terça-feira, 30 de maio de 2023

O CAÇADOR DE BRUXAS (1968). Dir.: Michael Reeves.

 

NOTA: 8.5


Filmes sobre a Caça às Bruxas não são fáceis de assistir, e o principal motivo são as cenas de tortura e execução. Não apenas por causa das cenas de tortura, mas também porque relatam de forma quase realista esse período cruel da Humanidade.

 

O CAÇADOR DE BRUXAS é mais um desses filmes, produzidos durante as décadas de 60 e 70, e um dos melhores deles. Lançado em 1968, com direção de Michael Reeves, o filme conta com o astro Vincent Price em sua melhor atuação.

 

Além de ser um dos melhores filmes da carreira do astro, este é também um dos melhores filmes de terror britânicos dos anos 60.

 

E motivos para isso não faltam. O filme é muito bem feito, bem escrito, bem dirigido e bem atuado. As locações na Inglaterra são maravilhosas e tornam o filme atraente e convidativo.

 

Assim como todos os filmes sobre o tema da caça às bruxas, aqui temos um filme de horror focado no terror real; ou seja, não há presença de criaturas, demônios ou outras coisas do gênero. Ao meu ver, isso torna esses filmes ainda mais assustadores, porque temos a visão de como deve ter sido esse período horrível da História da Humanidade, onde a ignorância e o medo reinavam sobre o bom senso. E aqui não é diferente – mais detalhes à frente.

 

Além de ser um filme extremamente violento, O Caçador de Bruxas também pode ser considerado um filme sobre História, uma vez que conta a historia de Matthew Hopkins, um advogado britânico que se tornou um caçador de bruxas. Segundo relatos, Hopkins percorria o interior da Inglaterra, ao lado de seu assistente, a fim de encontrar e executar pessoas acusadas de bruxaria. Não sei como ele era na realidade, mas aqui, o astro Vincent Price entrega uma excelente performance.

 

O restante do elenco também não faz feio, principalmente os atores Ian Ogilvy, Hillary Dwyer e Robert Russell. Ogilvy e Dwyer interpretam o casal protagonista, ameaçado por Hopkins, e convencem muito bem nos papeis, dando a impressão que são apaixonados um pelo outro, e quando o personagem de Ogilvy decide se vingar de Hopkins, é a mesma coisa. Russel faz o papel do assistente de Hopkins, John Stearne, e consegue arrancar ódio do espectador.

 

Mas não tem jeito. O Caçador de Bruxas pertence ao astro Vincent Price. O ator faz uma interpretação espetacular, encarnando o Mal absoluto. O seu Matthew Hopkins é aquele típico personagem que mete medo no espectador toda vez que aparece em cena, e é verdade. Acho impossível não ter medo do Hopkins de Price, porque ele é o Mal na Terra, usando e abusando de requintes de crueldade para conseguir arrancar confissões de seus acusados. Hopkins não poupa ninguém, e acredita que está fazendo a coisa certa, o que faz dele um dos maiores vilões de todos os tempos.

 

Quem também não faz feio é o diretor Michael Reeves. Sua câmera faz um ótimo trabalho, com seus planos gerais das locações, além de outros planos. Reeves também se mostrou um grande diretor de atores, e não arranca performances caricatas de seu elenco, principalmente dos protagonistas.

 

Como mencionado acima, O Caçador de Bruxas retrata a época da caça às bruxas, que, conforme dito, foi um dos piores períodos da Humanidade. Era uma época onde a ignorância e o medo reinavam sobre o bom senso, e os métodos mais absurdos eram utilizados para conseguir extrair confissões dos acusados. Métodos como tortura, agulhadas e afogamento eram empregados, sem piedade aos acusados, algo que hoje em dia é visto como absurdo. Eu já assisti a alguns filmes sobre esse tema, e sinceramente, o terror real é muito pior do que o terror fantástico, e a ignorância é de provocar raiva no espectador.

 

O Caçador de Bruxas teve seus bastidores conturbados por causa das desavenças entre o astro Vincent Price e o diretor Michael Reeves. Segundo informações da internet, o diretor queria o ator Donald Pleasence para interpretar Hopkins, mas devido a ordens da A.I.P., Price acabou sendo escalado. As coisas continuaram ruins entre eles, com direito ao astro chegando bêbado no set, ou caindo literalmente do cavalo em uma cena. No entanto, após assistir ao filme, Price mandou uma carta à Reeves, parabenizando-o pelo seu trabalho. O diretor Michael Reeves acabou falecendo em 1969, vítima de overdose.

 

Antes de encerrar, mais um pouco de informações a respeito de Matthew Hopkins. Tudo que se sabe sobre ele, é que foi um caçador de bruxas britânico, mas existem fatos de sua vida envoltos em mistério, como por exemplo, a data de seu nascimento – dizem que nasceu em 1620 – e sua própria morte.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo, na coleção Caça às Bruxas no Cinema, em versão restaurada, após anos fora de catálogo.

 

Enfim, O Caçador de Bruxas é um filme muito bom. Um longa assustador e violento, que retrata o período da caça às bruxas com fidelidade ímpar. O astro Vincent Price tem a melhor atuação da sua carreira, aqui no papel do advogado caçador de bruxas Matthew Hopkins. Price assusta toda vez que aparece na tela, e os atos de seu personagem arrancam arrepios do espectador. A direção de Michael Reeves também é muito boa, e o diretor arranca ótimas atuações de seu elenco. Um dos filmes mais violentos de todos os tempos, e um dos melhores da década de 60. Altamente recomendado. 


Créditos: Versátil Home Vídeo.

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terça-feira, 23 de maio de 2023

A CASA QUE PINGAVA SANGUE (1971). Dir.: Peter Duffell.


 NOTA: 8.5



Desde sua fundação, em 1962, a Amicus tornou-se um dos maiores estúdios de cinema britânicos de todos os tempos, rivalizando com a Hammer Films. Porém, ao contrário da Hammer, o estúdio tornou-se especialista em produzir antologias de horror, apesar de lançar outros filmes, a maioria voltados para o horror. Ao total, foram sete antologias, todas maravilhosas.

 

A CASA QUE PINGAVA SANGUE, lançado em 1971, é uma delas, e uma das minhas favoritas. Me arrisco a dizer que é a minha favorita, porque foi a primeira que assisti, e toda vez que assisto, o filme fica ainda melhor.

 

O roteiro, escrito por Robert Bloch, a partir de suas histórias, é composto por quatro segmentos, algo muito comum em uma antologia, dividir o filme em segmentos. Além disso, o longa parece se encaixar no gênero de casa assombrada, visto que o principal cenário é uma casa que causa um efeito estranho em seus moradores.

 

Method for Murder: Um escritor e sua esposa se mudam para uma casa no interior da Inglaterra, para que o homem possa se recuperar de um bloqueio criativo. Uma noite, ele tem uma ideia para seu novo livro, e passa a escrevê-lo de forma compulsiva. No entanto, ele também passa a ser atormentado por visões com o vilão da história.

 

Waxworks: Um homem solitário compra a casa a fim de esquecer um amor do passado. Um dia, durante um passeio pela cidade, ele descobre um museu de cera, e, intrigado, decide entrar. Lá dentro, ele se depara com a escultura de uma mulher que se parece muito com a mulher que amou. Quando um amigo vai visita-lo, o mesmo também se torna obcecado pela estranha figura, o que gera terríveis consequências.

 

Sweets to Sweet: Um homem se muda para a casa com sua filha após a morte de sua esposa. Preocupado com o estranho comportamento da filha, o homem contrata uma professora particular, que passa a ensinar a menina. Durante suas leituras, a menina descobre um livro sobre bruxaria e passa a aprender os truques descritos nas páginas.

 

The Cloak: Um temperamental ator se muda para a casa, a fim de concluir as filmagens de seu novo filme. Após uma confusão no set, ele acaba se deparando com um estranho cartão de uma loja de fantasias. Ao chegar lá, ele compra uma antiga capa de vampiro e passa a usá-la no filme. No entanto, a capa logo revela sua verdadeira natureza.

 

Mais uma vez, temos uma antologia comum, com seus segmentos simples. No entanto, aqui temos também os interlúdios, focados na investigação do Inspetor Holloway, primeiramente com a polícia, e depois com o corretor de imóveis.

 

 Além de ser uma das melhores antologias da Amicus, A Casa também é mais uma aventura do escritor Robert Bloch no estúdio, tendo participado também outras produções para o estúdio. O roteiro de Bloch é muito bom, principalmente quando se trata dos segmentos, porque, assim como em produções anteriores, o estúdio soube apresentar os mais básicos elementos do terror de forma brilhante e convincente.

 

Junto a isso, temos aqui a presença dos lordes do horror, Christopher Lee e Peter Cushing, trabalhando mais uma vez para o estúdio. Ambos estão muito bem em seus papéis, e mais uma vez, se mostram como grandes nomes do horror que eram. Ao lado deles, temos a estrela Ingrid Pitt, um dos grandes nomes do horror britânico, atuando na última história.

 

O diretor Peter Duffell fez um bom trabalho aqui, criando cenas verdadeiramente assustadoras e tensas, principalmente na primeira e na última histórias. Ambas possuem cenas de tensão, focadas nos personagens, sem o uso de trilha sonora, algo que, conforme já mencionei em outras resenhas, é um ótimo elemento para assustar.

 

A Casa é um típico filme de horror produzido na Inglaterra naquele período, o que faz parte do seu charme, graças às cenas e o clima nostálgico. Esse é o tipo de elemento que me atrai nos filmes desse período, porque eles têm um apelo diferente em relação aos filmes produzidos nos Estados Unidos, por exemplo.

 

O longa é uma antologia, certo? E como todas, sempre tem uma historia que é melhor que as outras. Aqui não é diferente. Na minha opinião, a melhor é The Cloak, a última. Toda vez que assisto a esse segmento, eu gosto mais, porque é uma história verdadeiramente arrepiante, além de focar na metalinguagem, e ser uma releitura das histórias de vampiros. O segmento é muito bom e prende a atenção por causa desses elementos, e por causa do seu final. O final do filme em si, com o Inspetor Holloway enfrentando os vampiros também é muito legal e assustador.

 

Enfim, A Casa que Pingava Sangue é um filme muito divertido. Uma antologia clássica, com seus segmentos brilhantes, cada um com seu charme próprio. Um clima de nostalgia e mistério preenchem o filme e o deixam ainda melhor a cada revisão. A presença de grandes astros do horror britânico também é um destaque, combinado com o roteiro inspirado de Robert Bloch. Uma das melhores antologias da Amicus Productions. 



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quinta-feira, 18 de maio de 2023

SEXTA-FEIRA 13 – PARTE 6 – JASON VIVE (1986). Dir.: Tom McLoughlin.

 

NOTA: 8


Antes de falar sobre o filme, vou deixar um recado. Esta é a ultima resenha a respeito da franquia Sexta-Feira 13, porque é o ultimo filme da franquia que tenho na minha coleção, e também porque os demais não foram lançados no Brasil em mídia física.

 

Bom, dado o recado, vamos lá.

 

Após o desempenho ruim da Parte 5, a Paramount decidiu trazer Jason de volta, e o resultado foi SEXTA-FEIRA 13 – PARTE 6 – JASON VIVE, dirigido por Tom McLoughlin.

 

Na opinião de muitos fãs da franquia, este é o segundo melhor depois do primeiro, talvez pela forma como foi contado. Ao contrário do tom sério dos filmes anteriores, aqui temos um longa conduzido pelo humor negro e pelas situações absurdas no roteiro.

 

Eu pessoalmente não considero esse um dos meus favoritos, mas admito que é muito legal. No entanto, eu ainda prefiro os quatro primeiros.

 

Mas vamos lá. Sexta-Feira 13 – Parte 6 é mais um filme focado no personagem do Tommy Jarvis, que esteve nos dois filmes anteriores, ganhando destaque na franquia como sendo uma espécie de nêmesis do vilão. Aqui, temos o personagem adulto novamente, disposto a provar que Jason está a solta, após ser revivido numa noite de tempestade. No entanto, ninguém acredita nele e somente descobrem a verdade após o assassino surgir diante deles.

 

É um roteiro bem amarrado, porque foca na trama de Tommy e sua busca para derrotar o vilão. Além disso, temos de fato a trama de um acampamento funcionando, porque temos crianças que estão realmente acampando no Crystal Lake, que aqui foi renomeado, justamente para tentar apagar a lenda do vilão.

 

Além disso, temos algumas cenas que envolvem um humor negro até que involuntário, com direito a quebras de quarta barreira, principalmente nas cenas envolvendo o coveiro do cemitério. Os personagens também contribuem para esse tom de humor, com tiradas espertas, muitas delas dadas pelos personagens secundários.

 

Uma das mais notáveis é a sequência do jogo de paintball, uma sequência aleatória, que surge do nada, com personagens estúpidos, que estão lá apenas para morrerem nas mãos de Jason. E as cenas de morte dessa sequência são bem criativas, com direito a membros arrancados e um rosto sendo prensado numa arvore com um smile desenhado nela. Nessa cena também é estabelecido como Jason conseguiu sua machete, arrancando-a de um dos jogadores. Na verdade, ao longo da franquia, nós vimos que o vilão conseguiu várias machetes diferentes, mas parece que foi aqui que a machete definitiva do personagem foi conquistada – mesmo que ele não faça uso dela nos demais filmes.

 

Conforme mencionado acima, aqui temos o retorno de Tommy Jarvis, mas também temos outros personagens bem interessantes, como o Xerife Garris, que faz de tudo para conter o protagonista porque não acredita nele; temos também a filha do xerife, que simpatiza com Tommy e decide ajuda-lo; como sempre, temos os monitores do acampamento, sendo todos muito bem estabelecidos e bem escritos. Os demais personagens também não fazem feio.

 

No entanto, o melhor personagem é o vilão. Aqui temos a primeira aparição da versão zumbi de Jason, visto que ele ressuscita de seu tumulo com ajuda de um raio. O vilão está em forma aqui, alto, brutal, implacável, com sua característica máscara de hóquei, luvas de couro e um cinto de utilidades. Essa é a peça do figurino que mais chama a atenção dos fãs, e adiciona um elemento a mais ao personagem.

 

Apesar de sua presença imponente, as cenas de morte são bem reduzidas aqui, principalmente graças aos cortes da MPAA, que era famosa por cortar as cenas mais sangrentas da franquia. A falta de cenas mais elaboradas não exclui as cenas de mortes criativas, principalmente a cena em que uma personagem tem o rosto prensado na lataria do trailer, ou quando Jason quebra um personagem ao meio.

 

E claro, além do roteiro bem amarrado, temos também uma direção criativa. O diretor McLoughlin faz uso de planos mirabolantes para criar cenas de tensão, sempre mostrando o vilão ao fundo do cenário, ou na frente da câmera.

 

E na trilha sonora, temos a presença do cantor Alice Cooper, com três canções, sendo a mais conhecida, He’s Back (The Man Behind the Mask), que toca nos créditos finais.

 

Sexta-Feira 13 – Parte 6 – Jason Vive foi lançado em 01/ago/1986 e obteve um bom resultado nas bilheterias.

 

A franquia foi lançada em VHS e DVD no Brasil ao longo dos anos, mas atualmente está fora de catálogo. Lá fora, a franquia foi lançada em Blu-Ray pela Shout! Factory, em um grande box ilustrado.

 

Enfim, Sexta-Feira 13 – Parte 6 – Jason Vive é um filme bem legal. Um filme com um roteiro bem amarrado, focado no humor negro, com grandes tiradas. Além disso, a direção é criativa e cria cenas de tensão e medo. O vilão Jason é o grande destaque, com um novo visual imponente, brutal e implacável, com a clássica machete e um cinto de utilidades. Um dos mais adorados pelos fãs da franquia. Um filme muito bom.





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terça-feira, 11 de abril de 2023

A INVASÃO DOS DISCOS VOADORES (1956). Dir.: Fred F. Sears.

 

NOTA: 10


Durante os anos 50, Hollywood produziu uma variedade de filmes voltados para a invasão extraterrestre, como uma forma de retratar o que estava acontecendo no mundo naquela época.

 

A INVASÃO DOS DISCOS VOADORES é um desses filmes lançados nessa leva, e um dos melhores; e motivos para isso não faltam.

 

Conforme mencionei em resenhas anteriores, este é um exemplo daqueles filmes da década de 50 que sabiam divertir o publico com suas tramas que focavam na paranoia da invasão alienígena.

 

E claro, devo mencionar que o fator que torna o filme atrativo são os efeitos especiais, criados pelo mestre Ray Harryhausen – mais detalhes sobre isso adiante.

 

Bom, mas vamos falar sobre o filme primeiramente. Dirigido por Fred F. Sears, aqui temos um típico filme de ficção cientifica da época, com a presença dos cientistas, e principalmente dos militares, que querem impedir a ameaça.

 

É o tipo de coisa que ficou comum na época, principalmente por causa do medo da ameaça nuclear e da invasão comunista, então, os militares eram presença garantida em filmes do gênero.

 

E os personagens são muito criveis. Assim como mencionei em resenhas de filmes da mesma época, o elenco é um fator que contribui para deixar o filme mais realista; mais uma vez, vemos aqui que os atores interpretam muito bem seus papéis e passam a credibilidade. Em nenhum momento, eu achei que eles estavam atuando de maneira forçada ou exagerada; pelo contrário.

 

A direção de Fred F. Sears também é competente. O diretor cria cenas muito boas, principalmente nas sequencias da invasão em Washington, com planos abertos dando destaque para as naves e a destruição que elas provocam.

 

O roteiro também é bem construído, e desde o começo, deixa claro a respeito do que se trata, mostrando os discos voadores praticamente logo na primeira cena e em seguida, desenvolvendo a história em cima da ameaça da invasão dos extraterrestres, e em seguida, apresentando os protagonistas e a sua relação com os invasores, porque o Dr. Marvin é um cientista que desenvolve foguetes, e os extraterrestres derrubam os foguetes que ele e sua equipe lançam; e também estabelece que Marvin consegue se comunicar com os alienígenas, graças ao seu gravador.

 

Mas não tem como falar do filme sem mencionar os efeitos especiais, criados pelo mestre do Stop-Motion, Ray Harryhausen. Os discos voadores têm um design maravilhoso, que realmente lembra um disco, com sua arma de raios. Para cada cena, Harryhausen tinha modelos de tamanhos diferentes e a animação é espetacular e convincente. E os alienígenas também têm um visual legal, com uma armadura que dispara raios que desintegram o alvo.

 

E a melhor cena que eles protagonizam é a invasão em Washington. As naves sobrevoam a capital dos EUA de maneira extraordinária, passando pelos prédios históricos e monumentos, causando pânico na população.

 

E claro, também não posso deixar de falar sobre o filme sem mencionar a influencia que o longa teve no diretor Tim Burton, admirador confesso de Harryhausen. Para mim, é impossível não desassociar o longa de Burton com este aqui, principalmente porque temos cenas praticamente idênticas, como um dos monumentos de Washington sendo destruído, ou quando uma das naves cai na água; e o modo de derrotar os invasores é basicamente o mesmo, com o uso de som, além do design dos OVNIs.

 

A Invasão dos Discos Voadores foi dirigido por Fred F. Sears, um dos nomes mais associados ao cinema de ficção cientifica na década de 50. Infelizmente, em 1957, o cineasta cometeu suicídio após reações negativas ao seu ultimo filme, The Giant Claw.

 

Foi lançado em DVD no Brasil em edição dupla, com a versão colorida e com a versão em preto e branco, com um segundo disco recheado de extras. Atualmente, tal edição está fora de catalogo.

 

Enfim, A Invasão dos Discos Voadores é um filme excelente. Uma obra clássica de ficção cientifica da época, com todos os aspectos presentes. Os efeitos especiais do mestre Ray Harryhausen são o grande destaque, com seus discos voadores com design único, que protagonizam cenas memoráveis. Um filme maravilhoso. 



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sexta-feira, 10 de março de 2023

TUBARÃO (Peter Benchley).

 

NOTA: 8



Em 1975, o diretor Steven Spielberg lançou Tubarão, que se tornou um dos maiores clássicos do cinema, e um grande sucesso, arrecadando mais de US$ 100 milhões em bilheteria.

 

Mas hoje não estou aqui para falar do filme de Spielberg, mas, sim do livro que deu origem ao mesmo: TUBARÃO, livro de estreia de Peter Benchley.

 

Bom, já vou começar pelo obvio. O livro é muito diferente do filme, principalmente no que diz respeito a algumas cenas e alguns personagens. Claro, a cena de abertura é praticamente a mesma do filme, mas ainda assim tem suas diferenças. A principal delas é que o autor já resolveu mostrar o animal logo de cara, numa cena carregada de tensão e violência.

 

A partir do primeiro ataque, a história segue mais ou menos igual ao filme, como já disse, com suas diferenças. No primeiro momento, temos mais destaque para os coadjuvantes da trama, para depois focarmos no Chefe Brody e em sua família.

 

O livro é dividido em três partes.

 

Na primeira, temos o foco nos ataques do tubarão, que até acontecem na mesma ordem do filme, mas, com destaque para a presença do animal. Temos também o impacto que isso gera na comunidade de Amity, com Brody fazendo o possível para impedir que novos ataques aconteçam, sugerindo para as autoridades a interdição das praias, mas elas não aceitam, chegando a ameaçá-lo. Assim como no filme, a segunda pessoa a morrer é o garotinho na boia, e logo após, temos o confronto entre Brody e a mãe do garoto, na minha opinião, um dos momentos mais interessantes do livro, pelo modo como foi escrito – mais detalhes sobre isso adiante. Ainda na primeira parte, somos apresentados ao oceanógrafo Matt Hooper, que rapidamente cria uma divergência com Brody.

 

Na segunda parte, somos apresentados à vida na comunidade de Amity, com destaque para a relação entre Hooper e Ellen Brody. Esse é um dos pontos mais estranhos do livro, na minha opinião, porque parece surgir do nada, por causa de um relacionamento que Ellen teve com o irmão mais velho de Hooper. Bom, a segunda parte apresenta uma melhora quando chega ao ultimo capitulo, pois temos o foco no tubarão novamente.

 

Já a última parte é focada na caça ao peixe gigante. Ao contrário do que acontece no filme, nós somos apresentados à rotina diária de Brody, Hooper e Quint a bordo do Orca, enquanto eles esperam pelo peixe. No primeiro dia, acompanhamos os três enquanto discutem sobre a vida de pescador de Quint, enquanto o mesmo mostra a eles suas habilidades. No segundo dia, temos um breve encontro com o tubarão, mas antes disso, somos novamente apresentados à rotina dos três personagens a bordo do barco. Os dois últimos dias envolvem os confrontos finais com o peixe.

 

Pois bem, agora vamos falar sobre o livro em si. Como deu para ver, o livro é diferente do filme – algo muito comum – e apresenta momentos que foram aproveitados no longa de Spielberg, mas, a partir da segunda parte, temos uma história um pouco mais dramática, onde a rotina de Brody e dos demais personagens é apresentada, quase nos mínimos detalhes.

 

No entanto, um dos maiores problemas do livro, para mim, é a caracterização dos personagens. Se na primeira parte é possível ter simpatia por eles, o mesmo não pode ser dito da segunda parte, porque somos apresentados a Hooper, o oceanógrafo que chega à cidade para ajudar as autoridades. Ao contrario do filme, Hooper é mostrado como um personagem arrogante, que acha que sabe mais do que os outros por causa de sua profissão, apesar de às vezes se mostrar prestativo.

 

Os demais personagens também possuem caracterizações bizarras. Ellen, por exemplo, é descrita como uma dondoca que se arrepende de ter abandonado a vida de luxo que tinha após se casar com Brody; e o prefeito Vaughn, apesar de estar mais preocupado com a situação financeira da comunidade, em certos momentos, se mostra como um homem covarde e beberrão, que se envolve com membros da máfia de Nova York. Claro, não vejo nenhum problema com a visão pessoal do autor, mas em certos momentos, eu não consegui engolir as caracterizações dos personagens.

 

A escrita de Benchley é muito boa, porque em sua estreia, o autor conseguiu descrever o que queria mostrar com habilidade, principalmente as cenas envolvendo a cidade. No entanto, em certos momentos, ele apresenta algumas falhas, como descrever situações que parecem deslocadas ou extensas demais. O principal problema é que no final de alguns capítulos, o autor resolveu colocar cenas que não condizem com a narrativa, apenas para preencher espaço – na minha visão. As cenas de ataques são descritas muito bem e o suspense é construído aos poucos e consegue prender a atenção.

 

No entanto, o maior problema do livro é a relação entre Brody e Hooper. Desde o primeiro encontro, o autor faz questão de colocar um atrito entre eles, e tal atrito vai aumentando ao longo da historia, beirando ao exagero. E a coisa piora principalmente por causa do envolvimento de Hooper com Ellen, que, conforme mencionei acima, parece ter saído do nada, por causa de uma relação que ela tinha com o irmão dele.

 

A personalidade de Brody também apresenta um grave defeito na segunda parte, na sequencia do jantar. Durante toda a sequência, Brody é descrito como alguém extremamente desagradável, que não está nem um pouco à vontade com a situação, mas não se esforça para mudar. Na verdade, eu não gosto muito dessa sequência, porque ela parece sair do nada, a fim de mostrar como as personalidades dos envolvidos são fúteis.

 

E para finalizar os problemas, eu achei o final do livro muito apressado, com a solução acontecendo de uma vez, de forma quase impossível de acompanhar na leitura.

 

E o principal problema, não se refere ao livro como um todo, mas sim à tradução da editora DarkSide, que apresentou erros na escrita, principalmente nos diálogos. Para uma melhor leitura, eu recomendo a edição clássica da Círculo do Livro.

 

Mas, deixando esses problemas de lado, eu digo que Tubarão é um ótimo livro e serve como um bom pontapé inicial para quem não conhece a história, e para quem conhece apenas o filme.

 

Enfim, Tubarão é um livro muito bom. Uma história de horror e aventura escrita com grande habilidade, com momentos de tensão e suspense que prendem o leitor. Recomendado. 


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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2023

A CASA DO CEMITÉRIO (1981). Dir.: Lucio Fulci.

 

NOTA: 9



Entre 1980 e 1981, o diretor Lucio Fulci realizou a sua Trilogia do Inferno, em parceria com a atriz Catriona MacColl, que também se tornaram um marco em sua filmografia.

 

A CASA DO CEMITÉRIO é o ultimo filme da trilogia, e sem duvida, um dos mais violentos – senão o mais violento – de Fulci, tudo graças aos efeitos especiais, mas não vou falar sobre isso agora.

 

Antes de falar sobre os efeitos, vou falar sobre o filme. O longa é um dos mais estranhos do cineasta, com um clima de horror que predomina a fita desde o começo, com a ambientação sinistra da casa em estilo gótico rodeada por um cemitério.

 

Além disso, o filme é banhado de cenas carregadas no gore característico do diretor, onde o sangue jorra com gosto.

 

O filme é um dos mais estranhos de Fulci porque é uma mistura de vários gêneros, que vão desde casa mal-assombrada, passando pelo gore e chegando a história de crianças fantasmas. Mas isso não impede o longa de ser um dos melhores do diretor.

 

A trama até parece simples: família se muda para uma casa no interior e passa a ser aterrorizada por uma criatura sinistra; mas, conforme acabei de dizer, o roteiro mistura diferentes temas para chegar a tal, graças ao roteirista Dardano Saccheti, que utilizou temas de sua infância e de seu interesse para contar a história.

 

Conforme mencionado acima, o longa marca a terceira parceria de Fulci com a atriz Catriona MacColl, e ela não faz feio. Mais uma vez, a atriz interpreta uma personagem atormentada pelas forças das trevas, e desta vez, faz o que pode para salvar a família. Ao lado dela, temos o ator Paolo Malco, que também entrega uma ótima performance; no entanto, o problema no elenco de personagens, é o filho do casal, um ator mirim bem ruim... O resto do elenco também funciona bem, interpretando aqueles personagens estranhos, comuns no cinema de horror italiano.

 

A ambientação é a melhor coisa do filme, principalmente a casa em estilo gótico rodeada pelo velho cemitério. Desde que aparece em cena pela primeira vez, a casa passa uma sensação de medo e insegurança, principalmente nas cenas noturnas. O cemitério também contribui para isso, porque fica escondido na floresta, cercado de galhos velhos.

 

Conforme mencionado acima, o filme é um dos violentos de Fulci, graças aos efeitos especiais de gore, criados pelo mestre Giannetto de Rossi. Como fez deste que entrou no gênero horror, Fulci não poupa o espectador de cenas sangrentas, desde o começo do filme, em um assassinato duplo. A partir daí, o sangue rola solto, em uma cena mais sangrenta que a anterior, principalmente a cena do morcego, que colocou o longa na famigerada lista dos “Video-Nasties” no Reino Unido. A cena do morcego é a mais exagerada em termos de sangue, porque o mesmo corre em quantidades extremas, passando um pouco do limite, até. Outra cena também carregada de gore é a cena do assassinato da corretora de imóveis, que começa carregada de tensão e termina em um banho de sangue.

 

Além dos efeitos de sangue, temos também os efeitos por trás da criatura que vive no porão da casa, o Dr. Freudstein. A criatura parece um zumbi saído direto do clássico absoluto de Fulci, ao mesmo tempo que se parece também com alguém que sofreu um acidente. O monstro habita o porão da casa da família, que também é uma das melhores ambientações, envolta na escuridão, com cadáveres espalhados por todos os lados.

 

Além das cenas de gore, o filme também é cheio de cenas tensas, graças à direção maestral de Fulci, com a câmera que percorre todos os cômodos da casa, além do uso de lentes distorcidas e zooms e closes nos olhos do elenco.

 

Antes de encerrar, vou deixar uma curiosidade. A locação da casa gótica foi reaproveitada por Umberto Lenzi sete anos depois, no seu Ghosthouse.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo, na coleção Obras-Primas do Terror – Vol.4, em versão integral em dual áudio (Inglês ou Italiano).

 

Enfim, A Casa do Cemitério é um filme excelente. Uma história com clima de horror que predomina a narrativa desde o começo, misturado a uma direção inspirada e efeitos especiais carregados no gore. O diretor Fulci consegue criar tensão e horror na medida certa. Um dos melhores do Padrinho do Gore. Um dos filmes mais assustadores de todos os tempos.


Créditos: Versátil Home Vídeo


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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2023

AMITYVILLE 3 – O DEMÔNIO (1983). Dir.: Richard Fleischer.

 

NOTA: 8



Não há dúvidas que Amityville é uma das maiores – talvez a maior – franquia de terror do cinema. Ao todo, foram mais de dez filmes, entre as “continuações oficiais” e produções da Asylium. No entanto, a franquia tem apenas quatro filmes, lançados entre 1979 e 2017. Eu pessoalmente não considero os filmes que vieram depois de 1983, porque são todos horríveis e não tem nada a ver com a franquia original; o único que retomou a franquia foi Amityville – O Despertar, que traz a casa de volta.

 

Mas não vou falar sobre eles. Vou falar sobre o último filme da trilogia original, AMITYVILLE 3 – O DEMÔNIO, lançado em 1983 e novamente produzido por Dino de Laurentiis.

 

Ao contrário dos anteriores, aqui nós temos uma história original envolvendo a Mansão de Amityville, com pouco – ou quase nenhum – foco nos assassinatos cometidos por Ronald DeFeo em 1974.

 

Aqui, acompanhamos John Baxter, um cético repórter que compra a Mansão de Amityville após provar que um casal realiza falsas sessões espiritas. A partir daí, as coisas correm bem para ele, mas não demora muito para as manifestações acontecerem.

 

Amityville 3 foi dirigido por Richard Fleischer, que na época, estava em uma fase diferente da carreira. Aqui ele se mostra um diretor competente, e consegue tirar boas atuações do seu elenco, e cria cenas arrepiantes.

 

O elenco também não faz feio, principalmente o ator Tony Roberts, no papel do protagonista. Ele consegue passar a imagem do homem cético, que acredita somente no que é palpável. Tess Harper e Robert Joy também convencem, principalmente Harper, que interpreta a ex-esposa do protagonista, numa atuação dúbia, porque eu não sei dizer se ela concorda ou não com o divórcio; Joy interpreta o Dr. West, cientista que investiga o paranormal.

 

Devo mencionar também o elenco jovem, com as estreantes Lori Loughlin e – pasmem! – Meg Ryan, nos papeis da filha de Baxter e sua amiga, respectivamente. Em resumo, aqui, como nos outros filmes – principalmente no primeiro – temos personagens que parecem reais.

 

No entanto, o que mais chama a atenção no filme são os efeitos 3D. O longa foi produzido no auge dos efeitos 3D no cinema, onde praticamente todos os cineastas apelavam para o efeito, a fim de chamar o público. Não tenho dúvidas de que, na época, deve ter sido muito chamativo, mas, infelizmente, hoje em dia, é bem datado, principalmente por causa do fato de todos os personagens jogarem coisas na tela o tempo todo; e, conforme mencionei em Tubarão 3, quando o filme é convertido para 2D, a imagem e os efeitos ficam estranhos.

 

Na opinião, além dos efeitos 3D, temos também um pequeno problema relacionado à casa. Em certo momento, é possível ver que as tradicionais janelas foram substituídas por outras em dos lados da casa, e com isso, ao meu ver, a mesma perde parte de sua identidade.

 

Mas, mesmo com esse pequeno problema, é sempre bom ver a Mansão na tela, com suas janelas semelhantes a olhos, que chamam a atenção do espectador; além de sua presença ameaçadora e assustadora. Não há dúvidas que a Mansão se tornou a cara da trilogia.

 

Ao contrário dos dois anteriores, aqui não temos cenas carregadas de terror; ao invés disso, temos cenas levemente tensas, como por exemplo, a cena em que a personagem de Candy Clark percorre a casa com a lanterna, até o porão. É uma sequência tensa, mas não muito assustadora.

 

Realmente, parece que aqui, não temos muitas cenas memoráveis, talvez, apenas os efeitos em 3D. Talvez a mais memorável seja a sequência com a equipe de paranormais investigando a casa, até o momento em que o demônio surge e ataca o Dr. West. Mas nada disso impede o filme de ser divertido.

 

Antes de encerrar, queria deixar minha opinião em relação ao medo que a ex-esposa de Baxter tem em relação à Mansão de Amityville. Em uma cena anterior, ela se consulta com o Dr. West a respeito dos fenômenos que podem acontecer na casa; em outra, ela discute com a filha e a proíbe de visitar o pai na casa. Faltou uma cena do casal discutindo sobre a casa, principalmente após a tragédia que se abate sobre eles. Há um processo de negação por parte de Nancy, mas não há uma conversa entre eles depois disso. Eu achei que faltou isso, porque os dois primeiros filmes focavam em problemas familiares dentro da casa.

 

Amityville 3 foi lançado nos cinemas em 18/nov/1983 e foi um fracasso de bilheteria, o que levou os realizadores a produzirem as demais sequencias somente para a TV ou para o mercado de home vídeo. A franquia retornou oficialmente em 2017 com Amityville – O Despertar, que traz a Mansão de volta.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pelas Obras-Primas do Cinema na coleção Trilogia Terror em Amityville, em versão remasterizada.

 

Enfim, Amityville 3 é um filme muito bom. Um longa bem dirigido e com ótimas atuações, além de momentos de suspense e toques sobrenaturais. Um filme muito divertido, com uma historia original para a Mansão de Amityville. Recomendado.



Créditos: Obras-Primas do Cinema


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