segunda-feira, 17 de outubro de 2022

HALLOWEEN ENDS (2022). Dir.: David Gordon Green.

 

NOTA: 9



O que os fãs queriam? Acho que essa é a pergunta a se fazer após assistir HALLOWEEN ENDS, a conclusão da trilogia iniciada com o maravilhoso reboot da franquia, em 2018. Eu mesmo não sabia o que esperar, a não ser o combate final entre os protagonistas, mas fora isso, não tinha a menor ideia. Tanto que não liguei para nada do que falaram e fui ao cinema conferir por mim mesmo.

 

Pois bem, eu não sei o que os fãs queriam, mas, com certeza, irão se surpreender – para o bem ou para o mal – após assistirem ao filme, porque, é de fato, aquilo que todos nós esperávamos, mas com algumas ideias novas também.

 

Para começar, eu devo dizer que Halloween Ends presta agora a sua homenagem à Halloween 4, ou melhor, ao que o filme deveria ter sido, quando foi concebido por John Carpenter em 1988. A ideia original de Carpenter, era fazer um filme completamente diferente do que acabou saindo, com uma historia focada em uma Haddonfield traumatizada pelos eventos dos dois primeiros filmes, então, não haveria comemoração de Halloween, mas logo, novos assassinatos aconteceriam, e um novo Michael Myers surgiria. Uma ideia muito boa, certo? De fato, mas, infelizmente, como sabemos, ela foi descartada pelo produtor Moustapha Akkad, como resultado, tivemos um Halloween 4 completamente diferente.

 

Pois bem, agora, parece que o diretor David Gordon Green e os produtores da Blumhouse decidiram ouvir Carpenter – parcialmente – e pegaram a ideia de uma Haddonfield traumatizada pelos eventos da noite de Halloween de 2018, e a transformaram em uma cidade tocada pelo mal, onde seus habitantes não esqueceram o que aconteceu e passaram a enxergar Michael como a verdadeira força do mal que ele é. Mas isso não poupou também Laurie e sua neta, que também passam a ser perseguidas, principalmente por valentões e parentes das vitimas. Quando eu vi que esse foi o rumo, logo me lembrei da ideia original de Carpenter para o quarto filme, e aqui, eles fizeram um trabalho excelente.

 

No entanto, além de Laurie e Allyson, que estão se recuperando também, surge uma nova vitima, o adolescente Corey Cunningham, que matou um garotinho por acidente no Halloween de 2019, e também ganhou uma péssima reputação, tanto dos pais, quanto da cidade, que também o marginaliza. E a coisa muda quando seu caminho se cruza com o de Michael...

 

O que acontece também, é que aqui, não temos tanto foco em Michael Myers, mas sim, nos novos crimes que acontecem em Haddonfield, o que leva Laurie a acreditar que Michael ainda está vivo, mas Allyson não acredita. E conforme mencionado acima, essa era a ideia original de Carpenter, e parece que os roteiristas resolveram escutá-lo, porque temos uma nova onda de assassinatos aqui, mas também temos o vilão original. Pode ser que muitas pessoas já saibam do que estou falando, mas o fato é que eu gostei muito dessa ideia, por motivos já mencionados.

 

Bem, aqui temos mais uma vez o diretor David Gordon Green no comando, e mais uma vez ele acerta no clima de tensão, apelando para jump-scares, verdade, mas apostando também na tensão, que sempre foi o foco do clássico de Carpenter. Mas não se enganem, aqui também temos um banho de sangue, mas tudo feito sem exagero.

 

Deixe-me agora falar sobre os personagens. Laurie e Allyson seguem com suas vidas, na medida do possível, principalmente Laurie, que ainda não se recuperou dos incidentes do passado, principalmente por ela ainda acredita que Michael possa estar vivo. Allyson trabalha no Hospital Memorial de Haddonfield e precisa lidar com uma colega de trabalho inconveniente. E Corey, como já mencionei, também tenta colocar as vidas nos trilhos... Temos aqui também aparições rápidas de Lindsey Wallace e do policial Hawkins, que também tentam se reconstruir.

 

Em resumo, Halloween Ends é um filme sobre os personagens tentando se reerguer, mas também é o fechamento da trilogia, e nesse quesito, cumpre o que promete.

 

E claro, temos o vilão. Assim como no reboot e em Halloween Kills, aqui temos um Michael Myers brutal que não poupa ninguém. E o segundo assassino também não faz feio, principalmente quando assume a identidade temporária do matador. Seu melhor momento fica na sequencia do ferro-velho, onde massacra um grupo de valentões.

 

E claro, aqui não podem faltar as homenagens. Além da já mencionada homenagem a Halloween 4, temos também uma nova homenagem à Halloween III, nos créditos de abertura; e claro, as homenagens ao clássico de Carpenter não param, com uma cena que lembra a da morte de Bob, e uma ponta de Nick Castle, o ator que interpretou o assassino em 1978.

 

Mas claro, o melhor fica para o confronto final entre Laurie e Michael, que era o que estávamos de fato esperando. A sequencia é brutal, com os dois lutando no corpo-a-corpo, com tudo que tem direito, como facas e agulhas e sangue, muito sangue.

 

Com tudo isso, devo dizer que Halloween Ends encerra com louvor a trilogia do reboot, e que eu amei o filme. Eu acredito que Jamie Lee Curtis tinha razão quando disse que muitos iriam odiar, talvez por não ser aquilo que esperavam, mas de minha parte, pode ficar em paz.

 

Enfim, Halloween Ends é um filme excelente, carregado de tensão, violência e brutalidade, além de uma trama que novamente presta homenagens ao clássico de John Carpenter e à franquia como um todo. Um filme que cumpre o que promete e entrega um encerramento digno para a trilogia e para a franquia também.



 

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sexta-feira, 14 de outubro de 2022

HALLOWEEN KILLS – O TERROR CONTINUA (2021). Dir.: David Gordon Green.

 

NOTA: 9.5



Três anos após o lançamento do maravilhoso reboot da franquia Halloween, Laurie Strode e Michael Myers estão de volta em HALLOWEEN KILLS – O TERROR CONTINUA.

 

 O que posso falar sobre esse filme? Bem, vou começar pelo mais claro. Eu adorei esse filme! É uma continuação digna para o reboot de 2018 e também para essa nova fase da franquia, porque mais uma vez, os produtores respeitaram a essência do longa de John Carpenter e da franquia como um todo, e entregaram um filme maravilhoso.

 

É o tipo de filme onde tudo coopera para obter um ótimo resultado, a começar pelo roteiro que tem a excelente sacada de homenagear Halloween II (1981), e continua a história exatamente de onde o filme anterior parou, além da subtrama no hospital, algo presente na primeira sequencia do clássico de Carpenter. Mais detalhes sobre isso adiante.

 

Na verdade, Halloween Kills não é uma espécie de remake de Halloween II, porque o filme todo é sobre a vingança dos moradores de Haddonfield contra Michael, todos liderados por Tommy Doyle, que não se recuperou dos incidentes ocorridos 40 anos atrás. Alias, esse é um dos méritos do filme, trazer os personagens do clássico de volta; além de Tommy, temos também Linsdey Wallace e a enfermeira Marion Chambers, aqui reinterpretadas por Kyle Richards e Nancy Stephens – em seu retorno à franquia – respectivamente. E além delas, temos também o ex-xerife Brackett, novamente interpretado por Charles Cyphers; e também Loonie, um dos garotos que atormentaram Tommy no clássico de Carpenter. Todos aqui desempenham seus papeis muito bem e alguns tem o seu tempo certo de tela.

 

Além da homenagem ao segundo filme da franquia, aqui temos também um filme construído com um pouco menos de tensão e mais sangue, visto que a tensão já estava presente no primeiro filme dessa nova fase. Até porque, aqui, como é o filme do meio de uma trilogia, é necessário que já um pouco de narrativa, porque é um momento de transição entre um filme e outro, algo que muitas pessoas não gostaram – e que deve ser comentado, mas vou deixar para a resenha do último filme.

 

Vou falar sobre os personagens. Conforme mencionado acima, temos o retorno dos demais personagens clássicos da franquia, e todos estão muito bem. Aqui também acontece uma mudança, porque, parece que desta vez, o protagonismo fica com Tommy, que se torna o líder da multidão que se une para caçar Michael. O personagem está ótimo, com seus traumas evidentes e também um pouco de paranoia, algo mostrado em Halloween H2O com Laurie; e as coisas mudam quando ele passa a liderar a multidão, porque ele se mostra como alguém capaz de tudo para combater o mal em Haddonfield. Lindsey e Marion, apesar da pouca presença, também estão muito bem, e também carregam o medo e o trauma dos incidentes de 1978. Aliás, temos aqui a presença de um casal figura cômica, que fizeram um pequena ponta no reboot; assim como o garotinho do reboot, eles são engraçados e rendem momentos divertidos.

 

Talvez o maior problema do filme, na opinião dos fãs, seja a ausência de Laurie, que passa o filme todo no hospital, se recuperando dos ferimentos. Mas, saindo em defesa do filme, a historia não é sobre ela, e sim, sobre todo o mal de Michael na cidade e o pânico que ele provoca. Tivemos algo semelhante em Halloween II, cujo roteiro foi mais focado em Loomis e nos demais personagens do quem Laurie, e naquele filme funcionou; aqui, também. Conforme mencionado acima, Halloween Kills não é sobre o confronto entre Laurie e Michael.

 

Além do ótimo roteiro, que homenageia o segundo filme da franquia, aqui temos uma homenagem ao famigerado Halloween III, com a presença das máscaras da Silver Shamrock, que aparecerem de relance no reboot, mas aqui, aparecem com louvor. Quando eu vi pela primeira vez, eu fiquei muito feliz, porque não sabia que tais acessórios estariam no filme. Uma prova que Halloween III não é um filme esquecido pelos fãs e pelos produtores.

 

Juntamente com a presença das máscaras da Silver Shamrock, temos também uma homenagem ao clássico de Carpenter, na cena do carro, onde os personagens, inclusive Marion, são atacados por Michael, da mesma forma que aconteceu no portão do sanatório de Smith’s Grove; do mesmo jeito, mesmo, com direito ao vilão pulando em cima do carro e quebrando o vidro com a mão. No trailer, já era lindo, no filme, fica ainda melhor.

 

E claro, temos o vilão. Assim como no reboot, aqui temos um Michael Myers ameaçador e brutal, que não poupa ninguém, e se mostra uma verdadeira máquina de matar. Sua melhor cena acontece quando ele ataca o primeiro casal com requintes de crueldade, transformando a morte de ambos, principalmente do marido, em um verdadeiro espetáculo de horror, do jeito que o personagem sabe fazer. Ele é sempre o melhor personagem do filme e da franquia, com seu ar ameaçador e cruel.

 

Laurie também não fica atrás. Mesmo com sua pouca presença, ela ainda se mostra uma mulher forte e disposta a acabar com o reinado de terror de Michael, não importa as consequências. O mesmo vale para sua família, que junta-se a ela em sua busca por vingança. Sua filha Karen é ainda mais determinada, e mostra que não tem medo do vilão.

 

E claro, não posso encerrar essa resenha, sem mencionar a melhor sequência do filme: o flashback de 1978, que mostra o que aconteceu após a fuga de Michael. Tudo foi construído nos mínimos detalhes para lembrar o clima do clássico de John Carpenter. Nenhum detalhe foi deixado de lado, nem mesmo o objeto que quebrou a janela da casa dos Myers e o cachorro morto dentro da casa. As melhores caracterizações ficam com Michael e o Dr. Loomis – numa presença que me surpreendeu quando eu vi pela primeira vez. Os dois ficaram idênticos ao clássico de 1978 e surpreendem muito bem. Pelo que eu vi, todos gostaram muito dessa sequência, mesmo alguns tendo odiado o filme.

 

Mas, conforme mencionei acima, Halloween Kills é um filme de transição. Agora, só esperar pela conclusão da trilogia.

 

Enfim, Halloween Kills é um filme excelente. Um longa cheio de momentos de tensão e medo, com toques absolutos de horror e sangue. A direção e o roteiro conseguiram fazer um grande trabalho, e mais uma vez, prestaram homenagens respeitosas à franquia original e principalmente, ao clássico de John Carpenter, com seus personagens que retornam e se unem mais uma vez. Um filme excelente e maravilhoso. Altamente recomendado.




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quinta-feira, 6 de outubro de 2022

HALLOWEEN III – A NOITE DAS BRUXAS (1982). Dir.: Tommy Lee Wallace.

 

NOTA: 8



Em 1978, o diretor John Carpenter lançou Halloween – A Noite do Terror, que rapidamente se tornou um clássico do terror e o melhor exemplar do gênero Slasher. O sucesso do filme levou os estúdios a produzirem sequencias, a fim de transformá-lo em uma franquia.

 

Enfim, chegamos ao controverso HALLOWEEN III – A NOITE DAS BRUXAS, lançado em 1982, produzido por John Carpenter e Debra Hill, os criados do clássico de 1978, e escrito e dirigido por Tommy Lee Wallace.

 

Controverso porque, como sabemos, este é o único da franquia que não conta com a presença de Michael Myers e cia., por um motivo muito simples que será explicado mais tarde.

 

Mas isso não impede o filme de ser muito legal, justamente por causa de seu clima de mistério e trama diferenciada.

 

Diferenciada porque ao invés do Slasher, aqui temos uma trama mais voltada para a conspiração e a ficção cientifica, com os personagens vivendo uma espécie de jogo sinistro arquitetado pelo vilão. À primeira vista, isso pode até parecer estranho – e não vou mentir, é – mas a gente acaba entrando na onda e compra a ideia.  

 

Então, aqui temos mais uma trama de investigação, e durante todo o filme nós acompanhamos os protagonistas enquanto eles tentam desvendar o que está acontecendo na pequena comunidade de Santa Mira, pois o mistério está relacionado com a morte do pai da mocinha, e as pistas levaram os dois até a comunidade.

 

E durante o caminho, eles trombam com coisas estranhas, que vão aumentando conforme o mistério. E o que acontece é muito bizarro.

 

Bizarro porque à principio parece que a trama vai para uma direção, mas de repente, a chave vira e o rumo muda, para mais bizarro ainda, digno de um filme de ficção cientifica.

 

Mas vamos falar sobre o filme como um todo. Para começar, devo dizer que é um filme muito bem dirigido, com sequencias e planos longos, além de cenas com toques de mistério, quase com ares de teoria da conspiração.

 

No entanto, apesar da boa direção, devo dizer que o filme tem os seus problemas, muitos deles relacionados ao roteiro. Por exemplo, há um dialogo absurdo na cena do hospital proferida por um dos personagens ao protagonista. Outro problema é o fato de os assassinos misteriosos da Silver Shamrock serem quase onipresentes e saberem de tudo o que acontece à sua volta, fato esse que culmina na cena da furadeira, por exemplo; e claro, o embate final entre o protagonista e a mocinha, que até hoje continua sem resposta.

 

Tirando esses problemas, somos também brindados com cenas e personagens absurdos, todas envolvendo os personagens secundários, em especial, uma família rica que vai se hospedar na cidade, cujo pai é representante de vendas da Silver Shamrock. São cenas absurdas mesmo, dignas dos filmes da época.

 

Falando da Silver Shamrock, não posso falar do filme sem mencionar as maravilhosas máscaras do Dia das Bruxas. Desde a primeira vez que vi o filme, há alguns anos na TV, eu adorei as máscaras, principalmente as de esqueleto e abobora, porque são muito lindas. Eu tenho vontade de ter as máscaras para brincar em casa. As máscaras reapareceram na franquia no reboot de 2018, como uma homenagem.

 

Ainda sobre a Shamrock, a mesma se faz presente no filme o tempo inteiro, seja nos logos em forma de trevo, seja pela fabrica, que observa a cidade como se fosse a Mansão Marsten, do livro Salem, de Stephen King. É possível ver que a marca e o empresário Cochran controlam a cidade, com suas câmeras de segurança espalhadas pelos locais, e o modo como a população se refere a ele com respeito e admiração.

 

Agora, vamos falar sobre a parte de horror do filme. Conforme mencionado acima, Halloween III não pode ser considerado um Slasher, porque não temos cenas de morte de adolescentes carregadas no gore; ao contrario, temos apenas três, todas sem uma gota de sangue. Além do paciente misterioso, temos a cena da furadeira, que me lembra – e muito – a cena da furadeira do excelente Giallo Sete Orquídeas Manchadas de Sangue (1971), dirigido por Umberto Lenzi. No entanto, a melhor delas é a demonstração do poder das máscaras de Shamrock, cujas cobaias são os membros da família rica. É a famosa cena onde a máscara derrete na cabeça do garoto e logo saem um monte de insetos e cobras da sua boca. Uma cena muito boa.

 

Quero também mencionar a respeito do vilão, o Sr. Cochran. Ele é o típico vilão que se revela aos poucos, a principio, mostrado nas sombras, depois aparecendo de relance, e por fim, quando surge por completo, mostra seus traços de maldade aos poucos. Seu momento mais absurdo é quando ele revela ao protagonista os seus planos, que possuem relação com a pratica pagã do Samhain, conforme apresentada no segundo filme, e que seria levada para frente nessa primeira parte da franquia. De acordo com o roteiro, o vilão gosta de criar brincadeiras e pegadinhas, e conforme o mesmo admite, tudo não passa de uma brincadeira de Dia das Bruxas.

 

E o mais absurdo de tudo, a fonte de seus poderes malignos vem de uma das pedras do Stonehenge que ele roubou... Não faz o menor sentido, mas é muito divertido por causa disso.

 

Antes de encerrar, deixe-me esclarecer por que Halloween III é o único da franquia que não conta com a presença de Michael Myers. Segundo informações da internet, o diretor John Carpenter tinha a intenção de transformar a franquia em uma antologia, com um filme diferente ambientado no Dia das Bruxas. No entanto, seus planos foram abortados por causa de Halloween II, que contou com os personagens originais; mas, após o fim do segundo filme, Carpenter resolveu colocar suas ideias em pratica, e o primeiro foi este filme. Infelizmente, o plano não deu certo, e o filme foi odiado pelo publico e pela critica após sua estreia.

 

Apesar do ódio inicial, aos poucos, Halloween III foi ganhando respeito dos fãs da franquia, tendo recebido status de cult. Eu pessoalmente me encaixo nesse globo, porque, após essa ultima revisão, o filme ficou bem melhor do que eu me lembrava.

 

Estreou em 22/out/1982 e conseguiu obter bons números de bilheteria, apesar das criticas negativas, conforme explicado acima. Foi lançado em VHS e DVD no Brasil, mas atualmente está fora de catalogo. Lá fora, recebeu um lançado em Blu-ray em 4k pela Shout Factory, juntamente com os demais da franquia.

 

Enfim, Halloween III é um filme muito bom. Um longa divertido, com uma trama absurda, carregada de momentos ridículos e memoráveis, que o deixam ainda melhor a cada revisão. A direção e o clima são os grandes atrativos do filme, pois remetem a um filme do diretor John Carpenter, que aqui volta como produtor. Um filme que ganhou status de cult com o passar dos anos, que agrada aos fãs da franquia. Muito bom. Divertido. Recomendado.

 

FELIZ DIA DAS BRUXAS!



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quarta-feira, 21 de setembro de 2022

UMA NOITE ALUCINANTE 3 (1992). Dir.: Sam Raimi.

 

NOTA: 10



Em 1981, o diretor Sam Raimi lançou Evil Dead – Uma Noite Alucinante I – A Morte do Demônio, que se tornou um dos maiores clássicos do cinema de horror de todos os tempos.

 

O primeiro filme de terror a gente não esquece, não é? Qual foi o primeiro de vocês? O meu foi UMA NOITE ALUCINANTE 3, que encerra a famosa Trilogia Evil Dead, do diretor Sam Raimi, com Bruce Campbell no papel de Ash.

 

Eu devia ter uns 5 anos quando assisti a esse filme pela primeira vez, provavelmente na TV, e ao invés de me assustar, eu me senti fascinado pelas coisas que vi na tela, principalmente aqueles esqueletos com espadas e escudos, lutando contra o castelo inteiro; e juntamente com isso, algumas outras cenas ficaram na minha cabeça por anos: Ash dentro do poço; o olho saindo de seu ombro; os esqueletos saindo das tumbas e agarrando-o com as mãos... Foi o meu primeiro filme de terror, sem duvida. Por isso, tem um lugar muito especial no meu coração.

 

Não há duvidas que a Trilogia Evil Dead é conhecida pelo enredo na cabana nas montanhas, mas, Uma Noite Alucinante 3 se difere dos demais por levar a trama para o século XIV, conforme visto no final de Evil Dead II. Esse é o grande mérito do filme, porque, naquela altura, com certeza, não havia mais o que fazer com a trilogia, porque apostar na cabana na floresta e possessão pela terceira vez não seria legal; então, a ação foi transportada para a Idade Média, e, ao invés de espíritos possessores, temos aqui o Exército dos Deadites, composto por esqueletos e cadáveres em decomposição.

 

Não teria como dar errado, e de fato não deu. E justamente é o grande atrativo do filme, essa mudança de ares. Talvez até pareça estranho, principalmente por causa do título original – Army of Darkness – mas para os fãs isso não incomoda, como é o meu caso. Pelo contrario, é até muito legal ver a mudança de ares da trilogia a partir desse filme, porque, realmente, não havia mais para onde ir.

 

E assim como Evil Dead II, esse aqui começa com um repeteco dos eventos do filme anterior – aqui, no caso, tudo precisou ser filmado de novo por questões de direitos autorais; apenas o final do filme anterior é mostrado – para deixar o espectador atento e a par do que aconteceu anteriormente. Passado o flashback, somos levados até o filme de verdade. E novamente, outra atriz interpretou Linda, aqui no caso, foi a atriz Bridget Fonda. E aqui as mudanças continuam.

 

A principal, sem duvidas, é no tom da franquia, que, apostava no terror de verdade, principalmente o primeiro filme. Aqui, temos a alteração para a comédia de fato, com cenas carregadas no humor negro: Ash e suas versões minúsculas; a batalha contra os Deadites, entre outras. Pessoalmente, eu não vejo problemas, porque no filme anterior nós já tivemos uma pitada de humor, e de certo, seria outra coisa que não teria como mudar. O tom de humor funciona muito bem, e se tornou uma característica do próprio diretor, e passou também para a série de TV. As cenas são engraçadas, mas pessoalmente, não são daquelas cenas de arrancar gargalhadas, mas divertem muito.

 

Mas, vamos falar também das diferentes versões do filme. Não sei qual foi o motivo que levou o filme a ter duas versões diferentes – Versão de Cinema e Versão do Diretor – mas as duas são maravilhosas, mesmo com suas diferenças. A Versão do Diretor é a mais completa, com sequencias e diálogos estendidos e alternativos; já a Versão de Cinema também tem cenas e diálogos alternativos, mas alguns estão incompletos, principalmente nas sequencias do moinho e da batalha no castelo; e claro, temos os famosos finais: a Versão do Diretor termina com um final apocalíptico; enquanto que a Versão de Cinema termina na loja S-Mart. Na minha opinião, as duas versões são maravilhosas, mas se for para escolher, eu prefiro mais a Versão do Diretor. Curiosamente, pelo que me lembro, a versão em VHS optou por juntar as duas. Estranho... Corrijam-me se eu estiver errado.

 

Independente das versões, é possível ver que aqui temos um Evil Dead com mais orçamento, visto o cenário do cenário e os demais efeitos especiais dos monstros. Temos aqui de tudo: marionetes, maquiagem e fantasias, tudo muito bem feito. Os efeitos dos esqueletos são os melhores e misturam de tudo isso, sendo o Stop-Motion e as marionetes os principais. Além dos esqueletos, temos também a presença reduzida os demônios possessores e novos monstros, além, é claro, da entidade sem rosto que percorre a floresta, e do vilão principal, aqui, uma versão do Mal do protagonista, também interpretado por Bruce Campbell. Os efeitos especiais foram criados pela KNB Effects e por Tony Gardner, nomes conhecidos no gênero do terror.

 

O vilão principal é um dos atrativos do filme, e de longe, é muito diferente do que já vimos nos filmes anteriores. Diferente porque eu pessoalmente não o considero demoníaco o bastante; ao contrario, é um grande palhaço que garante momentos divertidos.

 

Conforme mencionado acima, Uma Noite Alucinante 3 tem muitas cenas memoráveis para mim, mas as minhas favoritas são a marcha dos Deadites ao castelo, acompanhado pelo tema musical de Danny Elfman; e a ressureição do vilão principal, num super close de seu rosto.

 

Antes de encerrar, a Trilogia Evil Dead tem o seu lugar no hall dos filmes de terror de todos os tempos. Todos – principalmente os dois primeiros – são altamente avaliados por sites críticos lá fora e os dois primeiros tem seu lugar na galeria dos filmes de terror mais importantes de todos os tempos. Graças à trilogia, o diretor Sam Raimi hoje tem status em Hollywood e como sabemos, conseguiu dirigir a trilogia do Homem-Aranha e o novo filme do Doutor Estranho. Além da trilogia, temos também a série Ash VS Evil Dead, que se encontra disponível na Netflix. Talvez ainda esse ano, seja lançado o quarto filme da franquia, Evil Dead Rise, que não contará com Sam Raimi na direção e nem Bruce Campbell no elenco, mas ambos estão envolvidos na equipe de produção.

 

Foi lançado em Blu-ray no Brasil pela Obras-Primas do Cinema com as duas versões, na coleção Trilogia Uma Noite Alucinante, em edição caprichada recheada de material extra. Atualmente, a coleção está fora de catalogo, mas a distribuidora anunciou o lançamento da trilogia em DVD ainda nesse ano.

 

Enfim, Uma Noite Alucinante 3 é um filme excelente. Divertido, assustador, com cenas memoráveis e momentos de comédia que mudam o tom da franquia. Novamente, a direção e o estilo de Sam Raimi são um dos atrativos, além da presença de Bruce Campbell em papel duplo. Temos aqui novos monstros, além de esqueletos animados em Stop-Motion carregando espadas. Um filme memorável para mim, que tem um lugar especial em meu coração. Excelente. Maravilhoso. Altamente recomendado.



Créditos: Obras-Primas do Cinema


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segunda-feira, 19 de setembro de 2022

POSTAGEM ESPECIAL – HÄXAN 100 ANOS.

 





Ontem, há 100 anos, foi lançado Häxan – A Feitiçaria Através dos Tempos.

 

Escrito e dirigido por Benjamin Christensen, este é um dos primeiros longas-metragens gênero terror a ser produzido pelo cinema.

 

Ao longo de 7 capítulos, o diretor faz um relato sobre a historia da Bruxaria através dos tempos, passando por diversas épocas até chegar à Era Moderna, tudo feito em tom quase documental.

 

Além do aspecto de falso documentário, Häxan também é um filme profano até a medula, com suas cenas e imagens de Sabá e Satanismo.

 

Um filme que não envelheceu e até hoje se mostra muito poderoso.

 

Feliz 100º Aniversário, HÄXAN.




quarta-feira, 14 de setembro de 2022

EVIL DEAD II – UMA NOITE ALUCINANTE 2 (1987). Dir.: Sam Raimi.

 

NOTA: 10



Em 1981, o diretor Sam Raimi lançou Evil Dead – Uma Noite Alucinante I – A Morte do Demônio, que se tornou um dos maiores clássicos do cinema de horror de todos os tempos.

 

Em 1987, foi lançado EVIL DEAD II – UMA NOITE ALUCINANTE 2, novamente comandado por Sam Raimi e estrelado por Bruce Campbell, reprisando seu icônico papel como Ash.

 

O que dizer sobre esse filme? Bom, digo o seguinte. Esse é um dos melhores filmes de terror e comédia de todos os tempos, pois mistura os dois na medida certa, e aqui temos de tudo.

 

Evil Dead II é o exemplo de continuação que muita gente considera melhor que o primeiro filme, talvez por ser mais maduro e mais desenvolvido... mas eu pessoalmente o considero tão maravilhoso quanto o primeiro, justamente por causa desses fatos, e mais ainda, pela nostalgia.

 

Eu assisti a esse filme pela primeira vez em 2002, pouco tempo depois de assistir ao primeiro filme, quando aluguei na mesma locadora. Mas, diferente do primeiro, a imagem era bem mais clara, então pude ver tudo sem nenhum problema. Eu adorei o filme, e quando o vi em uma banca, comprei rapidamente, sem saber que o primeiro filme estaria disponível também; este saiu em VHS, o segundo, saiu em DVD. O engraçado é que quando eu vi que o primeiro saiu também, eu fiquei arrepiado por causa da minha experiência negativa com ele. Hoje em dia, eu amo a Trilogia Evil Dead, e os filmes ficam melhores a cada revisão.

 

Com este aqui não é diferente. Eu me divirto toda vez que assisto, e conheço todas as cenas, e fica difícil dizer qual é a melhor; a minha favorita é quando um dos personagens é possuído e levita pela cabana.

 

Alias, aqui temos aqui a volta da cabana isolada na floresta, visto que no começo do filme, acontece um repeteco do anterior, por motivos que foram explicados pelo próprio Bruce Campbell em uma entrevista. Talvez para os mais exigentes, isso seja um problema, mas talvez isso funcione como uma espécie de recapitulação sem os demais personagens, e funciona. A presença da cabana na floresta é um fator recorrente e marcante da franquia que funciona mesmo para quem não conhece o filme propriamente dito.

 

Pode-se dizer que o “filme de verdade” acontece após esse repeteco, quando os demais personagens vão até a cabana e a trama acontece; mas não é bem assim, porque é importante não desconsiderar o que acontece anteriormente, porque ocorrem outras coisas após a possessão da namorada de Ash.

 

Os demais personagens são muito legais, cada um com a sua característica, mas o melhor é a versão possuída da esposa do arqueólogo, que inferniza a vida de todos ali. É uma característica comum da franquia, conforme mencionei anteriormente, um grupo de vilões que os personagens precisam combater antes de destruir o vilão principal.

 

Evil Dead II é conhecido também como um dos mais famosos exemplares de terror e comédia do cinema. Nos anos 80, o gênero começou a se misturar com a comédia, o que rendeu grandes exemplares, e este aqui é um dos melhores. Os momentos de humor ficam por conta do confronto entre Ash e sua mão possuída, que rende momentos antológicos, com direito a pratos quebrados e tiro ao alvo.

 

Além do humor negro, temos também a presença de melhores efeitos especiais. Temos aqui cabeças e membros decepados, corpos sem cabeça que andam sozinhos e stop-motion, tudo graças ao orçamento um pouco maior. E claro, temos também a câmera que percorre o cenário no papel da entidade demoníaca sem rosto. Aqui a câmera está afiada, com seus movimentos elaborados e rapidez alucinante. Os efeitos especiais foram realizados por grandes nomes do gênero, e deixam o filme ainda mais divertido. A maquiagem dos monstros também está bem melhor.

 

Antes de encerrar, Evil Dead II é considerado por muitos como sendo melhor que o primeiro filme, tendo recebido avaliações mais altas em sites e de críticos.

 

Foi lançado em Blu-ray no Brasil pela Obras-Primas do Cinema em versão restaurada em 4k na coleção Trilogia Uma Noite Alucinante, em edição caprichada recheada de material extra. Atualmente, a coleção está fora de catalogo, mas a distribuidora anunciou o lançamento da trilogia em DVD ainda nesse ano.

 

Enfim, Evil Dead II é um filme excelente. Um filme maravilhoso, com cenas antológicas misturadas com humor negro que funciona muito bem. A direção de Sam Raimi também é um dos destaques, novamente com sua câmera frenética que percorre os cenários de maneira alucinante. Os efeitos especiais também funcionam e deixam o filme ainda mais divertido. Um dos melhores filmes de terror de todos os tempos. Altamente recomendado.


Créditos: Obras-Primas do Cinema


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segunda-feira, 12 de setembro de 2022

COMUNHÃO (1976). Dir.: Alfred Sole.

 

NOTA: 9



Em 1974, o diretor Bob Clark lançou Noite de Terror, considerado o primeiro Slasher do cinema, porque foi o primeiro a abordar a questão das datas comemorativas associadas ao gênero.

 

Dois anos depois, foi lançado COMUNHÃO, do diretor Alfred Sole, considerado um dos primeiros exemplares do gênero.

 

Talvez para os mais exigentes, o único mérito desse filme seja o fato de ser o primeiro longa da atriz Brooke Shields, mas, é muito mais do que isso. Ao contrario do que viria depois no gênero, temos aqui um filme muito mais focado no suspense do que nas cenas de morte e no sangue, o que, conforme mencionei em outras resenhas, é muito bom, porque mostra que naquela época, os cineastas estavam muito mais interessados na história no que no sangue.

 

E Comunhão segue isso quase ao pé da letra, visto que temos aqui pouquíssimas cenas de morte – apenas três personagens morrem – e mais momentos de mistério e investigação policial. Aliás, isso é o que mais temos aqui, visto que os incidentes têm inicio após – não é spoiler! – o assassinato da personagem de Brooke Shields na primeira comunhão, uma cena muito pesada.

 

Durante boa parte do filme, somos brindados com cenas da policia investigando o homicídio, interrogando os parentes da menina, fazendo testes de poligrafo na irmã mais velha, etc... Além disso, temos também os demais personagens envolvidos no mistério, entre eles, a Sra. Tredoni, a mulher que cuida dos afazeres da igreja; e o Sr. Alphonso, o desprezível senhorio do prédio onde Alice mora com a família. Os demais eventos se resumem à policia investigando a personagem, e o pai desconfiado da sobrinha, principalmente após outro incidente.

 

Além dos momentos de investigação, o filme é cheio de momentos tensos e pesados, muitos deles envolvendo a família de Alice; a começar pelo fato de que o pai e a mãe são divorciados e se reencontram durante o funeral de Karen, e o clima é carregado de tensão, principalmente sexual, visto que os dois ainda se amam. Juntamente com isso, temos também a complicada relação entre a mãe e a tia de Alice. A tia Annie é uma mulher tipicamente autoritária, que não respeita nem mesmo o momento de luto da irmã e da sobrinha. As cenas dessa personagem são as mais pesadas, tudo graças ao roteiro e a interpretação afiados da atriz.

 

O Sr. Alphonso também é um personagem com momentos tensos, principalmente graças às suas atitudes em relação aos outros personagens; em determinada cena, ele tenta assediar Alice quando a menina lhe entrega o cheque, por exemplo. Uma cena verdadeiramente grotesca que não seria reproduzida hoje em dia...

 

E além dele, temos também a Sra. Tredoni, que cuida dos padres da igreja. Desde sua primeira aparição, fica claro que ela tem algum problema, principalmente com o Padre Tom... Não posso entrar em mais detalhes para não dar spoilers, mas, fica claro que ela é aquele tipo de personagem que usa a fé para justificar seus atos, não importa quão terríveis eles sejam.

 

E para fechar, temos a protagonista, Alice. Assim como os demais, desde sua primeira cena, é possível perceber que há algo errado na menina, principalmente nas cenas em que ela interage com os pais e com a irmã mais nova. A principio, ela aparenta ter ciúmes da irmã, mas conforme o filme avança, a coisa fica mais séria. Ela é, sem duvida, uma das melhores crianças perversas do cinema.

 

E claro, como todo Slasher, temos também a figura memorável do assassino. Aqui, temos um assassino que se veste com uma capa de chuva amarela e usa uma máscara de boneca translucida. E desde o começo, as suspeitas sobre sua identidade caem sobre Alice, visto que a menina tem as mesmas roupas, mas, durante o segundo assassinato, as suspeitas mudam – por motivos de spoiler, não vou revelar o porquê. É um dos melhores assassinos do gênero, e assusta sem o menor esforço.

 

Antes de encerrar, Comunhão é basicamente um filme de terror cristão, visto que a figura dos padres, das freiras e a igreja são presenças recorrentes no longa, o que lhe dá um aspecto até mais pesado, porque é difícil imaginar um Slasher ambientado nesse contexto, além de contribuir para algumas das críticas sociais apresentadas no filme.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo na coleção Slashers – Vol.4, em versão restaurada sem cortes, após anos fora de catálogo.

 

Enfim, Comunhão é um filme perturbador. Uma trama cheia de mistério e violência, onde nada é o que parece. Um filme que consegue arrepiar sem fazer esforço para isso, com suspense bem construído e um final chocante. Uma trama perturbadora em todos os sentidos. Um dos primeiros exemplares do gênero Slasher e um dos melhores.


Créditos: Versátil Home Vídeo

 

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