção cientifica de todos os tempos. Uma historia muito bem contada, em todos os sentidos. Um filme que até hoje, é motivo de referencia para cinéfilos e cineastas. Um épico da ficção cientifica e um clássico do gênero, e uma das maiores adaptações de H.G. Wells. Excelente.

Altamente recomendado.










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sexta-feira, 10 de abril de 2020

HELLRAISER (Clive Barker).


NOTA: 10



HELLRAISER
HELLRAISER é um livro assustador, visceral, sangrento e excelente.

Escrito por Clive Barker nos anos 80, é um dos melhores livros de terror que já tive o prazer de ler. Eu havia comprado a minha edição – lançada pela DarkSide Books – em uma Bienal do Livro, há alguns anos, mas não tive a oportunidade de ler. Bem, já corrigi esse erro.

O livro é excelente. Uma obra assustadora e violenta, repleta de sangue e sexo, tudo combinado de maneira brilhante. Mas, na verdade, a historia não é nova para mim.

Eu já havia visto o filme algumas vezes, e realmente, é um clássico do terror. Porem, eu não sabia que o longa era baseado em um livro, achei que era um roteiro original de Barker – mesmo porque isso não é mencionado nos créditos. Só fui descobrir que Pinhead e sua turma surgiram na literatura quando a DarkSide lançou o livro aqui no Brasil, mais detalhes adiante. E não tive duvidas. Eu tinha que adquirir esse livro. Bom, dito e feito.

Conforme mencionei em outras resenhas, existem autores que não precisam escrever um calhamaço de mil páginas para contar uma boa historia; claro, existem aqueles que o fazem, mas ao meu ver, não contam nada – salvo exceções. Hellraiser é um exemplo de livro curto que tem muita historia para contar. E que historia.

Como foi meu primeiro contato com a obra literária de Clive Barker, não sei ao certo como ele aborda seus temas, ou qual a linguagem que ele utiliza para tal, mas, posso dizer o seguinte: Barker é um gênio. Esta é uma das historias de horror mais originais já criadas nos últimos tempos – tanto o livro quanto o filme – e uma das melhores também. Logo no primeiro capitulo, Barker foi ao ponto: apresentou o vilão da historia, contou sobre o que ele gosta e sobre quem ele é, e também apresentou os Cenobitas, os seres que habitam outra dimensão, e podem ser invocados pela Caixa de Lemarchand, um pequeno quebra-cabeça que possui um papel importante na historia. E também Barker não faz cerimonia, e mostra que a historia é visceral e repleta de conotações sexuais, isso já no inicio. A primeira vez que Frank usa a caixa e surge um dos Cenobitas, é apavorante; muito disso vale pela descrição. Barker descreve muito bem as ações e os cenários, e faz a gente que acreditar que tudo aquilo é real, além de tornar fácil a visualização de tudo.

O texto é visceral. Barker escreve as cenas de horror com grande maestria, e não fica difícil para o leitor fazer caretas enquanto lê o livro; caretas de nojo, mesmo. Eu cheguei a fazer algumas durante a leitura. E existe motivo. Não me lembro de ter lido algum livro com cenas de morte e tortura tão pesadas e violentas, muito mais do que os torture-porn da vida; corpos mutilados, ganchos, desmembramentos... Um prato cheio para os fãs do horror. Isso sem falar do conteúdo sexual. Esqueça 50 Tons de Cinza! Assim como o terror é visceral, o sexo, também. As cenas de sexo fazem qualquer livro adulto de hoje parecer historia de criança. Sério. Muito bem escrito.

Quem é fã de Hellraiser sabe que os filmes se resumem a um grupo de personagens: os Cenobitas, liderados pelo inesquecível Pinhead. Pois bem, quem já viu os filmes, sabe que eles foram apresentados no primeiro filme, lançado em 1987. E em toda sua gloria. Aqui, no livro, não tão diferente assim. Como mencionado acima, Barker apresenta um deles logo no primeiro capitulo da historia, mas só reserva espaço para eles brilharem novamente, mais adiante. Mas não tem importância. Mesmo sendo identificados pelo nome, é fácil saber quais Cenobitas estão presentes no livro. Eu acredito que sejam o Pinhead e a Fêmea, com base nos diálogos, muito parecidos com os diálogos do filme.

Os outros personagens também são muito bons, principalmente a Kirsty, que se tornou a “final-girl” do primeiro filme. Bem, assim como no filme, aqui ela está ótima, e poderia ser a protagonista da historia sem esforço, mas, eu acredito que quem protagoniza a historia de fato sejam o Frank e a Julia. Apesar de não aparecer muito, Frank é um personagem perturbador, tanto na forma humana, e quando retornada dimensão dos Cenobitas. Inclusive, eu acredito que ele volta muito pior da dimensão dos Cenobitas. O mesmo não pode ser dito de Rory, seu irmão, que, infelizmente, não é tão interessante, e é quase um personagem apagado. E, ao contrario do filme, aqui, Julia está ótima. Desde que surge pela primeira vez, ela não esconde sua personalidade: amargurada, arrependida de ter se casado com Rory, e completamente devota e submissa a Frank.

Sobre a edição lançada por aqui pela DarkSide, o seguinte. Como sempre, a editora caprichou no lançamento, e fez um trabalho excelente. O acabamento é maravilhoso, com todos os detalhes que remetem ao filme; a tradução está excelente, e a formatação também, e não atrapalha a leitura. Sem duvida, a DarkSide Books é uma editora que respeita e ama seus fãs, e traz sempre produtos de qualidade.

Como todos sabem, Clive Barker acabou adaptando seu livro para o cinema em 1987, um ano depois da publicação original. O filme é, sem dúvida, um Clássico do Terror, que deu origem a um dos personagens mais queridos do gênero: Pinhead.

Enfim, Hellraiser é, sem duvida, um excelente livro de horror. Uma historia visceral de sangue e sexo, combinados de maneira brilhante. Uma historia perturbadora e violenta, mas escrita com maestria. Uma das historias de horror mais originais que já li. Maravilhoso.

Altamente recomendado.





sexta-feira, 3 de abril de 2020

A HORA DO ESPANTO (1985). Dir.: Tom Holland.


NOTA: 9.5



A HORA DO ESPANTO (1985)
A HORA DO ESPANTO (1985) é, sem duvida, o filme de vampiro definitivo dos anos 80. Acredito que seja um jeito interessante de analisa-lo, uma vez que a década nos deu uma galeria de filmes definitivos de monstros clássicos. E este aqui é o representante máximo dos vampiros, ao lado de Vamp, A Noite dos Vampiros (1986) e Os Garotos Perdidos (1987).

Mas o que torna este um filme tão especial? Bom, devo dizer que o primeiro ponto é a nostalgia. Quem foi criança nos anos 90, com certeza já deve ter visto esse filme inúmeras vezes na televisão à noite; esse infelizmente, não é o meu caso, mas, guardo esse filme com muita nostalgia, porque tive a chance de assisti-lo numa época muito boa da minha vida. E foi uma das mais divertidas e assustadoras experiências que já tive. É incrível como ainda hoje, esse filme consegue ser divertido e assustador, cortesia da própria década de 80, que nos presenteou com inúmeras produções de horror trash, além de nos dar também o chamado “terrir”, produções que combinavam terror e comédia de maneira brilhante.

Não se engane. A Hora do Espanto não é uma produção trash; pelo contrario, é uma das mais bem-feitas produções de terror dos anos 80. Absolutamente nada parece falso ou mal feito. Tudo o que aparece na tela, foi criado com o orçamento disponível, e funciona muito bem. A maquiagem dos vampiros é muito boa, os animatrônicos também, assim como os efeitos visuais; tudo feito com aquele charme dos anos 80, que consegue ser muito melhor do que os efeitos especiais de hoje, e não envelhecem.

Mas, muito mais do que um filme de efeitos especiais, A Hora do Espanto é um filme que deu nova vida ao subgênero dos vampiros. O filme foi lançado no meio da década de 80, na febre dos filmes Slasher, que haviam recebido um novo personagem em sua galeria, o vilão Freddy Krueger, que estreou no cinema no anterior. Pois bem, da mesma forma que Freddy serviu como um sopro de originalidade ao Slasher, este aqui deu sopro de vida aos vampiros, que estavam muito ligados ao terror gótico dos anos 50, 60 e 70. O diretor Holland deu nova roupagem aos vampiros, transportando-os para os subúrbios americanos, onde, aparentemente, nada de horrível acontecia. E não foi só isso. Em seu roteiro, Holland fez uso dos utensílios clássicos usados para matar vampiros, como cruzes, alho e estacas no coração; porém aqui, a cruz tem um detalhe extra: ela só funciona se a pessoa tiver fé, caso contrario, é inútil. Muito bom. E há também a presença do lacaio humano.

Além disso, a maquiagem dos vampiros também sofreu mudanças: ao invés da pele pálida, das unhas longas, e caninos afiados, aqui, eles se transformam em verdadeiros monstros, passando por diferentes estágios até atingirem a forma final.  A primeira vez que eu vi o vampiro Jerry Dandrige na sua forma final, eu fiquei muito assustado porque é muito bem feita. O mesmo vale para os outros vampiros. O melhor deles é o amigo de Charley, que possui um visual muito legal.  

Os efeitos especiais e visuais também não ficam atrás. Como todo filme de terror dos anos 80, este aqui contou com efeitos práticos para criar as proezas que o roteiro pedia, e todas são muito bem feitas. Talvez para os mais exigentes, os efeitos pareçam ultrapassados, mas não para mim. Eu sou um grande admirador de efeitos práticos e é sempre um prazer vê-los na tela. O diretor tinha um belo time de profissionais a sua disposição e o trabalho é excelente. Lobos e morcegos animatrônicos, maquiagem e próteses, tudo muito bom e convincente.

Outro fator que o torna um filme excelente é a trilha sonora. Desde o tema musical, às canções que rolam durante a cena da discoteca, tudo é contagiante e deixa com vontade de dançar, principalmente a cena da discoteca. Toda iluminada com luz neon carregada, é o cenário perfeito de um filme dos anos 80. Todos ali se vestem de modo extravagante e brega, e dançam de forma exagerada. Com certeza, quem viveu essa época, sente a nostalgia batendo quando assiste.

Os personagens também são um trunfo. Charley, sua namorada Amy e seu amigo Evil Ed, são os típicos adolescentes americanos, que andam sempre juntos, e, apesar de ocasionais discussões, pode-se ver que serão sempre amigos. Mas os melhores são o vilão Jerry Dandrige, e o “Great Vampire Killer!”, Peter Vincent.  Dandrige é bonito, charmoso e sedutor, do tipo que atrai a atenção de todos. Interpretado de maneira brilhante pelo ator Chris Sarandon, ele é, com toda certeza, um dos melhores vampiros do cinema. Já Peter Vincent... Conhecido como “The Great Vampire Killer!”, o personagem é  uma grande piada. Ao invés de ser valente como aparenta no seu programa de TV, ele é um medroso sem tamanho, que foge ao primeiro sinal de ameaça. Mas mesmo assim, ele também se mostra um grande amigo para Charley, ajudando-o a caçar e exterminar os vampiros. Muito do carisma do personagem vem da atuação do ator Roddy McDowall, que nos anos 60, estrelou o Clássico O Planeta dos Macacos.

A Hora do Espanto foi lançado em Agosto de 1985, e tornou-se um sucesso de bilheteria, além de receber criticas e avaliações positivas. Atualmente, é considerado um clássico dos anos 80 e um dos melhores filmes de vampiros de todos os tempos. Três anos depois, uma continuação foi lançada, desta vez, dirigida por Tommy Lee Wallace, novamente com Roddy McDowall e William Ragsdale no elenco.

Em 2016, um documentário sobre a produção do filme – e da sequencia – foi lançado em plataforma digital, com entrevistas com membros do elenco e equipe.

Enfim, A Hora do Espanto é um dos melhores filmes de terror dos anos 80. Contem tudo aquilo que o gênero pôde oferecer no período, torna-se melhor a cada revisão. É divertido, assustador, sangrento, sexy e apaixonante. Um dos Filmes Mais Assustadores de todos os tempos. Um dos maiores filmes de vampiro. Maravilhoso. 

Altamente recomendado.








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quinta-feira, 19 de março de 2020

THE OUTSIDER (2020).


NOTA: 9



THE OUTSIDER
THE OUTSIDER é uma das melhores adaptações de Stephen King que foram lançadas nesse primeiro semestre. Além disso, é uma das melhores séries que já vi nesse primeiro semestre.

Sem duvida o que contribuiu para isso foi o fato de terem decidido adaptar o livro de mesmo nome em formato de série, ao invés de adaptarem para o cinema; isso porque o livro de Stephen King – que eu ainda não li – é bem grandinho e deve ter muito mais historias para contar.

Como em toda adaptação, eu sei que mudanças na narrativa tiveram que ser feitas, até para não correr risco de deixa-la mais extensa e com isso, fazer o publico perder o interesse. Bom, no meu caso, não vi isso como problema. Não posso dizer quais mudanças foram boas até porque, não li o livro, mas já posso dizer que quando o assunto é adaptações de Stephen King, existem alterações na trama que funcionam muito bem, e aqui foi um caso.

The Outsider é excelente. Como o próprio Stephen King declarou em um dos especiais da HBO GO, um dos gêneros que mais lhe chamou a atenção na literatura era o gênero de detetives. Mas, sendo o gênio que é, ele resolveu ir mais além, e criou uma historia de detetive que foge dos padrões.

À primeira vista, a série parece uma das inúmeras series policiais que vemos por aí, mas, a medida que a historia avança, já nos primeiros capítulos, fica claro que a situação não é bem assim. O monstro utilizado por King é um dos mais enigmáticos que já vi em uma obra sua – até mais enigmático que Pennywise, o Palhaço Dançarino! Novamente, não sei como o autor abordou a criatura no livro, mas aqui, eles o fizeram que forma interessante. Isso porque o monstro em si, quase nunca aparece, apenas as metamorfoses que sofre ao longo da trama e os efeitos físicos que suas vitimas sofrem.

Esse é um dos destaques da série. A equipe optou por utilizar efeitos práticos de maquiagem, utilizando efeitos digitais somente em casos extremos, e mesmo assim, não estragaram a experiência. A maquiagem é muito boa e chega a dar nos nervos.

A estética também é muito boa. A fotografia não é carregada de filtros, principalmente nas cenas noturnas, o que dá um ar mais natural para as cenas; a edição não é confusa, como acontece em muitos filmes e algumas series atuais; e o design de produção também acerta. O elenco também foi um acerto, principalmente o ator Jason Bateman, que aparece nos dois primeiros episódios.

Todos os episódios foram muito bem escritos e dirigidos e atuados, e seguem a linha narrativa, sem apelar para muitos flashbacks. A única vez que um flashback foi utilizado foi no penúltimo episodio, que mostrou a destruição da uma caverna que serviu para a conclusão da historia.

Enfim, The Outsider é uma das melhores adaptações de Stephen King desse primeiro semestre.

Uma série tensa, assustadora, cheia de mistérios. Muito bem feita, roteirizada, atuada e dirigida. Uma historia redonda, sem pontas soltas, que não apela para sustos falsos.



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https://livrosfilmesdehorror.home.blog/


DOM CASMURRO (Machado de Assis).


NOTA: 9.5



DOM CASMURRO
Capitu traiu Bentinho?

Essa é a pergunta que todos nós, que já lemos o livro de Machado de Assis alguma vez na vida, sempre fazemos. Qual o objetivo do autor ao escrever essa obra? Bem, eu sinceramente não sei. O que eu sei é que até hoje, DOM CASMURRO é motivo de discussões.

Mas é só isso que faz deste um livro fascinante? Não. Na minha segunda excursão à ele, pude perceber que é muito mais do que um livro aberto a sugestões. É um dos melhores e mais divertidos livros que já li. A primeira vez que tive contato com ele foi durante a época da escola, quando resolvi encarar alguns clássicos da nossa literatura para o Vestibular. Dos poucos livros que li, a única experiência negativa foi com A Cidade e as Serras, do autor Eça de Queirós. O resto foi muito bem, e este aqui é um deles. Eu gostei da experiência, e ao contrario do que possa parecer, não achei um livro chato e ultrapassado; pelo contrario, foi uma leitura prazerosa.

E a sensação se repetiu nessa releitura, feita mais de dez anos depois, inspirada, curiosamente, pela novela Bom Sucesso, da Rede Globo. Curioso, não? Na verdade, eu já tentei reler o livro em outra ocasião, mas, provavelmente por causa da edição, não consegui concluir, então deixei de lado. Somente depois de ver o livro sendo mencionado na novela, é que resolvi dar outra chance a ele, desta vez em outra edição. E não deu outra.

Eu me diverti muito durante a leitura, principalmente quando Bentinho relata sua infância ao lado da família. O modo como ele os descreve é muito engraçado, como se todos fossem personagens de alguma comédia, principalmente o agregado José Dias, que vive com eles. O sujeito é um verdadeiro cara de pau em todas as suas ações, e parece não ter vergonha nenhuma. É o tipo de personagem que a gente se pega rindo quando lê o que ele faz, e foi justamente assim que me senti; tive vontade de rir sempre que lia alguma linha de diálogo. A mãe de Bentinho também não fica atrás. Sem duvida, a melhor característica dela é o fato de não desistir da promessa que fizera quando o filho nasceu: ele iria para o seminário. É o tipo de insistência que chega a ser engraçada de certa forma, porque, conforme Bentinho narra, isso o coloca em diversas confusões, principalmente por causa da sua vizinha, Capitu, que também se torna seu primeiro e único amor. Não sei as outras pessoas que já leram o livro, mas, para mim, essa historia não me parece um romance e sim uma comédia romântica dramática.

A respeito da escrita do autor, digo o seguinte. É um livro muito bem escrito. Não tive muitos problemas durante a leitura, e consegui visualizar as cenas sem problemas, principalmente as cenas da infância do protagonista. Ainda não tive acesso aos outros textos de Machado de Assis, mas imagino que sejam tão bem escritos quanto este. A leitura do livro também foi rápida.

Bom, vamos à principal questão da obra. Capitu traiu Bentinho, ou tudo não passou de imaginação dele? Eu sinceramente, não sei responder. Não me lembro a que conclusão cheguei após a leitura que fiz no passado, mas após essa releitura, tudo que posso dizer é: não sei a resposta. E olha que, em certo trecho, há certa “pista” de uma possível traição; mas, mesmo após esse trecho – e antes dele até – , fica difícil confiar na palavra do Bentinho, porque Capitu sempre se mostrou muito apaixonada por ele, desde a infância. Fica a dúvida.

Esse também foi o melhor momento da leitura em minha opinião, o namoro de Capitu e Bentinho. É o típico amor de juventude, onde tudo é maravilhoso e divertido e novo. Em vários momentos, pareceu que eu tinha voltado à minha própria juventude e estava vivendo o mesmo tipo de amor – sensação essa que já havia sentido em Memórias de um Sargento de Milícias, outro clássico da literatura brasileira, e um dos meus livros favoritos.

Alias, como mencionado acima, a tal promessa da mãe do Bentinho leva o protagonista a uma serie de confusões, principalmente por causa do romance dele com Capitu. Em um dos capítulos mais engraçados, ela arma um “plano” para ajudar Bentinho a fugir da promessa, mas dá tudo errado. E essas confusões vão aumentado ao longo do livro, o que torna a leitura muito mais prazerosa.

Existem também outras cenas cômicas no livro, como por exemplo, um sonho onde Bentinho se imagina matando Capitu; ou então, quando ele pondera se deveria ou não acabar com a própria vida, em virtude de suas desconfianças... Mas existem também momentos dramáticos, principalmente no final, quando o personagem conclui sua narrativa, completamente sozinho. Não chegam a ser momentos dignos de nó na garganta, mas, servem quase como um castigo para Bentinho, por duvidar da fidelidade da esposa. Talvez.

Mas, a pergunta que fica é: Machado de Assis deixou a resposta escondida em algum lugar do livro, ou seu objetivo era mesmo fazer o leitor tirar suas próprias conclusões? Acredito que jamais saberemos.

Enfim, o fato é que Dom Casmurro é um dos maiores clássicos da literatura brasileira; um livro que até hoje gera discussões e é motivo de estudos, tanto no Brasil, como no exterior.

Um livro muito bem escrito. Uma historia romântica e divertida, com personagens memoráveis. Um clássico da literatura brasileira. Divertido. Excelente.

Altamente recomendado.

E para concluir, uma ultima pergunta. Capitu traiu Bentinho?




terça-feira, 10 de março de 2020

NOTA.










No último domingo (8/mar), o ator franco-sueco Max von Sydow, nos deixou. A notícia foi confirmada por sua esposa.



Com uma carreira de mais de 100 filmes, von Sydow era um dos maiores atores de todos os tempos, tendo atuado em clássicos como O Sétimo Selo, de Ingmar Bergman, com quem trabalhou em outros 9 filmes, e O Exorcista, um dos maiores clássicos do terror.



Seus outros trabalhos incluem Minority Report, de Steven Spielberg, Ilha do Medo, de Martin Scorsese, e A Maior História de Todos os Tempos, onde interpretou Jesus Cristo.



O Sétimo Selo contém uma das cenas mais memoráveis de todos os tempos: o jogo de Xadrez entre Antonius Block e a Morte, que acontece na praia; já a chegada do Padre Merrin a casa de Regan MacNeill, em O Exorcista, é uma cenas mais icônicas do cinema.



Um dos maiores atores de todos os tempos, Max von Sydow será sempre lembrando por suas inesquecíveis atuações.


Fica aqui a homenagem do Livros & Filmes de Horror à MAX VON SYDOW.




AVISO.

  O LIVROS & FILMES DE HORROR está em recesso. Obrigado.