segunda-feira, 10 de junho de 2024

A NOITE DOS MORTOS-VIVOS (1968). Dir.: George A. Romero.

 

NOTA: 10


A NOITE DOS MORTOS-VIVOS é um filme atemporal.

 

Lançado há quase 60 anos, é considerado um dos maiores filmes de terror de todos os tempos, e foi o responsável por apresentar várias características que se tornariam regras para o subgênero de zumbi, além de colocar os mortos-vivos de vez na cultura pop.

 

Aliado a tudo isso, temos as técnicas de direção e produção, que se mostram muito eficientes desde o começo.

 

O diretor George A. Romero fez sua estreia com esse filme, e se mostrou muito competente na arte de comandar e escrever o roteiro de um filme.

 

O roteiro de Romero, escrito em parceria com John Russo, apresenta uma trama simples na verdade, onde um grupo de pessoas se vê preso em uma casa de fazenda abandonada, cercada por vários zumbis. O grupo então precisa se unir para sobreviver a esse ataque.

 

É uma trama simples, não é? Sim, e misturada às técnicas de direção e roteiro, contribui para deixar o filme melhor a cada revisão.

 

Mas não é apenas a técnica que deixa o filme melhor. Outra coisa que contribui para isso é a crítica que o roteiro faz à situação que o país vivia naquele momento, mas, falarei sobre isso mais para frente.

 

Não é novidade que este é um filme de zumbi, mas, não foi o primeiro – o primeiro foi Zumbi Branco (1932), com Bela Lugosi. Apesar de não ser o primeiro, foi o responsável por apresentar o zumbi moderno para a cultura pop, além de ser o filme que definiu o gênero de terror moderno, influenciando gerações de cinéfilos e cineastas ao longo das décadas.

 

Além disso, é um dos filmes mais claustrofóbicos de todos os tempos. A ambientação na casa é a principal fonte de claustrofobia, porque ela está sempre fechada para impedir a entrada dos zumbis. Os personagens ficam enclausurados dentro daquela casa, e com isso, nós, os espectadores também.

 

Uma curiosidade interessante. Apesar de ser um filme de zumbi, a própria palavra “zumbi” não é mencionada em momento nenhum, e nem a origem das criaturas é explicada com clareza. Em determinado momento, o noticiário diz que o responsável pela ressurreição dos mortos foi um satélite que caiu em algum lugar os Estados Unidos. É uma boa explicação.

 

Além de ser um dos filmes mais claustrofóbicos de todos os tempos, este é também um dos filmes mais chocantes e assustadores de todos os tempos, e motivos para isso não faltam. Um exemplo claro disso é a cena em que os zumbis comem os pedaços de dois personagens que morreram; mesmo sendo em preto e branco, é uma cena pesada até hoje.

 

É um dos filmes mais assustadores porque a tensão e o medo estão presentes desde o primeiro momento, e conforme o filme vai passando, parece que as duas sensações vão aumentando, porque não sabemos o que vai acontecer com os personagens, principalmente dentro da casa, visto que eles se enfrentam o tempo todo.

 

Essa é a grande crítica que o roteiro de Romero e Russo faz. Romero pegou como inspiração os conflitos raciais que estavam acontecendo no país na época, combinado ao terror da Guerra do Vietnã, e montou uma grande crítica em torno do racismo, porque o protagonista Ben é um homem negro, que entra em conflito com Cooper, que é um pai de família tradicional, que não aceita opiniões de ninguém, nem mesmo da esposa.

 

Até hoje, cenas de conflitos raciais estão presentes nos Estados Unidos, vide o movimento “Black Lives Matter!”, que surgiu após um episódio revoltante envolvendo um cidadão afro-americano e um policial. Quem disser que este filme é datado, está enganado.

 

Foi lançado no Brasil em DVD e Blu-ray pela Versátil Home Vídeo, em inédita versão restaurada, com muitos extras acompanhando.

 

Enfim, A Noite dos Mortos-Vivos é Um Clássico do Terror. Um filme que revolucionou o gênero e trouxe os zumbis para a cultura popular e influenciou gerações de cineastas e cinéfilos. Um filme importante em muitos aspectos, pois aborda temas que até hoje são relevantes e importantes, e merece ser visto. Uma trama muito simples, mas que consegue ser assustadora até hoje. Uma trama claustrofóbica que não deixa o espectador respirar. Muito bem feito, muito bem dirigido, com roteiro redondo, sem falhas na concepção. Um dos maiores filmes de terror de todos os tempos, que deu um novo sopro ao gênero. Um dos Filmes Mais Assustadores de Todos os Tempos. O maior filme de zumbis de todos os tempos. Assustador. Claustrofóbico. Chocante. Excelente. 


Créditos: Versátil Home Vídeo.

 

terça-feira, 4 de junho de 2024

PRÍNCIPE DAS SOMBRAS (1987). Dir.: John Carpenter.

 

NOTA: 9


PRÍNCIPE DAS SOMBRAS é um dos meus filmes favoritos do diretor John Carpenter, porque é um dos filmes do cineasta que eu mais vejo.

 

Na teoria, o longa é um filme de terror, mas na prática, é um filme que contém muitas coisas ao mesmo tempo e muitos temas misturados.

 

O roteiro, escrito pelo próprio diretor – usando pseudônimo –, mistura física com religião e terror cósmico, além de contar com um elenco de muitos personagens.

 

Mas não se engane. Essa confusão tonal faz parte do charme do longa, que é feito com as técnicas milenares do cineasta, que faz aqui, um dos seus melhores filmes.

 

Na trama, o Padre Loomis recruta um professor de Física e seus alunos para investigar estranhos fenômenos que estão acontecendo na cidade de Los Angeles. Durante as investigações, eles descobrem que tais fenômenos estão relacionados a um estranho recipiente guardado no porão de uma velha igreja.

 

Parece uma trama simples, não é? Mas, conforme mencionei acima, o roteiro de Carpenter lida com vários assuntos diversos. O diretor lida com questões de Física e religião de uma forma que eu nunca tinha visto em um filme; ele quase junta os dois, como se fossem uma coisa só.

 

De acordo com o próprio diretor, a ideia veio por causa do interesse que ele tem nessas questões de Física, nas equações, etc., e com isso, criou um filme que merece ser visto com a mente aberta.

 

Eu acho que isso é importante. Assistir ao filme com a mente aberta, e não com o olhar de um Físico, ou Teólogo, porque Carpenter com questões um tanto quanto problemáticas, principalmente em determinado trecho, quando diz quem foi Jesus Cristo, e de onde Ele veio. Com certeza, não é todo mundo que vai engolir a explicação que o roteiro dá.

 

Conforme também mencionei acima, o roteiro contém um elenco bem grande de personagens, e acredito que Carpenter teve que fazer um malabarismo para conseguir colocá-los juntos na narrativa, visto a quantidade de atores ali presentes. Acredito que esse é um detalhe que pode deixar o espectador confuso, até mesmo porque, alguns deles não são mencionados pelo nome.

 

No entanto, apesar do elenco bem grande, temos um protagonista, o Padre Loomis, interpretado por Donald Pleasence, em sua terceira colaboração com Carpenter, que é o fio condutor da trama toda. Ao seu lado, temos outros personagens importantes, que estão presentes desde o começo. O primeiro é o professor Birack, que se mostra um conhecido do padre; temos também os alunos Brian, Catherine e Walter, um dos personagens mais divertidos do filme. Brian e Catherine são o casal de mocinhos, que acabam fazendo parte do time de físicos que são contratados para investigar o estranho cilindro com líquido verde. Eu confesso que tenho meus problemas com Brian, porque ele não me convence em alguns pontos do filme – não sei se é por causa do ator, ou por causa do próprio personagem. Walter é o aluno convencido, de quem ninguém gosta, que fala besteiras nos momentos errados.

 


Outro detalhe que merece ser mencionado é o cenário. O filme inteiro se passa dentro de uma antiga igreja em Los Angeles, e Carpenter soube aproveitar o cenário ao máximo. Sua câmera foca em diversos locais diferentes da igreja, mesmo tendo seu foco no porão, onde o recipiente misterioso está localizado. Aparentemente pequena do lado de fora, a igreja é bem grande do lado de dentro, com vários lances de escadas, e diversos quartos e uma enfermaria. É um cenário bem dinâmico.

 

Os efeitos especiais também merecem menção especial. Temos aqui efeitos de corpos se despedaçando, truques de maquiagem e insetos. A maquiagem do filme é muito boa, além de contar com alguns efeitos de body horror, principalmente quando o receptor do líquido verde é revelado. O corpo e o rosto do personagem em questão fica coberto de feridas e pústulas, dando um aspecto até que nojento, diga-se de passagem.



O efeito do líquido verde também é digno de nota. Ao longo do filme, ele aparenta estar rodando dentro do cilindro, e o efeito não se perde nem mesmo quando o recipiente é filmado em planos abertos. Temos também efeitos de gotas e rachadas do líquido caindo de baixo para cima, com truques muito bem feitos.

 

Além da maquiagem e efeitos do líquido, temos também a presença de insetos e minhocas, e são muitos deles, principalmente na cena em que um personagem se desfaz diante dos protagonistas, coberto por milhares de besouros. Temos também minhocas presas na janela e formigas se acumulando no formigueiro. Faço ideia de como esses efeitos foram criados, de tão bem feitos que são.

 

Vale aqui também uma menção ao estranho líquido verde. No primeiro momento, não sabemos exatamente qual sua origem, ou seu significado, mas fica claro que ele é capaz de se infectar diversas pessoas, sendo passado de uma para outra por meio de jatos. Ele permanece um mistério, até que o professor revela ao padre que todas as partículas do mundo possuem um reflexo, então, o padre chega à conclusão que o líquido seja um fluído do próprio Satã, mesmo que isso não fique explícito no roteiro.

 

E por fim, além das questões religiosas e físicas, temos também um pouco de viagem no tempo, visto que os personagens têm um sonho específico, com a entrada da igreja e com uma figura negra misteriosa; a voz presente no sonho informa ao espectador que a mensagem está sendo passada do ano de 1999, ou seja, do futuro. Talvez, tal sonho signifique que o mundo está acabando, e que o Apocalipse chegará no ano de 1999, conforme se acreditava.

 

E antes de encerrar, temos uma participação especial de Alice Cooper, no papel de um líder de um grupo de moradores de rua que são infectados pelo líquido de forma indireta. Mesmo com a pouca presença, o cantor rouba a cena quando aparece, e seu personagem é muito assustador.

 

Foi lançado em Blu-ray no Brasil pela Obras-Primas do Cinema, em versão remasterizada em 4k, aprovada pelo diretor de fotografia, com muitos extras.

 

Enfim, Príncipe das Sombras é um filme excelente. Um filme bizarro, que mistura diversos assuntos ao mesmo tempo, além de contar com muitos personagens em seu elenco. Uma trama sobrenatural de mistério e terror cósmico, contada com a maestria característica do diretor John Carpenter. O diretor lida com questões religiosas e de Física de maneira brilhante, e cria uma trama bem elaborada. Um dos melhores filmes do diretor. Altamente recomendado.


Créditos: Obras-Primas do Cinema.


segunda-feira, 27 de maio de 2024

MADHOUSE – A CASA DO TERROR (1974). Dir.: Jim Clark.

 

NOTA: 8.5


Desde sua fundação, em 1962, a Amicus tornou-se um dos maiores estúdios de cinema britânicos de todos os tempos, rivalizando com a Hammer Films. Porém, ao contrário da Hammer, o estúdio tornou-se especialista em produzir antologias de horror, apesar de lançar outros filmes, a maioria voltados para o horror. Ao total, foram sete antologias, todas maravilhosas.

 

Mas hoje, não estou aqui para falar sobre as antologias do estúdio, e sim, sobre MADHOUSE – A CASA DO TERROR, produzido em parceria com a American International Pictures.

 

Este é um dos filmes mais divertidos e criativos do estúdio, apesar de contar com alguns problemas, mas, mais detalhes adiante.

 

Com toda certeza, seu maior atrativo é contar com a presença dos grandes Vincent Price e Peter Cushing no elenco, além do também grande Robert Quarry.

 

Se fosse somente pela presença dos dois astros, o filme já valeria a pena, mas, o longa tem mais atrativos. A começar pela própria trama, que é repleta de criatividade e metalinguagem, além de apostar no suspense digno de Giallo, e situações sinistras.

 

No entanto, apesar da criatividade, a produção deste filme foi bem problemática.

 

Os executivos da American Internation Pictures, aliados com a Amicus Productions, adquiriram os direitos do livro Devilday, do autor Angus Hall, para adaptação. Mas, no decorrer do caminho, alterações foram feitas no roteiro, além de surgirem problemas nas gravações. O resultado foi um fracasso de bilheteria, que culminou no fim das produções de terror da AIP.

 

Na trama, Price interpreta o ator Paul Toombes, famoso no gênero terror pela sua interpretação do Dr. Morte, um sádico assassino. Numa noite de Ano Novo, Paul testemunha a morte de sua noiva e vai parar em uma instituição psiquiátrica, pois acredita que ele mesmo é o culpado. Anos depois, ele viaja a Londres, a fim de estrelar uma série de TV do personagem Dr. Morte; mas, com a sua chegada, mortes misteriosas começam a acontecer.

 

Pela sinopse, é um típico filme de suspense e terror psicológico, onde o protagonista é perturbado por um trauma do passado e coisas misteriosas começam a acontecer ao seu redor, obrigando-o a pensar se ele é o culpado ou não.

 

Eu mesmo já vi alguns filmes com uma trama semelhante, e, falando francamente, se for um filme bem-feito, eu gosto muito. Aqui, felizmente, é um desses casos, porque desde o começo, fica claro que a morte da noiva de Paul foi um gatilho para prejudicar sua mente. Aproveitando-se dessa situação, alguém começa a matar as pessoas próximas a ele, a fim de incriminá-lo. E a identidade do responsável é mantida em segredo até o final, e digo aqui, que é uma surpresa.

 

Eu não sei vocês, mas, sempre que eu vejo esse filme, eu penso que o assassino é outra pessoa, mesmo com as dicas falsas que o roteiro apresenta ao espectador.

 

Além de apostar no clima de mistério digno de Giallo – principalmente por causa dos closes das luvas pretas do assassino –, o roteiro também aposta na metalinguagem, visto que Paul viaja a Londres para participar de uma série de TV. Então, temos aqui, cenas que passam nos estúdios de gravação, além de contar com a presença do diretor e produtores da série. Este é outro tipo de filme que eu gosto de ver, porque me dá uma ideia de como é uma gravação, com o trabalho do diretor e dos produtores.

 

No entanto, apesar de ser bastante criativo, o filme apresenta alguns problemas. O maior deles é a presença dos pais de uma das vítimas do assassino, que passam boa parte do filme chantageando Paul, a fim de extorquir seu dinheiro. Eu não vejo problemas com personagens assim, pelo contrário; o problema é que os dois não são muito bem escritos e não são bem interpretados.

 

Outro problema, acontece na sequência do programa de entrevistas, porque, o assassino está na plateia, mas, a câmera foca em outro personagem deixando e entrando no estúdio após uma pessoa morrer. Eu acho essas duas sequências bem problemáticas, principalmente quando o assassino é revelado.

 

Como é um filme co-produzido pela AIP, Madhouse tem de fato, cara de ser uma produção do estúdio, principalmente por causa das presenças de Vincent Price e Robert Quarry, que atuaram em produções da AIP anteriormente. Aliás, o filme faz uso de imagens de arquivo dos filmes de Price no Ciclo Edgar Allan Poe, de Roger Corman, que se passam por filmes do Dr. Morte, um belo exemplo da picaretagem do estúdio.

 

Antes de encerrar, uma curiosidade bem bacana. Na sequência da festa à fantasia, tanto Robert Quarry, quanto Peter Cushing aparecem vestidos de vampiros; só que Cushing está vestido de Drácula, e Quarry está vestido de Conde Yorga, seu personagem mais famoso na AIP.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Obras-Primas do Cinema, na caixa Amicus Productions, em versão remasterizada, com um documentário como extra.

 

Enfim, Madhouse – A Casa do Terror é um filme muito bom. Uma trama arrepiante, cheia de mistério com uma direção competente. A presença dos astros Vincent Price e Peter Cushing é o grande destaque, e os astros dão um show de atuação, especialmente Price, que transita entre a sanidade e a loucura de maneira ímpar. O roteiro é bem redondo, mas apresenta alguns problemas que chegam a atrapalhar a experiência. Mesmo assim, este é uma das melhores produções da American International Pictures, aqui em parceria com a Amicus. Muito bem recomendado. 


Créditos: Obras-Primas do Cinema.

 

UM GRITO DE PAVOR (1961). Dir.: Seth Holt.

 

NOTA: 9


A Hammer Films foi uma das maiores referencias quando o assunto era filmes de terror. Durante duas décadas, o estúdio se especializou em filmes de terror góticos, muitos deles sendo adaptações de grandes obras da literatura, como Drácula e Frankenstein. Mas havia também um outro lado do estúdio.

 

UM GRITO DE PAVOR, lançado em 1961, com direção de Seth Holt, é um exemplo do outro lado do estúdio, visto que o longa é contemporâneo e foi filmado em preto e branco; uma contrapartida às produções tradicionais do estúdio, que eram sempre voltadas para o gótico, e eram coloridas.

 

Mas não se engane. Apesar de estar fora dos padrões, este é um dos melhores e mais criativos filmes do estúdio. E motivos para isso não faltam. É um filme muito bem feito, com ótima direção, um roteiro afiado e um elenco espetacular.

 

Um aviso. Este é um filme em que acontece uma reviravolta chocante, por tanto, tentarei ao máximo conter os spoilers.

 

Aviso dado, vamos lá.

 

Grito de Pavor é um filme muito criativo, porque ao invés de apostar no terror sobrenatural, aposta mais no suspense e no terror psicológico, e isso funciona muito bem, porque mexe com a cabeça do espectador, fazendo-o pensar se tudo o que está acontecendo com a protagonista é real ou não.

 

Na trama, a jovem Penny retorna à propriedade da família, nove anos após sofrer um acidente que a deixou paralitica. No entanto, após sua chegada, coisas estranhas começam a acontecer, e ela acredita que o pai, que pensava estar viajando, está escondido em algum lugar da casa, e que uma trama foi armada para fazê-la parecer louca.

 

É uma trama básica, não é? De fato, até que sim, mas, conforme assistimos ao filme, descobrimos que o buraco é muito mais embaixo, e que as coisas não são o que aparentam. E próximo ao final do filme, acontece uma reviravolta, onde descobrimos que Penny não é quem diz ser.

 

Isso é o máximo que irei contar aqui, porque, acredite, você vai querer assistir a esse filme para descobrir qual é a reviravolta. Eu confesso que sempre me surpreendo quando assisto ao filme, porque, de fato, é uma reviravolta surpreendente. Ao mesmo tempo, este é aquele tipo de filme, que, após saber da reviravolta, quando assistimos a uma segunda, ou terceira, ou quarta vez, somos capazes de pegar um detalhe que estava ali o tempo inteiro.

 

O roteiro de Jimmy Sangster – que depois viria a dirigir alguns filmes para o estúdio – é muito sagaz e as pistas estão lá, basta apenas uma pitada de esforço do espectador.

 

O elenco também é um ponto positivo, com destaque para a atriz Susan Strasberg, que interpreta a protagonista Penny. Sua performance é excelente, e ela passa todos os sentimentos necessários para tornar a personagem convincente e interessante. Os outros atores também estão muito bem, e passam do amigável ao ameaçador com naturalidade. No entanto, quem rouba a cena é o grande Christopher Lee, num papel coadjuvante, mas que entrega tudo que precisa para tornar seu personagem misterioso e cativante ao mesmo tempo.

 

Grito de Pavor é um filme de terror psicológico, então, não espere encontrar cenas envolvendo litros de sangue, ou monstros sobrenaturais. Pelo contrário, temos aqui uma trama focada na realidade, com elementos que mexem com as emoções do espectador, e que vão aumentando à medida que o filme avança.

 

Este é também um daqueles filmes em que nada é o que parece, onde os personagens fazem um jogo contra a protagonista, a fim de obter algum lucro com isso, no caso aqui, é a fortuna da personagem – algo até que comum em tramas como esta. Mas não se engane. Este é um dos melhores exemplos de como é construído o suspense, pois vai construindo tudo aos poucos, sem pressa de fazer o espectador pensar.

 

Por causa de todos os esses motivos citados aqui, Grito de Pavor é um filme brilhante.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo, na caixa Obras-Primas do Terror 7, em versão restaurada.

 

Enfim, Um Grito de Pavor é um filme excelente. Um filme de terror psicológico, contado de maneira inteligente, aliado a uma direção inspirada e um elenco afiado. Uma trama cheia de surpresas e reviravoltas, que mexe com a cabeça do espectador a cada revisão. Um dos melhores filmes da lendária Hammer. Altamente recomendado.


Créditos: Versátil Home Vídeo.


segunda-feira, 20 de maio de 2024

UM BALDE DE SANGUE (1959). Dir.: Roger Corman.

 

EM MEMÓRIA DE ROGER CORMAN.


NOTA: 7.5


Roger Corman foi um dos grandes nomes do cinema, tendo trabalhado em mais de 200 produções desde os anos 50. Além disso, também foi o responsável por revelar grandes nomes do cinema que se tornaram consagrados hoje em dia. No último dia 8 de maio, Corman nos deixou aos 98 anos, mas seu legado é eterno.

 

Hoje, vou falar sobre um de seus filmes, o divertido UM BALDE DE SANGUE (1959), com Dick Miller no elenco, interpretando um de seus personagens mais conhecidos, Walter Paisley.

 

Primeiramente, eu devo dizer que este é um dos filmes mais divertidos que já vi, e tudo isso graças à própria técnica de direção de Corman.

 

Para quem não sabe, Corman foi mestre em trabalhar com pequenos orçamentos e prazos reduzidos de filmagem, mas não se enganem; com isso, ele foi capaz de produzir grandes filmes, com destaque para os longas do nobre Ciclo Edgar Allan Poe, composta por uma série de filmes baseados em contos de Edgar Allan Poe, e estrelados por Vincent Price. Mas, Um Balde não faz parte dessa fase de sua carreira.

 

Um Balde faz parte de outra leva de filmes que o cineasta produziu, com menos tempo de duração, realizados com pequenos orçamentos, e geralmente, em preto e branco. Mas isso não o impede de ser um filme capaz de divertir o espectador.

 

O longa conta a história de Walter Paisley, o garçom de um pequeno bar, que tem o sonho de ser artista. Mas as coisas não acontecem exatamente como ele espera, porque acaba fazendo suas esculturas de argila a partir das pessoas que matou, alcançando o status de artista renomado entre os frequentadores do bar.

 

É uma típica história de algum personagem que acaba se metendo em uma situação fora de controle, que começa por acidente, mas acaba desencadeando uma série de infortúnios para ele, e nesse caso, ele acaba levando tudo ao pé da letra, e acaba cometendo crimes.

 

Mesmo sendo um filme de terror, é um filme de terror cômico, visto que as situações em que o protagonista se envolve são muito absurdas e fica difícil dizer qual é a mais absurda. Eu pessoalmente encaro a sequência da serra como a mais absurda, porque acontece quase do nada, em um momento inoportuno.

 

Eu mencionei acima que as técnicas de direção de Corman são o motivo que fazem deste um filme muito divertido, e de fato é verdade. Corman se mostra um grande diretor, principalmente quando trabalha com os atores. A câmera de Corman se move com fluidez pelos cenários, principalmente no cenário do bar, que conta com planos abertos, mas com movimentos e ângulos espertos. A fotografia em preto e branco também funciona, porque combina muito com o filme, além de contribuir com a atmosfera e o aspecto de filme B.

 

O elenco também funciona, e todos os atores entregam ótimas performances, principalmente o ator Dick Miller, no papel do protagonista – anos antes de se tornar ator figurinha nos filmes do diretor Joe Dante. O Walter Paisley daqui – muito diferente das outras versões do personagem – é tímido e inseguro, e quando conquista 15 minutos de fama, muda de maneira brusca, tornando-se confiante, mas sem perder a timidez e a insegurança.

 

Outro personagem que entrega tudo, é o dono do bar onde Paisley trabalha. Ele é completamente louco, com aspecto de bêbado e desnorteado, principalmente quando descobre a verdade sobre as esculturas de Paisley.

 

E o freguês que recita poesias também merece destaque, porque ele é o primeiro a aparecer no filme, e pode levar o espectador a pensar que ele é o protagonista, mas logo o jogo vira. Ele é muito educado, sempre comentando a respeito de sua arte, e quando recita um poema em homenagem a Walter, o filme fica legal.

 

Um Balde é um dos filmes favoritos do diretor Joe Dante, que o levou a escalar Dick Miller para seus filmes quando se tornou cineasta, além de homenagear o protagonista deste filme, batizando alguns personagens de Miller com o nome Walter Paisley, apesar de todos serem diferentes.

 

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo na coleção Obras-Primas do Terror 12, em versão restaurada, que contou com um depoimento de Corman nos extras.

 

Enfim, Um Balde de Sangue é um filme bom. Um filme de terror com toques cômicos, contado com as técnicas singulares de Roger Corman, aliadas a um roteiro bacana, com personagens interessantes, e um enredo cômico. Um dos filmes mais divertidos que já vi, contado com a maestria do lendário Roger Corman.


Créditos: Versátil Home Vídeo.


segunda-feira, 13 de maio de 2024

NOTA.

 



Na última quinta-feira (9/mai), o lendário produtor e diretor Roger Corman nos deixou, mas a notícia foi divulgada apenas confirmada no último sábado (11/mai) pelos familiares do cineasta.


Ao longo de sua carreira, Corman foi dos mais produtivos cineastas de todos os tempos, tendo trabalhado em mais de 200 produções.


Além da produtiva carreira, Corman também foi o responsável por revelar diversos nomes do cinema que se tornaram consagrados hoje em dia.


Roger Corman foi um dos grandes nomes do Cinema, e sua contribuição para a Sétima Arte jamais será esquecida.


Fica aqui a homenagem ao grande cineasta ROGER CORMAN.


Descanse em paz. 

quinta-feira, 9 de maio de 2024

DAGON (H.P. Lovecraft).

 

NOTA: 9.5


DAGON é um dos contos mais conhecidos de H.P. Lovecraft.

 

Escrito e publicado no início de carreira do autor, já apresenta uma característica que se tornaria comum em sua bibliografia: a presença de criaturas marinhas ancestrais.

 

É um conto rápido, cuja leitura flui com naturalidade, e não cansa.

 

As descrições que Lovecraft faz do ambiente onde o protagonista está inserido – uma ilha inabitada – são o ponto alto da narrativa, porque fazem com que o leitor mergulhe naquele ambiente sinistro; além disso, a descrição do obelisco que o protagonista encontra na ilha também é muito boa, e fácil de visualizar.

 

Essa é uma das grandes características da obra de Lovecraft; a descrição do ambiente – ou personagem – fica bem melhor no papel, porque, assim, nós podemos dar a imagem que quisermos. Claro, às vezes isso não funciona muito, como foi no caso da leitura de A Sombra Vinda do Tempo, mas, por exemplo, em Cthulhu, isso não atrapalha; e aqui não atrapalhou também, principalmente no final.

 

O fato é que Lovecraft era um escritor de mão cheia, e sabia muito bem apresentar o terror quando achava necessário, utilizando técnicas impares, e aqui não é diferente.

 

O autor passa boa parte da narrativa preparando o terreno, descrevendo o dia-a-dia do protagonista na ilha inabitada, sua rotina pelo local, até que finalmente, ele encontra o obelisco ancestral, e se vê frente à frente com uma criatura tão antiga quanto o próprio homem.

 

Além disso, Lovecraft faz uso de Mitologia, uma vez que seu monstro é inspirado no deus-peixe dos Filisteus. Eu achava que Dagon era uma criação do autor, mas, de acordo com a nota de rodapé presente na edição da DarkSide Books, Dagon faz parte da cultura dos Filisteus. Agora, eu, pessoalmente, quando penso em Dagon, penso nesse conto de Lovecraft.

 

Enfim, Dagon é um conto excelente. Uma narrativa rápida, mas brilhante, escrita com o toque ímpar de Lovecraft, apresentando algumas características que se tornariam clássicas em sua obra. Um conto muito bem escrito, inspirado em Mitologia, além de servir como uma espécie de precursor de seu trabalho mais famoso. Um conto excelente.


H.P. LOVECRAFT

 

AVISO.

  O LIVROS & FILMES DE HORROR está em recesso. Obrigado.