domingo, 26 de julho de 2020

NOTA.







Hoje (26/jul), a atriz americana Olivia de Havilland nos deixou. A notícia foi confirmada pelo site Entertainment Weekly.

Uma das maiores atrizes de todos os tempos, Olivia era a última representante da Era de Ouro de Hollywood.

Com quase 70 filmes em sua carreira, Olivia teve como grande papel a personagem Melaine Hamilton, em ...E o Vento Levou (1939), um dos maiores Clássicos do Cinema.

Seus outros grandes papeis foram em Só Resta uma Lágrima (1946), A Porta de Ouro (1942), Aeroporto 77 (1977), Capitão Blood (1935), As Aventuras de Robin Hood (1938), A Herdeira (1949), dentre muitos outros.

Teve como grande parceiro, o ator Eroll Flynn, com quem atuou em nove filmes, entre eles Robin Hood e Capitão Blood. Juntos, eles formavam um dos mais belos casais da História do Cinema.

Além de seu grande sucesso no cinema, a atriz possuía uma vida pessoal um tanto quanto conturbada, principalmente por conta de sua relação com sua irmã, a também atriz Joan Fontaine, e por tido problemas com a Warner Bros., mesmo após o sucesso de ...E o Vento Levou.

Em 2017, foi interpretada pela atriz Catherine Zeta-Jones, no filme Feud. A atriz entrou com um processo contra os realizadores porque não gostou da forma como foi retratada na série.

Olivia de Havilland participou de muitos dos maiores clássicos do Cinema, e seus papeis tornaram-se inesquecíveis.

A atriz venceu o Oscar® de Melhor Atriz duas vezes, por Só Resta uma Lágrima e por  A Herdeira. Ela se aposentou no final dos anos 70. Em 2003, fez uma rara aparição pública na 75ª Cerimônia do Oscar®, onde foi aplaudida de pé pelos participantes.

Mesmo com seu papel memorável em ...E o Vento Levou, a atriz também será lembrada por seus outros papeis. Em 2008, recebeu do então presidente George W. Bush, a Medalha Nacional das Artes, pela sua contribuição para o Cinema.

Olivia de Havilland completou 104 anos em 1/jul deste ano. Ela morreu em sua casa em Paris, onde vivia desde 1958, de causas naturais. Com sua partida, a Era de Ouro de Hollywood se encerra definitivamente.

Olivia de Hallivand foi uma grande atriz, dona de papeis memoráveis. Sua contribuição para a História do Cinema foi imensurável, e ela, com certeza, deixou seu nome marcado na História da Sétima Arte para sempre.

Ela nunca será esquecida.

Fica aqui a homenagem à grande atriz Olivia de Havilland.




quarta-feira, 1 de julho de 2020

CARRIE, A ESTRANHA (Stephen King).


NOTA: 10



CARRIE, A ESTRANHA
CARRIE, A ESTRANHA é um Clássico de Stephen King. Seu romance de estreia, até hoje, é uma de suas melhores obras, e um livro relevante e atual.

Primeiro, é importante dizer que, muito mais que um livro de terror, Carrie é um livro sobre bullying. É um assunto muito presente na narrativa, e que sempre é alvo de discussões, principalmente quando acontece alguma tragédia em nossa sociedade. Sempre que vemos alguma noticia sobre um massacre escolar, acabamos descobrindo que o responsável cometeu o crime motivado por uma coisa: raiva acumulada por anos de bullying no ambiente escolar; raiva que explodiu de forma implacável. E é por isso que a questão do bullying deve ser trazida a tona, para talvez evitar que tais tragédias aconteçam. Então, no fundo, é justo dizer que Stephen King escreveu um livro sobre bullying nas escolas, e as consequências que ele traz. Acredito que seja a melhor maneira de definir o livro.

Pois bem, mudando o foco para a escrita do livro, digo o seguinte: já em seu livro de estreia, Stephen King soube criar uma historia excelente, perturbadora e apavorante. Seu texto é brilhante, escrito de uma forma simples, mas que prende o leitor até o final. Já comentei em outras resenhas que esse é o brilhantismo do autor, sua capacidade de criar enredos e personagens cativantes, que pegam o leitor pela mão e atiçam sua imaginação. Não é difícil imaginar como são aqueles personagens e aqueles cenários, porque eles são, realmente, criveis. É o tipo de coisa que somente grandes contadores de historias conseguem fazer, e sempre irei tratar disso quando fizer resenha de algum livro de Stephen King.

Outra coisa que torna a narrativa interessante é a forma como o autor a compôs. Ao invés de optar por algo linear, o autor resolveu conta-la em tempos diferentes, oscilando entre o passado e o presente, utilizando trechos de documentos sobre o fenômeno da telecinesia – a capacidade de mover objetos com a força do pensamento – e entrevistas sobre a tal Noite do Baile, evento que abalou a cidade onde a história se passa. Esses trechos de documentos científicos e entrevistas são muito interessantes e bem realistas; em certos momentos, eu imaginava se tudo aquilo existia mesmo. Um trabalho magistral.

Carrie é também uma historia brutal. As cenas da menina com sua mãe são arrepiantes, e a tortura psicológica ao qual a protagonista é submetida é muito pesada, e chega a ser triste ler essas passagens; é quase como se estivéssemos lá, vendo tudo aquilo, mas incapazes de agir. Eu já tive essa impressão na primeira vez que li o livro, e nessa releitura, a coisa não foi diferente. São cenas dignas de pesadelos.

Conforme mencionado acima, o principal evento da historia é a Noite do Baile, um evento muito comentado na narrativa, seja pelos alunos, seja pelos cientistas que estudaram o caso de Carrie depois. Muito bem, quando o autor finalmente o apresenta, a gente já tem uma vaga ideia do que vai acontecer, porque é citado nos trechos de estudos científicos e entrevistas, e o que aconteceu não foi nada bom; e quando é revelado o ocorrido, é o momento em que a historia se transforma numa verdadeira historia de horror, graças à Carrie e seus poderes. Ela é terrivelmente humilhada por uma das alunas, e decide se vingar. E sua vingança é terrível, atingindo seus colegas na Noite do Baile, metade da cidade, e sua mãe. Ela não poupa ninguém, e destrói tudo em seu caminho. Também não foi difícil imaginar toda a destruição, muito menos nos efeitos que isso causou na população. Para resumir, as pessoas nunca mais foram as mesmas depois disso tudo. Impressionante.

Outra coisa que podemos dizer sobre Carrie, é que é uma historia sobre o sangue. Ele está presente na narrativa do começo ao fim, e King não economiza, principalmente na sequencia da vingança de Carrie. O autor literalmente dá a ela um banho de sangue, e não a poupa disso. É sério, é arrepiante o que o autor faz com ela, com direito a facada, partes do corpo em carne viva, e sangue de porco. Um verdadeiro banho de sangue.

Com certeza o maior impacto da narrativa é a cena do vestiário, quando Carrie tem sua primeira menstruação. É uma cena que já surge com os dois pés na porta, uma cena forte e muito pesada, com a protagonista sofrendo humilhações das colegas, porque não sabia o que estava acontecendo com seu corpo, porque a mãe nunca lhe contou sobre isso. Tal selvageria foi muito bem retratada na excelente adaptação dirigida por Brian de Palma.

Devido ao seu conteúdo referente ao bullying, Carrie é, sim, um livro atual e relevante para discussões.

Em 1976, dois anos após sua publicação, recebeu uma excelente adaptação para o cinema dirigida por Brian de Palma, e estrelada por Sissy Spacek e Piper Laurie, nos papeis de Carrie e sua mãe, respectivamente.

Para finalizar, talvez não seja novidade que o livro quase não viu a luz do dia, porque Stephen King não se empolgou com o que estava escrevendo, e jogou as primeiras paginas no lixo. Felizmente, sua esposa recolheu as mesmas, deu uma lida e o incentivou a continuar, porque havia gostado. O resto é historia.

Enfim, Carrie, a Estranha é um clássico absoluto de Stephen King. Uma historia brutal de violência, tortura e sangue, contada com maestria. O autor consegue prender a atenção do leitor desde a primeira pagina, e não o poupa de situações pesadas e chocantes. Um livro construído de forma brilhante, cuja simplicidade é sua maior característica, e que cona com cenas verdadeiramente assustadoras e dignas de pesadelos. Uma historia de tirar o folego. Um livro excelente, e um dos maiores de Stephen King. Brilhante. Assustador. Maravilhoso. Altamente recomendado.



Acesse também:


terça-feira, 2 de junho de 2020

´SALEM (Stephen King).


NOTA: 10



'SALEM
Acredito que a primeira vez que ouvi falar em Salem’s Lot, segundo livro do autor Stephen King, foi em um documentário sobre a vida do autor, onde o livro foi mencionado pelo título que recebeu por aqui anteriormente, A Hora do Vampiro. A segunda vez foi com a adaptação para TV dirigida por Tobe Hooper.

A existência da adaptação me motivou a querer ler o livro, mas, na época, já não estava mais disponível. Foi só recentemente que adquiri a minha edição, agora lançada pela Editora Suma com o título ‘SALEM, e esse ano, resolvi sentar para ler. Dito e feito.

‘Salem é excelente. É uma das melhores historias de vampiro que já li, e um dos melhores livros de Stephen King, e já é um dos meus favoritos.

Quem conhece Stephen King, sabe que vários de seus livros são dignos de nota, pelo simples fato de serem muito bem escritos. Não há duvidas que o autor é um mestre na arte da escrita, e um excelente contador de historias, e ‘Salem é mais uma prova disso. É um livro maravilhoso, com narrativa envolvente e muito bem amarrada, que prende o leitor desde a primeira página. E, além disso, é muito assustador.

Em minha opinião, a cena mais assustadora é a cena do cemitério, onde um dos personagens é atacado por um dos primeiros vampiros. A cena mais arrepiante é a segunda cena da janela, que acontece com o personagem do garoto. Melhor não dizer mais nada, para não entregar spoilers.

Seja como for, o fato é que todos os personagens do livro são críveis, como se fossem pessoas de verdade. Esse é um dos grandes trunfos do autor, a capacidade de criar personagens que se parecem com as pessoas que vemos no nosso dia-a-dia. E não apenas os personagens, o cenário também.

Meus momentos favoritos são quando o autor descreve para nós a cidade de Jerusalem’s Lot e seus habitantes. Durante a leitura, eu pude me ver dentro daquela cidade, interagindo com as pessoas, de tão realista que é a descrição. É o tipo de coisa que o autor faz com brilhantismo e perfeição.

Como já havia assistido à adaptação de Tobe Hooper, não foi difícil visualizar os personagens conforme apresentados na minissérie, nem algumas cenas do livro que entraram na mesma, duas em especial.

Conforme comentou em um programa de TV, o autor é fã do vampiro clássico, e aqui ele pôde prestar as homenagens; os vampiros aqui presentes dormem em caixões, têm medo de crucifixos, não saem durante o dia, são monstruosos, e devem ser convidados para entrar em um recinto. Mais clássico impossível. Também não foi difícil visualizá-los como foram retratados na minissérie.

Mas o melhor de todos, é o Mr. Barlow, o vilão da historia. Ao contrario da versão apresentada na minissérie de Tobe Hooper, aqui, Barlow é um aristocrata europeu, charmoso, elegante, articulado. Quase um Drácula do século XX. Aliás, não lembro onde foi, mas eu li que o autor Stephen King fez de ‘Salem sua própria versão do livro de Bram Stoker. E funcionou, e muito bem.

Além da excelente adaptação de Tobe Hooper, lançada em 1979, ‘Salem também recebeu outra adaptação, também para TV, em 2004. Na época em que vi pela primeira vez, confesso que achei um ótimo filme, principalmente por causa dos vampiros; mas, hoje em dia, considero um filme bem fraco. Recentemente, foi anunciado que uma nova adaptação, desta vez para o cinema, está em desenvolvimento, com James Wan envolvido. Vamos aguardar.

Enfim, ‘Salem é um livro excelente. Uma historia de horror muito bem contada, e bem amarrada, onde tudo se encaixa. A escrita de Stephen King é magistral, e prende a atenção e envolve o leitor, do começo ao fim. Uma clássica historia de vampiro, com todas as características e homenagens à literatura do gênero. Uma trama arrepiante e sangrenta, com cenas dignas de causar pesadelos. Um dos melhores livros de Stephen King, com certeza. Maravilhoso. Altamente recomendado.




Acesse também:



segunda-feira, 1 de junho de 2020

A MANSÃO DA MEIA-NOITE (1983). Dir.: Pete Walker.


NOTA: 9



A MANSÃO DA MEIA-NOITE (1983)
A MANSÃO DA MEIA-NOITE é um dos melhores filmes de casa mal assombrada que já tive o prazer de conferir.

Lançado em 1983, foi produzido pela extinta Cannon Group, Inc., na época já sob a tutela da dupla Menahem Golan e Yoran Globus, que assumiram as rédeas em 1979. Mas, além de ser um dos melhores filmes de casa mal assombrada, é também o filme que marca a reunião dos quatro astros da segunda fase do horror clássico: Christopher Lee, Peter Cushing, Vincent Price e John Carradine. Se fosse só por isso, o filme já merecia destaque. Mas não é só por isso.

Do meu ponto de vista, o filme pode ser também um dos últimos – senão o último – representantes do Cinema de Terror Gótico, visto que a ambientação contribui para isso.

Outra coisa que também torna este um filme digno de nota é sua narrativa, que foge completamente da narrativa de casa mal assombrada – justamente por não conter nenhum fantasma – e brinca também com narrativa de mistério e assassinato. E todos esses elementos combinados, aliados ao roteiro sagaz, contribuem, e muito, para o excelente desempenho do filme.

Como em todo filme de casa mal assombrada, a ambientação é muito importante, e aqui, todas as características estão presentes. A Mansão é um lugar velho, abandonado, onde as teias de aranha tomaram conta, cobrindo as paredes, as janelas e as escadas; os moveis são cobertos por panos e lençóis, e a poeira parece saltar deles sem a menor dificuldade; e ratos andam pelos cômodos a esmo. Ou seja, o clássico cenário para um filme do gênero, do jeito que acontecia nos filmes de terror de antigamente. Perfeito.

E como representante do Terror Gótico, o clima é cheio de mistério, até mesmo antes do protagonista, o escritor Kenneth Magee, chegar à Mansão para escrever seu livro. A cena da estação de trem é digna de provocar arrepios, principalmente quando uma velha surge e desaparece logo depois. E o mistério perdura a medida que o filme avança, justamente por causa dos personagens que vão entrando na casa, personagens esses, interpretados pelos clássicos Mestres do Terror. O maior mistério da narrativa é a face de um descendente da antiga família que morou na Mansão, cujos atuais representantes, interpretados pelos astros, estão reunindo para um jantar. Tudo o que se sabe é que ele está escondido em algum lugar e está eliminando um por um. É também uma historia de mistério com as mortes acontecendo das maneiras mais assustadoras e inesperadas.

Ainda sobre a ambientação, outra sensação que o filme passa é a claustrofobia, também muito comum no gênero. Mesmo não contando com muitos corredores apertados e quartos selados, a sensação é transmitida, uma vez que os personagens estão presos e não podem sair. É também o tipo de cenário que faz parte do gênero.

E também sobre o roteiro. Além de entregar cenas verdadeiramente assustadoras, existem também algumas cenas que beiram ao cômico, principalmente quando os quatro astros estão juntos em cena; e para finalizar, entrega dois plot-twists eficientes.

Mas nada disso se compara a ver os quatro astros do Terror juntos. De verdade. É muito lindo vê-los juntos no mesmo filme, interagindo como grandes amigos que eram. É impossível separar o melhor, porque todos estão perfeitos em seus papeis, e quando eles surgem, a emoção é ainda maior. Com toda certeza não poderia haver elenco melhor. Os outros atores, principalmente Desi Arnaz Jr. – que, aliás, está idêntico ao pai –, também estão muito bem e entregam performances convincentes. Mas, novamente, os quatro veteranos do terror carregam, e maravilhosamente, o filme nas costas.

O curioso é que a dupla de produtores queria fazer um filme de terror com Bela Lugosi e Boris Karloff, mas não sabiam que ambos já haviam falecido.

No entanto, apesar de ser belíssimo ver os veteranos do horror juntos, é também muito triste, porque, infelizmente, todos já se foram, e levaram consigo, o legado do cinema de horror clássico. John Carradine faleceu em 27/nov/1988; Peter Cushing, em 11/ago/1994; Vincent Price, em 25/out/1993; e Christopher Lee em 7/jun/2015. Eu apenas acompanhei a noticia do falecimento de Christopher Lee, e foi um grande choque, receber a noticia.

É inquestionável a importância de todos eles para o Terror, e cada um, a sua maneira, deixou sua contribuição para o gênero e deixou seu nome gravado para sempre.

Foi lançado em DVD por aqui na coleção Obras-Primas do Terror Vol.7, da Versátil Home Vídeo, em versão restaurada.

Enfim, A Mansão da Meia-Noite é um filme excelente. Um dos melhores filmes de casa mal assombrada, e um dos últimos representantes do Terror Gótico. Uma historia cheia de mistério e pavor, contada de maneira eficiente. Um filme que contou com os quatro veteranos do terror em seu elenco: Christopher Lee, Peter Cushing, Vincent Price e John Carradine. A reunião dos astros é um chamariz para todos os fãs do terror. Assustador. Arrepiante. Divertido. Altamente recomendado.


Créditos: Versátil Home Vídeo



Acesse também:


sábado, 9 de maio de 2020

O PÁSSARO DAS PLUMAS DE CRISTAL (1970). Dir.: Dario Argento.



NOTA: 10



O PÁSSARO DAS PLUMAS DE CRISTAL
(1970)
Segundo o próprio Dario Argento, o Giallo é um gênero italiano. Surgiu no país na literatura, com uma pequena editora que lançava os livros de suspense com as capas amarelas – “giallo” quer dizer “amarelo” em Italiano – para diferenciá-las dos demais. A partir de 1963, o gênero migrou para o cinema, graças ao Maestro Mario Bava, que lançou o filme A Garota que Sabia Demais, que possuía algumas características que se tornariam clássicas no gênero. No ano seguinte, foi lançado Seis Mulheres para o Assassino, também do maestro Bava, filme responsável por apresentar as principais características do gênero: as mortes mirabolantes, a ineficiência da policia, a misoginia, as pistas falsas, e principalmente, o assassino de luvas pretas. Apesar desse pontapé inicial, não foram muitos os cineastas que resolveram se aventurar nesse gênero. Até que, em 1970, a coisa mudou.

Além de ser o primeiro filme do diretor Dario Argento, O PÁSSARO DAS PLUMAS DE CRISTAL, foi também o filme responsável por lançar de vez o Giallo no cinema. E já em sua estreia, Argento mostrou a que veio.

A história é contada de forma brilhante, com ótima direção, roteiro bem amarrado e ótimas atuações. É o tipo de filme onde tudo funciona a seu favor, e a cada revisão, parece ficar melhor; pelo menos para mim é assim. E mesmo tendo visto várias vezes, é um filme que gosto muito de assistir.

Não sei ao certo quando meu interesse pela obra de Argento começou, mas, desde que resolvi me aventurar em sua filmografia – a melhor parte, pelo menos – me tornei fã e admirador do cineasta, fazendo de seus filmes, uma inspiração. E este aqui é um dos meus favoritos.

Conforme já mencionei, O Pássaro é um filme onde tudo funciona, a começar pelo roteiro. Conforme Argento comentou em entrevistas, ele tinha interesse em modificar as regras do suspense. O que de fato, ele conseguiu. O roteiro é muito bem escrito, e consegue levar o protagonista, o escritor Sam Dalmas, a uma teia cheia de enigmas, que parecem aumentar à medida que ele resolve investigar por conta própria. Esta é também outra característica do gênero: a investigação que o protagonista faz por conta própria – quase sempre motivado por algo que testemunhou anteriormente – uma vez que a policia não consegue resolver os crimes. O fato da policia não conseguir resolvê-los, já fora estabelecido por Bava, mas, antes deste aqui, não me lembro de outro exemplar onde o protagonista resolve investigar o mistério; talvez nos filmes que vieram depois de Bava, mas não posso afirmar com certeza absoluta. O fato é que aqui, Dalmas faz exatamente isso, uma vez que o Comissário Morossini e seus homens estão em um beco sem saída.

Já no primeiro filme, Argento apresentou uma de suas principais características: o uso de câmeras subjetivas. É incrível o que a câmera faz em determinadas cenas, principalmente simula os POV’s – pontos de vista. E um cena em especial, Argento e o diretor de fotografia, Vittorio Storano, posicionam a câmera sobre um lance de escadas de um prédio, dando uma ótima perspectiva do ambiente. Outra que o diretor soube fazer muito bem foi enquadrar as mulheres. Segundo o próprio Argento, essa habilidade surgiu ao seu costume de observar o trabalho da mãe, a fotógrafa brasileira Elda Luxardo, que passava horas fotografando atores e atrizes italianos famosos. E dá para perceber que o diretor aprendeu muito bem. Os enquadramentos são perfeitos, principalmente das mulheres. Acho que nunca vi um filme em que as atrizes foram tão bem enquadradas pela câmera, algo que o cineasta utilizou em seus filmes futuros.

Outra coisa que funciona muito bem é a trilha sonora, composta pelo Maestro Ennio Morricone. Ao invés de uma trilha pesada, Morricone utilizou vozes femininas para fazer um coro parecido com uma canção infantil. É uma trilha que combina muito bem com a atmosfera.

Mas talvez as melhores coisas do filme sejam as cenas de assassinato, e o próprio assassino. Como já havia dito no começo, um dos atributos que tornaram o Giallo conhecido, foi a figura do assassino em roupas escuras, usando luvas de couro pretas, e aqui temos isso na melhor forma. O assassino encaixa-se perfeitamente na descrição clássica: usa roupas pretas, jaqueta com a gola levantada para esconder o rosto, chapéu, e claro, as luvas de couro pretas. Não tem nada melhor do que isso. Apesar de gostar das variações do gênero, eu sou fã do Giallo que tenha o assassino com luvas.

Agora, sobre os assassinatos. Se em Seis Mulheres para o Assassino, Mario Bava conseguiu transformar cenas de assassinato em obras de arte, aqui, Argento faz a mesma coisa. Apesar de o assassino ter matado cinco mulheres durante o filme, Argento só mostra duas delas sendo assassinadas, e ambas as cenas são muito bem feitas, construídas da maneira mais simples, mas com clima de suspense que deixa tudo mais tenso, deixando o espectador roendo as unhas. E quando os assassinatos acontecem, são fantásticos desse ver; não que o homicídio seja uma coisa bonita; eu me refiro ao modo como as cenas são filmadas. Não espere um banho de sangue. O sangue é espirrado na tela na quantidade certa e do jeito certo. A melhor cena de assassinato é a segunda, com uma navalha enorme fazendo seu trabalho; uma cena quase claustrofóbica. Argento levaria essa técnica de transformar cenas de assassinato em obras de arte para seus filmes futuros.

Uma das coisas pela qual Argento é questionado são as atuações do seu elenco. Há quem diga os aspectos técnicos do filme são melhores que as atuações, mas eu não vejo problema. As atuações são muito boas, principalmente dos quatro personagens principais. Outro “ponto negativo” é o fato de o protagonista não conseguir identificar o som do pássaro do título – o Grou coroado oriental – já que ele também estuda aves raras. Minha explicação é que, no calor da investigação, ele não se lembrou da espécie, ou então, não chegou a ler sobre ela. Essa é a minha interpretação.

O Pássaro das Plumas de Cristal foi lançado em Fevereiro de 1970 na Itália, e foi um sucesso de bilheteria; nos Estados Unidos, ficou em primeiro lugar por três semanas, tornando-se um sucesso por lá também.

O sucesso do filme foi responsável da introdução do Giallo no cinema, levando vários cineastas a produzir seus próprios filmes do gênero, muitos deles com nomes de animais nos títulos.

O filme é o primeiro da chamada “Trilogia dos Bichos”, composta também pelos filmes O Gato de Nove Caudas e Quatro Moscas Sobre Veludo Cinza, ambos lançados em 1971, também escritos e dirigidos por Dario Argento.

Foi lançado em DVD no Brasil pela Versátil Home Vídeo, em versão restaurada, com áudio italiano, na coleção A Arte de Dario Argento, juntamente com os outros filmes da “Trilogia dos Bichos”, e Terror na Ópera (1987), um de seus últimos grandes trabalhos.

Enfim, O Pássaro das Plumas de Cristal é um dos maiores exemplares do Giallo italiano. Um filme com atmosfera de suspense muito bem construída, que deixa o espectador arrepiado. A direção experiente de Dario Argento contribui para o ótimo desempenho do filme, além de mostrar o quão habilidoso ele se tornaria. O filme responsável por catapultar o Giallo no cinema, além de ter influenciado uma serie de cineastas a seguir o mesmo caminho. Um filme excelente, que merece ser visto e apreciado. Maravilhoso. Altamente recomendado.



Créditos: Versátil Home Vídeo




Acesse também:



sexta-feira, 1 de maio de 2020

A GUERRA DOS MUNDOS (1953). Dir.: Byron Haskin.


NOTA: 9.5



A GUERRA DOS MUNDOS (1953)
A GUERRA DOS MUNDOS é um dos maiores clássicos do cinema, e a segunda melhor adaptação de H.G. Wells. 

Lançado em 1953, até hoje, é reconhecido como um dos melhores exemplares do gênero de ficção científica, tendo influenciado diversos filmes posteriores. E mesmo hoje em dia, mais de sessenta anos após seu lançamento, ainda é um filme espetacular, principalmente por causa dos efeitos especiais – mais detalhes adiante.

Para mim, o faz deste um filme tão especial, é a nostalgia; não nostalgia por ter vivido naquela época (porque eu não vivi naquela época), mas sim por ver como o cinema era antigamente, sem efeitos digitais mirabolantes. Mesmo hoje em dia, é um filme que, do meu ponto de vista, não envelheceu mal e continua muito bem feito. Mas não é só isso. É interessante assistir aos filmes do passado e prestar atenção nos métodos de realização dos mesmos. Comparando com hoje, tudo parece muito mais simples e sem preocupação, chegando até ser divertido, principalmente nos filmes de gênero. Mas acima de tudo, eles passavam credibilidade. Conforme mencionei na resenha de O Monstro do Mar Revolto, era possível acreditar que aqueles personagens eram reais, e aqui acontece a mesma coisa, principalmente com cientistas e militares. E boa parte disso se deve ao roteiro: não existem muitos diálogos expositivos, ou explicações e teorias que se repetem ao longo da narrativa, pelo contrário; os diálogos são de fácil compreensão e não se repetem, o que os torna mais criveis. Você acredita que são cientistas de verdade e militares de verdade, justamente porque não precisam de um roteiro explicativo; é bem realista. É o tipo de coisa que faz falta no cinema atual.

Apesar do livro de Wells se passar na Inglaterra Vitoriana – época em que o autor viveu – o roteiro é ambientado na Califórnia dos anos 50, possivelmente por questões orçamentais; mas isso não é um problema. O filme faz parte de uma espécie de “realidade alternativa”, onde o material-base para a adaptação não existe, o que é bem interessante e bizarro, até. Além disso, o cinema de ficção cientifica da época sempre contou com filmes contemporâneos, então, uma adaptação fiel da obra, ambientada era Inglaterra Vitoriana provavelmente seria estranho; então a historia foi alterada para a realidade da época. É um dos melhores exemplos de adaptação que funcionam, porque capturam o espirito do material-base e não exatamente a época em que o mesmo foi escrito. Sem contar que o filme possui aquele aspecto do cinema sci-fi dos anos 50, o que contribui para a nostalgia.

Com certeza, um dos fatores que tornam A Guerra dos Mundos um filme espetacular, são os efeitos especiais, principalmente o design das naves dos Marcianos. Segundo o colecionador e historiador de cinema Bob Burns, o diretor de arte Al Nozaki tinha a ideia de criar um design diferente, porque todas as naves vistas até então, tinham quase sempre o mesmo design. Então, Nozaki apresentou um design semelhante à uma arraia-jamanta, cuja a arma de raios era acoplada em cima da nave e tinha aparência de cobra. O resultado foi um dos melhores e mais originais designs de discos voadores da história do Cinema. E de fato, as naves – ou maquinas de guerra, como são chamadas – são a melhor coisa do filme, e roubam a cena quando estão em tela. É impossível não se fascinar por elas, com sua cor escura e luzes verdes, principalmente quando aparecem voando e destruindo a cidade com seus raios de calor. O design dos marcianos é também um ponto a favor. Ao invés de cria-los a partir da concepção original de Wells, os cineastas apresentaram os extraterrestres como seres bípedes, com dois longos braços e três olhos. Também um design original e memorável. Graças aos efeitos especiais, o filme foi premiado com um Oscar® em 1954.


Este filme é dividido em três partes: o primeiro ataque dos Marcianos; o contra-ataque dos militares, e a evacuação e destruição de Los Angeles, cada uma com cenas memoráveis. Não direi muito sobre elas para não dar spoiler. Vou apenas falar da terceira parte. As melhores cenas da terceira parte são a evacuação e a destruição de Los Angeles. A cena da evacuação é uma das melhores que já vi, porque é muito bem filmada, inclusive, pode até ser utilizada como referencia para esses tempos que estamos vivendo, onde a humanidade está mais preocupada em salvar a própria pele do que ajudar o próximo. Realmente uma sequencia impressionante. A destruição de Los Angeles não fica para trás, com as naves voando por entre os prédios e destruindo os mesmos com seus raios de calor; em meio a isso, o protagonista correndo pelas ruas desertas, procurando a mocinha. Um perfeito cenário de apocalipse.

Uma curiosidade sobre as naves dos Marcianos. O diretor Byron Haskin reaproveitou as mesmas em seu filme Robson Crusoé em Marte, lançado em 1964.

A Guerra dos Mundos foi produzido por George Pal, considerado um dos mais importantes cineastas de ficção cientifica, tendo produzido também, a adaptação de “A Máquina do Tempo”, lançada em 1960 e estrelada por Rod Taylor, também considerada um marco do cinema de ficção cientifica. Foi lançado em Agosto de 1953, e tornou-se um sucesso de critica e de bilheteria. Até hoje, é considerado um dos maiores filmes de ficção cientifica de todos os tempos. Em 2011, foi selecionado para preservação no National Film Regisrty pela Biblioteca do Congresso dos EUA. Os Marcianos ocuparam a 27ª na lista dos 50 Maiores Vilões do Cinema do AFI (American Film Institute).

Em 2005, o diretor Steven Spielberg dirigiu uma nova adaptação do livro de Wells, estrelada por Tom Cruise.

Em 2020, a Criterion Collection anunciou o lançamento do filme em Blu-ray, em versão restaurada em 4k. Vamos aguardar. Infelizmente, é certo que essa versão nunca será lançada aqui no Brasil. O filme chegou a ser lançado em DVD no Brasil, mas atualmente está fora de catalogo.

A Guerra dos Mundos é, sem duvida, um dos maiores filmes de ficção cientifica de todos os tempos. Uma historia muito bem contada, em todos os sentidos. Um filme que até hoje, é motivo de referencia para cinéfilos e cineastas. Um épico da ficção cientifica e um clássico do gênero, e uma das maiores adaptações de H.G. Wells. Excelente.

Altamente recomendado.










Acesse também:


sexta-feira, 10 de abril de 2020

HELLRAISER (Clive Barker).


NOTA: 10



HELLRAISER
HELLRAISER é um livro assustador, visceral, sangrento e excelente.

Escrito por Clive Barker nos anos 80, é um dos melhores livros de terror que já tive o prazer de ler. Eu havia comprado a minha edição – lançada pela DarkSide Books – em uma Bienal do Livro, há alguns anos, mas não tive a oportunidade de ler. Bem, já corrigi esse erro.

O livro é excelente. Uma obra assustadora e violenta, repleta de sangue e sexo, tudo combinado de maneira brilhante. Mas, na verdade, a historia não é nova para mim.

Eu já havia visto o filme algumas vezes, e realmente, é um clássico do terror. Porem, eu não sabia que o longa era baseado em um livro, achei que era um roteiro original de Barker – mesmo porque isso não é mencionado nos créditos. Só fui descobrir que Pinhead e sua turma surgiram na literatura quando a DarkSide lançou o livro aqui no Brasil, mais detalhes adiante. E não tive duvidas. Eu tinha que adquirir esse livro. Bom, dito e feito.

Conforme mencionei em outras resenhas, existem autores que não precisam escrever um calhamaço de mil páginas para contar uma boa historia; claro, existem aqueles que o fazem, mas ao meu ver, não contam nada – salvo exceções. Hellraiser é um exemplo de livro curto que tem muita historia para contar. E que historia.

Como foi meu primeiro contato com a obra literária de Clive Barker, não sei ao certo como ele aborda seus temas, ou qual a linguagem que ele utiliza para tal, mas, posso dizer o seguinte: Barker é um gênio. Esta é uma das historias de horror mais originais já criadas nos últimos tempos – tanto o livro quanto o filme – e uma das melhores também. Logo no primeiro capitulo, Barker foi ao ponto: apresentou o vilão da historia, contou sobre o que ele gosta e sobre quem ele é, e também apresentou os Cenobitas, os seres que habitam outra dimensão, e podem ser invocados pela Caixa de Lemarchand, um pequeno quebra-cabeça que possui um papel importante na historia. E também Barker não faz cerimonia, e mostra que a historia é visceral e repleta de conotações sexuais, isso já no inicio. A primeira vez que Frank usa a caixa e surge um dos Cenobitas, é apavorante; muito disso vale pela descrição. Barker descreve muito bem as ações e os cenários, e faz a gente que acreditar que tudo aquilo é real, além de tornar fácil a visualização de tudo.

O texto é visceral. Barker escreve as cenas de horror com grande maestria, e não fica difícil para o leitor fazer caretas enquanto lê o livro; caretas de nojo, mesmo. Eu cheguei a fazer algumas durante a leitura. E existe motivo. Não me lembro de ter lido algum livro com cenas de morte e tortura tão pesadas e violentas, muito mais do que os torture-porn da vida; corpos mutilados, ganchos, desmembramentos... Um prato cheio para os fãs do horror. Isso sem falar do conteúdo sexual. Esqueça 50 Tons de Cinza! Assim como o terror é visceral, o sexo, também. As cenas de sexo fazem qualquer livro adulto de hoje parecer historia de criança. Sério. Muito bem escrito.

Quem é fã de Hellraiser sabe que os filmes se resumem a um grupo de personagens: os Cenobitas, liderados pelo inesquecível Pinhead. Pois bem, quem já viu os filmes, sabe que eles foram apresentados no primeiro filme, lançado em 1987. E em toda sua gloria. Aqui, no livro, não tão diferente assim. Como mencionado acima, Barker apresenta um deles logo no primeiro capitulo da historia, mas só reserva espaço para eles brilharem novamente, mais adiante. Mas não tem importância. Mesmo sendo identificados pelo nome, é fácil saber quais Cenobitas estão presentes no livro. Eu acredito que sejam o Pinhead e a Fêmea, com base nos diálogos, muito parecidos com os diálogos do filme.

Os outros personagens também são muito bons, principalmente a Kirsty, que se tornou a “final-girl” do primeiro filme. Bem, assim como no filme, aqui ela está ótima, e poderia ser a protagonista da historia sem esforço, mas, eu acredito que quem protagoniza a historia de fato sejam o Frank e a Julia. Apesar de não aparecer muito, Frank é um personagem perturbador, tanto na forma humana, e quando retornada dimensão dos Cenobitas. Inclusive, eu acredito que ele volta muito pior da dimensão dos Cenobitas. O mesmo não pode ser dito de Rory, seu irmão, que, infelizmente, não é tão interessante, e é quase um personagem apagado. E, ao contrario do filme, aqui, Julia está ótima. Desde que surge pela primeira vez, ela não esconde sua personalidade: amargurada, arrependida de ter se casado com Rory, e completamente devota e submissa a Frank.

Sobre a edição lançada por aqui pela DarkSide, o seguinte. Como sempre, a editora caprichou no lançamento, e fez um trabalho excelente. O acabamento é maravilhoso, com todos os detalhes que remetem ao filme; a tradução está excelente, e a formatação também, e não atrapalha a leitura. Sem duvida, a DarkSide Books é uma editora que respeita e ama seus fãs, e traz sempre produtos de qualidade.

Como todos sabem, Clive Barker acabou adaptando seu livro para o cinema em 1987, um ano depois da publicação original. O filme é, sem dúvida, um Clássico do Terror, que deu origem a um dos personagens mais queridos do gênero: Pinhead.

Enfim, Hellraiser é, sem duvida, um excelente livro de horror. Uma historia visceral de sangue e sexo, combinados de maneira brilhante. Uma historia perturbadora e violenta, mas escrita com maestria. Uma das historias de horror mais originais que já li. Maravilhoso.

Altamente recomendado.





AVISO.

  O LIVROS & FILMES DE HORROR está em recesso. Obrigado.